Os quatro acusados de matar Thayná foram soltos e podem entrar no Programa de Proteção a Testemunha


Os quatro homens que inicialmente eram suspeitos afirmam ter sido torturados em unidades policiais. Eles foram soltos no início da noite desta segunda-feira (15)

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Corregedoria da Polícia Civil pediram oficialmente à Justiça, na tarde desta segunda-feira (15), a prisão de policiais denunciados por supostas torturas ocorridas nas apurações da morte da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos. Os quatro homens inicialmente suspeitos de envolvimento no crime foram soltos no início da noite desta segunda-feira.
No total, foram encaminhados ao Juízo Criminal de Colombo 15 pedidos de prisão preventiva, entre eles a do delegado Silvan Rodney Pereira, que estava a frente da delegacia do Alto Maracanã. Também foi solicitado o afastamento de nove agentes públicos.

Os policiais foram denunciados por quatro homens que inicialmente eram suspeitos de envolvimento na morte da menina. Em depoimento, eles disseram ter sido torturados em pelo menos quatro unidades: nas delegacias do Alto Maracanã [em Colombo], de Campo Largo e Araucária, além da Casa de Custódia. A tortura teria incluído surras em pau-de-arara, choques elétricos e até empalamento. Eles afirmaram que confessaram o crime por não terem suportado as sessões de tortura."A maioria dos pedidos são relacionados a policiais civis. Os afastamentos também, que podem servir caso não haja prisão, pois um funcionário público pode se valer da função para atrapalhar uma investigação, por exemplo", explicou o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti.
Soltura
Os quatro foram soltos por determinação da 1ª Vara Criminal de Colombo, na região metropolitana de Curitiba. O pedido de liberdade provisória havia sido apresentado pelo MP-PR.
Por volta das 18h40, eles deixaram a Casa de Custódia de Araucária, na região metropolitana de Curitiba, onde estavam detidos. Saíram da unidade a bordo de dois carros do Gaeco, para onde foram levados.
Os quatro podem passar a integrar o Programa de Proteção às Testemunhas do Paraná. O coordenador do programa é o procurador Leonir Batisti, que também chefia o Gaeco. De acordo com ele, se eles acharem necessário, podem solicitar por meio do advogado de defesa. Ao saírem da prisão da Casa de Custódia, em Araucária, eles devem ir ao Gaeco para conhecer como funciona o programa. “Vamos expor o programa para eles”, disse.
Batisti disse que, mesmo pedindo, não há uma garantia que ocorra porque um colegiado analisa cada caso. “Há uma equipe técnica, com psicólogos, assistentes sociais, que entrevistam as testemunhas. Depois, um colegiado decide”, explicou Batisti.
De acordo com ele, o programa é muito rigoroso e muitas pessoas não se adaptam ao sistema. “A proteção da entidade prevê mudança de residência, pode haver até transferência de estado”, afirmou.
Ele conta que a testemunha não pode deixar rastros e, por isso, o contato até com a família é vedado, sendo feito apenas com prévia autorização. “Muda-se a rotina totalmente”, conta. Por lei, o serviço de proteção à testemunha pode durar dois anos. No entanto, segundo Batisti, pode haver prorrogação, caso necessário.
No fim da tarde, a OAB-PR aceitou a inclusão dos quatro no programa.
 Fonte: Gazeta do Povo

GAECO, VAI PEDIR A PRISÃO DE TODOS OS POLICIAIS ENVOLVIDOS NA INVESTIGAÇÃO DO CASO THAYNÁ


Segundo a assessoria da pasta, os supostos envolvidos foram identificados em depoimento dado pelos presos, que começou na noite de sábado (13) e terminou apenas nesta manhã

A Secretaria de Segurança do Paraná (Sesp) confirmou, neste domingo (14), que irá determinar ao delegado-geral de Polícia Civil, Michelloto, e à Corregedoria da corporação para que seja pedida a prisão temporária dos policiais envolvidos na tortura dos quatro homens que foram inicialmente apontados como suspeitos de matar e estuprar a adolescente Tayná Adriane da Silva, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo a assessoria da Sesp, os envolvidos na suposta tortura foram identificados em depoimento dado pelos homens, que começou na noite de sábado (13) e terminou apenas na manhã deste domingo, por volta das 7 horas, na sede da secretaria, no Centro Cívico, em Curitiba.
Segundo o programa Fantástico, da Rede Globo, os promotores que atuam no caso apontam que os homens identificaram, por fotos, 10 policiais civis, um militar, um guarda municipal, um preso e um delegado que teriam praticado a tortura. No entanto, a Sesp não confirma esses dados, nem se os policiais pertencem todos à Delegacia de Alto Maracanã, em Colombo, onde o crime começou a ser investigado e onde foi obtida a confissão dos crimes.
Pedido de soltura
Após ouvir os quatro presos, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) resolveu pedir, em caráter de urgência, a liberdade provisória deles, alegando que já foram interrogados repetidamente durante o inquérito policial e cederam material genético para análise e comparação com as evidências. A promotoria defende que, até o momento, eles não demonstraram sinais de que praticariam outros crimes, caso sejam soltos.
Também neste domingo, a Sesp determinou uma intervenção do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) na Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, um dos locais onde os homens presos dizem terem sido torturados para confessar os crimes, dos quais alegam inocência.
Segundo o delegado titular do Cope, Amarildo José Antunes, a decisão de intervir na delegacia foi tomada “em virtude da gravidade dos fatos e para garantir transparência, licitude e agilidade nas investigações”.
Com a determinação, uma equipe de oito policiais do Cope assume a guarda do prédio e dos presos. Segundo o delegado, a operação deve durar cerca de três dias, período em que o Cope deve realizar também a transferência de 12 presos que estão na delegacia para um local ainda não determinado.
Destituição de advogado
Ainda na noite de sábado, os quatro homens presos destituíram o advogado Roberto Rolim de Moura Júnior como seu defensor. A destituição ocorreu após Rolim interromper os depoimentos que os seus clientes prestavam na Sesp. O advogado alegou que não havia sido comunicado do procedimento e que os quatro deveriam permanecer em silêncio.
Segundo o promotor Paulo de Lima, um dos acusados disse, então, que gostaria de dar sua versão mesmo assim, e desconstituiu Rolim da condição de seu representante legal, sendo seguido no pedido pelos demais. Estavam presentes no depoimento os delegados Guilherme Rangel, responsável pelo caso; Rafael Vianna, assessor civil da Sesp-PR e delegado designado para acompanhar as investigações, além do promotor e de membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR).
Segundo o promotor, o advogado não foi encontrado para que fosse comunicado da tomada de depoimento dos quatro acusados. Quando soube do evento, Rolim se dirigiu à secretaria e interrompeu o procedimento. O dono do parque onde os rapazes trabalhavam e seu advogado também chegaram ao local.
Neste domingo (14), a OAB-PR divulgou uma nota oficial afirmando que dois de seus membros acompanharam os depoimentos dos suspeitos e ressaltando que eles "transcorreram em clima de absoluta tranquilidade e de respeito aos seus direitos e garantias constitucionais, sem nenhuma forma de pressão ou coação de parte das autoridades ali presentes".
"Os acusados manifestaram de forma livre o direito de renunciar ao advogado Roberto Rolim de Moura Júnior e constituíram como seu advogado Andrey Salmazo Poubel que também companhou a íntegra das oitivas. Já o advogado Aryon Jakson Schwinden, embora alegando ser também advogado dos quatro rapazes, não foi reconhecido por nenhum deles como tal", completou a entidade, que também afirmou que continua acompanhando tanto as investigações do assassinato da adolescente quanto o da tortura que teria sido imposta aos quatro homens apontados inicialmente como suspeitos pelo homicídio.

Fonte: Gazeta do Povo