Acabar com falta de médicos no Brasil levará anos, diz ministro da Saúde





Enquanto o governo federal trava uma batalha pública para suprir, de imediato, a falta de médicos na atenção básica do interior do país, ações para resolver o deficit de médicos especialistas levarão anos para ter efeito.
"Infelizmente, [o impacto] é de médio prazo, porque o Brasil nunca planejou a expansão da residência a partir da necessidade da população", disse à Folha o ministro Alexandre Padilha (Saúde). "Leva de dois a três anos para formar o especialista."
A presidente Dilma Rousseff promete dobrar, até 2017, o número de vagas de residência médica. Há, hoje, 11.468 postos, disputados por recém-formados (15 mil no ano) e por quem ainda não fez o curso.
Em cinco anos, o governo quer tornar essa etapa obrigatória na formação.

As medidas integram o programa Mais Médicos, cujo braço mais adiantado é o reforço no número de profissionais no interior e nas periferias --brasileiros ou profissionais vindos de fora do país.

SALÁRIO DE R$ 30 MIL

Atualmente, gestores de cidades e hospitais reclamam da dificuldade de contratar pediatras, anestesiologistas, psiquiatras e outros, mesmo em centros de referência.
O Hospital de Câncer de Barretos (SP), por exemplo, não consegue suprir sua demanda por especialistas, mesmo pagando salários iniciais de até R$ 30 mil --seja na sede ou em centros que mantém em outras regiões.
Na semana passada, por exemplo, pela falta de quatro médicos, um centro de diagnóstico foi aberto em Campo Grande (MS) com apenas metade da capacidade.
"Há serviços ociosos por falta de especialista. A quantidade de residências é muito insuficiente pelo crescimento da demanda com o envelhecimento e crescimento da população", diz Henrique Prata, gestor do hospital.
LEVANTAMENTO
O diagnóstico é reforçado por pesquisas do Observatório de Recursos Humanos em Saúde da UFMG. Estudo comparativo revelou que cresceu, entre 2008 e 2011, a dificuldade de contratação do médico para oito especialidades pesquisadas, principalmente anestesiologia e pediatria.
Em 2008, 32,1% dos hospitais consultados relataram ter "muita dificuldade" para contratar um pediatra. Passou para 66,8% em 2011.
"Independentemente da região, se no interior ou na capital, o fato é que essa dificuldade é crescente", afirma Sábado Girardi, coordenador do núcleo de educação em saúde coletiva da UFMG.
Segundo ele, resultados preliminares de estudo de 2012 mostram que a situação se mantém. "Não encontramos nenhuma melhoria no quadro, pelo contrário."
Girardi reconhece que a ampliação de vagas de residência médica pode suprir a carência por especialistas no mercado, mas sugere outras opções.
"Um dos caminhos seria expandir o escopo de prática de outras profissões que poderiam fazer mais em termos de procedimentos que hoje são exclusivos dos médicos."
Ele afirma ainda que, em alguns casos, a baixa oferta de determinadas especialidades é decorrente de uma "cartelização". "[O objetivo] é formar uma escassez artificial para aumentar salários."

NÚMERO EXATO
O ministro da Saúde argumenta que a gestão Dilma tem adotado medidas para ampliar a formação de especialistas, como o pagamento de bolsas adicionais de residência nas áreas de carência desde 2011 e, agora, o Mais Médicos.
O Ministério da Educação está levantando o número exato de especialistas do país para poder projetar o total de vagas a serem abertas em cada especialidade.

Irmãos Dias lideram corrida para o Senado



Pesquisa mostra Alvaro e Osmar à frente na intenção de votos. A dúvida é se apenas um deles ou ambos vão disputar a cadeira de senador

Faltando um ano e meio para as próximas eleições ao Senado, a família Dias polariza a disputa no Paraná. Os irmãos Alvaro Dias (PSDB), atual dono de uma das três cadeiras do estado, e Osmar Dias (PDT) aparecem com larga vantagem sobre os outros concorrentes. Entretanto, essa vantagem pode ser enganosa: um novo candidato no cenário pode complicar a eleição de ambos, como já aconteceu em 2006, quando o tucano venceu com apenas 5% de vantagem a então desconhecida Gleisi Hoffmann (PT). O levantamento é do Instituto Paraná Pesquisas.
Em família
Alvaro e Osmar podem se enfrentar pela 1.ª vez nas urnas
A família Dias vai completar, em 2014, 20 anos consecutivos no Senado. Osmar Dias (PDT) foi senador de 1994 a 2010, enquanto Alvaro Dias (PSDB) exerce mandato desde 1998. Apesar de serem presenças constantes nas eleições, os dois nunca se enfrentaram.
Em 2014, porém, a conjuntura favorece essa disputa. Após longo embate com o PSDB estadual, Alvaro se reaproximou de Richa para garantir sua candidatura à reeleição ao Senado. Já Osmar, que declarou ter intenção de voltar ao Parlamento, seria o nome mais forte numa eventual aliança PDT-PT.
No entanto, os dois não são descartados para disputar o governo. Osmar pode sair no lugar de Gleisi Hoffmann (PT) ou em uma estratégia de várias candidaturas para forçar um segundo turno. Já Alvaro chegou a ser convidado por outros partidos devido a seus atritos com a cúpula tucana.
No atual cenário, nenhum nome posto para a disputa parece forte o suficiente para desbancar os dois irmãos. Em todos os cenários pesquisados, eles aparecem à frente dos demais concorrentes, com Alvaro sempre levando vantagem sobre Osmar por uma diferença de cerca de 10%.
Para o cientista político do grupo Uninter Luiz Do­mingos Costa, Ricardo Barros (PP), André Vargas (PT), Paulo Bernardo (PT) e Orlando Pes­suti (PMDB) apresentam porcentuais baixos de voto, considerando que são velhos conhecidos do eleitor paranaense. Barros orbita a zona dos 10% em diferentes cenários, enquanto os outros estão próximos dos 5%. A única exceção seria Sérgio Souza (PMDB), que apesar de estar no mesmo patamar, ainda é um nome pouco conhecido do eleitor.
Entretanto, as últimas eleições para o Senado têm se mostrado cada vez mais acirradas para os “figurões” paranaenses no Senado. Em 2006, Alvaro quase perdeu sua cadeira em uma disputa contra Gleisi, que na época disputava seu primeiro mandato eletivo. Em 2010, a história se repetiu com Roberto Requião (PMDB), outro veterano da política paranaense. Após ser governador por dois mandatos consecutivos, o peemedebista obteve a segunda cadeira do estado na votação, ficando apenas 185 mil votos à frente do então tucano Gustavo Fruet (hoje no PDT).
Cenário incerto
O cenário das eleições para o Senado ainda é incerto, já que há uma dúvida sobre a possibilidade de Alvaro e Osmar disputarem a mesma cadeira. Os dois hoje se encontram em campos opostos da política: Alvaro é um dos opositores mais ferrenhos da presidente Dilma Rousseff, enquanto Osmar ocupa a vice-presidência de Agronegócios do Banco do Brasil, por indicação da petista. No passado, os dois já disseram que preferem não disputar diretamente a mesma cadeira, mas a conjuntura política do estado pode forçar esse embate.
Para o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, essa decisão é fundamental para saber o rumo das eleições. “Se os dois irmãos se enfrentarem, não tem para ninguém”, afirma. Na visão dele, um irmão absorveria a rejeição do outro e evitaria que um candidato de fora da família tivesse chances reais de vencer a disputa.
Caso um dos dois abra mão da candidatura ou saia candidato para outro cargo, a história muda. Um eventual candidato de fora poderia representar o voto anti-Alvaro ou anti-Osmar e ter chances de complicar a disputa. Entretanto, para Hidalgo, esse nome ainda não apareceu.
Fonte: Gazeta do Povo