HIPERTENSÃO ARTERIAL O MAL DO SÉCULO




HIPERTENSÃO ARTERIAL

DATA: 26 de abril - Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hipertensão Arterial. Instituído pela Lei nº 10.439, de 30 de abril de 2002, com o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção e controle da doença.
TEMA: Os temas que serão divulgados na campanha deste ano são: 
1 - QUEM TEM BOM CORAÇÃO COMBATE A HIPERTENSÃO – EU SOU 12 POR 8. 
2 - MENOS PRESSÃO.
MENSAGEM: - Divulgar mensagens para alertar e aumentar a conscientização da população, profissionais de saúde e professores, a cerca dos riscos da Hipertensão Arterial e das formas de prevenção e controle. 
- Alertar que a Hipertensão Arterial por não ter sintomas, é considerada “uma inimiga silenciosa”. Quanto mais precocemente for detectada, maiores serão as chances de tratamento e assim evitar as complicações da doença. 
- Conscientizar os professores pelo fato da prevenção iniciar desde muito cedo e o espaço da escola ser fundamental nesse processo. 
- Promover ações de estímulo a hábitos saudáveis de vida, a medida da pressão arterial em escolares no “Programa Saúde na Escola”.

Muitos Embaixadores (personalidades) têm aderido à causa, emprestando seu carisma e seu prestígio para alertar a população sobre os benefícios da prevenção e controle da hipertensão: Lázaro Ramos, Carolina Ferraz, Letícia Sabatella, Guilhermina Guinle, Ney Matogrosso, Samuel Rosa, Humberto Gesinger, Ricardo Amorim, Lucas Mendes, Sarah Oliveira, MV Bill, entre outros.
A difusão da mensagem  será feita por veículos tradicionais (TV, rádio, mídia impressa etc.), assim como por meio de novas mídias, como o hotsite www.eusou12por8.com.br e algumas mídias sociais (Twitter, Facebook, Orkut). Materiais da Campanha estarão nos consultórios, nas drogarias, nas publicações, em todos os lugares.
Diferentemente das campanhas sazonais, será contínua e terá o ápice de sua divulgação no dia 26 de abril: Dia nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão.

DADOS ESTATÍSTICOS NO BRASIL: 
Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que a proporção de brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial aumentou nos últimos cinco anos, passando de 21,6%, em 2006, para 23,3%, em 2010. Em relação ao ano passado, no entanto, o levantamento aponta recuo de 1,1 ponto percentual – em 2009, a proporção foi de 24,4%.
Os dados fazem parte da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). O Vigitel é realizado anualmente, desde 2006, pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (NUPENS/USP). Em 2010, foram entrevistados 54.339 adultos, nas 26 capitais e no DF.
De acordo com a pesquisa, o diagnóstico de hipertensão é maior em mulheres (25,5%) do que em homens (20,7%). “Nos dois sexos, no entanto, o diagnóstico de hipertensão arterial se torna mais comum com a idade, alcançando cerca de 8% dos indivíduos entre os 18 e os 24 anos de idade e mais de 50% na faixa etária de 55 anos ou mais de idade”, explica o Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa.
O aumento se deve ao maior acesso da população ao diagnóstico na atenção primária de saúde. E as mulheres procuram mais o diagnóstico na atenção básica, daí uma prevalência mais significativa entre elas.
O estudo aponta que a associação inversa entre nível de escolaridade e diagnóstico é mais marcada na população feminina: enquanto 34,8% das mulheres com até oito anos de escolaridade referem diagnóstico de hipertensão arterial, a mesma condição é observada em apenas 13,5% das mulheres com doze ou mais anos de escolaridade.
A variação entre as capitais é de 13,8%, em Palmas, a 29,2%, no Rio de Janeiro. Nos homens, as maiores frequências foram observadas no Distrito Federal (28,8%), Belo Horizonte (25,1%), e Recife (23,6%); e as menores, em Palmas (14,3%), Boa Vista (14,6%) e Manaus (15,3%).
Entre mulheres, os maiores percentuais foram no Rio de Janeiro (33,9%), Porto Alegre (29,5%) e João Pessoa (28,7%); e os menores, em Palmas (13,2%), Belém (17,4%) e Distrito Federal (18,1%).

ESTRATÉGIA NACIONAL: 
O Ministério da Saúde vêm implementando diversas estratégias de saúde pública, cientificamente eficazes e sustentáveis para prevenir e controlar a Hipertensão Arterial e suas complicações, através do cuidado integral a esse agravo de forma resolutiva e com qualidade; para que isso ocorra diversas ações são desenvolvidas, como: 
• Formulação de Diretrizes Nacionais de Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus e Prevenção de Doença Cardiovascular e Doença Renal Crônica, que possuem um conjunto de ações de promoção de saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento;
• Atualização e Educação Permanente de médicos e enfermeiros da rede básica de saúde para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento;
• Assistência Farmacêutica ampla e gratuita, que se dá por meio de repasse de recursos financeiros para todos os municípios, para aquisição de medicamentos da rede básica, de acordo com a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais – RENAME. Hoje a rede Básica do SUS dispõe de todas as classes dos medicamentos necessários para o bom controle da hipertensão arterial: espironolactona, hidroclorotiazida, metildopa, metoprolol, propranolol, atenolol, anlodipino, captopril, enalapril, losartan.
A ampliação do acesso a esses medicamentos se deu de forma muito ampla a partir do programa do governo Federal “Farmácia Popular”, criado em 2004 com unidades próprias e ampliado em 2006 com o “Aqui Tem Farmácia Popular”, que inclui a rede privada e com sistema de co-pagamento com descontos de até 90% sobre o preço padrão;
• Incentivo a implementação do Sistema Informatizado de Gestão Clínica de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus da Atenção Básica. O SIS-Hiperdia é um sistema nacional de cadastro e monitoramento de Hipertensos e Diabéticos atendidos na rede básica do SUS. Hoje o sistema tem aproximadamente 08 milhões de cadastrados;
• Ampliação dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), para reforçar as ações de prevenção dos fatores de risco para os hipertensos e suas famílias e, principalmente, a adesão ao tratamento, que é o maior problema no controle da hipertensão. Hoje já existem 1.320 NASF em funcionamento no país;
• Priorização e financiamento de pesquisas visando qualificar o cuidado e suprir lacunas de conhecimento na atenção a esse agravo no Brasil. Essa estratégia se dá por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos.
Todas as ações são pactuadas, financiadas e executadas pelos gestores dos três níveis de governo. – federal, estadual e municipal. As ações de assistência são na grande maioria executadas nos municípios, sobretudo na rede básica de saúde.

POLÍTICA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE: 
Tem como uma das prioridades o Estímulo a Atividade Física e o Programa Saúde na Escola cujo objetivo é prevenir e promover saúde dos escolares, por meio de avaliações do estado nutricional, incidência precoce de hipertensão e diabetes, controle de cárie, acuidade visual e auditiva e também psicológica. O Programa vai avaliar as condições de saúde dos escolares, ações de promoção da saúde e prevenção de agravos e de educação permanente e capacitação dos profissionais e de jovens e monitoramento e avaliação da saúde dos estudantes. Um dos principais componentes é a segurança alimentar e promoção da alimentação saudável e a promoção das práticas corporais e atividade física, fatores essenciais para uma prevenção primária da Hipertensão.

MAIS INFORMAÇÕES:www.eusou12por8.com.br 





Diabetes, uma doença silenciosa e perigosa


DIABETES

O Dia Mundial do Diabetes foi criado em 1991 pela International Diabetes Federation (IDF) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma resposta ao crescente número de casos em todo o mundo. O objetivo desta data é chamar a atenção, sobretudo no que diz respeito ao acesso à sua prevenção e tratamento adequados e de qualidade para evitar complicações mais severas, reduzindo o impacto sobre os indivíduos, famílias e custos para os sistemas de saúde e para a sociedade em geral. De 2000 a 2010, o diabetes foi responsável por mais de 470 mil mortes em todo o Brasil. Neste período, o número saltou de 35,2 mil para 54,8 mil. Isso significa que a taxa de mortalidade avançou de 20,8 para 28,7 mortes por 100 mil habitantes

A Diabetes Mellitus está entre as 5 doenças que mais matam, chegando cada vez mais ao topo da lista. É uma doença metabólica caracterizada pelo aumento anormal de glicose (açucar) no sangue. Embora ainda não haja uma cura definitiva, há vários tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida:

Título Conteúdo  Fatores de Risco e Prevenção do Diabetes

FATORES DE RISCO
• Urbanização crescente 
• Idade maior de 45 anos (envelhecimento da população) 
• Estilo de vida pouco saudável, como: sedentarismo, dieta inadequada e obesidade 
• Sobrepeso (IMC - índice de massa corporal maior ou igual a 25) 
• Antecedente familiar 
• Hipertensão arterial (maior que 14 por 9) 
• Colesterol e/ou triglicerídios maior que o normal 
• História de macrossomia ou diabetes gestacional 
• Diagnóstico prévio de síndrome de ovários policísticos 
• Doença cardiovascular, cerebrovascular ou vascular periférica definida

PREVENÇÃO DE RISCOS
• Mudanças de estilo de vida 
• Redução de peso (entre 5 a 10% do peso) 
• Manutenção do peso perdido 
• Aumento da ingestão de fibras 
• Restrição de gorduras, especialmente as saturadas 
• Aumento de atividade física regular

Avaliação dos médicos estrangeiros começa nesta segunda-feira (26)






O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fará a abertura do módulo de acolhimento e avaliação dos profissionais estrangeiros inscritos no Programa Mais Médicos nesta segunda-feira (26), às 10h30, em Brasília. Durante três semanas, os médicos formados no exterior que participam desta primeira etapa do programa terão seus conhecimentos em saúde pública brasileira e língua portuguesa avaliados. A aprovação nesta etapa é condição para que recebam o registro profissional provisório e comecem a atender a população nos municípios.   
 
Lançado no dia 8 de julho pela presidenta da República Dilma Rousseff, o Programa Mais Médicos visa ampliar o número de profissionais nas regiões carentes, como os municípios do interior e as periferias das grandes cidades.
 
Início do módulo de avaliação do Programa Mais Médicos
Data: 26.08.2013     
Horário: 10h30
Local: Auditório da Finatec da Universidade de Brasília, no Campus Universitário Darcy Ribeiro, Av. L3 Norte, Ed. Finatec, Asa Norte – Brasília (DF)
 

Ministério destina R$ 81,3 milhões para urgência e hemodiálise





Estão sendo investidos R$ 81,3 milhões para a habilitação de Unidades de Terapia Intensiva e procedimentos de hemodiálise em 21 estados brasileiros
O Ministério da Saúde está investindo na ampliação da assistência em urgência e alta complexidade nas cinco regiões brasileiras. Portarias, que foram publicadas nesta semana no Diário Oficial da União, destinam R$ 8,1 milhões para a habilitação de Unidades de Terapia Intensiva e procedimentos de hemodiálise. Do total de recursos repassados, R$ 72,7 milhões serão aplicados no custeio de procedimentos em nefrologia. A medida representa aprimoramento em hemodiálise e outros serviços ambulatoriais.
Para a Rede de Atenção às Urgências serão destinados R$ 11,7 milhões. Os municípios de Curitiba (PR), Santo Antônio de Jesus (BA), Coroata (MA) e Mafra (SC) vão receber investimento de R$ 11,5 milhões para a habilitação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) tipo II, definido pela publicação da Portaria Nº 1.732. Já o município de Campo Grande receberá recursos destinados à ampliação de UTIs do tipo neonatal no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. O investimento incrementa o atendimento da Rede Cegonha para bebês no estado. A estratégia Rede Cegonha, lançada em 2011, reforça as ações para intensificar e qualificar a assistência integral à saúde de mães e filhos. Estas ações têm contribuído para o declínio da mortalidade infantil, neonatal e materna no País.
A estratégia prevê o investimento de R$ 9,4 bilhões até 2014. Deste total, R$ 3,6 bilhões já foram destinados. Atualmente, a Rede Cegonha conta com a adesão de 4.983 municípios de 27 Unidades Federativas, atendendo 2,7 milhões de mulheres, ou seja, 96% do total de gestantes usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS).
Portaria Nº 1.735 estabelece a incorporação do valor anual de R$ 137,8 mil ao Teto Financeiro de Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar dos Estados e Municípios.
HEMODIÁLISE - O SUS oferece atenção integral aos usuários com problemas renais, incluindo a oferta de medicamentos e de exames complementares. Há um crescimento sustentado no número de serviços especializados e no atendimento a esse público. Em 2012, estima-se que aproximadamente 86.937 pacientes foram mantidos em serviços de diálise pelo SUS, destes 93% estão em tratamento de hemodiálise.
Em 2012, foram realizadas 12.074.960 sessões de hemodiálise na rede pública. O crescimento em sete anos foi de 46,5%. Em 2004, foram 7,8 milhões de procedimentos. Até o momento, há em todo o Brasil 689 serviços de nefrologia habilitados junto ao SUS.
Fonte> Portal da Saúde

Gradativamente todos os celulares do Brasil receberão mais um numero

Celulares do interior de São Paulo vão receber mais um dígito


Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A partir do próximo domingo (25), os números de telefones celulares do interior de São Paulo, com os DDDs 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19, terão mais um dígito. A partir da mudança, o número 9 será acrescentado à esquerda dos atuais números de celular, que passarão a ter nove dígitos.
    
O nono dígito deverá ser acrescentado por todos os usuários de telefone fixo e móvel que ligarem para celulares de São Paulo, independentemente do local de origem da chamada. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a medida tem como objetivo aumentar os recursos de numeração na telefonia celular do estado.
Haverá um período de adaptação, no qual as ligações discadas com oito dígitos ainda serão completadas, mas gradualmente haverá interceptações das chamadas e os usuários receberão mensagens com orientações sobre a nova forma de discagem. Após esse período, as chamadas marcadas com oito dígitos não serão mais completadas.
A inclusão do nono dígito nos números de celulares já foi adotada em julho do ano passado na região com código de área 11, que abrange 64 municípios de São Paulo, inclusive a capital.
Em outubro, será a vez das cidades do Rio de Janeiro (DDDs 21, 22 e 24) e do Espírito Santo (DDDs 27 e 28) ganharem mais um dígito nos números de celulares. Até o fim de 2016, todos os telefones móveis do país terão mais um número.
Edição: Graça Adjuto
Fonte: Agencia Brasil

Máfia dos desmanches operava na capital havia 7 anos


Donos de autopeças pagavam propina a policiais civis desde 2005. Índice de roubo de carros disparou no período

Denunciada há dez dias, a rede de corrupção articulada por delegados e investiga­do­res para cobrar propina de donos de lojas de peças auto­mo­tivas usadas não é algo no­vo. O Grupo de Atuação Espe­cial de Combate ao Crime Or­ganizado (Gaeco) reuniu indícios de que a máfia dos desmanches estava arraigada na estrutura da Polícia Civil e que funcionava havia pelo menos sete anos em Curitiba e Região Metropolitana. A atuação da quadrilha, segundo os promotores, tem relação direta com o índice de carros roubados, que disparou nos últimos anos.
Ao longo da Operação Vor­tex, lojistas do setor de autopeças detalharam ao Gaeco que, desde 2005, pagavam propina mensalmente à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV). Em troca, a polícia fazia “vistas grossas” nas fiscalizações, abrindo precedentes para a venda de peças de carros roubados ou furtados.
“É uma prática que estava arraigada. O valor da ‘mensalidade’ variava de acordo com o delegado divisional (Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, departamento ao qual a DFRV está subordinada) e com a dinâmica da loja”, diz o promotor André Pasternak Glitz. Um caderno de contabilidade apreendido na casa de um investigador indica que o valor da propina variava entre R$ 250 e R$ 1 mil. Estima-se que cerca de R$ 30 mil eram arrecadas por mês pelos policiais.
Em depoimento, um dos comerciantes revelou que entrou para o esquema em 2006, quando se mudou para Curitiba e comprou uma autopeças. O pagamento já estava na previsão de gastos do negócio. “A pessoa que vendeu a loja já o avisou. ‘O esquema é o seguinte: tem a mensalidade da delegacia e você tem que pagar para não ser incomodado. Você tem que pagar’. E ele pagava”, conta Glitz.
De acordo com o Gaeco, as lojas que integravam o esquema formavam uma espécie de rede. Os ladrões eram contratados individualmente pelos estabelecimentos para roubar carros sob encomenda. Os automóveis eram desmanchados em locais escondidos e as peças, distribuídas entre as autopeças e vendidas aos clientes em meio a lotes legalizados.
As estatísticas indicam a re­lação entre a máfia dos des­manches e o aumento no nú­mero de carros levados por bandidos. Em 2007 – quando a Secretaria de Estado da Segurança Pública começou a divulgar os índices – a média era de 16,3 veículos furtados e roubados em Curitiba por dia. No ano passado, foram 25,5 por dia.
Com a substituição dos delegados acusados de integrar o esquema, o índice começou a recuar pela primeira vez. No primeiro trimestre deste ano, a média de veículos levados por bandidos ficou em 23,4 por dia. Dados repassados pela DFRV apontam que o índice vai fechar o semestre neste patamar.
Outro lado
Em nota, o Departamento da Polícia Civil disse que não comenta “abstrações” sobre supostos casos de corrupção na DFRV e ressalta que nenhum policial foi denunciado no “pseudoesquema”, no período entre 2005 e 2010.
“Polícia depenou o meu carro”, acusa vítima
Era noite de sábado, fevereiro de 2009, quando Gustavo (nome fictício) estacionou seu carro – um Golf – em frente ao prédio onde mora um amigo, no bairro Ahú, em Curitiba. Nem chegou a desligar o veículo. Dois homens armados deram voz de assalto, obrigando-o a seguir com eles. Poucas quadras adiante, no entanto, os ladrões se decepcionaram ao saber que o veículo era modelo 1.6, pois “procuravam” um 2.0.
“Eram profissionais. Quan­do souberam que não era o tipo que eles queriam, me disseram para ficar tranquilo, que abandonariam o carro em seguida, depois da fuga”, contou Gustavo, que foi libertado pelos bandidos sem sofrer um arranhão.
Duas semanas depois, uma ligação da Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo (Grande Curitiba), informou que tinham achado o carro. Mas, ao chegar lá, Gustavo teve uma decepção: havia apenas a carcaça do Golf. “Levei um susto. O carro estava desmanchado. Fiquei encucado”, disse.
“Surpresas”
As suspeitas aumentaram quando, pouco depois, um amigo que mora próximo à delegacia assegurou que o Golf de Gustavo, ainda intacto, permaneceu estacionado em frente à delegacia por vários dias seguidos. “A própria polícia desmanchou meu carro”, concluiu. Quando o guincho levava a carcaça do automóvel à sua casa, outra revelação. “O motorista disse que é comum levar carros para cortar em desmanches. Sempre tem policial no meio. Mas, como não podia provar, não levei a história adiante”, resignou-se.

Por conta própria
Delegacia agia sem planejamento e sem orientação superior
Além de denunciar o esquema de corrupção, as investigações do Gaeco sugerem que a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) de Curitiba funcionava sem um planejamento estratégico definido pelo Departamento da Polícia Civil. De acordo com os promotores, os delegados geriam a delegacia a seu modo, a partir de critérios pessoais e sem orientação superior.
“Quando os índices estavam ruins, simplesmente se trocava de delegado. O novo [delegado] começava a trabalhar de forma completamente diferente de seu antecessor e sem nenhum planejamento. Isso nos assustou muito. Não havia serviço de inteligência, não havia um trabalho estratégico”, diz o promotor André Glitz.
Para o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, o planejamento é determinante para a eficácia das ações, principalmente em casos “crônicos”, como o de furtos e roubos de veículos. “Não existe como uma ação genérica combater problemas crônicos. Isso exige um programa de segurança pública. É algo para o secretário se reunir toda semana com o titular da delegacia, com o chefe das Polícias Civil e Militar, e pensar estrategicamente”, opina. Segundo o Gaeco, o serviço de inteligência só foi criado na DFRV após o afastamento dos delegados denunciados no esquema. Para especialistas, isso foi determinante para a reversão dos índices.
Sangue novo
Há 20 dias, a delegacia foi assumida pelo delegado Cassiano Aufiero. Neste período, o novo chefe da DFRV ampliou o setor de inteligência e começou a mapear desmanches. No período, dois foram fechados, 43 pessoas foram presas e 132 veículos foram recuperados. “Nós vamos responder com trabalho. Daqui pra frente, é trabalho, trabalho e trabalho”, diz Aufiero.
Entrevista
“É o maior desafio da minha carreira”
Cassiano Aufiero, novo delegado da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba.
Há 20 dias, o delegado Cassiano Aufiero foi indicado para assumir a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), uma das unidades especializadas mais importantes do estado e, ao mesmo tempo, epicentro de uma denúncia que envolve corrupção policial. No curto período à frente da delegacia, ele iniciou a ampliação do serviço de inteligência e manteve a redução dos índices de roubo e furto de carros. “Para retomar a confiança da população, é muito trabalho”, disse. Veja a entrevista completa:
A DFRV ficou estigmatizada após a conclusão da Operação Vortex?
Eu não senti isso, mas acredito que abala um pouco a confiança da população na delegacia. Afinal, se tornou público uma coisa que ainda não foi comprovada. Eu prefiro deixar para Justiça decidir isso. Mas, comprovado ou não, a população fica receosa.
O que fazer para retomar a confiança da população?
O que eu posso dizer é trabalho, trabalho e trabalho. É trabalhar muito. Desde que cheguei, troquei 12 policiais. Os que vieram são policiais que já sabem do meu jeito, já estão adaptados ao meu trabalho. São pessoas que vêm me acompanhando há algum tempo. Implementei minha filosofia e estou cobrando muito deles. A gente chega cedo e vai embora muito tarde.
Já surtiu algum resultado?
Nesses 15 dias, recuperamos 132 veículos e fizemos 43 prisões. Foram dois desmanches fechados. Em um deles, em União da Vitória, encontramos 23 veículos, oito deles intactos. Para retomar a confiança da população, é muito trabalho. É a população ver que você está trabalhando.
Houve outras mudanças?
Eu ampliei o setor de inteligência para que os braços da delegacia alcancem não só Curitiba, mas a região metropolitana, interior e litoral. Na semana passada, por exemplo, recuperamos dois carros no litoral. Também vamos atuar fora do estado em alguns casos. Por exemplo: tem um desmanche em outro estado que está receptando veículos roubados aqui. Isso me dá autonomia para ir lá e prender os responsáveis.
Como vai funcionar o setor de inteligência?
Tenho um policial que está designado especialmente para analisar os boletins de ocorrência e, a partir disso, identificar vítimas que possam dar mais detalhes sobre a atuação dos bandidos. O policial faz essa triagem e identifica pessoas que possam fornecer essas informações. Ele telefona para essas vítimas e faz um levantamento qualitativo dessas informações e inclui no banco de dados.
Qual a equipe o senhor tem à disposição?
Tenho 66 policiais, divididos por todos os setores.
O senhor tem plena confiança nos seus policiais que eles não vão ceder a assédio de bandidos e cair em algum esquema semelhante ao denunciado?
Puxa, eu acredito que todo o policial que entra na profissão é para fazer um serviço sério e que vem com uma ideologia. Então eu acredito que não [vão ceder ao assédio de bandidos]. É um pessoal novo, são recém-formados. Nada contra os antigos, mas estou mesclando policiais de mais tempo com policiais com sangue novo. Então vamos formar uma equipe assim, de confiança.
É um desafio para o senhor?
Eu diria que é o maior desafio da minha carreira. Eu acho que esta é a maior delegacia do estado, com uma grande área administrativa, um volume de trabalho gigantesco.

Fonte: Gazeta do Povo