Eles não querem mais saber da Câmara Federal


Com um ano de antecedência da eleição de 2014, 8 dos 30 deputados do Paraná anunciam que não vão concorrer a um novo mandato. “Autorrenovação” pode ser ainda maior e chegar a 40% da bancada
Fonte inesgotável de escândalos, surrada pela opinião pública e cada vez mais atrelada ao Poder Executivo, a Câmara dos Deputados está perdendo o encanto para os políticos paranaenses. A um ano das eleições de 2014, 8 dos 30 deputados federais do estado anunciam que não vão concorrer à reeleição. Somados os que já deixaram o mandato e outros que tendem a disputar outros cargos, o número pode chegar a 12, o que provocaria uma “autorrenovação” de 40% da bancada.
Dos eleitos como titulares em 2010, estão fora de uma nova disputa Abelardo Lupion (DEM), Cézar Silvestri (PPS), Cida Borghetti (PP), Dr. Rosinha (PT), Eduardo Sciarra (PSD), Ratinho Júnior (PSC) e Rosane Ferreira (PV). Marcelo Almeida (PMDB), suplente do atual secretário estadual da Casa Civil, Reinhold Stephanes (PSD), também antecipou a decisão de não tentar a reeleição.
A renovação pode atingir o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT), que prioriza a candidatura ao Senado, e o presidente estadual do PMDB, Osmar Serraglio, cotado para ser candidato a vice-governador na chapa de Beto Richa (PSDB). Colaboram para a renovação automática dois fatos ocorridos no ano passado: a renúncia de Luiz Carlos Setim (DEM), eleito prefeito de São José dos Pinhais, e a morte de Moacir Micheletto (PMDB), vítima de um acidente de carro.
Mais que antes
Em 2010, seis deputados federais eleitos quatro anos antes não disputaram a reeleição. Gustavo Fruet (então no PSDB) e Ricardo Barros (PP) concorreram ao Senado. Rodrigo Rocha Loures (PMDB) foi candidato a vice-governador. E Max Rosenmann (PMDB) morreu em 2008. Alceni Guerra (então no DEM) e Cassio Taniguchi (DEM) não concorreram.
Dos atuais “desistentes” quatro têm três ou mais mandatos na Casa. Um dos principais nomes da oposição, Lupion é o mais veterano de toda bancada atual, com seis mandatos consecutivos. “Não quero mais um mandato porque a minha paciência se esgotou”, justifica Lupion, que é agropecuarista e planeja se dedicar aos negócios privados.
A principal queixa de Lu­pion é quanto à submissão do Legislativo em relação ao Palácio do Planalto. Atualmente, os únicos partidos declaradamente de oposição (PSDB, DEM, PPS e PSol) somam apenas 84 (16%) das 513 cadeiras da Câmara. “A influência do governo virou um rolo-compressor”, concorda Silvestri, que está licenciado da Câmara para exercer o cargo de secretário estadual de Governo. Ele também não pretende se candidatar à reeleição em 2014.
Governista, Dr. Rosinha aponta outro problema: o custo das campanhas. “Sem uma reforma política, não quero mais continuar”, diz ele, que planeja concorrer no futuro ao Parlamento do Mercosul. Em 2010, 16 deputados paranaenses declararam gastos de campanha acima de R$ 1 milhão.
Únicas mulheres da bancada, Cida Borghetti e Rosane Ferreira vão tentar outros caminhos. Presidente estadual do recém-criado Partido Republicano da Ordem Social (Pros), Cida vai tentar uma eleição majoritária, preferencialmente como vice-governadora. Já Rosane diz ser “ideologicamente contra a reeleição”.
Positiva pelo aspecto da renovação, as mudanças podem afetar o peso da representação paranaense. Dos seis deputados do estado apontados em 2013 na lista dos 100 congressistas mais influentes do Congresso elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, cinco estão entre as possíveis baixas – Lupion, Dr. Rosinha, Sciarra, Serraglio e Vargas.