Mesmo com greve, decisão da justiça garante 70% da frota de ônibus nos horários de pico


Da Redação

O presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Roberto Gregório, informou em entrevista ao jornalista Adilson Arantes na tarde desta terça-feira (25) a ação proibitória do órgão foi aceita e a decisão judicial garante pelo menos 70% da frota de ônibus nos horários de pico e 40% nos demais períodos do dia. “Esse é o nosso papel para garantir tranquilidade aos usuários de ônibus de Curitiba, que não serão prejudicados com uma possível paralisação”, comentou. A decisão é da juíza Anelore Rothenberger Coelho, da 18ª Vara do Trabalho de Curitiba.
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Foto: Divulgação
Por outro lado, o presidente do Sindicato dos Cobradores e Motoristas de Ônibus (Sindimoc), Anderson Teixeira, afirmou que é lamentável a Urbs procurar a justiça para garantir um mínimo de funcionários trabalhando do que os funcionários para uma negociação. “Entendemos que essa ação seria natural, mas após a decisão. Isso nos mostra que os únicos interessados na negociação somos nós trabalhadores, mas entendemos que ação judicial é para ser cumprida, mas essa questão será levada à assembleia”, disse.
Caberá à Urbs identificar as linhas e horários a serem cumpridos pelos motoristas e cobradores, dentro dos percentuais estabelecidos e, havendo descumprimento, a multa será de R$ 10 mil por dia, enquanto durar a desobediência.
Para fins de cumprimento da determinação, são considerados horários “de pico” entre 6h e 8h e entre 17h e 19h, de segunda à sexta-feira e, aos sábados, somente das 6h às 8h; não há horários de pico aos domingos.
Proposta
A proposta feita na manhã de quarta-feira (19) pelo sindicato patronal não agradou motoristas e cobradores de ônibus. Segundo Teixeira, ao contrário dos anos anteriores, desta vez não foram apresentados índices de reajustes fixos. A fase negociação com a classe patronal segue de modo lento, já que a data-base para as discussões era o dia 1º de fevereiro. “Nós temos vários itens a serem discutidos, que não se limitam a questão salarial. Nós queremos, sobretudo, melhorar as condições de trabalho em todos os aspectos.
A situação das estações-tubo é somente um exemplo, já que elas são lugares praticamente desumanos para os cobradores”, relatou o presidente.
Outro lado
O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana informou, por meio de nota, que entende as reivindicações da categoria, mas não tem condições de atendê-las neste momento.
“Em função das dificuldades das empresas já há muito apontadas em estudos realizados por doutores em economia da Universidade de São Paulo USP e pela empresa de consultoria, com renome internacional, a KPMG, levadas ao conhecimento do poder concedente e expressas inclusive judicialmente,pelo não cumprimento do contrato, sustentam que as reivindicações dos trabalhadores encontram sérios obstáculos para serem atendidas, devido ao grande número de itens e pelos altos valores reivindicados. Além disso as disposições contratuais estabelecem limites a expansão das despesas com pessoal”, diz a nota.
O sindicato também se diz preocupado em relação à segurança das pessoas e pelo zelo do patrimônio, “entendendo que as manifestações públicas são atos legais desde que não cheguem ao vandalismo colocando vidas em risco”.