Mãe de garoto que matou a tia diz que irmã o amava muito; delegada dá detalhes do caso que chocou Curitiba

e março de 2014,11:38


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Bancária trouxe garoto de Antonina para morar com ela e o marido. Foto: Reprodução Facebook

Por Denise Mello e Antonio Nascimento

Respostas. É isso que toda a sociedade busca hoje, dia seguinte da morte da bancária Josineire Oliveira Zieben, de 43 anos, assassinada a facadas pelo sobrinho que criava há cinco anos. A sociedade busca isso, a polícia e a família do garoto também querem saber por que ele fez isso. A delegada responsável pelo caso, Tamara Greshner , disse hoje à Banda B, que a família do adolescente está muito abalada emocionalmente. Não entende e ao mesmo tempo se culpa por não ter percebido os sinais dos distúrbios psicológicos do garoto.
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Garoto tira foto no quarto: máscaras ao fundo. Foto: Reprodução Facebook
“Os pais vieram de Antonina e estão muito abalados. A mãe disse que a irmã amava muito o sobrinho e era madrinha dele. Fazia cobranças para que ele estudasse, tirasse notas boas, frequentasse a escola, passasse menos tempo no computador, mas tudo porque o amava e queria o melhor pra ele”, afirmou a delegada.
O estudante morava com a tia e o tio no bairro Hauer, em Curitiba, há quase cinco anos. “Foi a tia que quis trazê-lo para Curitiba para que ele estudasse e tivesse mais oportunidades”, contou a delegada.
Ele está isolado em um quarto do Centro de Sócio Educação (Cense), na Delegacia do Adolescente. Chegou assustado, atormentado, dando a impressão de que não havia tomado consciência ainda da gravidade do que fez.
Os pais acompanham tudo de perto. Já arrumaram um advogado que tenta provar, por meio de laudos, que o garoto tem distúrbios psicológicos. “Tudo indica que ele teve um surto psicótico, mas isso vai ser analisado por uma junta médica. Ele está tendo todo acompanhamento psicológico neste momento”, contou a Dra. Tamara.
Provas
A delegada disse que o caso está solucionado. “Já temos a materialidade do crime, a confissão, a arma utilizada e agora o inquérito está sendo encaminhado ao juiz da Vara da Infância e Adolescência. Os casos que envolvem adolescentes têm uma celeridade muito grande. Logo o juiz deve decidir o destino do garoto. Provavelmente, ele vai ficar afastado do convívio social porque está evidenciado que não tem condições emocionais de conviver na sociedade. Mas o juiz é quem vai decidir isso”.
Testemunhas que estão sendo ouvidas dizem que o menino era bastante retraído, mas sem indícios de que poderia tomar uma atitude dessas. “Encontramos máscaras estranhas no quarto, frases que remetiam à morte no facebook, mas os pais disseram que consideravam essas atitudes normais da transição normal da adolescência. Não deram importância para os indícios comportamentais que ele vinha apresentando”, afirmou a delegada.
Alerta
Com a experiência de casos de adolescentes criminosos, a dra. Tamara reforça o alerta para os pais em relação aos filhos. “Preste atenção no seu filho adolescente. Tem que ver o convívio social, se ele está praticando esporte, se está feliz na escola, se passa muito tempo no computador, se fica muito tempo no computador, se não convive com a família, é preciso ficar atento. A preocupação e a cobrança são sinais de amor”, afirma.
O adolescente estudava no Colégio da Polícia Militar de Curitiba. Na escola sempre apresentou boas notas e nunca sequer foi chamado a atenção por mau comportamento.