Curitiba e Colombo amanhecem sem ônibus circulando; greve hoje é geral


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Terminal do Guadalupe sem carros hoje de manhã – 


Não há um ônibus sequer circulando em Curitiba e região nesta sexta-feira (27). Depois de cobradores cruzarem os braços ontem, hoje, os motoristas também não estão trabalhando. As empresas  alegam que deixaram os portões das garagens abertos, porém, piquetes organizados pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) não estariam deixando ninguém sair. Já os representantes do sindicato dizem que os empresários não permitiram a saída dos motoristas, já que a greve dos cobradores continua e o prejuízo da catraca livre deveria continuar hoje.
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Passageiros sem transporte no início do dia
Diante dessa guerra de versões, o fato é que cerca de 2 milhões de passageiros estão sem transporte hoje. Na madrugada, a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho, Ana Carolina Zaina, reconheceu a legalidade da greve dos cobradores, já que houve indicativo da paralisação e a população não foi prejudicada. As 13h30 uma nova reunião no TRT entre Urbs, Comec, empresas e trabalhadores deve tentar por fim ao movimento.
Nas ruas, os trabalhadores protestam contra a falta de ônibus. “Até ontem quem mandava em Curitiba era a Fifa, hoje é a Urbs? Eles têm direito de lutar pelos seus direitos e nós não podemos ficar sem ter como ir e vir”, disse a vendedora Nadir Zeta, que aguardava transporte hoje cedo no Terminal Boqueirão.
“Até quando vamos ficar nas mãos de motoristas e cobradores? Já teve greve esses dias e olha a gente aqui de novo sem ônibus. Não sei o que vou fazer, mas tenho que chegar no meu trabalho hoje”, protestou o pedreiro José Zilioto.
A Urbs, desde cedo, já começou a cadastrar vans e carros particulares para circulação hoje. O preço máximo da passagem é R$ 5,00.  O cadastro está sendo feito na Rodoferroviária.
Ontem, na greve dos cobradores, os ônibus circularem sem a cobrança da passagem. O prejuízo, segundo a Urbs, chegou a R$ 2,5 bilhões.  Pelo twitter, o prefeito Gustavo Fruet reafirmou que não seria possível sustentar a circulação dos ônibus sem cobrança da passagem nesta sexta-feira, o que já indicava uma paralisação total.
Em nota, a Urbs lamentou a paralisação. ” A Urbs diz que “o alto custo da operação impede a manutenção do serviço com catraca livre pelo segundo dia consecutivo.”
Coletiva
Ontem, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e região metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira, repudiou as declarações da Urbs e do sindicato das empresas (Setransp) de que a greve dos cobradores seria ilegal. De acordo com ele, duas decisões liminares mostram que a justiça negou por duas vezes os pedidos dos patrões e confirmou a legitimidade do movimento.
Foto: Juliano Cunha - Banda B
“Temos todos os amparos jurídicos para manter o movimento e os trabalhadores lamentam essas notas da Urbs e da Setransp. Há mais de 20 anos temos trabalhadores em situação análoga escrava nas estações tubo e nada é feito. Não queríamos uma nota de repúdio e sim uma proposta a ser avaliada”, afirmou.
Segundo Teixeira, o objetivo dos trabalhadores não é prejudicar a população e sim exigir os seus direitos. “Queremos dignidade e respeito, que falta hoje no transporte coletivo de Curitiba. Neste momento 100% da frota está rodando por parte dos trabalhadores e cobradores que não quiseram aderir a greve também exercem suas funções normalmente”, comentou.
Sem acordo
Na quarta-feira, não houve acordo na reunião no Tribunal regional do trabalho entre Sindimoc, Urbs, Comec e empresas do setor. Ficou acertada uma nova reunião para sexta-feira (27), porém, com a deflagração da greve, este encontro poderá ser antecipado.
A audiência trouxe à tona diversos pontos da pauta de reivindicações dos trabalhadores, a exemplo da devolução dos valores descontados pelos dias de paralisação na última greve, o fim do assédio moral caracterizado pelas ameaças de punições, o uso de bermudas em dias quentes, a interrupção do desconto dos salários em razão da raspagem de pneus em calçadas, a concessão de vale-cultura e passes livres, a consulta aos trabalhadores nas alterações das escalas de trabalho, a concessão de um kit inverno (peças de vestuário para suportar as baixas temperaturas) e a adoção de medidas para minimizar as más condições de trabalho nas estações-tubo, entre outras solicitações.
Em relação às estações-tubo, alvos de frequentes reclamações, ficou decidido que a Urbanização de Curitiba (URBS) juntará ao processo, em 10 dias, um cronograma de trabalho para implantação de mantas térmicas nos tetos das estações e de banheiros químicos para uso dos trabalhadores, além da apresentação de projeto de estações-modelo, dotadas de estrutura capaz de garantir condições dignas de trabalho aos cobradores durante suas jornadas. A URBS se comprometeu ainda a reparar, no prazo de 60 dias, todas as estações que estão sem as portas ou com as mesmas danificadas.
Outro ponto de discussão foi a possibilidade de criação de uma comissão de trabalhadores, com indicação de representantes sindicais, para acompanhar os processos de aplicação de punição disciplinar pelas empresas de transporte.
A desembargadora Ana Carolina Zaina apresentou proposta inicial de conciliação contemplando toda a pauta de reivindicações dos motoristas e cobradores. Entre as sugestões apresentadas pelo Juízo estão a devolução dos valores indevidamente descontados em razão dos dias de paralisação da greve anterior, a necessidade de comunicação ao sindicato e a concessão de prazo para defesa quando houver punição aos trabalhadores, a criação de comissão com representação sindical para avaliar as questões de assédio moral e o não desconto nos salários de valores de multas aplicadas pela URBS e daqueles relacionados à raspagem de pneus em calçadas.