Gravações mostram PMs ajudando ladrões de caixas eletrônicos no Paraná


Operação das polícias Civil e Militar do Paraná prendeu 17 pessoas.
Dessas, sete eram policiais militares; eles forneciam armas e logística.

DO G1 PR, com informações do Jornal Nacional










Gravações obtidas pelas polícias Militar e Civil do Paraná mostram como funcionava a maior quadrilha de assaltos a caixas eletrônicos do estado. No grupo, que foi preso no início de novembro deste ano, em Curitiba, havia sete policiais militares. Ao todo, 17 pessoas foram detidas na ocasião, por suspeita de integrar a quadrilha.
As gravações mostram como os policiais ajudavam os ladrões a executar os crimes. Em alguns casos, eles forneciam armamentos e cobertura, desviando o foco de unidades da Polícia Militar das áreas onde ocorreriam as explosões de carros.
Em uma das gravações, um ladrão combina um roubo com um policial e pede uma espingarda. Na gíria de ambos, segundo a polícia, eles chamam a arma de “bocuda”.

O policial ainda tranquiliza o ladrão sobre a presença de outros PM’s na região. Naquele dia, o grupo explodiu caixas eletrônicos em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Ladrão:
 hein, hein fio?
PM: Oi.
Ladrão: Vai sair aquela "bocuda" lá?
PM: Se quiser, vai
Ladrão: Então, firmeza
Ladrão: As duas que tavam aqui tão fechado?
PM: Sim, s... sim, sim, sim
Ladrão: Então, firmeza
Outra tática comum dos criminosos era inventar emergências policiais. Com isso, as equipes eram deslocadas para uma determinada área, enquanto eles agiam em outra.
PM: Polícia Militar, emergência.
Ladrão 1: Eu acabei de ver três rapazes desmanchando um carro aqui na estrada do Pernambuco aqui em Rio Branco [do Sul] (...) é uma ruazinha escondida, mas todo mundo sabe onde é.
Logo em seguida, ele avisa  um dos comparsas.
Ladrão 1: Eu já abri a ocorrência lá no meio do mato pros cara, entendeu?
Ladrão 2: Aham (...) podemos descer a marreta, então?
Na mesma noite, ao tentar arrombar a agência, o alarme disparou. O policial que ajudou o grupo não quis saber do problema e cobrou resultados dos assaltantes.
Ladrão 1: Nós demos uma marretada no bagulho e berrou o alarme. e daí?
PM: Parou. (...) se vc ver que não vai dar mesmo, que f***, vai na frente lá e estoura a frente.
Aquela noite terminou com uma troca de tiros entre os policiais que monitoravam as ligações e os ladrões. Na fuga, um carro que dava cobertura aos criminosos capotou. O delegado Luiz Alberto Cartaxo, que acompanhava as investigações ficou espantado com o que encontrou no veículo.  “Para nossa surpresa, dentro havia um PM e o irmão de outro PM”, diz.
As investigações contra o grupo levaram seis meses. Apesar das prisões, os sete policiais militares detidos foram soltos. Conforme o Comando da Polícia Militar do Paraná, eles foram afastados das atividades da corporação. No entanto, ninguém quis comentar o assunto. Se condenados, eles podem ser expulsos da polícia.

Sérgio Moro investiga novos doleiros


Sérgio Moro
Juiz quer entender participção de novos personagens no esquema
Do Globo:
A Operação Lava-Jato, que apura desvios de recursos da Petrobras a partidos políticos, vai incluir a participação de novos doleiros e emissários na entrega de dinheiro a agentes públicos em Brasília e outros estados.
A Polícia Federal identificou na contabilidade paralela do Posto da Torre, que pertence a Carlos Habib Chater, um dos doleiros presos na Lava-Jato, subcontas e documentos de transporte de valores em espécie. O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, e o Ministério Público Federal querem detalhes da movimentação de sete destas subcontas. Apenas numa delas, a “K corrente”, foram movimentados R$ 15,2 milhões entre 2008 e março deste ano.
Os documentos que servem para justificar transporte de dinheiro vivo somam R$ 1,8 milhão. As remessas foram destinadas a Rio de Janeiro, Manaus, Porto Alegre e Santa Catarina entre 2011 e 2014.
Todos os documentos de transporte informam que o dinheiro seria usado como sinal para aquisição de posto de gasolina. Quatro portadores foram identificados. Um deles, identificado como “Sanje”, levou R$ 235 mil para Manaus e R$ 400 mil para Porto Alegre. A remessa para Curitiba, de R$ 420 mil, foi feita por André Nego – ou André Luiz Santos, réu na Lava-Jato e que até tentou fugir após uma audiência na Justiça. No nome dele está a subconta “And”, da qual, em um único dia, foram retirados R$ 574 mil em dinheiro vivo e R$ 33 mil pagos a Chater, supostamente de comissão. Em novembro de 2013, a “And” acumulava movimentação de R$ 1,298 milhão.
Em depoimento à Justiça no último dia 1º, Chater afirmou que as remessas foram feitas unicamente para pagar dívidas que tinha com essas pessoas ou “por amizade”. Ele se negou a identificar para quem trabalhavam alguns emissários. Ou disse que não se lembrava. Em relação às subcontas, Chater disse ser o dono da “K corrente” e identificou apenas três, que atribuiu a alguns doleiros já investigados ou citados na Lava-Jato: “Fa”, de Fayed Trabulsi, preso na Operação Miqueias e que tinha políticos em sua agenda; “Sasa”, de Sleiman Nassim El Kobrossy, também conhecido como Salomão e acusado de atuar no mercado negro de câmbio para pagamento de cocaína na Bolívia; “Kld”, de Khaled Youssef Nasr, cunhado de Chater, que administrava a casa de câmbio Valortur, localizada dentro do posto. Chater negou que a subconta “Primo” seja do doleiro Alberto Youssef, que era tratado como “primo” nas conversas gravadas pela PF durante a investigação.
Chater nega ser doleiro e que alguns dos descobertos em sua contabilidade paralela atuem como doleiros. À Justiça, afirma que o dinheiro que entrava no posto era ajuda recebida dos “amigos” ou de agiotas.
“Eram sempre empréstimos, eu precisava de dinheiro e eles depositavam”, disse Chater no depoimento a Moro.
Apesar das negativas, Youssef, um dos clientes de Chater, já admitiu que usou o posto para entrega de dinheiro a agentes públicos em Brasília. A investigação dos pagamentos feitos por Chater deve avançar ainda mais com a assinatura de mais um acordo de delação premiada: Ediel Viana da Silva, gerente do posto e que emprestava o nome para empresas de fachada, além de administrar lavanderias que tinham Chater como sócio oculto, negocia com o MPF. Ele contou em um dos depoimentos que o ex-deputado Pedro Corrêa, do PP, condenado no mensalão, pegava dinheiro no posto. A família de Côrrea nega.

Madrasta de Isabella Nardoni revelou participação do sogro, diz nova testemunha


Foto: Grizar Júnior / Futura Press
casal nardoni
Do Globo:
Passados seis anos da morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, uma funcionária do sistema prisional de São Paulo, que diz ter conversado com Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina, prestou depoimento ao Ministério Público (MP) na última terça-feira. Segundo reportagem neste domingo pelo “Fantástico”, a testemunha contou detalhes de conversas que teve com Anna Jatobá, em que ela teria afirmado que o sogro, Antônio Nardoni, também teve envolvimento no crime. E que não o denunciou porque ele sustenta a família e manda presentes para ela na cadeia.
— Ela falou que o sogro mandou, orientou os dois a simular um acidente. Eu ouvi da boca dela, olho no olho — disse a funcionária, que teve sigilo garantido pelo MP.
Em 2010, o casal Alexandre Nardoni e Anna Jatobá foi condenado pela morte de Isabella. A menina morreu ao ser jogada pela janela do sexto andar de um apartamento na Zona Norte de São Paulo. Alexandre foi sentenciado a 31 anos de prisão em regime fechado. Por ser o pai, praticou crime contra descendente e teve pena maior do que a da mulher. Anna foi condenada a 26 anos.
‘Ela não parava de encher o saco’
Segundo a funcionária, a madrasta de Isabella assumiu ter batido na menina com violência dentro do carro que a família usou para ir ao supermercado, pouco antes do crime, e que, em seguida, o marido jogou a filha pela janela. Anna disse ter batido em Isabella porque “ela não parava de encher o saco”.
— Eles foram no supermercado, fizeram uma compra com as crianças. O cartão não passou, deu algum problema. Aí, estavam nervosos — contou a funcionária, reproduzindo a fala de Anna: — Ela falou que bateu na menina porque ela não parava de encher o saco. Que não era para ser tão grave. Pensou que matou, pensou que a menina estivesse morta.
Na época do crime, o Instituto de Criminalística fez um vídeo mostrando as conclusões da polícia e do MP. A acusação concluiu que Isabella realmente foi agredida dentro do carro por um anel ou chave, que feriram a menina na testa. Segundo as investigações, ao chegarem no apartamento do casal, Alexandre jogou a filha no chão, e Anna asfixiou a menina.
Segundo a testemunha ouvida na semana passada, a madrasta de Isabella nega que tenha asfixiado a criança. Disse ainda que, ao pensar que a menina estava morta, ligou para o sogro, que teria encorajado o casal a “simular um acidente”:
— Ela fala que não estrangulou a menina, que ele colocou a menina no chão, acreditando que estivesse morta, enquanto ela ligava para o sogro. Falou para o sogro que matou a menina e ele falou: ‘Simula um acidente, senão vocês vão ser presos’. Aí, tiveram a ideia de jogar a menina pela janela. Que o Alexandre só jogou a filha porque acreditava que ela estivesse morta e que entrou em choque depois que jogou. Desceu, e a menina estava viva.
Em 2008, quando o crime aconteceu, o casal teve o sigilo telefônico quebrado. Na época, ficou comprovado que Anna e o sogro conversaram por 32 segundos na noite da morte de Isabella.
Diante do novo depoimento, Francisco Cembranelli, promotor de Justiça do caso, afirmou ao “Fantástico” que, apesar de a investigação ter apontado que a ligação foi feita após a menina ter sido jogada pela janela, seria preciso investigar se o casal usou outro celular:
— Temos que apurar se havia outro telefone. Teríamos que ver agora de que maneira isso foi feito.
A funcionária afirmou que Anna não denunciou o envolvimento do sogro porque estaria “pagando por seu silêncio”:
— Ele sustenta ela, a família toda, os filhos dela. Com certeza, é pelo silêncio dela. Ela recebe muita coisa de fora. Vários tipos de queijos, brincos. O colchão que ela dorme é especial. Foi presente do seu Nardoni para ela.
Cuidados com nora a pedido do filho
O depoimento da funcionária será analisado esta semana por uma promotora do Fórum de Santana, responsável pelo caso. Depois, a polícia deve ouvir Anna Jatobá, Antônio Nardoni e a nova testemunha.
Procurado pelo “Fantástico”, o avô de Isabella disse que recebeu ligação de Anna dizendo que a menina tinha caído, mas, segundo ele, não entendeu que havia sido uma queda da janela:
— As pessoas às vezes agem como se eu fosse o monstro da história. Eu tenho a minha consciência tranquila, nunca faria isso. Ela ligou dizendo que a Isabella tinha caído, mas eu achei que ela tinha caído no apartamento. A gente nunca imagina uma coisa dessa. Não teve nada além disso.
Antônio Nardoni admitiu enviar mimos à nora na prisão, mas disse que cuida de Anna a pedido do filho. Ele afirmou que o casal é inocente:
— O que eu faço por ela é uma coisa que, primeiro, é permitido. Segundo, é um pedido do Alexandre. Para não deixar faltar nada para ela nem para os filhos. E a gente realmente não deixa faltar. Ela tem um problema de coluna, e a diretoria, mediante relatório médico, autorizou a entrada do colchão. Vou defendê-los enquanto eu viver, tá certo? Porque tenho absoluta convicção de que eles não fizeram nada. E eu também não fiz nada.

Quadrilha que vendia maconha com maior poder alucinógeno é presa espalhada em seis bairros


Por Felipe Ribeiro e Juliano Cunha
Fotos: Juliano Cunha – Banda B

Uma operação de combate ao tráfico de drogas terminou com 13 pessoas presas e dois adolescentes apreendidos na manhã desta segunda-feira (8) em seis bairros de Curitiba. De acordo com a Polícia Civil, foram quatro meses de investigações e 16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelo 8° Distrito Policial. Um dos detidos foi preso em flagrante. Além dos 13, outros dez foram presos no curso das investigações.
De acordo com o delegado Renato Bastos Figueroa, a operação recebeu a denominação de “John John” por ser esse ser o nome da droga comercializada pela quadrilha. “Conseguimos identificar a função de cada um no bando, já que nossos policiais fizeram o acompanhamento durante todo este período. Com as dez prisões no curso, percebemos também que sempre que alguém saía, era substituído, mostrando uma articulação bem forte entre eles”, disse.
Segundo as investigações, o líder da quadrilha, Felipe Godoi de Oliveira, de 23 anos, tinha como característica guardar a droga na casa dos demais membros para facilitar a distribuição. Ele organizava um esquema e distribuía as funções.
Durante a operação foram apreendidas duas pistolas, diversas munições calibre 45, aproximadamente 20 quilos de maconha, três balanças de precisão, cocaína, lança-perfume e LSD. A operação foi deflagrada nos bairros Sítio Cercado, Pinheirinho, CIC, Fazendinha, Novo Mundo e Capão Raso.
Além de Felipe, os outros presos foram: Murilo dos Santos Paula Franco, 20; Henrique de Araújo Cavalheiro, 21; Cesar Augusto Calixto Gradovski, 24; Celia Fatima da Silva, 36; Jonatas Gasola da Silva, 24; Jonatta Pinheiro Moreno, 23; Giovanny Raphael de Souza, 25; Michael Rogers Santana, 33; Danielle Ferreira Paixão, 20; Kassy Jones Franklin Nunes, 21; Edilon Rodrigues Nunes, 20.
Todos foram detidos por tráfico ou associação ao tráfico de drogas e ficam à disposição da justiça.
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Homem invade barracão a venda em leilão e é preso pela 4ª vez em 2014 pelo mesmo crime


Por Felipe Ribeiro e Juliano Cunha
Fotos: Juliano Cunha – Banda B

Um homem de 30 anos foi preso pela quarta vez e pelo mesmo crime no começo da tarde desta segunda-feira (8) no bairro Pinheirinho, em Curitiba. De acordo com o superintendente Emir Silveira, da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), as quatro prisões aconteceram apenas no ano de 2014 e dessa vez ele estava utilizando um barracão a venda em um leilão sem o consentimento do dono para desmanche de carros.
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Os dois ficam à disposição da justiça (Foto: Juliano Cunha – Banda B)
“Essa é uma investigação de meses, que já resultou na apreensão e prisão de vários elementos. Eles estavam usando o barracão há dez dias e um segundo preso confessou que comprava os carros dele para vender as peças para uma loja da Salgado Filho”, disse.
Adir Santos Mobele foi preso junto com Audroelton Silva Servemine, que intermediava a venda pagando R$1,5 mil pelos veículos. O barracão da Rua José Alcides de Lima já foi interditado e quatro carros apreendidos.
Quarta vez
Segundo Emir, Silveira foi preso as quatro vezes em flagrante por envolvimento nos desmanches e acredita que alguma coisa está errada nisso. “Não é a polícia quem não está trabalhando, acredito que o judiciário quem não fez a sua parte. Quatro vezes pelo mesmo crime tem alguma coisa errada”, concluiu.
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Jovem é esquartejado na RMC e assassino se entrega com medo de morrer por ter deixado pista


Por Felipe Ribeiro e Antônio Nascimento

Um jovem se entregou à Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (8) após confessar o assassinato de Michel Pereira Mota, que foi morto e teve o corpo esquartejado no final da tarde de domingo (7) às margens do Canal Extravasor, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
De acordo com o superintendente Clóvis Pinheiro, desde que o fato chegou até a delegacia, eles já iniciaram a investigação, mas hoje receberam o autor do crime confessando o esquartejamento. “Hoje já ouvimos algumas pessoas e nos parece bem claro que ele cometeu o crime a mando de alguém. A ordem, porém, apontava que ele deveria sumir com o corpo, o que não aconteceu. Com medo do que podia acontecer, ele preferiu se entregar”, disse.
Segundo Pinheiro, as equipes da Delegacia de São José dos Pinhais seguem na rua investigando o caso e o carro usado para levar o corpo até aquele local já foi encontrado. “Ele descumpriu a ordem do traficante maior, o que o trouxe até aqui, nosso trabalho agora é prender os demais participantes desse crime bárbaro”, concluiu.
O corpo de Michel já foi levado para o Instituto Médico Legal. O motivo apontado é o envolvimento com as drogas da vítima e autor do crime.
A Delegacia de São José dos Pinhais segue na investigação do crime.

Polícia de Pinhais caça tarado que usa bicicleta azul e “passa a mão” em adolescentes


Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

A Polícia Militar (PM) de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, está a caça do tarado da bicicleta azul. Duas adolescentes registraram queixa na delegacia do município após serem abordadas pelo suspeito em situações distintas. Ele está agindo no bairro Weissópolis, usa bicicleta azul, é moreno e tem cabelos lisos.
A primeira garota foi abordada na Avenida Iraí, a poucos metros do segundo ataque. O suspeito age na mesma maneira: se aproxima, pede uma informação e passa a mão nas garotas. As adolescentes deram características iguais e a polícia acredita que ele possa voltar a agir.
O homem é moreno claro, tem cabelos lisos, veste calça jeans e camisa branca e, principalmente, age com uma bicicleta de cor azul. Quem tiver informações sobre o tarado pode entrar em contato com a Polícia Militar (PM) por meio do 190.

Corpo de garoto de 11 anos que foi à praia pela 1ª vez é encontrado em Caiobá



Por Denise Mello
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Lucas desapareceu na praia de Caiobá – Foto: Facebook

A notícia que ninguém gostaria de dar, infelizmente, acabou se confirmando. O Corpo de Bombeiros de Matinhos, no litoral do Paraná, confirmou à Banda B que foi encontrado na manhã desta segunda-feira (8) o corpo de Lucas Vinicius Bertão Ramos, de 11 anos. Lucas estava com os pais e parentes na praia de Caiobá neste domingo (7) quando simplesmente sumiu, segundo relataram os pais à Polícia Militar e aos bombeiros. A família fez um apelo na Banda B na manhã desta segunda-feira (8) para conseguir notícias do garoto. Cerca de duas horas depois, o corpo do menino apareceu na mesma praia e que foi visto pela última vez.
A tia do menino, Ana Paula Padilha, falou com a reportagem antes da confirmação da morte do sobrinho. “O pai contou que eles chegaram na praia e o Lucas foi para a beira da água brincar. Ele disse que foi só o tempo de instalar o guarda-sol, muito rápido, e quando virou de novo não viu mais o filho. Começou uma correria e até agora ninguém sabe dele. Estamos desesperados”, contou Ana Paula. Segundo ela, essa foi a primeira vez que Lucas foi à praia.
Bombeiros fizeram buscas na praia, assim como a Polícia Militar. Os pais estão em choque com a notícia.
No facebook de Lucas, a última mensagem postada na quinta-feira (4): “Partiu praia amanhã”. O menino gostava muito de videogames e estava em férias com a família. Na rede, ele também dizia que estava feliz em fotos de um dia no parque aquático.
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Família acorda com estrondo e descobre caminhão dentro da cozinha em Colombo


Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento


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Móveis e parte da parede da cozinha ficaram destruídas. Foto: AN/Banda B

Um susto na manhã desta segunda-feira (8) para uma família do Jardim Tereza, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Um caminhão Mercedes 608 invadiu a cozinha da residência da família e destruiu parte da parede e dos móveis. O motorista, com sinais de embriaguez, fugiu do local.
O acidente aconteceu por volta das 5 horas na rua do Faisão enquanto a família dormia. O morador Sérgio Oliveira, 34 anos, contou à Banda B que, ao ouvir o barulho, pensou que o botijão de gás tivesse explodido. “A gente pulou da cama, pensei na hora que o bujão tivesse explodido. Quando cheguei na cozinha, não acreditei do que eu vi”, descreveu.
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Motorista fugiu do local. Foto: AN/Banda B
Geladeira, fogão, mesa, cadeiras e outros objetos ficaram destruídos. Parte da parede da casa, também. Ninguém foi atingido. O motorista do caminhão estava dentro da cabine e aparentava embriaguez, segundo Oliveira. “Fui perto dele, vi que ele estava bêbado e quando me virei para pegar água pra ele, o homem sumiu”, contou o dono da casa.
O Corpo de Bombeiros (CB) foi acionado e isolou o local. O tenente França informou à Banda Bque uma equipe de engenheiros da Prefeitura de Colombo seria deslocada até a residência para fazer uma avaliação. “Haverá uma fiscalização na casa para que seja avaliado se houve comprometimento da estrutura”, finalizou.
O motorista do caminhão ainda não tinha sido localizado, no entanto, a placa do veículo vai informar ao Batalhão de Polícia de Trânsito (Bptran) o paradeiro dele.

Gangue do Maçarico arromba caixa eletrônico da sede do Batel do Salão Marly


Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento


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Bandidos conseguiram cortar um caixa, mas desistiram de outro. Foto: AN/Banda B

Nem corte de cabelo, nem serviço de manicure ou chapinha. A Gangue do Maçarico escolheu o Salão Marly, na Avenida Sete de Setembro, no bairro Batel, em Curitiba, para cortar dois caixas eletrônicos que ficam no estacionamento, no subsolo. Eles conseguiram abrir um deles e desistiram do outro, ao soar o alarme do salão.
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Caixas ficavam no estacionamento do salão. Foto: AN/Banda B
A ação dos marginais aconteceu por volta das 3h desta segunda-feira (8). A gangue levou uma escada de alumínio e conseguiu entrar no local pulando o muro que dá acesso ao estacionamento. O caixa eletrônico do Banco do Brasil foi cortado e o dinheiro levado. Houve tentativa de abrir o da Caixa Econômica Federal (CEF), mas eles desistiram ao notar que o alarme disparou.
Além da escada, um cilindro de oxigênio, água e outros materiais foram abandonados no local após o serviço. Os bandidos fugiram e não há informações sobre o veículo usado na fuga e nem o valor que o grupo conseguiu levar. A Polícia Militar (PM) foi acionada ainda de madrugada. A Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil (PC) estiveram no local.
Praticamente todos os dias há casos de explosão de caixas eletrônicos na região de Curitiba. Neste sábado (6) foram os caixas da Rua da Cidadania do Fazendinha que foram estourados pela gangue.

Carro capota na BR-116 e deixa três adolescentes mortos e três jovens feridos


Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

Três adolescentes morreram na hora na noite deste sábado (7) em um acidente de trânsito na BR-116, em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba. Os garotos estavam na companhia de outros três jovens em um veículo Astra, que se perdeu em uma curva, capotou e ficou destruído. Os sobreviventes foram encaminhados a hospitais de Curitiba.
O acidente aconteceu por volta das 21h40 no quilômetro 147, na altura de Areia Branca do Assis. De acordo com testemunhas que pararam para prestar os primeiros socorros, o motorista do Astra perdeu o controle da direção em uma curva e capotou diversas vezes.
Matheus Rodrigues Tatti, 17 anos, Sérgio Henrique Machado Bezerra, sem idade confirmada, e um terceiro adolescente, sem confirmação de identidade, morreram na hora. Dois feridos foram levados ao Hospital Cajuru e outro para o Evangélico.
O policial rodoviário federal Tomé contou à Banda B que os seis ocupantes eram moradores da região. “Não sabemos de onde estavam voltando, mas provável que seja de alguma festa”, finaliza. Os corpos foram recolhidos ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba.
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Rosane conta a vida com Collor: do impeachment a ritual macabro com fetos humanos


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Cortejada pelo então prefeito de Maceió Fernando Collor de Mello, a menina que ainda usava uniforme escolar, aos 15 anos, e vivia sob ordens severas do pai não imaginava que seria a futura esposa do 32º presidente da República do Brasil. Envaidecida e animada com os elogios, ela levou adiante o flerte, consumado anos mais tarde, após um telefonema surpresa. O roteiro que poderia ser apenas de uma garota apaixonada esbarrou no destino atribulado de Rosane. Ela enfrentou, no centro do poder, crises de depressão, medo do suicídio do marido e “humilhações públicas”, segundo diz no livro lançado na quinta-feira, em Maceió. “Tudo o que vi e vivi” (R$ 39,90, editora LeYa) é a versão de Rosane Malta (agora com o nome de divorciada) sobre a sua relação com o ex-presidente apeado do poder.
— É uma história dolorosa e triste. Mas uma história bonita que poderia terminar da melhor forma possível. Eu aprendi desde criança a falar a verdade. Se não pudesse, não falava nada. Então, tudo o que digo no livro é verdade — afirma ela ao GLOBO.
Mesmo vivenciando a conturbada rotina de primeira-dama, com muitas brigas conjugais, Rosane subiu a rampa do Palácio do Planalto após o impeachment, apertou a mão de Collor, e disse: “Levante a cabeça. Não abaixe, não. Seja forte”. Collor é, segundo ela, o maior amor e a maior decepção de sua vida. Em 288 páginas, Rosane relata intrigas familiares, os rituais macabros que eram realizados na Casa da Dinda, os esquemas do ex-tesoureiro de campanha de Collor, além da morte de PC Farias e do destino do dinheiro do esquema de corrupção.
Durante a Presidência da República, ela conta que Collor usava a Casa da Dinda para rituais que pudessem fortalecê-lo politicamente. O relato mais forte sobre as sessões realizadas pela Mãe Cecília, de confiança do ex-marido, envolveu fetos humanos.
“Cecília me contou que, certa vez, fez um trabalho para Fernando envolvendo fetos humanos. Ela pegou filhas de santo grávidas, fez com que abortassem e sacrificou os fetos para dar às entidades. Uma coisa terrível, da qual ela obviamente se arrepende. Quando eu soube disso, chorei copiosamente”.
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Um dos primeiros “trabalhos” dos quais Rosane teve notícia ocorreu quando Collor ficou enfurecido com a decisão de Silvio Santos de se candidatar à Presidência em 1989. E ainda mais com o apoio de José Sarney, seu inimigo político. O dono do SBT havia dito a Collor que não concorreria ao cargo, mas descumpriu o acordo. O candidato do PRN, então, encomendou um “trabalho”. Pouco depois, a candidatura de Silvio foi impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Perguntada se tem medo da repercussão e de possíveis processos judiciais por conta das revelações do livro, Rosane responde de forma tranquila:
— Estamos muito bem documentados. E não temos preocupação em relação isso. Tudo o que eu falei eu vi e vivi, como diz o título do livro. É realmente isso.
COLLOR E A CUNHADA
“O grande problema de Fernando era com Pedro. E o meu, com Thereza, a mulher dele”. Rosane diz que o irmão caçula do ex-marido tinha ódio do ex-presidente. Segundo ela, Pedro sustentava que Fernando cantava Thereza.
“Acredito na tese de que os dois tiveram algo antes do meu casamento e Thereza continuou apaixonada. Eu também não duvido que tenha sido por Thereza, por essa obsessão que ela tinha pelo cunhado, que Pedro resolveu destruir o próprio irmão”, diz ela.
Pedro Collor denunciou à revista “Veja”, em 1992, que PC Farias era testa de ferro do então presidente, e que o jornal Tribuna de Alagoas, que PC queria lançar em Maceió, na verdade pertenceria a seu irmão.
No período mais agitado da República desde a redemocratização, ela diz que não tinha dúvidas de que Collor era inocente. “Eu era muito nova, pouco experiente e acreditava no meu marido. Eu achava normal que as pessoas ajudassem Fernando espontaneamente, como fazia PC Farias”. Depois, no entanto, mudou de opinião e relatou que “algumas dúvidas foram surgindo”.
Rosane descreve o deslumbramento da jovem que desfrutou o poder: a dedicação ao figurino e as palavras elogiosas que trocou com a princesa Diana, além da amizade com Cláudia Raia e outras pessoas famosas. Conta que foi elogiada por Fidel Castro:
“Esse presidente do Brasil é muito esperto. Arrumou uma esposa novinha e linda” teria dito o ditador cubano a Collor. Segundo Rosane, mesmo após o impeachment, Fidel continuou a enviar charutos da ilha caribenha ao ex-presidente.
AMIGA DE ROGER ABDELMASSIH
Em busca por tratamento para a gravidez, Rosane, que abortou naturalmente filhos de Collor, procurou Roger Abdelmassih, hoje condenado a 181 anos, 11 meses e 12 dias de reclusão por abusar sexualmente de pacientes. Ele era amigo do casal.
“O doutor Roger era nosso amigo. Frequentávamos a casa dele, e ele, a nossa. Houve até um Natal em que assistimos a uma missa em sua casa antes de ir para a festa na residência de Patsy Scarpa (falecida em 2012,aos 82 anos), mãe do Chiquinho Scarpa, onde comemorei a data por três anos. (…) Fiquei muito assustada quando vieram à tona as histórias de mulheres que dizem ter sido abusadas por Roger durante as consultas”.
COLLOR NÃO TEM CARÁTER
Nos últimos oito anos, Rosane briga com Collor no tribunal para que seja reconhecido o direito de ser compensada pelo fato de ter deixado de lado a sua própria vida profissional para acompanhá-lo. Recentemente conseguiu que ele fosse condenado, mas o processo ainda não terminou.
— Muitas coisas que aconteciam, como abandonar a carreira, não concordava, com certeza. Mas não ia largá-lo. A mesma dignidade que eu tive com ele, ele não teve comigo. Ele não teve caráter — diz ela, que acrescenta:
— Eu amenizei muitas coisas que estão no livro, não passei ódio. Passei, sim, decepção. Eu não guardo ódio. Guardo decepção. Eu lutei para que a Justiça me desse os meus direitos.
Procurada pelo GLOBO sobre os assuntos descritos no livro, a assessoria de Fernando Collor ainda não retornou.
PRIMEIRA-DAMA EM APUROS
Enquanto o marido era presidente, Rosane estava à frente da Legião Brasileira de Assistência (LBA), um órgão assistencial público. À época, ela foi acusada de envolvimento na compra superfaturada de 1,6 milhão de quilos de leite em pó: cerca de 25% a mais pelo quilo do leite. Além disso uma cunhada sua, que ocupava uma superintendência do órgão, foi acusada de dirigir projetos que nunca saíram do papel.
No livro, ela diz que “sequer precisava assinar a autorização para esses projetos nos Estados. Cada superintendente estadual era indicado por uma liderança política da base aliada do governo”. Sobre o escândalo do leite, diz que “não tinha nada a ver com aquilo, como ficou comprovado depois na Justiça”. Ela relata que Collor ficava preocupado que o escândalo o atingisse.
Rosane também conta que foi acusada pela imprensa de dar uma festa de aniversário para a amiga com dinheiro público. Ela sustenta, no entanto, que apenas convidou-a para um evento de embaixatrizes na mesma data de comemoração.
Além dos fatos noticiados sobre a primeira-dama, Collor preocupava-se com irmão de Rosane, “Joãozinho”, que poderia atingir a imagem do presidente. Após saber que o prefeito Canapi, Mauro Fernandes da Costa, havia falado mal de Rosane, Joãozinho foi atrás dele em um bar, sacou um revólver, e atirou contra o prefeito. “Os Malta não levam desaforos para casa e, quando alguém provoca um parente, toda a família se sente atingida”, escreve Rosane.
PC FARIAS E CONTA SECRETA
No início das investigações contra o governo, abertas em 1992 para investigar o chamado esquema PC Farias, o secretário particular de Collor, Cláudio Vieira, afirmou que os gastos pessoais do presidente vinham de um empréstimo para a campanha de US$ 5 milhões feito no Uruguai. A versão foi desmentida após uma secretária relatar que o empréstimo ocorreu depois das eleições, apenas para encobrir o pagamento das contas da Casa da Dinda.
“Quando eu ouvia de Fernando que os depósitos que recebíamos não eram fruto de negócios escusos, mas simplesmente de doações de empresas que não foram usadas na campanha, eu não tinha por que duvidar. Parecia normal para mim, talvez por inexperiência, ter recursos de campanha, e que usufruir disso não era errado”, conta Rosane.
Sobre a conta no exterior dos restos de campanha, no montante de US$ 50 milhões, como admitiu Collor em 2009 à Globonews, Rosane diz que ouviu “algumas conversas de que essa bolada realmente existia”. A versão não oficial era a de que seu irmão, Augusto, a movimentava.
Na segunda metade da década de 1990, Collor teria dito a Rosane que estava tendo dificuldade para acessar uma conta gerida pelo irmão. Ela sugere no texto que era a tal conta do escândalo. “Além do mais, eu conheci o suíço Gerard”.
Aos 50 anos, Rosane diz que ainda tem muito a contar. Outras histórias podem ficar para um segundo volume.
— Quem sabe? Vamos ver como me saio com esse livro. Depois a gente vê.
Leia alguns trechos do livro cedidos pela editora LeYa:
“O grande problema de Fernando era com Pedro. E o meu, com Thereza, a mulher dele. Em seu livro cheio de rancor ‘Passando a Limpo – A Trajetória de um Farsante’, publicado em 1993, sobre a rivalidade entre ele e o irmão, Pedro defende a tese de que Fernando dava em cima da cunhada. Eu não acredito nisso. Acredito na tese de que os dois tiveram algo antes do meu casamento e Thereza continuou apaixonada. Eu também não duvido que tenha sido por Thereza, por essa obsessão que ela tinha pelo cunhado, que Pedro resolveu destruir o próprio irmão”.
“Logo depois de Fernando assumir a presidência, comecei a ser alvo de críticas porque meus gastos aumentaram. Isso é uma bobagem tremenda. É claro que eu estava gastando mais! Afinal, eu passei a ter certas obrigações que não tinha como primeira-dama do Estado ou como esposa de um deputado federal. Uma primeira-dama do país gasta mais do que todas as outras, é óbvio! Até mesmo as roupas do dia a dia têm que ser muito alinhadas. Não se pode, por exemplo, comparecer a uma entrevista com um traje simplesinho. Para cada um dos eventos, é preciso pensar em um figurino diferente. E tem ainda as viagens… Um país diferente requer roupas específicas. E eu sempre gostei de boas marcas”.
“Pela péssima execução daquilo que ficou conhecido como Plano Collor, Zélia, para mim, está associada ao primeiro grande erro de Fernando como presidente. Na minha opinião, ela não estava preparada para o cargo de ministra, apesar de ser uma mulher muito inteligente e de ter ajudado muito na elaboração do programa de governo. Ali eu acredito que o governo perdeu muita credibilidade e tornou-se uma vitrine muito frágil para todas as pedras que foram atiradas depois”.
“Aliado a PC Farias, Fernando começou a criar a Tribuna de Alagoas. Na época, ninguém sabia que se tratava de um jornal do presidente. O que se sabia era que PC e seus irmãos estavam montando um diário que, em teoria, concorreria com o jornal da família Collor. E que, por mais estranho que fosse, Fernando apoiava a iniciativa. Só isso. Mas Fernando estava, sim, envolvido no negócio. Tanto é que discutiu com Pedro diversas vezes por causa disso. Pedro temia que a Tribuna tomasse o mercado e os funcionários da Gazeta, e cobrava do irmão uma postura enérgica, pois sabia que PC era seu braço direito. Fernando se negou a fazer qualquer coisa, o que deixou Pedro furioso.”
“Lembro apenas que, depois de um tempo de governo, Fernando começou a se incomodar um pouco com Itamar. Segundo meu marido, seu vice era uma pessoa demasiadamente sensível, que tem um ego dependente de elogios, de afago. Por qualquer coisinha, Itamar se chateava e, para que isso não acontecesse, alguém precisava sempre elogiá-lo, valorizá-lo. Fernando odiava tal comportamento.”
“Dizem que Fernando ficou devendo meses de aluguel da Casa da Dinda para a mãe, dona Leda, quando era deputado. Não duvido. Ele gastava sem saber se tinha dinheiro para bancar e, depois, tinha que fazer essas maluquices para cobrir a conta.”
“Em 12 de outubro de 1992, um helicóptero que fazia um voo entre São Paulo e Angra dos Reis (RJ) caiu e desapareceu no mar. Dentro dele estavam o deputado Ulysses Guimarães e sua mulher, além de outros passageiros e, claro, o piloto. Apesar de todas as buscas, o seu corpo nunca foi encontrado. Era a primeira manifestação do que ficou conhecido como “a maldição do impeachment”, uma série de mortes estranhas e trágicas de pessoas ligadas a Fernando ou ao seu afastamento da presidência. Além do deputado Ulysses, também Pedro Collor, PC Farias e sua mulher, Elma, supostamente haviam sido atingidos por tal maldição. Todos eles morreram poucos anos depois do impeachment. Todos vítimas de magia negra? Eu não sei quem espalhou esse boato, só sei que ele faz algum sentido.”
“Íamos ao terreiro mais ou menos uma vez por mês, mas, sempre que queria algo, Fernando ligava para a mãe de santo e ela dizia o que precisava ser feito para atingir seus objetivos. Dali até a eleição para a presidência, Fernando não vivia sem as orientações daquela mulher. A Mãe Cecília também passou a frequentar o Palácio, aonde ia para receber as entidades (os espíritos) que falavam com o presidente. Anos depois, em uma entrevista, ela contou que, aos poucos, os santos foram se acostumando com o bom e o melhor. Só queriam champanhe e uísque importado e faziam questão de fumar charuto cubano. Fernando bancava tudo isso, para que os trabalhos espirituais tivessem efeito.”
“O fato é que Fernando foi meu grande amor e também minha grande decepção. Não só por tudo o que ele me fez até hoje, mas por não me deixar viver em paz depois da separação. É claro que só vou conseguir deixá-lo no passado quando essa situação se resolver e eu encontrar um outro amor verdadeiro. Já tive alguns namorados desde a separação, pessoas muito queridas, mas nenhum conseguiu ocupar esse lugar. Mesmo assim, sinto-me bem resolvida no campo do coração.”
“Em 2014, 22 anos depois do impeachment, ele foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, por falta de provas, das acusações restantes referentes aos anos em que esteve na presidência do país (peculato, falsidade ideológica e corrupção). O que mais ele queria da vida? Por que nada disso lhe deu a tranquilidade para conseguir me deixar em paz, dando-me uma oportunidade para que eu também pudesse reconstruir minha vida? Ele não parecia querer me ver livre. Eu, pelo contrário, não vejo a hora de essa novela acabar. Também escrevi uma carta pedindo a ele, por favor, que parasse, refletisse, que eu aceitava a proposta irrisória só para ter um ponto final, mas não adiantou. Então não me sobrou outra opção a não ser seguir tentando, para ter o que é meu de direito.”
“Enquanto esse problema não se resolve, eu não quero parar minha vida. E este livro é a prova de que a fila anda. Há anos recebo convites para me candidatar à deputada, vereadora e outros cargos, mas não era a hora, ainda. Outros desafios podem surgir, e estou preparada para enfrentá-los. Já venci tantos problemas… Meu futuro promete!”