Aeromoça encontrada morta em mala é sepultada em Sumaré, SP


Michelli Martins Nogueira sonhava com voos ao exterior, contou irmão. 
Marido é o principal suspeito do crime; ele foi achado morto em casa.

Do G1 Campinas e Região
Michelli Nogueira foi enterrada em Sumaré, na manhã desta quarta-feira (Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas)Michelli Nogueira foi enterrada em Sumaré, na manhã desta quarta-feira  (Foto: Fernando Pacífico / G1)
A aeromoça encontrada morta em uma mala em Nazaré Paulista (SP) na segunda-feira (9)  foi sepultada em Sumaré (SP), na manhã desta quarta-feira (11). Cerca de 150 pessoas, entre familiares, amigos e funcionários da companhia aérea, foram se despedir de Michelli Martins Nogueira. Ao final do enterro, todos fizeram uma oração.
"Ela ia viajar para conhecer Miami (Estados Unidos) e fazia curso de inglês há um ano e seis meses", explica o irmão Gilson Nogueira, que falou com a imprensa no sepultamento. A comissária trabalhava na Azul Linhas Aéreas há seis anos, mas só em voos domésticos. 
Crachá da aeromoça Michelli Nogueira foi encontrado junto ao corpo na mala (Foto: Edison Temoteo/Futura Press/Estadão Conteúdo)Crachá da aeromoça a foi achado junto ao corpo na
mala (Foto: Edison Temoteo/Estadão Conteúdo)
O principal suspeito do crime, segundo a polícia, é o marido dela, Julio César Arrabal, encontrado horas depois morto enforcado na casa deles, também em Sumaré. O enterro dele será nesta quarta-feira, em Santo Antônio do Jardim (SP).

Usuário de drogas
A comissária de bordo havia ameaçado se separar do marido caso ele voltasse a se drogar, afirmou um dos irmãos dela, Gilson Alves Nogueira. "Ela falou para ele que se ele voltasse a usar [droga], ia largar dele", disse Nogueira.
Segundo os familiares de Michelli, que estiveram na casa da vítima na manhã de terça-feira, Arrabal usava cocaína e chegou a ficar alguns meses internado em uma clínica no ano passado. O irmão, que é fisioterapeuta, acredita que ela pode ter flagrado o marido usando drogas quando chegou de viagem no sábado (7).
Parentes e amigos se despedem de aeromoça durante enterro em Sumaré, SP (Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas)Parentes e amigos se despedem de aeromoça
durante enterro (Foto: Fernando Pacífico / G1)
Segundo o outro irmão de Michelli, o motoboy Daniel Alves Nogueira, o cunhado não aceitava terminar o relacionamento. "Ele não aceitava a separação. Para mim, é um covarde. Se queria se matar, se matasse sozinho. Para que levar minha irmã junto? Minha irmã dava tudo pra ele", afirma.
O crime
O corpo da comissária foi encontrado na noite de segunda-feira em um barranco às margens da represa do Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira. A polícia foi ao local após receber uma denúncia anônima.
"[O corpo] foi jogado em uma ribanceira e, aparentemente, ela foi morta com pancadas na cabeça. Há marcas de lesões no crânio e na boca. No restante do corpo, não há vestígios de lesões, nem de violência sexual", afirmou o delegado Luiz Carlos Ziliotti, de Nazaré Paulista.

Apesar da casa ter uma garagem, o carro de Arrabal estava estacionado na rua, de acordo com o BO. Dentro dele, guardas encontraram objetos pessoais da mulher.
Na residência do casal, a Guarda Municipal encontrou o corpo de Julio Arrabal, uma faca suja de sangue, uma garrafa quase vazia de vodca e vestígios de consumo de drogas, de acordo com o Boletim de Ocorrência. No banheiro, sete embalagens vazias usadas para armazenar drogas estavam dentro de um cesto. Em outro quarto, havia uma nota de R$ 2 enrolada.
Investigações
De acordo com o delegado da Delegacia Seccional de Bragança Paulista, José Henrique Ventura, um radar no km 70 da rodovia Dom Pedro I, que liga o município à região de Campinas, flagrou o carro de Arrabal acima da velocidade permitida por volta das 10h30 de segunda-feira. Durante a madrugada, o mesmo veículo foi encontrado em frente à casa do suspeito em Sumaré.
"O caso está quase esclarecido. Há algumas evidências quando você percorre o caminho entre o crime e o criminoso. O carro estava em frente à casa do suspeito com uma luz acesa e o homem estava pendurado e enforcado, com marcas de sangue dentro da casa", afirmou Ventura.
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Pelo menos 150 pessoas acompanharam o enterro de aeromoça em Sumaré, SP (Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas)Pelo menos 150 pessoas acompanharam o enterro de aeromoça em Sumaré  (Foto: Fernando Pacífico / G1)