Sindifarma diz que aumento dos medicamentos é um erro e que conta pode sobrar para o SUS


Por Felipe Ribeiro

O reajuste de até 7,7% no preço dos medicamentos não foi bem visto pelo Sindicato do Comércio Varejista e Produtos Farmacêuticos do Estado do Paraná (Sindifarma). Em entrevista à Banda Bna tarde desta terça-feira (31), o presidente da entidade, Edenir Zandoná Junior, afirmou que a medida é “boba” e que o governo federal não terá o retorno esperado nas arrecadações.
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Foto: Divulgação
“A questão é que não são apenas 7,7% de aumento. Esse valor é acrescido ao aumento da alíquota estadual, que sobe de 12% para 18%, e ao INPC. Então é um valor que pode ficar muito pesado ao consumidor e que o governo não terá o retorno esperado”, afirmou Zandoná.
O aumento foi autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, que fixou os percentuais autorizados em resolução publicada na edição desta terça-feira (31) no Diário Oficial da União. Os medicamentos foram divididos em três faixas, com reajustes de 5%, 6,35% e 7,7%.
Em pesquisa rápida realizada em farmácias de Curitiba, o popular Tilenol passa de R$ 22,40 para R$ 25. O medicamento Aradois, que trata de hipertensão, passa de R$ 25 para mais de R$ 30.
Para Zandoná, quem mais deve enfrentar dificuldade com o aumento são os aposentados, uma vez que o reajuste deles foi de 5%, enquanto a totalidade de reajustes pode passar dos 15% nos produtos farmacêuticos. “O aposentado terá uma dificuldade muito grande, uma vez que pode passar a não usar o remédio por falta de dinheiro. Nisso ele pode adoecer e quem vai pagar a conta depois é o governo, então é uma medida que não compensa”, disse.
Reajuste
De acordo com o governo federal, o reajuste é menor para os remédios considerados de baixa concorrência. Medicamentos genéricos estão no grupo ao que se aplica o percentual máximo por serem tidos como de alta concorrência.
O grupo que terá aumento de 5% concentra medicamentos de alta tecnologia e de maior custo, como a ritalina (tratamento do déficit de atenção e hiperatividade) e a stelara ( para tratamento da psoríase). No grupo dos 6,35% estão os antibióticos. Podem chegar ao teto de 7% categorias que têm medicamentos como o omeprazol (tratamento de gastrite e úlcera) e a risperidona (antipsicótico).
Para a definição dos percentuais foi considerado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 7,7%, entre março de 2014 e fevereiro de 2015. São considerados também fatores como produtividade da indústria e variação de custos dos insumos, além da concorrência no setor.