Youssef diz à Justiça Federal que arrecadou R$ 180 milhões em propina


Doleiro prestou depoimento em audiência realizada nesta quarta-feira (29).
Ele diz que ficou com cerca de R$ 8 milhões do montante total arrecadado.

Fernando CastroDo G1 PR
O doleiro Alberto Youssef, preso da Operação Lava Jato que está detido na sede da Policia Federal em Curitiba, sai para depor na sede da Justiça Federal, no começa da tarde desta quarta feira (4) (Foto: Vagner Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)Youssef fez acordo de delação premiada (Foto:
Vagner Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)
O doleiro Alberto Youssef afirmou à Justiça Federal nesta quarta-feira (29) que arrecadou entre R$ 150 e R$ 180 milhões com os crimes que confessou em acordo de delação premiada. Segundo Youssef, que afirmou ser um dos operadores da propina, cerca de R$ 8 milhões deste montante ficaram com ele, e o restante foi distribuído para outros participantes do esquema, sobre o qual ele forneceu detalhes em quatro horas e meia de depoimento.
A audiência fez parte da instrução de um dos processos que tramitam contra ele na Justiça Federal. Além de afirmar o montante arrecadado por ele, Youssef também disse novamente que empreiteiras faziam parte de um cartel que tinha por objetivo vencer licitações daPetrobras – conforme denúncias do Ministério Público Federal (MPF) nas investigações da Operação Lava Jato.
Conforme o doleiro, o esquema era “sistemático”, mas as empresas sabiam que se deixassem de pagar a propina, não seriam mais beneficiadas. Questionado pelo juiz Sérgio Moro sobre ameaças aos executivos, Youssef negou, e disse ainda que nenhuma empresa ameaçou denunciar o esquema ou deixar de pagar a propina combinada. Segundo Youssef, no início eram 16 empresas que integravam o esquema, que depois cresceu. “Praticamente todas as empresas desse mercado participavam”, disse.
Dentro da estrutura da Petrobras, Youssef disse que agia apenas nos contratos com a Diretoria de Abastecimento, mas que tinha conhecimento de que o mesmo ocorria nas diretorias de Serviços e Internacional. Ele contou que entrou no esquema quando o ex-deputado José Janene conseguiu colocarPaulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento, e ficou até a saída de Costa da Petrobras, em 2012.
Youssef disse ainda que o dinheiro da propina paga no âmbito da Diretoria de Abastecimento era destinado ao Partido Progressista (PP) e ao Partido dos Trabalhadores (PT), somando 1% do valor de cada contrato. No PP, segundo Youssef, a divisão deste 1% da propina era de 60% para o partido, 30% para Paulo Roberto Costa, 5% para João Claudio Genu, assessor de Janene, e 5% para o próprio Youssef.
O doleiro ainda relatou que fez pagamentos para o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, mas não pessoalmente. Vaccari, que está preso em Curitiba, nega que tenha recebido qualquer valor ilegal.