Vítimas homenageiam policiais militares que salvaram vidas em Curitiba


Da PMPR

Uma situação atípica aconteceu na manhã desta sexta-feira (29/05) no Quartel do Comando-Geral da PM, no bairro Rebouças, em Curitiba (PR). Pessoas que tiveram as vidas salvas por policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) em ocorrências de alta periculosidade procuraram a Polícia Militar para homenagear e agradecer as equipes envolvidas nas situações. Após os momentos de alegria com as homenagens, a unidade empenhou todo o efetivo para mais uma operação de combate à criminalidade.
O Comandante do BOPE, tenente-coronel Hudson Leôncio Teixeira, agradeceu não somente aos policiais homenageados, mas a todo o batalhão, pela dedicação e empenho demonstrados no atendimento à população. “Fomos procurados por estas pessoas que de livre e espontânea vontade vieram até nós para enaltecer o trabalho dos policiais do BOPE. É raro um cidadão que foi atendido por nossas equipes vir até o quartel para agradecer e prestar homenagens aos policiais militares que prestaram um excelente serviço”, disse.
Para Getúlio Montegutte Cardoso, que juntamente com a esposa, Júlia Ferreira Gritten, passou momentos de pânico nas mãos de dois homens armados na noite de sexta-feira (22/05), não há palavras para agradecer o que os policiais militares, comandados na ocasião pelo tenente Rafael Souza, fizeram pela família “Graças à PM fomos salvos e por isso eu tinha que vir até aqui agradecer a RONE pelo que eles fizeram por mim e minha esposa. Esses homens são meus irmãos, muito obrigado pela Polícia Militar se não fossem eles eu não sei onde estaria”, disse emocionado.
“Para nós busca das vítimas em solicitar elogios aos policiais militares que atenderam a ocorrência foi uma surpresa, algo que não é comum. Proteger a população é a nossa missão constitucional e hoje estamos imensamente felizes pelo reconhecimento da comunidade”, afirmou o tenente Souza.
O soldado Joelcio de Castro também ficou emocionado com a homenagem do professor e projetista Leandro Martins da Silva, que teve o carro e os pertences roubados e a equipe da RONE conseguiu recuperar o veículo no Campo de Santana, no mês de abril.
“Para nós essa homenagem é muito gratificante nosso trabalho é servir a comunidade e proteger, esse e o nosso dia a dia. Quando a população reconhece o nosso trabalho, isso é motivo de honra e ficamos até emocionados com essa atitude”, ressaltou.
Leandro elogiou a postura dos policiais na ocorrência, que mesmo após recuperarem o carro, ainda fizeram buscas na região até localizar os autores do crime. “Desde o início da situação os policiais foram extremamente solícitos, me deixaram tranquilo e me assessoraram em tudo, do início ao fim. Me senti amparado e vi de perto toda a dedicação e profissionalismo com que eles agem. Tive meus bens recuperados graças a rapidez e eficiência do trabalho destes policiais militares”, afirmou Leandro.
Ao todo, oito policiais militares que atuaram nas ocorrências receberam, das mãos das pessoas as quais socorreram, um certificado de elogio. Após o ato, a unidade foi reunida para a largada de mais uma operação.
RESULTADOS – Pouco tempo depois do lançamento das atividades, uma equipe da RONE patrulhava pelo bairro Alto quando foi abordada por moradores que informaram haver uma casa com movimentação estranha de pessoas. “Fomos até lá e um homem correu ao ver nossa viatura. Acompanhamos ele e fizemos a abordagem na casa, onde encontramos maconha, crack e haxixe. O rapaz nos indicou outra residência que também tinha ilícitos. Lá, apreendemos um revólver calibre 38 e munições para calibres 38, 9mm e também de fuzil”, destacou o soldado De Castro.
Os detidos, de 25 e 27 anos, foram levados até o 5º Distrito Policial para as medidas cabíveis.

Operação em Curitiba termina com dois presos; um é acusado e matar menina de três anos



Da Redação com PRF
(Fotos: Divulgação PRF)

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil realizaram, na manhã deste domingo (31), na região metropolitana de Curitiba, uma operação conjunta contra uma quadrilha especializada em roubo de cargas. Mais de 50 policiais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em Curitiba e em Piraquara.
Um balanço preliminar da operação aponta que dois homens foram presos, ambos no bairro Boqueirão, em Curitiba. Um deles, de 25 anos de idade, responde por um duplo homicídio ocorrido no último mês de março em Piraquara. Na ocasião, uma menina de três anos foi morta enquanto dormia, com dois tiros na cabeça. O pai dela também foi atingido e morreu a caminho do hospital. (Relembre na notícia relacionada abaixo)
O autor dos disparos tinha uma rixa com um integrante da família das vítimas. Ele chegou a ser preso dias depois, mas fugiu da Delegacia de Piraquara em abril, quando um grupo de presos rendeu o carceireiro de plantão. Durante a fuga, um investigador da Polícia Civil foi atingido por um tiro no ombro.
O outro preso, também de 25 anos, tinha mandado de prisão expedido pela 12a Vara Criminal de Curitiba. As investigações apontam que ele é o líder da quadrilha de roubos de carga. Sua prisão era o principal objetivo da operação deste domingo.
A operação contou com o auxílio de um helicóptero e de cães farejadores da PRF, que ajudaram na localização de 700 gramas de maconha na geladeira de uma residência. Foram apreendidos ainda uma pistola calibre 380 de fabricação argentina com a numeração raspada, 16 munições calibre 380, um automóvel Volkswagem Jetta blindado, um aparelho bloqueador de sinais de celular e rastreamento, uma munição calibre 12 e outra de fuzil calibre .556, além de medicamentos roubados, entre outros objetos.
A ocorrência foi encaminhada para a Delegacia de Estelionado e Desvio de Carga (DEDC), no bairro Capão da Imbuia, em Curitiba. Uma entrevista coletiva está prevista para as 15 horas desta segunda-feira, na sede da DEDC, para a divulgação de detalhes das investigações e do balanço consolidado da operação.
Assista ao momento em que um dos suspeitos foi preso:


Polícia investiga morte de DJ que animava festas de jogadores no Rio


Valdemir foi encontrado morto em um hotel na Barra, na sexta (29).
Ele teria se ferido quando uma mesa de vidro quebrou e acertou seu pé.

Do G1 Rio
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar a morte de Valdemir dos Santos, de 37 anos, mais conhecido como DJ Goleiro, conhecido no Rio por animar as festas de grandes nomes do futebol. Valdemir foi encontrado morto em um hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, na noite da sexta-feira (29).
De acordo com informações da 16ª DP (Barra da Tijuca), a delegacia aguarda os laudos da perícia de local e do Instituto Médico Legal (IML) com a causa da morte. Amigos da vítima prestaram depoimento e testemunhas estão sendo ouvidas. Ainda segundo a polícia, imagens de câmeras de segurança do hotel estão sendo solicitadas.
DJ Goleiro (Foto: Marcelo Tralha/Arquivo pessoal)DJ Goleiro (Foto: Marcelo Tralha/Arquivo pessoal)
O DJ Marcelo Tralha, amigo do DJ Goleiro, foi surpreendido com a notícia da morte por boatos que circulavam em uma rede social. De acordo com as informações, Goleiro estaria num hotel na companhia de um casal quando uma mesa de vidro se quebrou atingindo seu pé. Tralha recebeu uma foto que mostra o DJ Goleiro sentado numa cadeira, com aspecto de desfalecido, um pano enrolado no pé, e muito sangue no chão.

Ainda de acordo as informações que Tralha recebeu, o casal teria saído para procurar ajuda - a mulher teria também se ferido - mas ninguém voltou. Segundo informações no perfil de Goleiro numa rede social, o vidro teria atingido a veia femural e ele teria morrido de hemorragia.
Tralha contou que ficou sabendo pelas informações na rede que Goleiro havia anunciado que iria a um show numa casa de shows da Barra e depois passaria a noite no Hotel Sheraton da Avenida Lúcio Costa, antigo Radisson.
Amigo estranha falta de socorro
Tralha então foi até o hotel,e confirmou a morte do DJ Goleiro. Transtornado, foi à delegacia e teve acesso ao registro de ocorrência, quando também confirmou que havia mais duas pessoas no apartamento. O registro policial afirmava que a morte ocorrera a partir de um acidente com a mesa de vidro que atingiu o pé, segundo Tralha.

“Essa história está muito estranha. Segundo o registro de ocorrência da delegacia, o Goleiro estava no apartamento 205 do Sheraton Hotel, com mais duas pessoas, um homem e uma mulher. A mulher também se feriu. Eu não entendo o porquê de não terem acionado a segurança do hotel após o acidente. O socorro seria mais rápido e, talvez, o Goleiro não teria morrido”, disse o DJ Tralha.

Abalado com a perda do amigo, que morou com ele cerca de 3 anos, Tralha disse ainda que Goleiro e o casal que estava com ele não tinham condições financeiras para frequentarem um hotel daquele tipo. Ele ainda disse que esse casal não procurou a família do DJ para dar qualquer explicação e que também o hotel se negou a passar qualquer tipo de informação relacionada com a morte de Goleiro para a irmã dele. Procurado pelo G1, um funcionário do hotel informou que não havia qualquer responsável para comentar o assunto.

“Goleiro e as duas pessoas que também estavam no quarto não tinham dinheiro para bancar um hotel como aquele. Falo isso porque, apesar de superficialmente, eu conhecia o rapaz e a moça que estavam naquele quarto. Procurei o hotel para saber no nome de quem estava a reserva do quarto, mas, primeiramente, a direção disse que só passaria essa informação para a família. Após muita insistência, eles disseram que só a polícia teria acesso a essa informação. Apesar do sofrimento, eu e a família do Goleiro não procuramos o casal a pedido da polícia, que investiga o caso”, completou Tralha.
O corpo do DJ Goleiro vai ser sepultado nesta segunda (1º), às 14h, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rio.

Região dos EUA atrai milhares de jovens empreendedores da internet

Vale do Silício, na Califórnia, é conhecido como berço da inovação, onde estão concentradas as maiores empresas de tecnologia do mundo.

Se você não conhece o som no vídeo acima, você é jovem o suficiente para ter nascido em um mundo com internet rápida. Mas nem sempre foi assim. O barulhinho indicava uma tentativa de acessar a internet pela linha de telefone fixo. Entrar na rede era barulhento, demorado e caro! assista ao vídeo
saiba mais

No Brasil nos últimos dias de 1995, entramos em uma era em que acabava a divisão casa - trabalho. A porta de entrada foi um aparelho doméstico chamado computador. Vinte anos se passaram. A internet evoluiu e revolucionou a nossa vida. Com os smartphones, mudou a forma como ouvimos música, namoramos, trabalhamos e andamos pela cidade. Até novas preocupações a gente ganhou.
“Quanto mais ficamos online e quanto mais aparelhos usamos, nós estamos compartilhando cada vez mais as informações mais pessoais que temos” diz Gary Covacs, CEO da AVG.

Boa parte dessas inovações nascem em um mesmo lugar dos Estados Unidos. Na Califórnia, em uma região conhecida como Vale do Silício, que abrange várias cidades no sul da baia de São Francisco e onde estão concentradas as maiores empresas de tecnologia do mundo. E algumas delas surgiram de maneira parecida e inusitada: estudantes universitários se reunindo na “garagem" de casa para criar e testar invenções consideradas meio malucas na época.
Quem poderia imaginar que essas garagens se transformariam nas empresas de internet que nós conhecemos hoje? Algumas delas viraram lugar de devoção.
‘É um lugar histórico. É uma meca”, diz um homem sobre a casa de Steve Jobs.
Ele está certo. Foi lá que Steve Jobs, um dos maiores nomes da tecnologia e da internet no mundo, criou o computador que deu início à sua empresa.
“Essa é só uma garagem pequena, mas criou uma empresa gigantesca. E isso inspira muito outras pessoas e empresas a criarem produtos novos”, diz um outro rapaz.
Milhares de jovens chegam por lá todos os anos com uma ideia na cabeça e com uma vontade enorme de mudar o mundo! Muitos deles, brasileiros.
“A ambição ela não é relacionada a quantia ou a dinheiro”, comenta Elton Miranda.
“A pessoa vai fazer aquilo porque ela quer impactar o mundo de alguma forma”, afirma Rafael Stavarengo.
“Para trazer momentos felizes para as pessoas”, diz Vanessa Caldas.
Mas ninguém mais começa em uma garagem. Na maioria das vezes eles já têm um investidor apostando nos seus projetos - e tem bastante dinheiro envolvido.
Fantástico: Quanto vocês receberam de investimento para estar aqui desenvolvendo o produto de vocês no Vale do Silício?
Emilia Chagas, jornalista: Foram US$ 100 mil.
Fantástico: Isso é bastante?
Emília Chagas: Não.
Eles trabalham em espaços coletivos e com todo tipo de companhia.
Fantástico: É bom ter um cachorro aqui?
Dominic Carrico: É ótimo, ele traz felicidade e alegria para o nosso escritório. Todos gostam de ter ele por perto.
Olhando pra a imagem que aparece no vídeo acima, parece que nós estamos em uma empresa. Mas na verdade, 160 empresas diferentes, as chamadas startups dividem o mesmo espaço. Cada um dos computadores é uma empresa, é uma startup. Uma ideia, que virou um projeto e que está tentando se transformar em um produto com o objetivo de facilitar a sua vida através da tecnologia. E ali ninguém quer ser pequeno. Todos sonham em ser mais um gigante da internet.
Gabriel Senra, advogado: Estou muito feliz, muito empolgado, na verdade, com a possibilidade de realmente criar o impacto, de trazer o impacto que eu sempre sonhei para o Brasil.
Gabriel tem 27 anos e abandonou o emprego em um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil para desenvolver o seu projeto no Vale do Silício.
Fantástico: Qual é o teu sonho hoje?
Gabriel Senra: Criar a empresa mais inovadora do mundo na área jurídica. A gente tem um software que permite que os advogados editem e criem os seus documentos jurídicos de forma muito mais simples e mais rápida
E assim como ele, a maioria dos jovens que chegam ali querem mais do que dinheiro
Fantástico: Vocês chegaram aqui com que ideia?
Ariel Alexandre, desenvolvedor de Startup: Nós chegamos aqui com a ideia de criar um aplicativo pra levar mais felicidade para as pessoas, mais momentos felizes através da música
“O software que a gente desenvolveu facilita o dia a dia do profissional de marketing dentro da empresa”, conta uma desenvolvedora de Startup.
“Estar no vale do silício, hoje, é que nem você ser um jogador de futebol e estar jogando na liga espanhola ou na liga italiana. Na maioria das vezes as pessoas vão ser melhores do que você e você está no ambiente mais competitivo da sua indústria, que no nosso caso é software e tecnologia”, diz o empresário Pedro Sorrentino.
É justamente esse espírito que faz as coisas darem certo no Vale do Silício. E se errar, ok. Faz parte do jogo.
Rafael Stavarrengo, desenvolvedor de Startup: Fracasso é uma palavra que não encaixa com o que a gente vai sentir caso o aplicativo não vire nada.
Fantástico: Como é que o fracasso é visto aqui? Dificulta novos investimentos?
Ariel Alexandre, desenvolvedor de Stratup: Não. Aqui, principalmente aqui, as pessoas adoram isso. Porque você teve a experiência do erro. Então você vai saber como não errar na próxima startup que você fizer. E por aí vai.
Fantástico: Um pensamento muito diferente do Brasil?
Ariel Alexandre: Muito diferente.
Com essa filosofia de trabalho, novas ideias surgem e ganham o mundo. Um bom exemplo disso é uma empresa que oferece serviço de motoristas particulares por um aplicativo de celular. Criada em 2009 e cercada de polêmicas, a empresa já tem cadastrados 200 mil motoristas no mundo todo e vale 41 bilhões de dólares.
É no Vale do Silício também que surge o futuro das redes sociais. E mesmo no berço da inovação, é preciso estar sempre atento. É o que nos conta um brasileiro. Ele criou a maior rede social de compartilhamento de fotos. A empresa foi vendida por um bilhão de dólares.
“A gente está sempre vendo as tendências de mercado, de tecnologia e vendo como podemos evoluir. A empresa, se você não evoluir, acaba morrendo. Precisa ter essa mentalidade de que tudo vai mudar, daqui a um ano vai ser tudo diferente”, explica o fundador do Instagram Mike Krieger.
Uma outra rede social também está preocupada com o futuro. Para os próximos anos, aposta no vídeo como forma de comunicação...Mas ao vivo!
“Todo mundo que te segue tá conectando nessa sala em tempo real e vendo o que você está vendo, vendo o que você está gravando, vendo o que você está transmitindo. Então não é foto, não é vídeo, efetivamente uma transmissão ao vivo. Todos os seus seguidores estão te vendo e comentando”, conta o engenheiro do Twitter Rafael Dahis.

Segundo PF e MP, fraudes do DPVAT podem chegar a R$ 1 bilhão ao ano


Funcionário de fazenda conta como fraudadores se aproximam. Policiais também faziam parte do esquema. Investigador fez, em um ano, 6 mil BOs.

O Fantástico denuncia o golpe do DPVAT, o seguro obrigatório que o motorista que tem carro, moto, qualquer tipo de veículo, tem que pagar todo ano. O DPVAT é usado para indenizar as vítimas do trânsito. Mas tem gente que caiu do cavalo e recebeuassista ao video
Em uma noite de São Paulo, ao bater em um carro, o motoqueiro quebrou a perna e ficou em coma. Ele e todos que se machucam com alguma gravidade no trânsito brasileiro têm direito a receber uma indenização. É dinheiro do DPVAT, o seguro obrigatório.
Claro, se você cair do cavalo, se machucar jogando bola ou em uma briga, não tem direito a receber um centavo desse benefício. Só que mesmo nesses casos, o pagamento saiu. Como?
“Nós observamos vários casos absurdos. Nós não temos dúvida alguma de que as fraudes podem chegar a até R$ 1 bilhão ao ano em todo o país”, afirma o delegado da Polícia Federal Marcelo Freitas.
Em 2014, os donos de carros, motos, ônibus e caminhões pagaram quase R$ 8,5 bilhões de seguro obrigatório, o DPVAT. Por lei, 45% têm que ir para o Sistema Único de Saúde (SUS) e 5% para o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A outra metade é para pagar as vítimas de acidentes.
Quando a polícia diz que as fraudes representam R$ 1 bilhão por ano, significa que 25% do valor destinado às indenizações em 2014 estariam sendo usado indevidamente. “Uma completa ausência de controle, uma absoluta ausência de fiscalização”, diz Freitas.
Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Nesses estados, em uma investigação recente da Polícia Federal e do Ministério Público, foi possível descobrir o caminho da fraude, que começa com uma mentira e termina com o dinheiro no bolso dos golpistas.
Gildemar trabalha em uma fazenda em Janaúba, Minas Gerais. No ano passado, ele caiu do cavalo e quebrou o pé. Diz que uma mulher o procurou e falou para ele mentir que tinha sofrido um acidente de moto.
“Falou pra mim, pra fazer uma ocorrência como tivesse caído de moto. Naquele desespero, já machucado, ela falou: ‘não, nós temos que fazer isso, vai sair um dinheiro pra nós. Vamos fazer isso, vamos fazer’. Eu peguei e fiz”, conta o trabalhador rural Gildemar Bispo de Jesus.
Ele recebeu cerca de R$ 1,7 mil do seguro obrigatório. Desse total, a golpista embolsou R$ 200. “Admito que eu menti também, mas porque eu fiz induzido”, aponta Gildemar.
O homem que caiu do cavalo foi procurado por uma 'atravessadora', uma golpista que se passa por despachante e promete resolver tudo em troca de uma porcentagem do seguro. Os fraudadores costumam ficar em escritórios perto dos hospitais ou mesmo dentro dos setores de emergência médica, à espera de novos clientes.
“Pedimos que a Polícia Federal tomasse essas providências no sentido de inibir ou de encontrar uma saída pra que esse tipo de profissional não tenha acesso”, conta o superintendente da Santa Casa de Montes Claros, Maurício Souza e Silva.
Segundo a Polícia Federal, outro golpe começou em um campinho de futebol. Leomar Miranda Santos é presidente da Câmara de Vereadores de Rubelita (MG), município de sete mil habitantes.
Fantástico: O senhor joga bola?
Leomar: Jogo bola.
Fantástico: Chuta com que perna?
Leomar: Com a direita.
Com autorização da Justiça, os telefonemas dos golpistas foram gravados. Em uma conversa, dois homens falam sobre Leomar.
Suspeito 1: Eu vi Leomar. Na verdade, ele caiu, se machucou jogando bola, né? Comenta nada com ninguém, não. Beleza? Falei: “Não, beleza.”
Fantástico: O senhor caiu de moto ou caiu jogando bola?
Leomar: Me acidentei de moto.
Fantástico: Quando foi isso?
Leomar: Foi dia...
Fantástico: Mês, por exemplo.
Leomar: Mês de maio. Dia 13 de maio. Se eu não me engano, dia 13 de maio.
No Boletim de Ocorrência, o acidente foi em 13 de maio de 2014. A investigação concluiu que as informações do BO são falsas.
Leomar: Eu quebrei o tornozelo direito.
Fantástico: Quanto o senhor recebeu de DPVAT?
Leomar: R$ 7.087, se não me engano.
Fantástico: O senhor agiu de má fé?
Leomar: De forma alguma. Provarei isso, se necessário.
Comprovada a irregularidade, o dinheiro das fraudes tem que ser devolvido.
De acordo com as investigações, policiais civis também faziam parte do esquema. Em uma delegacia de Montes Claros (MG), um único investigador chegou a fazer, em um ano, seis mil boletins de ocorrência. Todos de acidente de trânsito.
Fernando Lopes das Neves, o 'Caveirinha', é policial há 18 anos. Segundo o Ministério Público, o investigador de Montes Claros fazia ele próprio os boletins com informações falsas e também permitia que outros usassem a senha dele para acessar o sistema da polícia.
“Identificamos que a senha desse policial foi utilizada de dentro das diversas empresas que intermediavam o pagamento desse seguro”, conta o promotor de Justiça Guilherme Fernandez Silva.
O investigador foi preso em abril de 2015, acusado de receber R$ 100 de propina a cada boletim forjado. E em maio de 2015, respondia em liberdade. O Fantástico tentou falar com ele, mas nem o policial, nem o advogado responderam.
O último passo do golpe é conseguir um laudo com informações falsas, assinado por um médico. O valor da indenização paga pelo DPVAT varia conforme a lesão, que tem que ser grave e provocar invalidez permanente total ou parcial.
“É a lesão que se perpetua no tempo, ou seja, perda da utilização total daquele membro”, explica o professor de medicina legal da USP Henrique Soares.
Invalidez permanente: a indenização é de até R$ 13,5 mil. Se o acidente não foi tão grave, mas houve despesas com médico e hospital, a pessoa tem direito a até R$ 2,7 mil. Em caso de morte, o valor é R$ 13,5 mil.
Uma mulher, que não quis se identificar, foi procurada por um golpista, que conseguiu liberar o dinheiro do seguro falsificando os atestados, sem fazer nenhuma perícia. “Ele só pegou o documento, entregou para o médico e pediu pra mim ir embora: ‘pode ficar tranquila que vai dar tudo certo’. Eu não vi o médico”, conta ela.
A Seguradora Líder é a responsável pelo pagamento das indenizações. Esta semana, o Ministério Público deve entrar com uma ação civil pública contra a empresa. “A investigação aponta que há sim uma participação de dentro da seguradora Líder pra facilitar os pagamentos de fraude”, afirma Guilherme Fernandez Silva.
A seguradora nega e diz que as fraudes não chegam a R$ 1 bilhão por ano, como afirma a Polícia Federal. “Nós temos um controle de qualidade, nós fazemos auditoria. Poderá haver problema? Poderá haver problema. Afinal de contas é um país grande. Mas nós temos um cuidado muito grande, fiscalizamos com a maior intensidade possível. Fraudes efetivamente não chegam a 1% do que efetivamente acontece”, afirma o presidente da Seguradora Líder, Ricardo Xavier.
Ou seja, para a seguradora, as fraudes não somam R$ 40 milhões por ano. E a empresa recomenda que as pessoas deem entrada no pedido de indenização por conta própria. “Se a pessoa procurar uma da nossa rede autorizada, que tem 7.880 pontos de atendimento em todo Brasil, em todos os municípios, terá o atendimento gratuito”, aponta o presidente da Seguradora Líder.
“As fraudes ao seguro DPVAT estão acontecendo em cidades de Norte a Sul do país de maneira absolutamente impune, razão pela qual os órgãos têm que agir de maneira firme evitando que essas fraudes possam persistir”, alerta Marcelo Freitas.