Homem é achado morto com lesão no rosto em prédio na Av. Paulista


Polícia apura se tradutor foi assassinado após comemorar aniversário.
Entre hipóteses levantadas estão tentativa de roubo, homofobia e vingança.

Kleber TomazDo G1 São Paulo
 A Polícia Civil investiga se Agnaldo Jezuíno, encontrado morto na quinta-feira (21), em seu apartamento na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, foi assassinado. De acordo com a Polícia Militar (PM), a vítima foi encontrada com hematomas, inclusive no rosto. Até esta sexta-feira (22) o caso não havia sido esclarecido. Também não há informações sobre suspeitos detidos.
Segundo o boletim de ocorrência do caso, ao qual o G1 teve acesso, e policiais ouvidos pela equipe de reportagem, Agnaldo, que completaria 50 anos nesta sexta-feira, era gay e aparentemente trabalhava como tradutor na organização internacional de saúde. Ele mantinha uma união estável havia 20 anos com o consultor norte-americano Kraig Lyndon Klaudt, de 54, que atuaria na mesma empresa.
Entre as hipóteses investigadas para esclarecer o crime estão tentativa de roubo seguida de morte, homofobia e até vingança, de acordo com investigadores. A equipe de reportagem não conseguiu localizar parentes de Agnaldo ou Kraig para comentarem o assunto nesta sexta-feira (22).
Em depoimento à polícia. Kraig disse que achou o corpo do companheiro na tarde de quinta-feira, no apartamento do casal, no 10º andar Edifício Saint Honorê, onde os apartamentos têm entre 170 m² a 220 m² estão avaliados em sites de venda de imóveis a partir de R$ 1,5 milhão. O caso foi registrado como homicídio no 78º Distrito Policial (DP), nos Jardins.
Aniversário
Segundo o boletim de ocorrência do caso, o estrangeiro contou que, no domingo (17), ele e Agnaldo tinham ido comemorar antecipadamente o aniversário do tradutor em um restaurante de comida mexicana, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.
Kraig relatou que, no local, o casal bebeu e teria “ingerido uma substância nociva à saúde” que os fizeram perder a consciência.
O americano afirmou ainda que acordou sozinho, já na madrugada de segunda-feira (18), numa rua perto do estabelecimento comercial onde havia ido.
O companheiro de Agnaldo disse que o tradutor só voltou ao apartamento do casal quase 48 horas depois, já na madrugada de terça-feira (19). De acordo com Kraig, ele revelou ter perdido a consciência ao beber no restaurante e acordou sendo agredido por pessoas que não soube identificar. Também não há informação se algo foi roubado dele.
Ainda segundo o americano, Agnaldo lhe falou que foi levado a Santa Casa de Misericórdia, onde acabou medicado e liberado. O Bom Dia Brasil confirmou essa informação com a unidade médica.

Kraig contou que, já de volta ao apartamento, Agnaldo reclamava de dores e dificuldades para respirar, sintomas que estava sentindo durante a quarta-feira (20).
Hematomas
Alegando que o tradutor estava fazendo muito barulho, provavelmente devido ao ronco, Kraig afirmou à polícia que preferiu dormir na sala, enquanto Agnaldo ficou no quarto. Por volta das 12h de quinta-feira (21), o estrangeiro disse que foi ao local onde seu companheiro estava e o encontrou morto num sofá. Ele estava ajoelhado, com hematomas, inclusive no rosto.

Kraig falou que pediu ajuda e vizinhos chamaram a PM, que foi ao imóvel por volta das 15h e ouviu o relato do consultor. O apartamento acabou interditado para o trabalho dos peritos da Superintendência da Polícia Técnico-Científica. A perícia do Instituto Médico Legal (IML) fará um laudo necroscópico que apontará a causa da morte de Agnaldo.

Esse documento será anexado ao inquérito que apura o caso e poderá ajudar a esclarecer o, que para a polícia, se trata de um crime.