Preso na 13ª fase da Lava Jato faz exame de corpo de delito em IML


Milton Pascowitch foi preso na quinta (21) em SP e está detido em Curitiba.
Exame é procedimento padrão após prisão e durou cerca de 10 minutos.

Do G1 PR
Milton Pascowitch fez exame de corpo de delito nesta sexta-feira  (Foto: Edy Carlos / RPC)Milton Pascowitch fez exame de corpo de delito nesta sexta-feira (Foto: Edi Carlos / RPC)
O empresário Milton Pascowitch, preso durante durante a 13ª fase da Operação Lava Jato, deixou a carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, para fazer o exame de corpo de delito no Insituto Médico Legal (IML) na manhã desta sexta-feira (22).  O procedimento é padrão após a prisão. O exame durou aproximadamente 10 minutos. O empresário deve prestar depoimento na segunda-feira (25).
Milton foi preso na manhã de quinta-feira (21) em sua casa, na capital paulista. De acordo com a PF, ele atuava como elo entre a diretoria de Serviços da Petrobras e o Partido dos Trabalhadores (PT). O contato era feito por meio da JD Consultoria, de propriedade do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, conforme a Polícia Federal.
Empresário  foi preso na quinta-feira na 13ª fase da Lava Jato (Foto: Ana Zimmerman / RPC)Empresário foi preso na quinta-feira na 13ª fase da
Lava Jato (Foto: Ana Zimmerman / RPC)
Além de São Paulo, a fase mais recente da operação também cumpriu mandados judiciais em Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, Pascowitch era um dos operadores de propina no esquema da Petrobras. Ele atuava junto à Engevix, empreiteira com contratos com a estatal e que é acusada de pagar propinas a diretores. Por meio de empresa própria, Pascowitch pagou R$ 1,4 milhão à consultoria de Dirceu, que nega irregularidades.
"A única ligação entre Pascowitch e o Partido dos Trabalhadores que temos hoje é através do José Dirceu. A empresa de Milton fez pagamentos à JD entre 2011 e 2012", disse o delegado Igor Romário de Paula.
Milton Pascowitch fez o repasse por meio da Jamp Engenheiros Associados LTDA. De acordo com o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, a Jamp era responsável por repassar propina paga pela construtora Engevix.
O ex-ministro José Dirceu reafirmou, em nota, que o contrato com a Jamp "teve o objetivo de prospectar negócios para a Engevix no Peru e não teve qualquer relação com contratos na Petrobras". O documento diz ainda que, durante a vigência do contrato, Dirceu viajou a Lima para tratar de interesses da Engevix, o que foi confirmado pelo ex-vice-presidente da construtora Gerson Almada em depoimento.
"Em seu depoimento à Justiça, Almada afirmou que nunca falou com o ex-ministro a respeito da Petrobras", diz a nota.
O Partido dos Trabalhadores informou ao G1, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se manifestar.
A PF sustenta que agora tem um novo foco de investigacão. Isso porque, Pascowitch, que presta serviços à Ecovix, empresa do ramo de construção naval e offshore (empresas de exploração petrolífera que operam com plataformas no mar), ligada à Engevix, atuou em contratos firmados com as diretorias de Exploração e de Serviços da estatal.
O empresário assinou contratos com um estaleiro e a diretoria de Exploração, que agora serão investigados. "Nós não tínhamos nada de concreto de que alguém tivesse atuado nesta diretoria, mas agora Pascowitch nos leva até lá através da Engevix", disse o delegado Igor Romário.
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Denúncia
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a empresa JD Consultoria, de propriedade do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, recebeu mais de R$ 1,4 milhão em pagamentos da Jamp Engenheiros Associados LTDA, que pertence a Milton Pascowitch.
O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco disse aos investigadores que o empresário recebia propina para o PT vinda da empresa Engevix.
O vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, que cumpre prisão em regime domiciliar, afirmou em depoimento que, além de pedir doação de campanha para o PT, Milton Pascowitch intermediou o pagamento de propina da Engevix com a diretoria de Serviços da Petrobras, que era ocupada por Renato Duque. O ex-diretor está preso no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, no Paraná.