Propina até no lixo


Para investigadores da Lava Jato, Fernando Baiano, envolvido no Petrolão, também operou para o PT. Repasses de propina ocorriam na sede da empresa coletora de resíduos Estre Ambiental

Claudio Dantas Sequeira (claudiodantas@istoe.com.br)
Quando a Operação Lava Jato foi deflagrada, o lobista Fernando Soares, o Baiano, foi apontado como um dos principais operadores do PMDB no Petrolão. Agora, os integrantes da força-tarefa que investiga o esquema encontraram fortes indícios de que Baiano também operava para o PT. O elo com o partido seria a empresa contratada para coletar resíduos da Petrobras, Estre Ambiental.
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Os agentes do PF já sabiam que era na sede da empresa no Rio de Janeiro que Fernando Baiano negociava e repassava propinas a políticos. Nos últimos dias, descobriu-se que a Estre Ambiental tem como diretor e homem forte uma figura muito ligada ao petismo. Trata-se do engenheiro eletrônico Mauro Picinato. Antes de atuar para a Estre, o engenheiro trabalhava na Leão Ambiental, acusada de integrar a máfia do lixo do PT em Ribeirão Preto. Depois que Picinato passou a representar a empresa, ela abocanhou mais de R$ 800 milhões em contratos com a Petrobras. Segundo os integrantes da Lavo Jato, Baiano encarregava-se do lobby para a Estre na Petrobras. Essa informação foi extraída de um dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal. De acordo com Costa, foi Baiano que lhe apresentou a Estre.
EMPRESA INVESTIGADA DOOU R$ 5,5 MILHÕES
PARA O PT FORA DO ANO ELEITORAL
As doações feitas pela Estre Ambiental ao Diretório Nacional do PT em 2013, ou seja, fora do ano eleitoral, reforçam o elo com o partido. Entre abril e dezembro, a companhia realizou cinco transferências num total de R$ 5,5 milhões. Após a contribuição ao PT, a Estre quase pediu falência no ano seguinte. Precisou recorrer ao BTG e ao FI-FGTS. Outros indícios fortalecem essa tese dos investigadores. Dentre várias empresas adquiridas pela Estre em anos recentes está a empresa de coleta de lixo Cavo, alvo de denúncias no município de São Paulo entre 2001 e 2005, período em que a prefeitura também era controlada pelo PT. Picinato, além de homem forte da Estre, integra o conselho de administração da Concessionária Rodovias do Tietê. Entre seus principais acionistas está o Grupo Bertin, ligado ao pecuarista José Carlos Bumlai, próximo do ex-presidente Lula.