PT vai aderir ao distrital misto, sistema eleitoral defendido pelo PSDB


No ano passado, cúpula petista havia orientado bancada no Congresso a apoiar o voto em lista fechada

MARCELO SPERANDIO
02/05/2015 - 12h15 - Atualizado 02/05/2015 12h23
Dilma Rousseff e Aécio Neves (Foto: Agência Brasil)
A direção do PT decidiu: o partido vai aderir ao voto distrital misto, sistema eleitoral defendido oficialmente pelo PSDB. No ano passado, a cúpula petista orientou a sua bancada no Congresso a apoiar o voto em lista fechada para deputados estaduais e federais.
A lista fechada é o sistema em que o eleitor vota numa lista pré-ordenada dos candidatos do partido, em vez de escolher um candidato, como acontece hoje. Só que o PT não conseguiu apoio para esse modelo. Uma pesquisa feita no Congresso mostra que a lista fechada tem 68% de rejeição dos parlamentares. Agora, o plano alternativo do PT é fazer campanha pelo distrital misto, que preserva, em parte, a lista fechada inicialmente defendida pelos petistas.
No distrital misto, metade das vagas para deputados de um estado é escolhida pela lista fechada. A outra metade é eleita a partir do voto majoritário por distrito. Exemplo: o estado de São Paulo tem direito a 70 deputados federais. Com esse modelo, o estado será dividido em 35 distritos – todos com números de habitantes bem próximos.
Cada distrito será um conjunto de cidades em que o eleitor terá direito a dois votos para deputado. Num, ele escolherá a lista fechada oferecida por uma legenda. No outro, ele votará num candidato indicado por um partido – e cada sigla só poderá lançar um nome, como na eleição para prefeito. A lista fechada com mais votos e o candidato com mais votos serão os eleitos. Dessa maneira, cada um dos 35 distritos de São Paulo elegerá dois deputados, o que contemplará o total de 70 cadeiras que o estado tem direito na Câmara.
Aos poucos, esse sistema, que é adotado na Alemanha, ganha adesão no Congresso. PSDB, DEM e PPS, que juntos contam 86 deputados, defendem o distrital misto. Eles se preparam para fechar acordo com o PT, que tem mais 64 deputados. No total, esses quatro partidos somam 150 deputados. Já o PMDB quer instalar o voto distrital puro, chamado de distritão, em que cada estado elegerá os mais votados. O relator da reforma política na Câmara, o peemedebista Marcelo Castro (PI), tenta convencer o líderes do seu partido a trocarem o distritão pelo distrital misto, que é de sua preferência.