'Vítimas de estupro coletivo tiveram perda de memória', afirma delegado


Polícia aguarda melhora no estado de saúde das quatro adolescentes.
Uma delas segue em estado grave e respirando por ajuda de aparelhos.

Catarina CostaDo G1 PI
Delegado falou sobre quadro de saúde de vítimas durante coletiva (Foto: Catarina Costa/G1)Delegado falou sobre quadro de saúde de vítimas durante coletiva (Foto: Catarina Costa/G1)
As quatro adolescentes brutalmente violentadas em Castelo do Piauí, Norte do estado, tiveram perda de memória. A informação foi confirmada neste sábado (30) pelo delegado Willame Moraes, gerente de Policiamento do Interior, durante coletiva na Secretaria de Segurança que apresentou o quinto suspeito do crime.
Segundo o delegado, as garotas estão recuperando a memória de forma gradual e a polícia aguarda uma melhora no quadro de saúde delas para colher os depoimentos.
O estado mais grave é da jovem de 17 anos, que teve trauma craniano e continua respirando por ajuda de aparelhos na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), do Hospita de Urgência de Teresina(HUT).
Feridos em acidente com ônibus e caminhão-taque estão internados no HUT (Foto: Catarina Costa / G1)Três das vítimas seguem internadas no HUT
(Foto: Catarina Costa / G1)
Outra vítima foi submetida a cirurgia na coluna cervical na noite dessa sexta-feira (29) num hospital particular e está reagindo bem. Já a terceira não pode falar porque teve parte do rosto danificado e precisará de uma cirurgia reparadora. A quarta continua em estado de choque.
"Não podemos forçar as vítimas a lembrar do crime, mesmo diante de um fato grave  ou que seja para punir os autores. Vamos esperar a recuperação das meninas, elas terem condições psicológicas e principalmente de saúde para detalhar de como se deu toda a ação. Infelizmente elas estavam no lugar errado e na hora errada", comentou.
O delegado confirmou que o estupro coletivo não foi algo planejado pelos suspeitos, que estavam escondidos da polícia por causa de recentes assaltos e usando drogas no morro onde o crime aconteceu. O pai de uma das vítimas conversou com o delegado e contou a versão da filha sobre o crime.
De acordo com Willame Moraes, a adolescente diz ter ido até o morro fazer um trabalho da escola e ao chegar lá foi abordada pelos suspeitos. "A vítima conta que amarraram os seus pés e mãos, amordaçaram, mas não lembra o que aconteceu depois. Na parte da sessão de estupro que durou 1h, temos somente as versões dos suspeitos menores de idade, que foram ouvidos na presença de um juiz", contou.
Quinto suspeito foi apresentado durante coletiva na Secretaria de Segurança (Foto: Catarina Costa/G1)Quinto suspeito foi apresentado durante coletiva na Secretaria de Segurança (Foto: Catarina Costa/G1)
Quinto suspeito
O quinto suspeito de participar do estupro coletivo e apontado pelos menores como mentor do crime foi preso por volta das 19h dessa sexta-feira (29) em Campo Maior. Segundo a polícia, ele estava em um mototaxi tentando fugir, quando foi reconhecido por algumas pessoas que informaram a Polícia Militar.
Adão José de Sousa, 40 anos, foi transferido ainda durante a noite para Teresina e apresentado durante coletiva na Secretaria de Segurança. Por questão de segurança o local onde ele ficará recluso não foi informado. Já os menores estão no Centro de Internação Provisória (CEIP).
Entenda o caso
O crime bárbaro chocou a população da cidade de Castelo do Piauí, a 190 Km de Teresina. Quatro adolescentes foram brutalmente agredidas, estupradas e depois amarradas na quarta-feira (27).
De acordo com as polícias civil e militar, as garotas teriam saído para tirar fotos em um ponto turístico distante alguns quilômetros da zona urbana, quando foram rendidas por cinco pessoas. Logo após o crime a polícia apreendeu quatro menores, sendo que dois dos deles confessaram o crime e contaram, em depoimento, os detalhes sobre a ação criminosa.
Nesta sexta-feira (29), os moradores do município se reuniram em uma caminhada solidária às vítimas e contra a violência que chocou a cidade. Durante a caminhada, a população vestia branco, levava cartazes e pedia paz.