Adilson Amadeu: "O Uber chegou a vários lugares do mundo na contramão das leis"


Autor do projeto de lei que proíbe aplicativos de transporte como o Uber em São Paulo afirma que não há como regulamentar o serviço

GABRIEL LELLIS (EDIÇÃO: LIUCA YONAHA)
24/07/2015 - 16h10 - Atualizado 24/07/2015 16h33
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Debate sobre a liberação do aplicativo UBER - Não  (Foto: Ilustração: Espaço Ilusório)
ÉPOCA – Por que o senhor considera necessário proibir serviços como o Uber?
Adilson Amadeu (PTB) – Meu projeto na verdade fala de aplicativos em geral, e não apenas do Uber. Quem quer oferecer um serviço desse tipo deve ter carros de placa vermelha e cadastro municipal. O Uber chegou a vários lugares do mundo na contramão das leis. São carros irregulares, sem nenhum tipo de alvará igual aos táxis. Lei é lei: se quiser circular tem de ter cadastro no órgão municipal e pagar imposto, alvará e vistoria. Senão, é a mesma coisa que eu colocar um ônibus na rua e começar a cobrar por itinerário. Se continuar assim vira moda e qualquer um começa a tirar dinheiro com isso. Mas a principal pergunta é: quem são os motoristas do Uber? Eles passaram por triagem? É a própria empresa que fiscaliza isso. Isso deixa o cidadão na mão de algo possivelmente perigoso.
ÉPOCA – Por que proibir o Uber em vez de regularizá-lo?
Amadeu – Regularizar o ilegal? Como é regularizar o ilegal? Isso não interessa pra eles. Eles querem continuar ganhar 20% sem recolher impostos. Não tem lógica. A tecnologia é maravilhosa. Mas já há aplicativos que trabalham com táxi. Não há necessidade do Uber, que passou em cima de todo mundo. Eles são poderosos, mas eu estou defendendo a lei. Alguns vereadores até propuseram para a empresa se legalizar. Mas o Uber quer continuar como está porque é mais fácil fazer as coisas assim. Eles querem ilegalidade. Querem ganhar dinheiro fácil.
ÉPOCA – Mas essa proibição não fere o direito democrático de o cidadão escolher o transporte que deseja?
Amadeu – Todos têm o direito de escolher, mas o Uber infringe uma lei. Não existe justificativa.
ÉPOCA – O senhor acredita que, se o projeto for aprovado em segunda votação, o prefeito Fernando Haddad vai sancionar a lei?
Amadeu – Eu acho que ele não é louco de não sancionar. Se ele fizer isso vai mostrar que gosta de ilegalidade. O prefeito não pode fugir das normas. Se não sancionar, ele estará indo contra a lei. Aliás, ele como Executivo já deveria nos ter ajudado com a fiscalização. No dia da votação, mais de 20.000 pessoas – a maioria taxistas – vão estar paradas na expectativa dessa aprovação. Na primeira plenário foi 48 a favor e apenas 1 contra.
ÉPOCA – Você chegou a conversar com algum executivo da startup antes de lançar o projeto de lei?
Amadeu – Tentei várias vezes, mas eles se escondem. Nunca apareceram numa audiência pública. Inclusive desafio eles a virem aqui. Eles não respondem quando acionados. São fantasmas. 
ÉPOCA – Há por trás da proibição do Uber uma pressão das cooperativas de táxi?
Amadeu – 100% dos taxistas são a favor. Não é só cooperativa. Já falei com mais de 50 taxistas e todo mundo se mostrou revoltando com essa ilegalidade. Estão tirando o dinheiro de quem está dentro da lei. Já fiz contato inclusive com a Polícia Federal e com o FBI porque acho que tem muito mais coisa por trás. E do meu lado tenho 500.000 pessoas nessa luta.
Vereador Adilson Amadeu (Foto: Divulgação)