Aplicativos levam motoristas a áreas dominadas por criminosos no Rio



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Em uma sexta-feira de março, o ator Tadeu Aguiar estava a caminho do teatro quando deu de cara com um engarrafamento típico da hora do rush no Rio. Olhou o aplicativo de trânsito Waze, que sugeriu duas rotas de fuga.
A primeira levaria uma hora e meia. A segunda, três. Optou pela mais rápida, sem saber que passaria pelo Complexo da Pedreira, conjunto de favelas controlado por uma facção criminosa. Acabou roubado. "Hoje só uso Waze se conhecer bem o lugar aonde estou indo", diz.
Alex Carvalho /Divulgação/TV Globo
A atriz Fabiana Karla, que seguiu GPS e foi parar na favela
Fabiana Karla seguiu GPS e foi parar na favela
Casos como esse alertam para o risco de se ter confiança cega nos serviços de GPS. Eles podem errar ou indicar caminhos mais rápidos, porém com riscos à segurança.
Na última semana a atriz Fabiana Karla, da TV Globo, passou por uma situação parecida. Seguindo as indicações de um GPS foi parar dentro de uma favela em Niterói, região metropolitana do Rio.
Homens armados cercaram o veículo e, na fuga, o carro foi atingido por tiros. Ninguém ficou ferido.
"95% dos aparelhos de GPS têm uma margem de erro de localização de 10 metros. Os outros 5% podem ter muito mais, chegando a 200 metros", diz o professor de engenharia de transporte da Poli-USP Edvaldo Fonseca Jr.
Mesmo quando não erra, o GPS não leva em conta o contexto do caminho sugerido.
"Esse tipo de confusão acontece o tempo todo", diz o taxista carioca Marco Santos. "Como conheço a cidade, não sigo o caminho sugerido se achar suspeito."