Justiça prorroga prazo para inquérito contra José Dirceu na Lava Jato


PF pediu extensão do prazo para analisar material apreendido na 17ª fase.
Ex-ministro é tido como idealizador do esquema criminoso na Petrobras.

Bibiana DionísioDo G1 PR
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é preso em casa em Brasília como parte da 17ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Pixuleco. O irmão dele Luiz Eduardo de Oliveira e Silva também foi preso, em Ribeirão Preto (SP), e há outros mandados de prisão (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi preso em
casa em Brasília como parte da 17ª fase da Lava Jato
(Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
A Justiça Federal prorrogou, a pedido da Polícia Federal (PF), o prazo para conclusão do inquérito sobre a 17ª fase da Operação Lava Jato, que prendeu o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, no início de agosto.

Dirceu é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como idealizador do esquema de fraude, corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras.

O prazo inicial venceu na segunda-feira (17). Ao solicitar a extensão do prazo, a Polícia Federal afirmou que houve acúmulo de trabalho e que é necessário mais tempo para terminar a análise dos materiais periciados.

Agora, de acordo com o despacho do juiz Sérgio Moro – responsável pelas ações penais na primeira instância – a Polícia Federal tem até 1º de setembro para finalizar o inquérito. Diante da quantidade de material apreendido, Moro avaliou como "razoável" não ter havido tempo hábil.

A 17ª fase da Lava Jato foi intitulada de "Pixuleco". De acordo com a Polícia Federal, este era o termo usado pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para falar sobre propina. Vaccari também é investigado pela Lava Jato.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Dirceu participou da instituição do esquema de corrupção da Petrobras quando ainda estava na chefia da Casa Civil, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda conforme as investigações, Dirceu continuou recebendo valores de origem criminosa mesmo após ser preso por participação no esquema do “mensalão”.
A propina era repassada por empresas que prestavam serviços terceirizados à Petrobras por meio da JD Assessoria e Consultoria Ltda, empresa em nome do ex-ministro e do irmão dele. Cabia ao irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, ir às empresas solicitar o pagamento.
O advogado Roberto Podval, que defende o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, chegou a afirmar que a prisão é política e que Dirceu é um "bode expiatório" da Operação Lava Jato.

Presos
A 17ª fase da Lava Jato chegou a prender oito pessoas.

- Prisão preventiva
José Dirceu de Oliveira e Silva - ex-ministro
Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura - lobista
Celso Araripe - ex-gerente da Petrobras
- Prisão temporária
Roberto Marques
Luiz Eduardo de Oliveira e Silva
Olavo Hourneaux de Moura Filho
Pablo Alejandro Kipersmit
Julio Cesar dos Santos

Três pessoas ainda estão detidas na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, ou no Complexo Médico-Penal, na Região Metropolitana: José Dirceu, Celso Raraipe e Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura.