Promotora do Gaeco que dirigia bêbada se licencia para sair de cena


leila bebada
Não tinha outro jeito. A repercussão foi tão grande não só em Londrina ou no Paraná. É notícia nacional com repique em órgãos da mídia internacional. A promotora pública Leila Schimiti entrou de férias depois de dirigir embriagada no sábado, em Londrina. O desgaste passou para o Ministério Público do Paraná, especialmente depois que o Procurador Cláudio Esteves tentou tirar Leila do flagrante e protegê-la da imprensa e na delegacia de Polícia. Para sair do foco, Leila aceitou a recomendação: pediu férias e ficará 30 dias afastada do cargo, bom tempo para aproveitar a praia neste verão fora de época.
Leila Schimiti coordena as operações Gaeco que investigam casos de corrupção dentro da Receita Estadual do Paraná e também problemas em licitações do estado. Gosta de se apresentar como guardiã da honestidade e grande combatente contra a corrupção e os maus costumes.
No sábado ela foi levada à delegacia após se envolver em um acidente de trânsito. No Boletim de Ocorrência os policiais disseram que a promotora apresentava sinais de embriaguez. Leila foi liberada logo depois de prestar depoimento, pois uma lei do Ministério Público impede a prisão de promotores em crimes afiançáveis. Ou seja, como costuma acontecer no Brasil, a lei é mais igual para uns do que para outros,
O presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil se manifestou nesta terça-feira e questionou o privilégio previsto em lei para promotores públicos. Para o sindicato, tanto a polícia civil quanto a polícia militar agiram de forma correta e nenhum policial favoreceu a promotora.
leila
“Surgiram muito boatos após a promotora ter sido liberada, mas infelizmente é isso que prevê a lei orgânica do Ministério Público. É um tratamento diferenciado que só agora a sociedade descobriu que existe. É um tratamento inconstitucional, pois não se pode criar leis que vão contra a Constituição Federal. Delegados, policiais, juízes e promotores devem dar exemplo, afinal todos conhecem a lei”, diz o presidente do sindicato Claudio Marques Rolin e Silva.
A Associação do Ministério Público emitiu nota dizendo que o caso foi isolado e de índole particular. O acidente envolvendo a promotora não fere a imagem do Ministério Público e nem irá atrapalhar as investigações do Gaeco.
Nota do Ministério Público
O Ministério Público do Paraná informa que a promotora Leila Schimiti, que se envolveu em um acidente, no último sábado (8) em Londrina, pediu suas férias hoje e vai ficar 30 dias afastada.
O caso segue sendo investigado e conforme o Boletim de Ocorrência, a promotora apresentava sinais de embriaguez e não quis fazer o teste do bafômetro. O MP reafirma, conforme nota enviada, que embora o fato não esteja relacionado ao exercício das atividades funcionais, a conduta dos membros do ministério público requer exemplaridade tanto na vida pública quanto privada.
Ainda com relação aos fatos, o Ministério Público do Paraná esclarece que, desde o primeiro momento, adotou, por meio da Procuradoria-Geral de Justiça, as providências cabíveis, delegando atribuições ao procurador de justiça Claudio Rubino Zuan Esteves para acompanhar o caso naquele momento, zelando pela estrita observância da lei.