Mulher grávida vai a UPA, sai sem diagnóstico e descobre em outro hospital que teve AVC antes de parto


Por Felipe Ribeiro e Danaê Bubalo
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Grávida de oito meses, uma jovem de 19 anos passou por uma situação difícil durante o último mês de setembro em Curitiba após sofrer um acidente vascular cerebral e não ter o pronto diagnóstico. Em entrevista à Banda B nesta quinta-feira, Alana Lindolpho contou que procurou atendimento médico nas semanas que antecederam o parto, mas mesmo assim necessitou de uma cesárea de emergência após passar muito mal.
Apesar de ser casada, Alana conta que estava sozinha em casa no momento em que teve o ataque, vindo a ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento 24 horas do bairro Boa Vista. Encaminhada posteriormente à maternidade Mater Dei, passou até por um procedimento de reanimação devido a uma parada cardíaca, mas mesmo assim ganhou alta com o bebê.
“Meu parto ocorreu de oito meses porque procurei a UPA do Boa Vista porque comecei a vomitar e fiquei com muito formigamento no corpo, além de uma pressão altíssima. Uma semana depois, meu rosto novamente começou a entortar e nada foi diagnosticado”, relatou.
Segundo Alana, o problema a fez voltar a unidade outras quatro vezes, até que decidiu procurar outro lugar. No Hospital de Clínicas, uma tomografia constatou o AVC. “Após isso, me disseram que perdi 70% do movimento do meu corpo e que o rápido diagnóstico poderia ter impedido isso”, lamentou.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) disse que convocou uma equipe médica para avaliar o atendimento prestado nos últimos meses. “Após análise de prontuários, os profissionais concluíram que, nos atendimentos prestados na Unidade de Pronto Atendimento Boa Vista, a paciente não apresentava sintomas e dados clínicos suficientes para suspeitar de um acidente vascular cerebral. Por se tratar de uma puérpera, os primeiros sintomas apresentados poderiam estar relacionados ao histórico clínico do dia do parto”, relata a nota.
A SMS diz ainda primeira consulta em que as queixas de Alana indicaram possibilidades de haver um problema neurológico que recomendasse investigação por exame de imagem foi realizada na UPA anexa ao HC, no dia 28 de setembro. Nesse mesmo dia foi solicitada tomografia e feito encaminhamento para consulta com neurologista. Ainda não se pode concluir o que teria ocasionado os problemas no sistema neurológico da paciente. A Secretaria continua a prestar todos os atendimentos e procedimentos necessários para a paciente.
Rápido diagnóstico
O acidente vascular cerebral, ou derrame cerebral, ocorre quando há um entupimento ou rompimento dos vasos que levam sangue ao cérebro provocando a paralisia da área cerebral; Segundo a neurocirurgiã Claudia Panfilio, o rápido diagnóstico de um AVC é essencial, mas como Alana é jovem, a chance de recuperação é maior. “Quando se há um diagnóstico até quatro horas e meia após os primeiros sintomas, há uma grande chance de recuperar. O cérebro jovem dela também contribui, já que terá mais facilidade para isso”, explicou.