Após protesto, quinta vítima de fuzilamento por PMs será enterrada na noite desta segunda-feira


Mônica, mãe de Cleiton, cobra que o filho seja enterrado ainda na segunda-feira
Mônica, mãe de Cleiton, cobra que o filho seja enterrado ainda na segunda-feira Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
Luã Marinatto

Após protesto realizado por parentes de Cleiton Corrêa de Souza, de 18 anos, para que o enterro fosse enterrado ainda nesta segunda-feira, o Cemitério de Irajá, que fecharia às 18h, decidiu aceitar que o jovem fosse sepultado à noite, segundo o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa. Segundo ele, a família está no Instituto Médico Legal, onde providencia a liberação. Por questões burocráticas, o corpo teria sido liberado pelo IML por volta das 17h30 e, portanto, o jovem deveria ser enterrado somente nesta terça-feira. Cleiton é a última das cinco vítimas metralhadas por policiais militares no Complexo da Pedreira, neste sábado, 28 de novembro, a ser sepultada.
Ao EXTRA, a mãe de Cleiton, Mônica Aparecida Santana Corrêa, contou que, na noite deste domingo, a família já tinha feito o reconhecimento do corpo. Ela lamentou a demora para o sepultamento do rapaz.
- Vou ter que enterrar meu filho no escuro, só com a luz da lua. Nem a comunidade vai estar mais aqui. É muito descaso - disse.
Protesto
A família do rapaz chegou a fechar as ruas em volta da Praça Nossa Senhora da Apresentação, na entrada do Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio. Os próprios parentes de Cleiton pediram para liberarem a rua e ninguém quebrar ônibus. Eles estão posicionados em frente ao portão do cemitério para evitar que o local seja fechado às 18h.
Segundo os parentes da vítima, o atraso na liberação do corpo foi provocado pela burocracia. O presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, disse que a família de Cleiton não tinha recursos para pagar o enterro e precisou esperar o governo estadual se prontificar a bancar as despesas. Os parentes dos outros quatro jovens mortos conseguiram se mobilizar e pagar o sepultamento.
- A gente queria que todos fossem enterrados juntos, mas disseram que o cemitério fecha às 18 horas. Só sei que, se meu filho ja tiver chegado, não vaamos deixar fechar. Ele é diferente dos outros? Só quero enterrar meu filho. A culpa disso tudo nao é da família - disse a mãe de Cleiton, Mônica Aparecida Santana Corrêa.
O enterro estava programado para 16h, mas o corpo de Cleiton saiu do IML apenas às 17h30. Amigos e parentes do jovem estão revoltados com a situação.