Declarações de filho de Lula são “contraditórias e vazias”, diz PF


Força-tarefa da Operação Zelotes aponta versões conflitantes de Luis Claudio Lula da Silva e o lobista Mauro Marcondes – e relata espionagem de procurador

THIAGO BRONZATTO E FILIPE COUTINHO
24/11/2015 - 17h21 - Atualizado 24/11/2015 17h59
Luis Claudio não soube explicar o serviço prestado à Marcondes & Mautoni (Foto: Ernesto Rodrigues/Estadão Conteúdo)
Polícia Federal considera contraditórias e vazias as versões apresentadas nos depoimentos prestados por Luis Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, e pelo lobista Mauro Marcondes Machado na terceira fase da Operação Zelotes.
LFT Marketing Esportivo, de Luis Claudio, recebeu R$ 2,5 milhões da consultoria Marcondes e Mautoni entre 2014 e 2015. “As versões por eles apresentadas se mostram contraditórias e vazias ao ponto de ao invés de elucidar os reais motivos de pagamentos da Marcondes e Mautoni para a LFT, na verdade serviu para gerar mais celeuma, já que não há uma definição precisa sobre quais e quanto serviços foram de fato contratados, qual era os reais objetos de estudos e ao que eles se destinavam e qual é a relação deles com o projeto de um centro de convenções, e a inexistência, tanto na sede da Marcondes e Mautoni (na busca de 26/03/2015 o serviço já teria sido prestado) quanto na da LFT Marketing Esportivo, de documentação comprobatória que desse mínimo lastro ao serviço contratado”, diz a representação da PF, assinada pelo delegado Marlon Oliveira Cajado dos Santos. No último dia 14 de novembro, ÉPOCA revelou com exclusividade as justificativas discrepantes de Luis Claudio e Mauro Marcondes.
As afirmações da PF fazem parte do pedido de prisão levado pelo Ministério Público Federal à Justiça para que Mauro Marcondes, e a sua mulher, Cristina Mautoni Marcondes, além do representante do casal em Brasília, Francisco Mirto. De acordo com o relato da PF e dos procuradores Frederico Paiva e Raquel Branquinho, o trio investigou o procurador da República José Alfredo de Paula Silva, que integra a força-tarefa do MPF na Zelotes. Segundo a investigação, Mirto guardava em sua casa anotações, datadas do dia 7 de abril de 2010, com o nome do procurador, a data em que ele voltaria de férias, seu telefone e destacado em vermelho: “Investigar e informar a Cristina Mau”.
“Conforme informado pela autoridade policial representante, o procurador da República José Alfredo de Paula Silva havia instaurado, naquela mesma época, ou seja, abril de 2010, um inquérito civil público para investigar negociações do governo brasileiro relativamente à compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira, numa contratação que poderia alcançar a expressiva cifra de US$ 10 bilhões. Nesse contexto, Mauro e Cristina Mautoni acionaram o seu operador em Brasília, Francisco Mirto, e atribui-lhe a missão de investigar o procurador da República, suponde-se, assim, que o resultado da investigação pelo mesmo deflagrada poderia interferir em negociações escusas praticas pela quadrilha liderada por Mauro e Cristina àquela época”, diz o pedido de prisão do MPF.
O juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, acolheu a representação do MPF e da PF – e determinou a prisão dos três suspeitos, além de busca e apreensão na sede da Marcos e Mautoni.  “Convenço-me de que a prisão preventiva dos três referidos investigados é fundamental tanto para a garantia da ordem pública como para a conveniência da instrução criminal”, diz Vallisney, em despacho assinado no último dia 23 de novembro. Mauro e Cristina estão presos no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, desde o último dia 26 de outubro, data da deflagração da terceira fase da operação Zelotes.
Procurado, o advogado de Luis Claudio, Cristiano Zanin Martins disse que não teve acesso ao documento, mas afirmou que o depoimento foi esclarecedor. “Entendemos que o depoimento foi esclarecedor e afastou qualquer dúvida, especialmente no que tange a licitude da contratação e a realização dos serviços contratados”.