Se Vaccari pediu propina, não foi em nome do PT, diz Rui Falcão à PF


Paulo Lisboa - 26.mai.15/ Brazil Photo Press/Folhapress
O ex-tesoureiro do PT João Vaccari, preso na Lava Jato, ao ser transferido a um presídio comum
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O presidente do PT, Rui Falcão, afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que se o ex-tesoureiro da legenda João Vaccari Neto "solicitou ou recebeu" propina no esquema de corrupção da Petrobras, "não o fez em nome do partido".
Vaccari está preso na Operação Lava Jato sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras.
Rui Falcão falou em depoimento à PF no dia 8 de dezembro, na condição de informante em um inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga se houve organização criminosa atuando na estatal.
O presidente da sigla saiu em defesa de Vaccari e disse que o considera "inocente". O ex-tesoureiro está preso e foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo Falcão, Vaccari "tinha autorização do partido para solicitar e receber contribuições estritamente dentro dos marcos legais, que, portanto, se solicitou ou recebeu vantagem indevida não o fez em nome do partido".
O petista disse que o partido paga a defesa de Vaccari e admitiu que isso não é feito com todos.
"Que o PT arca com os custos desta defesa pelo fato de que Vaccari continua a ser filiado ao partido. Que tem direito ao custeio de suas defesas os ex-dirigentes no exercício de suas atividades partidárias e em decorrência de funções delegadas pelo partido", disse, segundo a PF.
SEM EXPULSÃO
Rui Falcão disse que o correligionário não foi expulso do partido porque "não houve transgressão estatutária", sendo que pelo partido não há prova de que ele tenha praticado os crimes a ele atribuídos.
Questionado qual a motivação das empresas acusadas de ligação com a Lava Jato doarem para o partido, ele disse que isso ocorre porque a sigla "possui um bom projeto para o país" e que somente elas e que poderiam dizer.
Ele disse que as maiores doadoras foram "OAS, a Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Correa, e UTC", mas que também fizeram contribuições para o PSDB.
Aos investigadores, Rui Falcão também reforçou o discurso do ex-presidente Lula de que a Lava Jato tem o objetivo de criminalizar o PT.
"Que tai tentativa estaria sendo promovida por setores da mídia monopolizada e parte do aparelho do Estado capturado pela direita; Que indagado se gostaria de nomear os setores da mídia monopolizada e a parte do aparelho do Estado capturado pela direita, o Depoente disse preferir não menciona-los".
Para o presidente do PT, os objetivos destes segmentos seriam proscrever o partido o e desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff.

LULA
Também em depoimento à PF, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que investigações da Lava Jato envolvendo pessoas de seu governo são motivadas por três fatores: processo de transparência e aprimoramento dos órgãos de fiscalização e controle durante os governos do PT; imprensa livre; e a "um processo de criminalização do PT".
Lula disse ainda que "não existe até o momento qualquer conclusão final deste apuratório".
O ex-presidente confirmou que tinha relação de amizade com Vaccari, e que recebeu informações de que o correligionário tinha uma "excelente" atuação na tesouraria do PT.
"Que todos os membros da Direção do partido, inclusive seu presidente, Rui Falcão, declararam a qualidade do trabalho desempenha por Vaccari no comando da tesouraria do PT", disse, segundo a PF.
Lula disse que não acredita que Ricardo Pessoa, dono da UTC, tenha pagado propina a Vaccari e que José de Felippe Junior, ex-tesoureiro de sua campanha, tenha pedido doação não oficial R$ 2,4 milhões.
O petista afirmou que Pessoa pode ter feito as acusações para conseguir fechar um acordo de delação premiada e conquistar benefícios como a redução de pena.
Rui Falcão afirmou que não sabe se o PT fez indicação para cargos na Petrobras.