Morre Inezita Barroso, aos 90 anos, em São Paulo


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Inezita Barroso, 90 anos16 fotos

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Quando criança, Inezita Barroso conta que nutriu uma paixão platônica e infantil por Mário de Andrade, que lecionava História Musical para sua tia no Conservatório de São Paulo. Sempre lembrado como alto, inteligente e poeta, Inezita andava de patins em frente à casa do escritor, perto da sua, na Barra Funda, só para ver aquele homem de perto Leia mais Manuela Scarpa/Photo Rio News
Morreu na noite deste domingo (8) a cantora e apresentadora Inezita Barroso, conhecida por sua defesa da cultura caipira, à qual dava espaço no programa "Viola, Minha Viola", que apresentou por quase 35 anos. A informação foi confirmada pelo perfil oficial da TV Cultura. Inezita estava internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 19 de fevereiro. Completou 90 anos no último dia 4. A cantora deixa uma filha, Marta Barroso, três netas e cinco bisnetos.
Ignez Magdalena Aranha de Lima, nome de batismo de Inezita Barroso, nasceu em 4 de março de 1925, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Filha de família tradicional paulistana, passou a infância cercada por influências musicais diversas, mas foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu seu amor pela música caipira e pelas tradições populares.  Formou-se em Biblioteconomia pela USP, e foi uma grande pesquisadora do gênero musical. Por conta própria, percorreu o Brasil resgatando histórias e canções.
Além da cantora, foi instrumentista, arranjadora, folclorista e professora. Em cerca de 60 anos de carreira, gravou mais de 80 discos. Como intérprete, sua gravação mais famosa foi "Moda da Pinga", dos versos "Co'a marvada pinga é que eu me atrapaio/ Eu entro na venda e já dô meu taio/ Pego no copo e dali num saio/ Ali mesmo eu bebo, ali mesmo eu caio/ Só pra carregá é queu dô trabaio, oi lá!".
Na televisão, iniciou a sua carreira artística junto com a TV Record, onde foi a primeira cantora contratada. Depois, passou pela extinta TV Tupi e outras emissoras, até chegar à TV Cultura para comandar o "Viola, Minha Viola", onde apresentava desde os anos 1980.
Inezita manteve a rotina de apresentações e gravações do programa até 2014. Em dezembro, ela chegou a ser hospitalizada após cair dentro da casa de sua filha, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo. Desde então, não participou mais do seu tradicional programa de música sertaneja.

Inezita Barroso - 13 vídeos


Maior cheia da história do Rio Acre desabriga milhares; saiba como ajudar


Rio que nasce no Peru e avança por mais de mil quilômetros pela Amazônia brasileira invadiu cidades, causou destruição e mortes.

Foi uma semana de desespero para a população do Acre, que está enfrentando a maior cheia da história. O nível do rio que atravessa todo o estado chegou a 18 metros. As águas invadiram as ruas e tiraram 9 mil pessoas de casa. A capital, Rio Branco, foi a cidade mais atingida.
VEJA VÍDEO

Saiba como ajudar:

- Ítens necessários

Leite em pó
Massa para mingau
Fraldas descartáveis

- Locais de arrecadação:
Supermercados Araújo, Igreja Batista do Bosque, secretarias e autarquias estaduais, quarteis da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e shopping.

- Conta:
Banco do Brasil
C/C: 500-2
Agência:0071-X
SOS Enchente Rio Acre

Boi é flagrado no meio da água e lutando contra a correnteza

O rio que nasce no Peru e avança por mais de mil quilômetros pela Amazônia brasileira invadiu cidades, desabrigou milhares de pessoas, causou destruição e mortes.
Pai e filha na canoa procuram por um vizinho que desapareceu no Rio Acre.
“A família toda procurando, mas não tem mais condições de achar não, do jeito que estão as águas. Nós estamos vivos contando a história. E quem não contou?”, lamenta a dona de casa Cacilda Ribeiro da Silva.
Além do vizinho de dona Cacilda, mais duas pessoas morreram em consequência das enchentes. Seu Raimundo, de 78 anos, tenta olhar para a frente. "Aí é só Deus, né? Perdemos tudo. Geral, geral, geral... Gado, galinha.”, conta Raimundo Nonato da Silva, agricultor.

No meio de um mundo de água, lutando contra a correnteza, o boi não tem para onde ir. A equipe do Fantástico flagrou o boi tentando entrar em uma floresta, que também estava alagada. Não havia um local onde ele pudesse ficar seguro.
A capital do estado está quase isolada. Três das quatro pontes de acesso a capital Rio Branco estão interditadas. O nível do Rio Acre subiu 18,4 metros. É um recorde, a maior enchente de todos os tempos. Até a estação que faz a captação de água, que abastece a cidade, está comprometida.
Cinquenta e três bairros de Rio Branco foram invadidos pela água. Uma operação de guerra foi montada com soldados do exército, bombeiros e policiais, além de mais de 2 mil voluntários, resgatando os desabrigados em canoas.
"Desde segunda-feira passada, a gente está trabalhando na retirada das famílias, só que algumas insistem em não querer sair. Pelo fato de terem medo de roubarem suas coisas, né? E preservar o seu material, e eles querem ficar de qualquer jeito”, explica o sargento do Exército Michelângelo Torres.
Carros e casas cobertos pela água
Um morador passa fome, mas não sai da casa alagada: “Eu estou cuidando das coisas aqui. Eu quero é comida. Não tem comida. Não jantei, não almocei", conta o agricultor Vandino Coelho.
Na área urbana, dentro do bairro do Taquari. No bairro ilhado, um cãozinho não consegue sair do único lugar seguro que encontrou. E os moradores improvisam soluções para deixar o local. Um deles transformou a caixa d’água em bote salva-vidas.
Carros abandonados estão cobertos pela água. A enchente do Rio Acre começou em Assis Brasil, na fronteira com o Peru. Depois passou por Brasiléia e chegou a Xapuri, terra do ex-líder seringueiro Chico Mendes, morto em 1988.
A antiga casa de Chico Mendes ficou com água até o teto. A praça principal de Xapuri também foi encoberta e até a igreja matriz foi atingida.
O nível da água baixou nos últimos dias e até a casa de Chico Mendes, que estava encoberta, voltou a aparecer.
Descendo o Rio Acre, partimos para a capital. Passamos por Rio Branco no dia do maior pique da cheia. A água estava rente à ponte. Muita gente fica retirando entulho para liberar a passagem da água.
Dez caminhões com 200 toneladas de brita estão estacionados no meio da ponte Jucelino Kubitschek. A ponte de ferro, que é a mais antiga de Rio Branco, é uma providência para evitar que a ponte seja destruída pela correnteza.
Os bombeiros ajudaram a levar o nosso barco para o outro lado. Voltamos a navegar, passando pelos postes de iluminação perdidos na água. Todas as áreas atingidas tiveram a energia elétrica cortada.
Povo continua deixando as casas em direção às partes mais altas
Seguindo o curso da grande enchente, as cenas são ainda mais chocantes. Casas totalmente encobertas e destruídas, de um lado e do outro do rio.
A chuva volta forte. Móveis são levados pela correnteza. Uma antena parabólica fica presa em um tronco de árvore. Depois de cinco horas navegando desde Rio Branco, chegamos a Porto Acre. Lá não dá nem para perceber onde começa ou onde termina o rio, porque está tudo alagado.
E o povo continua deixando as casas enquanto há tempo em direção às partes mais altas da cidade.
“Agora a gente espera que Deus tenha pena desse povo e comece a baixar essas águas, porque continua subindo e muito. E com essa chuva que nós estamos vendo hoje, é sujeito a subir muito mais ainda", diz João Asfuri, prefeito de Porto Acre.

Golpistas nigerianos usam internet para extorquir mulheres apaixonadas


Brasileira achou que namorava publicitário e perdeu R$ 240 mil.
Bandido nigeriano se passava por viúvo inglês na internet.


Uma viúva de meia-idade, sozinha e carente, decide procurar na internet um novo amor. Encontra um homem que parece o príncipe dos sonhos: atencioso, apaixonado e bem de vida. Só que ele está precisando com urgência de um dinheiro emprestado. Está sentindo cheiro de picaretagem nessa história?
VEJA O VÍDEO

“Eu tinha acabado um relacionamento há oito meses. Trabalho muito e estava sozinha. Falei assim: ‘Ah, pode ser que pela internet dê certo’”, diz uma mulher.
Assim começa a história de mais um coração solitário. Essa mulher é viúva, mãe de família. Os dias de juventude se foram e ela trabalha muito.
“Fui para um site de relacionamento, e lá ele apareceu e iniciou o contato”, conta a mulher.
Por e-mail e com fotos.
“Meu nome é Lucas, tenho 53 anos. Sou um viúvo com uma filha que está no colégio interno e mora longe de casa. Eu moro e trabalho no Reino Unido, em Bristol, precisamente. Trabalho numa agência de publicidade e logo, logo vou ter meu próprio negócio”, descreve o e-mail.
Ela conta um pouco da própria história, e a coisa vai ficando intensa.
“No início era uma vez por semana. Depois, todos os dias”, diz ela.
Sempre por mensagens, via computador ou telefone. Mais de uma vez ela pediu para que conversassem usando câmera.
“Aí ele falou: ‘o meu tempo está muito corrido. No momento eu não posso’”, lembra a vítima.
Um dia, o bonitão vem com uma supernotícia, o primeiro passo em direção à riqueza.
“Consegui um contrato para fazer um anúncio na TV de uma multinacional de telecomunicação, que vai ser na Nigéria. Estou tão feliz! Você está sempre nos meus pensamentos”, diz no e-mail.
“Passou-se uns dias e ele mandou uma foto: ‘olha, estou aqui no jardim do hotel, e amanhã já estou indo embora’”, conta a vítima.
É aí que a história começa a degringolar. Ele diz que o governo nigeriano baixou uma lei sobre impostos para estrangeiros. Se não pagar, vai preso.
“Me assustei um pouco, mas ele é muito convincente, muito envolvente, muito carinhoso, muito dedicado”, diz ela.
A mulher pega empréstimos. Passa a enviar dinheiro aos poucos. Mas, a cada remessa, surge um novo problema, que só pode ser resolvido com mais dinheiro.
“Ele manda uma foto pra mim dele preso”, diz a mulher.
A montagem na foto é tão tosca, que finalmente ela começa a desconfiar.
“Falei assim: ‘entrei num golpe’”, lamenta.

Golpe do namoro online é uma das variações de uma falcatrua antiga

Tarde demais. Ao longo do ano passado, ela já tinha mandado US$ 100 mil, o equivalente, na época, a R$ 240 mil.
A certeza mesmo só veio quando ela viu uma reportagem sobre esse mesmo golpe no Fantástico, três meses atrás.
“Eu falei: ‘eu sou mais uma dessa’”, diz a vítima.
Mas por que essa armação criminosa é tão bem-sucedida na internet? Por causa da fantasia, como explica o psiquiatra Cristiano Nabuco de Abreu especializado em dependência tecnológica: “Se você começa a manifestar um interesse por alguém na vida real, rapidamente ela vai confirmando ou desconfirmando as suas expectativas pessoais”, diz o psiquiatra do Hospital das Clínicas de SP. 
Pela internet é mais fácil a pessoa acreditar em um relacionamento perfeito.
“Eu simplesmente vou passando por cima de todos os elementos que possam desconfirmar a minha fantasia”, explica o psicólogo.
O golpe do namoro online é uma das variações de uma falcatrua muito antiga. Os primeiros registros são do século XVI, quando os espertinhos usavam cartas para arrumar dinheiro.
No caso dessa mulher, o que muda agora é que, em uma atitude incomum, o golpista decidiu mostrar o rosto.
Orientada por um especialista, ela jogou uma isca.
“Se você aparecer pra mim, eu tenho US$ 10 mil aqui pra você”, disse a vítima.
E lá está o tal Lucas, que agora se chama Chuks.
“Minha querida... Você tá linda!”, diz Chuks no vídeo.
Como Chuks não sabe que ela está gravando o papo, abusa da criatividade para tentar tirar mais dinheiro da vítima. Diz que investiu todo o dinheiro dela em petróleo.
“O navio que usei para transportar o produto foi capturado por militantes. Envolve muito dinheiro, na casa dos milhões. Tenho que pagar aos poucos até poder voltar ao negócio”, conta o golpista.
Especialista em segurança digital rastreia endereço do computador 

Mas por que ele se apresentava como um publicitário, inglês, branco? Chuks, então, responde que sempre que tentou falar a verdade na internet, as mulheres não quiseram papo.
“Por isso menti e inventei histórias, com uma foto falsa”, justifica.
Agora, diante da câmera, ele dá uma de galanteador.
“Você me ama de verdade. Não liga se eu sou branco ou negro. Você me quer”, garante o golpista.
“Sim”, responde a vítima.
E se despede amoroso.
Vítima: Tchauzinho
Chuks: Te amo.
Vítima: Te amo. Boa noite.
A pedido do Fantástico, um especialista em segurança digital rastreou o endereço do computador do bandido. O golpista estava bem longe da Inglaterra, na Nigéria.
“Eles sempre agem em quadrilhas. Eles têm todo um roteiro muito bem definido", explica Wandeson Castilho, especialista em segurança digital.
Existem muitas quadrilhas nigerianas aplicando esse golpe no mundo todo.
Há casos que terminam em sequestro ou em morte, como o de uma senhora australiana que perdeu R$ 270 mil para um criminoso nigeriano e foi assassinada. Por isso a brasileira teve muita sorte.
Dicas para não ser vítima desse golpe

Antes de descobrir a verdade, ela chegou a ir à Espanha para supostamente tentar liberar o dinheiro dele. Hospedou-se em um hotel indicado pelo bandido e recebeu a visita de um amigo dele. Para ajudar o "namorado", ela teria que abrir uma conta na Europa e, claro, gastar mais dinheiro.
“Eu teria que ser uma cidadã europeia para conseguir abrir uma conta lá, então eu teria que pagar US$ 38 mil para conseguir ser uma cidadã europeia”, revela a vítima.
Ela voltou ao Brasil, pegou mais um empréstimo e mandou o dinheiro. Cerca de R$ 90 mil na época.
“Hoje eu estou sem dinheiro e isso me tortura”, lamenta.
A vítima do golpe registrou o boletim de ocorrência em uma delegacia da Polícia Civil de Fortaleza, dois meses depois de enviar a última remessa de dinheiro.
Segundo o delegado, o caso vai ser encaminhado à Polícia Federal.
“Ela veio comunicar o crime quase um ano após ter sido envolvida nessa trama. Mas, sem sombra de dúvida, nós podemos sim procurar identificar o autor”, diz Jaime Pessoa, da Delegacia de Defraudações e Falsificações do Ceará.
O Fantástico contatou a embaixada da Nigéria em Brasília, em busca de possíveis informações sobre a identidade do criminoso, mas ninguém quis se manifestar.
Para não ser vítima desse golpe, aí vão duas dicas.
A primeira: converse usando câmera.
“Se já aparecer alguns problemas técnicos, ‘ah, eu não tenho câmera, minha câmera não funciona’, já desconfie”, orienta Wandeson Castilho, especialista em segurança digital.
E cuidado com quem pede dinheiro.
“Se começar a aparecer histórias muito tristes, e que você poderia ser o salvador para se ajudar, isso é característico: é o roteiro desse tipo de crime”, alerta Wandeson Castilho.