Senador pede reclassificação de Babilônia para 18 anos: "Ameaça às famílias"


Magno Malta critica cenas de homossexualidade, sexo e traição na novela

Senador pede reclassificação de Babilônia para 18 anos: "Ameaça às famílias" TV Globo/Reprodução
Foto: TV Globo / Reprodução

A polêmica continua. Babilônia vai fechando sua segunda semana no ar, colecionando críticas e até mesmo ameaças de boicote. Na bancada evangélica do Congresso Nacional, a insatisfação é crescente e pode chegar até o Ministério Público.
O senador Magno Malta (PR-ES) ingressou com um pedido de reclassificação da trama. No documento, o parlamentar pede ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, que aumente a classificação etária da novela para 16 ou 18 anos. Atualmente, Babilônia é liberada para adolescentes acima de 14 anos.
Ao ler o requerimento durante uma sessão do Congresso, o senador destaca que Babilônia é "uma ameaça às famílias brasileiras":
- Ninguém tem direito de invadir as nossas casas.
O principal alvo do ataque é o relacionamento homossexual das personagens Tereza (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg). Em vídeo divulgado na internet e nas redes sociais, ele comentou as cenas de beijo entre as duas, exibidas logo na primeira semana de Babilônia:
- Uma cena como essa de 30 segundos tem poder para destruir no mínimo 10, 15 anos de educação.
Malta ressalta que os telespectadores têm o direito de mudarem de canal caso se sintam incomodados, mas deixa claro que está seguindo as leis brasileiras e que a classificação da trama está incorreta. Além da exibição do beijo gay, ele cita as cenas de traição, ninfomania, prostituição e corrupção exibidas nos primeiros capítulos da novela.

Operação Zelotes investiga bancos, montadoras e empreiteiras, diz jornal


PF apura suposta prática de suborno para anulação de débitos fiscais.
Apuração envolve 70 empresas. Prejuízo estimado à Receita é de R$ 19 bi.

Do G1, em Brasília
Algumas das maiores empresas do país – entre bancos, montadoras e empreiteiras – são investigadas na Operação Zelotes, da Polícia Federal, segundo informou reportagem da edição deste sábado (28) do jornal "O Estado de S. Paulo".
De acordo com a reportagem, a PF apura suspeita de pagamento de propina para integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a fim de anular ou reduzir débitos tributários com a Receita Federal.
O Carf é um órgão do Ministério da Fazenda responsável pelo julgamento de recursos de empresas multadas pela Receita.
De acordo com a PF, são alvos da investigação na Operação Zelotes ao menos 70 empresas, 15 escritórios de advocacia ou consultoria e 24 pessoas, entre as quais conselheiros e ex-conselheiros do Carf.
O prejuízo estimado pelos investigadores aos cofres da Receita é de R$ 19 bilhões, dos quais R$ 5,7 bilhões, segundo a PF, já estão comprovados.

A investigação de julgamentos de ações no Carf não significa condenação. Como o trabalho da PF ainda está na fase de apuração, o número de empresas suspeitas pode diminuir ou aumentar.
Segundo "O Estado de S. Paulo", estão entre as empresas investigadas as montadoras Ford e Mitsubishi; os bancos Bradesco, Santander, Safra e Bank Boston (este último, comprado pelo Itaú em 2006); a seguradora Bradesco Seguros; a empreiteira Camargo Corrêa; grupo Gerdau, do setor siderúrgico; a estatal Petrobras; a BR Foods, do setor de alimentos; a Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro; e o grupo de comunicação RBS – leia as versões das empresas ao final desta reportagem.
A Operação Zelotes foi deflagrada na quinta-feira, com o cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Ceará. Em Brasília, foram apreendidos 16 carros, três motos, joias, R$ 1,84 milhão, US$ 9.087 e € 1.435. Entre os automóveis, estão quatro Mercedes, dois Mitsubishi Lancer e um Porsche Cayenne. Outros dez carros e cerca de R$ 240 mil em moeda nacional e estrangeira foram apreendidos em São Paulo, além de dois automóveis no Ceará. Os nomes dos proprietários não foram divulgados.
A Polícia Federal apura se integrantes do Carf eram subornados para suspender julgamentos, alterar votos e aceitar recursos a fim favorecer empresas. Segundo informou "O Estado", as propinas a membros do Carf variavam entre 1% e 10% do valor dos débitos tributários das empresas. O objetivo seria principalmente anular multas e obter amortização de ágio em casos de fusões e aquisições de empresas – a fim de se reduzir o pagamento de impostos.
De acordo com o jornal, a Operação Zelotes também apura a suposta participação no esquema do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, preso na Operação Lava Jato, que apura desvio de recursos da estatal. Segundo o jornal, ele teria atuado como representante de fornecedores da Petrobras que tinham débitos com a Receita.
O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, disse desconhecer a investigação, afirmou que a suspeita é "absurda" e que não há relação entre o cliente dele e os julgamentos do Carf.
Empresas
Veja abaixo os valores dos débitos das empresas que estão em discussão com a Receita Federal, segundo informações de "O Estado de S. Paulo", e a versão de cada uma:
- Santander (R$ 3,3 bilhões): "O Santander tomou conhecimento do tema pela imprensa. Em todos os processos sob análise do CARF, assim como perante qualquer outro órgão administrativo ou judicial, a defesa da empresa é sempre apresentada de forma ética e em respeito à legislação aplicável. Informamos, ainda, que estamos à disposição dos órgãos competentes para colaborar com qualquer esclarecimento que seja necessário", informou o banco por meio de nota.

- Bradesco e Bradesco Seguros (R$ 2,7 bilhões): "O Banco não comenta assunto sob investigação de autoridades", informou a instituição por meio de nota enviada à TV Globo.
- Ford (R$ 1,7 bilhão): A montadora informou à TV Globo que não irá se pronunciar.
- Grupo Gerdau (R$ 1,2 bilhão): "A Gerdau esclarece que, até o momento, não foi contatada por nenhuma autoridade pública a respeito da Operação Zelotes. Também reitera que possui rigorosos padrões éticos na condução de seus pleitos junto aos órgãos públicos", afirmou a empresa por meio de nota.
- Light (R$ 929 milhões): “A Light foi surpreendida pelos noticiários, informa que até o momento não foi notificada e assegura que sempre agiu e agirá, na forma da lei", afirmou a empresa por meio de nota.
- Banco Safra (767 milhões): Por meio da assessoria, o banco informou que não vai se manifestar.
- RBS (R$ 672 milhões): "O Grupo RBS desconhece a investigação e nega qualquer irregularidade em suas relações com a Receita Federal", informou a empresa por meio de nota.

- Camargo Corrêa (R$ 668 milhões): "A empresa desconhece as informações suscitadas pela reportagem", informou a empresa à TV Globo.

- Mitsubishi (R$ 505 milhões): Por meio da assessoria, a empresa informou que não vai se manifestar.
- Bank Boston, adquirido pelo Itaú (R$ 106 milhões): O G1 procurou a assessoria do banco, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
- Petrobras (R$ 53 milhões): Por meio da assessoria, a estatal informou que não vai se manifestar.
- BR Foods (valor ainda em apuração): A empresa informou à TV Globo que não vai se manifestar sobre o assunto e que suas atividades sempre se pautaram pelo cumprimento da lei.

Quadrilha explode caixas eletrônicos, faz família refém e é presa; um é PM


Uma garota ficou ferida durante perseguição policial em Ilha Comprida, SP.
Coletes, armas e dinamite, além do dinheiro, foram apreendidos.

Do G1 Santos
Arsenal foi apreendido com quadrilha em Ilha Comprida, SP (Foto: Divulgação/Polícia Militar)Arsenal foi apreendido com quadrilha em Ilha Comprida, SP (Foto: Divulgação/Polícia Militar)
Uma quadrilha foi presa neste sábado (28) após explodir dois caixas eletrônicos dentro de um posto de combustíveis em Ilha Comprida, no litoral de São Paulo. Após o roubo, o grupo formado por quatro homens armados, entre eles um policial militar, fugiu de carro até um sítio na cidade vizinha, Iguape, onde fez uma família refém. Com o auxílio do Batalhão de Ações Especias (BAEP), da Polícia Militar de Registro e do helicóptero Águia, todos os suspeitos foram detidos. A operação mobilizou mais de 100 agentes.
A quadrilha invadiu o posto, localizado na Avenida Beira-Mar, por volta das 5h deste sábado e explodiu dois caixas eletrônicos. Após a ação, uma viatura da Polícia Militar perseguiu o grupo e houve uma troca de tiros na Rodovia Casemiro Teixeira entre os criminosos e as autoridades.
Três dos quatro suspeitos presos após perseguição em Ilha Comprida, SP (Foto: Divulgação/Polícia Militar)Três dos quatro suspeitos presos após
perseguição (Foto: Divulgação/Polícia Militar)
Os suspeitos conseguiram escapar, abandonaram o veículo e invadiram um sítio emIguape, onde fizeram uma família refém. O helicóptero Águia, da Polícia Militar, foi acionado para auxiliar na localização da quadrilha. Por volta do meio-dia, o primeiro homem foi preso e durante a tarde os outros três também foram detidos em flagrante.
Segundo informações da polícia, durante a troca de tiros na rodovia, um dos disparos acabou acertando uma garota na região da cintura. Ela, que não teve nome e idade revelados, passou por cirurgia no fim da manhã e não corre risco de morte. Ninguém da família feita refém no sítio ficou ferido.
Com o grupo, foram apreendidos quatro coletes balísticos, três fuzis, duas pistolas, duas bananas de dinamite, rádios comunicadores e cerca de R$ 50 mil em dinheiro, subtraídos dos caixas eletrônicos. Os suspeitos irão responder por furto qualificado, formação de quadrilha, receptação e posse ou porte ilegal de arma de fogo e munição. O caso foi registrado na Delegacia Sede de Ilha Comprida.
Caixas eletrônicos de posto em Ilha Comprida ficaram destruídos (Foto: Divulgação/Polícia Militar)Caixas eletrônicos de posto em Ilha Comprida ficaram destruídos (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

Festas 'escondem' tortura em trotes de medicina da PUC e Unicamp

Alunos seriam extorquidos e obrigados a custear sessões de violência.
Série especial da EPTV mostra casos em universidades de Campinas.

Do G1 Campinas e Região
Disfarçadas de confraternização, muitas festas realizadas por grupos de universitários escondem torturas físicas e psicológicas sofridas por alunos ingressantes nos cursos de medicina da PUC e da Unicamp, em Campinas (SP). Extorsão, abuso sexual e boicote aos que se recusam a participar dos trotes são alguns dos relatos dos graduandos destas instituições.
veja vídeo
Além de serem submetidos às humilhações, os calouros ainda seriam pressionados a pagar quantias em dinheiro que seriam usadas para custear as festas, normalmente realizadas em chácaras. O argumento apresentado por líderes dos veteranos é de que isso se trata de uma tradição.
"Falaram pra gente guardar uns R$ 10 mil, que era o que a gente ia gastar com o "open bar", com o aluguel da chácara e com a contratação de alguns serviços como o das prostitutas", conta uma estudante que preferiu não ser identificada. Além da chantagem, os que se recusavam a participar dos trotes na Unicamp seriam boicotados durante o processo de residência médica.

Para o pesquisador do tema, Antônio Ribeiro Almeida Junior, os agressores agem como quadrilhas para a manutenção dos eventos. "Esses grupos tem uma longa história de se sentirem acima da lei. Eu acho que isso tudo merece uma investigação cuidadosa das autoridades públicas, das autoridades universitárias", diz.
Extorsão
​Em um dos casos apresentados na quarta reportagem da série especial sobre trotes daEPTV, afiliada TV Globo, o valor exigido pelos veteranos de uma turma de ingressantes chegava a R$ 93 mil, aproximadamente R$ 1,5 mil por aluno, durante os seis anos de graduação.
Universidades
Procuradas pela EPTV, as universidades mencionadas se posicionaram sobre os casos. A PUC disse que a associação atlética de medicina da instituição, que tradicionalmente organiza festas com estudantes, está com atividades suspensas por causa de problemas ocorridos no ano passado, por questões disciplinares.
Já a diretoria da faculdade de medicina da Unicamp diz que é necessário identificar os responsáveis por possíveis abusos para investigar os casos. Sobre o possível boicote no estágio de residência, no hospital da universidade, a faculdade afirma que acompanha o processo e trabalha para a prevenção de problemas.
CPI dos Trotes
A 2ª sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre violações de direitos humanos nas universidades de São Paulo realizada em Campinas (SP) ouviu alunos dos cursos de medicina da PUC e Unicamp no dia 9 de março.
CPI dos trotes ouve alunos e ex-alunos da PUC e Unicamp na Câmara de Campinas (Foto:  Assessoria da Câmara de Vereadores de Campinas)CPI dos trotes ouve alunos da PUC e Unicamp (Foto: Assessoria da Câmara de Vereadores de Campinas)

PM reage a tentativa de assalto no RJ e mata um suspeito; veja vídeo


Outro criminoso envolvido no crime em Mesquita foi preso.
Policial foi ferido de raspão na cabeça, sem gravidade.

Do G1 Rio
Imagens obtidas pela GloboNews mostram um policial militar reagindo a uma tentativa de assalto na madrugada deste sábado (28), em Mesquita, na Baixada Fluminense. Na ação, um suspeito foi morto. O outro homem envolvido no crime foi preso.
O vídeo mostra a vítima entrando no carro na Rua Isidoro. Ao perceber a aproximação de dois homens, o policial, que já estava sentado dentro do veículo, saca a arma. Os dois homens dão a volta e abordam o PM, que aponta a arma.
O suspeito, que vestia uma camisa preta, atira contra o policial, que reage e faz vários disparos contra os assaltantes. André dos Santos de Oliveira, de 25 anos, foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e tentativa de roubo, segundo a Polícia Civil. Com a dupla, foram apreendidos um revólver uma pistola.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Até a noite deste sábado, não havia informações sobre a identificação do suspeito que foi morto. O PM, identificado apenas como cabo Reis, levou um tiro de raspão na cabeça e passa bem.
O caso foi registrado na 56ª DP (Comendador Soares). Ainda de acordo com a polícia, a perícia foi realizada no local e corpo encaminhado ao IML para identificação. O policial militar prestou depoimento e a arma apreendida e encaminhada para confronto balístico.

LORRANA SCARPIONI, A BRASILEIRA QUE GANHA DINHEIRO COM TEMPO LIVRE


COMO UMA REDE QUE PROMOVE A TROCA DE TEMPO, ELA FOI APONTADA COMO UM DOS 10 JOVENS BRASILEIROS MAIS INOVADORES


Lorrana Scarpioni  (Foto: Arquivo Pessoal)
Lorrana Scarpioni começou cedo: a brasileira é a mais jovem entre os jovens mais inovadores no Brasil. No final de abril, a edição em português da revista de inovação MIT (Massachusetts Institute of Technology), Technology Review, divulgou a lista com os dez brasileiros mais inovadores com menos de 35 anos. Aos 23 anos, Lorrana é uma das duas mulheres.

“A ideia é dar valor para todas as pessoas, não importa se ela irá fazer uma hora de Photoshop ou se vai ficar uma hora varrendo uma casa, isso vale um TimeMoney. Se você quer usar a Bliive, não é porque você quer ganhar alguma coisa a mais que alguém, é porque você quer trocar algo mesmo. Ou seja, todo mundo ganha a mesma coisa e todo mundo tem o mesmo valor”, afirmou.Nascida em Salvador, mas criada no Paraná, Lorrana acabou de se formar em duas faculdades que cursou ao mesmo tempo: Direito, na Unicuritiba; e Relações Públicas, na Universidade Federal do Paraná (UFPR).  Em 2012, e depois de assistir a dois documentários sobre economias alternativas e colaboração online, teve a ideia de criar uma rede colaborativa de troca de tempo, a plataforma Bliive, que hoje possui mais de 15 mil usuários e está em 55 países.

A rede funciona da seguinte forma: o usuário se cadastra na Bliive e oferece uma atividade, como, por exemplo, uma hora de aula de piano. Em troca, ele ganha um TimeMoney, a moeda utilizada na plataforma. Depois, ele pode trocar o crédito por qualquer outra atividade oferecida por outro usuário no site, como aulas de inglês ou de defesa pessoal básica. Até o momento, já foram registradas 27.500 horas, mil trocas foram realizadas e cerca de cinco mil estão para acontecer. Os membros do site também podem doar o seu tempo livre em ONGs cadastradas pela Bliive.

Agora, depois de ganhar o seu quarto prêmio, o Sirius Programme , Lorrana se prepara para levar a sua startup para a Escócia, no Reino Unido. 
Sabemos que o Bliive surgiu depois que você assistiu a documentários sobre formas de economias alternativas e colaboração online. Como foi a concepção do serviço que está no ar hoje?
O documentário sobre economias alternativas falava sobre como o dinheiro pode ser mais saudável do que ele é hoje. Tratava de como a escassez do dinheiro trazia uma “escassez virtual”, ou seja, muitas pessoas que têm coisas boas para trocar, mas não possuem a moeda que permite que essas trocas aconteçam. Quando é criada uma economia onde a troca é em material, você cria um sistema de abundância onde as pessoas podem utilizar aquele talento, que até então estava sendo desperdiçado.
O outro documentário era sobre colaboração online e couchsurfing. Um dia, eu estava assistindo vários Ted Talks e eu sempre achei que para empreender a gente tinha que ter muitos recursos. Eu sempre quis montar uma ONG, mas imaginava que tinha que ser depois que eu ganhasse dinheiro. Nessa noite, eu percebi o quanto as pessoas podem fazer, muitas vezes sem recursos. Eu fui dormir e fiquei me perguntando o que dava para fazer que tivesse algum impacto. Mas foi coisa de estar sem sono, não foi nenhuma discussão filosófica. Eu não estava conseguindo dormir, pensei, e daí veio a ideia da Bliive. Daí eu levantei para anotar e já fez sentido.
Você já tinha pensado em abrir uma empresa?
Eu sempre me imaginei criando uma ONG ou uma escola, mas eu não me imaginava criando uma empresa, eu me achava muito inexperiente.
Depois de ter a ideia de madrugada, quais foram os primeiros passos para criar a rede?
Para fazer a ideia acontecer, eu contei para alguns amigos e fiz parcerias. A jornada foi um pouco complicada porque eu acabei fazendo muitas parcerias que não deram certo. Eu fiz uma parceria com o filho de um amigo do meu pai, que tinha uma empresa de tecnologia. Nós começamos juntos e acabou não dando certo, porque ele queria esperar para ver se não aparecia nenhum projeto parecido. Daí eu resolvi acabar a sociedade. Depois, eu resolvi ir a empresas grandes, mas elas cobravam muito dinheiro para criar a plataforma. Uma delas chegou a me pedir mais de R$ 150 mil. Em meio a tudo isso, eu entrei em um estágio na Procuradoria da República do Estado do Paraná. Nessa época, eu ainda cursava direito na Unicuritiba. Foi aí que eu resolvi pagar um programador eu mesma, o que acabou não dando certo também. Eu tive a ideia em maio de 2012 e em novembro ainda não tinha uma linha de código programada. Depois de perceber que não dava certo, resolvi pegar o dinheiro que os meus pais iam pagar para que eu tivesse baile de formatura e investir na minha empresa. Nessa época, também consegui dois designers como sócios, Murilo Mafra e José Henrique Fernandes, e começamos a pagar um programador. Um designer fez a parte de marketing e o outro fez a parte de web. No dia 3 de dezembro de 2012, nós programamos a primeira linha de código da Bliive e lançamos a rede colaborativa em maio de 2013.
Vocês tiveram algum investimento no início?
Por enquanto, nós não recebemos nenhum investimento. No começo do projeto, ninguém trabalhava só para a Bliive. Eu fazia duas faculdades, tinha um estágio e os outros também continuaram a fazer freelas. Em outubro, nós ganhamos o primeiro prêmio nacional, a Creative Business Cup Brasil e fomos para a Dinamarca. Lá, nós descobrimos que uma oportunidade legal seria entrar no mercado europeu pela ideia e a oportunidade de negócios que existe por lá. Depois do prêmio, nós começamos a negociar com alguns investidores brasileiros, mas em janeiro nós já ficamos na fase final de um programa do governo inglês de aceleração, o Sirius Programme. Em fevereiro, saiu que a gente tinha passado. [A Bliive competiu com 2 mil concorrentes do mundo todo para ser uma das 30 empresas selecionadas pelo Sirius]. Aí, nós paramos todas as negociações com os investidores, porque iremos para a Escócia passar um ano em contato com o mercado europeu. Nós vamos ter um salário de mil libras para cada integrante e outros vários benefícios, como escritório, mentoria, capacitação em vendas, etc.
Quatro membros vão para a Escócia. Quantos vocês possuem no total? O que eles fazem?
Nós estamos em sete. Quatro vão para a Escócia e três vão ficar no Brasil. São dois programadores, dois designers, um de marketing e um de web, um advogado, uma de relações internacionais e eu.
Quais são as suas expectativas sobre este ano?
Eu imagino que seja um tempo de muito aprendizado. Para mim, é a realização de um sonho porque eu vou trabalhar oito horas na Bliive e vou conseguir me manter. Nós sabemos que nós temos um ano para fazer o negócio acontecer e fazer que ele dê certo de verdade. O governo inglês apoia mesmo, no sentido de oportunidade de negócio e contato para venda. Eu imagino que seja um tempo para dar o melhor e fazer essa oportunidade valer a pena. O objetivo do programa é que em até seis meses, as empresas consigam investimentos. 70% das empresas que entram, recebem. Nesses seis meses, a gente vai passar entendendo o mercado e remodelando a empresa e aí será o momento de procurar investimento para fazer a aceleração mesmo.
Depois de colocar o site no ar, como vocês perceberam que a ideia estava dando certo? O que foi preciso fazer para que as pessoas começassem a gostar da sua ideia?
Tudo aconteceu via mídia espontânea. Nós não tínhamos recursos para assessoria de imprensa, mas como a ideia era muito legal, logo nas primeiras horas que o site estava no ar, já tinha matéria falando da Bliive na mídia. Foi saindo em muitos lugares e isso foi deixando a gente muito feliz. No começo, para entrar na rede, tinha que receber um convite de alguém e no primeiro mês nós tivemos uma lista de espera com 12 mil pessoas.
Quantos usuários vocês conseguiram no primeiro mês? Como a plataforma foi crescendo?
Na época de convite, no primeiro mês, entraram umas três mil pessoas e continua crescendo nesse ritmo. Hoje, nós temos quase 16 mil usuários e acreditamos que a partir de agora é que vamos começar a crescer de verdade. Por enquanto, só eu trabalho apenas para a Bliive. Agora, mais três pessoas irão se dedicar ao projeto oito horas por dia.
Como a empresa se tornou multinacional?
Nós começamos a nos tornar internacionais depois de um mês que a plataforma estava no ar. Blogs internacionais começaram a fazer matérias sobre a rede e foi aí que o pessoal de fora começou a acessar. Nos Estados Unidos e em Portugal, nós temos mais de 500 usuários.  Ao todo, são quase mil usuários internacionais. Para ajuda, nós traduzimos a rede para o inglês também.
Quando você decidiu abandonar o seu emprego para se dedicar exclusivamente no projeto?
Eu comecei a trabalhar em setembro de 2012 e parei de estagiar em setembro de 2013. Eu trabalhei um ano lá, enquanto eu fazia duas faculdades e tocava a Bliive. Era bem maluco (risos).
Achei muito interessante a ideia do TimeMoney, mas as pessoas possuem cada vez menos tempo livre. Como resolver esse impasse?
Muita gente arruma tempo. Tempo ninguém tem e todo mundo tem, é só querer. Hoje, eu percebo que quando a pessoa curte a ideia e acredita, dá um jeito. Nós queremos lançar até o final do ano uma ferramenta de agenda para ajudar as pessoas a organizarem o próprio tempo. A ideia é sincronizar a agenda dos usuários para eles encontrarem quem tem o mesmo tempo livre. Essa é uma das ferramentas que vai ajudar a galera a encontrar tempo.
Hoje, a rede possui quase 16 mil usuários e está em 55 países. Este número está dentro das suas expectativas?
Eu acho que no começo de uma startup nós acabamos sonhando muito alto. A gente imagina que vai ter um milhão de usuários em um ano. Eu acredito que esse seja um número bom, mas a gente espera obter resultados maiores.

Voce já trocou alguma hora? Qual?
A primeira hora que eu troquei foi sobre empreendedorismo e startup. Eu gosto muito dessa parte de empreender e dar palestras sobre isso é algo que me inspira bastante. Na verdade, eu dou umas dicas e em troca, eu já fiz bastante coisa, como aula de violão e até de Google Analytics.
Qual foi a atividade oferecida mais estranha que você já viu no Bliive?
Tem muitas pessoas oferecendo atividades bem diferentes. Tem gente que ensina a coreografia do Single Ladies, a pular corda como o Rocky Balboa, tem gente que oferece para arrumar a bagunça do quarto. Tem uma que eu achei muito interessante que era alguém oferecendo uma opinião de um terceiro desinteressado – todo mundo da família e dos amigos já tem uma opinião formada, ou seja, ele estava oferecendo uma opinião com imparcialidade. As pessoas são muito criativas e o que é legal do Bliive é que muitas das coisas que são oferecias lá você não encontraria no mercado normal, pagando. Por ser colaboração, acho que as pessoas entram mais na vibe de criar coisas diferentes.
Em algum momento já passou pela sua cabeça vender a empresa? Você já recebeu alguma proposta de compra?
Hoje, eu não venderia e nos próximos anos talvez não. No começo, nós éramos muito apegados, mas hoje eu vejo que se um dia eu perceber que o melhor para o Bliive é não estar comigo, é estar com uma empresa que às vezes faria mais para ela do que eu, sim, eu venderia. Venderia pelo bem da ideia e para tornar o mundo mais colaborativo. Mas, no geral, não é um plano que eu tenho.
Depois do Facebook, surgiu uma onda de novas redes sociais oferecendo diversos serviços – a maioria delas não decolou. Qual é o segredo da Bliive?
Eu imagino que é não ser uma rede social de fato. Eu acredito que o nosso diferencial tá na troca de tempo. Tem a parte social, onde você pode compartilhar com os seus amigos as coisas que você está vivendo e fazendo, mas, no geral, a rede está focada em troca, em experiências que te permitem sair de casa e conhecer gente olho no olho.

Quais são os próximos planos para a rede? O que vocês esperam que ela se torne nos próximos anos?
O próximo plano é a internacionalização da Bliive, que vai ser um desafio importante. Nós também queremos redesenhar a plataforma. Agora que nós temos bastante usuários, a ideia é ouvir mais eles e pegar mais informações sobre a forma como eles agem e o que ele mais usam e menos usam para poder deixar a plataforma do jeito que eles imaginam e gostariam. Nesse ano, os maiores desafios são: promover mais troca e tornar o modelo de negócio escalável – além de sustentável, a empresa precisa começar a crescer.

Como você acha que a Bliive irá conseguir aumentar o número de trocas?
Nós precisamos aproveitar mais da inteligência que a gente tem dentro da plataforma. Nós precisamos que as atividades que determinada pessoa preferir, chegue até ela de maneira mais fácil, por exemplo. Uma interação com o Facebook, para dar mais segurança ao usuário, também seria importante.

PAI DO COPILOTO DO AVIÃO DA GERMANWINGS ESTÁ "COMPLETAMENTE ARRASADO"



Andreas Lubitz (Foto: Getty Images)
pai de Andreas Lubitz, o copiloto da Germanwings que supostamente derrubou de forma proposital o Airbus A320 nos Alpes franceses com 150 pessoas a bordo, está "completamente arrasado", contou neste sábado (28/03) o prefeito da cidade francesa de Prads-Haute-Bléone, Bernard Bartolini.

"Ele sente sobre ele toda a responsabilidade do drama e atravessa uma angústia incrível", disse o prefeito em declarações à emissora francesa "BFM TV".O conteúdo da única caixa-preta encontrada indicou, como revelou esta semana a Promotoria francesa, que Andreas Lubitz teria provocado a queda do aparelho nas montanhas, após aproveitar uma ausência do comandante da cabine.
Conforme relatou, eles se encontraram na quinta-feira, na cerimônia de homenagem realizada na cidade de Le Vernet, na França, que se transformou em lugar de peregrinação dos familiares das vítimas.
O pai do copiloto participou do ato com alguns membros da tripulação, sem se misturar aos parentes dos passageiros. Segundo Bartolini, "não há palavras para expressar" o estado em que ele estava.
Copiloto teria problemas de visão
Andreas Lubitz, o copiloto que supostamente derrubou de forma deliberada o avião da Germanwings nos Alpes franceses, sofria problemas de visão que podem ter colocado seu trabalho em perigo, segundo informou neste sábado (28/03) o jornal americano "The New York Times".
Segundo a publicação, que cita dois funcionários com conhecimento sobre a investigação, Lubitz buscou tratamento para essas dificuldades, sobre as quais também não teria informado à companhia aérea.
Por enquanto, não está clara a gravidade dos problemas ou se poderiam estar vinculados à sua situação psicológica, segundo indicou o jornal, que acrescenta que as autoridades não descartaram a possibilidade de os problemas de visão serem psicossomáticos.
O jornal lembra que, segundo vários depoimentos, para Lubitz era muito importante voar e, por enquanto, não tinha completado suas aspirações profissionais de cobrir rotas de longa distância como comandante.
O Hospital Universitário de Düsseldorf informou na sexta-feira que Lubitz tinha sido avaliado em suas instalações pela última vez o 10 de março.
Consultada pelo "The New York Times", uma porta-voz do centro não quis comentar se o copiloto tinha apresentado problemas de visão, alegando as leis que protegem a privacidade dos pacientes.
Em comunicado, o hospital classificou na sexta-feira como "incorreto" que Lubitz tenha sido tratado por depressão e afirmou que ele tinha ido ao centro para contrastar diagnósticos, sem dar mais detalhes.

Adolescente é morto após assaltar panificadora em Pinhais e testemunhas garantem que viram atirador misterioso


Por Felipe Ribeiro e Juliano Cunha

Um adolescente morreu baleado na noite deste sábado (28) após assaltar uma panificadora do bairro Vargem Grande, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. De acordo com a Polícia Militar, testemunhas afirmaram que um jovem atirador misterioso teria realizado o disparo, porém, o comparsa do assalto que acabou preso garantiu que a vítima teria cometido suicídio na fuga.
Segundo o soldado Ieger, a versão do comparsa não convenceu a polícia, que agora inicia investigação do caso. “Um policial que mora nas proximidades o comparsa da vítima correndo e realizou a prisão. Com ele, uma revólver calibre 38 foi apreendido. A situação é confusa, mas a Polícia Civil agora investiga o caso”, comentou.
O adolescente apreendido foi encaminhado para a Delegacia de Pinhais, que investiga o caso.

O PT com a verba e o verbo


Merval Pereira
Mais importante que a constatação de que a economia brasileira está estagnada desde o ano da eleição, o que foi escondido do povo brasileiro por uma ação publicitária que distorceu números e fatos numa clara agressão ao sistema democrático, é saber que a culpa pelos nossos males é coisa nossa, não de crises internacionais.
Um levantamento do professor Reinaldo Gonçalves mostra que o Brasil em 2014 ficou em 172ª posição num conjunto 188 países, o que quer dizer que nada menos que 91% dos países tiveram melhor desempenho que o nosso.
Em relação ao quadriênio de Dilma Rousseff (2011-14), nossa posição tem uma melhora relativa: ficamos na 126ª posição, sendo superados por 67% dos países.
No plano interno, a presidente Dilma continua na mesma posição constrangedora de ser a presidente com a terceira pior média de crescimento do PIB da República brasileira, ao lado de Venceslau Brás, com 2,1% de crescimento, superando apenas dois presidentes que tiveram média negativa de crescimento em seus mandatos: Fernando Collor -1,3; Floriano Peixoto -7,5.
Se as previsões se confirmarem para este ano, com uma retração do PIB que pode chegar a até 1% segundo alguns economistas, a média para cinco anos cairá abaixo de 2%. Como a situação política é fortemente influenciada pela economia, dificilmente a presidente Dilma encontrará este ano condições de recuperação de sua popularidade, que as pesquisas de opinião mostram estar num momento crucial, provavelmente na casa de um dígito de aprovação se tomarmos a média dos institutos de pesquisa.
Foi sob o impacto da informação de que o nível de aprovação da presidente Dilma estava em 7 pontos num tracking encomendado pelo Palácio do Planalto que o ex-ministro da Comunicação Social Thomas Trauman escreveu aquele já famoso relatório que afinal o derrubou.
Entre as ilegalidades que defendia, destacam-se o uso dos blogs sujos para atacar os adversários do governo. No que via como uma “guerrilha de comunicação”, o documento lamentava que os robôs que atuaram na campanha presidencial para espalhar boatos e elogios a favor de Dilma tivessem sido desativados, e recomendava que o Planalto desse “munição” para “os soldados de fora” dispararem.
Há também a defesa do uso da Voz do Brasil e da televisão oficial para mostrar os feitos do governo, numa confusão clara entre órgãos do governo e do Estrado brasileiro. A demissão de Trauman, ao contrário do que se podia supor, não foi devida ao conteúdo do documento, mas ao seu vazamento.
Infere-se isso pela escolha por Dilma de seu tesoureiro de campanha, o petista Edinho Silva, para o cargo, entregando ao PT a verba e o verbo da comunicação do governo. Como nos governos petistas as pessoas importam mais que os cargos que ocupam, Edinho quase foi nomeado para diretor da Autoridade Pública Olímpica, mas a presidente Dilma desistiu ao constatar que ele não seria aprovado pelo Senado.
Como a nomeação para o ministério é de inteira responsabilidade da presidente, lá se vai Edinho Silva tratar da imagem do governo federal. Logo ele, que foi tesoureiro da campanha de 2014 de Dilma e, segundo anotações atribuídas a Ricardo Pessoa, dono da UTC, “está preocupadíssimo”. E segue texto de Pessoa: “Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma. Será que falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”.
Esse e outros textos encontrados se parecem com chantagem, no momento em que delações premiadas estão sendo negociadas. Mas Edinho Silva pode trazer também mais problemas políticos para Dilma. Ele afirmou recentemente que as manifestações de rua são coisa da elite golpista, e que é preciso “combater a direita” em todo o continente.
Coroando seu pensamento, antes mesmo de assumir a missão palaciana ele já havia dito o que pensava especificamente sobre a área em que vai atuar: “Temos que criar efetivamente condições para que haja uma democratização da comunicação no país. E isso passa pela democratização da propriedade dos veículos”.
Mesmo que tenha salientado que esse debate “deve ser feito com muita tranquilidade, sem partidarismo e em parceria com a sociedade”, Edinho já disse a que veio.

Agente penitenciário que visitava a avó é assassinado na em Colombo


Por Felipe Ribeiro e Bruno Henrique
Foto: Bruno Henrique - Banda B
Foto: Bruno Henrique – Banda B

Um agente penitenciário que visitava a avó foi assassinado no começo da tarde deste sábado (28) no bairro Rio Verde, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. De acordo com a Polícia Militar, um veículo Nissan prata teria passado e realizado os disparos.
agente
Curupana morreu na hora
A vítima, Cleverson Curupana, estava afastada do trabalho há alguns dias devido a uma fratura no pé. O acidente de trabalho teria acontecido no presídio em que trabalhava, em São José dos Pinhais.
Segundo o aspirante Lopes, da PM, a autoria até o momento é desconhecida e o veículo utilizado para o crime foi encontrado incendiado no Jardim Osasco. “Esses crimes muitas vezes são motivados por pessoas que saem dos presídios já que os agentes costumam andar desarmados”, comentou. O veículo em questão havia sido roubado pela manhã em Piraquara.
Testemunhas contaram que Curupana estava andando com o apoio de muletas no momento do crime.
A Delegacia de Colombo investiga o caso.
Foto: Bruno Henrique - Banda B
Foto: Bruno Henrique – Banda B
Segundo no mês
Curupana é o segundo agente assassinado neste mês no Paraná. No último dia 16, dois homens invadiram o Centro de Regime Semiaberto de Guarapuava e mataram um agente penitenciário de 31 anos. Cinco homens foram presos pelo crime.
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Granada encontrada em doação mobiliza Esquadrão Antibombas para bazar do Pilarzinho


Por Felipe Ribeiro e Bruno Henrique
Foto: Bruno Henrique - Banda B
Foto: Bruno Henrique – Banda B

Uma granada encontrada dentro de uma roupa doada mobilizou o Esquadrão Antibombas da Polícia Militar no final da tarde deste sábado (28) em um bazar do bairro Pilarzinho, em Curitiba. De acordo com a responsável pelo local, localizado no cruzamento das ruas Otalino Amado de Souza e José Ribeiro de Cristo, o bazar ajuda instituições de caridade e hoje eles acabaram surpreendidos com o explosivo.
Segundo uma das pessoas que estavam no local, o susto foi muito grande e a granada estava junto com os brinquedos das crianças. “Foi horrível, não sabemos de onde essa doação veio, já que elas chegam de vários lugares. Nós vendemos tudo para repassar para instituições de caridade”, comentou Rosana Aparecida Silva.
Segundo Rosana, o objeto parece uma tartaruga e ela chegou a acreditar que se tratava de um brinquedo. “Tiramos de dentro de casa e a polícia confirmou que se trata de uma granada. Agora eles verificam se está tudo bem”, concluiu.
O Comando de Operações Especiais (Cope) deve verificar a situação.

Com essa Lula não contava


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Editorial, Estadão
Em 2010, o presidente Lula surfava na popularidade e achava­-se insuperável. Tanto que escolheu um poste para lhe suceder ­ a chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Com os principais nomes do PT envolvidos no escândalo do mensalão, a escolha de Dilma parecia um golpe de mestre. Ela, que nunca tinha concorrido a uma eleição, podia apresentar­-se sem mácula ao eleitorado. E, principalmente, ao criar uma candidata sem sustentação política própria, Lula seria o seu esteio ­ e poderia continuar dando as ordens.
Diante das graves necessidades do País, a escolha de Dilma era um passo mais que arriscado. A Presidência da República exige não poucas habilidades administrativas e políticas nas quais a então candidata não tinha sido testada. Mas os interesses do País nunca pesaram muito nos cálculos de Lula. O importante era manter a continuidade do seu projeto de poder.
Como ficou evidente ao longo dos quatro anos do primeiro mandato de Dilma, a escolha de Lula significou um enorme prejuízo para o País. As piores expectativas concretizaram­se. Com o seu voluntarismo, sua inabilidade para a política, sua incompetência administrativa e, principalmente, sua incapacidade de enxergar objetivamente a realidade, Dilma simplesmente desgovernou o País, afetando negativamente todos os setores da economia.
A presidente Dilma Rousseff foi capaz de criar tamanho caos que, mesmo com todo o assistencialismo estatal ­ os repasses econômicos diretos do governo federal à população de baixa renda ­, por pouco a oposição não ganhou as eleições de 2014. Mas o fato é que o PT venceu mais uma eleição presidencial e Lula ganhava, assim, mais um round da vida política brasileira.
No entanto, o ex-­presidente esqueceu­-se de uma coisa. Ao escolher um poste para suceder-­lhe, não colocou em risco “apenas” o País. Lula não percebeu, na sua infinita esperteza, que aquela escolha significava mais do que pôr o interesse particular ­ a manutenção do PT no poder ­ acima do interesse coletivo. Ao escolher Dilma, ele estava colocando em risco o próprio PT. Lula não fez apenas um cálculo egoísta e irresponsável. Fez um cálculo errado.
Tanto é assim que o País assiste agora a um inusitado fenômeno. Ao invés de atrair apoios, o partido que controla o governo federal e deveria ter folgada maioria no Congresso provoca rejeição. É rejeitado por grande parte da população e, agora, por alguns de seus membros. Marta Suplicy foi a primeira a avisar que abandonaria o barco. Ao Estado, a senadora afirmou: “Ou o PT muda ou acaba”. Esperta, deu­-se conta dos rumos da opinião pública.
Mas Marta não é a única insatisfeita. O também senador Paulo Paim, petista histórico do Rio Grande do Sul, com quatro mandatos na Câmara e dois no Senado, também está preparando as malas. Em entrevista ao Estado, Paim afirmou que, caso as coisas se mantenham como estão, terá “muita dificuldade de ficar” no PT. E há outros tantos insatisfeitos nas bancadas petistas, incluindo outro senador, Walter Pinheiro (PT-­BA).
Diante dessa movimentação, Lula ­ que é muito ativo quando o seu interesse está em jogo ­ tem arregaçado as mangas e ido à luta. Em primeiro lugar, foi falar mais uma vez com a sua criatura, a presidente Dilma Rousseff. E num tom de voz que não deixava dúvidas quanto ao seu estado de ânimo. Agora, Lula vem gastando todo tempo que pode para dissuadir os insatisfeitos de dissentir ou desertar. Talvez tenha se dado conta de que não estão em jogo apenas as eleições de 2018 nem muito menos as de 2016. O que agora parece estar em jogo é a continuidade do PT como partido relevante na política brasileira. As recentes votações na CPI da Petrobrás ­ com a convocatória de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, e de Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ­ mostram um cenário impensável até bem pouco tempo atrás.Sem nem desconfiar, Lula pode ter assinado a sentença de morte do próprio partido, ao ter escolhido Dilma Rousseff para suceder-­lhe.
Os fatos dirão.