Tornado mata dois em cidade de Santa Catarina e mais de 10.000 pessoas afetadas

Destruição em Xanxerê SC 


Um tornado atingiu nesta segunda-feira a cidade de Xanxerê, oeste de Santa Catarina. Pelo menos duas pessoas morreram e 300 ficaram feridas - destas, 120 tiveram de ser hospitalizadas, segundo a Defesa Civil do Estado. Muitos dos feridos sofreram amputações de membros, segundo os bombeiros. Ao menos 2.600 casas foram atingidas em seis bairros e 1.000 pessoas estão desabrigadas. Ao todo, 10.000 pessoas foram afetadas.

Ainda segundo a Defesa Civil, cinco torres de energia foram arrancadas do solo devido à força do vento - 200.000 unidades consumidoras estão sem luz. De acordo com os bombeiros, a quantidade de destroços e a falta de luz dificultam o atendimento às vítimas. A cidade ainda sofre com problemas no abastecimento de água, energia e sinal de telefonia. Sessenta homens divididos em oito equipes trabalham na região nesta terça-feira. Os bombeiros contam com ajuda da força-tarefa do 6º Batalhão (Chapecó).
O fenômeno aconteceu por volta das 15h30 de segunda-feira e afetou principalmente a parte central de Xanxerê, que tem cerca de 47.000 habitantes, segundo o IBGE. Os mortos foram identificados como o casal Deomir e Alcimar Sutir, que morreram quando tentavam socorrer os filhos.

'Olho as marcas e falo: essa sou eu', diz transexual que fez 14 cirurgias


Apenas 5 hospitais no país fazem cirurgia de mudança de sexo pelo SUS.
País tem avançado quando se fala em transexualidade, diz Maite Schneider.

Bibiana DionísioDo G1 PR
Maite Schneider tem 43 anos e realizou 14 cirurgias para mudar de sexo (Foto: Arquivo pessoal)Maite Schneider tem 43 anos e realizou 14 cirurgias para mudar de sexo (Foto: Arquivo pessoal)
Olhar-se no espelho e não se reconhecer na imagem fez com que Maite Schneider, que recebeu dos pais o nome de Alexandre ao nascer, realizasse 14 cirurgias para mudar de sexo. Duas delas a expuseram ao perigo. Na primeira, tentou retirar sozinho os testículos. Na segunda, foi e voltou do Paraguai no mesmo dia em uma nova tentativa de eliminar o órgão.
Aos 43 anos, Maite olha para o passado e agradece por ter sobrevivido. Para ela, ainda que timidamente, o país tem avançado quando se fala em transexualidade. Em especial, a partir de 2008, quando o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a atender aqueles que optaram pelo processo transexualizador.

Em todo o Brasil, até 2014, o SUS realizou 6.724 procedimentos ambulatoriais e 243 procedimentos cirúrgicos em cinco serviços habilitados no processo transexualizador. Apenas, cinco hospitais, contudo, estão credenciados para a relização do procedimento pelo SUS, segundo o Ministério da Saúde.
“Para quem está vivendo esse processo de mudança parece um caminho muito lento, mas em termos de evolução do que a gente não tinha e está conseguindo ter é uma grande conquista”, avaliou a transexual que vive em Curitiba e trabalha com depilação.

“Só de você ter uma esperança, faz com que meninos e meninas não cometam loucuras como as que eu fiz. Eu não aconselho ninguém a fazer o que eu fiz. Hoje eu sei das burradas, mas na época eu achava que fazia o correto, com a convicção de ser o único caminho”, lembrou Maite.

Ainda que entenda a necessidade de se ter um cuidado extremo neste processo de mudança de sexo, que é irreversível, Maite acredita também que é preciso evoluir nas avaliações para a autorização da cirurgia.

Militantes dos movimentos sociais de divulgação e aceitação da transexualidade na capital paranaense, ela diz não serem raros os casos em que as pessoas mentem para se enquadrar no perfil traçado pelo SUS.
As cirurgias
O mito envolvendo a transexualidade ficou para trás na vida de Maite, porém, o processo para que hoje ela fale abertamente sobre o assunto foi doloroso. Não só para ela, mas também para a família.
Eu consigo me olhar no espelho, descontar as marcas que tenho hoje que fazem parte da minha história. Elas fazem parte do que eu passei, da minha trajetória. Eu olho as marcas e falo: essa sou eu"
Maite Schneider
Agora, Maite entende as marcas deixadas pelas cirurgias como parte da própria história, como marcas de uma trajetória. Por isso, ela não cogita fazer intervenções estéticas.

“Eu consigo me olhar no espelho e descontar as marcas que tenho hoje que fazem parte da minha história. Elas fazem parte do que eu passei, da minha trajetória (...). Eu olho as marcas e falo: essa sou eu”.

Com 30 anos, Maite decidiu retirar os testículos por conta própria. “Eu comprei fio sutura, bisturi, tudo e tentei fazer sozinha, mas não deu certo. Fiquei na internet durante seis meses, achei que era fácil retirar os testículos, mas não era tão fácil assim. Foi um caos”.
Ela desmaiou e foi levada para o hospital, onde a equipe médica reparou o corte.

Como o então objetivo não tinha sido alcançado, Maite decidiu ir ao Paraguai, onde havia uma clínica que fazia gratuitamente a cirurgia desde que o paciente tivesse o laudo indicação para cirurgia.

Tudo sem o conhecimento da família. “Eu fui, achando que estava fazendo a coisa certa. Era um clinica médica mesmo, super limpa”.

Maite diz que a previsão era de que a retirada dos testículos durasse duas horas, entretanto, devido às complicações, ela ficou oito horas no centro cirúrgico. Os médicos queriam suspender a intervenção, mas Maite não deixou e ameaçou a equipe dizendo que iria fazer sozinha novamente.
Maite é conhecida em Curitiba como militante de movimentos de divulgação e aceitação do transexualismo (Foto: Arquivo pessoal)Maite é conhecida em Curitiba como militante de
movimentos de divulgação e aceitação do
transexualismo (Foto: Arquivo pessoal)
“Eu fui e voltei no mesmo dia porque eu não tinha condições financeiras de ficar hospedada lá. Depois de cinco dias, começaram os problemas com o dreno. Parecia que eu tinha elefantíase e tive que contar para o meu pai”. Maite tinha 31 anos.
Os reflexos da cirurgia foram tão complicados, que Maite e a família não conseguiam encontrar um médico que a aceitasse como pacientes.

Todos tinham receio da consequência, já que não sabiam como havia sido realizado o procedimento no Paraguai.
Só mais tarde, com o avanço das técnicas de transgenitalização no Brasil, ela procurou o tratamento adequado e realizou 12 cirurgias – agora com toda a infraestrutura necessária.

Foram 14 anos até que todas as cirurgias fossem realizadas, e o corpo de Maite respondesse de maneiras satisfatórias às intervenções.
Documentação
Assim que o problema físico foi superado, Maite começou a lidar com a questão burocrática. Durante três anos, mesmo com aparência de mulher e processo de mudança de sexo em andamento, a documentação ainda estava como Alexandre.

Naquela época, os transexuais precisavam apresentar um laudo médico e também passar por uma perícia para conseguir alterar os documentos. A obrigatoriedade da perícia deixava Maite desconfortável, e o processo acabou se estendendo.
“Eu já fiz cirurgia de tudo que é jeito. Como eu não tinha mais pele, eu fui tirando enxertos de vários lugares. As últimas cirurgias foram feitas com pedaço do intestino. Tive que tirar parte do intestino para se fazer o canal [vaginal], porque eu não tinha mais pele para fazer, então, eu estava em uma situação que eu não estava bem comigo mesma para passar por uma perícia”, contou.
Este foi um novo período de conflito. Por mais que tivesse vergonha e ainda estava apreendendo a lidar com a presença das cicatrizes, Maite se sentia a cada cirurgia mais contente já que se reconhecia no novo corpo.

Quando enfim conseguiu na Justiça a alteração dos documentos, Maite decidiu incorporar o Schneider ao sobrenome. Afinal, foi como Maite Schneider que ficou conhecida nos movimentos sociais ligados à transexualidade.

“O meu nome era Alexandre Caldas de Miranda e desde cedo eu comecei a usar Schneider para justamente não vincular o meu nome ao da minha família, que eu queria que tivesse o mínimo de problemas possíveis em relação a isso”.
Ao nascer, Maite recebeu o nome de Alexandre (Foto: Arquivo pessoal)Ao nascer, Maite recebeu o nome de Alexandre
(Foto: Arquivo pessoal)
A infância e a adolescência
Desde criança, a transexualidade de Maite estava evidente para a família. Ela tem um irmão e uma irmã.
“Eu sou a filha do meio e sempre soube que não era igual ao meu irmão, não me sentia igual ao meu irmão. Sempre tive a clareza de me sentir de uma coisa e saber que não era aquilo”, contou.

Na tentativa de ajudar o filho, o pai do então Alexandre o colocou em atividades que considerava masculinas como escotismo e judô.
“Eram situações que não tinham como vingar, por mais que eu tentasse me enquadrar e acabar com aquele sofrimento. Eu sabia que se eu não fosse igual ao meu irmão ia ser muito constrangedor, não só para mim, com as dificuldades que eu ia ter, como para a minha família que sempre sofria com isso”.

Maite conta que sempre se sentiu diferente do irmão, mas sem a consciência do termo técnico. “Foi então que meu pai me levou no primeiro psicólogo, que me encaminhou para um psiquiatra, que já tinha tratado de questões de transtorno de gênero. Foi então que ouvi a primeira vez a palavra transexualismo e ele me explicou o que se passava comigo”. Nessa época estava com 16 anos.

Desde o início, Maite teve o amparo da família. Ela conta que inicialmente existia em sentimento de culpa por parte dos pais, achando que tinham errado em algum momento. “O caminho é tortuoso, não é tão tranquilo. Mas nunca teve repulsa, rejeição”.

Jovem com leucemia cria campanha na web e encontra doador nos EUA


Ex-paraquedista conseguiu 11 mil novos registros de doadores no mundo.
Ele passou por transplante de medula óssea com sucesso, em Curitiba.

Do G1 PR
Um ex-paraquedista do Exército descobriu que tinha leucemia e, para encontrar uma medula óssea compatível com a dele, decidiu começar uma campanha na internet. Por meio dela, encontrou um doador e, sem querer, também acabou ajudando outras pessoas que lutam contra a doença.
Michel Maruyama Nascimento Gomes criou uma página no Facebook em que relatava o cotidiano de seu tratamento, numa espécie de diário. Lá, ele também passou a incentivar o cadastro de doadores de medula óssea. Com o apoio de famosos, como Zezé di Camargo e Luan Santana, conseguiu 11 mil novos registros para o banco mundial de doadores.
O doador surgiu dos Estados Unidos, nove meses depois do diagnóstico. A pessoa com o DNA compatível com o que ele precisava para o transplante foi encontrada justamente pela página na internet. O transplante foi feito com sucesso, neste mês.
Segundo a esposa de Gomes, outras quatro pessoas relataram ter sido ajudadas pela campanha. "Quatro pessoas deram o feedback dizendo que após terem se cadastrado foram chamadas para fazer a doação de medula, foram compatíveis com alguém", conta a esposa dele, Milena Rebouças Nobre.
Ainda em recuperação, o jovem reafirmou a vontade de ajudar outras pessoas. "Que mais pessoas se cadastrem, porque tem muita gente ainda precisando de um transplante de medula. Muito obrigado", comentou.

Cidade do Paraná se mobiliza para ajudar vítimas de tornado em Xanxerê


Associação de Pato Branco receberá donativos a partir de quarta-feira (22).
Fenômeno deixou ao menos dois mortos e 120 feridos em Santa Catarina.

Do G1 PR
Moradores de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, estão se mobilizando para ajudar as vítimas do tornado que atingiu a cidade de Xanxerê, no oeste de Santa Catarina, na tarde de segunda-feira (20). A campanha está sendo lançada pela Associação Empresarial da cidade, que deverá receber os donativos a partir das 8h de quarta-feira (22).
Segundo o presidente da associação, Fabrício Valenga, a iniciativa foi tomada porque muitos moradores de Pato Branco têm familiares e amigos na região do desastre. "Uma das nossas diretoras é natural de lá e tem familiares na cidade. Estamos a 120 km de distância e também temos muitas empresas com filiais em Xanxerê e vice-versa. Daí decidimos encampar essa ideia e já estamos conseguindo reunir outras associações e entidades", observa.
"Há cerca de 15 anos Pato Branco sofreu uma tragédia parecida e recebemos muita ajuda de municípios vizinhos, nada mais justo retribuir agora", lembra ao reforçar que espera a adesão de outras cidades.
Dia 21: imagem área mostra residências destelhadas em Xanxerê (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)Imagem área mostra residências destelhadas em Xanxerê após a passagem de um tornado na tarde de segunda-feira (20) (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
A preferência para as doações são por água, roupas e cobertores. Empresas da cidade também já se disponibilizaram para levar os donativos até o estado vizinho.
A associação fica na Rua Xavantes, 315, no Centro. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (46) 3225-1237.

Pelo menos 2,6 mil casas foram danificadas e cerca de 200 mil unidades consumidoras ficaram sem luz na região devido à queda de cinco torres de transmissão de energia.
Tornado

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou na manhã de terça-feira (21) queXanxerê foi atingida por um tornado. Duas pessoas morreram, entre elas um pai que conseguiu salvar a mulher e um bebê de 3 meses, outras 120 pessoas ficaram feridas e aproximadamente mil ficaram desabrigadas, segundo o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar na cidade.
Conforme o Inmet, os ventos que formaram o tornado podem ter variado de 100km/h até 330km/h por volta das 15h, horário do fenômeno.

Polícia apreende mais de meia tonelada de maconha em Cascavel


Droga foi apreendida nesta terça-feira (21); três homens foram presos.
Caminhonete roubada estava carregada; outro carro também foi apreendido.

Do G1 PR
Maconha estava em um caminhonete roubada (Foto: Eder Oelinton/ RPC)Maconha estava em um caminhonete roubada
(Foto: Eder Oelinton/ RPC)
Policiais militares (PM) e federais apreenderam 750 kg de maconha em Cascavel, no oeste do Paraná, na tarde desta terça-feira (21). Segundo a PM, a droga estava em uma caminhonete roubada. Três homens foram presos.
Os policiais tentaram abordar a caminhonete e outro carro no Trevo Cataratas, durante uma operação, porém o motorista da caminhonete não odedeceu e fugiu. Houve perseguição e a PM atirou nos pneus do veículo. Mesmo com os pneus furados, o suspeito ainda dirigiu até a Rua União da Vitória, no Bairro Cataratas, onde foi preso. Ele estava armado com uma pistola.
No outro carro, que servia como batedor – veículo que vai na frente para avisar o contrabandista sobre possíveis fiscalização – estava o motorista e o passageiro que também foram presos.
Os três foram levados para a Polícia Federal de Cascavel, junto com a droga e os veículos.

WhatsApp começa a liberar ligações grátis para iPhone


WhatsApp liberou nesta terça-feira (21) as chamadas de voz para iPhone. A versão 2.12.1, já disponível no iTunes, permite que os usuários liguem de graça utilizando o WhatsApp, entre outras novidades. A atualização do aplicativo era aguardada desde março, quando a função foi disponibilizada para smartphones com Android, e será liberada gradualmente para o iOS ao longo das próximas semanas. 
Whatsapp-iOS (Foto: Luciana Maline/TechTudo)WhatsApp libera ligações para alguns usuários de iPhone (Foto: Luciana Maline/TechTudo)
A ligação via WhatsApp utiliza a conexão com a Internet e não os minutos ou créditos da operadora. Para usar a nova função, basta clicar no contato, e no novo botão de chamadas que aparece abaixo da foto. No menu inferior da tela principal, há também o botão “Recentes”, onde é possível ver as ligações feitas e perdidas. Para atualizar o aplicativo no seu celular, baixe a versão mais recente do app para iOS. 
Quando liberado para Android, o recurso era ativado depois que o usuário atualizava o WhatsApp e recebia ligação de outro aparelho, e o mesmo pode ocorrer no iOS. No entanto, a forma como a liberação será feira ainda não foi revelada. Ainda no caso do Android, o mensageiro atualizou a interface, apresentando uma aba para ligações, uma para conversas e a última com contatos.
WhatsApp-ligações-1 (Foto:  Carolina Danelli/TechTudo)Interface de ligações para Android: será semelhante no iPhone? (Foto: Carolina Danelli/TechTudo)


Entre outras novidades da nova versão do WhatsaApp para iPhone estão o compartilhamento de fotos, vídeos e links para o WhatsApp através de outros aplicativos, um botão de acesso rápido à câmera, a opção de editar os contatos através do app e de editar fotos e vídeos antes de enviar. 
Quem sempre usou iOS vai estranhar Android? Confira no Fórum TechTudo
Quer saber como fazer ligações no WhatsApp para Android? Confira o vídeo:

Defesa diz que cunhada de Vaccari não depositou dinheiro para a irmã


MPF e juiz Sergio Moro dizem que ela aparece em imagens de banco.
Advogado diz que, na verdade, é a própria irmã quem aparece no vídeo.

Fernando CastroDo G1 PR
MPF e juiz Sergio Moro dizem que Marice aparece em imagens de banco. (Foto: Divulgação)MPF anexou fotos no processo sustentando que Marice fez depósitos para a irmã (Foto: Divulgação)
A defesa de Marice Corrêa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, negou que a cliente tenha feito depósitos em espécie na conta da irmã, Giselda Rousie de Lima. Ao G1, o advogado Cláudio Pimentel disse que a mulher que aparece nas imagens das câmeras de segurança do banco é a própria Giselda, e não Marice, conforme apontaram o Ministério Público Federal (MPF) e o juiz Sérgio Moro.
Nesta terça-feira (21), Moro decidiu prorrogar a prisão temporária de Marice, que, segundo os procuradores do MPF ajudou o cunhado a receber valores ilegais da construtora OAS. A suposta irregularidade é um dos alvos da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção naPetrobras e outros órgãos públicos.
Conforme o MPF, Giselda Rousie de Lima, esposa de Vaccari, recebeu cerca de R$ 323 mil, em depósitos fracionados. Esses depósitos foram feitos, em alguns casos, em caixas eletrônicos. Imagens obtidas pelos investigadores apontam a suspeita de que foi Marice quem depositou esses valores para Giselda, irmã dela. Dois desses depósitos, segundo a investigação, foram feitos em 2015.
Os procuradores concluem que os indícios sugerem que Giselda recebia uma espécie de “mesada” de fonte ilícita, paga por Marice. Em depoimento à Polícia Federal, Marice afirmou não ter feito nenhum depósito para Giselda neste ano. “Elas são muito parecidas, mas quem está fazendo aqueles depósitos é a própria Giselda. A Marice não fez nenhum depósito”, sustentou o advogado.
O entendimento difere da constatação do juiz Sergio Moro, ao analisar as imagens fornecidas pelo MPF. "Embora Marice não tenha sido identificada nominalmente, os vídeos apresentados não deixam qualquer margem para a dúvida de que a pessoa em questão é Marice Correa de Lima", afirmou o juiz.
Apesar da discordância com relação à identificação, a defesa de Marice considerou positiva a decisão de Moro de estender a prisão temporária da cliente, uma vez que o MPF pedia a conversão do regime para prisão preventiva, sem prazo para expirar. “Acho que foi muito positivo, o juiz Moro foi muito cauteloso ao tomar essa decisão, dando oportunidade para que minha cliente esclareça pontos duvidosos que o MPF apontou”, concluiu Claudio Pimentel.
Giselda Rousie de Lima e Marice Corrêa de Lima são irmãs (Foto: Divulgação)Giselda Rousie de Lima e Marice Corrêa de Lima são irmãs (Foto: Divulgação)
Nova oitiva
No despacho, Moro relatou ainda que a medida oportunizará novo depoimento de Marice "na qual ela poderá esclarecer ou não sua participação nos depósitos em espécie realizados na conta da esposa de João Vaccari Neto e as circunstâncias que envolveram esses fatos". O magistrado também destacou que, se quiser, Marice poderá ficar em silêncio.
O prazo de prisão temporária de Marice venceria nesta terça-feira, mas foi prorrogado por mais cinco dias. De acordo com Sérgio Moro, antes do fim deste novo prazo, ele irá reavaliar o pedido do MPF sobre a prisão preventiva de Marice.
Ela foi presa após se apresentar na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. O mandado de prisão temporária contra ela foi expedido dois dias antes, quando Vaccari foi preso. Contudo, ela estava no Panamá, onde disse ter participado de um congresso profissional.
Marice de Lima é levada para fazer exame de corpo de delito (Foto: Fernando Castro/ G1)Marice de Lima se entregou à PF em Curitiba
(Foto: Fernando Castro/ G1)
Investigação
O imóvel mencionado pelos procuradores foi adquirido por ela em 2011, por aproximadamente R$ 200 mil. Em menos de um ano, o apartamento foi devolvido à OAS que pagou R$ 432 mil pela unidade, de acordo com o MPF.
A investigação aponta ainda que Marice declarou à Receita Federal, em 2011, que usou R$ 240 mil para comprar o imóvel, que seriam provenientes de um “rendimento não tributável no item indenizações por rescisão de contrato de trabalho, PDV,  acidente de trabalho ou FGTS”.
No depoimento, ela afirmou que esse valor se referia a uma indenização recebida do PT, após um acordo por danos morais, firmado entre ela e o partido, de forma extrajudicial, ou seja, sem um processo na Justiça.
Os procuradores também sustentam que entre 2008 e 2014, a mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima recebeu cerca de R$ 323 mil, em depósitos fracionados. Esses depósitos foram feitos em partes, acima de R$ 10 mil, sendo que em alguns casos, as quantias foram depositadas em caixas eletrônicos. Imagens obtidas pelos investigadores apontam a suspeita de que foi Marice quem depositou esses valores para Giselda, irmã dela.
Em outro vídeo obtido pelos investigadores, de março de 2015, Marice aparece em uma agência bancária, efetuando um depósito. “Assim, tudo indica que Giselda recebe uma espécie de “mesada” de fonte ilícita paga pela investigada Marice feitos até março de 2015”, dizem os procuradores. Em depoimento à Polícia Federal, Marice afirmou não ter feito nenhum depósito para Giselda em 2015.
“Nesse contexto, a prisão preventiva de Marice é imprescindível para a garantia da ordem pública e econômica, pois está provado que há risco concreto de reiteração delitiva”, defende o MPF, que ainda pede a apuração da viagem dela ao Panamá, "pois levanta suspeitas da manutenção de depósitos ocultos no exterior, como por diversas vezes se verificou com outros investigados nesta operação".
Prática criminosa
O juiz Sérgio Moro avaliou como perturbadora a “extensão temporal aparente da prática criminosa” por parte de Marice Corrêa de Lima. No mesmo despacho em que determinou a prorrogação da prisão temporária, o magistrado menciona que há registros de envolvimento de Marice no escândalo do Mensalão.
O juiz afirma também que há provas de envolvimento da cunhada de Vaccari em irregularidades descobertas na Petrobras em 2009/2010, em 2012 e em 2013. Além disso, cita uma série de depósitos realizados por Marice entre 19/09/2008 a 06/03/2015 igualmente sob suspeita.
“(...) O que mais perturba o Juízo não é o fato da investigada ter faltado com a verdade tão flagrantemente em seu depoimento quanto a sua responsabilidade pelos depósitos. O que de fato é perturbador é a constatação da extensão temporal aparente da prática criminosa”, diz Moro.
Ele ainda afirmou ser mais perturbador o fato de, segundo ele, a prática criminosa não ter se encerrado com a prisão cautelar do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e nem mesmo com o mandado de condução coercitiva contra Marice expedido em novembro de 2014.
Defesa
No depoimento que Marice prestou à Polícia Federal, nesta sexta-feira, a cunhada de Vaccari negou as suspeitas do Ministério Público Federal, segundo o advogado Cláudio Pimentel.
Em relação ao negócio do apartamento, Marice explicou apenas que foi informada pela OAS de que receberia o valor em conta corrente, como um reembolso pelo imóvel, que ela havia devolvido à construtora. Disse ainda que desse montante, usou R$ 300 mil para emprestar à sobrinha, filha de Vaccari e Giselda.
Ainda no depoimento, Marice negou conhecer o doleiro Alberto Youssef e José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da OAS, acusado de distribuir dinheiro de propina vindo da construtora. Conforme os procuradores, o doleiro disse que pagou a ela propina para Vaccari, em duas oportunidades.