Vídeo mostra imagens de decolagem de helicóptero antes de queda em SP


Segundo especialistas, algo estranho aconteceu logo que o helicóptero levantou voo. Cinco pessoas morreram na queda ocorrida no mês passado.

Um vídeo inédito e exclusivo pode mudar o que se sabe sobre o desastre que matou Thomaz Alckmin, o filho do governador de São Paulo, mês passado. Os repórteres do Fantástico tiveram acesso às últimas imagens do helicóptero e das cinco pessoas que morreram na queda. Segundo especialistas, algo estranho aconteceu logo que o helicóptero levantou voo.
Dentro do helicóptero mostrado no vídeo acima, estão cinco pessoas. Uma delas é Thomaz, 31 anos, filho mais novo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A aeronave começa a taxiar, andar pelo pátio. Logo após, ela dá um pequeno tranco, e se desloca por mais alguns metros. Depois, decola de forma brusca, e vira imediatamente para o lado esquerdo. (clique aqui e assista ao vídeo)
“Você vê que foi uma decolagem meio esquisita. Ele quase perdeu aparentemente o controle do helicóptero”, analisa Roberto Peterka, investigador de acidentes aéreos.

Minutos depois, acontece o desastre.

As últimas imagens das vítimas foram gravadas pelas câmeras do Helipark, um centro de manutenção em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

Fazia 51 dias que a aeronave estava em uma oficina, para uma inspeção que é realizada de dois em dois anos. Um dos reparos ocorreu nas cinco pás do rotor principal. Elas foram retiradas e passaram por manutenção na Helibras, que representa o fabricante do modelo no Brasil. Depois, no Helipark, as pás foram recolocadas.

Dia 2 de abril, quinta-feira, 16h. As imagens obtidas com exclusividade pelo Fantástico registram o que aconteceu a partir desse horário. Com as cinco pás já instaladas, os funcionários fazem os últimos testes. Por uma câmera, parece que as pás estão um pouco inclinadas, até girando meio tortas. É que a imagem fica distorcida por causa do ângulo e do tipo de lente da câmera.

Quem faz os reparos no helicóptero são os mecânicos Erick Martinho e Paulo Henrique de Moraes, e também o auxiliar de manutenção Leandro de Souza Santos.

O piloto, Carlos Haroldo Esquerdo, acompanha tudo. Com trinta anos de experiência, ele comandava esse modelo havia quatro anos.

O Fantástico mostrou as imagens para três especialistas do Brasil. Um é professor de engenharia aeronáutica da USP. O segundo já investigou mais de 1.300 acidentes aéreos, e fez parte do Cenipa, o órgão responsável pelas investigações dos desastres. O terceiro é engenheiro mecânico e piloto de helicópteros, inclusive de modelos iguais ao que caiu.

“Eles estão agora concentrando os esforços no rotor de cauda. Para medir vibração e também consegue ver o posicionamento das pás”, afirma Fernando Catalano, professor de engenharia aeronáutica da USP, ao analisar as imagens.

O Fantástico também mostrou as imagens para Razvan Rusovici, professor de engenharia aeroespacial da Universidade da Flórida, Estados Unidos. Analisando a movimentação, ele diz que os mecânicos podem ter encontrado algum problema no rotor de cauda.

O especialista explica que, em 2013, a agência americana de aviação publicou um alerta obrigando os donos de helicópteros desse modelo a fazer uma inspeção imediata no rotor de cauda. Segundo o ele, foram encontradas rachaduras em aeronaves que tinham se acidentado.
 
Nas imagens do centro de manutenção, às 16h36 do dia 2 de abril, aparece Thomaz Alckmin. O filho do governador de São Paulo era piloto profissional de helicópteros. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, Thomaz tinha habilitação para pilotar os dois modelos. São menores e menos potentes que a aeronave que passava por manutenção.

Faltando cerca de 8 minutos para a decolagem, o piloto Carlos Haroldo Esquerdo entra no helicóptero, de fabricação francesa para 10 pessoas. No vídeo acima, dá para ver que Thomaz Alckmin se posiciona na parte da frente, no lugar do copiloto.

“Ele entrou na frente. Ele estaria ali ocupando uma posição de tripulante”, diz Roberto Peterka, investigador de acidentes aéreos.

“Todos os equipamentos que têm do lado do comandante do lado direito, ele também possui do lado esquerdo. Os comandos são iguais dos dois lados. Pode-se decolar de qualquer lado”, explica Maurício Kessar, piloto de helicóptero.

Na sequência, entram na parte de trás os dois mecânicos e o auxiliar de manutenção. A Anac determina que nenhuma pessoa pode transportar qualquer pessoa - exceto tripulantes - em uma aeronave que tenha sofrido manutenção. “Existe um pequeno risco e por que que vai correr o risco de ferir alguém que não é necessário a bordo?”, argumenta Robert Peterka.

Os mecânicos são considerados tripulantes, por isso podem estar no helicóptero. Mas existe também uma ressalva na própria regra da Anac. Ela diz que a aeronave pode levar passageiros desde que antes de voar, as inspeções e testes de solo concluírem que as manutenções não alteraram substancialmente as características de voo, nem afetaram a operação.
Ainda não se sabe quais manutenções e inspeções foram feitas. Isto está sendo investigado pela comissão que estuda o acidente.
Pelas imagens, não é possível saber com certeza se foram feitos todos os testes do rotor de cauda e do rotor principal. E ainda existem outros procedimentos, igualmente obrigatórios.

Fernando Catalano, professor de engenharia aeronáutica: Na verdade, são 4 fases: no solo, pairado próximo ao solo, pairado a uma certa altitude.
Fantástico: De quanto é essa altitude?
Fernando Catalano: De 100 metros ou até menos que isso. E depois para o voo horizontal.
Fantástico: Voo pairado, o que que é?
Fernando Catalano: É um voo sem velocidade horizontal. Ele tá pairado no ar.

O Fantástico apurou que, depois de todos terem embarcado, o piloto Carlos Haroldo Esquerdo pediu autorização a um funcionário da Helipark para levar o helicóptero até o heliponto da empresa. As checagens de voo pairado são realizadas em um lugar onde também acontecem os pousos e decolagens.

Às 17h03, o helicóptero com as 5 pessoas a bordo começa a se movimentar em direção ao heliponto, conforme monstram as imagens do vídeo acima. Tudo indicava que era só para fazer os testes. Mas, de repente...

Maurício Kessar, piloto de helicóptero: Opa. É uma decolagem estranha.
Fantástico: Por quê?
Maurício Kessar: Eu acho que ele deveria ter taxiado o helicóptero ou um pouco mais devagar.
Roberto Peterka, investigador de acidentes aéreos: É de se estranhar que essa manobra tenha sido feita por um piloto experiente. O razoável era que ele pousasse no heliponto e fizesse o voo pairado para depois prosseguir.

Para o professor dos Estados Unidos, um piloto com experiência dificilmente decolaria assim, já que foi de forma brusca.
 
Mas para quem investiga acidentes aéreos, a decolagem estranha também pode ter acontecido devido a uma ressonância de solo, que é uma vibração muito forte, fora do normal. É o que ocorre em outro vídeo mostrado na reportagem. A ressonância pode ser causada por problemas nos amortecedores do rotor ou até um pneu murcho.

“O piloto tem que tirar o helicóptero daquela situação imediatamente, porque a ressonância volta para o helicóptero e destrói o helicóptero antes de ele decolar. Ele poderia ter voltado e pousado no heliponto”, explica Roberto Peterka.

E o que teria acontecido depois, com o helicóptero voando? No dia 3 de maio, o Fantástico revelou que pelos menos uma das pás se quebrou em pleno voo.

Como uma máquina de cinco toneladas extremamente segura tem uma pá quebrada no ar? Houve falha mecânica? Erro humano? Ainda não há respostas oficiais para estas perguntas. Mas a Aeronáutica informou que o helicóptero voou de quatro a cinco minutos antes de cair. E revelou também que um mês da queda, uma peça da aeronave - considerada importante para a investigação - foi encontrada.

Trata-se da quinta pá do helicóptero, que foi achada no topo de uma árvore, no dia 10 passado. “Pode ter aberto em voo. Por algum problema da composição dela, alguma falha que possa ter acontecido durante a manutenção dela”, diz o investigador Roberto Peterka.
 
A Helibrás - responsável pelos reparos nas pás - informou que só vai se manifestar depois que a investigação for concluída.

O Helipark - o centro de manutenção de onde o helicóptero decolou - disse que não identificou nenhuma falha em seu procedimento e que não poupará esforços para colaborar com as autoridades até o encerramento das investigações. Os donos da aeronave não quiseram se manifestar. Por enquanto, a causa do acidente ainda é um mistério.

“Toda peça é importante. A investigação é um quebra cabeça que você tem que ir montando”, afirma Roberto Peterka.

Esfaqueado em ônibus no Rio diz que motorista riu de ameaça de processo


Compositor Josué Naval sofreu tentativa de assalto neste domingo (24).
'Falei que ia processar a empresa e ele ainda ficou rindo de mim', revela.

Gabriel BarreiraDo G1 Rio
Homem foi preso em flagrante com porte de faca (Foto: Gabriel Barreira/ G1)Homem foi preso em flagrante com porte de faca (Foto: Gabriel Barreira/ G1)
O compositor Josué Clementino da Silva, esfaqueado durante tentativa de assalto na linha 378 (Marechal Hermes-Castelo) neste domingo (24), no Centro do Rio, disse que vai processar a empresa Vila Real, do Consórcio Internorte, responsável pelo coletivo. Ex-fuzileiro, "Josué Naval", como é conhecido, entrou em luta corporal com o suspeito de 34 anos, que foi preso em flagrante. O criminoso foi colocado para fora do ônibus pela vítima durante a briga, mas o motorista não teria o ajudado.
Em nota, a Viação Vila Real informou que se "dispõe inteiramente a colaborar com a Polícia Civil" e se comprometeu a fornecer as imagens do circuito interno do ônibus, além das informações do GPS. A empresa disse também que vai apurar a denúncia sobre a conduta do motorista.
Wanderson Barbosa foi detido e levado à 5ª DP (Mem de Sá) (Foto: Gabriel Barreira/ G1)Wanderson Barbosa foi detido e levado à 5ª DP
(Mem de Sá) (Foto: Gabriel Barreira/ G1)
"Tomei um susto. Sou hipertenso e diabético. Vou processar a empresa porque acho que o motorista foi conivente. Joguei ele [o suspeito] para fora do ônibus, mas o motorista não arrancou. Pedi para o motorista fechar a porta, mas o cara voltou e me esfaqueou. Depois disso, falei para o motorista que ia processar a empresa e ele ainda ficou rindo de mim", desabafou Naval. Ele reclamou também que o condutor sequer se ofereceu para levá-lo ao hospital. Com cortes no braço, ele foi amparado por uma viatura da PM.
Por ironia, o compositor ia para o Centro da cidade se reunir com artistas para a gravação de uma canção pela paz entre as torcidas. Levado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, o compositor foi conduzido à delegacia após receber alta e reconheceu o suspeito. Wanderson Barbosa Ferreira foi preso em flagrante, em posse da arma branca.
Faca utilizada em tentativa de assalto tinha aproximadamente 30cm (Foto: Gabriel Barreira/G1)Faca utilizada em tentativa de assalto tinha aproximadamente 30cm (Foto: Gabriel Barreira/G1)
Oitava facada em sete dias
Após o caso de Josué Clementino, já são oito pessoas esfaqueadas no Rio, desde o domingo (17) anterior. Na tarde de sexta-feira (22), uma chilena levou uma facada no pescoço na Praça Paris, na Glória durante uma tentativa de assalto. À noite, um homem, de 36 anos, foi atacado a facadas na Barra da Tijuca, Zona Oeste. Ele tentou proteger uma jovem, de 21 anos, que estava sendo assaltada em um ponto de ônibus foi ferido. Dois adolescentes suspeitos do crime foram apreendidos.
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Já na madrugada de sábado (23), um homem foi atacado em São Cristóvão, na Zona Norte, também durante um assalto. Alexandre de Lima Ribeiro, de 23 anos, foi esfaqueado na Rua da Igrejinha, que dá acesso à Avenida Brasil. Ele foi atingido no peito por um rapaz que fugiu.

Na madrugada de sexta, no Centro, ofuncionário de uma lanchonete foi rendidopor um casal e ameaçado com uma faca. Os assaltantes levaram a carteira, o telefone celular e dinheiro. Rodrigo Feliciano Raimundo, de 28 anos, foi preso.  Ele é um dos atiradores que mataram o cinegrafista da Band Gelson Domingos, em 2011.
Na quarta (20), Lorena Tristão, de 31 anos, foi ferida com golpes de canivete nas pernas após assalto em São Conrado. Na noite de terça (19), o médico Jaime Gold, de 56 anos, foi ferido na Lagoa e morreu - na quinta (21) um menor de 16 anos suspeito do crime foi apreendido. No domingo (17), a vietnamita Tran Vu Ha, de 39 anos, foi esfaqueada no Centro do Rio.

Andressa Urach faz festa para o filho: 'Primeiro ano como mãe de verdade'


Modelo comemorou aniversário de Arthur, que completou 10 anos, com uma festa para alguns amigos e decoração do Batman.

Marília Nevesdo EGO, em São Paulo
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)

Andressa Urach comemorou o aniversário de 10 anos do filho Arthur na tarde deste domingo, 24. A vice-miss bumbum recebeu cerca de 60 convidados em uma festinha com decoração do Batman no salão de festas de seu apartamento em São Paulo.
Ao EGO, Andressa afirmou que suas mudanças nos últimos meses também interferiram em seu lado materno. "Estou aprendendo muito como mãe. Antes, eu trabalhava e não dava a atenção que deveria. Achava que o dinheiro supria toda a felicidade. Esse é o primeiro ano que vamos comemorar de verdade, primeiro ano que sou mãe de verdade", afirmou Andressa.



Ela ainda comentou que o filho não pediu nenhum presente especial. "Ele é super humilde . Eu que dei um videogame, uma bicicleta e um patins", enumerou. Andressa contou também que jajá está de volta às telinhas. Contratada da Record, ela já iniciou as gravações para um quadro do "Domingo Show" sobre histórias de superação.
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)
Aniversário de filho de Andressa Urach (Foto: Divulgação)

Após pouso forçado, Luciano Huck e Angélica chegam a São Paulo


Casal, filhos e babás estavam em avião que desceu em fazenda no MS.
Hospital em Campo Grande informou que todos estão bem.

Do G1 São Paulo
Angélica e Luciano Huck desceram de avião e foram de ambulância até o Albert Einstein (Foto: Reprodução/TV Globo)Angélica e Huck desceram de avião e foram de ambulância até hospital (Foto: Reprodução/TV Globo)
Os apresentadores Angélica e Luciano Huck chegaram a São Paulo na noite deste domingo (24). Dois aviões vindos de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, pousaram no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital paulista. De lá, irão de ambulância para o Hospital Albert Einstein, no bairro do Morumbi.
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O casal, três filhos e duas babás estavam noavião que fez pouso forçado em uma fazenda a cerca de 30 km de Campo Grande na manhã deste domingo. O piloto Osmar Frattini, de 52 anos, afirmou ao G1 que a aeronave sofreu uma falha na bomba de combustível.
A Santa Casa da cidade informou em nota divulgada por volta das 15h deste domingo quenão foi "diagnosticado nada grave" em nenhum dos pacientes atendidos após o incidente. No começo da tarde, a diretora técnica do hospital, Priscila Alexandrino, disse que havia a suspeita de que Angélica tivesse sofrido fratura na bacia e Luciano Huck, em uma vértebra.
Ambulâncias seguem para o Hospital Albert Einstein (Foto: Reprodução/TV Globo)Ambulâncias seguem para o Hospital Albert Einstein (Foto: Reprodução/TV Globo)
Mais tarde, em nota, o hospital divulgou que a família passou por "exames de raio-x, tomografia e demais procedimentos" e todos passam bem. A pedido dos familiares, ainda segundo a nota, não serão divulgadas novas informações sobre o quadro clínico dos pacientes. (assista ao vídeo acima)

Segundo a diretora da Santa Casa, os resultados dos exames eram aguardados para definir a transferência para São Paulo.

A morte selvagem do jornalista Evany José Metzker


A vida de Evany José Metzker, torturado e decapitado enquanto investigava traficantes e pedófilos na região mais pobre de Minas Gerais

FLÁVIA TAVARES| DE PADRE PARAÍSO, MINAS GERAIS
22/05/2015 - 23h49 - Atualizado 22/05/2015 23h57
Carteira de identidade do jornalista Evany José Metzker (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)
Na manhã do dia 13, uma quarta-feira, o jornalista Evany José Metzker, também conhecido como Coruja, levantou-se, tomou  café com um pedaço de bolo, que não dispensava, e avisou Cristiane, a filha da dona da pousada Elis, que precisava ir a uma cidade próxima. Metzker havia se comprometido a dar uma palestra naquela tarde no colégio da garota. Prometeu dar notícias se não conseguisse voltar a tempo. A viagem de Padre Paraíso a Teófilo Otoni, a 100 quilômetros dali, tomou-lhe quase o dia todo. A palestra que ele daria, sobre exploração do trabalho infantil, ficaria para a próxima semana. Metzker retornou à pousada, se desculpou com a pupila, saiu para jantar com o amigo Valseque e, no fim do Jornal Nacional, voltou ao hotelzinho de beira de estrada. Pediu que sua conta de três meses fosse encerrada. Disse que iria a Brasília no dia seguinte e, na volta, pagaria os R$ 2.700 que devia. Saiu novamente, deixando o ventilador e a luz do quarto ligados. “Eu vou ali e volto”, avisou. Metzker não voltou.

Na segunda-feira passada, dia 18, a Polícia Militar de Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, recebeu um telefonema. Moradores da roça haviam visto o que parecia ser um corpo na margem de uma estrada de chão batido, a 20 quilômetros do centro. Uma viatura foi ao local. Dois policiais encontraram um corpo sem a cabeça, que fora decepada já quase na altura dos ombros. As mãos da vítima estavam amarradas sobre a barriga, numa corda alaranjada – a direita sobre a esquerda. O homem estava seminu. Vestia apenas jaqueta, camiseta e meias pretas. Mais adiante, avistavam-se um pé do sapato social e uma calça preta. A armação dos óculos e uma lente estavam em outro ponto. O cadáver se decompunha rapidamente. Estava muito inchado – sobretudo os testículos. O perito apontou, mais tarde, que havia indícios de sangramento anal e hematomas na genitália. O crânio foi encontrado a 100 metros do corpo. Possivelmente fora arrastado por cachorros, que devoraram a pele e os olhos do homem. O maxilar estava quebrado, descolado da cabeça. A cena de horror não continha uma gota de sangue. O corpo fora arrastado até ali e o rastro ainda estava lá. O autor da monstruosidade não se preocupou em ocultar o crime ou a identidade de sua vítima. Deixou o cadáver na lateral da pista, a poucos metros de um barranco profundo. A seu redor, os documentos espalhados: um título de eleitor, um RG, um CPF, três folhas de cheque, dois cartões da Caixa Econômica e uma carteira funcional do jornal Atuação. Todos em nome de Evany José Metzker, de 67 anos. A camiseta preta ainda trazia do lado direito do peito uma coruja amarela, marca do blog de Metzker, Coruja do Vale. Nas costas, em letras maiúsculas, estava escrito: IMPRENSA.

Metzker tinha profundo orgulho de ostentar o título de repórter. Dizia para o colega Valseque Bomfim, também blogueiro de Padre Paraíso: “Nós somos jornalistas. Investigativos. Temos de investigar”. Valseque resistia em firmar com Metzker uma parceria entre os blogs, como propunha o forasteiro com insistência. Metzker chegara à cidade havia pouco tempo. Valseque passou, então, a frequentar o quarto dele na pousada. “O Metzker não me contava sobre as apurações que estava fazendo. Só falava que queria ajuda, que queria trabalhar junto”, conta Valseque.  Metzker havia montado uma pequena redação em seu quarto. Pediu a Elizete, dona do hotel, um roteador exclusivo, para ter acesso estável à internet. Dispôs três mesas no pequeno cômodo, onde instalou uma impressora, seu notebook e por onde espalhava muitos papéis. Fumava incessantemente seus Hiltons e Hollywoods. O cheiro de tabaco impregnou paredes, colchão e travesseiro, talvez de forma irreversível. Elizete teme nunca mais conseguir alugar o quarto. “Eu chamava ele de Paulo Coelho”, diz Elizete. “Ele tinha cavanhaque, era caladão. Só escrevia, trabalhava e fumava. Nunca chegava depois das 10 da noite e jamais trouxe mulher para cá.” Nos poucos momentos em que se descontraía, Metzker dava conselhos às filhas de Elizete. Inclusive a Cristiane, que queria ser jornalista e para quem ele fez uma carteirinha de repórter aprendiz. Repetia que elas precisavam estudar e levar uma vida regrada, como a dele. Metzker não falava muito do passado, nem com a própria mulher, Ilma. Mas contou às meninas que fora desenhista da polícia. Fazia retratos falados. De fato, desenhava muito bem. Também dizia que fora militar, sem entrar em detalhes. Só vestia roupas sociais e gostava de tingir o cavanhaque, que alternava com um espesso bigode.
 
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Metzker iniciou a carreira de repórter em 2004 e tinha orgulho
de se apresentar como jornalista
A profissão de jornalista foi construída a partir de 2004. No ano anterior, Metzker conhecera Ilma. Ele era de Belo Horizonte, mas trabalhava em Montes Claros, dando suporte de informática em um hospital. Ilma estava ali acompanhando o primeiro marido, que tinha câncer. Meses depois da morte do marido, Ilma retomou contato com Metzker. Numa tarde de dezembro de 2003, Metzker foi visitá-la em Medina, uma cidade pequena e charmosa do interior de Minas. Ficou. Lá, montou o jornal Atuação, que imprimia numa gráfica de Montes Claros. Fazia denúncias sobre a administração da cidade, sobre ruas esburacadas e sobre a falta de atendimento nos postos de saúde. Queria mais. Dez anos depois de dar início a sua carreira de repórter, sentia que não era reconhecido por seu trabalho. Em 2014, então, passou a viajar pela região, buscando notícias mais quentes. Mantinha bom relacionamento com policiais, militares e civis, de todas as cidades por onde passava. Seu blog, que lhe rendeu o apelido de Coruja, noticiava muitas ocorrências policiais. Percorreu quase todo o nordeste de Minas, passando por Almenara, Divisa Alegre, Itinga, Araçuaí, Itaobim… Hospedava-se em uma dessas cidadezinhas e, nos finais de semana, voltava a Medina, para ficar com Ilma e com os três filhos dela, que criou como seus. Quando os pequenos anúncios no blog escasseavam, fazia bico bolando logotipos para empresinhas das cidades. Vivia com pouco. Queria construir uma reputação, ser referência. “Aos poucos, as pessoas começaram a procurar ele para contar o descaso das autoridades”, diz Ilma, que nunca viu um diploma de jornalista do companheiro. Metzker lhe garantia que havia estudado. “Ele era muito responsável, só publicava se tivesse certeza, documento.”

Seguindo sua turnê investigativa, no dia 13 de fevereiro deste ano Metzker encontrou morada em Padre Paraíso. Na entrada da cidade, um letreiro enuncia que este é o “Portal do Vale do Jequitinhonha”. É a chegada à região com os piores índices de desenvolvimento de Minas Gerais – a área representa menos de 2% do PIB do Estado. Não há político em campanha que não prometa uma salvação para o infame “vale da miséria”. Padre Paraíso se espalha por dois morros, rasgada ao meio pela BR-116, a estrada que liga o Ceará ao Rio Grande do Sul. São quase 5.000 quilômetros, trafegados pesadamente por caminhões. Padre Paraíso, com seus pouco menos de 20 mil habitantes, é aquele tipo de cidade que nasceu em torno de um posto de gasolina. Casebres ladeados de borracharias e botecos margeiam a estrada. Há um pequeno centro comercial, movimentado e bem popular. A tradicional igreja na pracinha está oprimida pelas dezenas de templos evangélicos que a cercam. A casa mais bonita da cidade é a da prefeita Dulcineia Duarte, do PT. Cabeleireira, ela assumiu a candidatura do marido, Saulo Pinto, impugnada pela Justiça Eleitoral.
 
Ilma Chaves Silva Borges, viúva do jornalista Evany José Metzker (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)
É uma cidade de passagem. Caminhoneiros estacionam nos postos para descansar, beber, farrear. Numa rua paralela à rodovia, um pequeno bar de madeira abriga as negociações entre os motoristas e os aliciadores de menores para prostituição. “Este é um dos problemas mais graves que temos aqui”, diz o tenente Sandro da Costa, da Polícia Militar. “Já flagramos uma criança de 10 anos fazendo sexo oral em um mendigo por R$ 5.” Não há descrição mais bem acabada da miséria. “Muitos pais vendem os filhos para a prostituição, é a fonte de renda da família”, completa o tenente. À noite, algumas garotas se exibem na margem da BR-116, e, numa nova modalidade de crime, quando o caminhoneiro desce para negociar o programa, garotos o abordam, assaltam e agridem. Metzker se interessava pelo assunto. Começou a investigar a rede de prostituição infantil nas cidades da região. Seria o tema de sua palestra na escola da aprendiz de repórter. Não se sabe quanto ele avançou na apuração.

Padre Paraíso tem um pequeno destacamento da Polícia Militar, com 13 homens e duas viaturas. Uma está com os pneus carecas; a outra, sem freio. A caminhonete, que alcançava as áreas rurais mais longínquas, ficou destruída num acidente em 2013. Não foi reposta. A propósito, o acidente aconteceu porque o soldado que a dirigia adormeceu. Como a delegacia de Padre Paraíso fecha às 18 horas e nos finais de semana, qualquer ocorrência nos intervalos tem de ser registrada em Pedra Azul, a mais de 150 quilômetros dali. Os PMs levam o criminoso na viatura, frequentemente sentado ao lado da vítima, que vai depor. Dirigem por horas, prestam esclarecimentos e voltam sonolentos pela BR. É em Pedra Azul também que a delegada de Padre Paraíso, Fabrícia Nunes Noronha, dá seus plantões semanais – ela manteve a rotina mesmo depois de o corpo de Metzker ter sido encontrado. Padre Paraíso não tem comarca, juiz. A lei está longe.

Com tão pouca vigilância, o crime prospera. Em 2014, foram seis vítimas de assassinato. Neste ano, já foram cinco. Dois dos crimes mais recentes são bárbaros, como o que matou Metzker. Um deles foi uma chacina, que vitimou três idosos e uma criança de 7 anos. No outro, um casal de caseiros foi morto a marteladas. “O ranço de violência da cidade vem dos tempos dos garimpos”, diz o tenente Costa. “A cultura é de resolver tudo na bala, na morte.” O tráfico de drogas foi substituindo, aos poucos, o lucro com as pedras águas-marinhas que rendiam fortunas. O crack se espalhou. Metzker tentava mapear as estradas vicinais, de terra, que serviam de rota de fuga de traficantes – e seu corpo foi encontrado justamente numa delas. Ele passou a se interessar também por outros dois esquemas criminosos na área: a compra e venda de motos roubadas, que são depois usadas como mototáxi, e o aterro de terrenos protegidos pelas leis ambientais. Se já estão livres das investigações policiais, os bandidos certamente não querem um jornalista fuçando em seus negócios. Fazer jornalismo em regiões como o Vale do Jequitinhonha é mais do que profissão, do que um diploma que autorize alguém. É um ato de coragem, de enfrentamento da falta de estrutura mínima de segurança, da miséria humana explorada por criminosos.

Não está claro se Metzker estava no faro de algo certeiro. Em seu blog, ele publicou apenas histórias menos ameaçadoras, como a do uso de carros públicos para fins particulares ou a de um garoto que tinha sérios problemas bucais e estava sem atendimento. Elizete, a dona da pousada, provocava Metzker: “Tô achando o senhor muito fraquinho. Essas historinhas aí não estão com nada”. O jornalista replicava, pacientemente. “Calma, menina. Muita coisa ainda vai mudar nesta cidade.” A polícia recolheu o notebook e as anotações de Metzker para tentar identificar alguma pista. A delegada Fabrícia, primeira a comandar a investigação, insiste que há a possibilidade de um crime passional. Ilma, a mulher de Metzker, nega com firmeza. “Ele me dava notícia de cada passo que dava. A gente trocava recado sem parar. Ele nunca tinha ido a Brasília antes, a história não fecha.” Na noite em que desapareceu, Metzker enviou a última mensagem pelo WhatsApp para a mulher, dizendo que ia jantar e que eles se falariam mais tarde. “Nunca vou esquecer o que aparece no celular: ‘Metzker, visto pela última vez às 19h03’”, Ilma chora. 

A morte brutal de Metzker não mobilizou as forças policiais do Estado de Minas Gerais imediatamente. Depois que o corpo foi liberado do IML e seguiu para Medina, três investigadores de Padre Paraíso começaram lentamente as diligências. A delegada Fabrícia viajou na noite de terça-feira para seu plantão rotineiro em Pedra Azul. Um dos investigadores avisou logo que só atenderia a reportagem na quarta-feira se fosse até as 16h30, quando ele iria para a faculdade. Apesar da barbárie, o silêncio foi absoluto. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, não disse palavra sobre o caso. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também não. Nem mesmo o secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, Pepe Vargas, pronunciou-se. Todas essas autoridades, mesmo provocadas por ÉPOCA, permaneceram caladas. (Na tarde da sexta-feira, Pepe finalmente falou. Disse que o caso é grave e vai acompanhá-lo.)

Após ÉPOCA noticiar em seu site a falta de empenho nas investigações, o governo de Minas se mexeu. Uma equipe de Belo Horizonte chegou a Pedro Paraíso na noite de quarta-feira: um delegado, quatro investigadores e uma escrivã. Na quinta-feira pela manhã, eles estavam no local onde o corpo foi encontrado. De lá, seguiram para a delegacia, onde pediram o material apurado até ali pelos policiais da cidade. Antes do meio-dia, o acesso ao inquérito já estava bloqueado para os investigadores locais. Não havia nenhuma pista de quem decapitou o jornalista Metzker.
 
Valseque Bomfim, blogueiro que publicava notícias policiais (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)
Emerson Morais, o delegado de Belo Horizonte que assumiu o caso, comandou as investigações, em 2013, do assassinato de Rodrigo Neto, jornalista de Ipatinga, no Vale do Aço de Minas. Rodrigo denunciava a atuação de policiais corruptos e homicidas da região. Um mês depois, o fotógrafo Walgney Carvalho também foi morto, depois de ter dito pela cidade que sabia quem havia assassinado Rodrigo. Um policial civil foi condenado pela morte de Rodrigo. Um outro rapaz, conhecido como Pitote, ainda será julgado por envolvimento nos dois crimes. O delegado Morais foi procurado pelo blogueiro Valseque, o amigo de Metzker. Valseque contou que fora ameaçado. Um amigo disse a ele que um homem havia perguntado por Valseque num bar. Quando soube que Valseque estava na cidade, comentou que “pegaram o homem errado”. Seu blog, Lente do Vale, publica o mesmo tipo de matérias que o de Coruja.

Metzker não pôde ser velado – o cheiro do corpo decomposto extravasava mesmo com a urna lacrada. Não houve flores. A filha mais velha, Sara, não teve tempo de chegar de Belo Horizonte para se despedir do pai. À meia-noite de segunda-feira, dez parentes e amigos acompanharam o corpo até o cemitério de Medina. O caixão de Metzker ainda não foi coberto com terra ou cimento. Aguarda a documentação para o sepultamento completo. O caso segue aberto, assim como a sepultura de Metzker