Grupo desviava R$ 1 milhão por mês da Receita do Paraná, afirma Gaeco

De acordo com MP, 49 pessoas foram presas nesta quarta-feira (10).

Governador disse que é o 'maior interessado' na punição dos envolvidos.

Do G1 PR
O grupo que cobrava propinas dentro da Receita Estadual do Paraná em Londrina, no norte do estado, arrecadava cerca de R$ 1 milhão por mês com o esquema, de acordo com coordenador estadual do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Leonir Batisti.

Nesta quarta-feira (10), 49 pessoas foram presas, suspeitas e acusadas de participação no esquema de corrupção dentro do órgão. Várias delas faziam parte da alta cúpula da Receita, de acordo com o Ministério Público (MP-PR).
Um deles é o ex-coordenador geral da Receita Estadual, José Aparecido Valêncio da Silva. Ele teve o nome citado durante as investigações, pediu exoneração do cargo e estava em férias. O advogado de Valêncio Neto disse que precisa se informar sobre as acusações contra o seu cliente e só após isso era comentar o caso.
Também foi preso Márcio de Albuquerque Lima, ex-inspetor geral de fiscalização da Receita Estadual, que é apontado pelo Ministério Público (MP-PR) como líder da quadrilha. Ele já tinha sido preso no dia 29 de abril após passar 40 dias foragido. Lima foi solto no dia 14 de maio, após obter um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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O advogado dele, Douglas Bonaldi Maranhão, disse que não vai comentar o assunto. O Gaeco informou ainda que outro mandado de prisão é contra Luiz Abi Antoun, que é parente do governador Beto Richa (PSDB).
Ele também já tinha sido preso por suspeita de envolvimento em um esquema de fraude em licitações de oficinas para o conserto de carros do Estado do Paraná. Atualmente Abi responde em liberdade. Até as 19h30 ele não tinha sido localizado pela polícia.
O advogado que o representa, Luiz Carlos Mendes, disse não ter conhecimento do mandado de prisão e não informou onde estaria seu cliente.
Richa diz ser 'o maior interessado'
Beto Richa afirmou que "é o maior interessado" nas investigações do esquema de propina na Receita Estadual do Paraná em Londrina, no norte do estado.
"Eu tenho vínculo com muitas pessoas, mas eu não posso ser relacionado a eventuais malfeitos de pessoas que estão sob investigação. Eu não passo a mão na cabeça de ninguém. O governo é o maior interessado para que essas investigações aconteçam, que tudo seja esclarecido", disse.
O tucano pediu punição aos envolvidos nos crimes. "Se houve prejuízo à arrecadação do Paraná, que seja também levantado, e, havendo culpados, que sejam punidos", declarou Richa.
O governo do estado também divulgou nota, na qual reforça a declaração de Richa de apoio às investigações e, além disso, caracteriza o esquema como "um comportamento edêmico, ou seja fatos que acontecem há cerca de 30 anos".
Operação Publicano
Deflagrada em 20 de março pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Publicano descobriu um esquema de sonegação de impostos e de cobrança de propina dentro da Receita Estadual de Londrina, no norte do Paraná.
As investigações começaram em junho de 2014 e revelaram, segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), que um grupo de auditores fiscais cobrava propina de empresários para não aplicarem multas. Para dar legitimidade ao esquema, os mesmos auditores e outros empresários abriam empresas em nomes de "laranjas" para emitir notas fiscais.
Ainda conforme o MP-PR, pelo menos 13 empresas participaram do esquema criminoso ou foram abordadas pelos agentes públicos responsáveis pelas solicitações de propina.
A Justiça aceitou as denúncias feitas pelo Ministério Público contra 62 pessoas acusadas no caso, sendo 15 auditores fiscais da Receita Estadual, 15 empresários, 14 pessoas consideradas pelo MP como “laranjas” no esquema, 11 contadores, três auxiliares administrativos, dois funcionários públicos, um policial civil e um administrador de empresas.
O MP-PR denunciou o grupo por corrupção passiva, formação de organização criminosa, falso testemunho, falsidade ideológica e outros fatos criminosos.

MC Vertinho é preso acusado de estuprar menina de 12 anos


O caso ocorreu durante um show de MC Vertinho, no Recife Foto: Reprodução/Facebook
Júlia Zaremba

O cantor Everton da Silva Lima, de 22 anos, conhecido como MC Vertinho, foi preso na última terça-feira acusado de estuprar uma menina de 12 anos durante um show realizado em 2012, em Recife, Pernambuco. De acordo com a Polícia Civil, o acusado derramou whisky nos seios da garota e, em seguida, simulou uma relação sexual com a menina, o que, pela legislação, já é considerado estupro.
O pai da menina registrou ocorrência na Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) de Pernambuco
O pai da menina registrou ocorrência na Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) de Pernambuco Foto: Reprodução/Facebook
Toda a cena foi registrada em vídeo e divulgada nas redes sociais na época. Quando soube do caso, o pai da jovem registrou ocorrência na Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) de Pernambuco.
O pedido de prisão foi expedido pelo Vara Regional da Infância e Juventude da 1ª Circunscrição. MC Vertinho foi encaminhado ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (COTEL), na Região Metropolitana de Recife, onde aguardará julgamento.
De acordo com a legislação, mesmo que o ato sexual não seja consumado, praticar ato libidinoso com menor de 14 anos é caracterizado como estupro de vulnerável, cuja pena vai de oito a quinze anos de reclusão.
Everton está agora no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (COTEL)


Em votação da reforma política, Câmara mantém voto obrigatório


Deputados alegaram que democracia no Brasil ainda não está ‘madura’.
Parlamentares ainda analisarão tempo de mandato e cota para mulher.

Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília
Câmara dos Deputados decidiu nesta quarta-feira (10), ao analisar a proposta de emenda à Constituição da reforma política, manter o voto obrigatório a todos os brasileiros com mais de 18 anos e menos de 70 anos. Por 311 votos a 124, os parlamentares rejeitaram trecho previsto no relatório do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) que instituía o voto facultativo. (assista ao vídeo)
 A maioria do plenário argumentou que a democracia brasileira ainda não está “madura” o suficiente para que os eleitores sejam liberados de votar nas eleições.
“Diante da maturidade da democracia brasileira, ainda a se consolidar, é melhor manter o sistema como está. Quem não quiser participar das eleições paga a multa irrisória, e a vida segue. É melhor manter o sistema como está, até porque a experiência de outros países que adotam o voto facultativo mostra que há prevalência do poder econômico”, disse o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ).
Já o líder do PMDB, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), se posicionou a favor do fim do voto obrigatório e argumentou que, na prática, isso já acontece em razão dos índices de abstenção e votos em branco.
“Temos estados que passam de 40% os eleitores que decidem não votar em nenhum dos candidatos: ou faltam ao pleito e depois justificam ou simplesmente vão às urnas para votar em branco ou anular o seu voto”, disse. “O voto é um direito e, por ser um direito, deve ser exercido livremente”, completou.
O fim do voto obrigatório é um dos tópicos da reforma política, que começou a ser votada em plenário no final de maio. Até o momento foram aprovadas três mudanças na legislação atual: o fim da reeleição, restrições de acesso de pequenos partidos ao fundo partidário e permissão de doações de empresas a legendas.
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Por decisão dos líderes partidários, cada ponto da proposta de emenda à Constituição, como o fim da reeleição, será votado individualmente, com necessidade de 308 votos para a aprovação de cada item. Ao final, todo o teor da proposta de reforma política será votado em segundo turno. Se aprovada, a PEC seguirá para análise doSenado.
Nas sessões desta quarta (10) e quinta (11), o plenário da Câmara também deverá decidir, entre outros itens, se alteram o mandato de presidente da República de quatro para cinco anos, se realizam eleições para todos os cargos eletivos no mesmo ano e se instituem cotas para mulheres no Congresso Nacional.
O ponto de maior polêmica é o tamanho do mandato para presidente da República, governador e prefeito. Com a aprovação do fim da reeleição, deputados do PSDB querem aprovar uma emenda que amplia o mandato de quatro para cinco anos.
No entanto, se isso ocorrer, o mandato atual de senador, que é de oito anos, terá que ser reduzido para cinco ou ampliado para dez, para que as eleições para a Casa Legislativa ocorram no mesmo ano que a eleição para presidente da República.
Os parlamentares também definirão se aprovam um artigo que prevê que todas as eleições ocorram no mesmo ano. Atualmente a eleição para presidente da República, governador e membros do Congresso Nacional ocorre ao mesmo tempo e, dois anos depois, são escolhidos prefeitos e vereadores.
Pelo texto do relator da PEC, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a partir de 2022 haverá a coincidência de eleição, Para isso, os prefeitos escolhidos em 2020 terão mandato de apenas dois anos, conforme a proposta.
Outro ponto que será debatido é a mudança na data de posse do presidente da República, que atualmente é no dia 1ª de janeiro, o que prejudica a participação de chefes de Estado estrangeiros. Pelo texto do relator, a posse passaria a ser no primeiro dia útil do mês de janeiro.
Os parlamentares terão ainda que definir se mudam a regra atual de suplência na Câmara, pela qual a vaga do deputado que se ausenta por mais de 120 dias ou que assume cargo no Executivo é ocupado pelo segundo mais votado na coligação.
O texto do relator estabelece que assumirá o suplente mais bem votado na ordem da votação nominal. Os parlamentares ainda definirão se alteram a idade mínima exigida para alguém ser candidato a senador, passando dos 35 anos previstos atualmente para 29 anos. Para governador, o texto passa de 30 anos para 29 anos.
Também serão analisadas propostas que estabelecem uma cota mínima para mulheres parlamentares no Congresso Nacional e que fixam uma regra de 500 mil assinaturas para a apresentação de projetos de lei de iniciativa popular. Atualmente é necessária a assinatura de, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído por pelo menos por cinco estados.
O que foi aprovado
O primeiro tópico aprovado pelos deputados desde o início da discussão da reforma política foi a inclusão na Constituição Federal da possibilidade de doações de empresas a partidos políticos. Pelo texto, pessoa jurídica não poderá financiar candidatos individualmente.
Doações a candidatos terão que ser feitas por pessoas físicas, que também poderão doar às legendas.
O tópico da doação de empresas foi um dos que mais geraram discussões entre os deputados. Isso porque no início da madrugada da última quarta-feira (27), o plenário havia rejeitado emenda de autoria do PMDB que previa doação de pessoas jurídicas tanto a partidos quanto a campanhas de candidatos.
O partido, então, se empenhou para aprovar, pelo menos, a garantia de doação de empresas aos partidos políticos. Contrário à proposta, o PT questionou a continuidade das votações sobre financiamento de campanha, alegando que a derrubada da primeira emenda impedida a continuidade da discussão sobre o tema.
No entanto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu manter a análise de outros modelos de financiamento, alegando que, pelo regimento, essas votações eram necessárias, já que o teor das propostas não era idêntico.
Reeleição
O fim da reeleição foi aprovado em plenário logo depois da votação sobre financiamento. A proposta foi defendida pelos líderes de todos os partidos da Câmara.
A regra só não vai valer para prefeitos eleitos em 2012 e governadores eleitos em 2014, que terão direito a uma última tentativa de recondução no cargo. O objetivo dessa medida foi garantir o apoio de partidos com integrantes atualmente no poder.
Cláusula de barreira
No dia 28 de maio, os deputados aprovaram instituir uma cláusula de barreira para limitar o acesso de partidos pequenos a recursos do fundo partidário e ao horário gratuito em cadeia nacional de rádio e televisão.
Pelo texto, terão direito a verba pública e tempo de propaganda os partidos que tenham concorrido, com candidatos próprios, à Câmara  e eleito pelo menos um representante para qualquer das duas Casas do Congresso Nacional.
A intenção ao instituir uma cláusula de barreira ou desempenho é evitar a proliferação de partidos que só tenham interesse em receber os recursos do fundo partidário ou negociar alianças em troca de tempo a mais de televisão. O fundo partidário é formado por dinheiro de multas a partidos políticos, doações privadas feitas por depósito bancário diretamente à conta do fundo e verbas previstas no Orçamento anual.
Pela legislação atual, 5% do montante total são entregues, em partes iguais, a todos os partidos com estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os outros 95% são distribuídos às siglas na proporção dos votos obtidos na última eleição para a Câmara.
Quanto à propaganda política na TV e no rádio, a legislação prevê a distribuição igualitária de um terço do total de tempo disponível a todos os partidos que tenham candidato próprio a cargo eletivo. O restante é repartido de forma proporcional ao número de representantes na Câmara dos Deputados filiados ao partido. No caso de haver coligação, é considerado o resultado da soma do número de representantes de todas as legendas que a integram.

'Ressuscitei no terceiro dia', diz trans crucificada na parada gay


Três dias após parada gay, Viviany Beloboni gravou vídeo e divulgou no Instagram. 'Vocês que falaram mal de mim terão minha resposta', ameaçou.

Bárbara Vieirado EGO, em São Paulo
Viviany Beleboni  (Foto: Isac Luz / Ego)Viviany Beleboni (Foto: Isac Luz / Ego)

Viviany Beloboni causou polêmica nas redes sociais depois de aparecer em um trio elétrico da 19ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) no domingo, 7.Presa de braços abertos em um cruz, a transexual foi alvo de críticas por ter se comparado a Jesus Cristo crucificado. Após a repercussão negativa, ela desabafou no Facebook, mas logo depois cancelou sua conta na rede social. Agora, três dias depois, Viviany ressurgiu no Instagram e mandou um recado: "Olá pessoal, tudo bem? Só para falar sobre essas fotos que estão dizendo (circulando) aí, eu não estou morta, estou bem viva. E agora ressuscitei mesmo no terceiro dia. Muita paz para vocês", diz ela.
Na legenda da publicação, Viviany ainda agradeceu as críticas e ameaçou. "Obrigada pelas críticas... Me fizeram ficar mais forte... Logo vocês que falaram mal de mim e distorceram minhas fotos e arte terão minha resposta", prometeu ela. O que será que vem por aí?
Viviany Beleboni 'crucificada' na Parada Gay (Foto: REUTERS/Joao Castellano )Viviany Beleboni 'crucificada' na Parada Gay (Foto: REUTERS/Joao Castellano )
Desabafo de Viviany no Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)Desabafo de Viviany no Facebook,q ue depois ela excluiu (Foto: Reprodução/Facebook)

Deputados evangélicos e católicos fazem ato contra parada gay


Aos gritos de 'respeito', eles também criticaram 'marcha das vadias'.
Presidente do PPS criticou ato e defendeu respeito ao Estado laico.

Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília
Aos gritos de "respeito", deputados evangélicos e católicos fizeram nesta quarta-feira (10) uma manifestação no plenário da Câmara contra a parada gay, a "marcha das vadias" e a "marcha da maconha". Com cartazes que traziam fotos da 19ª Parada do Orgulho LGBT, realizada no domingo (7), eles subiram à tribuna e pediram que atos públicos que "ferem a família" e a liberdade religiosa sejam transformados em "crime hediondo". (assista aos vídeos)
Folheto contra a parada gay distribuído por deputados da bancada evangélica (Foto: Nathalia Passarinho/G1)Folheto contra a parada gay distribuído por
deputados da bancada evangélica (Foto:
Nathalia Passarinho/G1)
Os parlamentares religiosos criticaram, sobretudo, o fato de a atriz transexual Viviany Beleboni ter se prendido na cruz, durante a parada gay, para representar o sofrimento dos homossexuais no Brasil.
"Os ativistas do movimento LGBT cometerem crime de profanação contra símbolo religioso, ferindo a todos os cristãos ao usarem uma pessoa pregada na cruz, utilizando símbolos do cristianismo de forma escandalosa, zombando e ridicularizando o sacrifício de Jesus", diz nota de repúdio lida na tribuna pelo presidente da Frente Parlamentar Evangélica, João Campos (PSDB-GO).
A nota é assinada ainda pelo deputado Givaldo Carimbão (PROS-AL), presidente da Frente Parlamentar Mista Católica Apostólica Romana, e pelo deputado Alan Rick (PRB-AC), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família.
 "Temos que tipificar como crime hediondo essas cenas, que atingem nossas famílias", discursou o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), que também participou do ato. Coube ao presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), sair em defesa da "diversidade" e do Estado laico.
"Vivemos uma República laica. Não podemos transformar isso aqui numa igreja. Estou querendo trazer à lembrança de todos que não é para falar em nome dos 513 deputados. Respeitem a diversidade, respeitem a República laica", afirmou.

Zico condiciona candidatura na Fifa a mudanças em "regras do jogo

"

“Corrupção já começa aí”, diz Galinho sobre obrigação de ter apoio de cinco federações nacionais para poder ser candidato à presidência no lugar de Blatter

Por Rio de Janeiro

SAIBA MAIS

O que surgiu como uma ideia em um jantar com a esposa Sandra, na semana passada, em Berlim, tornou-se coisa séria. Zico está determinado a concorrer à presidência da Fifa para substituir o suíço Joseph Blatter. A candidatura, no entanto, vai depender de mudanças nas “regras do jogo”. O ex-jogador não se vê na disputa caso o atual formato seja mantido, com a necessidade do apoio de cinco federações nacionais para inscrição da chapa. (assista a vários vídeos abaixo)
- Gostaria de ratificar a decisão que tomei na Europa. Eu me sinto capacitado a concorrer à presidência da Fifa. É lógico que serão necessárias mudanças de regras no jogo. Com as que estão aí, não há a menor possibilidade, não só com a Fifa, mas também na CBF e nas federações. Da forma que está é um prenúncio para corrupção, que aflige o futebol. Não brincaria com um fato tão sério. Aqueles que conhecem minha história sabem da minha seriedade. Havendo a possibilidade, havendo as mudanças necessárias, serei candidato... Tenho 62 anos e só me lembro de dois presidentes da Fifa: João Havelange e Joseph Blatter. Só há essas duas pessoas no mundo para comandar o futebol? Isso é inadmissível – ressaltou Zico.
Coletiva Zico - Fifa (Foto: EFE)Para Zico, Fifa deveria mudar regulamento para inscrição de candidaturas à presidência (Foto: EFE)
Nas regras atuais, um candidato precisa ter trabalhado com futebol em pelo menos dois dos últimos cinco e do apoio de cinco das 209 federações filiadas à Fifa. Na tarde desta quarta-feira, Zico convocou a imprensa para ratificar sua intenção de concorrer ao lugar de Blatter. A iniciativa chamou a atenção da imprensa internacional. Japoneses, alemães, americanos, argentinos... jornalistas de várias partes do mundo acompanharam a entrevista do Galinho, na sede do CFZ, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. No local, o ex-camisa 10 garantiu ainda não ter articulado qualquer apoio de federações, salve um bate-papo informal com dirigentes do Japão, país cujo Zico tem uma forte relação: atuou pelo Kashima Antlers e treinou a seleção.
- Se não mudar, não serei candidato. Não vou gastar meu dinheiro comprando passagens para rodar o mundo e pedir voto. Não conversei com ninguém. Sou contra essa forma de ter de ser indicado por cinco federações. Acho que a corrupção já começa aí. A eleição tem que ser feita pelos seus serviços prestados ao futebol. Deveria haver novas regras. Essa deveria ser uma das primeiras mudanças. A Fifa deve reunir o conselho para saber como serão feitas as novas eleições. Agora é hora de aguardar para ver os próximos passos.


Zico ainda reconheceu que o normal seria começar por um cargo na Confederação Brasileira de Futebol - este teria sido até uma sugestão do amigo Michel Platini, presidente da Uefa. O ídolo do Flamengo, no entanto, frisou que, na atual conjuntura, é mais fácil se candidatar à presidência da Fifa do que tentar uma mudanças na CBF.
- O problema é que hoje existe uma possibilidade maior na Fifa do que na CBF. Aqui, o colégio eleitoral é pequeno, com 27 federações, e a necessidade de ser indicado por oito para concorrer à presidência. Quase todas as federações estão de acordo com o que está ai na CBF. O ideal seria começar aqui no Brasil, mas infelizmente, hoje, as regras do jogo não favorecem as pessoas do meio do futebol.
Zico - coletiva Fifa (Foto: Marcelo Baltar)Galinho afirma que proposta de candidatura não é brincadeira (Foto: Marcelo Baltar)
Reeleito para seu quinto mandato no mês passado,Joseph Blatter anunciou quatro dias depois que deixará em breve o comando da Fifa após as denúncias de corrupção - sete dirigentes, incluindo o brasileiro José Maria Marin, foram presos em Zurique após investigação da Justiça dos Estados Unidos. A Fifa ainda não revelou quando serão as novas eleições, mas elas devem acontecer entre dezembro deste ano e março de 2016.
Até o momento, outras duas pessoas já demonstraram interesse em concorrer: o príncipe da Jordânia, Ali bin Al Hussein, derrotado por Blatter nas últimas eleições; e o ex-jogador francês David Ginola, que tentou ser candidato recentemente e não conseguiu se inscrever. Um eventual apoio ao presidente da Uefa, Michel Platini, também não está descarto, caso ele também concorra.
Confira outros trechos da entrevista de Zico:

Experiência
Para quem já morou no Uzbequistão, Índia, Iraque, Japão não teria problema nenhum uma nova mudança. A vida da gente muda da noite para o dia. Sou uma pessoa que passou por diversos continentes e construí uma história de sucesso em alguns deles. Especialmente no Japão, onde fui jogador, mas também trabalhei para levar a Copa de 2002 para lá. A candidatura tem uma vida como atleta, técnico, secretário de esportes, ex-presidente de sindicato de atletas. Muita gente jovem não conhece uma história anterior. Essa vida fora de campo permite me candidatar a um cargo como esse

Marcos Polo del Nero
Não o conheço, estive poucas vezes com ele, mas acho que ele sempre esteve junto com o Marin à frente da CBF nesse período pós-Ricardo Teixeira. Acho difícil ele não saber de tudo o que aconteceu. Posso estar cometendo um equívoco. Mas onde estava o Marin, estava o Del Nero.  Quanto à renuncia, ainda não vi nenhuma acusação contra ele. Você tem que ter motivos muito fortes para renunciar.


Copas de 2018 e 2022
Se comprovarem irregularidade, temos que parar tudo e fazer novas escolhas. Se for comprovada corrupção nas escolhas, não existe outra alternativa que não seja a de procurar por uma nova sede para que essas Copas sejam feitas com lisura

Plataforma
Muitas vezes passou pela cabeça, mas nunca via possibilidades de mudanças. Agora vi uma possibilidade. Não podemos aceitar que a corrupção está acima de qualquer coisa. O futebol tem que estar acima de tudo isso. Hoje, eu já teria uma equipe para ser montada, uma equipe para discutir, com pessoas que confio e com experiência internacional. Teremos tempo suficiente para conversar. Convoquei a imprensa hoje para ratificar a minha decisão e mostrar seriedade e firmeza.


Apoio a Platini
Tudo é possível. Estive com ele, sou amigo dele. Ele está muito bem na Uefa. Mas ele ainda não se decidiu. Acho que ninguém vai se decidir até saber as regras do jogo. Certamente vai ter uma reunião do Comitê da Fifa para se discutir a situação atual. O Platini está muito chateado por tudo o que aconteceu. Ele sempre achou que o futebol está acima de qualquer coisa, e não em troca de favores. Ele falou que está muito bem na Uefa e não pensa nisso na Fifa momento.

Maradona
É outro amigo que tenho no futebol, mas ele já disse que vai ser vice do sheik lá (o príncipe da Jordânia, Ali Bin All Hussein). Ele também é um nome do futebol e tem todo o direito a se candidatar. Ele está se candidatando a vice. Eu gostaria de ver um nome como o Maradona nos debates sobre futebol. Por tudo o que viveu, ele tem condições.
Coletiva Zico - Fifa (Foto: EFE)Coletiva de Zico reuniu jornalistas de várias partes do mundo na sede do CFZ, no Rio de Janeiro (Foto: EFE)
Apoio de ex-jogadores
Sem duvida, é importante você ter o apoio de sua classe acima de tudo. E se puder ser da classe internacional, melhor ainda. Sou grato ao Romário pelo apoio. Agora, daqui para frente, podemos começar a nos mexer. Converso com muitos ex-jogadores. Estive agora na Uefa, e a grande maioria apoiou a minha decisão. Isso me encorajou. 

Bom Senso
Lamento bastante. Hoje fico pensando se devo ou não defender certas situações, porque não sei se alguns atletas querem isso.  Os ex-atletas eu vou defender sempre. Mas os jogadores de hoje não estão afim. Justamente pelo silêncio de muitos. Jogadores de seleção brasileira ficam quietos. É aquela coisa: enquanto usufruem de alguma coisa, está tudo certo. Fiquei muito feliz com o movimento do Bom Senso, que surgiu com a participação de muitos jogadores em atividade. Mas a maioria foi saindo fora. Isso preocupa. O cara tem que ter muita personalidade e muita força para falar nesses momentos. 

Blatter
Acredito que ele vai ficar na Fifa esse tempo para fazer o sucessor

Investigação do FBI
Quem começa uma situação como essa não termina de uma hora para outra. Tudo leva a crer que a investigação será longa