Balas Juquinha muda de mãos

Juquinha muda de mãos
por Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz
No sofisticado e milionário universo dos negócios, a marca de uma bala extremamente popular, vendida a dez centavos a unidade, tornou-se notícia em todo o Brasil na semana passada: Juquinha. Ela foi criada em 1945, conquistou o mercado (principalmente no sabor tutti-frutti), e mesmo quem não consome esse tipo de produto entrou em contato com ela quando a Juquinha cumpriu a função de moeda como troco miúdo no comércio. Agora foi anunciada a venda da marca e de sua fórmula deixam de pertencer ao empresário Giulio Sofi o (a fábrica que operava havia 28 anos em Santo André, na região do ABC Paulista, foi fechada em abril) e vão para as mãos do também empresário Antonio Tanque. E a estampa do menino loiro, ou seja, o Juquinha, será modernizada. O valor do negócio não foi revelado. Cerca de 600 toneladas de bala chegaram a ser mensalmente vendidas. 

Vídeo mostra batida de motorista bêbado em viatura da GM


Homem foi preso após batida foi na manhã deste sábado, em Cordeirópolis.
Imagens mostram carro em alta velocidade; exame comprovou embriaguez.

Do G1 Piracicaba e Região
 Novas imagens de câmeras de segurança mostram um carro dando ré em alta velocidade e atingindo uma viatura da Guarda Municipal de Cordeirópolis (SP). O caso aconteceu na manhã deste sábado (20) e o motorista foi preso por dirigir bêbado, conforme comprovou um exame de sangue. O carro da GM ficou com a frente totalmente destruída. Ninguém se feriu. assista ao vídeo
O motorista também deve responder por desacato e dano qualificado, de acordo com a corporação. O vídeo mostra que após a batida um guarda desce da viatura e o motorista do carro também. As imagens indicam o início de uma discussão.
O caso aconteceu durante um patrulhamento feito pelos agentes, por volta das 6h30 deste sábado. Eles notaram um Palio, com placa de Osasco (SP), fazendo manobras perigosas na Rua Saldanha Marinho, no Centro. A GM perseguiu o veículo, que, na fuga, deu marcha ré propositalmente para bater na viatura, segundo a ocorrência.
Duas outras pessoas que estavam no Palio foram levadas à delegacia e liberadas após prestar depoimento. Ainda de acordo com a Guarda, o motorista preso é morador de Cordeirópolis. Ele se negou a fazer o teste de bafômetro, mas a embriaguez foi constatada em um exame de sangue.

Estupro, espancamento e morte: a tarde de horror no Piauí



A porta de um dos cômodos na casa do comerciante Jorge Moura, de 52 anos, na pequena Castelo do Piauí, a 180 quilômetros de Teresina, não é aberta há duas semanas. Moura e a mulher não conseguem entrar no local desde que a filha Danielly Rodrigues Feitosa, de 17 anos, desapareceu na tarde de 27 de maio depois de subir com três amigas o Morro do Garrote para tirar fotos que seriam publicadas em redes sociais. No caminho, as estudantes foram rendidas por quatro adolescentes que, naquela tarde, usavam drogas na companhia de um traficante de 39 anos, fugitivo de São Paulo. O desfecho desse encontro foram duas horas de terror. As meninas foram despidas à faca, amordaçadas com as próprias roupas íntimas, amarradas a um cajueiro, torturadas e obrigadas a manter relações sexuais com os cinco menores. Depois disso, foram atiradas de um penhasco. A queda no terreno de pedregulhos pontiagudos provocou ferimentos severos. Elas ainda ficaram cravejadas de espinhos pelo corpo. Como sobreviveram, dois menores desceram o morro e tentaram liquidá-las a pedradas. Danielly morreu no último domingo e uma das vítimas permanece internada em estado grave. A atrocidade foi cometida no momento em que o Congresso Nacional parece ter decidido fazer avançar mudanças na maioridade penal no Brasil. Quem conheceu as quatro meninas da minúscula cidade do Piauí, estado recordista em indicadores negativos no país, só quer resposta para uma pergunta: menores que cometem crimes brutais como esse vão ficar impunes?
"Nunca vou me conformar com uma brutalidade dessas. Que Deus os mande bem para longe, para onde merecerem", disse o pai de Danielly ao site de VEJA.
As buscas pelas garotas começaram na noite de 27 de maio. Policiais civis encontraram as duas motos Honda Bros de 150cc, pilotadas por elas, no pé do morro. As motos foram reconhecidas por vizinhos e familiares, o que fez com que os policias retornassem às pressas para o local, acompanhados por dezenas de populares. As meninas foram avistadas empilhadas nas rochas de cor acobreada. Só uma não estava desacordada, mas agonizava e se apavorou ao escutar as vozes. A Polícia Civil não teve dúvida: os primeiros suspeitos eram os garotos que há tempos aterrorizavam a cidade - nos últimos dois meses, I.V.I, de 15 anos, teve oito acusações registradas por furto de residência e roubo de motos.
A barbárie chegou rápido aos ouvidos da população de Castelo do Piauí. Uma barricada de pneus em chamas à porta da delegacia e centenas de pessoas clamando por Justiça tomaram as ruas. Os menores foram levados para quatro pontos diferentes da cidade para evitar um linchamento. Foram depois transferidos para a delegacia de Campo Maior, onde foram ouvidos, confessaram o crime e apontaram o traficante Adão José Silva Souza como mentor. Ele fornecia crack e maconha para os meninos.
No caminho do crime - A história de vida dos menores infratores não surpreende: são notórios garotos-problema na cidade. Criados em famílias pobres e desestruturadas, eram usuários de crack e maconha e semanalmente costumavam ser detidos por furtos e roubos.
Nos últimos anos, a culpa por quase todos os pequenos furtos que ocorrem no município recaem sobre os garotos, agora jurados de morte pela população. Na quinta-feira, a primeira audiência deles na Justiça precisou ser transferida para Teresina por falta de segurança. A faixa negra no portal de entrada de Castelo do Piauí reflete o clima de tensão e vingança.
De 2014 para cá, foram doze boletins de ocorrência contra o menor I.V.I. - nem todos com autoria comprovada - e mais seis atos infracionais confirmados, num total de dezoito casos de polícia. Dezenas de vítimas relatam crimes com o mesmo modus operandi do menino (invasões pela janela ou pelo telhado), mas temem acusá-lo. Após se notabilizar por furtos em residência, ela agora andava roubando motos. "São muitos atos infracionais praticados por eles, principalmente o I.V.I., que é detido com frequência. Desde os dez anos de idade essa criança está fazendo coisa errada e os atos infracionais atribuídos talvez cheguem a quase cem", diz o coordenador de Polícia Civil de Castelo do Piauí, Edílson Lima.
O site de VEJA consultou dados da delegacia de Castelo do Piauí, que não possui delegado fixo, está em condições precárias de funcionamento e só tem registros recentes em seu arquivo. Sobre os adolescentes envolvidos no estupro coletivo, além das acusações atribuídas a I.V.I., há dez registros diferentes desde 2013 de atos infracionais confirmados por furto, roubo, ameaça, resistência e associação criminosa. Em algumas ações, eles usaram peixeiras para ameaçar as vítimas. Há ainda registros de três pedidos de internação referentes a membros do grupo: um para G.V.S e dois para I.V.I. O último deles, motivado pelo furto de um notebook, foi assinado pelo delegado Laércio Evangelista vinte dias antes do estupro.
G.V.S.: "Quero ser bandido" - G.V.S é o menor que aparece em vídeo obtido pelo site de VEJA. Nele, acusa o traficante Adão José Silva Souza de ter forçado as quatro vítimas a manter relações sexuais com ele e com todos os meninos com uma arma à mão - a versão também consta dos depoimentos dos demais menores, embora a polícia não tenha encontrado o revólver 38 na cena do crime, nem um revólver 32, que também aparece em um dos depoimentos. O vídeo foi gravado por policiais civis após a captura dos menores na manhã seguinte ao crime - os celulares das vítimas ainda estavam jogados no local.
G.V.S foi reconhecido por fotos durante o depoimento de duas das adolescentes que conseguiram falar à polícia: J.L.S., de 15 anos, que recebeu alta nesta semana, e I.C.M.F., de 16 anos, que sofreu traumatismo craniano. Segundo elas, foi ele quem as abordou primeiro com uma faca, e não Adão. A terceira sobrevivente, R.N.S.R, de 17 anos, ainda não teve alta no Hospital de Urgências de Teresina (HUT).
"Esse menor de 17 anos é frio e calculista, não consigo acreditar que um ser humano faça tamanha crueldade". Ela lembra que ele veio primeiro colocou uma faca no pescoço da Danielly. Elas tentaram correr, mas ele ameaçou matá-la. "Minha sobrinha disse 'tia, nós paramos porque eu não ia suportar carregar essa culpa comigo'", diz a professora e historiadora Márcia Mineiro, que acompanhou a sobrinha I.C.M.F. na ambulância durante o transporte para Teresina. Durante a transferência, a jovem não largou a mão da tia. "Ela cravou a unha na minha mão e apertava quando alguém encostava nela. Ela sabe o que aconteceu, não lembra muito, mas quando eu perguntei sobre a violência sexual, só chorou."
A mãe do infrator G.V. S afirma que ele começou a se envolver com o crime logo aos 10 anos de idade. Estudou apenas até a 5ª série e abandonou a escola. O primeiro roubo foi um CD. Depois partiu para celulares e câmeras. No ano passado, já havia sido internado por 45 dias no Centro de Internação Provisória (CEIP) por furtos repetidos. Quando saiu, o menor disse: "Nunca mais vou pisar nesse lugar".
G. V. S. mora em um pequeno casebre em uma rua de terra batida a menos de um quilômetro do local onde participou do estupro. Vive com o padrasto e a mãe, que está gravida do oitavo filho. Sua certidão de nascimento traz um traço no local destinado ao nome do pai. G.V.S. têm duas irmãs gêmeas de seis anos, uma de 9 anos, uma de 12 anos e outra de 15 anos, além de um irmão de 19 anos, que sofre de distúrbios mentais. O filho mais velho é a fonte da renda principal da família: recebe um salário mínimo do governo. A mãe recebe 260 reais do programa federal Bolsa Família. Ela não trabalha e o padrasto do adolescente vive de bicos. .
Segundo a mãe, G.V.S tinha comportamento agressivo com as irmãs. Conta que sempre que o garoto entrava em casa, as meninas diziam: "Lá vem o ladrão!". G.V.S ficava furioso. Para a mãe, a culpa pelo comportamento do filho é das más companhias e das drogas. Ela diz que sempre implorou para que ele "saísse dessa vida e fosse trabalhar" e que chegou a ameaçar abandoná-lo. O promotor Cezário Cavalcante Neto conta que já decidiu perdoar G.V.S. em uma audiência e solicitou que ele fosse matriculado em uma escola em vez de ser internado. O garoto reagiu: "Ele disse na minha frente e na frente do juiz 'Quero é ser bandido mesmo'. Fiquei em choque".
I.V.I.: Terror da cidade - Há cerca de dois meses, a família de I.V.I se mudou para um pequeno imóvel comercial de uma tia do adolescente, com medo de que ele sofresse represálias da população. Aos 15 anos, I.V.I já não respeita os pais. É autor em seis atos infracionais registrados na delegacia de Castelo do Piauí. Em dezembro de 2014, quando o delegado Laércio Evangelista pediu sua internação pela segunda vez, I.V.I havia tentado esfaquear um policial militar após ter furtado e levado para casa celulares, um relógio e uma espingarda. O delegado comunicou ao Ministério Público que I.V.I estava "ameaçando e aterrorizando" a população de Castelo do Piauí e que já haviam perseguido o menino pelas ruas tentando matá-lo. Um dia antes do estupro, em 26 de maio, I.V.I e B.F.O foram autuados por roubo.
"Quero que ele fique internado para ver se sai deste mundo em que estava vivendo. Qualquer hora chega a notícia que não quero receber nunca", diz a desempregada Patrícia Visgueira Izaias, de 38 anos, mãe de I.V.I. "Acho que não convém ele voltar para Castelo", diz o pai, Manoel Izaias, de 63 anos, carpinteiro aposentado por sofrer de distúrbios mentais.
Patrícia visitou o filho no Centro de Internação Provisória no domingo.Ela disse que ele não demonstrava preocupação e que pediu que ele confessasse a ela o envolvimento no estupro coletivo. Ele disse à mãe que permaneceu na casa de um vereador na cidade, tio de uma das vítimas, onde teria trabalhado pela manhã furando um poço. "A desgraça da vida do I.V.I foram as amizades. Antes ele me ajudava com tarefas domésticas e era muito apegado aos irmãos."
Desobediente e desinteressado, I.V.I já não era aceito nos colégios de Teresina e a família teve de apelar ao Conselho Tutelar para conseguir matriculá-lo. "Até eu me matriculei para ver se ele ia junto, mas nos dias que eu fui ele não ia, até que abandonei também", conta a mãe.
A Assistência Social da Cidade já recomendou acompanhamento psicológico por seis meses, mas o adolescente só aceitou ir a uma consulta. I.V.I chegou a ficar internado em uma unidade da Fazenda da Paz, nas proximidades de Timon, no Maranhão, uma clínica terapêutica para dependentes de drogas, mas fugiu do lugar com menos de uma semana. "Eu deixei ele na porta e menos de uma semana depois ele apareceu na casa da minha irmã em Teresina".
O Ministério Público já representou pela internação máxima para os quatro acusados de associação criminosa, estupro, homicídio, corrupção de menores e três tentativas de homicídio. Ainda que sejam considerados culpados pelo estupro coletivo, eles só poderão ficar até três anos internados, segundo a atual legislação, agora em debate no Congresso Nacional.

Casa de Jô Soares amanhece com pichação ameaçando o apresentador



  •  
  •  
  • ESTADÃO CONTEÚDO

)
A rua em frente ao apartamento onde o mora o apresentador Jô Soares, localizada no bairro Higienópolis, em São Paulo, amanheceu com uma pichação com a frase: “Morra Jô Soares”. A ameaça acontece cerca de uma semana depois da entrevista feita por ele com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília.


Na semana passada, o apresentador entrevistou a presidente por 69 minutos no Palácio da Alvorada. Opositores do governo usaram as redes sociais para acusar Jô Soares de ter feito uma entrevista favorável a Dilma.

Lava Jato não seria a mesma sem delações, diz procurador

O procurador Regional da República Nicolao Dino(VEJA.com/Divulgação)


Nos últimos dois anos, o Ministério Público Federal apresentou 5.445 ações de improbidade administrativa para tentar reaver bilhões de reais desviados dos cofres públicos por corruptos. Mas a enxurrada de ações judiciais esbarra em uma lenta recuperação efetiva do montante roubado em escândalos de corrupção. Dez anos depois da descoberta do mensalão, nenhum centavo foi devolvido aos cofres públicos. No petrolão, onde investigadores estimam que 6,2 bilhões de reais foram movimentados de fraudes na Petrobras, pouco mais de 500 milhões foram repatriados - graças a acordos de delação premiada celebrados pelos criminosos. Em entrevista ao site de VEJA, o subprocurador-geral da República Nicolao Dino, coordenador da Câmara de Combate à Corrupção do MP, defende penas altas para grandes corruptos e corruptores, com sanções de até 25 anos, mas admite que boa parte do sucesso da Lava Jato está vinculado ao inédito número de delações premiadas. "É difícil imaginar como seria a investigação da Lava Jato sem uma informação importante a partir de instituto da colaboração premiada", diz. Leia a entrevista:
As condenações do mensalão deixaram a sensação do fim da impunidade, mas parte dos personagens aparece agora no petrolão. Pode-se dizer que temos corruptos profissionais? Sem citar nomes, não apenas no Brasil, mas no mundo todo a corrupção tem um caráter de permanência. Há uma frase do sociólogo José Pastore muito interessante: 'Corrupção é como diabetes, não tem cura e tem que ser tratada todo tempo'. Isso evidencia na prática que a corrupção é um fenômeno social, transnacional e não é algo típico do Brasil. É algo que se faz presente infelizmente nas sociedades de uma forma geral desde que o mundo é mundo. É algo com que os Estados devem ter uma relação muito detida para que não se alastre.
Nas investigações, qual a sensação quando o Ministério Público se depara com os velhos personagens em novos escândalos? O papel do Ministério Público é atuar, independentemente de perceber se os personagens se repetem ou não em situações de corrupção. Estamos diante de um momento histórico, muito importante para o Brasil porque os casos hoje se tornam mais visíveis e mais perceptíveis. Não podemos falar em recrudescimento da corrupção. O que há é mais visibilidade em relação aos casos de corrupção. O que importa é que os casos sejam detectados, submetidos à rigorosa investigação e a um julgamento justo. O importante é que o Estado tem que se equipar, se preparar e se aparelhar para atuar para enfrentar a corrupção e dar respostas de punição que a sociedade exige. O Brasil não está só nisso. É só ver o exemplo recente de corrupção na Fifa.
Qual o papel da delação premiada em grandes escândalos de corrupção? A colaboração premiada é um instituto que vem sendo utilizado nos ordenamentos jurídicos mais modernos. Nos Estados Unidos e na Itália, há casos muito exitosos desvendados a partir de delações. No Brasil, ainda é muito recente. A vantagem da colaboração premiada é obter informações que são fundamentais para detecção de uma grande organização criminosa. Há situações nas quais o crime se estabelece de uma forma tão organizada que só é possível desvendá-lo a partir de uma colaboração, de uma informação privilegiada de alguém que se insere na organização. O caso da Lava Jato, parece ser bem emblemático em relação à colaboração premiada. Não fosse esse instituto, provavelmente as informações necessárias à plena elucidação do caso não teriam chegado ao conhecimento do Ministério Público Federal. É difícil imaginar como seria a investigação da Lava Jato sem uma informação importante a partir de instituto da colaboração premiada.
O empresário Marcos Valério não fez delação premiada no mensalão e foi condenado a 37 anos de prisão. Esse cenário motiva os empreiteiros da Lava Jato a colaborarem com a Justiça? Acho que nesse caso estamos diante da certeza da punição. O infrator tem que ter certeza e a sociedade tem que ter a percepção de que o Estado vai atuar, agir e punir. É essa certeza da punição que inibe a prática criminosa. Temos casos em que o Judiciário responde de uma forma incisiva em relação a determinado esquema de corrupção. Houve uma sanção elevada em relação a pessoas submetidas à ação penal 470. Nessa perspectiva, o infrator pode pensar que o Estado está funcionando e a certeza da punição atua como um fator inibidor.
No Brasil, a sensação de combate à impunidade arrefece com descoberta de um escândalo ainda maior, como o petrolão. O Brasil tem dado saltos bem largos em relação a romper com o cenário de impunidade. O reaparelhamento do ordenamento jurídico, com a criação dos institutos da leniência e da colaboração premiada, o fortalecimento das instâncias investigatórias, a independência do Ministério Público e do Judiciário, tudo isso são sinais de que melhoramos muito no combate à impunidade.
O MP defende transformar corrupção em crime hediondo. Analistas contestam a relação entre aumento da pena e combate efetivo à criminalidade. O aumento da pena por si só não inibe o crime. Propomos o aumento de sanções a corrupções de valores elevados, mas precisamos implementar também outras medidas, como a simplificação do processo judicial e da cadeia recursal para tornar o processo mais célere e efetivo.
Desde o início da Lava Jato, o MP tem replicado um discurso sobre os efeitos destrutivos da corrupção na sociedade. Quantas milhares de vidas poderiam ser preservadas se esse recurso fosse encaminhado para o reforço do sistema de saúde? Quantos milhares de analfabetos poderiam melhorar seu nível de escolaridade se o dinheiro desviado fosse encaminhado para a área de educação? A lesão em larga escala requer respostas estatais também em larga mais rigorosa. Por isso defendemos altas penas para o crime de corrupção.
Partidos políticos mergulhados em esquemas de desvios de recursos públicos deveriam ser extintos? A legislação prevê algumas situações de decretação da extinção do partido político. Basta olhar a Lei Orgânica dos Partidos Políticos. O que está se propondo aqui são situações de grande repercussão e maior gravidade. A solução defendida pelo Ministério Público é de que se há uma estrutura, seja qual for a pessoa jurídica, uma sociedade empresarial ou mesmo um partido político que funcione apenas para viabilizar atividades ilícitas, essa pessoa jurídica não pode sobreviver dentro de um Estado democrático. No caso de uso de recursos oriundos de atividades ilícitas e irregulares, há uma medida sugerida ao Congresso Nacional de que o Judiciário poderá, mediante representação e assegurada ampla defesa, aplicar várias sanções. A penalidade máxima seria a extinção da pessoa jurídica. Seria como aplicar a Lei Anticorrupção aos partidos políticos.
É factível acreditar que o Judiciário seria capaz de extinguir um partido político histórico? O Judiciário brasileiro está bem maduro. Acredito que em uma democracia o Judiciário age com independência e tem que ter a coragem de tomar as medidas que forem previstas em lei. Quem faz as regras do jogo é o Legislativo. Se ele considerar que é o caso de estabelecer sanções severas para pessoas jurídicas que se valem de atividades ilícitas, o Legislativo vai prever e o Judiciário terá maturidade para aplicar se e quando for o caso.

Ladrões capotam carro pouco depois de roubá-lo, no Centro de Londrina


Três homens, com idade entre 25 e 26 anos, estavam dentro do veículo.
Todos foram levados para hospitais e, após alta médica, irão para delegacia.

Do G1 PR
Após ser revirado pela polícia, carro deixou vários objetos espalhados pela rua (Foto: Alberto D'angele/RPC)Após ser revirado pela polícia, carro deixou vários objetos espalhados pela rua (Foto: Alberto D'angele/RPC)
Ladrões capotaram um carro roubado na manhã deste sábado (20), no cruzamento das avenidas Santos Dumont e Juscelino Kubitschek, no Centro de Londrina. De acordo com a polícia, três pessoas estavam no veículo, mas não se feriram gravemente.
O automóvel foi roubado pouco tempo antes do acidente, ainda conforme a polícia. Os criminosos têm idade entre 25 e 26 anos.
Dois homens foram levados para o Hospital Universitário e um para o Hospital Evangélico. Todos estão com escolta da Polícia Militar (PM) e, assim que receberem alta médica, irão para a delegacia.

Delator da Camargo Corrêa colaborou com provas contra empreiteiras


Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, fez acordo de delação.
Ele apresentou e-mail que liga Odebrecht e da Andrade Gutierrez a cartel.

Fernando CastroDo G1 PR
A delação premiada do ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton dos Santos Avancini contribuiu, de acordo com o juiz federal Sergio Moro, para comprovar a participação da Odebrecht e da Andrade Gutierrez no esquema de cartel das empreiteiras. Um e-mail cedido pelo executivo mostra a convocação para uma reunião do chamado “Clube das Empreiteiras”. assista a vários vídeos
Os dados fazem parte do despacho de Moro que autorizou a deflagração da 14ª fase da Operação Lava Jato, que prendeu, até a publicação desta reportagem, 11 pessoas. O último mandado a ser cumprido é para Paulo Roberto Dalmazzo, ex-executivo da Andrade Gutierrez, que segundo a Polícia Federal (PF) deve se apresentar ainda nesta sexta.
O documento é um e-mail enviado por uma funcionária da empreiteira OAS, confirmando a presença de todos os copiados na mensagem em uma reunião dos dirigentes das empreiteiras no escritório da Andrade Gutierrez, em São Paulo. Estão copiados dirigentes daOdebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, UTC, Camargo Corrêa, e OAS – todas componentes do “clube”, segundo o Ministério Público Federal (MPF).
Além do documento, Avancini ainda citou um pagamento de propina pelo contrato da obra de terraplanagem da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), quando atuou consorciada com a Odebrecht, e a Queiroz Galvão.  O ex-presidente da Camargo Corrêa afirmou que pagou de forma “individualizada” a propina, mas que acreditava que as demais fariam o mesmo.
Ainda conforme a delação premiada de Avancini, a Camargo Corrêa pagou R$ 8,7 milhões em propina para a campanha de Eduardo Campos para o governo de Pernambuco, por meio de um contrato fictício com uma empresa de terraplanagem. Conforme o delator, a Camargo Corrêa seria ressarcida deste valor no lucro global do consórcio, através de valores acrescido para inflacionar o contrato.
E-mail apresentado por Dalton Avancinir relaciona Odebrecht e Andrade Gutierrez a cartel (Foto: Reprodução)E-mail apresentado por Dalton Avancinir relaciona Odebrecht e Andrade Gutierrez a cartel (Foto: Reprodução)

SOBREPREÇO
Outro e-mail destacado pelo juiz Sérgio como elemento probatório da participação da Odebrecht em cartel foi um apreendido na sede da empresa em novembro de 2014. A mensagem foi enviada por Roberto Prisco Ramos – da Braskem, braço petroquímico da Odebrecht – para o presidente da Marcelo Bahia Odebrecht e executivos como Fernando Barbosa, Marcio Faria da Silva e Rogério Araújo.
No documento, é feita referência à colocação de sobrepreço de até U$S 25 mil por dia a um contrato de operação de sondas, o que, segundo Moro, remete aos contratos da empresa com aPetrobras. Prisco Ramos ainda faz uma ressalva quanto ao envolvimento da UTC e da OAS, “para que eles não venham a se tornar futuros concorrentes na área de afretamento e operação de sondas”.
BLOQUEIO
No mesmo despacho, Sergio Moro autorizou o bloqueio de ativos das contas de dez investigados na 14ª fase da Operação Lava Jato. Cada investigado pode ter até R$ 20 milhões bloqueados. Dentre eles estão os presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez, empreiteiras alvo desta etapa da operação.
Pela Odebrecht, tiveram os ativos bloqueados:  Rogério Santos de Araújo; Mário Faria da Silva; Cesar Ramos Rocha; Marcelo Bahia Odebrecht; João Antônio Bernardi Filho. Já pela Andrade Gutierrez tiveram ativos bloqueados: Elton Negrão de Azevedo Júnior; Paulo Roberto Dalmazzo; Otávio Marques de Azevedo; Antônio Pedro Campelo de Souza.
Há ainda o bloqueio de ativos de Celso Araripe de Oliveira, funcionário da Petrobras contra quem foi cumprido mandado de coerção coercitiva. Ele não foi preso.
PRISÕES
Ao todo, foram expedidos 12 mandados de prisão. Foram detidos apenas pessoas ligadas às duas construtoras.
Odebrecht
-Marcelo Odebrecht, presidente, prisão preventiva
-João Antônio Bernardi, ex diretor, prisão preventiva
-Alexandrino de Salles, prisão temporária
-Cristiana Maria da Silva Jorge, consultora, prisão temporária
-Márcio Faria da Silva, prisão preventiva
-Rogério Santos de Araújo, prisão preventiva
-César Ramos Rocha, prisão preventiva
Andrade Gutierrez
-Otávio Marques de Azevedo, presidente, prisão preventiva
-Antônio no Pedro Campelo de Souza, prisão temporária
-Flávio Lucio Magalhães, prisão temporária
-Elton Negrão, prisão preventiva
O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, deixa a sede da Polícia Federal em São Paulo ao ser transferido depois de preso nas investigações da 14ª fase da operação Lava Jato (Foto: Francio de Holanda/Reuters)O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, deixa a sede da PFem São Paulo ao ser transferido depois de preso nas investigações da 14ª fase da Lava Jato (Foto: Francio de Holanda/Reuters)
Em nota, Odebrecht disse que a ação policial é desnecessária porque a empresa e seus executivos sempre estiveram à disposição para esclarecimentos. A Andrade Gutierrez negou relação com os fatos investigados na Lava Jato. Veja a íntegra das notas ao final do texto.
Em São Paulo, a advogada da Odebrecht, Dora Cavalcanti, deu uma declaração na noite desta sexta-feira (19) sobre a prisão de executivos da empresa. "As medidas de prisão são absolutamente desnecessárias, exatamente por isso manifestadamente ilegais. A prisão preventiva é uma medida de exceção e não deve ser convertida em uma antecipação de pena", afirmou.
Dora afirma que todos os executivos colaboraram com as investigações. "Havia alguma necessidade? Havia alguma notícia de que alguém queria fugir, que alguém estava destruindo provas? A situação aqui é o oposto disso. O reverso disso. Todos os executivos que hoje se encontram presos já prestaram depoimento no âmbito dos inquéritos que tramitam em Brasília."
MOTIVO DAS PRISÕES
Segundo a PF, os executivos são suspeitos de crime de formação de cartel, fraude em licitações, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. "Cada um deles, em sua medida, teve uma participação, uma contribuição para que esses crimes fossem realizados", disse o delegado Igor Romário de Paula.
Em despacho sobre as prisões, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na 1ª instância, afirma que: "Considerando a duração do esquema criminoso, pelo menos desde 2004, a dimensão bilionária dos contratos obtidos com os crimes junto a Petrobrás e o valor milionário das propinas pagas aos dirigentes da Petrobrás, parece inviável que ele fosse desconhecido dos Presidentes das duas empreiteiras, Marcelo Bahia Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo."
Ele diz ainda: "Além disso, há provas e fatos específicos que os relacionam aos crimes, como a aludida mensagem eletrônica enviada a Marcelo Bahia Odebrecht sobre sobrepreços em contratos de sonda e a ligação entre Otávio Marques de Azevedo e Fernando Soares, um dos operadores do pagamento de propinas".
14ª FASE
Em entrevista, Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador do MPF, disse que:
- Os executivos investigados também cometeram crimes fora da Petrobras – foi montado um cartel e fraude em licitação, principalmente em Angra 3.
- Foram feitos depósitos suspeitos no exterior, que levaram à nova fase da Lava Jato e à prisão dos chefes da Odebrecht e Andrade Gutierrez.
- Contas investigadas estão na Suíça, Panamá e Mônaco.
- Um dos operadores é Bernardo Freiburghaus, que está foragido na Suíça.
Também na entrevista, o delegado Igor Romário de Paula, da PF, disse que:
- Os depoimentos dos presos começam no fim de semana.
- Esta fase não tem foco em agentes políticos.
- Um mandado de condução coercitiva não foi cumprido, mas a pessoa já acertou o depoimento na PF.
A Polícia Federal analisou contratos da Andrade Gutierrez com a Petrobras que somam R$ 9 bilhões e da Odebrecht com a estatal no valor de R$ 17 bilhões. Considerando a informação de delatores de que a propina equivaleria a 3% dos contratos, a PF estima que o esquema tenha movimentado R$ 210 milhões da Andrade e R$ 510 milhões da Odebrecht. Mas estes não são valores finais ou totais.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA
Essa nova etapa, segundo os investigadores, é uma continuidade da 7ª fase da Lava Jato, onde diversos executivos e também funcionários das maiores empreiteiras do Brasil foram presos.
Enquanto outras empresas tinham o doleiro Alberto Youssef como operador do esquema de corrupção na Petrobras, a Odebrecht e Andrade Gutierrez promoviam a lavagem de dinheiro com depósitos no exterior, segundo as investigações. O operador seria Bernardo Freiburghaus, que está foragido na Suíça. Segundo o MPF, este modo de operar era mais "sofisticado" do que o adotado por outras empreiteiras.
“Uma série de colaboradores que nos indicou o caminho dos valores no exterior, e isso facilitou e chegamos a este momento que nós definimos a necessidade destas prisões”, disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.
Os depósitos que partiram da Odebrecht, citou o procurador, foram confirmados por mais de um investigado, que firmou acordo de delação premiada com o MPF.
Uma série de colaboradores que nos indicou o caminho dos valores no exterior, e isso facilitou e chegamos a este momento que nós definimos a necessidade destas prisões"
Carlos Lima, precurador
“As investigações revelam um nível de sofisticação maior que exigiram investigação mais aprofundada”, completou o procurador.
O delegado Igor Romário de Paula afirmou que "há indícios bem concretos" de que os presidentes da Andrade Gutierrez da Odebrecht "tinham pleno domínio de tudo o que acontecia na empresa".
"Apareceram indícios concretos, documentos, não só depoimentos de colaboradores, mas documentos comprovando que, em algum momento, [os presidentes] tiveram contato ou participaram de negociações que resultaram em atos que levaram à formação de cartel, direcionamento de licitações e mesmo a destinação de recursos para pagamento de corrupção", disse o delegado.
O procurador acredita que a decisão das empresas de não promoverem investigações internas sobre a denúncia é um sinal de que, de fato, estão envolvidas nas irregularidades. “Indica que estava envolvida no negócio ilícito como um todo. Ela não estava sendo usada por alguém, por um gestor."
"Não temos dúvida alguma que a Norberto Odebrecht e a Andrade Gutierrez capitaneavam o esquema de cartel dentro da Petrobras, no mercado onshore [exploração de petróleo no continente]", disse Carlos Fernando dos Santos Lima.
Segundo o delegado Igor Romário de Paula, "não necessariamente" a Odebrecht e a Andrade Gutierrez tinham a "liderança total do esquema de corrupção", como indicou o procurador, porque o grupo investigado tem 15 ou 16 empresas. "Elas são importantes. Uma delas é a maior empreiteira do Brasil e a outra entre as quatro maiores empresas do Brasil. Mas dizer que as duas lideravam, não. Não havia esse papel de liderança total, nem da Odebrecht nem da Andrade Gutierrez”, afirmou.
Marcelo Odebrecht  (Foto: PITI REALI/AE)Marcelo Odebrecht (Foto: PITI REALI/AE)
O QUE DIZEM AS EMPRESAS
Veja a íntegra da nota da Construtora Norberto Odebrecht:
"A Construtora Norberto Odebrecht (CNO) confirma a operação da Polícia Federal em seus escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Da mesma forma, alguns mandados de prisão e condução coercitiva foram emitidos.
Como é de conhecimento público, a CNO entende que estes mandados são desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações."
Veja a íntegra da nota da construtora Andrade Gutierrez:
"A Andrade Gutierrez informa que está acompanhando o andamento da 14ª fase da Operação Lava Jato e prestando todo o apoio necessário aos seus executivos nesse momento. A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações no intuito de que todos os assuntos em pauta sejam esclarecidos o mais rapidamente possível.
A Andrade Gutierrez reitera, como vem fazendo desde o início das investigações, que não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados pela Operação Lava Jato, e espera poder esclarecer todas os questionamentos da Justiça o quanto antes."