STJ concede habeas corpus para Luiz Abi


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O ministro do Superior Tribunal de Justiça Sebastião Reis Júnior concedeu uma liminar a Luiz Abi Antoun. Abi foi preso pela segunda vez, na segunda fase da Operação Publicano, que investiga denúncia de que auditores fiscais, contadores e empresários teriam formado uma “organização criminosa” para favorecer a sonegação fiscal mediante o pagamento de propina. Luiz Abi teve uma liminar negada pelo Tribunal de Justiça na sexta-feira (19), mas conseguiu a liberação na tarde desta segunda-feira (22).
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu, na última sexta-feira (19), liberdade a 28 pessoas, a maioria auditores fiscais, presas preventivamente desde a semana passada suspeitas de exigir propina para anular dívidas milionárias de empresas com a Receita Estadual do Paraná.
Na quinta-feira (18), o STJ já havia concedido liberdade a outros 16 auditores. No total, 47 pessoas foram presas na segunda fase da Operação Publicano, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão Crime Organizado), que apura o esquema organizado no órgão paranaense.

Jovem resgata cachorra abandonada por motorista em Sorocaba


Analista conta que animal ainda correu atrás do carro em movimento. 
'É muita maldade', diz jovem, que procura uma família para 'Serena'.

Do G1 Sorocaba e Jundiaí
Cadela foi encaminhada para lar temporário (Foto: Bruna Assaf/Arquivo Pessoal)Animal foi deixado no meio do trânsito por motorista (Foto: Bruna Assaf/Arquivo Pessoal)
Uma jovem de 27 anos flagrou uma cena de abandono em Sorocaba (SP), na noite de domingo (21). A analista de marketing digital Amanda Pires estava com uma amiga quando viu uma cachorra ser abandonada por um motorista na rua Capitão Bento Mascarenhas Jequitinhonha, na Zona Oeste. "O carro parou e a porta do passageiro foi aberta. De repente a cachorra saltou. Minha amiga ainda disse: ‘Não acredito que estou vendo isso’. Quando olhei vi a cachorra já na calçada, visivelmente perdida. O carro então arrancou, mas a cachorra tentou segui-lo", conta.
Jovem resgatou animal abandonado em avenida (Foto: Bruna Assaf/Arquivo Pessoal)'Serena' foi resgatada após ter sido 'descartada' na
rua (Foto: Bruna Assaf/Arquivo Pessoal)
Ela diz que ficou tão chocada com a cena que não conseguiu nem anotar a placa do veículo, um Astra prata. Ela e a amiga, que estavam em um carro logo atrás, seguiram o animal e pararam para resgatá-lo. “A rua estava muito movimentada naquele horário. Comecei a ficar desesperada achando que ela ia ser atropelada, mas conseguimos chegar até ela. Achei que ela fosse relutar, mas nem lutou contra, simplesmente baixou as orelhinhas e deixou-se ser acolhida. Estava ofegante e com o coraçãozinho disparado”, lembra Amanda.
Segundo ela, o animal aparenta ter menos de um ano e não apresenta ferimentos. A jovem diz que ela e a amiga ligaram para amigos e parentes que pudessem oferecer um lar temporário à cachorra. “Acabamos levando para a garagem do meu pai. No carro, ela colocou a cabeça no meu joelho enquanto eu dava carinho. Eu e a Bruna [amiga] fomos embora de lá chorando", diz.
Jovem resgata cachorra abandonada por motorista em Sorocaba (Foto: Arquivo pessoal/ Fernando Negrini)'Serena' tem cama e brinquedo em lar temporário
(Foto: Arquivo pessoal/ Fernando Negrini)
A cachorra foi levada para a casa de um amigo de uma das jovens, ganhou cama e brinquedo enquanto aguarda um lar definitivo. ”Infelizmente a gente não pode pegar todos os cães que estão nas ruas, mas quando me deparei com uma cena de abandono dessas não teve jeito. Minha perna treme até agora, é muita maldade. Esperamos encontrar alguém que tenha condições de ficar com ela, porque é extremamente doce, calma e alegre, por isso a chamamos de Serena."
Para tentar encontrar uma família para Serena, Amanda contou a história em seu perfil no Facebook e entrou em contato com associações de defesa dos animais. "Minha casa não comporta mais um animal de estimação, senão eu ficaria com ela. Mas tenho certeza que vou encontrar uma família que dê o amor que Serena merece e que nao a descarte como se fosse uma roupa usada", diz.
G1 entrou em contato com a Guarda Municipal e a Urbes, empresa que administra o trânsito na cidade, e foi informado que não há câmeras de monitoramento no local onde o animal foi abandonado. O motorista não foi identificado.
De acordo com a Guarda Municipal, em caso de flagrante, o motorista do veículo é levado à delegacia e autuado por crime ambiental pelo artigo 32 da lei federal n° 9.605.
Cadela foi resgatada em Sorocaba (Foto: Bruna Assaf/Arquivo Pessoal)Cadela foi resgatada e levada para um lar temporário (Foto: Bruna Assaf/Arquivo Pessoal)

Minha obrigação', diz mãe que levou filho de 17 para polícia após homicídio


Garoto é suspeito de espancar até a morte auxiliar de pedreiro em MS.
Outro adolescente de 14 anos confessou ter usado telha para agredir vítima.

Gabriela PavãoDo G1 MS
Pedaços de madeira com pregos foram usados durante agressões contra pedreiro (Foto: Divulgação/Polícia Civil de MS)Pedaços de madeira com pregos foram usados para agredir pedreiro (Foto: Divulgação/Polícia Civil de MS)
A mãe do adolescente de 17 anos, apreendido como um dos suspeitos de espancar até a morte um auxiliar de pedreiro, em Água Clara (MS), diz que cumpriu sua obrigação ao levar o filho para a delegacia. Minutos depois do assassinato, o garoto chegou em casa e contou sobre a morte. Em seguida, ele se apresentou à polícia, acompanhado da mãe.
"Eu que o levei até a delegacia. É difícil, mas acho que fiz a minha obrigação de mãe. Estou meio em choque, porque é terrível quando uma mãe cria um filho com amor e carinho e depois vê ele tirando a vida de outra pessoa", disse por telefone ao G1.
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O garoto apreendido no último sábado (20) tem várias passagens por atos infracionais e cumpria medida socioeducativa em uma Unidade Educacional de Internação (Unei) de Campo Grande até fevereiro desse ano. Ele também é usuário de drogas.
A dona de casa, que não pode ter a identidade divulgada para preservar o adolescente, conta que conversou com o filho no dia do crime sobre a vida "errada" que ele levava. "Conversei, falei que se ele não mudasse ia acontecer coisa mais grave ainda, que não ia ter volta, mas ele disse: 'dou conta de me virar'. E não deu outra, quando foi de madrugada aconteceu", lamentou a mãe.
A mulher não trabalha e se dedica a cuidar dos dois filhos. O mais novo tem 13 anos, mesma idade de quando o mais velho começou a "dar problemas", segundo a mãe.
"Esse não é o primeiro caso dele com a polícia. Luto com ele há cinco anos. Tentei internar algumas vezes, mas sem a vontade dele não pode. Levei a médicos, psicólogos, não sei mais o que fazer. Não sei onde errei e como consertar", afirmou.
Segundo a Polícia Civil, o garoto tem registros por atos infracionais análogos a dano, ameaça, furto qualificado, roubo, fuga da casa de custódia e tentativa de homicídio.
Caso
O auxiliar de pedreiro foi espancado até a morte com pedaços de madeira por dois adolescentes. O outro garoto de 14 anos também foi apreendido e confessou que desferiu golpes com uma telha contra a cabeça da vítima. A Justiça decretou nesta segunda-feira (22) a internação provisóriados adolescentes.
O corpo foi encontrado na calçada da rua Gabriel Alves, no bairro Jardim Nova Água Clara. Os adolescentes foram citados por denúncias anônimas como suspeitos da morte. Os motivos do crime serão investigados pela polícia.
O mais novo foi encontrado em frente ao local do crime e confessou aos policiais militares . O outro garoto se apresentou na delegacia minutos depois, acompanhado da mãe, e também confessou o ato.
Um casaco com manchas de sangue foi apreendido na casa do adolescente mais velho, além de dois pedaços de madeira usados em obras de asfalto.
O caso foi registrado como homicídio qualificado mediante promessa de recompensa ou motivo torpe, qualificado pelo emprego de meio insidioso e pela traição de emboscada ou outro recurso que dificulte a defesa da vítima.

‘Tudo isso é muito, muito difícil’, diz pai de advogado encontrado morto após rave


Bruno, em foto de rede social
Bruno, em foto de rede social Foto: Reprodução do Facebook
Ana Carolina Torres

Divisão de Homicídios (DH) investiga a morte de um advogado de 34 anos. O corpo de Bruno Nicolau Maralhas Olivieri foi encontrado na Estrada do Guandu, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, na noite deste domingo. Segundo as primeiras informações, o rapaz levou um tiro na cabeça. Bruno estava desaparecido desde a noite de sábado, quando havia saído de casa, em Vila Muriqui, em Mangaratiba, município da Costa Verde, para ir a uma rave em Seropédica, na Baixada Fluminense, onde um amigo comemorou o aniversário.
O corpo de Bruno foi retirado da Estrada do Guandu por uma equipe do Corpo de Bombeiros por volta de meia-noite e meia desta segunda. Ele foi levado para o Instituto Médico-Legal (IML), na Leopoldina, região central do Rio. O corpo será necropsiado e submetido a exames.
Bruno foi morto com um tiro na cabeça
Bruno foi morto com um tiro na cabeça Foto: Reprodução do Facebook
Muito abalado, o pai do rapaz, Lourenço Thomaz Olivieri disse que o reconhecimento oficial já foi feito. Segundo ele, a família ainda não sabe o que aconteceu nas horas anteriores à morte do rapaz.
- Tudo isso é muito, muito difícil. A gente ainda não sabe direito o que aconteceu. Sabemos que ele esteve nessa festa para comemorar um aniversário. Mas não sabemos exatamente o que houve. Não temos ainda detalhe de nada - disse ele.
Lourenço disse que a família ainda prestará depoimento na DH. Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte. Segundo o informe, "a perícia de local foi realizada. Testemunhas prestaram depoimento e agentes estão em diligências na busca de mais informações que ajudem a identificar a autoria do crime".

Mãe pediu informações pelo Facebook
O apelo da mãe do advogado
O apelo da mãe do advogado Foto: Reprodução do Facebook
A mãe de Bruno, Márcia Maralhas, chegou a fazer uma mobilização do Facebook em busca de notícias pelo filho: “Meu filho desapareceu esta madrugada em uma Rave em Seropédica... Por favor, compartilhem para que se alguém o viu, nos dê informações... Me ajudem, pelo amor de Deus!”.

'Estou partida', desabafa mãe

Na manhã desta segunda, ela voltou a postar na rede social, mas dessa vez, um desabafo: "Aqui jaz um coração de mãe pela metade... Meu filho apareceu: morto, nu, frio à beira da rodovia próximo a um posto da PM. Meu filho... era um rapaz dócil, carinhoso, amigo, leal... um ótimo filho! Um filho como tantos outros que se vão como ele se foi... Eu agradeço a Deus por eu ter uma religião assim como meu filho... Sei que anjos de Luz e Afinidade estão encaminhando meu filho ao nosso verdadeiro Lar!!! Avisos sobre enterro virão assim que tivermos noticias. Muito obrigada a todos... Todos que de alguma maneira se solidarizaram com esta situação. Estou partida, mas sei que o momento é de oração!"
O desabafo da mãe
O desabafo da mãe Foto: Reprodução do Facebook
'Um dia de cada vez', diz postagem

Em uma de suas últimas postagens no Facebook, Bruno escreveu uma citação de Raul Seixas: "A semente foi plantada e o sonho vai continuar para sempre. Porque o sonho é o sonho da humanidade inteira, que sempre foi a liberdade, a paz. Por incrível que pareça até um chavão hippie, o amor, mas o amor mesmo". E termina com as frases: "Liberte-se... Um dia de cada vez... até o reencontro".


Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/tudo-isso-muito-muito-dificil-diz-pai-de-advogado-encontrado-morto-apos-rave-16515721.html#ixzz3dqEOQtFQ

Militante do Estado Islâmico filma a própria morte em combate contra tropas iraquianas


O jihadista foi morto por um atirador de elite
O jihadista foi morto por um atirador de elite Foto: Reprodução / LiveLeak
Extra
Um militante do grupo fundamentalista Estado Islâmico filmou a própria morte durante um combate contra tropas iraquianas, em Ramadi, no centro do país. O jihadista, que estava com uma câmera acoplada ao corpo, registrou a troca de tiros até o momento em que é baleado por um atirador de elite do Iraque. De acordo com o jornal Daily Mail, a sequência foi gravada no mês passado, quando os terroristas tomaram a cidade, mas só foi divulgada nesta semana, no site LiveLeak.
No vídeo, a partir de sua câmera, o jihadista mostra seus companheiros equipados com fuzis disparando contra tropas iraquianas. Ele está abrigado atrás de uma pequena barricada feita por sacos de areia. Em certo momento, é possível ouvir um homem gritar “Allah Akbar” (Allah, o maior, em tradução literal). Em seguida, o cinegrafista sai de trás da barreira de proteção, mas acaba baleado, cai no chão, e morre.


Segundo a publicação inglesa, a tomada da província de Al Anbar, onde fica Ramadi, marca o maior avanço do grupo radical desde que a coalisão, liderada pelos Estados Unidos, começou um campanha de combate aéreo contra os fundamentalistas no ano passado.
De acordo com o relatório anual sobre terrorismo do Departamento de Estado dos Estados Unidos, o Estado Islâmico já ultrapassou a Al-Qaeda como principal grupo terrorista no mundo. O documento aponta a capacidade do grupo em recrutar militantes e divulgar sua mensagem pelo mundo.


Estudante confessa ter atropelado gari que morreu no Centro de SP


Ela vai responder por homicídio culposo, lesão corporal, omissão e fuga.
Advogado diz que jovem não foi omissa.

Do G1 São Paulo
A estudante de arquitetura suspeita de atropelar e matar um gari de 61 anos confessou para a polícia ter atingido a vítima com seu carro, informou o SPTV. O caso aconteceu em 16 de maio, no Centro de São Paulo.
Hivena Queiroz Vieira, de 24 anos, foi indiciada nesta segunda-feira (22) por quatro crimes: homicídio culposo (quando não há intenção de matar), lesão corporal, omissão de socorro e fuga do local do acidente.
A jovem atropelou Alceu Ferraz e um colega dele na Avenida São João. Os dois varriam a via. O outro gari ficou ferido, mas sobreviveu. Uma câmera de segurança gravou um carro com o para-brisa quebrado entrando na Praça da República pela contramão. A PM recebeu uma denúncia e encontrou o veículo, no estacionamento de um prédio em Moema.
Universitária se apresenta em delegacia que investiga caso em SP (Foto: Marcelo Goncalves/Sigmapress/Estadão Conteúdo)Universitária se apresenta em delegacia em SP (Foto: Marcelo Goncalves/Sigmapress/Estadão Conteúdo)
Nesta segunda, a estudante se apresentou para contar a versão dela. Ela afirmou à polícia que, na noite do acidente, tinha saído de uma festa na casa de uma amiga de faculdade em Higienópolis. No caminho até sua casa, em Moema, ela entrou na Avenida São João, achou que seria assaltada e acelerou o carro.
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Ao chegar à sua casa, ligou para a PM e foi orientada a procurar uma delegacia. No boletim de ocorrência, registrado cerca de duas horas depois, a estudante contou que sofreu uma tentativa de roubo. Ela disse que "foi surpreendida por três indivíduos que utilizaram possivelmente um carrinho de supermercado e disparou com o veículo atingindo algo ou alguém".
Acompanhada do pai e de um advogado, a jovem chegou de táxi à delegacia. Ela foi ouvida por mais de duas horas. “É fato que houve um atropelamento. Você, consciente, percebe se atropelou alguém ou algo ou bateu em alguma coisa”, disse o delegado Araribóia Fusita Tavares. “Por isso que eu digo para vocês: existem muitas contradições.”
O advogado da jovem, Artur Osti, contesta a opinião do delegado. “Não houve omissão”, disse. “Prestou todos os esclarecimentos, jamais se furtou de noticiar nada às autoridades e continua totalmente à disposição para apuração de qualquer responsabilidade.”
A Polícia Civil vai ouvir testemunhas que estavam na festa e pedirá a quebra do sigilo telefônico para saber com quem a estudante falou depois do atropelamento.
gari atropelado (Foto: TV Globo/Reprodução)Cena após o atropelamento do gari Alceu Ferraz (Foto: TV Globo/Reprodução)

MP investiga indícios que podem ajudar a desvendar caso Amarildo

Imagens de câmera de segurança mostram chegada de comboio do Bope.
Para promotores, um dos carros levava volume que pode ser um corpo.

Há uma novidade nas investigações de um crime que teve uma repercussão enorme no Brasil dois anos atrás. Foi quando o país inteiro ouviu a pergunta dos moradores da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro: cadê o Amarildo? (assista ao vídeo)
Amarildo de Souza era um morador da Rocinha que desapareceu. Os investigadores descobriram que ele foi torturado até a morte por policiais militares e o caso foi considerado encerrado. Mas agora, depois de quase dois anos, o Jornal Nacional teve acesso com exclusividade a imagens que levaram o Ministério Público a reabrir as investigações.
A saga do Amarildo começa no dia 14 de julho de 2013, às 18:01:07. Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha estavam atrás do ajudante de pedreiro. Eles achavam que Amarildo sabia onde os traficantes guardavam armas e drogas. Levaram Amarildo, primeiro, até uma das bases da UPP, na parte baixa favela. Uma câmera registrou a última imagem dele.
Passava das sete da noite. Amarildo entrou num carro da PM, que subiu para a sede da UPP, no alto do morro. O então comandante da unidade, major Edson Santos, sempre disse que Amarildo foi ouvido por poucos minutos e que depois saiu de lá a pé, sozinho, mas a Polícia Civil e o Ministério Público afirmam que o major mentiu.
“O major é o mandante”, disse a promotora de Justiça Carmem Eliza Bastos de Carvalho no dia 22 de outubro de 2013.
A conclusão dos investigadores é que a tortura foi atrás dos contêineres da UPP, que Amarildo recebeu descargas elétricas, foi sufocado com sacos plásticos e afogado num balde por quase duas horas.
"O Amarildo pedia socorro. Inclusive tem uma fala que uma testemunha dizia 'não, não, isso, não. Prefiro que me matem", disse a promotora de Justiça Carmem Eliza Bastos de Carvalho no dia 22 de outubro de 2013.
Vinte e cinco policiais militares foram denunciados por tortura seguida de morte: o então comandante da UPP, Major Edson Santos; os quatro PMs que participaram diretamente da violência; 12 que ficaram de vigia; e oito que estavam dentro dos contêineres e não fizeram nada para impedir.
PMs que colaboraram com as investigações contaram que o major estava em um dos contêineres. Era possível ouvir gritos. Quando os gritos pararam, um policial entrou num almoxarifado e pegou uma capa de moto preta. Os promotores afirmaram que o corpo foi enrolado nessa capa.
Dos 25 réus, 16 também respondem por ocultação de cadáver. A Polícia Civil fez várias buscas na mata, mas nunca conseguiu encontrar o corpo de Amarildo de Souza.
O que você vê no vídeo acima é uma revelação exclusiva, imagens e informações que levaram o Ministério Público a investigar mais policiais militares. E não são PMs da Unidade de Polícia Pacificadora. São pelo menos dez homens da tropa de elite.
Novas imagens divulgadas
As imagens são de uma câmera de segurança da Rocinha e foram gravadas na noite de 14 de julho de 2013, quase cinco horas depois de Amarildo ter sido levado para a sede da UPP. A câmera fica num ponto estratégico, na rua mostrada no vídeo.
É o único acesso para os carros chegarem à sede da UPP. Quem entra ou sai da unidade tem que passar por ali. É quase meia-noite quando chega um comboio do Bope, o Batalhão de Operações Especiais da PM. São quatro caminhonetes.
Já se sabia que, naquela noite, o Bope esteve na Rocinha. Na época, o então comandante da UPP, major Edson Santos - que já fez parte da tropa de elite -disse que pediu reforço porque havia risco de uma invasão de traficantes. Mas, agora, com a descoberta dessas novas imagens, os promotores concluíram que não foi bem isso que aconteceu.
“A presença do Bope precisa ser realmente esclarecida. Tem uma justificativa oficial: que era um ataque, a iminência de um ataque à UPP, mas aí a gente vai lá para as escutas, nenhuma movimentação de ataque a UPP, nenhum comentário a esse respeito. E você tem um outro dado: policiais que estavam ali foram dispensados, exatamente na hora em que o Bope é acionado. Então por que realmente o Bope foi pra lá?”, pergunta a promotora Carmem Eliza Bastos de Carvalho
A primeira caminhonete chega sem ninguém na caçamba. A segunda também. Só a terceira e a quarta caminhonetes têm policias armados na parte traseira. Cada uma, com dois homens. Quando o comboio acaba de entrar, ainda não é meia-noite. Os promotores descobriram que todas as quatro caminhonetes passam pelo beco com o GPS ligado, mas, na sede da UPP, o equipamento de um dos carros para de funcionar, à 0h24. Doze minutos depois, vai embora com GPS desligado e carregando um mistério.
Os peritos do Ministério Público só confirmaram a suspeita quando trataram no computador as imagens da câmera de segurança. Eles usaram variações de luz e sombra, que são elementos básicos para revelar o volume e a profundidade de objetos.
Meia-noite e 36 minutos: duas caminhonetes do Bope vão deixar a UPP. Na primeira, há dois policiais em pé e um sentado. Agora, sai aquele carro em que o equipamento de localização por satélite, o GPS, não funciona. A caçamba está mais cheia. São dois policiais em pé, um agachado, e outro, do lado direito, sentado, com as pernas pra fora.
“Isso já chamou atenção. Fugiu ao padrão das demais viaturas. Num primeiro momento, você olha a imagem, você não percebe nada. Graças ao trabalho da nossa perícia, que foi melhorando a imagem, aí você olha de novo depois, e depois, e depois.... Realmente, tem um volume aqui, está esquisito esse negócio”, disse a promotora.
Foi esse ponto que chamou atenção dos promotores. Os peritos do Ministério Público enxergaram um volume enrolado num material preto.
“As testemunhas falam que foi solicitado uma capa de uma moto.  O que se conclui com esses dados é que o corpo foi colocado naquela capa da moto. uma capa preta, e fechado com fita adesiva, lacrado”, disse a promotora.
A simulação em 3D ajuda a entender o que os peritos enxergaram. “Olhando, ninguém presta atenção. Mas com a tecnologia, foi aprimorando, aprimorando. Tem um volume aqui. Isto é um volume, e esse volume é compatível com um cadáver. É um cadáver, não sabemos. Tem que se investigar. Não existe esse volume em nenhuma outra viatura do Bope que ali estava. Então, não podemos dizer que é um instrumento que o Bope carrega, não tem em outras viaturas”, disse a promotora.
Um outro detalhe intriga os promotores: a 550 metros da saída da UPP, as duas caminhonetes param numa rua, onde há mais duas câmeras. O carro que levava o volume é o de trás. Os quatro policiais que estavam na caçamba saltam e, um minuto e meio depois, as duas caminhonetes vão embora. O Ministério Público diz que a iluminação da rua não permite ver o volume na caçamba.
A caminhonete do Bope tem um banco e os peritos não descartam a possibilidade de o volume ter sido colocado embaixo do assento. Essa imagem ainda está passando por novos exames.
Pelo GPS que continuou funcionando em uma das caminhonetes, os peritos do Ministério Público descobriram que os policiais levam quase seis minutos entre os dois pontos. Só que, nesse caminho, eles param por cerca de dois minutos num ponto cego, que não tem qualquer câmera de monitoramento.
“Vamos ter que investigar o que aconteceu nesse percurso. Tudo é possível, a gente não sabe o que aconteceu”, disse a promotora.
O Ministério Público afirma que o GPS da caminhonete que carregava o volume só voltou a registrar o itinerário 58 minutos depois de ter parado de funcionar.
“Na lista do Bope, ele informa que aquele GPS estava inoperante. Na lista da secretaria de segurança, ele está funcionando normalmente. Mas um espaço de uma hora sem emitir sinal, tudo isso tem que ser investigado, apurado, esclarecido”, disse a promotora.
Peritos independentes
Jornal Nacional pediu a dois peritos independentes que analisassem primeiro as imagens originais da câmera de vigilância, sem nenhum tratamento. Eles não receberam nenhuma informação anterior, nem sobre o assunto de que se tratava. E, só depois dessa primeira análise, eles viram as imagens com os recursos usados pela perícia do Ministério Público.
“O que nós temos agora é uma análise de sombra e luz. Por esta imagem, eu vejo um volume. Não posso determinar o que é o conteúdo desse volume, mas tem um volume. Pode ser um corpo. Pode ser um corpo. Pode ser”, disse o perito criminal Mauro Ricart.
“A gente consegue visualizar que realmente ali existe um volume a ser protegido. Evidentemente que não consigo ver o que é esse volume, mas dá pra gente definir que tem um contorno e esse contorno lembra de um corpo humano, porque a gente vê, segue com as pernas dobradas e logo abaixo, atrás, praticamente, esse segundo policial está sentado sobre as pernas, garantindo a segurança desse, da condução desse material que está atrás. Eles tão numa espécie de uma proteção, ocultação e proteção dessa caçamba. Ao se comparar com o outro veículo, a gente já percebe que esse fundo, já não, o assoalho já não está tão nítido como está o outro, na mesma iluminação. Quer dizer, aqui já existe alguma coisa indicando o volume. Essa é a chave”, disse o perito criminal Nelson Massini.
“Eu costumo dizer que não existe crime insolúvel, existe crime mal investigado. Então quando se tem um elemento qualquer que seja que repercute um crime dessa plenitude eu acho que deve ser investigado a fundo, com peritos, novos exames, pra que se dê à população do Rio de Janeiro uma resposta”, completa Ricart.