Richa entrega mais 20 novos ônibus de transporte escolar



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O governador Beto Richa entregou nesta terça-feira (23) mais 20 novos ônibus escolares que vão transportar 5.770 estudantes de 20 cidades do interior do Estado. “Essa entrega faz parte das ações do nosso governo pela valorização da educação”, afirmou Richa. Ao todo, 245 mil alunos da rede estadual dependem do transporte escolar.
O valor total do investimento é de R$ 5,1 milhões (cada ônibus custa R$ 255 mil). Os ônibus são para 18 colégios agrícolas, um para um Centro Estadual de Educação Profissional e outro para o Colégio Florestal Presidente Costa e Silva de Irati.

Inadimplência explode no ‘Minha Casa, Minha Vida’


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de Luiz Paulo Junior:
De acordo com o Ministério das Cidades, os atrasos acima de 90 dias, período do qual o cliente é considerado inadimplente pelo sistema bancário, atingiram 21,80% dos financiamentos concedidos na faixa 1 (renda mensal até R$ 1.600,00) do Minha Casa Minha Vida (doravante MCMV). Em abril de 2014, a inadimplência da faixa 1 era de 17,50%.
A faixa 1 é bancada pelo Tesouro Nacional e é destinada a famílias que pagam prestações mensais entre R$ 25,00 a R$ 80,00 por um período de 10 anos, o que corresponde cerca de 5% do valor do imóvel. As perdas das parcelas são assumidas pela Caixa, banco que cedeu o empréstimo ao mutuário.
O MCMV fora criado com o objetivo de tornar a moradia acessível às famílias de baixa renda, cujo déficit habitacional há época girava em torno de 5,7 milhões de residências.
Desde 2009, ano de seu lançamento, o MCMV já entregou pouco mais de 2 milhões de unidades, entretanto um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), detecta que o programa só conseguiu reduzir cerca de 8% do déficit habitacional. O MCMV não consegue acompanhar a demanda da sociedade. Os dados da pesquisa foram baseados em números fornecidos pela Caixa Econômica Federal e pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Ainda segundo o levantamento, até 2024 o Brasil ganhará mais 16,8 milhões de famílias. Para atender o déficit já existente, e ainda suprir o que será gerado nos próximos 9 anos, o MCMV teria que entregar 1,1 milhão de habitações por ano.
Mesmo com alta demanda construtiva para os próximos anos, o MCMV apresenta erros graves de gestão que dificultam o seu progresso, como a inadimplência da faixa 1.
A parcela da população de menor renda é mais suscetível a mudanças na economia. Com o aumento da inflação, tarifas de energia, custo de vida e desemprego a tendência é que a inadimplência continue crescendo até o ajuste do orçamento.

Delatores confirmam propina para Gleisi, diz RPC



Em matéria divulgada nesta terça-feira, 23, pelo Bom Dia Paraná e Bom Dia Brasil, noticiosos da RPC/Globo, os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef confirmaram o pedido de R$ 1 milhão pelo ex-ministro Paulo Bernardo (Comunicações) e o recebimento pela campanha de Gleisi Hoffmann (PT-PR) em 2010.


René Dotti diz que Gaeco abusa de suas atribuições e age de forma oblíqua


Sao Paulo, 27/08/2010Dr. René Ariel DottiRevista Dialogos e DebatesJeff Dias
O advogado René Dotti, em carta enviada a um jornal de Curitiba, disse que o Gaeco abusa de suas atribuições e age de forma oblíqua. Defensor do governador Beto Richa (PSDB), o advogado justificou o pedido ao STJ para que o tribunal avoque as investigações no âmbito da Receita Estadual em Londrina. René Dotti criticou veementemente o Gaeco, que atualmente conduz as investigações.
“Considerando que o Gaeco, abusando manifestamente de suas atribuições está, sim, dirigindo investigação em forma oblíqua contra autoridade sob jurisdição do Superior Tribunal de Justiça, não teria a defesa outra alternativa – sob pena de grave omissão funcional – requerer providências ao Superior Tribunal de Justiça, mediante Reclamação”, disse o jurista.
Rene Dotti afirmou ainda que o Gaeco e o Judiciário de Londrina indeferiram o pedido dos advogados de defesa de habilitação nos inquéritos. “Mais uma razão justificava o apelo ao STJ. A avocação dos autos permitiria o acesso dos advogados que ilegalmente foi negada pelo juiz de Londrina”, disse.
O jurista destacou ainda. “O vazamento de informações de atos e fatos apurados em procedimento mantido sob sigilo, além de ser criminoso (Lei 9.296/1996, artigo 10), disseminou acusação oblíqua e incessante contra quem não é indiciado e nem réu, atentando grosseiramente contra uma das mais sagradas garantias constitucionais, segundo a qual, ‘nenhuma pena passará da pessoa do condenado’.
Dotti garante que o pedido de suspensão liminar das investigações para serem avocadas ao tribunal competente não comprometeria e nem impediria a continuidade das investigações. “Com efeito, avocando os inquéritos, o Relator, se encontrasse indícios de autoria e materialidade de crime praticado pelo Governador, apresentaria a causa ao Tribunal para promover a separação de processos”, disse.
O advogado relata aidna que o ministro João Otávio Noronha não acatou liminarmente a mudança de foro. No entanto, destacou que a defesa obteve dois resultados positivos. Um, o reconhecimento por parte do STJ de não existirem “elementos dando conta de que o Governador do Paraná esteja sendo alvo de investigações”. E outro, na decisão do ministro Noronha, de obrigar o Gaeco e o Judiciário de Londrina a prestar informações e também “a exibir material de prova que foi, ilegal e abusivamente, sonegado aos advogados”.

Antes impossível, secretária da Educação diz que sexta aula é hipótese viável


Por Marina Sequinel e Antônio Nascimento

secretária da Educação do Paraná, Ana Seres Comin, informou que a possibilidade de as escolas cumprirem uma sexta aula para dar conta do ano letivo de 2015 só depende da busca por legalidade. Segundo ela, o Conselho Estadual formou uma comissão para analisar se é possível, dentro da lei, optar por essa medida.
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(Foto: AEN)
“Nós temos dois critérios principais para estudar esse caso. O primeiro é a exigência da Lei de Diretrizes e Bases, que determina a realização de 200 dias letivos e 800 horas de conteúdo. O segundo é o transporte, que já foi debatido com a Associação dos Municípios do Paraná”, explicou a secretária em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (23).
De acordo com ela, a sexta aula deve causar transtornos no itinerário das vans e ônibus escolares. “Nós conseguimos garantir o transporte dos alunos para duas semanas em julho e mais uma em dezembro. Optamos por não fazer a rota na sexta aula e nos sábados, justamente por causa desses obstáculos. A maioria das escolas não escolheu cumprir a sexta aula, diferente daquelas que não dependem do transporte”, completou Ana Seres.
A comissão do Conselho Estadual da Educação deve estudar a legislação sobre a sexta aula e apresentar o relatório informando se a proposta é possível ou não de ser realizada.

Moradores denunciam descarte de remédios vencidos em terreno baldio de Curitiba; assista



Por Marina Sequinel e Juliano Cunha

(Fotos: Taciane Soares – Colaboração Banda B)

Moradores do bairro Tatuquara, em Curitiba, se surpreenderam com o conteúdo de sacolas de lixo encontradas em um terreno baldio na Rua João Lacolla. Dentro dos sacos, havia centenas de remédios vencidos, que teriam sido descartados pelo dono de uma farmácia, segundo a população.
“O proprietário disse que foi assaltado e que os ladrões levaram os medicamentos. Mas eu até questionei a minha mãe: ‘como assim eles vão roubar só remédios vencidos?’ Nós achamos muito perigoso deixar todas aquelas pílulas e xaropes ali, porque vimos crianças e animais revirando o lixo”, relatou a moradora Taciane Soares em entrevista à Banda B na tarde desta terça-feira (23).
Quem encontrou os sacos de lixo no terreno baldio foi a mãe dela. Junto com os medicamentos, havia ainda uma lista da Vigilância Sanitária, constatando que eles deveriam ser incinerados. “O documento datava do dia 20 de setembro de 2013. Foi por aí que ela conseguiu o telefone da farmácia e ligou para o dono, depois de recolher as sacolas. Ele alegou que os remédios pertenciam ao antigo proprietário do estabelecimento que, posteriormente, foi buscá-los na casa da minha mãe”, completou Taciane.
Entre os medicamentos, estavam pomadas e remédios fortes, de uso controlado. “Tem um parquinho do lado do terreno e mais de uma vez nós percebemos que crianças estavam pegando os xaropes dali, principalmente os de sabor framboesa. É necessário que as pessoas se conscientizem de que isso é errado, para que não se repita”, afirmou ela.
A Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Decrisa), em Curitiba, é responsável por investigar o descarte irregular de medicamentos. A Polícia Civil informou, no entanto, que nenhum Boletim de Ocorrência foi registrado sobre o caso.
Orientação
De acordo com o delegado Vilson Alves de Toledo,  da Decrisa, o ideal é que, ao encontrar medicamentos descartados dessa maneira, a população entre em contato com a Vigilância Sanitária por meio do telefone 156. “Essa prática é crime e, sem falar nas infrações administrativas para a farmácia ou laboratório responsáveis pelo descarte, o autor pode pegar ainda uma pena de três meses a um ano se comprovada exposição ao perigo para a vida ou saúde de outras pessoas. Casos como esse podem causar consequências danosas para o meio ambiente e também para a população”, concluiu.
Vídeo
Assista abaixo o vídeo gravado pelas mulheres que encontraram os remédios:


Polícia encontra animais deixados há duas semanas sem comida e água


Vizinhos denunciaram o mau cheiro em residência de Mirassol (SP).
Moradora foi multada em R$ 6 mil e responderá por maus-tratos.

Do G1 Rio Preto e Araçatuba
A Polícia Ambiental flagrou nesta segunda-feira (22) animais abandonados sem água e sem alimentos em Mirassol (SP). A equipe chegou até o local depois que vizinhos denunciaram o mau cheiro. Segundo a polícia, moradores contaram que animais foram deixados há duas semanas.
saiba mais

Segundo informações da polícia, ao chegar à residência, encontraram o quintal da casa sujo e dois cães magros e muitos debilitados. Dentro do imóvel, os policiais encontraram materiais usados para preparar porções de maconha, cocaína, crack e munições. veja vídeo
A moradora responsável não estava no local, mas foi intimada e irá responder por crime de maus-tratos e terá de pagar multa de R$ 6 mil. Os animais foram levados a uma clínica veterinária.
Cachorro foi encontrado magro e debilitado em residência (Foto: Thais Costa de Morais)Cachorro foi encontrado magro e debilitado em residência (Foto: Arquivo Pessoal/Thais Costa de Morais)

Por que o negro tem menos acesso à saúde do que o branco no Brasil?


Apesar de algumas ações do governo, dados mostram que o sistema público de saúde continua a discriminar a população negra

RODRIGO CAPELO
23/06/2015 - 08h01 - Atualizado 23/06/2015 08h01
Por que o negro tem menos acesso à saúde do que o branco? (Foto: Raul Santana / Fiocruz)
Rafaela, de 15 anos, grávida, foi durante a gestação a todas as consultas que manda o manual. Sete. Deu entrada em abril em um hospital público, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para dar à luz um menino. O trabalho de parto começou às 3h de um sábado, e a equipe médica, formada apenas por enfermeiros, não mediu a pressão arterial dela nenhuma vez até as 14h. A garota começou a ter convulsões por eclâmpsia, quadro causado justamente por pressão alta, quando enfim foi levada ao centro cirúrgico para uma cesariana. No procedimento, o útero foi perfurado. Com hemorragia, foi transferida em seguida para outro hospital. O bebê nasceu com três quilos e 335 gramas, mas a mãe nem chegou a vê-lo. Morreu após uma histerectomia, quando o útero ou parte dele é retirado.
O caso tem um detalhe importante: Rafaela era negra. A morte dela, acusam ONGs como a Criola da médica e ativista Jurema Werneck, poderia ter sido evitada se a discriminação racial na saúde já tivesse sido erradicada no Brasil. Não que os enfermeiros da maternidade tenham deixado a garota morrer deliberadamente por causa da cor. Não é assim que o racismo na saúde funciona. Ele aparece nos pequenos gestos. Faltou informá-la durante as consultas pré-natal sobre os riscos da pressão alta – a população negra sofre mais com esse problema, e uma menina de 15 anos grávida tem risco ainda mais elevado. Faltou medir a pressão durante o parto. "Às vezes as pessoas nem percebem que estão sendo racistas, mas o racismo está lá. Chega na vez do negro, e a ficha acaba. O atendimento é prestado com menos cuidado do que com o branco. O médico não toca o corpo do negro. Na odontologia isso é ainda pior, porque a maior parte das consultas ocorre em consultórios", diz José Marmo, dentista, também filiado à ONG Criola. "O racismo faz isso. Pequenas negligências se acumulam, tornam-se graves, até que a pessoa morre", afirma Jurema.
discriminação no sistema público de saúde é mais sentida pornegros do que brancos, segundo números da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) revelada em maio, e isso mostra que ela tem caráterracial. De toda a população branca atendida, 9,5% saem da unidade hospitalar com o sentimento de discriminação. O percentual é maior entre pretos (11,9%) e pardos (11,4%), ambas nomenclaturas adotadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cuja soma representa a população negra. Menos pretos e pardos saem com avaliação "boa" ou "muito boa" do atendimento, 70,6% e 69,4%, em relação aos brancos, 73,5% deles satisfeitos. E esses são só os dados menos "objetivos", que dependem da opinião dos entrevistados. Os concretos (confira no gráfico abaixo) revelam que negros têm desvantagem em todos os quesitos pesquisados pela PNS: consultam menos médicos e dentistas, têm menos acesso a remédios receitados no atendimento, tiveram mais dengue, têm mais problemas de saúde que impedem alimentação, têm menos planos de saúde (exceto quando o empregador paga a conta, outro sinal de desigualdade), usam menos escova, pasta e fio dental.
Há algumas explicações para a desigualdade racial na saúde. A primeira é o próprio preconceito: a discriminação aos negros, apesar da miscinegação brasileira, não acabou. A desigualdade econômica pesa, visto que a população negra tem menos poder financeiro para pagar um plano de saúde privado do que a branca. Há também o fato de a informalidade no emprego ser maior entre pretos e pardos – mulheres negras que trabalham como domésticas sem carteira assinada não têm direito a plano de saúde, por exemplo. E há a questão geográfica. "A rede do SUS [Sistema Único de Saúde] está mais presente em regiões de classe média, e a população negra por fatores históricos está concentrada em regiões periféricas", afirma Irineu Barreto, analista do Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo (Seade) que se dedica à pesquisa da desigualdade racial. "E mesmo nas regiões mais pobres a população negra tem mais dificuldade do que a branca. A pobreza é mais cruel para os negros".
É difícil concluir a partir de dados se o racismo na saúde tem diminuído ou aumentado no Brasil porque faltam pesquisas. A PNS de 2015 com detalhamento por raça e cor é a primeira a fazê-lo. Mas há um indício disso nos números sobre mortalidade materna do SUS. Em 2004, 62.659 mulheres morreram em decorrência do parto, das quais 47% eram brancas e 43%, negras, a soma de pretas e pardas. Dez anos depois, em 2014, 63.408 mortes foram registradas. Delas, 42% eram brancas, e 53%, negras. Em um período de dez anos, portanto, não só aumentou o número de mulheres que continuam a morrer de complicações de uma gravidez, a condição da parcela negra piorou enquanto a da branca melhorou. Há a ressalva de que, em 2004, o preenchimento dos dados ainda era precário. Havia médicos que assinalavam "branca" em vez de "preta" ou "parda" ao descrever a paciente na ficha. Naquele ano, as investigações sobre as mortes das mães também eram muito menores. Independentemente de melhorar ou piorar, o fato é que o quadro é grave.
E o governo?
Era 27 de outubro de 2006 quando o então ministro da Saúde, Agenor Álvares, na abertura de um seminário sobre saúde dapopulação negra no Rio de Janeiro, declarou que havia racismo no SUS. Médicos, por meio de entidades de classe, rejeitaram. O argumento usado pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro era de que a discriminação era social, entre ricos e pobres, e não por cor, semelhante aos argumentos usados em áreas como educação para rejeitar cotas para negros em universidades. O ministro se baseava em dados coletados pela Fundação Oswaldo Cruz. Pesquisadoras analisaram 9.633 prontuários de grávidas e perceberam que, a cada 100 pacientes brancas, 16 não recebiam anestesia. Entre 100 negras, o número subia para 23. Entre pessoas mortas por doenças como tuberculose, aids e hipertensão arterial, o padrão se repetia.
A declaração do ministro evidenciou esforços de ativistas. O problema é que as atitudes burocráticas – criar uma Comissão Intersetorial de Saúde da População Negra no Conselho Nacional de Saúde (CNS) em 2008, instituir a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra em 2009, incluir no Estatuto da Igualdade Racial trechos que tratam da saúde em 2010 – não viraram ações concretas. Jurema Werneck, da ONG Criola, ocupou vaga do movimento negro no CNS. Ela percorreu o país para estudar políticas públicas, negociar com secretarias de saúde de municípios, mobilizar autoridades para o melhor tratamento do negro na saúde. A conclusão dela é que houve avanço no reconhecimento do racismo como um problema na saúde, mas pouco além disso. "A política não foi implementada como deveria", diz ela. "O Agenor Álvares foi o único a enfrentar o problema com seriedade. Depois dele uns e outros ministros disseram, mas não fizeram nada. O atual [Arthur Chioro] nem sequer responde. Faz cinco anos que a saúde do negro virou lei, e ela continua sendo ignorada".
Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde afirmou que "compreende a situação de vulnerabilidade da população negra" e ressaltou o papel do SUS na "promoção da equidade". O órgão citou alguns dados da PNS para defender a atuação do governo: o acesso à Farmácia Popular, maior entre negros (25,3%) do que entre brancos (22,1%), e a obtenção de medicamentos via SUS, com negros (35,2%) em vantagem sobre brancos (30,2%). Quanto ao sentimento de discriminação no sistema de saúde, o ministério acrescentou que 53,9% dos discriminados alegaram como razão falta de dinheiro, 52,5% classe social e 13,6% raça e cor.
Entre ações do governo federal para combater a desigualdade na saúde, a pasta mencionou a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), instituída em 2009, a "Campanha SUS Sem Racismo", lançada em 2014 com cursos à distância para 5 mil profissionais da saúde em todo o país, e a abertura do segundo edital de pesquisa em saúde da população negra, que vai destinar R$ 2 milhões a pesquisadores, para que descubram maneiras de ajustar o sistema público de saúde para coibir a discriminação. O resultado das ações mencionadas pelo governo poderá ser medido, de modo concreto, só depois de 2018, para quando a próxima rodada da PNS está agendada.
PNS revela que negros têm posição desfavorável em relação a brancos em todos os aspectos da saúde (Foto: Giovana Tarakdjian)

Brasil tem quarta maior população carcerária do mundo


Se continuar no ritmo atual, o país terá 1 milhão de presos em 2022

REDAÇÃO ÉPOCA
23/06/2015 - 17h27 - Atualizado 23/06/2015 19h06
Presos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão. O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo (Foto: Mario Tama/Getty Images )
A população carcerária brasileira cresceu 161% nos últimos 15 anos. As 607.731 pessoas presas no Brasil tornam a população carcerária brasileira a quarta maior do mundo. Ficamos atrás somente, e nessa ordem, de Estados Unidos, China e Rússia. Os dados foram disponibilizados nesta terça-feira (23) pelo Ministério da Justiça e fazem parte do novo relatório do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (Infopen). Os dados são referentes ao mês de junho de 2014.

>>Paris oficializa candidatura para Jogos Olímpicos de 2024

Se continuar nesse ritmo, de acordo com a Folha de S. Paulo, o Brasil chegará a 1 milhão de presos em 2022. O  aumento contraria o que ocorre nos outros três países que encabeçam a lista internacional. Neles, entre 2008 e 2014, a população carcerária caiu até 24%.

No Brasil, a situação é mais grave em alguns Estados, que reúnem maior concentração da população carcerária quando comparada à população total. No Mato Grosso, há 569 presos para cada 100 mil habitantes. Em São Paulo, 497 presos para cada 100 mil habitantes. A média nacional é de 300 presos a cada 100 mil.

>>Por que o negro tem menos acesso à saúde do que o branco no Brasil?
O levantamento ainda mostrou que o país mantém presos em unidades superlotadas e que essa população está mal distribuída. Há um déficit de 244 mil vagas nos presídios. De maneira geral, em todo o país, há 1,6 presos por vagas. Isso significa que um lugar que deveria abrigar 10 presos abriga 16.

Essa população encarcerada é jovem. 58% dos presos têm entre 18 e 29 anos. Dois em cada três são negros. A maioria foi presa por crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos. Outro dado grave: quatro em cada dez são presos provisórios – estão encarcerados mas não foram, ainda, julgados. O número,segundo o G1, é maior no Piauí, onde o índice chega a 66% dos presos. No estado, há casos como o de um detento que roubou R$ 200 de um comércio e um ano e quatro meses depois ainda não foi julgado. Para a socióloga Camila Nunes Dias, da UFABC, consultada pelo G1, essa multidão de presos provisórios existe porque o sistema judiciário não consegue dar conta do número de prisões em flagrante realizadas no Brasil. E a maior parte desses presos não recebe a devida assistência jurídica. Segundo ela, muitos juízes estão “descolados da realidade social brasileira” e acabam condenando as pessoas à pena de prisão “de forma indiscriminada”.

Demitido, Franscischini vira ícone conservador no Paraná


Abandonado pelo governador Richa, ex-secretário de segurança assume bandeira de direita

LEONEL ROCHA
23/06/2015 - 07h30 - Atualizado 23/06/2015 14h52
Fernando Francischini (SDD-PR) (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
Demitido da Secretaria de Segurança do Paraná há quase dois meses, acusado pelo governador Beto Richa (PSDB) de ter mandado a Polícia Militar a atirar com balas de borracha e lançar bomba de gás de helicóptero para dispersar uma manifestação de professores em greve, o deputado Fernando Francischini (SD-PR) deixou crescer a barba e passou a ter uma atuação mais discreta na volta à Câmara. Após a demissão, ele mandou fazer uma pesquisa para saber o que a população acha do seu estilo prendo e arrebento: sua rejeição duplicou. Em compensação, sua aprovação triplicou. Francischini, que é evangélico e delegado da PF, passou a ser considerado uma espécie de Bolsonaro do Paraná. Ele pretende apostar no estilo do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), capitão da reserva do Exérciro, e uma das referências do pensamento conservador de direita no Congresso.

Em primeira VOTAÇÃO foi APROVADA a REDUÇÃO do numero de vereadores para 17 em Colombo



Na Sessão Ordinária da Câmara de Municipal de Colombo, realizada nessa  terça feira 23  foi colocado em votação Emenda ao Projeto de Lei que reduz o numero de cadeiras para a legislatura de 2017 //  2020. Pela Regimento Interno da Câmara a Emenda precisa ser votada em duas vezes com um intervalo de 10 dias. A emenda pede que o numero de vereadores seja reduzida de 21 cadeiras para 17. E pelo Regimento Interno da casa é necessário que a Emenda obtenha 14 votos favoráveis. E o resultado da votação dessa tarde foi 16 votos favoráveis para a redução para 17 vereadores. Apenas 4 vereadores foram contra a REDUÇÃO do numero de cadeiras: Vereadores, Allan Tatto, Anderson Prego, Lunardon e a vereadora Micheli Mocelin

PMs do Bope chamados após sumiço de Amarildo são afastados


Nomes de agentes que estiveram na Rocinha não será divulgado.
Policiais serão ouvidos em novo inquérito aberto pela PM.

Do G1 Rio
A Polícia Militar informou na tarde desta terça-feira (23) que sabe quem são os policiais do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), que estiveram na Rocinha na noite em que o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza teria sido morto. Eles já foram afastados de suas funções. A PM afirma que não divulgará os nomes dos 14 agentes envolvidos, mas diz que eles serão ouvidos no novo inquérito que foi aberto pela Polícia Militar na segunda (22). A informação do afastamento foi antecipada pelo site da Revista Época. veja vídeo
Amarildo Rio de Janeiro Crime RocinhaJG (Foto: Reprodução: TV Globo)O pedreiro Amarildo de Souza.
(Foto: Reprodução: TV Globo)
A promotora de Justiça Carmen Eliza Bastos de Carvalho afirmou nesta terça-feira (23) que uma nova investigação será aberta para apurar a possível participação de 10 policiais do Bope na ocultação do corpo do pedreiro Amarildo. De acordo com ela, durante a preparação das alegações finais do inquérito, o Gaeco encomendou uma análise das imagens de câmeras de segurança e constatou a presença de um volume em uma das caminhonetes que estiveram no local durante o episódio.
"Há alguns dias chegamos a essa conclusão da imagem porque foi um trabalho de perícia. Estávamos preparando as alegações finais do inquérito quando o nosso departamento de perícia constatou que aquele volume tinha profundidade. Eles verificaram que o tamanho daquele volume não era incompatível com o volume de um corpo. Diante desses dados, nós começamos então a analisar os elementos que estavam em torno dessa viatura, relacionados ao Bope. Essa investigação, daqui para frente, será da central de inquéritos", afirmou.
Ainda de acordo com a promotora, algumas contradições foram percebidas durante o caso que aconteceu em 2013. Uma informação oficial anterior dizia que o sistema de GPS dos carros do Bope estava funcionando. Posteriormente, uma informação não oficial diz que houve uma hora de "branco", não tendo registro do percurso. O caso será investigado pela promotora de justiça  Marisa Paiva da 15ª Promotoria de Investigação Penal.
Bope demorou duas horas para chegar na Rocinha
Ainda de acordo com a promotora Carmem Eliza Bastos, algumas informações devem ser analisadas além das imagens periciadas. Em depoimento na época, policiais alegaram que o Bope teria sido chamado por causa de uma suposta iminência de ataque na comunidade da Rocinha. No entanto, as equipes só teriam chegado ao local duas horas após o chamado.
"A informação oficial é de que o Bope tinha sido chamado porque havia uma iminência de ataque. E, por outro lado, nós verificamos que policiais, nessa circunstância de ataque, teriam sido dispensados por volta de 22h. Então parece contraditório, porque você tem uma ameaça de ataque a uma sede de UPP e os policiais militares que lá trabalham foram dispensados. Por outro lado, O Bope é acionado às 22h e só chega ao local às 00h. Então são duas horas para chegar em um local de iminência de ataque. Isso são circunstância que se agregam a constatação de um volume em uma viatura. São circunstâncias que merecem ser investigadas, não estamos trabalhando com convicções", disse.
Viúva diz sentir medo de represália
A viúva do pedreiro Amarildo de Souza comemorou, na manhã desta terça-feira (23), a reabertura do inquérito que investiga a morte de seu marido, mas também disse estar com medo de represálias de policiais. “Eu adorei, gostei, porque o caso do meu marido estava quase ficando impune, porque a gente não sabia o que aconteceu. Sumiu o corpo, ninguém sabia até hoje o que tinha acontecido, dois anos que a gente não tinha resposta do corpo do Amarildo e agora, graças a Deus e a Justiça, que fez essa reabertura”, afirmou Elizabeth Gomes da Silva.
 No entanto, a viúva destacou que sente medo de sofrer represália por parte dos policiais que teriam matado seu marido. “Espero que a Justiça faça eles ‘falar’ cadê os restos mortais de Amarildo para a família poder enterrar como digno. Só que a gente, eu e minha família, ‘tem’ medo de sofrer represália deles. Como eles entraram dentro da Rocinha, fizeram uma operação mentirosa, negativa e não era operação nenhuma. Era para poder entrar dentro da Rocinha e pegar o corpo do meu marido, tanto que o carro estava desligado, fizeram num lugar que não tinha câmera para filmar”, disse Elizabeth
Peritos analisam imagens
As novas imagens mostram que a primeira e a segunda caminhonete do Bope chegam sem ninguém na caçamba. Só a terceira e a quarta caminhonetes têm policias armados na parte traseira. Cada uma, com dois homens.
Quando o comboio acaba de entrar, ainda não é meia-noite. Os promotores descobriram que todas as quatro caminhonetes passaram pelo local com os GPS ligados. Na sede da UPP, no entanto, o equipamento de um dos carros parou de funcionar à 0h24. Doze minutos depois, essa mesma caminhonete vai embora com o GPS desligado.
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À 0h36, duas caminhonetes do Bope deixam a UPP. Na primeira, há dois policiais em pé e um sentado. Em seguida, sai o carro em que o equipamento de localização por satélite não funciona. Neste, a caçamba está mais cheia. São dois policiais em pé, um agachado e outro, do lado direito, sentado, com a perna para fora.
As imagens levantaram suspeitas no MP. Os peritos, no entanto, só confirmaram a suspeita quando trataram as imagens no computador as imagens da câmera de segurança. Eles usaram variações de luz e sombra, que são elementos básicos para revelar o volume e a profundidade de objetos.
“Isso já chamou atenção. Fugiu ao padrão das demais viaturas. Num primeiro momento, você olha a imagem, você não percebe nada. Graças ao trabalho da nossa pericia, que foi melhorando a imagem, aí você olha de novo.... Tá esquisito esse negócio”, afirma a promotora Carmem Eliza Bastos de Carvalho.
Volume levantou suspeitas
Foi esse ponto que chamou atenção dos promotores. Os peritos do MP enxergaram um volume, enrolado num material preto.
“As testemunhas falam que foi solicitado uma capa de uma moto. O que a gente conclui é que o corpo do Amarildo foi colocado naquela capa da moto. Uma capa preta e fechado com fita adesiva. Lacrado, né”, explica a promotora.
Ela acrescenta que a tecnologia ajudou. “Olhando, ninguém presta atenção. Mas com a tecnologia, foi aprimorando, aprimorando. Tem um volume aqui. Isto é um volume e o volume é compatível com um cadáver. É um cadáver, não sabemos. Tem que se investigar”, diz sobre as imagens.
“Não existe esse volume em nenhuma outra viatura do Bope que ali estava. Então, não podemos dizer que é um instrumento que o Bope carrega, não tem em outras viaturas, né”, acrescenta.
Sem câmera e sem GPS
Outro detalhe intriga os promotores. A 550 metros da saída da UPP, as duas caminhonetes param numa rua, onde há mais duas câmeras.
Os policiais saltam e, um minuto e meio depois, os carros vão embora.
O MP diz que a iluminação da rua não permite ver o volume na caçamba. A caminhonete do Bope, no entanto, tem um banco. E os peritos não descartam a possibilidade de o volume ter sido colocado embaixo do assento. Essa imagem ainda está passando por novos exames.
Pelo GPS que continuou funcionando em uma das caminhonetes, os peritos do MP descobriram que os policiais levam quase seis minutos entre os dois pontos. Só que, nesse caminho, eles param por cerca de dois minutos num ponto cego, onde que não tem qualquer câmera de monitoramento.
“Vamos ter que investigar o que aconteceu nesse percurso. Tudo é possível, a gente não sabe o que aconteceu”, diz a promotora Carmem Eliza Bastos de Carvalho.
O MP afirma que o GPS da caminhonete que carregava o volume só voltou a registrar o itinerário 58 minutos depois de ter parado de funcionar.
“Na lista do Bope, ele informa que aquele GPS estava inoperante. Na lista da secretaria de Segurança, ele está funcionando normalmente. Mais um espaço de uma hora sem emitir sinal. Tudo isso tem que ser investigado, apurado, esclarecido.
Entenda o caso
O caso envolvendo o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza começou no dia 14 de julho de 2013. Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha estavam atrás dele, pois achavam que Amarildo sabia onde os traficantes guardavam armas e drogas.
Eles levaram Amarildo, primeiro, até uma das bases da UPP, na parte baixa favela. Uma câmera registrou a última imagem dele: passava das 19h. Amarildo entrou num carro da PM, que subiu para a sede da UPP, no alto do morro.
O então comandante da unidade, major Edson Santos, sempre disse que Amarildo foi ouvido por poucos minutos e que depois saiu de lá a pé, sozinho. Mas a Polícia Civil e o MP não tiveram dúvidas que o major mentiu.
A conclusão dos investigadores, em outubro do mesmo ano, foi de que a tortura aconteceu atrás dos contêineres da UPP. O ajudante de pedreiro recebeu descargas elétricas, foi sufocado com sacos plásticos e afogado num balde por quase duas horas.
Vinte e cinco policiais militares foram denunciados por tortura seguida de morte. O então comandante da UPP, Major Edson Santos, quatro PMs que participaram diretamente da violência, 12 que ficaram de vigia e 8 que estavam dentro dos contêineres e não fizeram nada pra impedir o crime.
PMs que colaboraram com as investigações contaram que o major estava em um dos contêineres e que era possível ouvir gritos. Quando os gritos pararam, segundo eles, um policial entrou num almoxarifado e pegou uma capa de moto preta. Os promotores afirmaram que o corpo foi enrolado nessa capa.
Dos 25 réus, 16 também respondem por ocultação de cadáver. A polícia civil fez várias buscas na mata, mas nunca conseguiu encontrar o corpo de Amarildo de Souza.