Eletricista deixa o trabalho para encontrar esposa e morre atropelado por bandidos em fuga


Por Felipe Ribeiro e Antônio Nascimento

Um eletricista de 43 anos morreu na noite deste sábado (18) após ser atropelado por bandidos em fuga na Rua Frederico Maurer, no bairro Boqueirão, em Curitiba. De acordo com a esposa da vítima, Dirceu Melo de Faria, de 43 anos, havia acabado de deixar o trabalho e seguia para encontrar ela em um supermercado, mas acabou morrendo na hora após atravessar a rua de bicicleta.
Eletricista morreu na hora
Eletricista morreu na hora
“Nos contaram que ele foi arrastado por aproximadamente duas quadras. Ainda tentaram reanimar, mas nada pôde ser feito. Só esperamos agora que esses caras sejam presos e a Justiça seja feita”, disse a sobrinha da vítima, Kethlyn Danielle Mello de Faria.
Faria chegou a ligar para a esposa dizendo que a encontraria, mas meia hora depois ela acabou tendo a má notícia. O Uno envolvido havia sido roubado no bairro Pinheirinho.
Testemunhas contaram que o veículo estava em altíssima velocidade e conseguiu fugir da viatura. Após a situação, o veículo foi abandonado pelos bandidos.
A Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) deve investigar o caso.

Aprovada nova regra para cassação de prefeitos


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Como parte de suas propostas para a reforma política, o Senado aprovou nesta quarta-feira (15) o PLS 475/2015, que muda a regra para afastamento de prefeitos de seus cargos. Ele altera a Lei de Improbidade Administrativa e extingue a regra que permitia que juízes de primeira instância determinassem sozinhos o afastamento de governantes municipais. A partir de agora, essa decisão só poderá ser tomada por órgão colegiado judicial.
Segundo o relator, senador Romero Jucá (PMDB-RR), o projeto corrige uma distorção na legislação que dá margem ao afastamento de um prefeito por uma decisão monocrática de um juiz. Jucá acredita que a nova medida cria um filtro contra “abusos” e evita a proliferação de casos em que municípios acabam governados até por candidatos que alcançaram apenas o terceiro lugar nas eleições locais.
O presidente Renan Calheiros citou uma estatística que deve ser combatida com a aprovação da proposta. De acordo com ele, 10% dos municípios do estado de São Paulo já tiveram seus prefeitos afastados desde 2013. Na maioria das vezes, foi a decisão de um juiz de primeira instância que motivou o afastamento.
O projeto segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

“Por que Collor e não Gleisi?” pergunta Eduardo Cunha


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O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, acusa o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, de ser um agente do governo e do PT. Ele diz que a atuação e as iniciativas de Janot têm como alvo os aliados do Planalto.
— Porque os helicópteros sobrevoam a casa do Fernando Collor, e, há buscas nas residências de Ciro Nogueira e Fernando Bezerra. Por que não foram na Gleisi Hoffmann, no Lindbergh Farias ou do Humberto Costa. Janot não faz nada contra a presidente Dilma e contra o PT — afirmou Cunha.

Documentos mostram que Lula fez lobby para a Odebrecht no exterior


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Telegramas diplomáticos trocados entre chefes de postos brasileiros no exterior e o Ministério das Relações Exteriores, entre 2011 e 2014, indicam que as atividades do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor do grupo Odebrecht no exterior foram além da contratação para proferir palestras, contrariando o que o petista e a construtora têm sustentado. Os documentos apontam que Lula, já fora do cargo, atuou em pelo menos duas ocasiões para beneficiar a Odebrecht — uma delas, com pedido expresso para que o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, desse atenção aos interesses da companhia num processo de privatização naquele país. Outro telegrama revela que Lula abriu as portas do BNDES ao governo do Zimbábue, país africano governado pelo ditador Robert Mugabe.
Liberados na última quinta-feira pelo Itamaraty a partir de pedido feito pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação, os documentos descrevem encontros de Lula em Cuba em companhia de representantes da construtora. Em uma das visitas à ilha, ele foi recepcionado pelo presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, e pelo ex-ministro José Dirceu num hotel. Em outra, Lula atuou em projetos ligados à área de energia na região cubana de Muriel, onde a empreiteira construiu um porto com recursos do BNDES.
Por meio da assessoria de imprensa de seu instituto, o ex-presidente Lula nega que tenha recebido de qualquer empresa para “dar consultoria, fazer lobby ou tráfico de influência”. A Odebrecht também nega ter usado serviços de Lula para tentar obter contratos.
Desde a última quinta-feira, a relação de Lula com a empreiteira é alvo de inquérito da Procuradoria da República no Distrito Federal. Os investigadores querem saber se o ex-presidente praticou tráfico de influência internacional, crime incluído no código penal em 2002. A lei diz que é proibido receber vantagem ou promessa de vantagem em transações comerciais internacionais. O Instituto Lula alega que os recursos recebidos se referem às palestras. Sabe-se agora, com a revelação dos telegramas, que ele também atuava na defesa comercial da empresa. Portanto, o foco da investigação será apurar se a atividade de lobby também foi remunerada. Para isso, o ex-presidente e a Odebrecht poderão ter o sigilo fiscal, bancário e telefônico quebrados.
A movimentação do ex-presidente a favor da Odebrecht em Portugal é relatada em dois telegramas. Em 25 de outubro de 2013, o embaixador brasileiro em Lisboa, Mario Vilalva, enviou comunicado abordando a visita de Lula a Portugal, ocorrida entre os dias 21 e 23 daquele ano. O diplomata deixa claro que a visita do ex-presidente se dava em razão de convite da Odebrecht, por conta dos 25 anos de presença da construtora brasileira em Portugal. Na descrição da agenda de Lula em Lisboa, o embaixador narrou que, no dia 22 de outubro, à tarde, o petista “encontrou-se com empresários brasileiros, dentre os quais o dr. Emílio Odebrecht (presidente do Conselho de Administração da Odebrecht e pai de Marcelo)”.
Menos de sete meses depois, em outro telegrama, Vilalva, em 2 de maio de 2014, faz uma análise sobre a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), que encontrava resistência por parte de alguns municípios portugueses que, na avaliação do embaixador, havia gerado pouco resultado. Após descrever como estava o processo, o diplomata observa que as empresas brasileiras Odebrecht e Solvi, em parceria com o grupo português Visabeira, demonstraram interesse no negócio, o que gerou simpatia dos formadores de opinião em Portugal. O diplomata registra a ação direta de Lula em favor da Odebrecht.
“Repercutiu positivamente na mídia recente declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à RTP no dia 27/04 último, no sentido de que o Brasil deve-se engajar mais ativamente na aquisição de estatais portuguesas. O ex-presidente também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”, informou o diplomata.
Lula, de fato, deu uma entrevista à televisão portuguesa, falando dos 40 anos da Revolução dos Cravos e abordando vários temas, inclusive defendendo maior participação de empresas brasileiras nas privatizações conduzidas em Portugal — mas sem citar nenhuma empresa especificamente. A gestão a favor da Odebrecht, pelo que se depreende do comunicado emitido pelo diplomata, foi feita em caráter privado ao primeiro-ministro português. Segundo site do Instituto Lula, o ex-presidente se encontrou com Passos Coelho no dia 24 de abril, e teriam falado apenas da situação econômica mundial e da Copa no Brasil.
Na ocasião do telegrama, a empreiteira brasileira era uma das sete que tinham manifestado oficialmente interesse no negócio. Dois meses depois, porém, a Odebrecht acabou não formalizando proposta. A EGF acabou vendida por 149,9 milhões de euros para a Suma, consórcio formado por empresas portuguesas.
EM CUBA, RECEBIDO POR MARCELO ODEBRECHT
O encarregado de negócios brasileiros em Cuba, Marcelo Câmara, num telegrama de 3 de março de 2014, informa sobre a visita que Lula fez à ilha entre os dias 24 e 27 de fevereiro do mesmo ano. Resumo da mensagem: “Tema central de suas interlocuções foi a prospecção de iniciativas para aperfeiçoamento da matriz energética à zona especial de Mariel, e o reforço da cultura de soja no país”. Nessa viagem, “em atendimento a convite do governo local e com apoio do grupo COI/Odebrecht”, como descreve o documento, Lula foi acompanhado, entre outros, pelo senador Blairo Maggi (PR-MT) e pelo ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, que deixou o governo em 2007 acusado de receber propina para favorecer empresas com obras federais.
Os documentos do Itamaraty registram ainda outras viagens de Lula a Cuba. Em junho de 2011, o ex-presidente foi recebido no hotel por Marcelo Odebrecht, presidente da empresa, e José Dirceu. “Em sua chegada ao hotel, Lula recebeu os cumprimentos do Senhor José Dirceu e do empresário Marcelo Odebrecht, Diretor-Presidente daquela construtora”, registrou o encarregado de negócios em Cuba na ocasião, Albino Poli Jr., em telegrama enviado para o ministério.
Marcelo está preso em Curitiba há um mês após ser detido na fase “Erga Omnes” da Operação Lava-Jato. Dirceu está em prisão domiciliar por sua condenação no mensalão e já foi mencionado na Lava-Jato por alguns delatores como beneficiário de propina por meio de sua empresa de consultoria. Na visita em que fez na companhia deles a Cuba, o ex-presidente se reuniu com Raúl e Fidel Castro. Pelo relato do telegrama, Marcelo ficou fora das duas reuniões, enquanto Dirceu acompanhou Lula apenas na conversa com Raúl.
O ex-presidente teve ainda outra viagem ao país dos irmãos Castro associada à Odebrecht. Conforme revelado pelo GLOBO, Lula esteve no país em janeiro de 2013 com as despesas pagas pela empreiteira. Alexandrino Alencar, então diretor de Relações Institucionais da empresa, chegou no mesmo jatinho no qual viajou o ex-presidente. Alencar também foi preso na Lava-Jato no mês passado e deixou a empreiteira.
Os comunicados da diplomacia brasileira demonstram ainda que Lula atuou para aproximar o governo do Zimbábue ao BNDES, embora não fique claro se há ou não alguma ligação direta com obras da Odebrecht. Em um comunicado enviado da sede do ministério para a representação brasileira no Zimbábue há a descrição de que o ex-presidente solicitou que o embaixador daquele país fosse recebido no banco de fomento. A reunião teria ocorrido em 3 de maio de 2012. Desde 1980, o Zimbábue é governado pelo ditador Robert Mugabe.
Na lista de financiamentos de obras e serviços no exterior divulgada pelo BNDES não consta nenhum financiamento para a atuação de empresas brasileiras no Zimbábue, mas em 2013 por meio do Ministério de Desenvolvimento Agrário foram liberados US$ 98 milhões para aquele país no âmbito do programa Mais Alimentos Internacional.

Lula apoia empresas corruptas, diz a revista Foreign Policy


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“Lula apoia empresas corruptas a fazer negócios corruptos no exterior”. É a manchete da prestigiosa Foreign Policy, citando uma frase de Alejandro Salas, diretor da Transparência Internacional em Berlim.
Lula sempre disse que sua atividade de lobby, ricamente remunerada, tinha como objetivo defender os negócios das empresas brasileiras no exterior. Agora ele já pode pendurar a Foreign Policy na parede. É a prova de que ele cumpriu o prometido.

Lava Jato rastreia contas no exterior em busca de provas contra Cunha

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, anuncia rompimento com o governo, durante entrevista - 17/07/2015
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, anuncia rompimento com o governo, durante entrevista - 17/07/2015(Antonio Cruz/Agência Brasil)
A força-tarefa da Operação Lava Jato rastreia documentos sobre contas secretas que seriam mantidas no exterior pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e pelo lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano - apontados como "braços" do PMDB no esquema de corrupção na estatal -, para tentar comprovar as informações prestadas pelo lobista Julio Camargo em depoimento no qual incluiu o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no esquema de corrupção da estatal.
Na quinta-feira, Camargo, um dos delatores da Lava Jato, declarou à Justiça Federal que em 2011 Cunha exigiu dele 5 milhões de dólares de propina para a manutenção de dois contratos de navios-sonda assinados pela coreana Samsung em parceria com a japonesa Mitsui. Foi a primeira vez que Camargo, que aderiu à colaboração premiada em outubro de 2014, citou Cunha como destinatário de propina. Como possui foro privilegiado, o presidente da Câmara é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato na primeira instância, em Curitiba, anexou extratos bancários com movimentações das contas aos autos da ação penal em que Cunha foi citado por Camargo. Os documentos foram enviados por autoridades da Suíça.

O lobista disse no depoimento que Fernando Baiano lhe relatou na época que estava sendo pressionado pelo deputado a pagar 10 milhões de dólares "atrasados" de um total de 30 milhões de dólares de propina - dos quais 5 milhões seriam para o peemedebista. Camargo afirmou que depositou recursos em contas no exterior tendo como beneficiário Fernando Baiano após se encontrar pessoalmente com Cunha no Rio em 2011.
Os documentos anexados por Moro ao processo dizem respeito às contas Three Lions Energy Inc, Pentagram Energy Corp, Falcon Equity, Marbury Investment & Finance, Russel Advisors e Forbal - todas empresas offshores abertas por Baiano e Cerveró fora do Brasil para movimentar recursos em paraísos fiscais, conforme as investigações.
Na ação penal são réus Cerveró, Baiano e Camargo, entre outros, acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Nas próximas semanas, o juiz Sérgio Moro deverá decidir se condena ou não os acusados. Toda documentação arregimentada pela força-tarefa da Lava Jato na primeira instância é compartilhada com a Procuradoria-Geral da República, que conduz os inquéritos no âmbito do Supremo - entre eles o que investiga o presidente da Câmara. Caberá ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a tarefa de oferecer ou não denúncia contra Cunha e as outras autoridades com prerrogativa de foro.
Para o Ministério Público Federal no Paraná, as movimentações já detectadas entre as contas das offshores Piamonte, atribuída a Camargo, para a Three Lions, atribuída a Fernando Baiano, e posteriormente para a Russel Advisors Inc, que seria mantida por Cerveró, comprovariam os pagamentos de propina no caso dos navios-sonda.
Fernando Baiano e Cerveró também foram ouvidos na quinta-feira passada por Moro em audiência da ação penal. Os dois permaneceram calados.
Procurado ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo, Cunha disse por meio de sua assessoria que não tem qualquer envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras. "O presidente da Câmara não faz parte disso", afirmou a assessoria. Desde que o depoimento de Julio Camargo veio à tona,Cunha aponta "uma tentativa de constranger o Poder Legislativo", tendo "por trás" o Executivo em articulação com Janot. Ele também atacou o juiz Sérgio Moro, afirmando que o magistrado "se acha o dono do mundo" e não poderia ter tomado depoimentos de investigados que citam autoridades com foro privilegiado. Moro reagiu e divulgou nota na qual afirma que "não cabe ao Juízo silenciar testemunhas ou acusados na condução do processo".
A defesa de Fernando Baiano afirmou que desconhece os fatos relatados por Júlio Camargo na quinta-feira passada. De acordo com o advogado Nélio Machado, Fernando Baiano jamais admitiu possuir contas no exterior.
O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, negou que seu cliente tenha recebido propina referente aos contratos dos navios-sonda. "Não existe essa ligação. O Ministério Público vai ter de provar", afirmou. Ribeiro não comentou as investigações envolvendo offshores mantidas fora do País e atribuídas ao ex-diretor da área Internacional da Petrobras.
(Da redação com Estadão Conteúdo)

Lula vai depor na Justiça?


Talvez. O Ministério Público abriu Procedimento Investigatório Criminal contra Lula – e pediu ajuda da Lava Jato. Se for chamado, Lula terá de comparecer

THIAGO BRONZATTO
17/07/2015 - 22h50 - Atualizado 17/07/2015 22h51
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Em abril deste ano, ÉPOCA noticiou, em reportagem de capa, umainvestigação do Ministério Público Federal sobre o ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva. Um fato chamava a atenção do MP. Havia uma sincronia entre viagens internacionais de Lula, em palestras pagas pela construtora Odebrecht, e o fechamento de contratos da própria Odebrecht. Muitos desses negócios eram viabilizados com empréstimos do BNDES. Agora, o MP decidiu aprofundar a investigação. Em portaria do dia 8 de julho, oMinistério Público Federal instaurou um Procedimento Investigatório Criminal contra o ex-presidente por suspeita de tráfico de influência internacional – e pediu a colaboração daforça-tarefa da Lava Jato. A portaria foi assinada pelo procurador da República, Valtan Timbó Martins Mendes Furtado.
>> MPF abre inquérito contra ex-presidente Lula por tráfico de influência internacional

A parceria com os investigadores da Lava Jato é uma novidade. O MPF solicitou o acesso a notas fiscais, mensagens, e-mails, planilhas, agendas, bilhetes, dados bancários e outros materiais em posse da força-tarefa da Lava Jato que eventualmente tenham relação entre Lula e as obras executadas pela Odebrecht fora do Brasil, financiadas pelo BNDES. Enquanto esses documentos não chegam a Brasília, os investigadores do MPF vão analisar diversos CDs com dados bancários de operações de crédito realizadas entre o banco e a Odebrecht. Nos próximos dias, o Itamaraty deverá enviar cerca de 2 mil telegramas, incluindo os sigilosos, que fazem referência às relações entre a construtora e o ex-presidente. Os contratos assinados entre Lula e a Odebrecht para a realização de palestras na América Latina e na África também serão examinados com lupa. Além disso, o MPF deverá averiguar as informações dos voos realizados por Lula para o exterior. Os investigadores querem saber quem fretou os aviões, os nomes dos tripulantes e os motivos das viagens. Para explicar essas e outras questões, Lula poderá ser convocado para depor a qualquer momento do inquérito.
 
Ex-presidente Lula, alvo de procedimento investigatório  (Foto: Mourão Panda/FotoArena)
Capa da revista ÉPOCA, de maio, que revelou as suspeitas de tráfico de influência  (Foto: Reprodução)
Reprodução de instauração de procedimento investigatório criminal de Lula  (Foto: Reprodução)
Em junho, ÉPOCA revelou um relatório da Polícia Federal com as entradas e as saídas do país realizadas pelo ex-­presidente entre 2011 e o início deste ano. Ao todo, são 78 trechos de voos internacionais. Em algumas dessas rotas, Lula foi acompanhado por Alexandrino Alencar, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht. Os dois mantêm uma relação  próxima desde quando Lula estava no Planalto. Já era de conhecimento público que eles viajaram juntos para Cuba e Guiné Equatorial. ÉPOCA revelou novos destinos percorridos por Lula e Alexandrino, como Angola, Colômbia, Equador, Gana, Panamá, Peru e Portugal.
>> Lula e seu companheiro de viagens – o lobista da Odebrecht Alexandrino Alencar

A Procuradoria da República no Distrito Federal também apura seLula teria feito lobby com Luciano Coutinho, presidente do BNDES, em favor das obras da Odebrecht no exterior. Ao todo, US$ 10 bilhões do BNDES foram destinados, entre 2007 e 2014, a obras realizadas pela Odebrecht fora do país. A reportagem publicada por ÉPOCA em abril citava quatro casos de países visitados por Lula, em viagens bancadas pela Odebrecht, que depois receberam empréstimos para obras executadas pela empreiteira: República Dominicana (US$ 656 milhões para a construção de uma central termelétrica), Gana (US$ 700 milhões para obras de corredores viários), Cuba e Venezuela. Na ocasião, por meio do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, Lula negou que suas viagens fossem lobby em favor da Odebrecht e negou que prestasse consultoria para a empresa. Apenas fazia palestras com o  objetivo de “cooperar para o desenvolvimento da África e apoiar a integração latino-americana”.
>> As suspeitas de tráfico de influência internacional sobre o ex-presidente Lula

A força-tarefa da Lava Jato também está analisando os recursos transferidos do BNDES para as empresas envolvidas no escândalo do petrolão e os pagamentos realizados por essas companhias para a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicidade, de Lula. Segundo ÉPOCA apurou, a L.I.L.S. consta numa lista de empresas que receberam recursos das empreiteiras envolvidas em desvios de recursos da Petrobras. Além da Odebrecht, a Andrade Gutierrez, a Camargo Corrêa, a OAS e a Queiroz Galvão também bancaram as viagens de Lula ao exterior. Algumas delas fizeram doações para o Instituto Lula. Agora, os investigadores de Curitiba deverão compartilhar essas informações com o MPF em Brasília. As duas investigações, embora ocorram em lugares e com propósitos diferentes, deverão convergir.

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) entrou com uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público para requerer apuração da conduta do procurador Valtan Timbó Mendes Furtado – autor do pedido de investigação. Em nota divulgada nesta sexta-feira, dia 17, o Instituto Lula informou que sua defesa pediu “nulidade de inquérito irregular à Corregedoria do Ministério Público”.  Lula também pediu sigilo sobre a investigação, e o sigilo foi decretado.
>> Lula pede sigilo sobre inquérito de lobby internacional

Procurada por ÉPOCA, a Odebrecht diz que “mantém uma relação institucional com o ex-­presidente de forma transparente”. O BNDES disse que o ex-presidente Lula não interferiu, nem poderia ter interferido, em nenhum dos processos, que “seguem todos os critérios impessoais de análise comuns a todos os projetos do banco”. 

Evento religioso com Padre Fábio de Melo reúne 170 mil no interior de SP


Evento PHN convida jovens a refletir e abandonar vida com pecados.
Acampamento tem atividades religiosas, esportivas e culturais.

Do G1 Vale do Paraíba e Região
Padre Fábio de Melo durante pregação na manhã deste domingo (19) em acampamento religioso em Cachoeira Paulista, interior de São Paulo. (Foto: Wesley Almeida/Canção Nova)Padre Fábio de Melo durante pregação na manhã deste domingo (19) em acampamento religioso em Cachoeira Paulista, interior de São Paulo. (Foto: Wesley Almeida/Canção Nova)
Um acampamento religioso voltado aos jovens reúne fiéis de todas as partes do país neste domingo (19) em uma comunidade católica em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo. Na manhã deste domingo eles assistiram a uma pregação do Padre Fábio de Melo.
Durante mais de uma hora, Padre Fábio falou aos jovens sobre a importância de analisar a influência das amizades. "Talvez não seja a droga, pode ser um namorado, alguém que não presta e você não consegue largar. Arrancar do coração um amor doentio dá tanto trabalho quanto sair das drogas. Você fica viciado em um monte de coisas e fica distante da própria identidade porque só os livres se possuem", disse o padre durante o encontro.
Em seguida os fiéis participaram da pregação do idealizador do projeto, Francisco José dos Santos, conhecido como Dunga. "Ser um jovem sarado, com uma alma curada, é viver sem drogas, em sintonia com Deus. Eu já estive no mundo das drogas, mas há mais de 30 anos eu vivo isso aqui", disse Dunga durante a pregação que também tratou da visão que os jovens têm da sexualidade.
Jovens participam de acampamento religioso em Cachoeira Paulista (Foto: Wesley Almeida/ Canção Nova)Jovens participam de acampamento religioso no
interior de SP (Foto: Wesley Almeida/Canção Nova)
O evento chamado de "PHN - Por hoje não" é organizado pela comunidade Canção Nova e envolve o público em atividades religiosas, culturais e esportivas. A organização do evento estima que 170 mil pessoas tenham participado das atrações.
No sábado (18) aconteceu a pregação do fundador da comunidade, Monsenhor Jonas Abib. A noite, houve apresentação de bandas católicas. Em seguida os fiéis foram convidados a participar de um luau com o músico e missionário Brais Oss, do Espírito Santo.
A participação no evento é gratuita. Durante as pregações, os jovens são convidados a abandonar vícios e pecados. “São problemas que tiram os jovens do percurso de se tornar um adulto de sucesso. Damos a eles a oportunidade de repensar a própria vida e, com certeza, devolvemos esses jovens melhores para seus lares”, disse o missionário. Às 15h uma missa com o Padre Fabrício Andrade encerra o evento.
Evento religioso com Padre Fábio de Melo reúne 170 mil no interior de SP (Foto: Wesley Almeida/Canção Nova)Padre Fábio de Melo pregou durante cerca de uma hora no evento (Foto: Wesley Almeida/Canção Nova)
Evento religioso com Padre Fábio de Melo reúne 170 mil no interior de SP (Foto:  Wesley Almeida/Canção Nova)Evento voltado para jovens reuniu 170 mil em comunidade católica (Foto: Wesley Almeida/Canção Nova)

Homem é esfaqueado em Curitiba e suspeito continua ameaçando vítima mesmo durante socorro


Por Felipe Ribeiro e Antônio Nascimento

A atitude ousada de um agressor surpreendeu socorristas do Siate na manhã deste domingo (19) na Cidade Industrial de Curitiba. Mesmo após esfaquear um desafeto, ele continuou o ameaçando durante o socorro do Siate, apesar da clara possibilidade de prisão. Com atos estranhos, ele chegou a limpar o sangue da faca na ambulância.
siate
Vítima levada ao pronto-socorro, mas passa bem (Foto: Reprodução)
Segundo o cabo Di Lucca, ainda não é possível saber o motivo da briga, já que o tumulto foi muito grande no local. “Assim que a Polícia Militar apareceu, ele fugiu, mas a causa do desentendimento deve ser verificada a partir de agora”, relatou.
A situação ocorreu na Rua Santa Escolástica. A vítima ficou com um ferimento mais grave no abdômen, que requereram maiores cuidados. Foi necessário o uso de soro para ele sair de um estado de choque após ser esfaqueado.
A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa deve investigar o caso.

Torcedores do Atlético que estavam “surfando” em biarticulado são presos em Curitiba


Por Felipe Ribeiro

Dois torcedores do Atlético que estavam “surfando” em um biarticulado da linha Circular Sul foram presos na tarde deste domingo (19) após o motorista pedir ajuda para a Guarda Municipal. A prisão ocorreu nas proximidades da estação-tubo Eucaliptos, no bairro Sítio Cercado, por volta das 14h30.
Segundo o guarda Jonathan, desde a manhã a Guarda já vinha recebendo informações de desordem nos terminais de ônibus e esta chamada chegou por quebra do alçapão. “Tinha mais torcedores da organizada do Atlético, mas indicaram os dois como sendo os autores do vandalismo”, comentou.
Segundo a Guarda, os torcedores seguiam no sentido Boqueirão e estariam surfando desde o último terminal, além de ameaças contra os demais passageiros.
Os dois torcedores foram encaminhados para o Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (Ciac) Sul.
Pela manhã, o Furacão venceu a Chapecoense por 1×0 em partida realizada na Arena da Baixada.

Pescadores encontram corpo boiando em rio da RMC; polícia descarta latrocínio


Por Felipe Ribeiro e Antônio Nascimento
Vítima pode ter morrido há alguns dias (Foto: Antônio Nascimento - Banda B)
Vítima pode ter morrido há alguns dias (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

Pescadores de um pesque-pague localizado no limite de Araucária e Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, tomaram um verdadeiro susto na tarde deste domingo (19) após encontrarem um corpo boiando no Rio Verde, bem próximo a Estrada do Formigueiro. Segundo os pescadores, eles aproveitavam o dia de sol quando se depararam com Lourenço da Silva Souza, de 51 anos, já morto.
De acordo com o tenente Thiago Escobar, é provável que as fortes chuvas da última semana tenham levado a vítima até ali, já que o corpo apresentava avançado estado de decomposição. “Não é possível perceber se ele foi assassinado ou se são ferimentos provocados no rio. Consultamos o sistema e até o momento não há queixa de desaparecimento”, explicou.
A vítima usava calça e estava com os documentos. A polícia ainda localizou R$ 361, que descarta a possibilidade de roubo seguido de morte.
A Delegacia de Araucária investiga o caso.
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Mick Fanning sofre ataque de tubarão na final de J-Bay, mas escapa ileso


Etapa quase acaba em tragédia. Tricampeão chega a ser derrubado da prancha por animal, mas é resgatado sem ferimentos. Final é cancelada, e Mineirinho segue líder

Por Jeffreys Bay, África do Sul

A etapa de Jeffreys Bay por muito pouco não termina em uma grande tragédia. O australiano Mick Fanning sofreu um ataque de tubarão ao vivo logo no início da final do evento, contra o compatriota Julian Wilson. O tricampeão mundial estava parado em sua prancha quando foi surpreendido pelo animal. Ele tentou se proteger com a prancha e afastar o tubarão com socos. Demonstrando um semblante de desespero, Fanning chegou a ser atingido no rosto e foi derrubado na água. Em determinado momento, o australiano sumiu das imagens causando grande apreensão. Logo depois, reapareceu tentando nadar para a costa.
O resgate agiu rápido. Uma lancha e dois jet skis da organização se deslocaram para a cena do ataque e socorreram os surfistas. Para alívio geral, Fanning saiu da água inteiro, sem ferimentos, assim como Julian, que havia surfado em direção ao amigo para tentar ajudar. Os tubarões chegaram a cortar a corda que prendia a prancha ao pé do australiano, mas não o machucaram.  (veja vídeo)
Momento em que tubarão se aproxima de Mick Fanning durante final da etapa de Jeffreys Bay (Foto: Divulgação / WSL)Momento em que tubarão se aproxima de Mick Fanning durante final da etapa de Jeffreys Bay (Foto: Divulgação / WSL)

Já na lancha, mas ainda muito assustado, Fanning deu seu relato sobre o incidente:
- Era dos grandes. Eu estava sentado, parado e comecei a sentir algo ficar preso em minha perna e instintivamente eu pulei, tentando escapar. Mas ele começou a atacar minha prancha, eu comecei a gritar e socá-lo. Eu só vi barbatanas, não vi dentes. Eu estava esperando os dentes em mim. Chutei a traseira dele – disse Fanning, assustado, mas mantendo o bom humor.
Gif - Fanning - Atque de Tubarão - Surfe (Foto: globoesporte.com)
Final é cancelada, e Mineirinho mantém liderança do ranking
Passado o susto, a organização da WSL se reuniu com Fanning e Julian e decidiu não realizar mais a final. Com isso, ambos ficaram com a pontuação de 2º colocado, e Adriano de Souza, o Mineirinho, seguiu como líder do ranking. Os dois australianos eram os únicos dos competidores a chegar nas quartas de final que poderiam passar o brasileiro na tabela, caso fossem campeões do evento. Confira o ranking.
Leia mais:
Mick Fanning faz sinal de positivo após escapar de ataque de tubarão na fial de Jeffreys Bay (Foto: Reprodução)Mick Fanning faz sinal de positivo após escapar de ataque de tubarão na fial de Jeffreys Bay (Foto: Reprodução)
Após o ataque, a bateria foi interrompida imediatamente. Havia pouco menos de quatro minutos de bateria dos quarenta previstos. Somente Julian havia pegado onda e liderava com 6.67. Por precaução e ainda apreensiva com o enorme susto, a organização da WSL a princípio adiou a disputa da final para segunda-feira. Horas depois, os dirigentes sentaram com os dois surfistas e chegaram ao consenso que o melhor seria encerrar o evento. Fanning havia chegado à decisão após vencer Kelly Slater na semifinal, enquanto Julian derrotou o compatriota Adrian Buchan.
- Temos regras e regulamentos para incidentes como esse. Aparentemente foram dois tubarões. Só vamos retomar a final assim que tivermos 100% de segurança para os surfistas competirem. Não só Mick, mas Julian também pode não estar se sentindo confortável em voltar para a água hoje. É a primeira vez que isso acontece na história do surfe profissional. Nunca tínhamos visto isso – disse o comissário adjunto da WSL, o brasileiro Renato Hickel, momentos antes de decretar o adiamento da final para segunda-feira.
Mick Fanning mostra corda da prancha cortada por tubarões em Jeffreys Bay (Foto: Reprodução)Mick Fanning mostra corda da prancha cortada por tubarões em Jeffreys Bay (Foto: Reprodução)
Uma hora depois do incidente, Fanning voltou a dar entrevistas. Visivelmente abalado e com os olhos marejados, o australiano mal conseguia concatenar as frases.
- Estou tão aliviado, estou viajando ainda. Estou feliz por poder competir novamente, sair de lá bem... - disse.
Também assustado, Julian Wilson, em lágrimas, que estava na água no momento do ataque, se disse aliviado por nada de grave ter acontecido com Fanning:
- Eu vi tudo. Eu estava tipo "por favor"... Achei que o bote de segurança não chegaria a tempo. Só estou feliz que ele está vivo - desabafou Julian.
Imagem aérea do ataque de tubarão a Mick Fanning na final da etapa de Jeffreys Bay (Foto: Divulgação / WSL)Imagem aérea do ataque de tubarão a Mick Fanning na final da etapa de Jeffreys Bay (Foto: Divulgação / WSL)








Mick Fanning desce escadas chorando após susto com ataque de tubarão em Jeffreys Bay (Foto: WSL)Mick Fanning desce escadas chorando após susto com ataque de tubarão em Jeffreys Bay (Foto: WSL)
Aliviados, Mick Fanning e Julian Wilson se abraçam após susto com ataque de tubarão em Jeffreys Bay (Foto: WSL / Cestari)Aliviados, Fanning e Julian Wilson se abraçam após susto com ataque de tubarão em Jeffreys Bay (Foto: WSL / Cestari)
Litoral sul-africano tem histórico de ataques de tubarões
O litoral sul-africano abriga uma das maiores concentrações de tubarões brancos, presença frequente em praias como Jeffreys Bay. Os surfistas ficam com o alerta ligado. Em 2007, o australiano Mick Lowe se assustou ao ver um animal na competição, e, em 2003, o aussie Taj Burrow deixou a disputa com medo de um tubarão. No dia anterior, Strider Wasilewski, o repórter aquático da WSL, havia precisado deixar a água devido a presença de tubarões. Antes da etapa, o próprio Mick Fanning havia dito que nunca tinha visto tubarões na região e contou como reagiria. 
- Eu já mergulhei com tubarões na costa de J-Bay em uma gaiola e aquilo foi selvagem, mas eu nunca vi nenhum no line-up. É algo que pode te enlouquecer se você pensar muito. Eu prefiro sempre seguir a minha intuição, se eu sentir o perigo, eu não fico dentro da água - disse Fanning, na ocasião.

No último mês, o bodyboarder Caleb Swanepoel, de 19 anos, perdeu a perna direita e sofreu lacerações na esquerda depois de um ataque de um tubarão branco em Buffels Bay. No dia anterior, o surfista Dylan Reddering, de 23, foi atacado, em Plettenberg Bay. No ano passado, um enorme tubarão branco foi visto em um dia de condições perfeitas em J-Bay, causando pânico entre os surfistas. O ex-top da elite mundial Daniel Ross, da Austrália, foi um dos primeiros a perceber a presença do animal. Após a debandada, o big rider Grand "Twiggy" resolveu voltar ao mar usando um "shark pod", uma espécie de "repelente" de tubarões. O dispositivo eletrônico emite ondas sonoras que afastam os predadores. O aparelho, utilizado por surfistas e mergulhadores, funciona em 90% das vezes, segundo testes realizados por pesquisadores da Universidade da Austrália Ocidental (UWA).