Requião ataca MP


Enfurecido com a denúncia sobre as pedaladas fiscais que cometeu no seu governo entre 2003 e 2007 na Saúde, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) atacou o Ministério Público, classificando as ações como “molecagem” e irresponsável. “Estou requerendo a folha individualizada dos membros do MP-PR (Ministério Público do Paraná) com planos Bresser, URV, etc, mais diárias recebidas nos últimos 12 meses”, ameaçou no Twitter.
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“Mesmo reconhecendo a utilidade do MP temos que responsabilizar pesadamente a molecagem de alguns de seus membros. A irresponsabilidade do MP, denúncias absurdas vazadas, compromete credibilidade e ações sérias e corretas a que alguns membros se dedicam!”, completou o senador.
O Ministério Público entrou com uma ação civil de improbidade administrativa contra Requião por ele não aplicar, quando estava no governo, entre 2003 e 2007, os recursos exigidos por lei na saúde. O MP pediu a suspensão dos direitos políticos de Requião de três a cinco anos, pagamento de multa civil e proibição de contratar com o poder público.

Lula busca FHC para discutir crise e conter impeachment


O ex-presidente Lula autorizou amigos em comum a procurar seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso, e propor uma conversa entre os dois sobre a crise política. O objetivo imediato do movimento é conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. As informações são da Folha de S. Paulo.
Há cerca de duas semanas, amigos de Lula discutiram separadamente com ele e FHC a possibilidade de um encontro dos dois. Os contatos ocorreram às vésperas de o tucano viajar de férias para a Europa.
Lula disse a aliados que a conversa poderia ser por telefone e antes de Fernando Henrique viajar. O tucano preferiu deixar a definição de um eventual encontro para ser discutida depois que ele voltar ao Brasil, em agosto.
Não foi o primeiro aceno de Lula à oposição. Em maio, ele encontrou o senador José Serra (PSDB-SP) na festa de um amigo comum e disse que gostaria de marcar uma conversa reservada. Lula derrotou Serra na eleição de 2002.
Lula tem mantido somente os aliados mais próximos informados sobre essas conversas, e só avisou que procuraria Fernando Henrique na véspera de autorizar os contatos com o antecessor.
A intenção do petista é buscar um conciliador na oposição para tentar dissipar, pelo menos dentro do PSDB, as forças que trabalham pelo impeachment da presidente.
A crise que envolve Dilma aprofundou-se nas últimas semanas, com o avanço das investigações sobre corrupção na Petrobras, a crise econômica e a rebeldia dos aliados do PT no Congresso.
SEM INTERMEDIÁRIOS
Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Instituto Lula afirmou nesta quarta-feira (22) que o ex-presidente não tem interesse em conversar com Fernando Henrique nem soube de nenhum interesse da parte do antecessor.
Por e-mail, Fernando Henrique disse à Folha: “O presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento público.”
Serra não quis confirmar o conteúdo da conversa que teve com Lula em maio, e disse apenas que não tem nenhum encontro marcado com ele.
As informações sobre a movimentação de Lula foram confirmadas à Folha por integrantes do Instituto Lula e políticos de três partidos. Para a assessoria de Lula, “relatos anônimos” servem apenas para alimentar “especulação”.
RADICALIZAÇÃO
A aliados com quem discutiu o assunto, Lula disse preferir uma conversa discreta com FHC. O petista tem procurado evitar que seus movimentos ampliem a radicalização do ambiente político.
Lula, que fez recentemente críticas ao modo como Dilma vem lidando com a crise, tem procurado agir como bombeiro e procurou líderes do PMDB, como o senador Renan Calheiros (AL), para conter os ânimos no Congresso.
O ex-presidente debateu com seus auxiliares durante meses a decisão de buscar reaproximação com os tucanos. Os petistas sabem que a radicalização da campanha presidencial do ano passado, em que Dilma atacou FHC, tornou mais difícil o diálogo com eles.
No PSDB, há dúvidas sobre a conveniência de uma conversa que tenha como tema a governabilidade de Dilma. Mesmo tucanos considerados moderados, que hoje são contra o impeachment, temem que um diálogo com o PT seja visto como conchavo e arranhe a imagem do partido.
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que foi derrotado por Dilma na eleição presidencial do ano passado, é visto pelos petistas como um dos principais obstáculos a qualquer tentativa de acerto entre os dois grupos políticos.

Articulação por Rocha Loures


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A corrente Construindo um Novo Brasil, a majoritária do PT, vem defendendo que Rodrigo Rocha Loures, o ex-deputado pelo PMDB do Paraná e número dois da articulação política, passe a responder oficialmente pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI).
Terminada a distribuição de cargos, a ideia é que Michel Temer passe a cuidar das grandes articulações políticas e Loures toque o dia a dia da relação com o Congresso, como a SRI tradicionalmente fazia.
A mudança seria mais simbólica.
Rocha Loures já ocupa o gabinete que sempre foi do ministro da SRI. Só passaria a ter o status de ministro.

Alvaro Dias no PSB, monta a chapa com Osmar e Requião



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O senador Alvaro Dias, do PSDB, está pronto, de mala e cuia, para migrar para o PSB. Concluiu que o tucanato nativo não lhe dará espaço para candidatar-se a governador ou até mesmo a presidente da República, sonho de qualquer político.
Os tucanos da terra têm uma leitura própria para o caso. Acreditam que Alvaro Dias será candidato a governador e que comporá sua chapa em acordo com o PMDB de Requião. Sua chapa se completaria com Requião e o mano Osmar Dias, no PDT, como candidatos ao Senado.
Desde já, fica claro que esse projeto exclui o PT e o PSDB, condição que Alvaro, Osmar e Requião consideram confortável. A ida de Alvaro para o PSB foi comunicada ao governador Beto Richa por Severino Araujo, que sempre se recusou a fechar com Alvaro e com Requião. De onde se conclui que ele estará fora dessa grande manobra para 2018.
O tucanato palaciano acha que a articulação existe, se apresenta forte, mas que há muita água para correr sob a ponte antes de 2018. Ora, pois, fica evidente que Alvaro trabalha para deixar Beto Richa sem mandato de senador.

Surfista que não teve sorte de Mick narra ataque de tubarão; imagem forte


Diferentemente de Fanning, Wagner Cataldo foi mordido na cintura enquanto surfava nas Ilhas Reunião em 1990 e precisou levar 150 pontos: "Foi uma investida certeira"

Por Cabo Frio, RJ
Parecia cena de filme. Mas não era. O ataque de tubarão sofrido por Mick Fanning foi bem real. E as imagens que rodaram o mundo e ganharam os noticiários não negam: o australiano foi um felizardo por sair ileso do episódio. Feito, no entanto, que acabou não acontecendo com Wagner Cataldo. Por mais que se considere um homem de sorte - não igual a Mick, mas, ainda sim, um sortudo -, o morador de Armação dos Búzios, Região dos Lagos do Rio, foi mordido na cintura por um tubarão no dia 5 de março de 1990, enquanto surfava nas Ilhas Reunião, no Oceano Índico - no mesmo lugar em que outro surfista foi atacado na última quarta-feira. Sozinho, ferido e sem os mesmos recursos para ser socorrido, ele precisou se virar como pôde para sobreviver e, hoje, 25 anos depois, narrar os momentos de drama vividos.(veja vídeo abaixo)
Wagner Cataldo, surfista de Búzios (Foto: Arquivo pessoal)Wagner Cataldo se recuperando da mordida de tubarão e exibindo a prancha danificada (Foto: Arquivo pessoal)

- Eu estava deitado na prancha e remando quando tomei a mordida de um tubarão-tigre. Ele mordeu um pedaço da prancha e me atingiu entre a bacia e a costela. Foi uma investida certeira dele - recordou o surfista, que na ocasião tinha 30 anos e está prestes a completar 55.
Tomado pelo pânico e agindo por instintos, Wagner Cataldo revela que, após os segundo iniciais do ataque, procurou nadar em direção a um coral próximo, onde também acabou se ferindo, mas encontrando refúgio do animal. De lá, o surfista seguiu em direção à areia para encontrar um amigo que lhe ajudou nos primeiros socorros antes de encaminhá-lo para o hospital.
- No momento, o que me motivou a reagir foi o sangue. Eu não fazia ideia da gravidade dos ferimentos. Foi o que me levou a agir rápido. Foi como se eu tivesse me atracado com o tubarão, em uma atitude primitiva. Eu me dei conta que precisava agir para não tomar outra mordida - contou o buziano, que precisou levar aproximadamente 150 pontos no local da mordida.

Apesar de recuperado dos ferimentos e de ter voltado a surfar pelo mundo afora novamente após o drama com o tubarão, Wagner Cataldo não esconde: o psicológico ficou abalado.
- Hoje eu consigo fazer tudo normalmente. Continuo surfando. O grande problema é o psicológico. Ele não fica totalmente curado. Eu entro na água com um olho no padre, outro na missa - afirma o surfista, que acredita que o australiano, ainda que volte a subir nas pranchas, nunca mais será o mesmo por todo o susto que viveu.
- Sei que o psicológico dele também ficará afetado, por mais que ele volte ao mar - disse.
As Ilhas Reunião têm um histórico alarmante de vítimas de tubarões. O ataque de quarta-feira foi o quarto somente este ano no local - desde 2011, já foram 18. Em maio, o jovem Elio Canestri, tido como um dos surfistas mais promissores da região, foi morto por um tubarão-touro.
FANNING ERA O ALVO?
O surfista de Búzios vai na contramão do que foi dito por especialistas após o ataque a Fanning. Wagner Cataldo entende que o tubarão na verdade não teve êxito na hora de realizar a mordida e considera o australiano um sortudo por não ter se ferido (veja o ataque a Fanning no vídeo acima).
- Eu diria que o Mick teve muita sorte, uma sorte muito grande. Eu também tive sorte, assim como outras pessoas, por continuar vivo. Mas no caso dele, ele saiu ileso, o tubarão errou o primeiro ataque, e ele conseguiu sair da água sem se ferir. Eu tenho quase certeza que ele tentou o ataque, mas errou o alvo. Nem todas as investidas são certeiras. Eles não acertam 100%. Existe uma margem de erro.
IMAGEM FORTE A SEGUIR
Ferimento do surfista Wagner Cataldo (Foto: Arquivo pessoal)Ferimento do surfista Wagner Cataldo após o ataque de tubarão (Foto: Arquivo pessoal)

Confira abaixo a entrevista com Wagner Cataldo na íntegra.
Investida certeira
O meu caso aconteceu no dia 5 de março de 1990. Eu estava surfando na Ilha de Reunião. Eu estava deitado na prancha e remando quando tomei a mordida de um tubarão-tigre. Ele mordeu um pedaço da prancha e me atingiu entre a bacia e a costela. Foi uma investida certeira dele.
Ações primitivas
No momento, o que me motivou a reagir foi o sangue. Eu não fazia ideia da gravidade dos ferimentos. Foi o que me levou a agir rápido. Foi como se eu tivesse me atracado com o tubarão, em uma atitude primitiva Eu me dei conta que precisava agir para não tomar outra mordida.

Fuga pelos corais
Depois que passam os primeiros segundos, que são uma eternidade, você começa a pensar em tudo. Eu vi que tinha um coral perto e a minha reação foi seguir para lá. Mas foi terrível, acabou que me machuquei todo. Acabei tendo alguns cortes nos corais também. Mas fui seguindo, até que ficou raso. Foi então que consegui chegar na areia e encontrar o meu amigo.
Sozinho no mar
Diferentemente do Fanning, eu não tinha ninguém por perto, não tinha jet ski na água, não tinha evento. Eu tive que sair da água sozinho, me salvar sozinho. Um amigo meu que estava na areia me ajudou com os primeiros socorros e me encaminhou para o hospital. Lá eu tomei uns 150 pontos e recebi o tratamento necessário. Foi questão de tempo para me recuperar.

Sorte por sair ileso
Acaba que todos os ataques de tubarões são meio parecidos. Mas eu diria que o Mick teve muita sorte, uma sorte muito grande. Eu também tive sorte, assim como outras pessoas, por continuar vivo. Mas no caso dele, ele saiu ileso, o tubarão errou o primeiro ataque e ele conseguiu sair da água sem se ferir. Foi socorrido e passa bem.
Wagner Cataldo, surfista de Búzios (Foto: Arquivo pessoal)Wagner voltou a surfar mesmo depois do ataque de tubarão que sofreu (Foto: Arquivo pessoal)
Solidariedade com Fanning
Quando eu vi o ataque do Mick, eu, de certa forma, me identifiquei, pois também já passei por isso. Sei que o psicológico dele também ficará afetado, por mais que ele volte ao mar. Ele deu muita sorte por tudo, mas me solidarizei por isso, por saber o que é passar por isso.

Psicológico abalado
Na ocasião eu tinha 30 anos. Vou fazer 55 agora. Hoje eu consigo fazer tudo normalmente. Continuo surfando. Fisicamente estou bem, o grande problema é o psicológico. Ele não fica totalmente curado. Eu entro na água com um olho no padre, outro na missa. O psicológico fica realmente afetado. Você fica mais precavido por tudo que já viveu.
Tubarão errou o alvo
Eu tenho quase certeza que ele tentou o ataque, mas errou o alvo. Nem todas as investidas são certeiras. Eles não acertam 100%. Existe uma margem de erro. Pelo que vi das imagens, eu assinaria embaixo que o tubarão errou o ataque. É muito difícil falar, só estando lá, mas diria que ele errou o alvo mesmo. Que a intenção era realmente atacar.

Menina de 12 anos quer se casar com pai que a engravidou após abuso


Jovem grávida. Imagem ilustrativa.
Jovem grávida. Imagem ilustrativa. Foto: Reprodução / Øyvind Holmstad / Creative Commons
Extra

Uma menina, de 12 anos, cuja identidade não foi divulgada, surpreendeu magistrados de uma corte no Uruguai, na última quarta-feira, ao expressar o seu desejo de se casar com o próprio pai, de 41 anos, que a engravidou após um caso de abuso sexual. A vítima, que recusou a opção de interromper a gravidez, hoje está com sete meses de gestação. Seu agressor, cujo nome também é mantido em sigilo, está preso. As informações são dos sites “Diario La Republica” e “El País”.
“Eu quero me casar, ainda que a lei me proíba”, disse a menina, que acrescentou: “Quero ter meu bebê. Já até tenho roupinhas. Não importa que eu seja jovem”.
Segundo a imprensa uruguaia, a menor, que sofre de um leve retardo psicológico, engravidou aos 11 anos. O caso só foi descoberto em abril, quando ela já estava com 14 semanas de gestação. Autoridades concederam à vítima o direito ao aborto, mas ela recusou.
O caso levantou polêmica no país. Na época, em uma entrevista com um psicólogo, a menina afirmou que quis engravidar. A mãe (da vítima) afirmou que concordava com o aborto. Porém, os responsáveis pelo Ministério da Saúde Pública afirmaram que não poderiam obrigar a garota a interromper a gravidez, mesmo com a previsão dos médicos de que continuar a gestação poderia lhe causar problemas de saúde.
“A menor (estuprada e grávida) não está consciente de sua atual situação. Seu único interesse é preservar o relacionamento (com o abusador), que se dá pelo seu baixo nível intelectual e transtornos de conduta e impulsividade”, esclareceu o psicólogo em seu parecer sobre o caso. “A menor se encontra em uma situação de extrema vulnerabilidade emocional e existencial”.
O caso da menina, cuja família é de baixa renda, está sendo acompanhado pelas autoridades uruguaias, que os tem ajudado. Saudável, ela deve ter o bebê dentro do prazo previsto pelos médicos. O pai dela segue preso. Pela lei, ela não pode se casar com ele.


Gravações mostram ex-secretário e Puccinelli falando sobre esquema


Empresas movimentaram bilhões de reais em contratos fraudulentos, diz PF.
Ex-chefe do Executivo estadual diz que contratos foram feitos dentro da lei.

Do G1 MS com informações da TV Morena
A Polícia Federal (PF) descobriu esquema envolvendo empresas que movimentaram bilhões de reais em contratos fraudulentos em Mato Grosso do Sul. Segundo a PF, elas agiam no governo estadual e também em prefeituras. No fim de 2014, a PF monitorava o então secretário-adjunto de Fazenda, André Luiz Cance, um dos investigados na operação Lama Asfáltica. Em uma das gravações telefônicas, ele conversa com o então governador André Puccinelli (PMDB).veja vídeo
saiba mais

Em nota divulgada à TV Morena, o ex-governador André Puccinelli (PMDB) informou que não teve acesso ao inquérito nem foi notificado. Puccinelli disse ainda que todas as compras e contratações de serviços no governo dele foram feitas com base na lei e com orientação jurídica. O ex-chefe do Executivo estadual afirmou que está à disposição da Justiça para esclarecimentos e se dispôs a autorizar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e patrimonial dele. Concluiu a nota dizendo que a Justiça entendeu que não há indícios de crime envolvendo o nome dele.
A TV Morena tentou contato com André Luiz Cance, que este ano exercia a função de chefe de divisão da ouvidoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE), mas ele pediu exoneração do cargo. A publicação saiu no Diário Oficial do TCE na quarta-feira (22).
Puccinelli: Xará?
Cance: Senhor.
Puccinelli: Eu preciso falar com você, para que amanhã tenha uma boa alvorada.
Cance: Certo! Não, pode deixar.
Puccinelli: A hora que você puder me ligar hoje ou ir lá na minha casa, qualquer hora eu te atendo.
Cance: Não, tudo bem.
Puccinelli: Para que amanhã tenhamos uma boa alvorecer, uma boa alvorada.
Cance: Já entendi, pode deixar que eu faço.
No dia seguinte ao telefonema, 23 de dezembro de 2014, o Diário Oficial do Estado publicou a dispensa de licitação em dois processos da gráfica e editora Alvorada. Os contratos somam mais de R$ 5,5 milhões para a compra de livros. Na mesma semana, Puccinelli e Cance voltam a falar sobre a gráfica.
Puccinelli: Oi.
Cance: Oi chefe.
Puccinelli: Você lembra de que ficou de levar aqueles documentos lá pra mim?
Cance: P... Lembro.
Puccinelli: E tem mais os outros da gráfica também.
Cance: Ó, o da gráfica eu já consegui. É pra levar pro senhor também?
Puccinelli: Sim... Aí você leva todos os dois tipos de documentos, para eu fazer a escrita final, eu fazer a prestação de contas terça-feira... eu vou decorar tal e vê tudo direitinho .
Cance: Pode deixar.
Puccinelli: Porque pode ser que tenha mil folhas, quinhentas folhas.
Cance: Sim senhor, pode deixar.
Um dia antes do fim do mandato de Puccinelli, o governo publicou um aditivo que aumenta o valor de um contratos em quase R$ 6 milhões.
Segundo o relatório da PF, em uma conversa, João Amorim e André Cance se referem ao ex-governador André Puccinelli.
João: André? Seguinte, nós estamos com um encontro atrasado, né?
Cance: É. Nós não, né?
João: Ah é?
Cance: É. Contou maior história lá, pra mim ontem. Eu levei ontem lá.
João: Mas, e daí o cara não vai cumprir?
Cance: Disse que vai. Fez um discurso tão bonito, quase chorei ontem.
João: Não. Mas esse aí, que ele ficou?
Cance: Então, já entreguei pra ele.
João: Mas ele que vai entregar?
Cance: Disse que é.
João: Tá bom.
Operação
A operação Lama Asfáltica foi deflagrada em 9 de julho, cumprindo 19 mandados de busca e apreensão em residências de investigados e em empresas. A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal também foram à Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra).
Funcionários não puderam entrar para trabalhar e foram dispensados. De acordo com o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel, quatro servidores foram afastados.
Em nota, a assessoria do governo do estado disse que o afastamento foi por determinação judicial e que “vai tomar todas as providências administrativas cabíveis para averiguar os fatos e garantir a lisura de todos os procedimentos realizados pelo órgão”.
Na nota, a assessoria diz ainda que a operação não tem relação com a atual gestão e que o Executivo está “totalmente à disposição” para apoiar a investigação e vai acompanhar a evolução das apurações.
Fraude
Conforme a Receita Federal, as investigações que resultaram na operação Lama Asfáltica começaram há dois anos. Naquela época houve a suspeita de que importante empresário do estado e pessoas ligadas a ele estaria corrompendo servidores públicos, fraudando licitações e desviando recursos públicos.
De acordo com divulgado pela Receita, o grupo agia voltado a licitações. A suspeita é de que empresários recebiam valores supostamente superfaturados e, em contrapartida, repassavam parte dos lucros que, por sua vez, eram entregues a servidores coniventes com tal direcionamento e com os sobrepreços.
Segundo a PF, os prejuízos aos cofres públicos somam, aproximadamente, R$ 11 milhões, de um montante de R$ 45 milhões fiscalizados. Foram identificadas ainda vultuosas doações de campanhas à candidatura de um dos principais envolvidos.
Nos dois anos de investigação foram encontrados indícios de prática de diversos crimes, tais como sonegação fiscal, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva e fraudes à licitação.
A operação é desencadeada pela Receita Federal do Brasil (RFB), PF, Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Ministério Público Federal (MPF). O nome da operação faz referência a um dos insumos utilizados nas obras identificadas durante as investigações com evidências de serem superfaturadas.
Segundo a PF, a suposta organização criminosa atua no ramo de pavimentação de rodovias, construção de vias públicas, coleta de lixo e limpeza urbana, entre outros.

Polícia divulga vídeos com imagens de ator horas antes de ser morto na Baixada Fluminense


Ricardo Rigel
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A Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense divulgou nesta quinta-feira imagens do produtor cultural Adriano da Silva Pereira, de 33 anos, horas antes de ser assassinado. O corpo dele foi encontrado no último dia 8, num valão no bairro Três Marias, em Nova Iguaçu, a cerca de 30 quilômetros do local onde foi visto pela última vez.
No primeiro vídeo, Adriano aparece embarcando num ônibus da Viação Flores, na Rua Joaquim da Costa, em Belford Roxo, à 0h10m. Em outro vídeo, já à 1h04m, ele aparece caminhando com aparência tranquila na Rua Oscar Soares, em direção ao Centro de Nova Iguaçu.(assista ao vídeo)
O corpo de Adriano foi encontrado no último dia 8, num valão no bairro Três Marias, em Nova Iguaçu, a cerca de 30 quilômetros do local onde foi visto pela última vez.
O corpo de Adriano foi encontrado no último dia 8, num valão no bairro Três Marias, em Nova Iguaçu, a cerca de 30 quilômetros do local onde foi visto pela última vez. Foto: Mazé Mixo/ Divulgação
— Pelo que apuramos com familiares e amigos do Adriano, essa era uma prática rotineira dele. Como sofria de insônia, gostava de sair à noite para passar o tempo e, muitas vezes, encontrar os amigos — explicou o delegado-assistente da DH, Paulo André Souza.
O policial disse que a divulgação dessas imagens pode ajudar na localização de testemunhas, que podem ligar para o Disque-denúncia (2253-1177) ou para a própria DH (2779-6692).
Para a DH, Adriano foi vítima de homofobia ou crime passional
Para a DH, Adriano foi vítima de homofobia ou crime passional Foto: Mazé Mixo/ Divulgação
Os últimos passos de Adriano foram registrados pela câmera de segurança de um estabelecimento comercial na Avenida Governador Portela, no Centro de Nova Iguaçu.
— Nossa principal linha de investigação é de que o Adriano tenha sido vítima de um crime de homofobia ou passional. Ele apanhou muito no rosto e tomou 12 facadas no peito. Provavelmente, foi espancado num lugar público e levado, já morto, para o local onde foi encontrado.


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