Policial de Ohio alega ser inocente sobre assassinato de homem negro


Fiança de Ray Tensing, de 25 anos, foi estipulada em US$ 1 milhão.
Samuel DuBose foi baleado na cabeça durante blitz de trânsito.

Da France Presse
Um policial branco de Ohio que atirou em um homem negro durante uma blitz de rotina, atitude classificada por procuradores como "sem sentido" e movida por raiva, declarou-se inocente por homicídio, nesta quinta-feira (30).(veja vídeo)
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O caso vem à tona no momento em que osEstados Unidos lidam com o agravamento de tensões raciais na sequência de uma série de incidentes de alta repercussão envolvendo afro-americanos desarmados sendo assassinados por policiais em situações questionáveis.
Um juiz estipulou a fiança de US$ 1 milhão a ser paga por Ray Tensing, em uma breve audiência transmitida pela televisão. Tensing, de 25 anos, não se pronunciou ao sair da corte algemado e vestindo um uniforme de presidiário preto e branco.
O agente, que atuava como policial do campus da Universidade de Cincinnati, inicialmente alegou que atirou depois que Samuel DuBose tentou fugir em seu carro e o arrastou com ele. Porém, as câmeras acopladas ao uniforme do policial mostram que Tensing não esteve em perigo durante nenhum momento do incidente.
O policial Ray Tensing comparece à Corte do condado de Hamilton, em Cincinnati, para audiência sobre a morte de Samuel DuBose, na quinta (30) (Foto: AP Photo/John Minchillo)O policial Ray Tensing comparece à Corte do condado de Hamilton, em Cincinnati, para audiência sobre a morte de Samuel DuBose, na quinta (30) (Foto: AP Photo/John Minchillo)
Fotos de Samuel DuBose são vistas em memorial em sua homenagem, na quarta (29), perto do local onde ele foi morto por um policial, em Cincinnati (Foto: AP Photo/Tom Uhlman)Fotos de Samuel DuBose são vistas em memorial em sua homenagem, na quarta (29), perto do local onde ele foi morto por um policial, em Cincinnati (Foto: AP Photo/Tom Uhlman)
Os procuradores questionaram porque o policial tentou impedir DuBose de ir embora, em primeiro lugar, já que "ele não estava lidando com um suspeito de homicídio, mas apenas com alguém sem a placa do carro", disse o procurador Joseph Deters.
O vídeo mostra o policial se aproximando do carro e pedindo a DuBose sua carteira de motorista e os documentos do veículo. O homem calmamente questiona porque foi parado e diz que esqueceu a carteira em casa. Menos de dois minutos depois, DuBose pega as chaves do carro e Tensing grita: "Pare! Pare!".
Em um piscar de olhos, uma arma aparece nas imagens e DuBose se joga no assento de seu carro. O vídeo pula para o momento em que Tensing persegue o carro atirando. DuBose morreu imediatamente, segundo Joseph.
A cidade de Cincinnati foi atingida por vários dias de distúrbios violentos após o homicídio de um homem negro desarmado em 2001.

Sobrevivente da Kiss morre por problema pulmonar, diz associação


Óbito teria ocorrido há cerca de 45 dias, segundo informação da AVTSM.
Dirigente da entidade diz que caso serve de alerta para sobreviventes.

Do G1 RS
Um sobrevivente do incêndio na boate Kiss, ocorrido na madrugada de 27 de janeiro de 2013 em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, morreu devido a problemas pulmonares, conforme informou nesta quarta-feira (29) a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). Segundo o dirigente da entidade Flávio Silva, pai de uma das vítimas da tragédia, o jovem será a vítima de número 243 conforme a contagem da associação.
Silva afirmou ter ficado sabendo da morte do jovem de 27 anos pela mãe, que procurou a AVTSM. Ele não sabe ao certo a data, mas acredita que ele tenha morrido há cerca de 45 dias.
"Ele esteve junto na noite da tragédia, e ajudou ainda a fazer a retirada de alguns jovens lá de dentro. Este menino deu entrada no Hospital Universitário. Conversei com a mãe dele há uns 10 dias. Ela estava bastante nervosa, pois ele já tinha outra doença, então, em questão da fumaça, agravou o problema de saúde dele, fazendo com que o pulmão parasse de funcionar", disse Silva.
O integrante da associação afirma que a morte do jovem deve servir de alerta aos sobreviventes, para que busquem atendimento médico. "Estamos pensando em fazer uma campanha de alerta para conscientizar sobreviventes e familiares em razão da importância da continuidade do tratamento dos sobreviventes, principalmente se inalaram a fumaça toxica. Esta época é perigosa, pois é quando os problemas respiratórios se apresentam com mais força", afirmou.
G1 tentou contato com a Secretaria Estadual de Saúde, mas não obteve retorno.
Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. A tragédia matou 242 pessoas, sendo a maioria por asfixia, e deixou mais de 630 feridos. O fogo teve início durante uma apresentação da banda Gurizada Fandangueira e se espalhou rapidamente pela casa noturna, localizada na Rua dos Andradas, 1.925.
O local tinha capacidade para 691 pessoas, mas a suspeita é que mais de 800 estivessem no interior do estabelecimento. Os principais fatores que contribuíram para a tragédia, segundo a polícia, foram: o material empregado para isolamento acústico (espuma irregular), uso de sinalizador em ambiente fechado, saída única, indício de superlotação, falhas no extintor e exaustão de ar inadequada.
Ainda estão em andamento os processos criminais contra oito réus, sendo quatro por homicídio doloso (quando há intenção de matar) e tentativa de homicídio, e os outros quatro por falso testemunho e fraude processual. Os trabalhos estão sendo conduzidos pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada. Sete bombeiros também estão respondendo pelo incêndio na Justiça Militar. O número inicial era oito, mas um deles fez acordo e deixou de ser réu.
Entre as pessoas que respondem por homicídio doloso, na modalidade de "dolo eventual", estão os sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffmann, além de dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o funcionário Luciano Bonilha Leão. Os quatro chegaram a ser presos nos dias seguintes ao incêndio, mas a Justiça concedeu liberdade provisória a eles em maio de 2013.
Atualmente, o processo criminal ainda está em fase de instrução. Após ouvir mais de 100 pessoas arroladas como vítimas, a Justiça está em fase de recolher depoimentos das testemunhas. As testemunhas de acusação já foram ouvidas e agora são ouvidas as testemunhas de defesa. Os réus serão os últimos a falar. Quando essa fase for finalizada, Louzada deverá fazer a pronúncia, que é considerada uma etapa intermediária do processo.
No dia 5 de dezembro de 2014, o Ministério Público (MP) denunciou 43 pessoas por crimes como falsidade ideológica, fraude processual e falso testemunho. Essas  denúncias tiveram como base o inquérito policial que investigou a falsificação de assinaturas e outros documentos para permitir a abertura da boate junto à prefeitura.

Delator da Lava Jato revela nova operadora de contas na Suíça







São Paulo - Em seu depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 28, o novo delator da Lava Jato e operador para a Diretoria de Serviços da Petrobras Mário Góes revelou aos investigadores a atuação de uma nova operadora de contas para movimentar propinas na Suíça. Ela se chama Denise Kos, segundo o delator.
Até então, a Lava Jato e o Ministério Público Suíço já estavam investigando Bernard Freiburghaus, que, segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal, cuidava das contas do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa - este recebia propinas da Odebrecht no esquema de desvios na estatal, diz a Lava Jato.
De acordo com Mário Góes, o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco o apresentou a Denise Kos para a criação da empresa Maranelle e da conta de mesmo nome na Suíça "tendo o declarante apenas fornecido seus dados e a sua documentação, que a partir de então passou a manter contatos constantes com Denise, tanto por telefone como pessoalmente", relatou Góes, que atuava como procurador da conta na Suíça.
Ele disse ainda que Denise é brasileira e mora na Suíça. O próprio Barusco, em sua delação, entregou aos investigadores documentos da conta Maranello e admitiu que era uma das utilizadas para o recebimento de propinas no exterior.
Góes revelou ainda que "periodicamente" Barusco lhe perguntava se a conta havia recebido depósitos e que, nestes casos, o ex-gerente da Petrobras "providenciava" para Góes um contato telefônico com Denise para que ele conferisse as informações sobre as transações. "Essas ligações eram feitas pelo sistema Voip não recordando o nome da empresa no momento", disse o delator.
Góes admitiu que mantinha extratos e outros registros da conta, mas que, no começo de 2014, Barusco pediu a ele que destruísse toda a documentação, pois estava preocupado com a investigação do caso SBM no exterior, e também pediu que Denise encerrasse a conta Maranello.
Além da investigação na Lava Jato, Pedro Barusco também está na mira das autoridades suíças pelas propinas que ele admitiu ter recebido da holandesa SBM Offshore desde a década de 1990. No ano passado, os suíços bloquearam US$ 67 milhões do executivo no exterior antes de ele ser enquadrado pelas autoridades brasileiras.
No depoimento nesta terça, 28, Mário Góes revelou ter ouvido de Barusco que Denise Kos foi apresentada a ele por Julio Faerman, representante da SBM que negociou propina com Barusco desde o primeiro contrato de navio-plataforma da Petrobras na década de 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Com o depoimento, a força-tarefa pode abrir mais uma frente para investigar o complexo esquema das empreiteiras para repassar propinas aos ex-executivos da Petrobras no exterior que envolvia empresas de fachada, offshores e até subsidiárias de empreiteiras brasileiras no exterior. Desde o ano passado, as investigações da Lava Jato contam com a colaboração das autoridades suíças, que também investigam indícios de lavagem de dinheiro do esquema da Petrobras nos bancos daquele país

Jovem é flagrado por câmera de segurança tentando enforcar gato


Vídeo caiu nas redes sociais e causou revolta em Votuporanga (SP).
Ele foi identificado e disse à polícia que estava apenas brincando.

Marcos LavezoDo G1 Rio Preto e Araçatuba
Um vídeo de um jovem tentando enforcar um gato em um bairro de Votuporanga (SP) ganhou as redes sociais e causou revolta dos internautas. A filmagem foi feita pelo circuito de segurança de uma casa. A ação foi flagrada no último sábado (25) (veja acima). Nesta quarta-feira (29), o suspeito, de 18 anos, foi identificado pela polícia e multado em R$ 3 mil por maus-tratos. Para a polícia, o jovem negou que tentou enforcar o gato e que estava apenas brincando com o animal.(veja vídeo)
Quem postou o vídeo na internet foi o protetor de animais Leonardo Brigagão, integrante da Spavo (Socidedade Protetora dos Animais de Votuporanga). Ele recebeu o vídeo da moradora da casa, que tem circuito de segurança que registrou a ação. “Ela até chegou a instalar as câmeras porque os gatos dela estavam morrendo envenenados. O marido dela viu o rapaz tentando enforcar o gato. Ela me entregou o material para a gente tentar identificar o rapaz”, afirma Leonardo.
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Nas imagens, é possível ver um jovem tentando enforcar o animal. Ele segura o gato pelo pescoço com as duas mãos e gesticula com força.
Segundo Brigagão, o rapaz só parou porque um homem que passava pela rua teria pedido para ele parar. “A cena realmente é muito forte e quando recebi o vídeo procurei a Polícia Ambiental. A pessoa que fez este tipo de coisa tem de ser punida”, diz.
O gato não morreu e os protetores de animais estão tentando resgatá-lo, já que é um gato de rua. Se tivesse morrido, a multa ao jovem suspeito de agredir o animal seria de R$ 6 mil.
Jovem é flagrado enforcando gato por uma câmera de segurança (Foto: Spavo/Colaboração)Jovem é flagrado enforcando gato por uma câmera de segurança (Foto: Spavo/Colaboração)

Mãe terá de vender próprias roupas para custear tratamento de filha no RS


Menina sofre de Síndrome de Sanfilippo, doença crônica e progressiva.
Mãe luta na Justiça para receber remédio que é importado da Polônia.

Paula MenezesDo G1 RS
Mãe busca recursos para tratamento de filha com doença rara (Foto: Arquivo Pessoal)Mãe busca recursos para tratamento de filha com
doença rara (Foto: Arquivo Pessoal)
A rotina da corretora de imóveis Daniela Franco, de 41 anos, tem sido marcada pela luta para melhorar a saúde da filha mais nova, Gisela, de 13. A menina tem uma doença rara que se manifesta principalmente no sistema nervoso central e, aos poucos, pode lhe tirar a capacidade da fala e da visão, entre outras consequências, que podem levá-la à morte. Um medicamento que tem sido aliado das duas desde a descoberta do problema não é mais custeado pelo estado, por decisão da Justiça, e agora a mãe cogita vender as próprias roupas para pagar o tratamento.
Gisela, moradora de Porto Alegre, sofre de Mucopolissacaridose tipo IIIB, a Síndrome de Sanfilippo, uma doença crônica e progressiva, causada pela deficiência de uma enzima. Ela causa atraso no desenvolvimento, retardo mental e alterações no comportamento. Conforme a mãe, a idade mental da menina equivale a de uma criança de cinco anos. Quando o problema foi descoberto, em 2009, os médicos disseram que ela viveria no máximo até os 20 anos. Porém, em 2012, a família ganhou na Justiça o direito de ter custeado pelo estado a vinda de um medicamento da Polônia.
O Soyfem, conforme Daniela, ajuda a frear os avanços da doença. Ele não está na lista dos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Daniela, não fosse a medicação, a saúde da filha estaria muito debilitada. Atualmente, a menina consegue ir a uma escola municipal, dedicada a alunos com necessidades especiais, e conviver com os colegas. Gisela não sabe ler ou escrever, mas reconhece os números e o alfabeto. Os passeios são feitos  em cadeira de rodas. No entanto, o aparelho não é necessário todo o tempo.
Gisela (esquerda) com a mãe e a irmã mais velha (Foto: Arquivo Pessoal)Gisela (esquerda) com a mãe e a irmã mais velha
(Foto: Arquivo Pessoal)
O problema é que, desde o início desse ano, a Justiça deixou de garantir o direito de receber a verba para o remédio. Para cada remessa vinda do exterior, são necessários US$ 500, conforme os cálculos da mãe. A família afirma que passa por dificuldades e não tem condições de custear o tratamento.
“A Justiça alega que o medicamento não tem nota fiscal padrão, que não há mais de um orçamento e que há problemas na forma de pagamento, que só pode ser feita por cartão de crédito. Mas como vou dar mais de um orçamento se só existe esse laboratório na Polônia que faz?”, questiona. “Não posso esperar mais. Sem o tratamento, ela pode piorar, parar de andar, de enxergar”.
G1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que como o processo corre em segredo de justiça não pode dar mais detalhes sobre o caso.
A última leva dos medicamentos foi comprada pela internet com a ajuda de um amigo de Daniela. Eles encomendaram as doses necessárias para a menina, mas agora ela precisa pagar o empréstimo. A mãe tenta na Justiça o reembolso do valor. Separou laudos do Hospital de Clínicas sobre a doença e anexou a comprovação da compra pelo cartão de crédito. A resposta foi negativa.
Daniela luta para conseguir medicação para Gisela (Foto: Arquivo Pessoal)Daniela luta para conseguir medicação
para Gisela (Foto: Arquivo Pessoal)
Com problemas financeiros, a corretora de imóveis separou roupas suas, de Gisela e da filha mais velha, Pietra, de 15 anos. A ideia é criar uma página na internet para que as peças sejam colocadas à venda. Além disso, Daniela tem economizado na própria medicação da filha. Ela afirma que a menina precisaria tomar 36 comprimidos por dia. Mas, com medo de que o remédio acabe, só tem ingerido cerca de 24.
“Meu pai vendeu até um terreno que tinha na praia, quando descobrimos a doença. Agora são as roupas, mas vou vender o que precisar”, afirma. “Eu estou com aluguel atrasado, estou devendo. Vivo de empréstimos para que eu possa tratar minha filha”.
Mesmo com as dificuldades, Daniela afirma que não pensa em desistir. A fé também mobiliza a família. “Não tenho medo de enfrentar tudo e todos, pois precisamos dar uma qualidade de vida melhor para minha filha". O e-mail para auxiliar a família é danielaofranco1974@hotmail.com.
Mãe já separou malas e sacolas com roupas para vender (Foto: Arquivo Pessoal)Mãe já separou malas e sacolas com roupas para vender (Foto: Arquivo Pessoal)

Adolescentes suspeitos de abusar de menina em escola são apreendidos


Ministério Público do Paraná investiga caso de abuso sexual em Itaguajé.
Vítima diz que abuso aconteceu no vestiário da quadra de escola pública.

Do G1 PR, com informações da RPC Noroeste
Escola de Itaguajé (Foto: Reprodução RPC)Menina foi abusada na quadra do único colégio
estadual de Itaguajé (Foto: Reprodução RPC)
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) investiga um caso de abuso sexual contra uma menina de 11 anos dentro de uma escola pública em Itaguajé, no noroeste do Paraná. Seis adolescentes, que têm entre 14 e 16 anos, foram encaminhados para um Centro de Sócioeducação (Cense), pois são suspeitos de praticarem o ato. De acordo com a promotoria, os menores gravaram o estupro e depois compartilharam o vídeo pelas redes sociais.
Segundo a família da vítima, a menina foi levada por dois dos adolescentes até a quadra da escola, e lá um dos jovens teve relação sexual com ela. Enquanto o abuso ocorria, os outros filmavam a ação. A família ainda afirma que os mesmos menores tentaram estuprar a criança quatro dias antes, mas no dia ela conseguiu fugir e evitar que o ato fosse consumado.
“A minha irmã é muito reservada, no dia que aconteceu o abuso ela chegou em casa, jantou, tomou banho e foi dormir. Os meus pais não desconfiaram de nada. No outro dia, uma amiga minha recebeu o vídeo no celular e me mostrou. Só depois disso é que ficamos sabendo de tudo”, lembra a irmã da vítima.
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O abuso aconteceu no único colégio estadual da cidade, onde estudam 562 alunos. Segundo o advogado da família Caio Germiniano, o estupro teria acontecido a tarde, durante horário de aula. Segundo as investigações da Polícia Civil e também do MP-PR, os adolescentes teriam levado a criança de 11 anos para dentro do vestiário da quadra de esportes, e lá praticado o estupro.
“A menina está totalmente abalada, transtornada. Ela não quer mais frequentar o colégio e nem sair de casa. Esses meninos causaram um trauma muito grande na vida dela”, diz o advogado.
O promotor que fez a denúncia confirma que houve o abuso sexual, mas como o caso envolve menores, o processo está em segredo de justiça.
A família da garota também quer que a escola seja responsabilizada. Segundo o advogado Caio Germiniano, a criança disse no depoimento ao MP-PR que as professoras orientavam as alunas a não frequentarem a quadra quando não tivesse nenhum professor ou funcionário da escola por perto.
“A nossa maior indignação é que tudo aconteceu dentro do colégio. Como nós vamos ter confiança de deixá-la sozinha na escola. Como que sete crianças somem de dentro da sala de aula e ninguém vai atrás, ninguém vai saber onde esses alunos estão?”, argumenta a irmã da criança.
Depois dessa situação, a mãe da menina diz que a filha não frequentará as aulas no colégio este ano. “Eu não me conformo com o que fizeram com a minha filha. Eu vejo a minha filha morta. O que eles [adolescentes] fizeram não tem justificativa. Não tenho coragem de levar a minha filha para a escola, pois tenho medo do que podem fazer com ela”, se emociona.
“Não esperava que uma coisa dessa fosse acontecer na escola. Estou indignada de ter acontecido dentro da escola. Que escola é essa que não tem responsabilidade com o filho dos outros? Você manda seu filho pra escola e pensa que ele está seguro, mas não está”, constata a mãe da criança.
No município com menos de 4.649 habitantes a violência e a exposição nas redes sociais assustam. “Nesse caso teremos que fazer um trabalho com todo o colégio. Não sabemos se esse vídeo ficou só em Itaguajé ou se já espalhou para outras cidades. Cabe a escola e ao município que façam um trabalho de conscientização com os estudantes”, diz a presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, Daniela Patrícia Souza.
O chefe do Núcleo Regional de Educação em Paranavaí, também na região noroeste, disse por meio de nota que vai abrir uma sindicância para apurar os supostos atos irregulares que tenham ocorrido dentro do Colégio Estadual Lourdes de Melo. No entanto, ele não informou o prazo para o término dessa investigação.
O advogado que defende os seis adolescentes, disse que só vai se pronunciar sobre o caso depois da audiência marcada para próxima segunda-feira (3).

Lava Jato: advogada diz que se sentiu ameaçada por integrantes da CPI


Em entrevista exclusiva, a advogada Beatriz Catta Preta, especializada em delações premiadas, explica por que resolveu deixar casos da Lava Jato.

O Jornal Nacional teve uma entrevista exclusiva com uma advogada que recentemente se tornou uma das principais personagens da Operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras. Beatriz Catta Preta explicou por que resolveu abandonar, de uma hora pra outra, todos os casos que defendia. Sem citar nomes, ela disse que se sentiu ameaçada por integrantes da CPI da Petrobras e que decidiu encerrar a carreira de advogada por zelar pela segurança da família. ((veja vídeo)
De volta a São Paulo, depois de 34 dias com a família nos Estados Unidos, Beatriz Catta Preta diz que não precisa se esconder de ninguém.
Jornal Nacional: Muito que se fala que a senhora deixou os clientes e fugiu do Brasil. Tirou os filhos da escola, saiu de São Paulo, e se mudou pra Miami. A senhora está morando em Miami?
Beatriz Catta Preta: De forma alguma, eu saí de férias. Aliás, eu costumo sair de férias e viajar pra lá, sempre que os meus filhos estão em período de férias escolares. Nunca cogitei sair do país, ou fugir do país como está sendo dito na imprensa.
Catta Preta é advogada criminal há 18 anos, e é considerada uma das maiores especialistas do país em delação premiada - quando os acusados de crimes passam a colaborar com a investigação.
Discreta, não costuma dar declarações públicas. Foi contratada por nove investigados na Operação Lava Jato. Todos deram detalhes do esquema de corrupção na Petrobras.
O primeiro foi o ex-diretor Paulo Roberto Costa, e cinco parentes dele. Além de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, ex-executivo da Toyo Setal, Júlio Camargo, ex-consultor também da Toyo Setal, e o ex -gerente da Petrobras Pedro Barusco.
Mas recentemente ela desistiu do caso e deixou de advogar para os clientes da Lava Jato.
Beatriz Catta Preta: Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela segurança da minha família, dos meus filhos, eu decidi encerrar a minha carreira na advocacia. Eu fechei o escritório.
Jornal Nacional: É medo?
Beatriz Catta Preta: Sim.
Jornal Nacional: A senhora recebeu ameaças de morte pra tomar essa decisão?
Beatriz Catta Preta: Não recebi ameaças de morte, não recebi ameaças diretas, mas elas vêm de forma velada. Elas vêm cifradas.
Até quarta-feira (29) era em São Paulo que funcionava o escritório da advogada Beatriz Catta Preta. Era, porque, como se pode observar, as salas estão todas vazias. Beatriz dispensou os funcionários, levou tudo embora e disse que está abandonando a carreira. Não vai mais advogar. Teve um episódio nas delações da Lava Jato que foi determinante pra essa decisão radical.
Jornal Nacional: Foi a partir dessa nova revelação do Júlio Camargo que a senhora sentiu que o foco de retaliação se voltou pra senhora?
Beatriz Catta Preta: Sim. Vamos dizer que, aumentou essa pressão, aumentou essa tentativa de intimidação a mim e a minha família.
Júlio Camargo mudou a versão inicial do depoimento dele sobre o presidente da Câmara, deputadoEduardo Cunha, do PMDB. Júlio disse que pagou a Eduardo Cunha US$ 5 milhões. Depois disso, Catta Preta foi convocada para depor na CPI.
Jornal Nacional: O Júlio Camargo, nos seus primeiros depoimentos, não falava de Eduardo Cunha, que tinha pago propina pro presidente da Câmara, que tinha dado 5 milhões, não dava revelações claras e informações tão precisas como ele deu agora recentemente. Por que que isso não foi feito antes?
Beatriz Catta Preta: Receio. Ele tinha medo de chegar ao presidente da Câmara.
Jornal Nacional: E por que ele muda de ideia? O que o faz mudar de ideia?
Beatriz Catta Preta: A colaboração dele, a fidelidade, a fidedignidade da colaboração, o fato de que um colaborador não pode omitir fatos, não pode mentir, o levaram então a assumir o risco. Aquele risco que ele temia, e levar todos os fatos então à Procuradoria-Geral da República.
A advogada garante que Júlio Camargo apresentou provas em todos os depoimentos dele. Inclusive o que relata pagamentos de propina ao presidente da Câmara.
Beatriz Catta Preta: Todos os depoimentos prestados sempre vieram respaldados. Com informações, dados, documentos, provas definitivas. Nunca houve só o dizer por dizer.
Beatriz Catta Preta diz que a gota d´água pra desistir da Lava Jato foi a decisão da CPI da Petrobras na Câmara de chamá-la pra depor.
Jornal Nacional: A senhora se sente realmente perseguida?
Beatriz Catta Preta: Sem dúvida nenhuma.
Jornal Nacional: E a senhora se sente intimidada?
Beatriz Catta Preta: Sim, com certeza.
Jornal Nacional: A senhora consegue identificar de onde vem essa intimidação que a senhora enxerga tão claramente hoje?
Beatriz Catta Preta: Vem dos integrantes da CPI, daqueles que votaram a favor da minha convocação.
Jornal Nacional: Inclusive do presidente da Câmara, Eduardo Cunha?
Beatriz Catta Preta: Não posso afirmar, eu não vi nenhum depoimento dele a respeito desse assunto.
A CPI quer que a advogada diga quanto ganhou dos clientes da Lava Jato e de onde veio o dinheiro.
Jornal Nacional: Deputados comentam e até alguns advogados ligados à Lava Jato falam em off, nos bastidores, que a senhora já ganhou mais de R$ 20 milhões com as delações da Lava Jato. Essa cifra procede?
Beatriz Catta Preta: Esse número é absurdo. Não chega perto da metade disso.
Jornal Nacional: Esse dinheiro que a senhora recebeu dos clientes da Lava Jato foram todos pagos por dentro? A senhora recebeu algum dinheiro fora do Brasil? A senhora sabe da origem desse dinheiro?
Beatriz Catta Preta: O dinheiro foi todo recebido via transferência bancária, aqui no Brasil, ou depósitos em cheque, na conta do escritório, tudo mediante nota fiscal, impostos recolhidos. A vida financeira do escritório, a minha vida financeira é absolutamente correta. Nunca recebi um centavo fora do Brasil.
A Ordem dos Advogados do Brasil entrou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal pra que Beatriz Catta Preta não seja obrigada a comparecer à CPI.
Beatriz Catta Preta: Se eu tiver que ir a CPI, infelizmente tudo o que eu vou poder dizer a eles é que eu mantenho o sigilo profissional e não vou revelar nenhum dado que esteja protegido por sigilo.
Presidente do STF autoriza Catta Preta a não falar sobre questões que envolvem sigilo
No fim da tarde desta quinta-feira (30), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, autorizou a advogada Beatriz Catta Preta a não falar na CPI da Petrobras sobre questões que envolvam sigilo profissional, como o recebimento de honorários.
Segundo Lewandowski, a tentativa de investigar a origem dos honorários é ilegal. Na decisão, o presidente do Supremo criticou a convocação da advogada e declarou que não se pode transformar defensores em investigados, subvertendo a ordem jurídica.
Sobre as declarações da advogada Beatriz Catta Preta de que se sente ameaçada por integrantes da CPI da Petrobras, o autor do requerimento pra ouvi-la, deputado Celso Pansera, do PMDB, disse que apresentou a convocação dentro do seu direito de cidadão e de deputado e que a aprovação foi consensual. O deputado também declarou que Beatriz Catta Preta não será intimidada pela CPI.
O presidente da comissão, Hugo Motta, também do PMDB, disse que a convocação da advogada foi uma decisão suprapartidária, o que, segundo ele, afasta a acusação de perseguição.
Advogado de Eduardo Cunha diz que declarações de Catta Preta não fazem sentido
O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, que também é do PMDB, não quis gravar entrevista. O advogado dele, Antônio Fernando de Souza, disse, em nota, que as declarações de Beatriz Catta Preta não fazem sentido, uma vez que Júlio Camargo já havia negado o envolvimento de Cunha publicamente.
No entendimento do advogado, as declarações da advogada dão a impressão - do que ele chamou - de "coisa montada". Para ele, a mentira salta aos olhos.
Antônio Fernando voltou a negar veementemente o envolvimento do presidente da Câmara nas fraudes e disse ter certeza que Júlio Camargo não tem nenhum documento que ligue Eduardo Cunha às irregularidades.