Operador do PMDB se reúne para negociar delação

Fernando Soares, o Fernando Baiano, durante a CPI da Petrobras na sede Justiça Federal Curitiba (PR) - 11/05/2015
Fernando Soares, o Fernando Baiano, durante a CPI da Petrobras na sede Justiça Federal Curitiba (PR) - 11/05/2015(Vagner Rosario/VEJA)
Apontado pelo Ministério Público Federal como o operador de propinas do PMDB no escândalo do petrolão, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, discutiu nesta quinta-feira, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, as linhas gerais de um possível acordo de delação premiada.
Segundo investigadores, a situação jurídica do lobista seria uma das mais complicadas da Lava Jato por haver provas fartas de que atuou como intermediário de vantagens indevidas na Petrobras. Ainda assim, uma futura delação dele pode ampliar os indícios contra políticos do PMDB apontados como possíveis destinatários de propina e pode indicar também novos nomes de parlamentares alvo de dinheiro sujo movimentado na estatal.
Na última semana, o juiz Sergio Moro decretou a terceira prisão preventiva contra Baiano, praticamente eliminando a possibilidade de ele deixar a prisão em Curitiba. O novo decreto de prisão de Baiano ocorreu depois que o Ministério Público recolheu novas provas da atuação dele como intermediário do pagamento de propina da construtora Andrade Gutierrez. Para Moro, as evidências colhidas nos processos da Operação Lava Jato indicam que Fernando Baiano dedicava-se "profissional e habitualmente" à intermediação de propinas e a práticas de lavagem de dinheiro em contratos de grandes empresas com a administração pública. A atuação criminosa do operador do PMDB no petrolão inclui a simulação de consultorias de prestação de serviços no Brasil e o envio de propina para contas bancárias secretas, abertas no exterior em nome de empresas offshores.
Documentos enviados por investigadores da Suíça foram utilizados por Moro para sustentar que há elementos reforçando a necessidade de manter o lobista preso. Entre esses dados estão informações sobre contas na Suíça que indicam que Fernando Baiano era o beneficiário final de conta em nome da offshore Three Lions Energy, destino de propinas pagas pelo executivo Julio Camargo e repassadas ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Baiano também já foi apontado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa como a pessoa que pagou propina de 1,5 milhão de dólares para que não houvesse entraves à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Em depoimento de delação premiada, Costa indicou que Nestor Cerveró, autoridades ligadas ao PMDB e o operador do partido no escândalo do petrolão podem ter embolsado até 30 milhões de dólares em propina na compra da unidade de refino no Texas.Com potencial para implicar ainda mais políticos peemedebistas no petrolão, uma eventual delação do operador do PMDB no petrolão deverá ser fechada na procuradoria-geral da República, em Brasília.

Homem morto por bala perdida estava na sala de casa quando foi atingido

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- Foto: Nina Lima / Agência O Globo
Luã Marinatto
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Foi identificado como Floriano Fernandes Barbosa Filho, de 49 anos, o homem morto por uma bala perdida durante um tiroteio entre policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda) e bandidos na descida do Morro do Saçu, em Quintino, na Zona Norte do Rio, no início da tarde desta quinta-feira. A troca de tiros ocorreu na esquina das ruas Clarimundo de Melo com Lemos de Brito.
Floriano estava em casa, um prédio na Rua Clarimundo de Melo, sentado na sala, usando um computador, por volta de 12h40m, quando foi atingido na cabeça. A vítima morreu na hora. Os pais de Floriano estavam em casa, mas não foram feridos.
Segundo a polícia e testemunhas, uma viatura do 9º BPM passava pela Clarimundo de Melo quando foi alertada por moradores de que criminosos estavam num posto de gasolina na esquina da Lemos de Brito. Quando a PM chegou perto do posto, teve início a troca de tiros. Os policiais se abrigaram em frente ao prédio onde Floriano morava, enquanto os bandidos se esconderam atrás de um carro. (veja vídeo)
Vídeo mostra troca de tiros
Um vídeo, recebido pelo WhatsApp do EXTRA (21 99644-1263 e 21 99809-9952) mostra os bandidos circulando armados pelo posto de gasolina. Pouco depois, começa um intenso tiroteio:
Três carros também foram atingidos por tiros, além de casas. Uma moradora, que preferiu não se identificar, contou como foi o momento do confronto:
— Moro aqui desde que nasci, há mais de 20 anos. Nunca vi nada parecido com isso acontecer. A gente até ouve tiros, mas só nas comunidades do entorno. Me escondi nos fundos de casa e deitei no chão. Foi um desespero.
A Clarimundo de Melo, uma das principais ruas do bairro, está com um quarteirão interditado nos dois sentidos, tanto para veículos quanto para pedestres.


Ronda Rousey exibe excelente forma em dia de praia no Rio de Janeiro; fotos


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Ronda, ao centro, posa com suas duas irmãs na praia
Ronda, ao centro, posa com suas duas irmãs na praia Foto: Reprodução Instagram
Ainda de férias no Rio de Janeiro após conquistar o cinturão dos galos do UFC, a lutadora norte-americana Ronda Rousey, ao lado dos familiares, está aproveitando em grande estilo os seus dias de descanso.
Nesta quarta-feira, ela curtiu a Praia da Barra da Tijuca com a sua mãe, suas irmãs e o sobrinho. Na foto postada pela mãe, Ann Maria Mars, no Instagram, Ronda exibe uma ótima forma. Maria ortiz, uma das irmãs mais velhas da campeã, publicou uma selfie feita por elas na praia.
Depois de aproveitar a praia, Ronda foi tietada por alguns fãs no hotel de luxo onde está hospedada em Copacabana e chegou a autografar um livro.
Ronda Rousey (D) faz selfie com as irmãs na praia
Ronda Rousey (D) faz selfie com as irmãs na praia Foto: Reprodução / Instagram
As férias de Ronda começaram no domingo, um dia após a vitória sobre a brasileira Bethe Correia. Ela foi ao jogo entre Flamengo e Santos e vestiu a camisa rubro-negra.
Na segunda-feira, Ronda foi ao Corcovado. Na terça, ao Instituto Reação, do judoca Flávio Canto, onde deixou o cinturão que conquistou do UFC. A tendência é que ela deixe o Rio ainda nesta semana.
Ronda e irmãs são fãs de água de coco
Ronda e irmãs são fãs de água de coco Foto: Reprodução Twitter
Ronda Rousey autografou livro de fã e depois posou para foto
Ronda Rousey autografou livro de fã e depois posou para foto Foto: Reprodução Instagram
Ronda Rousey posa com fã após curtir praia
Ronda Rousey posa com fã após curtir praia Foto: Reprodução Instagram


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Câmara aprova projeto que permite ao usuário cancelar serviços de TV a cabo pela internet


Da Agência Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou, em caráter conclusivo, nesta quarta-feira (5), proposta que permite o cancelamento do serviço de TV por assinatura pela internet ou por telefone. A medida está prevista projeto da deputada Flávia Morais (PDT-GO). Se não houver recurso para votação em Plenário, a proposta seguirá para o Senado.
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
O texto acrescenta dispositivo à Lei da Comunicação Audiovisual de Acesso Condicionado. Regulamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sobre direitos e garantias dos consumidores dos serviços de telecomunicações, já prevê o cancelamento automático de serviços pela internet ou por telefone. A ideia da proposta é garantir a possibilidade em lei.
O parecer do relator, deputado Efraim Filho (DEM-PB), foi pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa da proposta e também do projeto principal, ao qual o projeto tramita apensado. Porém, o projeto principal foi anteriormente rejeitado pela única comissão de mérito, a Comissão de Defesa do Consumidor, assim como outras propostas apensadas, e deverá ser arquivado.
Apresentado pela ex-deputada Rose de Freitas assegurava ao consumidor o direito de cancelar de imediato, via internet, sua adesão a contrato de fornecimento de quaisquer produtos ou serviços.

Itália vai inspecionar presídios de SC para julgar extradição de Pizzolato


A vistoria das autoridades em duas penitenciárias brasileiras começa nesta quinta-feira (6)

REDAÇÃO ÉPOCA
05/08/2015 - 13h37 - Atualizado 05/08/2015 15h22
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A partir desta quinta-feira (6), começa a avaliação da extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, a partir da vistoria de representantes da Itália em doispresídios de Santa Catarina. A intenção é checar se estão aptos a abrigar Pizzolato, condenado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro no processo do mensalão. As informações são do G1, com base no que foi divulgado pela Secretaria do Estado da Justiça e Cidadania de Santa Catarina.
As inspeções serão feitas no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí e na Penitenciária Regional de Curitibanos. Pizzolato segue preso na Itália, na Penitenciária de Modena, enquanto aguarda a decisão sobre a extradição ao Brasil para cumprir a pena doSupremo Tribunal Federal (STF). “As unidades prisionais de Santa Catarina estão em plenas condições de receber qualquer tipo de apenado”, afirma Ada Faraco de Luca, secretária de Estado da Justiça e Cidadania, conforme o G1.
Nos julgamentos da Itália sobre a extradição, a defesa de Pizzolato argumenta que o presídio da Papuda, em Brasília, é vulnerável. Em contraponto, o Brasil afirma que a penitenciária está em condições de preservar os direitos do preso. A extradição de Pizzolato está suspensa até dezembro, conforme informou a Justiça italiana em julho.
GV
Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil condenado à prisão por envolvimento no mensalão (Foto:  Maurilo Clareto / Editora Globo)

Se caísse no Centro de Curitiba, bomba atômica seria sentida até em cidades da RMC


Por Felipe Ribeiro
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Seis de agosto de 1945, data que ficaria conhecida como uma das mais tristes da história e que marca o fim da Segunda Guerra Mundial. Setenta anos depois, estima-se que 140 mil pessoas foram mortas em Hiroshima, no Japão, até um ano após o lançamento de uma bomba atômica a mando do governo dos Estados Unidos. Mas e se a bomba caísse em Curitiba, quais seriam os efeitos? Testamos a ferramenta Nuke Map, um simulador desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia Stevens, nos EUA, que mostra números assustadores para o efeito da bomba.
Caso a bomba caísse na Praça Tiradentes, marco zero da capital paranaense, 40 mil pessoas morreriam na hora e os impactos poderiam afetar outras 128 mil. Em um raio que compreende as ruas Treze de Maio, Ermelino de Leão, Marechal Deodoro e Riachuelo, o efeito seria de devastação total. Já entre o bairro São Francisco, Shopping Estação e Hospital de Clínicas, o impacto poderia causar até 70% de mortes para quem estivesse no raio de alcance.
Outra ferramenta, disponibilizada pela ONG norte-americana Public Radio International (PRI), porém, mostra que os efeitos poderiam chegar em cidades como Colombo, Almirante Tamandaré, Pinhais e São José dos Pinhais. Nesses casos janelas poderiam ser quebradas e doenças poderiam ser desenvolvidas pelos efeitos da radiação.
A ferramenta, segundo a ONG foi desenvolvida para mostrar os riscos que a bomba atômica poderia causar nos dias de hoje. Em São Paulo, o número de mortos poderia chegar a 170 mil.
Bomba de Hiroshima
A bomba de Hiroshima foi lançada sob o comando de Paul Tibbetts e tinha como objetivo de forçar o Japão a se render. A bomba também foi uma demonstração de força à União Soviética, que dividiria com os Estados Unidos o poderio militar e um período conhecido como Guerra Fria, que durou pouco mais de quatro décadas.
Às 8h15, horário local, a bomba Little Boy foi lançada em direção à Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 500 m do chão. Quando viu os impactos na forma de uma nuvem gigantesca de fumaça e poeira, no formato de um cogumelo, o copiloto Robert Lewis escreveu no diário de bordo: “Deus, o que nós fizemos?”.

Até aliado de ministro rompe com governo


Marcos Rotta, escolhido para a presidência da CPI do BNDES, é aliado de Eduardo Braga, de Minas e Energia

MURILO RAMOS
06/08/2015 - 13h42 - Atualizado 06/08/2015 13h43
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Marcos Rotta  (Foto: Agência Câmara )
O deputado federal Marcos Rotta (PMDB-AM), escolhido como presidente da CPI do BNDES nesta quinta-feira, é um aliado muito próximo do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. Só que Rotta rompeu com o governo e tem votado com a turma do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que o indicou.
Rotta nutre o sonho de ser candidato a prefeito de Manaus pelo PMDB nas eleições de 2016. A exposição na CPI pode ajudar a catapultar sua candidatura.

Romário pede indenização de R$ 75 mi à Veja por divulgar extrato falso de conta na Suíça

Nesta quarta-feira, 5, o senador Romário disse que está processando a revista Veja e os jornalistas responsáveis por matéria que revelou extrato de uma suposta conta na Suíça em seu nome. O documento foi declarado falso em carta do banco BSI divulgada ontem.
Na edição de 25/7/15, o hebdomadário trouxe matéria intitulada "O mar não está para peixe". A reportagem informava que o MPF teve acesso a um extrato de uma conta em nome do ex-jogador no banco BSI, com saldo de 2,1 milhões de francos suíços, o equivalente a R$ 7,5 milhões. A quantia não teria sido declarada ao fisco.
Imediatamente, Romário foi às redes sociais se defender das acusações. O caso repercutiu na imprensa:
Depois o senador foi à Suíça para "passar a limpo a história". Segundo o ex-jogador, em reunião com seus advogados, os representantes do BSI afirmaram que o extrato era falso e que ele não tinha nenhum vínculo com a instituição financeira.
O mar está para peixe
Em carta datada de 5/8/15 enviada ao MP suíço, o BSI confirmou que o extrato era falso e que o senador "não é o titular de dita conta em nosso banco na Suíça". Disse que considera que os atos "constituem diversos delitos penais graves, em especial a falsificação de documentos". Por isso, prestou queixa no MP de Genebra solicitando a investigação da autoria da falsificação.
Veja a tradução do documento divulgada por Romário:
Ao Sr. Olivier Jornot
Procurador-Geral
Ministério Público
Assunto: Queixa penal contra desconhecido
Senhor Procurador,
A BSI SA lamenta ter que levar ao seu conhecimento os seguintes fatos, que constituem delito penal grave cometido por desconhecido.
No dia 24 de julho de 2015, a revista brasileira Veja publicou um artigo, em anexo, sobre o Senador da República Sr. Romário de Souza Faria, ex-jogador de futebol conhecido internacionalmente. A dita revista menciona que o Sr. Romário é titular de uma conta no banco BSI Suíça e publica um extrato bancário de número 032254AA de 1º de janeiro 2015 a 30 de junho 2015.
Nós estabelecemos como certo que este extrato bancário é falso e que o Sr. Romário de Souza Faria não é o titular desta conta em nosso banco na Suíça.
Os fatos que precedem nos parecem constituir diversos delitos penais graves, em particular o “falso nos títulos” (art. 251CP). Diante dos fatos, a BSI SA solicita a abertura imediata de um procedimento penal.
Agradecendo a continuação que o Sr. dará à presente queixa, queira aceitar Sr. Procurador Geral, a expressão da nossa mais alta consideração.
BSI SA
O MPF brasileiro também emitiu certidão alegando não haver "nenhum feito instaurado para apuração da suposta existência de conta corrente mantida pelo congressista na Suíça, não declarada à Secretaria da Receita Federal ou Banco Central do Brasil".
Ainda na noite de ontem, a Veja divulgou nota reconhecendo o erro e pedindo desculpas a Romário. "Estamos revisando passo a passo o processo que, sem nenhuma má fé, resultou na publicação do extrato falso nas páginas da revista, evento singular que nos entristece e está merecendo toda atenção e cuidado para que nunca mais se repita."
Danos morais
Com a carta do banco em mãos, em pronunciamento no Senado, o ex-jogador disse que "esse tipo de responsabilidade não pode passar em branco" e que está processando a Veja e os jornalistas Thiago Prado e Leslie Leitão por danos morais, no valor de dez vezes a quantia que alegaram que ele tinha na Suíça.
Romário afirmou ainda que os jornalistas não tiveram a "prudência" de apurar a veracidade do documento. "Tive uma mostra do que há de pior no jornalismo."
Finalizou: "O mar sempre esteve, está e continuará para peixe."


Exclusivo: MPF denuncia operador que recebeu US$ 10 mi para distribuir ao PMDB


Antes mesmo da Operação Lava Jato ser realizada, em março de 2014, ÉPOCA revelou a atuação do lobista João Augusto Henriques no esquema

FILIPE COUTINHO DIEGO ESCOSTEGUY
06/08/2015 - 16h28 - Atualizado 06/08/2015 16h28
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A força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou o núcleo responsável por colher e distribuir propina à bancada do PMDB na Câmara. O pedágio político era cobrado na área internacional da Petrobras, a partir de 2008, no segundo mandato de Lula. Entre os denunciados estão o ex-diretor Jorge Zelada e o lobista João Augusto Henriques, acusado de entregar US$ 10 milhões a políticos do PMDB.
FALOU, SIM O lobista João Augusto Henriques na conversa com ÉPOCA. Ele tentou negar o que dissera num momento de sinceridade, mas foi desmentido pelas gravações (Foto: Reprodução)
A denúncia foi oferecida pelos procuradores que atuam na primeira instância, em Curitiba. Por isso, nenhum integrante do PMDB com foro privilegiado foi citado. De acordo com os investigadores, a propina é resultado de um contrato irregular assinado por Zelada na Petrobras, no valor de US$ 1,8 bilhão. Trata-se da contratação do afretamento do navio-sonda da empresa Vantage Drilling. O navio era dos chineses da TMT e foi alugado à Vantage.
Assim como em outros casos, os operadores simulavam contratos de consultoria para levantar a propina em forma de comissão e, depois, remetiam o dinheiro ao exterior. De acordo com a investigação, o acerto era de US$ 31 milhões – metade para Zelada e seus operadores; e outra metade para João Augusto e deputados do PMDB.
“O pagamento de vantagem indevida destinada ao partido PMDB ocorreu por intermédio do lobista João Augusto Henriques mediante um segundo contrato de Comission Agreement também no valor de U$ 15.500.000,00, que foi assinado no mesmo ano do primeiro, entre a sociedade Valencia Drilling, empresa subsidiária do grupo TMT e uma offshore indicada por João Henriques”, diz o texto da denúncia, obtido por ÉPOCA.
Denuncia Jorge Zelada  (Foto: Reprodução)
Antes mesmo de a Operação Lava Jato ser realizada em março do ano passado, ÉPOCA já havia revelado o papel de João Henriques no esquema, atuando em favor do PMDB. “Repassei US$ 10 milhões ao PMDB”, disse o lobista à reportagem publicada em agosto de 2013.
No caso de Zelada, a propina era dividida com os operadores Raul Shmidt e Hamylton Padilha, além de Eduardo Musa, subordinado do diretor internacional da Petrobras. “Pelo acordo inicial, do valor de US$ 15.500.000,00 que seria recebido por Hamylton Padilha, metade ficaria com o próprio Padilha como ‘comissão’, utilizando parte destes valores para pagamento da propina a Eduardo Musa. A metade restante deveria ser repassados a Raul Schmidt, que utilizaria parte dos valores para o pagamento da vantagem indevida destinada a Jorge Zelada”.
Nos dois casos, contudo, houve um calote na última parcela da propina paga pela TMT e, dos US$ 31 milhões, cerca de US$ 20 milhões – US$ 10 milhões para cada grupo. O valor dado a João Henriques, segundo a denúncia, é o mesmo que ele disse a ter recebido, conforme reportagem de ÉPOCA.
No esquema Petrobras, João Henriques é um dos caminhos para desvendar a atuação do PMDB na diretoria internacional. Raul Shmidt, por sua vez, operava também para os ex-diretores Renato Duque, ligado ao PT, e Nestor Cerveró, antecessor de Zelada na diretoria internacional. A investigação contou ainda com adelação premiada de Hamylton Padilha, maior lobista da Petrobras, conforme revelado por ÉPOCA. Ele não só contou detalhes, mas também apresentou documentos, contas no exterior e contratos. Assim como Schmidt, Padilha também atuou com Cerveró. Além do caso da sonda Vantage, ele delatou o esquema de propina envolvendo uma sonda americana, que também será alvo de denúncia do Ministério Público Federal.
“A partir da colaboração premiada de Hamylton Padilha, elucidou-se a existência de um grande esquema de corrupção e lavagem de capitais envolvendo executivos de multinacionais, lobistas e operadores financeiros para o pagamento de propina a agentes públicos corruptos da Petrobras para viabilizar a contratação das empresas americanas Pride/Ensco e Vantagem pela Petrobras para o afretamento de outros dois navios-sonda”, escreveram os procuradores.
Na delação premiada, Padilha contou de reuniões em Nova Iorque e no Rio, no hotel Copacabana Palace, para tratar da propina do caso Vantage. Um dos encontros aconteceu no fim de novembro de 2008, no Hotel Four Seasons, entre Padilha e o chinês Nobu Su, responsável por pagar a propina em nome da empresa TMT, dona do navio-sonda. Com o acerto da propina, Nobu Su veio ao Rio. O objetivo era Padilha apresentar o lobista João Henriques. Em outras palavras: garantir que o dinheiro chegasse ao PMDB. Na delação, Padilha relatou reuniões no fim de dezembro, no Copacabana Palace. A investigação foi além das palavras do delator. Os registros do hotel mostram, de fato, que o chinês Nobu Su estava lá hospedado.
Procurado, o advogado de Jorge Zelada, Renato de Moraes, negou as acusações do MPF. “A defesa nega qualquer recebimento de vantagem ilícita na contratação da sonda objeto da denúncia”. A assessoria de Raul Schmidt não respondeu as perguntas até a publicação deste texto. A reportagem não localizou João Henriques e Nobu Su. Eduardo Musa não retornou as ligações da reportagem.
Os procuradores ofereceram denúncia pelos seguintes crimes:

João Augusto Henriques
Corrupção passiva
Jorge Zelada
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Hamylton Padilha (lobista) e Nobu su (empresário)
Corrupção ativa e lavagem de dinheiro

Eduardo Musa (funcionário subordinado a Zelada) e Raul Schmidt(operador)
Corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Collor chama Rodrigo Janot de "filho da p..." em discurso no Senado


Sussurrando, senador insultou o procurador-geral da República. Confira vídeo

REDAÇÃO ÉPOCA
06/08/2015 - 16h22 - Atualizado 06/08/2015 16h41
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O senador Fernando Collor (PTB-AL) em discurso no Senado. Ele insultou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot (Foto: Jefferson Rudy /Agência Senado)
senador Fernando Collor (PTB-AL) insultou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de "filho da p..." durante discurso na tribuna do Senado nesta quarta-feira (5), antes de Janot serreeleito pelos membros do Ministério Público Federal (MPF) nas eleições para o cargo por mais dois anos.
Collor, que é investigado na Operação Lava Jato, fez um discurso reclamando de um despacho de Janot. Nesse despacho, o procurador-geral recusou o pedido da defesa de Collor para devolver os carros de luxo apreendidos na Casa da Dinda em julho - entre eles um Lamborghini, uma Ferrari e um Porsche. Durante o discurso, Collor diz que suas empresas estão dentro da lei, e que os problemas nos pagamentos de parcelas dos carros não significam "falta de recursos escusos".
"Não podendo, jamais, em tempo algum, sob risco de grave ação judicial a quem afirme que tal atraso se deve a falta de recursos escusos. Afirmações caluniosas, infames", diz Collor, logo em seguida sussurrando, entredentes: "Filho da p...!". Para depois seguir no discurso.
O insulto, apesar de baixo, foi captado pelo microfone e pode ser claramente escutado na transmissão do discurso pela TV Senado. O vídeo da TV Senado está publicado no Youtube. O insulto acontece por volta dos 5 minutos de vídeo.
Collor é investigado pelo pela Polícia Federal na Operação Politeia- um desdobramento da Operação Lava Jato. Ele é acusado de ter comprado os carros de luxo com dinheiro do doleiro Alberto Youssef, por meio da empresa Água Branca Participações. Segundo Youssef e outros dois delatores da Lava Jato, Collor recebia recursos desviados em dinheiro vivo. ÉPOCA publicou documentos narrando os relatos de delatores sobre o caso.
O senador nega todas as acusações, tanto em notas oficiais divulgadas por seus advogados quanto em discursos no Senado que, agora, inovam com o uso de palavrão.