Empresário morre no Rio depois de pular de 'speedfly'


Tiago Cobra tinha pulado da Pedra Bonita.
Modalidade é uma espécie de parapente de velocidade.

Henrique CoelhoDo G1 Rio
Tiago Amorim Cobra morreu após acidente na Pedra Bonita, na Gávea (Foto: Reprodução/Facebook)Tiago Amorim Cobra morreu após acidente na Pedra Bonita, na Gávea (Foto: Reprodução/Facebook)
O empresário e paraquedista Tiago Amorim Cobra, 48 anos, morreu na tarde deste domingo (9) depois de pular de speed fly, uma espécie de parapente de velocidade, da Pedra Bonita, na Gávea. A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros.
Os bombeiros do Quartel da Gávea foram acionados para a ocorrência por volta das 15h20. Dois helicópteros levantaram voo para realizar o resgate do corpo de Cobra. Segundo a corporação, no momento do resgate o empresário já estava morto.
Em seu perfil no Facebook, o empresário postou vários vídeos praticando a modalidade no Rio recentemente e define Luanda como seu local de origem. No início da noite, amigos começaram a se manifestar lamentando a morte. 

Diabetes: Quatro hábitos para se manter saudável e com qualidade de vida


Redação com assessoria

O percentual de pessoas diabéticas passou de 5,3% para 7,4% entre 2006 e 2012, segundo dados divulgados em 2013 pelo Ministério da Saúde. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes – IDF, até 2025, o aumento mais expressivo na incidência do diabetes1 está previsto para os países em desenvolvimento. Ter conhecimento a respeito do crescimento da doença, no entanto, não basta. É importante entender do que se trata e como preveni-la, para conviver bem com ela.
É bastante comum ouvir que pessoas diabéticas devem evitar a [i]ingestão de açúcar, mas raramente se sabe o porquê dessa precaução. Em linhas gerais, para o bom funcionamento do organismo, células de diversas partes do corpo necessitam de muita energia, que é basicamente gerada pelo açúcar, uma caloria essencialmente útil para o corpo humano. Se esse açúcar, chamado glicose ultrapassar o limite de concentração, ele passa a ser nocivo ao ser humano. Surge, então, o diabetes, um grupo de doenças que, no Brasil, afeta cerca de 14 milhões de pessoas, e surgem 500 novos casos por dia, de acordo com o Ministério da Saúde.
Grande parte das pessoas que têm diabetes, no entanto, não sabe que tem a doença. Esse foi o caso da assistente de atendimento, Luana Soares, de 30 anos, que descobriu ter a doença em 2008, por acaso. “Quando meu primo, que é diabético, foi medir a glicemia dele, pedi que medisse a minha. Ela estava em 544”, comenta. “Quanto aos sintomas, só fui ligar uma coisa com a outra depois de realmente fazer exames e constatar que estava com diabetes”, conta.
Daniel Gentil, médico especialista em gestão da plataforma de saúde AbVita explica que sem o devido controle, o diabetes se torna grave. As altas taxas de glicose acumulada no sangue (hipergliciemia), podem, com o tempo, afetar rins, visão, nervos e até mesmo, às artérias do coração. Os mais comuns são Tipo 1 – Diabetes Mellitus Insulinodependente; Tipo 2 – Diabetes Melitus; e Diabetes Gestacional.
Mais qualidade de vida
Se não controlado, o diabetes pode desencadear sérios problemas de saúde, por isso a conscientização e a educação do paciente são dois dos principais aliados no controle da doença.
“O diabetes pode ser controlado de forma que o portador tenha qualidade de vida, porém para que isso aconteça é importante a combinação de dois fatores: a conscientização do paciente quanto a importância de um estilo de vida saudável o acompanhamento médico. A plataforma de saúde AbVita permite que, através da tecnologia, o especialista tenha um controle dos dados clínicos do portador de diabetes e possa prescrever linhas de cuidados que orientam quais exames e mudanças no estilo de vida devem ser feitos para que a pessoa avaliada permaneça saudável por mais tempo”, explica Daniel Gentil.
O especialista destaca quatro hábitos importantes para que o portador de diabetes possa viver de forma saudável:
1. Alimente-se de forma consciente: Quando o assunto é a dieta ideal para quem tem o problema, existem muitos mitos, mas a verdade é que ela varia para cada diabético. Um plano alimentar completo só pode ser oferecido após uma visita a um profissional qualificado, que deverá observar os níveis glicêmicos e de colesterol, o peso, a atividade física do paciente, além, é claro, de suas preferências alimentares. No entanto, algumas recomendações são iguais para todos: Fazer três refeições por dia intercaladas com pequenos lanches; preferir alimentos integrais, pois eles são ricos em fibras, que melhoram a ação da insulina; trocar leite integral por desnatado e preferir derivados mais magros e evitar sucos naturais, que possuem muitas porções de frutas. Procure consumir a fruta como tal, sempre em pequenas porções, com preferência para as menos calóricas.
2. Mexa-se: Prática diária de exercícios físicos e adoção de hábitos saudáveis, como boa alimentação, ajudam a manter o peso (essas ações contribuem para a prevenção e o controle do diabetes, especialmente, ao tipo 2, relacionado ao sobrepeso e obesidade). Quanto ao Diabetes Mettilus Gestacional, o tratamento também vem com dieta e exercício, geralmente. Nos poucos casos em que estes não são suficientes para o controle glicêmico, o tratamento é realizado com insulina;
3. Evite o consumo de bebidas alcoólicas: O álcool pode ser muito prejudicial para o portador de diabetes uma vez que contém mais calorias que a glicose e pode causar inflamação aguda do pâncreas, agravando ainda mais a doença;
4. Não fume: O fumo deve ser evitado, pois é altamente nocivo aos diabéticos, já que provoca o estreitamento das artérias e pode acelerar as complicações da doença.
Como os três tipos se desenvolvem:
Tipo 1 – Diabetes Mellitus Insulinodependente (DM1): Surge quando o organismo deixa de produzir ou produz apenas uma quantidade pequena do hormônio.
Tipo 2 – Diabetes Mellitus (DM2): É o tipo mais frequente e surge, geralmente, após os 40 anos de idade; possui um fator hereditário maior que o tipo 1; a relação com a obesidade e o sedentarismo é maior.
Diabetes Gestacional (DMG): Mais comum na gravidez, sobretudo se a mulher tiver mais de 30 anos e possuir parentes próximos que tenham a doença, além de já ter tido filhos que pesaram mais de quatro quilos ao nascer; a obesidade durante a gestação também é fator de risco neste caso.

Cardiologistas alertam para os problemas causados pelo colesterol alto


Da Agência Brasil


Considerado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia como grave problema de saúde pública, o colesterol alto não tem sintomas, a menos que a situação seja grave. Hoje (8), quando é promovido o Dia de Combate ao Colesterol Elevado, voluntários da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Associação de Pacientes com Hipercolesterolemia Familiar estarão entre as 8h e as 16h no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, fazendo a medição da dosagem de colesterol e dando orientações sobre alimentação.
A campanha é voltada especialmente para quem tem hipercolesterolemia familiar, ou seja, quem tem o problema de colesterol alto por origem genética. Segundo a cardiologista Tânia Martinez, a doença faz com que os membros da família estejam sujeitos ao infarto precoce, que ocorre antes dos 30 anos e, em alguns casos, até na adolescência.
A especialista explica que, embora não haja estatísticas, a estimativa é que uma em cada 250 pessoas apresenta o problema que, se não identificado e tratado, provoca um número muito grande de mortes evitáveis, e principalmente entre os jovens.
Segundo a SBC, a boa notícia é que o tratamento de hipercolesterolemia familiar é fácil e muito eficiente e a identificação das famílias com a tendência genética também. Se em uma família há registro de duas ou mais pessoas que tiveram infarto, principalmente antes dos 40 anos, e se o pai e amãe de uma criança têm colesterol elevado e precisam de tratamento, é recomendável o acompanhamento do nível de colesterol dos filhos. Em muitos casos, é possível identificar o problema antes dos 10 anos.
“É muito importante que as pessoas com parentes que tenham tido infarto ou derrame em idade precoce e quem apresentam algum outro fator de risco, como pressão alta, tabagismo, que seja diabético, tenham o colesterol dosado”, aconselha Tânia. Se a doença for tratada precocemente, a pessoa tem grandes chances de levar uma vida normal e evitar infarto.
A médica esclarece que, embora a dieta possa ajudar, quando o problema é familiar geralmente é necessário tratamento com remédios. A preocupação com o consumo de alimento como verduras, frutas, legumes e fibras e a recomendação de atividade física intensa sempre é importante.
O colesterol é um lipídio que auxilia no bom funcionamento do organismo, mas, em excesso, torna-se perigoso, sobretudo para os maiores de 60 anos, e pode causar doenças cardiovasculares, como infarto.
“Só quando o colesterol passa de uma concentração ideal é que começa a se depositar nas artérias. Começa a fazer umas estrias gordurosas e depois umas placas de gordura e ai as placas, dependendo da área do corpo, coração ou cérebro, promoverão eventos como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, angina”, explica Tânia.
Há dois tipos de colesterol: o “bom” (HDL) e o “ruim” (LDL). O consumo de fibra solúvel ajuda a reduzir a absorção de colesterol na corrente sanguínea. Esse tipo de fibra é encontrado na aveia, maçã, pera, ameixa e no feijão.
Peixes como truta, sardinha, atum, salmão, linguado, entre outros, são aliados contra o colesterol alto, pois contêm altos níveis de ômega-3, os ácidos gordos, que podem reduzir a pressão arterial e o risco de desenvolvimento de coágulos sanguíneos. Outros alimentos que ajudam a manter o bom colesterol e a evitar o mau são azeite e castanhas, iogurtes e suco de laranja.

Tatuador que enterrou pai 15 h antes do filho nascer celebra 1° Dia dos Pais


Pai de João morreu no último dia 20 de julho após parada cardíaca.
'É difícil. Eu bati de frente com a morte e nascimento muito rápido', conta.

Pâmela FernandesDo G1 RO
'Quero ser um pai assim como meu pai foi', diz João  (Foto: Pâmela Fernandes/ G1)'Quero ser um pai assim como meu pai foi', diz João  Pedro (Foto: Pâmela Fernandes/ G1)
O primeiro Dia dos Pais do tatuador João Pedro Rodrigues está sendo lembrado por dois sentimentos diferentes: o de tristeza e alegria. Há 20 dias, o pai de João teve três paradas cardíacas e morreu no Hospital de Ji-Paraná (RO), na região central do estado. Na manhã seguinte após enterrar o corpo de Otacilio de Souza Neto, a esposa do tatuador entrou em trabalho de parto e João recebeu seu primogênito.
Pai de primeira viagem, João diz que a chegada de Vicente era aguardada pelos dois há nove meses, mas a morte repentina o deixou em choque. "Meu pai já estava doente há muitos dias, mas ele não tinha contado para ninguém. Os exames disseram que ele estava com uma úlcera estourada há mais de vinte dias. Eu perdi meu chão. Ele era o melhor pai do mundo. Sempre cuidou muito bem dos filhos", conta.
João lembra que o seu Otacilio Neto começou a passar mal no dia 20 de julho, dois dias antes do nascimento de Vicente. Após ser levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Ji-Paraná, Neto teve três paradas cardíacas e morreu. O corpo foi sepultado na tarde do dia 21 de julho. 
João diz que pai Vicente esperava ansioso pelo neto (Foto: Arquivo Pessoal)João diz que pai Vicente esperava ansioso pelo neto
(Foto: Arquivo Pessoal)
Na manhã do dia seguinte, dia 22 de julho, após todo sofrimento do velório e enterro, a esposa de João, Natalia Hermano, entrou em trabalho de parto. "Quando ela me disse que tinha estourado a bolsa eu acho que estava meio anestesiado ainda, meio em choque. Fiz as coisas meio que no automático. Eu estava bem longe, meio sem entender o que estava acontecendo", relembra o tatuador.
O parto ocorreu dentro do previsto pela equipe médica e João recebeu Vicente nos braços. Começava ali a mais nova e maior responsabilidade da vida: ser pai.  "Muitas pessoas dizem que a vida da gente muda por completo logo de cara. Mas para mim, cada dia é uma nova descoberta, a cada dia o amor cresce ainda mais por ele. Hoje eu tento ser o pai, assim como meu pai foi para mim pro meu filho. Espero que consiga", diz entusiasmado.
Para João, a parte triste da  história é que pela primeira está passando o dia dos pais longe da pessoa que sempre o amou, apoiou e aconselhou. "Eu acho que meu pai sabia que ia morrer, pois poucos dias antes parecia que ele estava se despedindo. Sempre ligava perguntando como estava. Foi difícil vê-lo morto. Eu entendo que este é um processo natural, tanto nascer como morrer. Mas eu bati de frente com os dois muito rápido", relembra.
Homenagem
João conta que a vida do pai Vicente era em rodeios de touros. Já João escolheu ser tatuador. Por muito tempo sendo o caçula da família, ele conta que o seu estilo de vida era um tabu para o pai, mas sempre recebia apoio para continuar e se profissionalizar. 
Após morte, João fez uma tatuagem para homenagear pai (Foto: Pâmela Fernandes/ G1)Após morte, João fez uma tatuagem para homenagear pai (Foto: Pâmela Fernandes/ G1)
"Ele era bem ranzinza. Minha irmã dizia que eu tinha vindo para bater de frente com o estilo dele. Ele começou a ver como funcionava e viu que não era assim. Mudou completamente a cabeça dele e me incentivava a se profissionalizar", conta Pedro.
Poucos dias antes da morte do pai, João conta que viu um desenho de um cowboy e mostrou dizendo que faria o desenho em homenagem a ele. "Mostrei o desenho e ele gostou. Disse que faria e ia escrever embaixo:  Neto Barbudo (como era conhecido), ele gostou do desenho e depois acabei fazendo", conta.

Suspeitos de matar adolescente no RS riam dentro de cela, diz delegado


Ronei Júnior, de 17 anos, foi espancado até a morte em Charqueadas.
Até agora, 15 jovens, entre 15 e 21 anos, foram presos ou apreendidos.

Do G1 RS
 A morte de um adolescente de 17 anos na saída de uma festa em Charqueadas, no Rio Grande do Sul, chocou a comunidade não apenas pela brutalidade do crime, mas também pela frieza dos envolvidos. Segundo a polícia, além de se vangloriarem em um aplicativo de celular, os suspeitos do crime não demonstraram remorso em nenhum momento. Pelo contrário: riam dentro da cela.(veja vídeo)
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Até agora, 15 envolvidos na morte de Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, de 17 anos, já foram presos ou apreendidos. São nove adultos e seis adolescentes, com idades entre 15 e 21 anos de idade. No sábado (8), foram quatro adolescentes apreendidos e um adulto preso.
Ronei foi agredido e morto na saída de uma festa no Clube Tiradentes, em Charqueadas, na madrugada do último sábado (1º). Ele estava com um casal de amigos no evento organizado para arrecadar fundos para a formatura do ensino médio da Escola Técnica Cenecista Carolino Euzébio Nunes.
A polícia teve acesso a uma conversa entre os envolvidos feita pelo WhatsApp momentos após o crime. No diálogo, um dos suspeitos explica aos amigos como agrediu Ronei: “Eu dei duas garrafadas, com a garrafa quebrada na cabeça dele”. Eles pareciam comemorar: “Eu comecei a chutar, tipo GTA, assim, ó, comecei a chutar ele assim”, descreveu.
“[Eles] contando vantagem como se aquilo fosse um troféu. Inclusive dentro da delegacia mostram uma crueldade, uma falta de respeito, uma falta de noção pelo valor da vida humana, eles riam dentro da cela”, comenta o delegado Rodrigo Machado dos Reis, responsável pelo caso. “É algo que eu jamais tinha visto, ainda mais de jovens, trabalhar com uma frieza tão grande.  Não demonstraram nenhum arrependimento. Nada. Não demonstraram nada”.
Não demonstraram nenhum arrependimento. Nada. Não demonstraram nada”
delegado Rodrigo Machado dos Reis
A mãe de um dos envolvidos diz que o filho é inocente e que não estava Charqueadas naquele dia. “Se ele tivesse aqui, se ele tivesse no meio, eu ia dizer, eu ia dizer: tu errou, tu tem que pagar por isso. Mas injustiça eu não aceito”, diz.
O crime
Era a quinta festa que Ronei Jr. ia sozinho. Como combinado naquele dia, o pai do adolescente, o engenheiro Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro, de 48 anos, chegou no clube às 5h para pegar o filho. Por telefone, o jovem pediu dar carona para um casal de amigos que, segundo ele, estava com problemas.
O pai, então, estacionou o carro e entrou no clube para pegar os jovens. Quando eles desciam as escadas, começou o ataque. E, de acordo com a polícia, tudo foi premeditado. “Inclusive há relatos de testemunhas e deles mesmo admitindo que já havia uma confabulação. Eles já estavam do lado de fora tramando a agressão, que iria ser feita praticada momentos depois”, diz o delegado.
As imagens de uma câmera de segurança (veja o vídeo) mostram o momento em que Ronei Jr., o pai e os amigos dele são cercados. O adolescente foi o mais agredido, inclusive com garrafadas, e morreu por traumatismo craniano. O pai dele conta o que aconteceu naquela madrugada
“Esses meninos tiveram a capacidade de tirar eles de dentro do carro para bater. Eu, na hora, não vi porque foi muito rápido. Eu tirava ela de uma porta, eles iam na outra. Eu tentando entrar e eles não deixavam, mas naqueles segundos não me parecia tanta gente. E percebi que, num segundo momento da agressão, mais gente da escadaria do clube jogava garrafas e incitava a ação. Mas eu não tinha noção que era tanta gente”, recorda.
Testemunhas contaram à polícia que os criminosos pareciam “animais enfurecidos”. “Foi uma situação apavorante. Eles atiravam garrafas, eles davam garrafadas em todas as partes do corpo, inclusive na cabeça, o que aconteceu com a vítima que veio a falecer, eles davam chutes, socos”, detalha o delegado Rodrigo Reis. 
Ronei, morto a garrafadas em Charqueadas (Foto: Reprodução/Facebook)Ronei foi morto a pancadas e garrafadas em
Charqueadas (Foto: Reprodução/Facebook)
Rixa entre cidades
O motivo de tanta violência parece inacreditável: o namorado da amiga de Ronei vive em São Jerônimo, cidade vizinha a Charqueadas. E só por isso – por ser morador de outra cidade – o jovem foi visto como inimigo. Existe, segundo a polícia, uma rixa antiga entre grupos dos dois municípios. 
“O problema era que o menino de São Jerônimo namorava a menina de Charqueadas. Como é que tu explica uma situação dessas, no que a gente chama de uma sociedade civilizada? Não tem explicação. E jovens que convivem há muito tempo juntos, porque as cidades são muito próximas”, desabafa o pai de Ronei. 
O grupo que agrediu o jovem, chamado de “bonde”, é conhecido na cidade por se envolver em confusões, fazer pichações e ameaças. E era comum que as festas que eles frequentavam terminassem em briga.
“São bem violentos. Em festas, assim, são covardes, eles chegam de bando, assim, não importa se tá uns 15 contra dois, tipo assim. Sempre assim. Mas nunca chegaram ao ponto de um óbito que nem agora”, revela um testemunha, que prefere não se identificar.
Ronei diz que conhecia a maioria do grupo. São filhos de amigos, de vizinhos. “Quando a gente fala em impotência, é que a minha geração, ela vai entregar um mundo muito pior para seus filhos, muito pior. Nós não fizemos nada, nós não conseguimos nada. Ou a gente está muito lento frente a tudo que está acontecendo ou a gente está cruzando os braços. A gente acha que vai acontecer  no lado e nunca aqui. Ai quando acontece, choca muito” 
Eu não vou conseguir esquecer o que um ser humano consegue fazer com o outro"
Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro, pai
do adolescente espanco até a morte
Dia dos pais doloroso
Filho único, Ronei Jr. era descrito com um adolescente tímido, cheio de sonhos, que queria ser físico ou engenheiro. “Tem uma família, uma mãe desesperada e vai viver desesperada pela perda de um filho, de um único filho que ela teve uma dedicação, um amor incondicional a ele. Eles julgaram, sentenciaram e executaram o meu filho numa calçada, filmaram isso, foram para a internet para poder colher algum destaque”, lamenta o pai.
Neste domingo (9), Dia dos Pais, a dor da família foi ainda maior. “É domingo e um domingo diferente para muitos. Mesmo aqueles que fizeram para o meu filho o que fizeram, eles vão poder, em algum momento, dar um abraço no pai deles. Mas eu não gostaria que ninguém mais passasse isso”, desabafa Ronei.
“Do jeito tímido dele, eu sei que ele ia dizer ‘pai, eu te amo’. Não vai ser possível, não verbalmente, mas de coração, eu sei que ele vai dar esse abraço e eu vou poder dar esse abraço nele”, diz o pai do jovem, emocionado.    
O engenheiro diz que não sabe se consguirá, um dia, perdoar aos responsáveis. “Então isso, infelizmente, eu vou ter que lembrar o resto da minha vida. Não é um julgamento, em determinado momento eu vou ter que aliviar o meu coração, a minha dor, mas eu não vou conseguir esquecer. Eu não vou conseguir esquecer o que um ser humano consegue fazer com o outro”, completa.
Segundo a polícia, os jovens responsáveis pela morte devem ser indiciados por homicídio triplamente qualificado. A pena, para os adultos, pode chegar até 30 anos na cadeia. Os adolescentes que têm menos de 18 anos podem ficar até três anos internados.

Homem aciona polícia ao se apaixonar por perfil falso em rede social


Dono de lanchonetes se interessou pelo perfil que estudante criou para investigar o ex-namorado. Polícia foi chamada para esclarecer a farsa.

Às vezes, o risco em uma rede social é bem maior do que apenas pagar mico.
Conheça a história do André, que se apaixonou por uma mulher na internet e acabou caindo na maior cilada.
Fantástico conta a história de André, um homem que se apaixonou por uma mulher na internet e acabou caindo na maior cilada.(veja vídeo)
Tudo começou em uma rede social. E uma tal de Larissa... “Apareceu para mim como sugestão de amizade, eu vi que era uma moça muito bonita e adicionei e fiz o convite”, conta André.
O convite foi aceito. “Mandei um ‘oi’, e a gente começou a seguir uma conversa normalmente”, diz André.
André e Larissa se falavam pela internet e por telefone. “E aí fomos conversando, conversando e fui gostando dele realmente”, lembra ela, que não quis se identificar.
“Falava palavras carinhosas, entre outras coisas, a todo momento tratando bem, essas coisas começaram a tocar no íntimo”, diz André.
Mas tinha um problema. O André, que mora em Belém do Pará, não conseguia se encontrar com Larissa, que se dizia dentista e moradora de São Paulo. “Só que ele acabou falando que ia atrás, onde fosse ele ia atrás”, diz ela.
O que havia de errado com Larissa? Por que ela não aceitava se encontrar com André? É que Larissa, na verdade, não existia. Foi uma estudante de 23 anos, que não quer ser identificada, quem criou um perfil falso com o nome fictício de 'Larissa Mota'. Ela usou fotos de uma jovem encontradas na internet.
Mas a armadilha não era para André. Era para outra pessoa. “Eu queria investigar o meu ex-namorado. E eu resolvi criar para saber se ele realmente estava me traindo”, revela.
Mas o tal namorado não caiu na cilada; quem se interessou por ela foi mesmo o André. “E ela se apaixonou e com aquilo não quis revelar sua real identidade, porque ela não queria revelar quem era fisicamente, diferente do perfil da rede social. Então ela sempre evitava esses encontros com ele”, conta a delegada da divisão de crimes tecnológicos Vanessa Lee.
Apaixonada, a estudante deu uma cartada. Ainda se apresentando como Larissa, ela perguntou ao André: ‘você não quer se encontrar com uma amiga minha? Ela pode falar de mim pra você’.
“Eu sempre falava de mim, quer dizer, a Larissa falava de mim. 'Ah tenho uma amiga, queria que tu conhecesse ela pra vocês irem se conhecendo para saber mais de mim”, conta ela.
O André topou o encontro. E quem apareceu? A estudante que inventou a história, claro. “A gente continuou depois conversando mesmo, ela como amiga da Larissa. Ela que manipulava o fake da Larissa”, conta André.
O André estava a fim da Larissa, a moça da foto. E a estudante estava a fim do André. Não podia dar certo, né?
Foi aí que a estudante resolveu matar a Larissa, aquela que nunca existiu. Ela publicou em uma rede social que a Larissa tinha sido morta em um assalto em São Paulo. “Publiquei num outro perfil que eu criei, justamente pra parecer que ela tinha amigas e tal, aí eu publiquei da suposta morte, que ela tinha saído de um restaurante em São Paulo e acabou sendo assassinada”, conta.
“Ela criou isso simplesmente com a finalidade de dar um ponto final, porque ela não tinha mais controle”, diz a delegada.
André chegou a publicar um texto na internet lamentando a morte da Larissa. E uma parte da imprensa de Belém publicou a notícia falsa. O segredo começou a ser descoberto em uma situação no mínimo bizarra.
A estudante, suspeita de inventar essa história toda, chamou o André para ir até uma igreja com ela, para rezarem juntos pela alma de alguém que nunca existiu.
Depois da missa, um acaso chamou a atenção do André. “Ela soltou uma gargalhada. Daí eu virei para ela e falei: ‘você sorri muito parecido com a Larissa’”, diz André.
“Ele percebeu uma semelhança entre o riso da moça e o da namorada virtual”, conta a delegada.
“Aí eu percebi que teria caído num golpe, realmente”, aponta André.
“Então, a partir daquilo ali, acendeu um alerta nele, o que fez ele comparecer na delegacia”, diz a delegada.
A polícia localizou a estudante, que confirmou a farsa. “Ela pode incorrer no crime de falsa identidade previsto no artigo 307 do Código Penal”, explica a delegada.
O Fantástico localizou a jovem que teve as fotos usadas no perfil falso da Larissa, criado pela estudante de Belém. Ela tem 15 anos de idade e mora com os pais na cidade de Bombinhas, no litoral de Santa Catarina. O Fantástico conversou por telefone com a advogada da família. Ela disse que nem os pais e nem a própria adolescente sabiam do caso, e que estão apavorados com a situação. A advogada falou também que já está tomando as providências para tentar retirar as fotos de circulação na internet.
Fantástico: Como você se sente tendo provocado esse transtorno todo?
“Larissa”: Eu me sinto muito mal, até porque meus pais não sabiam, e são as pessoas que eu mais prezo no mundo.
Pai: O que eu vejo que os pais devem fazer? Procurar ver o que seu filho faz no isolamento. Ela acordava tarde, tomava o café dela, ficava por ali, e ficava no celular, muito só. Eu acho que o computador, para ela, é um amigo dela.
Dono de lanchonetes, o André diz, com bom humor, que quer tirar proveito real dessa confusão virtual.
André: Eu vou, em homenagem, lançar um sanduiche com o nome de x-fake.
Fantástico: Esse hambúrguer é de carne mesmo?
André: De carne.
Fantástico: Não é fake?
André: Esse não é fake.