Janot, na prática, diz que delator mentiu porque ameaçado de morte por Cunha! É? E o procurador-geral fez o quê?



É tal a avalanche de denúncias, acusações e vazamentos da Operação Lava-Jato que a imprensa começa a perder a mão sobre o que está em curso e permite que coisas da maior gravidade sejam ditas, assim, como quem afirma que hoje é quarta-feira. Já houve um caso muito sério nesta terça. Nesta quarta, na sabatina de Rodrigo Janot na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, de novo! A que me refiro? Vamos lá.
O senador Humberto Costa (PT-PE), um dos investigados na Lava-Jato, indagou Janot sobre a credibilidade de delatores que mudam de versão. Afinal de contas, o “prêmio” que recebem supõe que digam a verdade. É claro que estava se referindo a Julio Camargo, aquele que primeiro sustentou que não havia pagado propina a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), invertendo mais tarde a sua versão.
Janot afirmou então que os benefícios da delação de Camargo foram mantidos porque as afirmações mais recentes que fez — “Cunha recebeu propina” — contribuíram para avançar na investigação. Muito bem!
O procurador-geral poderia ter parado por aí, mas seguiu adiante e informou que, como castigo, a multa que Camargo terá de pagar por ter mentindo será maior — antes, era de R$ 70 milhões. E agora vem o que realmente é gravíssimo:
“Teve como consequência o agravamento da pena de multa. Não teve nenhuma outra consequência, porque nos convencemos que ele estava em estado de ameaça. Não falou antes porque tinha receio de sua própria vida. Nessa retificação que ele faz, a espontaneidade dele é visível. ‘Eu temo pela minha vida’, ele disse. ‘Só voltei agora, porque a investigação chegou a um ponto que minha omissão está clara, mas continuo temendo pela minha vida’”.
Epa! Aí a coisa ficou séria demais. Todos sabem, porque isso foi tornado público, que Julio Camargo disse que tinha medo de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Salvo engano, não se havia falado de ameaça de morte, não é mesmo? Eu me lembro de Camargo ter dito que temia a influência do deputado…
Pergunto: é corriqueiro que um procurador-geral da República confira estatuto de verdade à acusação de um delator, que se diz ameaçado de morte pelo presidente da Câmara, e não faça nada sobre o caso em particular? Será que nós, do jornalismo, não estamos perdendo o senso de proporção e de gravidade das coisas?
Se o Ministério Público Federal, na pessoa de Rodrigo Janot, acreditou que Julio Camargo estava mesmo sendo ameaçado de morte por Cunha, qual é a sua obrigação? Deixar para tratar do assunto numa sabatina ou reunir os indícios e oferecer uma denúncia? Se denúncia não há, é porque também inexistem os indícios. Nesse caso, Janot acreditou em Camargo porque quis. Apesar da elevação da multa, é claro que o bandido será premiado mesmo tendo mentido. Ou antes ou agora.
Youssef
É o segundo dia em que uma heterodoxia gigantesca vem a público, embora seja tratada como coisa corriqueira. Nesta terça, em acareação, Alberto Youssef demonstrou conhecer o conteúdo de uma delação premiada que ainda está sob sigilo. Vale dizer: um bandido preso sabe o teor um depoimento que deveria estar apenas sob o domínio do Ministério Público.
É bom começar a botar ordem nessa história. No dia 26 de agosto de 2015, o procurador-geral da República endossou a versão de um delator premiado, segundo o qual foi ameaçado de morte por ninguém menos do que o presidente da Câmara. Não ofereceu denúncia a respeito, e a imprensa fez de conta que isso é a coisa mais normal do mundo.
Se é verdade que aconteceu, e Janot não ofereceu a denúncia, é grave. Se Camargo mentiu, e Janot comprou a versão, também é grave.
A propósito: Camargo perdeu o medo de Cunha por quê?
a: porque virou, de repente, um corajoso?;
b: porque passou a ter medo de um perigo maior?
c: nda. Isso tudo é só coisa de bandido tentando se safar.
Por Reinaldo Azevedo

Para salvar família, Corrêa diz que assume propina

O ex-deputado federal Pedro Corrêa, suspeito de envolvimento no esquema de fraudes em contratos da Petrobras investigado pela operação Lava Jato chega ao IML de Curitiba, para realizar exame de corpo de delito - 13/04/2015
O ex-deputado federal Pedro Corrêa, suspeito de envolvimento no esquema de fraudes em contratos da Petrobras investigado pela operação Lava Jato chega ao IML de Curitiba, para realizar exame de corpo de delito - 13/04/2015(Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo)
O ex-deputado Pedro Corrêa surpreendeu o juiz Sérgio Moro nesta quarta-feira ao iniciar depoimento dizendo que assume "a responsabilidade de todos os fatos". Condenado no julgamento do mensalão por lavagem de dinheiro e corrupção, Corrêa é alvo da operação Lava Jato, na qual também foi preso.
Antes mesmo de ser questionado pelo juiz, o mensaleiro pediu permissão para falar: "Eu realmente estou sendo acusado com outras pessoas e quero dizer que essas outras pessoas não têm nenhuma responsabilidade nos fatos. Eu assumo a responsabilidade de todos os fatos".
Em seguida, Corrêa citou nominalmente seus filhos, Aline Corrêa e Fábio Corrêa, a nora Márcia Danzi e o ex-funcionário de gabinete Ivan Verson, todos réus no esquema de corrupção na Petrobras. "Eles faziam apenas as determinações que eu mandava. Eu era a pessoa que tratava sobre todos os assuntos referentes às imputações que estão sendo feitas através do Paulo Roberto Costa e do Alberto Youssef."
Surpreso, Moro disse não estar entendendo bem o depoimento e questionou se o réu estava assumindo as acusações contra ele. Corrêa foi enfático: "Eu estou assumindo a responsabilidade de que os outros réus não têm nada a ver com isso. Eu assumo a responsabilidade".
No entanto, após ser interrompido por sua defesa, recuou: "Eu não estou dizendo que eu cometi. Eu estou dizendo que eles não participaram. Eu vou me defender. Eles não têm participação. Essa participação é única e exclusiva minha. Se o Fábio recebeu algum dinheiro, fui eu que mandei. Se depositou algum dinheiro na conta de alguém, fui eu que mandei. Eles não tinham nenhuma participação sobre o fato", disse, em seguida negando que essa seria uma confissão de culpa. Corrêa permaneceu em silêncio no resto do depoimento.
Delação - Em delação premiada, o carregador de malas do doleiro Alberto Youssef, Rafael Ângulo Lopes confirmou na segunda-feira que pagou propina a Pedro Corrêa. Lopes disse que a propina ao ex-parlamentar chegava a até 200.000 reais por mês. A acusação estima que Corrêa e auxiliares embolsaram cerca de 40 milhões de reais em dinheiro sujo entre 2004 e 2014. Na planilha de propinas do delator, os repasses de dinheiro sujo a políticos eram anotados com a abreviatura "band", em referência a "bandidos".

Romário diz que Del Nero fez pedido para evitar quebra de sigilo bancário


Senador volta a questionar presidente da CBF em redes sociais e revela que ministro do STF deu prazo de 24 horas para CPI justificar ato contra dirigente

Por Rio de Janeiro
Marco Polo Del Nero entrou com um pedido no Superior Tribunal Federal (STF) para evitar a quebra de sigilo bancário e fiscal aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no futebol nacional na última semana. A informação foi publicada pelo senador Romário, presidente da comissão, em seu perfil em redes sociais. O ex-jogador revela ainda que o ministro Edson Fachin deu um prazo de 24 horas para que a CPI justifique o pedido contra o mandatário da CBF.
Romário Instagram Del Nero (Foto: Reprodução Instagram)Romário em postagem no Instagram contra Marco Polo Del Nero (Foto: Reprodução Instagram)


O foco da apuração são contratos assinados pela CBF e, após as oitivas de jornalistas no dia 18, Romero Jucá (PMDB-RR), relator da CPI, solicitou todos os acordos comerciais entre a entidade e as empresas ISE e Plausus, responsáveis pelos jogos da seleção brasileira desde 2006. Também foi aprovada a quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário do setor de turismo Wagner Abrahão, parceiro da CBF há 20 anos. A CPI aprovou ainda o convite à procuradora responsável pelo caso Fifa nos Estados Unidos, Loretta E. Lynch.

Além das quebras de sigilos, a CPI do Futebol aprovou uma série de convites para oitivas e deixou as convocações do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e do atual, Marco Polo del Nero, em um segundo momento. Os senadores pretendem aguardar o andamento da apuração antes de colocar a convocação em pauta. Entre os convidados para prestar informações à CPI estão ainda diversos jornalistas, o próprio Abrahão, Cristian Corsi (presidente da Nike Brasil), Kleber Leite (dono da Klefer, parceira da Traffic na compra dos direitos da Copa do Brasil) e Eurico Miranda (presidente do Vasco, que falará sobre relações entre CBF, Traffic, Ricardo Teixeira, José Hawilla e Kleber Leite).

De acordo com informações da assessoria do relator Romero Jucá, outros documentos serão solicitados à CBF como todos os contratos por ela firmados, atualmente em vigor, seja na cidade do Rio de Janeiro ou em quaisquer outras localidades, relacionados ao patrocínio de suas atividades, publicidade, fornecimento de material esportivo, direitos de transmissão de jogos da seleção e dos campeonatos organizadas pela autarquia. Além disso, serão requeridos documentos sobre viagens, hospedagens, locação de bens moveis e imóveis e qualquer outro de importância comercial ou financeira.

A comissão é composta pelos senadores Humberto Costa (PT-PE), Zezé Perrella (PDT-MG), Ciro Nogueira (PP-PI), Donizeti Nogueira (PT-TO), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Romero Jucá (PMDB-RR), Omar Aziz (PSD-AM), Álvaro Dias (PSDB-PR), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Romário (PSB-RJ) e Fernando Collor (PTB-AL) e pelo deputado Paulo Bauer (PSDB-SC).

Confira abaixo a mensagem de Romário:   
"Galera,   
O presidente da CBF contratou um dos escritórios mais caros do Brasil para evitar a quebra de seu sigilo bancário e fiscal.   
Ele entrou com um pedido no STF e o ministro Edson Fachin deu um prazo de 24h para a CPI do Futebol apresentar informações que justificaram a solicitação de quebra de sigilos.   
Até amanhã enviaremos um peça bem fundamentada para o Supremo, argumentos não faltam.    
Mas vale aquela máxima: quem não deve não teme!"

Corinthians vai tomar 'medidas cabíveis' contra cartão da Gaviões da Fiel


Uso do escudo no produto licenciado da torcida organizada fere contrato do clube com sua patrocinadora máster, a Caixa

RODRIGO CAPELO
26/08/2015 - 13h40 - Atualizado 26/08/2015 13h40
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Cartão de crédito da Gaviões da Fiel operado pela Acesso (Foto: Divulgação)
Corinthians decidiu tomar "medidas cabíveis" contra a Acesso, operadora do cartão de crédito da Gaviões da Fiel, lançado nesta semana, pelo uso irregular do escudo do clube no produto. A ação, frisou um dirigente corintiano a ÉPOCA, será direcionada a esta empresa, e não à torcida organizada ou à bandeira MasterCard.
Gaviões da Fiel, como várias outras torcidas organizadas do futebol brasileiro, sempre usou o escudo do Corinthians sem resistência por parte do clube. O problema, desta vez, é que aCaixa, patrocinadora máster que deposita R$ 30 milhões por ano na conta bancária do time, tem estabelecida no contrato de patrocínio a exclusividade sobre esse tipo de produto licenciado. Por isso o clube terá de agir.
Acesso informa que, como ainda não recebeu notificação doCorinthians, não vai se posicionar sobre a ação. Sobre o uso do escudo no cartão, a empresa alega que o símbolo faz parte da marca da Gaviões da Fiel e que a torcida organizada aprovou a inserção dele no produto antes do lançamento. O clube não foi procurado nem pela empresa, nem pela torcida. Foi surpreendido pela imprensa.

Eduardo Cunha recebe prazo de 15 dias para responder à denúncia da Lava Jato


Deputado poderá contestar acusações e apontar erros na investigação para convencer ministros do STF a rejeitar denúncia

REDAÇÃO ÉPOCA
26/08/2015 - 18h46 - Atualizado 26/08/2015 18h46
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Eduardo Cunha (PMDB-RJ) participa de evento da Força Sindical, em São Paulo, um dia após ser denunciado por corrupção (Foto: Marcos Alves / Agência O Globo)
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, terá 15 dias para responder às acusações de corrupção e lavagem de dinheiro feitas a partir da Operação Lava Jato. O prazo começa a ser contado nesta quarta-feira (26) e se estende até as 19h de 9 de setembro.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada.
O deputado poderá contestar as acusações da PGR e apontar erros na investigação, informou o G1, para tentar convencer os 11 ministros do STF a rejeitar a denúncia. O Supremo irá decidir se o peemedebista responderá a ação penal como réu, mas esta decisão não tem prazo.
O sistema de acompanhamento processual do STF registrou a notificação sobre a denúncia contra Cunha nesta quarta. O prazo de 15 dias para Fernando Collor (PTB-AL), senador e também denunciado, ainda não começou a contar porque sua denúncia ainda não foi registrada.

Marcus Vinicius Coêlho sobre Dilma: “Até agora não há prática de ato criminoso”


O presidente da OAB diz não ver, até agora, motivo para questionar o mandato da presidente. E é também contrário ao afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara

RAPHAEL GOMIDE
26/08/2015 - 08h00 - Atualizado 26/08/2015 08h00
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No início de julho, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)Marcus Vinicius Coêlho, virou alvo do presidente daCâmara dos DeputadosEduardo Cunha (PMDB-RJ). Coêlho entrou na mira de Cunha ao divulgar uma pesquisa apontando que 74% dos brasileiros são contra o financiamento empresarial de campanhas. Cunha reagiu com a agressividade que vem marcando suas ações recentes. Afirmou que a OAB, que representa 850 mil advogados, “não tem credibilidade” e é um “cartel”. No fim de julho, Coêlho defendeu a permanência de Cunha na presidência da Câmara, enquanto o político for apenas um investigado da Operação Lava Jato – opondo-se, assim, aos que defendem seu afastamento no momento em que for denunciado. Advogado que obteve duas cassações de governadores – Mão Santa (que estava no PMDB), do Piauí, em 2001 e Jackson Lago(PDT), do Maranhão, em 2009 –, o presidente da OAB não acha que a Operação Lava Jato, até agora, tenha criado condições de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. “Até o momento, a OAB não tomou conhecimento da prática de ato criminoso por parte da presidente”, diz. Coêlho chegou a ser cotado para o Supremo Tribunal Federal. Não entrou. Afirma que o cargo no STF seria “absolutamente honroso, mas não é projeto de vida”.
Marcus Vinicius Coêlho (Foto: Charles Sholl/Futura Press)
ÉPOCA – A crise é política ou institucional?
Marcus Vinicius Coêlho –
 O país passa por um momento de sérias denúncias de corrupção. Tenho convicção de que as instituições democráticas serão mais fortes que qualquer crise e qualquer tentativa de restabelecer um regime ditatorial. Devem ser asseguradas a investigação profunda dos fatos, a denúncia fundamentada, defesa responsável e julgamento imparcial e justo, respeitando o processo legal. A corrupção é um câncer que drena as relações públicas para aumentar o patrimônio de poucos. Que se punam os culpados e se absolvam os inocentes. As pessoas devem ser responsabilizadas, como uma medida pedagógica, profilática. Mas, sem combater a corrupção eleitoral, não se combaterá a corrupção administrativa. A corrupção eleitoral não é a única responsável, mas é um dos germes principais da corrupção e vem da forma como são financiadas as campanhas, com suas relações impróprias. O caixa dois repercute no mandato: o político é obrigado a prestar contas a quem o financiou. É preciso punir os responsáveis e mudar as estruturas, para impedir que, a cada eleição, mudem só os nomes, em escândalos de mesmo perfil.
ÉPOCA – Tendo obtido, como advogado, duas cassações de governadores, o senhor acha que há elementos para o processo de impeachment da presidente Dilma?
Coêlho – 
Até o momento, a OAB não tomou conhecimento da prática de ato criminoso por parte da presidente da República. Até que sobrevenha um fato criminoso imputado à presidente, ela é titular do mandato e não se pode falar em impeachment. É a posição da OAB. Vale para ela e para qualquer brasileiro, inclusive o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
ÉPOCA – Advogados de investigados na Operação Lava Jato têm criticado a condução do processo. Qual é sua avaliação? 
Coêlho –
 Não comento processo judicial. Só os advogados com conhecimento do caso podem falar com segurança. Nunca abri os autos, seria leviano. A OAB se manifestou quanto ao sigilo das conversas entre advogados e clientes, que deve ser respeitado. Buscas e apreensões em escritórios de advogados só podem ocorrer se o advogado for investigado como criminoso.
ÉPOCA – Isso vale também para departamentos jurídicos de empresas investigadas?
Coêlho – 
Vale para qualquer local de trabalho de advogado, segundo a lei (Estatuto do Advogado): seja um escritório, a mesa ou o departamento jurídico. Se a defesa não tem acesso aos computadores do Ministério Público, por que o Ministério Público vai ter acesso às estratégias de defesa? Advogados não podem ser obrigados a divulgar na CPI dados de que têm conhecimento pela relação cliente-advogado.
ÉPOCA – A CPI da Petrobras convocou a advogada Beatriz Catta Preta para explicar a origem dos honorários pagos por clientes suspeitos de corrupção. A origem duvidosa de dinheiro para honorários suscita um dilema ético?
Coêlho –
 O médico, quando opera alguém, emite nota fiscal e não pergunta de onde vem o dinheiro. O advogado não tem a obrigação legal de delatar o cliente. Do ponto de vista ético, o advogado se transformaria em delator do cliente. É uma relação de confiança, goza de confidencialidade, que tem de existir para preservar o direito de defesa.
"Campanha eleitoral não pode ser hollywoodiana. O eleitor deve financiar a campanha barata"
ÉPOCA – Duas bandeiras da OAB foram derrotadas na Câmara dos Deputados: o fim do financiamento empresarial de campanhas e a manutenção da maioridade penal aos 18 anos. A agenda da OAB está perdendo na Câmara?
Coêlho – 
Tivemos vitórias maiúsculas na Câmara, como a inclusão dos advogados no regime Supersimples de tributação e a aprovação do projeto da OAB que inclui o advogado no inquérito policial. Temos bandeiras históricas, como a defesa da não redução da maioridade penal e o fim de financiamento de campanhas por empresas, tema sobre o qual temos uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. No caso da redução da maioridade, está em discussão se a Câmara reeditou duas medidas e se a aprovação poderia ser feita ou não em segunda votação. A OAB mantém o ponto de vista de que fere uma cláusula pétrea, a garantia de ser responsabilizado só a partir de 18 anos.
ÉPOCA – Por que a OAB é contra o financiamento empresarial de campanhas?
Coêlho – 
Só não vê quem não quer. As empresas são importantes para gerar empregos, divisas e têm benefícios fiscais. Mas como uma sociedade anônima justifica aos acionistas o apoio financeiro ao candidato A ou B? As campanhas de TV não podem continuar a ser hollywoodianas. Haverá diminuição de gastos em campanhas com o financiamento democrático, que deve usar o fundo partidário. Por que o marqueteiro recebe milhões de reais por três meses de campanha? Tudo é inflado. É preciso criminalizar o caixa dois de campanha. Na hora em que as campanhas forem barateadas, quando se encontrar uma campanha hollywoodiana, ficará patente a olho nu o caixa dois. Sugiro a perda de mandato e crime de reclusão com pena de dois a seis anos. O eleitor deve financiar a campanha barata.
ÉPOCA – O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que a OAB “não tem credibilidade há muito tempo” e a chamou de “cartel” e “pouco transparente”.
Coêlho – 
As ideias devem brigar, não as pessoas ou instituições. A divergência faz parte da democracia. Mas agressões e ofensas não desfazem os números da opinião pública. A pesquisa do Datafolha revela que a OAB é a entidade social com maior credibilidade junto à população, com 70%, atrás só das Forças Armadas, entre 14 instituições. Na outra ponta, infelizmente, aparece o Congresso Nacional, na penúltima posição. Não gosto de um índice tão baixo. Quero contribuir para que o Congresso tenha mais credibilidade. A OAB e o presidente da Câmara têm posições diferentes. Mas, como advogado e presidente da OAB, jurei cumprir e fazer cumprir a Constituição, que diz que se presume inocente qualquer pessoa até sentença penal transitada em julgado. Deve ser assegurado o devido processo legal e a ampla defesa. Compete ao acusador o ônus de provar o fato. O fato de Cunha ser o presidente da Câmara não pode ser motivo para ser protegido ou perseguido. A regra do estado democrático de direito é a preservação dos mandatos dos eleitos. Para cassá-los, é preciso haver prova cabal de fato criminoso. Isso não significa a defesa de Cunha, mas da Constituição.
ÉPOCA – Eduardo Cunha é um adversário da OAB?
Coêlho –
 Em termos de ideias públicas, você mesmo falou de duas bandeiras dos advogados às quais ele é contrário. Mas é adversário, não inimigo.
ÉPOCA – O senhor apareceu em panfletos eleitorais do deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ). Não é uma manifestação imprópria para o presidente da OAB?
Coêlho – 
Já advoguei para todos os partidos políticos. Atuei para PSDB, PMDB, PT. A OAB teria duas formas de ser independente de partidos: uma seria se distanciar de todos e a outra se aproximar de todos. Temos excelentes relações com todos os partidos políticos. A OAB é igual à Lua: é de todos e não é de ninguém. 

DIA MUNICIPAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA É COMEMORADO EM COLOMBO


WEBMASTER 26 DE AGOSTO DE 2015

O encontro contou com uma mesa redonda para discutir as políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência

Formou-se uma mesa redonda para debater e divulgar as políticas públicas que são desenvolvidas no município para atender as pessoas com deficiência
Formou-se uma mesa redonda para debater e divulgar as políticas públicas que são desenvolvidas no município para atender as pessoas com deficiência
A secretária reforçou a necessidade de entender e respeitar as pessoas com qualquer tipo de deficiência e diferenças
A secretária reforçou a necessidade de entender e respeitar as pessoas com qualquer tipo de deficiência e diferenças
Para lembrar o Dia Municipal da Pessoa com Deficiência, a Prefeitura de Colombo por meio da Secretaria de Assistência Social, realizou uma mesa redonda para debater e divulgar as políticas públicas que são desenvolvidas em Colombo para atender as pessoas com deficiência.
Além disso, os participantes da mesa redonda fizeram uma reflexão sobre o tema. “Hoje é o dia de comemorar? Não, hoje é o dia de refletir, pois apesar de estarmos felizes por essa caminhada que percorremos, ao longo de 30 anos de municipalidade de ação pública. Ainda há muito que fazer e aprender”, explicou a secretária da Secretaria de Assistência Social, Maria da Silva Souza.
A mesa redonda foi composta pelas seguintes autoridades: a secretária de Assistência Social, o Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, José Aparecido Leite; a pedagoga representando a Secretaria de Assistência Social, Jucimari Canha e o Promotor de Justiça e representante da APAE, Alessandro Bettega.
O dia municipal da pessoa com deficiência foi criado para reforçar o que é preciso fazer e corrigir para assim melhorar as condições de vida dos portadores de necessidades especiais e criar um momento de proximidade com a população como explicou o Promotor de Justiça, Alessandro Bettega.
“Assim como todo município tem seus problemas, nós aqui de Colombo temos os nossos e queremos resolver isso. Esses encontros são importantes, pois podemos debater o que é a grande necessidade para aqueles que precisam, neste caso as pessoas com deficiência, só assim saberemos o que realmente é preciso é preciso ser feito”, ressaltou Bettega.
A secretária da pasta reforçou a necessidade de entender e respeitar as pessoas com qualquer tipo de deficiência e diferença. “Que seja todos os dias, dia da responsabilidade, dia da inclusão social e que todo o nosso fazer público seja de inclusão social, e que não precise mais comemorar o Dia do Deficiente e sim comemorar o Dia do Ser Humano”, concluiu.
Mais informações sobre o trabalho da prefeitura em:
FACEBOOK: facebook.com/pmdecolombo
Foto: Marcio Fausto/ PMC

Cão sobrevive após ser queimado vivo em rua de Santa Maria, RS


Suspeita é que alguém tenha jogado gasolina e ateado fogo ao animal.
Cão, que acasalava quando foi atingido, precisará ter o pênis amputado.

Do G1 RS
Cão queimado vivo passa por cuidados em clínica veterinária de Santa Maria (Foto: Tiago Guedes/RBS TV)Cão queimado vivo passa por cuidados em clínica veterinária de Santa Maria (Foto: Tiago Guedes/RBS TV)
Um cachorro foi queimado vivo nesta quarta-feira (26) na Vila Oliveira em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. O animal foi encaminhado a uma clínica veterinária, onde recebe cuidados. Segundo o proprietário do estabelecimento, Gustavo Castilhos, a suspeita é que alguém tenha jogado gasolina e ateado fogo no animal enquanto ele acasalava com uma cadela.
"Quem trouxe o cão foi um vizinho. Os donos foram localizados e vieram até aqui. Ele está com um baita cheiro de queimado", disse o empresário.
saiba mais

O crime aconteceu na Rua Ernesto Alves. Moradores relataram que o dono da cadela com quem jogou gasolina e ateou fogo pra separar os dois. Até o final da tarde, o crime ainda não havia sido registrado na polícia. Maltratar, ferir ou mutilar animais é crime, como pena de três meses a um ano de prisão e multa.
Segundo a veterinária Letícia Adamy, responsável pelo atendimento, além de sofrer queimaduras na pele, o animal sofreu danos no pênis, que estava exposto no momento das queimaduras e terá de ser amputado. O cão está sendo submetido a uma fluidoterapia, para hidratar a pele, e ficará pelo menos 15 dias em recuperação antes de ser submetido à cirurgia.
"O pênis dele terá de ser amputado. Cortou a circulação, e vai necrosar. As patinhas estão bem queimadas e descolando. As orelhas estão queimadas por dentro. A sorte é que ele era bem peludo. Se tivesse pelo curto, ele teria queimaduras de terceiro grau. Ficaram só os toquinhos dos pelos", diz Letícia.
O filho do dono do cão pediu ajuda pela internet, porque a família não tem dinheiro para pagar o tratamento. Interessados em ajudar podem entrar em contato com o estabelecimento pelo telefone (55) 3223 8004. Castilhos afirma que será cobrado preço reduzido para a família. "A loja vai fazer o menor preço possível, porque é um caso que comoveu a nossa região”, disse o empresário.

Casal é detido levando bebê dentro de mala em Caruaru; confira em vídeo


Pais foram abordados quando seguiam em uma motocicleta pela BR-104.
Eles disseram à PRF que não tinham dinheiro para um transporte público.

Do G1 Caruaru
Um casal foi flagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na manhã desta quarta-feira (26), transportando um bebê de quatro meses dentro de uma mala de viagem em Caruaru, Agreste de Pernambuco. Os dois são pais do menino e foram abordados quando seguiam em uma motocicleta pela BR-104. Eles já estavam sendo monitorados, após denúncias recebidas pela corporação. (veja vídeo)
Os dois moram na Vila Rafael, no mesmo município, e iam para o trabalho. Eles disseram à equipe de polícia que não tinham com quem deixar o menino nem dinheiro para se deslocar em algum tipo de transporte público.
Os suspeitos foram levados para a 1ª Delegacia de Polícia Civil, onde prestaram esclarecimentos. "Foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Eles vão responder por crime de maus-tratos majorado em 1/3, por se tratar de vítima menor de idade", detalhou o delegado Eduardo Sunaga.

De acordo com o Conselho Tutelar de Caruaru, a criança está com a avó paterna. O órgão também irá fazer o acompanhamento com a família e solicitou um estudo psicossocial da criança, da avó e dos pais para entender a situação do ambiente familiar. Como o bebê ainda é amamentado, o conselho quer analisar o estado da família para saber quando a criança poderá ser devolvida à mãe.
Bebê era transportado pelos pais em mala de viagem, em Caruaru (Foto: Divulgação/Ascom PRF)Bebê era transportado pelos pais em mala de viagem, em Caruaru (Foto: Divulgação/Ascom PRF)