Diretor de empresa infiltrado como novato encara operário marrento


Valdo Marques se transformou em Marcos Júnior, que buscava emprego.
Patrão mergulhou na rotina da fábrica e conheceu funcionários exemplares.

Segundo episódio da série ‘Chefe Secreto’, que vai mudar a vida de executivos de grandes empresas. O lugar dos chefões geralmente é na cabeceira da mesa, tomando decisões que afetam milhares de empregados.(veja vídeo)
A partir de agora, eles vão deixar o conforto do escritório, mudar o visual, vestir o uniforme e encarar o trabalho pesado. Estarão no chão de fábrica ao lado dos outros funcionários sem que eles saibam quem está ali na verdade.
No episódio deste domingo (20), o desenrolar da história de Cigano, o funcionário que fez gracinhas com o chefe sem saber com quem estava falando.

Casal fatura mais de R$ 200 milhões com golpe de promoções na internet


Além de não entregar produtos, golpistas tripudiavam dos clientes.
No lugar do celular comprado, usuário recebeu uma foto.

Um site que fazia promoções irresistíveis, na verdade, era uma fraude e enganou quase 100 mil brasileiros. Vendia produtos de marca e entregava material falsificado. Às vezes, nem entregava. Houve quem comprasse um smartphone e recebesse apenas uma foto do aparelho. Enquanto enganava os clientes, o casal dono do site vivia uma vida de luxo. Ela está presa, ele, foragido.(veja vídeo)
Um carro de luxo que pertencia ao casal foi apreendido com o motorista de um deputado estadual de São Paulo, que também é pastor da Igreja Universal. A igreja recebeu cerca de R$ 700 mil em carros doados pelos donos do site que, segundo os advogados deles, são fiéis.

Justiça brasileira usa banco de DNA pela primeira vez em julgamento


Sistema cruza informações genéticas de presos com as encontradas em locais de crime. Tecnologia já é utilizada pelo FBI, a polícia americana.

Um banco genético que unifica materiais colhidos de acusados de crimes no Brasil inteiro. Essa é uma aposta para evitar acusações injustas no sistema penitenciário do país. Nessa reportagem, você vai conhecer a história de Israel, um homem acusado de estupro no Rio Grande do Sul. Na cena do crime, uma mancha de sangue que não bateu nem com o sangue de Israel nem com o da vítima. (veja vídeo)

Dois homens morrem na queda de avião próximo a aeroporto de Goiás


Segundo a namorada de uma das vítimas, piloto tinha pouca experiência.
Aeronave atingiu plantação de bambu; corpos estão presos nos destroços.

Vitor SantanaDo G1 GO
Avião monomotor cai próximo a aeroporto de Pirenópolis, Goiás (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)Avião monomotor cai próximo a aeroporto de Pirenópolis (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)
Um avião monomotor caiu na tarde deste domingo (20) próximo ao aeroporto de Pirenópolis, a 123 km de Goiânia. Dois homens, de 30 anos e 31 anos, morreram. Segundo o Corpo de Bombeiros, na queda, a aeronave atingiu uma plantação de bambu que fica às margens GO-338.
O avião ficou completamente destruído com o impacto. Os ocupantes morreram na hora. Os bombeiros informaram que os corpos ficaram presos nos destroços e não foram retirados até as 21h30 deste domingo. Não houve nenhum princípio de incêndio.
Segundo o relato da namorada de uma das vítimas para a Polícia Militar, o piloto tinha pouco tempo de experiência. “A mulher disse que eles estavam fazendo acrobacias, fazendo brincadeiras no céu. Em um momento, ele subiu, começou a descer em parafuso e não conseguiu subir de novo e caiu”, disse o sargento da PM Valdivino Ribeiro de Freitas.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que já foi notificado e que uma equipe está a caminho do local da queda para investigar o que causou a queda.
Destroços do avião ficaram espalhados em plantação de bambu em Pirenópolis, Goiás (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)Destroços do avião ficaram espalhados em plantação de bambu(Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

Adolescente é apreendido suspeito de estuprar menina de 3 anos


Fato ocorreu há oito dias quando vítima andava sozinha na rua.
Polícia teve ajuda dos moradores da região onde criança morava.

Graziela RezendeDo G1 MS
Roupas da criança estavam sujas de terra quando foi encontrada (Foto: Reprodução TV Morena)Roupas da criança estavam sujas de terra quando
foi encontrada (Foto: Reprodução TV Morena)
Um adolescente de 17 anos foi apreendido na tarde deste domingo (20) suspeito de estuprar criança de 3 anos no último dia 12 de setembro no Parque Izabel Garden, em Campo Grande. Ele está sendo ouvido na Delegacia de Proteção à Criança ao Adolescente (Depca).
Segundo o delegado Paulo Sérgio Lauretto, o suspeito confessou o crime e disse que estava sob efeito de drogas. O delegado afirmou que o adolescente teria encontrado a criança que perguntava pela mãe quando “sentiu vontade de ficar com a menina”.
A polícia contou com ajuda de moradores da região onde a menina mora para localizar o suspeito. O adolescente estava em uma casa abandonada quando foi surpreendido por investigadores nesta tarde.
Lauretto disse que o adolescente vai responder por ato infracional análogo ao crime de estupro de vulnerável.
saiba mais

Entenda o caso
A menina de 3 anos foi estuprada no Parque Izabel Garden quando saiu de casa pela janela por achar que estava sozinha. A mãe tinha saído para trabalhar. Ela caminhava para casa da avó que fica em um bairro vizinho.
Segundo a polícia, a menina mora com a mãe e dois irmãos. É rotina da família a mãe sair para trabalhar às 4h, a criança ficar com os irmãos e eles a levarem para a casa da avó quando vão à escola.
No sábado, os irmãos não dormiram no mesmo quarto. A criança acordou, não viu eles e saiu. De acordo com a polícia, ela subiu em um sofá que fica próximo a uma janela, pulou e saiu de casa a procura dos meninos.
Depois de ser encontrada por vizinhos, andando na rua sozinha, suja e com sinais de violência, avítima foi internada na Santa Casa e recebeu alta na noite de segunda-feira (14), segundo informações da assessoria de imprensa do hospital.
Exames constataram o estupro e câmeras de segurança de residências flagraram a menina andando na calçada às 5h49 (de MS). Não se sabe se o estupro aconteceu antes ou depois do flagrante das imagens.

Chefe do tráfico usou apartamento em condomínio de luxo para encontro com namorada


Peixe e Lambão ao serem levados para a delegacia
Peixe e Lambão ao serem levados para a delegacia Foto: Divulgação PM
Rafael Soares

O traficante Rafael Alves, o Peixe, chefe do tráfico da Vila Aliança, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, usou dois apartamentos do Condomínio Cidade Jardim, na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste, para encontros amorosos. Na última terça-feira, ele foi preso por policiais do Bope num dos imóveis, no Reserva do Parque, um complexo de seis prédios que fica dentro do condomínio de luxo. O apartamento, entretanto, foi usado por Marco Antonio Sena de Andrade, o Lambão, para um encontro com sua namorada. Peixe passou a noite anterior à prisão em outro imóvel dentro do complexo de condomínios.
A 32ª DP (Taquara) já sabe que os dois apartamentos foram alugados pelas mulheres há cerca de dois meses. Os bandidos chegaram ao local na madrugada anterior à prisão. Cada um passou a noite num apartamento acompanhado de uma mulher. Pela manhã, Peixe saiu do imóvel onde estava para ficar junto de Lambão. Em seguida, as mulheres deixaram o local em carros diferentes.
Peixe estava em apartamento na Barra da Tijuca
Peixe estava em apartamento na Barra da Tijuca Foto: Urbano erbiste / Extra
Ao chegar, policiais do Bope foram recebidos por uma empregada. Os bandidos estavam na sala. Peixe estava sentado no sofá, e Lambão, no chão. O aluguel de um apartamento no local custa entre R$ 2.500 e R$ 3 mil. A 32ª DP apura se o dinheiro do tráfico de drogas foi usado para o pagamento dos aluguéis dos imóveis. A Secretaria de Segurança Pública vai pedir a transferência de Peixe para uma unidade federal de segurança máxima.
Doença hereditária
Peixe tem anemia falciforme, uma doença hereditária que altera os glóbulos vermelhos do sangue. Por isso, o bandido regularmente pagava médicos para o atenderem dentro da Vila Aliança. Ele também deixava seu reduto para buscar tratamento. O traficante tinha quatro mandados de prisão em aberto, todos por tráfico de drogas. Ele chegou a ser capturado em março de 2008, mas não retornou ao presídio após obter a progressão para o regime semiaberto em julho de 2009. Lambão também era procurado. O Disque-Denúncia oferecia R$ 20 mil por informações que levassem à prisão do chefe da Vila Aliança. O Bope chegou ao traficante após uma informação repassada ao WhatsApp do Disque-Denúncia.


Tráfico desembarca e vende cargas roubadas dentro de condomínio do ‘Minha casa’ em Guadalupe


Moradores foram a delegacia denunciar a presença do crime no condomínio
Moradores foram a delegacia denunciar a presença do crime no condomínio Foto: Marcelo Theobald/Extra
Rafael Soares

O condomínio Residencial Guadalupe, no bairro de mesmo nome na Zona Norte do Rio, virou pátio para desembarque de cargas roubadas por traficantes da favela Gogó da Ema, vizinha ao conjunto do programa federal “Minha casa, minha vida”. A informação faz parte do inquérito da 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) que investiga a ação do tráfico no condomínio. Um morador que deixou o condomínio após ameaças de criminosos relatou numa carta entregue a agentes da distrital que, em duas ocasiões diferentes, um caminhão frigorífico e outro com colchões foram esvaziados na pista junto aos blocos do conjunto.
— Logo após a mudança, já percebemos que as ruas paralelas ao condomínio eram usadas pelos bandidos para esvaziar caminhões roubados. Mas eles passaram a fazer dentro do conjunto também. No dia em que levaram o caminhão com as carnes, em meados de agosto, passaram a vender cada peça por R$ 10 — disse uma moradora que procurou a polícia.
Além de usar o condomínio como pátio de descarga de mercadorias roubadas, o tráfico também impôs uma série de “regras de convivência” aos moradores. O portão principal, por exemplo, deve ficar aberto para funcionar como rota de fuga para os bandidos. Se carros da polícia se aproximarem, entretanto, o portão tem que ser fechado com uma barra de ferro, para dificultar a entrada de caveirões no local.
Barricadas em rua paralela à entrada do condomínio
Barricadas em rua paralela à entrada do condomínio Foto: Fabiano Rocha / Fabiano Rocha / Extra
— Todo morador que chegar de carro tem que abrir as janelas, acender a luz interna e desligar os faróis. Quem não fizer isso, entra na mira de um bandido que fica lá no alto do condomínio. Os traficantes comunicaram aos síndicos de todos os blocos sobre a regra e, depois, todos os outros moradores ficaram sabendo — contou outra moradora, que, em depoimento à polícia, também relatou que foi obrigada a deixar a chave de seu apartamento com os bandidos.
Desde o dia da inauguração, 25 de junho — com direito à presença do prefeito Eduardo Paes e marcas de bala na fachada de alguns blocos —, 36 famílias deixaram o conjunto. Alguns sofreram ameaças diretas dos traficantes, outros não conseguiram nem entrar no condomínio com a mudança. A maioria mora de favor na casa de parentes, e todos ainda pagam, todo mês, as prestações à Caixa Econômica Federal. Nenhum dos apartamentos abandonados foi invadido, segundo a Secretaria municipal de Habitação. Essas unidades serão sorteadas novamente para outras famílias. A polícia já identificou o homem que comanda o tráfico no conjunto.
Polícia opinará sobre local de construção
Após o Ministério das Cidades publicar uma nova portaria permitindo a realocação de famílias expulsas de condomínios por bandidos, autoridades preparam novas mudanças para combater o crime no “Minha casa, minha vida”. Segundo o secretário municipal de habitação, Carlos Portinho, órgãos públicos e concessionárias vão passar a trocar informações para detectar invasões nos conjuntos.
— Já enviei à Secretaria estadual de Segurança (Seseg)uma lista com os futuros empreendimentos para que eles se planejem. Além disso, está sendo discutida uma cooperação entre a Light e os outros órgãos, para que cada mudança de titularidade em contas seja notificada. Algumas invasões seriam detectadas desse modo — afirmou o secretário.
Segundo a Seseg, “antes da escolha do local dos novos empreendimentos será feita uma consulta à secretaria, que obterá um parecer das polícias sobre a instalação do condomínio, para que se recomende se a área é aconselhável”.
Secretário municipal de Habitação, Carlos Portinho
Secretário municipal de Habitação, Carlos Portinho Foto: FábioCosta / Divulgação SMH
Leia a seguir a entrevista com o secretário municipal de Habitação, Carlos Portinho.
Como vai ser o processo de realocação das famílias expulsas de Guadalupe?
Não quero burocracia. Acho que a portaria publicada pelo Ministério das Cidades não precisa de um decreto regulamentador. Quero facilitar a vida das pessoas. Primeiro, as famílias expulsas precisam ter um registro de ocorrência em mãos. Quando a Secretaria de Segurança atestar a veracidade dos relatos, já vamos começar as realocações.
Quando essas famílias terão novas casas?
Já identificamos 73 famílias que formalizaram suas expulsões, sendo 36 de Guadalupe. Temos empreendimentos para acomodar essas famílias em diversas regiões da cidade. Elas serão as primeiras a serem realocadas. Quero resolver isso o mais rápido possível. Na próxima semana, vamos ter uma reunião com a Secretaria de Segurança para resolver os últimos detalhes.
Como recuperar o condomínio invadido?
Quero entrar com serviço social pesado lá. Estamos empenhados em transformar aquele condomínio. Já estamos conversando com a síndica. Na próxima semana, a Comlurb vai começar a dar oficinas de reciclagem lá. Estamos ainda conversando com a Secretaria municipal de Esporte e Lazer para levar aulas de educação física à quadra do conjunto. Temos que mobilizar essas pessoas.
Maria: fuga só com a roupa do corpo, com seus quatro filhos
Maria: fuga só com a roupa do corpo, com seus quatro filhos Foto: Fábio Guimarães / Extra / Extra - Cidade
‘Minha casa, minha sina’
Após três meses de apuração, o EXTRA constatou que todos os condomínios do “Minha casa, minha vida” destinados aos beneficiários mais pobres — a chamada faixa 1 de financiamento — no município do Rio são alvo da ação de grupos criminosos. Neles, moram 18.834 famílias submetidas a situações como expulsões, reuniões de condomínio feitas por bandidos, bocas de fumo em apartamentos, interferência do tráfico no sorteio dos novos moradores, espancamentos e homicídios.
Mais de 200 pessoas foram ouvidas, entre moradores, síndicos, policiais civis e militares, promotores, funcionários públicos e terceirizados, pesquisadores e autoridades. Além disso, foram analisados documentos da Polícia Civil, do Ministério Público, da Secretaria de Habitação, do Disque-Denúncia, da Caixa Econômica e do Ministério das Cidades, parte deles obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. O material deu origem à série “Minha casa, minha sina”, que o EXTRA publicou em março.


A volta do esquadrão da morte em SP


Série de assassinatos cometidos por policiais nos últimos meses denuncia a volta dos grupos de extermínio

Raul Montenegro 
As ruas do Butantã, zona oeste de São Paulo, estavam aparentemente tranquilas às 14h do feriado de 7 de setembro. Apenas aparentemente. Pelas vias do bairro de classe média alta da capital paulista, policiais militares perseguiam dois assaltantes que fugiam numa moto. Eles se separaram, mas, alcançados pelos PMs, se renderam e foram imobilizados. Seria o fim de mais um roubo cotidiano se os homens da lei não tivessem executado os suspeitos, ação flagrada em dois vídeos diferentes. Um deles, registrado pela câmera de segurança de um imóvel, mostra Paulo Henrique Porto de Oliveira, 18 anos, saindo de uma caçamba onde estava escondido, tirando a roupa para mostrar que não portava armas, se deitando no chão e sendo algemado. Outros PMs chegam à cena e o que se segue é surpreendente: as algemas são retiradas, o jovem é arrastado para um muro e baleado duas vezes no abdome por um policial. Outro agente corre para a viatura, pega uma arma e a deposita ao lado do cadáver. Enquanto isso, o morador de um prédio próximo flagra por celular o comparsa de Oliveira, Fernando Henrique da Silva, 23, ser jogado do telhado pelo PM Samuel Paes. Momentos depois, são ouvidos dois disparos. Divulgadas as imagens, os 11 policiais envolvidos foram presos a pedido do Ministério Público. “Ficam muito claras duas execuções cruéis, criminosas”, diz o promotor Rogério Leão Zagallo, responsável pelo caso. Para o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves, o episódio mostra que existem batalhões de extermínio atuando na capital à moda dos esquadrões da morte dos tempos da ditadura militar. “Ficou claro que são PMs que saem para matar”, afirma. “Não dá para acreditar que um estado com mais de 800 homicídios em confrontos com a polícia em 2014 não tenha grupos organizados que acham que estão fazendo uma limpeza na sociedade.”
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Sabe-se que muitos agentes que deveriam fazer o patrulhamento das ruas estão tão habituados à carnificina que levam consigo kits-incriminação, para o caso de precisarem responsabilizar as vítimas após os confrontos. Em 2012, o empresário Ricardo Prudente de Aquino, 39, foi assassinado por PMs na Vila Madalena, zona oeste da capital, após supostamente fugir de uma abordagem por portar maconha. O desenrolar das investigações mostrou que os agentes plantaram a droga no veículo. Aquino, afinal, não possuía o perfil de quem leva armas. Os dois mortos do Butantã sim. “Eles saem preparados para fraudar o local do crime” diz Neves.
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FLAGRANTE
Câmera registra PMs matando homem rendido e desarmado
(sequéncia à esquerda) e, à direita, policial joga um
suspeito do telhado. Depois ele seria executado
O Ministério Público e a ouvidoria concluíram que os passos friamente calculados dos policiais, exibidos nos dois vídeos amplamente divulgados, mostram que eles estão acostumados com situações de extermínio. Dois deles já haviam sido envolvidos em confrontos com mortes, mas nenhum chegou à Justiça Militar. Está também sob investigação a ligação das execuções do Butantã com a chacina que aconteceu perto dali, em agosto, e deixou 19 mortos em Osasco e Barueri, zona oeste da Grande São Paulo. PMs são os principais suspeitos pela autoria. Uma denúncia anônima revelou, segundo ISTOÉ apurou, que as pistolas calibre 9mm e .380 usadas para incriminar Oliveira e Silva foram utilizadas na matança do mês passado. As armas foram encaminhadas para o Instituto de Criminalística, mas a perícia só deve concluir se as cápsulas achadas nos locais da chacina saíram ou não das pistolas na semana que vem. Os mortos da zona oeste engrossam uma estatística macabra. Só nos sete primeiros meses deste ano as forças policiais foram responsáveis por 421 homicídios em São Paulo. “Quando a polícia ultrapassa 5% do total de homicídios do estado é preciso entrar em alerta. Nós estamos em quase 20%”, afirma José Vicente da Silva Filho coronel da reserva da PM e especialista em segurança pública.
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INVESTIGAÇÃO
Os policiais Tyson Oliveira Bastiane e Silvano Clayton dos Reis, envolvidos
nas execuções do Butantã, depõem na quarta-feira 16
O estado de São Paulo, infelizmente, não está sozinho nesta trágica realidade. Os esquadrões da morte são pestes que infestam as forças de segurança brasileira – muitas vezes com respaldo dos mandatários. Os bandos mais famosos começaram a aparecer pouco após o Golpe de 1964, no Rio de Janeiro (leia quadro), e se alastraram para diversos estados do País. Em São Paulo, o policial justiceiro mais conhecido foi o delegado Sérgio Paranhos Fleury, que ganhou fama de linha dura contra o crime e foi logo cooptado para caçar opositores do regime militar, sendo apontado como torturador e autor de vários assassinatos de presos comuns e políticos. “No Brasil esses grupos de extermínio nunca deixaram de existir”, diz o ouvidor Neves. Para ele, prova disso é a morte do coronel da PM José Hermínio, eliminado em 2008 após combater a ação dos esquadrões na zona norte da capital. O caso levou o então governador José Serra (PSDB) a admitir a existências dessas quadrilhas, mas os acusados acabaram inocentados por falta de provas.
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Na contramão das evidências, o secretário de Segurança Pública de São Paulo Alexandre de Moraes minimizou as declarações do ouvidor, classificando-as de “panfletárias”. Neves, no entanto, diz ouvir relatos reiterados da ação desses bandos. “Recebemos denúncias de pessoas atuando em conjunto, por isso a gente acha que existem grupos de extermínio. Infelizmente é a realidade.” Enquanto não reconhecer que policiais promovem com as próprias mãos julgamentos e execuções sumárias de suspeitos, o estado jamais será capaz de mudar essa situação. PMs que matam a céu aberto em plena luz do dia estão certos de que não terão de pagar pelos crimes que cometem. “O destemor tem um fundamento: a certeza da impunidade. A versão que eles contaram ali é a versão que prevaleceria naquele inquérito, porque certamente foi a versão que prevaleceu em outras circunstâncias parecidas”, afirma o promotor Zagallo.
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Fotos: Jorge Araujo/Folhapress