Suspeitos de comandarem o tráfico no Cajuru são presos pelo Cope


Por Luiz Henrique de Oliveira e Juliano Cunha
(Fotos: Juliano Cunha – Banda B)

Policiais Civis do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) prenderam, na tarde da última segunda-feira (21), três pessoas pelo crime de tráfico de drogas e associação ao tráfico. Os suspeitos, foram detidos no bairro Cajuru, em Curitiba, com aproximadamente dois quilos de crack, 50 gramas de cocaína, 36 gramas de maconha e 35 comprimidos de ecstasy.
A polícia chegou até o trio, após receber informações de que os suspeitos tinham ligação com uma quadrilha que agia no estado, com a explosão de caixas eletrônicos. O Departamento de Inteligência do Paraná (Diep) também participou das investigações.
Ao se deslocar até uma residência suspeita no Bairro Alto, os investigadores observaram a chegada de três veículos no local, uma caminhote Frontier branca, um Gol vermelho e de um Uno branco. Em seguida, os três carros se deslocaram em um comboio rapidamente para uma residência localizada na Rua Miguel Caluf, no bairro Cajuru.
Anderson da Silva, 31 anos; Rafael Dorneles dos Santos, 26 anos; e Mayara Borcatti da Silva, 20 anos foram presos em flagrante pela polícia, no momento em que retiravam os entorpecentes da residência.
O local era utilizado como ponto de encontro por Johny Borcatti da Cruz, 32 anos, primo de Mayara e membro da quadrilha de arrombamento a caixas eletrônicos. O suspeito foi preso no dia 13/09, por tráfico de drogas, no Balneário Camboriú, Santa Catarina/SC. De acordo com informações apuradas pela polícia, vídeos registram que a casa de Johny era utilizada para reunir os membros do bando e traficantes.
Investigações apuraram também, que por possuir boa aparência, constatou-se que Mayara, participava de diversos eventos sociais, com o objetivo de fomentar as atividades ilícitas.
Segundo o delegado titular do Cope, Rodrigo Brown de Oliveira, este é mais um bom trabalho fruto da integração das polícias. “Em ação conjunta, a polícia tirou de circulação traficantes que agem em eventos com grande concentração de jovens, potencializando o dano social do tráfico de drogas”, afirma Brown.
Já para o diretor do Diep, Fabio Amaro, mais uma vez a segurança pública conseguiu mostrar o seu empenho para a prender e identificar os suspeitos.“Foi um duro golpe contra a criminalidade, evidenciando a disposição da Secretária de Segurança Pública (Sesp), no enfrentamento aos atos ilícitos”, finaliza.

Suspeito de pichação que gostava de se ‘vangloriar’ nas redes sociais é preso


Da Redação
Jovens foram abordados enquanto pichavam muro de imóvel. (Fotos: Divulgação/GM e Reprodução/Facebook)

Um jovem de 18 anos foi preso enquanto pichava o muro de um imóvel na Avenida Anita Garibaldi, em Curitiba, no começo da tarde desta terça-feira (22). Segundo a Guarda Municipal (GM), ele estava com mais dois colegas e aproveitava para marcar um ponto de ônibus e a calçada quando foi abordado.
A GM informou que o rapaz já tem um histórico extenso de pichações pela cidade e estava sendo monitorado pelas redes sociais. Ele publicava no perfil no Facebook fotos de todos os lugares por onde passava e deixava a sua “marca”.
Em uma das imagens, ele aparece com uma lata de spray com a legenda “Dale feriado”. Em outra, ele posa em frente a uma pichação e diz “O que rendeu pra hoje!”. Em uma terceira postagem, ele está dentro de um ônibus com mais dois amigos, segurando uma placa pichada. A legenda afirma “Aqui o perigo é constante”.
O rapaz e mais dois companheiros, de 19 anos, foram detidos e encaminhados à Delegacia do Meio Ambiente para serem autuados em flagrante. Cada um deve pagar multa no valor de R$ 1.804,88.
Crime
A pichação é um crime previsto no artigo 65 da Lei de Crimes Ambiental. Além do pichador, o estabelecimento que vende spray para menores de idade paga R$ 4.512,20 e R$ 9.024,40 no caso de reincidência. Na terceira punição, o alvará comercial do vendedor é cassado, de acordo com o decreto 1429/2014.

Cansados de assaltos, comerciantes atendem através de grades em Curitiba


Por Marina Sequinel e Djalma Malaquias
(Fotos: Djalma Malaquias – Banda B)

Comerciantes e moradores do Conjunto Itatiaia, na Cidade Industrial de Curitiba, estão aterrorizados com os frequentes assaltos na região. Segundo eles, a falta de segurança levou os lojistas a instalarem grades nos estabelecimentos e até a colocarem imóveis à venda.
“Quase todos os comerciantes daqui já foram assaltados. No meu comércio, no começo deste mês, eles entraram armados e levaram o meu carro e os meus pertences. Os bandidos até ameaçaram matar as pessoas que estavam no local, foi horrível”, disse um dos lojistas da região em entrevista à Banda B nesta terça-feira (22).
Segundo a vítima, que está no ramo há seis anos, o jeito é trabalhar com medo. “O pouco que nós ganhamos, eles levam. Não tem mais condições, muita gente está até vendendo os estabelecimentos”, completou.
A Associação de Moradores do bairro planeja realizar uma manifestação em breve se o patrulhamento não aumentar na região. “Além dos comércios, casas também são invadidas, quando os donos saem para trabalhar. Até quando nós vamos continuar desse jeito?”, questionou Clóvis, presidente do grupo.
Um supermercado na região foi assaltado sete vezes em dois anos. De acordo com o filho do proprietário, nos últimos casos, os criminosos agrediram os clientes e funcionários do local. “Chega as 17h, a gente fecha as portas e atende só através das grades. O consumidor pede o produto pelo lado de fora e, então, nós passamos a mercadoria para ele. Isso é terrível, tanto para o mercado quanto para eles. Não aguentamos mais essa situação, precisamos de ajuda”, desabafou.
Resposta
Em nota, a Polícia Militar (PM) informou, por meio do 23º Batalhão da PM, que o policiamento no Jardim Itatiaia é realizado diariamente, com policiais e viaturas. A PM está à disposição por meio do 190.
Além do trabalho da polícia, cabe aos cidadãos tomar alguns cuidados básicos, registrar boletim de ocorrência, que embasa as ações policiais e denunciar o tráfico de drogas, o que pode ser feito via 181. Fatos já consumados são de responsabilidade da Polícia Civil.
A Polícia Civil é responsável pela investigação e identificação de suspeitos. A Polícia Militar, por sua vez, vai prosseguir com o patrulhamento na região.

Prefeitura instala travessia elevada em cruzamento do Centro de Colombo

 

WEBMASTER 22 DE SETEMBRO DE 2015

Intenção é oferecer a melhoria das condições de acessibilidade, conforto e segurança para os pedestres e motoristas

Beti Pavin acompanhou a execução da obra e destacou a importância de tornar o trânsito mais seguro
Beti Pavin acompanhou a execução da obra e destacou a importância de tornar o trânsito mais seguro
Faixa elevada foi implantada na Rua Francisco Camargo esquina com a Rua Padre Francisco Bonato
Faixa elevada foi implantada na Rua Francisco Camargo esquina com a Rua Padre Francisco Bonato
Travessia elevada foi instalada para melhorar as condições de acessibilidade na circulação e travessia dos pedestres
Travessia elevada foi instalada para melhorar as condições de acessibilidade na circulação e travessia dos pedestres
A Prefeitura de Colombo, por meio da Secretaria de Obras e Viação, instalou uma travessia elevada no cruzamento das ruas Francisco Camargo e Padre Francisco Bonato, no Centro. O local tem grande fluxo de veículos e pedestres e a intenção da faixa elevada é reduzir os riscos de acidentes na região.
A Prefeita Beti Pavin disse antes e depois da execução da obra que é de fundamental importância garantir mais tranquilidade e segurança para todos no trânsito. “Nosso objetivo é tornar as vias do nosso município um local mais humano, onde todos possam transitar em harmonia, e para isso precisamos que todos estejam conscientes de seus deveres,” destacou.
O secretário de Obras e Viação, Rubens Cardoso, informou que esta foi a melhor solução encontrada para controlar o movimento no local. “Os motoristas ficam obrigados a reduzir a velocidade, facilitando a passagem dos pedestres. Esperamos que a travessia seja bem utilizada por todos,” explicou.
A faixa elevada para travessia de pedestres foi instalada seguindo os padrões do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN, onde foram consideradas a necessidade de melhoria das condições de acessibilidade, conforto e segurança na circulação e travessia dos pedestres nas vias públicas.
No local também foi propiciado aos condutores que utilizam a região maior visibilidade da travessia de pedestres e ainda foram realizadas obras de drenagem para facilitar o escoamento das águas das chuvas, além da implantação de sinalização vertical e horizontal.
Mais informações sobre o trabalho da prefeitura em:
FACEBOOK: facebook.com/pmdecolombo
Fotos: Marcio Fausto/ PMC

Artistas locais se apresentam no 2°Sarau Cultural de Colombo


WEBMASTER 22 DE SETEMBRO DE 2015

O evento que acontece neste sábado, 26, visa celebrar e valorizar a cultura do município

Música boa, cultura e descontração estarão presentes no 2º Sarau Cultural de Colombo, que acontece neste sábado, 26. O encontro, com entrada gratuita, será realizado às 14h, no auditório da Regional Maracanã.
Valorizar a cultura do município e dar oportunidade aos artistas locais mostrar seu talento, estão entre as prioridades do evento. “Esses encontros são destinados aos artistas, que muitas vezes não conseguem divulgar seus trabalhos, pois não há um local adequado. E, também para o público, que não conhece os artistas talentosos do nosso município“, explica a diretora do Departamento de Cultura, Rita Straioto.
O Sarau, promovido pela Prefeitura de Colombo, por meio do departamento de Cultura, é uma reunião festiva entre amigos, onde pode-se ouvir música, assistir a um filme, ler um livro e também envolver dança e poesias. “É aquele evento onde as pessoas se encontram para se expressar ou se manifestar artisticamente”, destaca Rita.
Sobre o Sarau
No mês de agosto, foi realizado o 1º Sarau Cultural em Colombo, sendo a Casa da Cultura o local escolhido como o palco de apresentações diversificadas, como: o rock, o pop, o rap e o gospel. Quem passou por lá, também pode conferir encenações de teatro, capoeira, poesia, lançamento de livro e a exposição de artistas.
Serviço:
2º Sarau Cultural de Colombo
Dia: 26 de setembro (sábado)
Horário: 14 h
Local: Auditório da Regional Maracanã
Endereço: Rua Dorval Ceccon, 664 – Jardim Fátima.
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“Dia D” da Campanha Outubro Rosa acontece dia 3 em Colombo


WEBMASTER 22 DE SETEMBRO DE 2015

As unidades de saúde do município estarão abertas, das 8h e 17h, para atender as mulheres, durante todo o mês de outubro

outubro rosaAcontece no dia 3 de outubro, o lançamento do “Dia D” da Campanha Outubro Rosa 2015. Durante o evento, todas as unidades de saúde do município estarão abertas, das 8h e 17h, para atender as mulheres. A ação será realizada pela Prefeitura de Colombo, por meio da Secretaria de Saúde.
Segundo o secretário da pasta, Fernando Aguilera as unidades de saúde promoverão atividades voltadas para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e de colo de útero, além de palestras e entrega de materiais em diversas empresas de Colombo. “Lembrando que a ação acontecerá durante todo mês de outubro”, ressalta Aguilera.
Entre os principais objetivos da campanha estão: à conscientização quanto à prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Atualmente, o município possui, aproximadamente, 16 mil mulheres com idade para realizar a mamografia e 19 mil mulheres para fazer o exame de preventivo de câncer de colo de útero.
“A nossa intenção é atender o maior número de mulheres e ultrapassar a meta de exames realizados em 2014, e diagnosticar o câncer de mama e de colo de útero precocemente”, enfatiza o secretário.
A Campanha Outubro Rosa surgiu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. No Brasil, acontece desde 2010, e os municípios aderiram o movimento – promovendo palestras, disponibilizando materiais informativos, realizando coletas de preventivo e solicitação de mamografia.
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Atletas de Colombo são destaques na Corrida das Nascentes do Iguaçu


WEBMASTER 22 DE SETEMBRO DE 2015

Colombo contou com três equipes participantes que conseguiram posições importantes na competição

Atletas de Colombo são destaques na Corrida das Nascentes do IguaçuUma das principais competições da Região Metropolitana de Curitiba aconteceu no último domingo, 20. Aproximadamente, 1900 atletas participaram da 11ª Corrida de Revezamento das Nascentes do Iguaçu e da 5ª Volta Ciclística das Nascentes do Iguaçu. Entre os atletas colombenses presentes estavam: três quartetos no Mountain Bike e duas equipes com 12 atletas na prova de pedestres.
O trajeto da competição começou no município vizinho – Piraquara, onde foi dada a largada, e os atletas tiveram que percorrer 108 km de estradas rurais de outros sete municípios da Região Metropolitana, com a chegada ao Bosque São Cristovão em Santa Felicidade, Curitiba.
Na Volta Ciclística, por exemplo, Colombo teve três equipes participantes que conseguiram posições de destaque na competição. O 1º lugar ficou para a equipe Osy Fit CCC – Colombo; 2º Cicles Chineis – Colombo e o 5ª colocação para a equipe Cicles Landes – Colombo. “Nossos atletas desbancaram várias equipes fortes da modalidade. Temos atletas com potencial, que se destacaram e conquistaram posições importantes”, ressalta o coordenador do departamento de Esporte, Gilmar Franco.
Os atletas do município contaram com o apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria da Educação, Cultura e Esporte, que através do Departamento de Esporte, ajudou na logística da participação das equipes, como o transporte, apoio durante o percurso, além de financiar a inscrição das equipes.
Confira o resultado:
Categoria equipe quarteto:
Campeã: Cicles Chineis – Colombo
Vice-campeã: Osy Fit/ Clube Colombense de Ciclismo – Colombo
5º lugar: Cicles Landes – Colombo
Categoria Solo
12º lugar: Equipe Colombo
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Foto: Divulgação

Mariana Munhão: “Não é fácil acordar e saber que a sua filha virou filho”


Quando descobri que o Luan é transgênero passei a me informar mais sobre o sentimento dessas pessoas, não só sobre o significado da palavra

MARIANA MUNHÃO EM DEPOIMENTO A GABRIELA VARELLA
05/08/2015 - 08h00 - Atualizado 05/08/2015 11h21
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À direita, Luan Munhão, 15 anos, que se descobriu transgênero após fazer pesquisas e ler sobre o assunto na internet. À esquerda, ainda quando criança, Luara Munhão. "É como ter uma irmã que já morreu", ele explica (Foto: Arquivo pessoal Mariana Munhão)
“Engravidei do Luan aos 16 anos. Hoje estou com 32. Deixei o emprego como vendedora para aproveitar melhor o tempo com meus três filhos: Luan, de 15 anos; Raissa, de 11; e Pietra, de 4. O nome do meu filho no documento, no entanto, ainda consta como Luara. Ele é transgênero, um homem no corpo de uma mulher. A definição é justamente essa: pensa como menino, age como tal, só que num corpo biologicamente feminino.
"Desde os 4 anos, quando começou a ter mais autonomia, o Luan fez escolhas de roupas e brinquedos considerados masculinos" diz Mariana (Foto: Arquivo pessoal Mariana Munhão)
Não é fácil acordar e saber que a sua filha virou filho. Amar, estar perto e acompanhar é o que vai fazer com que todo o resto fique mais fácil. A importância de entender as questões de gêneroé muito grande. Quando as conhecemos é mais fácil identificar essa situação. Se pudesse, teria percebido e evitado momentos de tristeza. Sinto que tenho grande culpa de não ter ajudado antes e evitado a depressão do Luan.
A trajetória foi muito difícil até agora, ainda que estejamos apenas no início. O pai dele é ausente desde os 4 anos e, nas poucas vezes que apareceu – a última foi há dois anos –, o Luan não quis vê-lo nem conversar. Quando me separei, as figuras masculinas que fizeram parte do desenvolvimento dos meus filhos foram as dos meus irmãos, Rafael e Vinícius, e do meu atual marido, o Sérgio, com o qual sou casada há 6 anos.
"Quando se conhece [os transgêneros], fica mais fácil identificar a situação", conta a mãe (Foto: Arquivo pessoal Mariana Munhão)
Desde os 4 anos, quando começou a ter mais autonomia, o Luan fez escolhas de roupas e brinquedos considerados masculinos. Aos 11 anos, quando estávamos de mudança e empacotando as caixas, encontrei e li o diário do meu filho. Nas páginas, encontrei declarações sobre a paixão por uma menina e não dei tanta atenção porque era personagem de um filme. Mais tarde, aos 13 anos, acabei lendo novamente. Nessa fase, o Luan dizia estar apaixonado por uma garota do curso de inglês. E não era só isso. Vinha acompanhado de pensamentos suicidas, repúdio ao sexo masculino por causa do abandono do pai. Não quis dizer que sabia, porque isso o afastaria e faria com que perdesse a confiança em mim. Afinal, eu tinha consciência de ter sido invasiva ao ler algo tão particular.
Luan, o padrasto Sergio, Mariana e a irmã do meio, Raissa. Na segunda foto, a irmã mais nova, Pietra, é incluída na foto familiar (Foto: Arquivo pessoal Mariana Munhão)
Sugeri que o Luan começasse um tratamento psicológico, com a desculpa de que gostaria que ele se soltasse mais e superasse o trauma da ausência do pai. Tinha um fundo de verdade: meu filho não fazia amizades fora do seu ciclo na escola e tinha vergonha de se impor. Brigava muito com a irmã mais nova porque odiava o jeito ‘menininha’ como ela agia. Quando sentia raiva, perdia o controle e se machucava. No entanto, não tivemos nenhum progresso no primeiro tratamento. O Luan não queria estar lá, não colaborava. Isso se arrastou por três ou quatro meses.
Luan Munhão, durante a formatura do 9º ano do colégio. Recusou-se a usar salto alto, mas foi submetido a uma pressão familiar para usar vestido (Foto: Arquivo Pessoal Mariana Munhão)
A formatura do 9º ano foi um martírio. Exigiram o uso de vestido durante a festa e isso não fazia parte do seu vestuário. Tinha uma pressão familiar para que o Luan usasse o traje: ‘Você é menina!’, ‘você vai parecer um moleque com essas roupas!’ Ele foi firme: disse que não usaria salto alto de maneira alguma. Na ocasião, usou um tênis, mas não escapou do vestido.
Aos 15 anos, o Luan decidiu se abrir comigo. Ligou e disse: ‘mãe, a Valentina quer conversar com você’, falando sobre uma amiga bem próxima com a qual convive. No dia, tudo deu errado: o meu carro quebrou, sugeri que deixássemos a conversa para depois. Mesmo assim, Luan insistiu. Achei que a menina fosse me contar algum segredo. Quando cheguei, Valentina me disse: ‘O Luan é transgênero’. Até então, não sabia o que era. E, para mim, foi uma grande surpresa. Sempre esperei o dia no qual ele me contaria que gostava de meninas, mas não que queria mudar o seu corpo, nome e história. Contou-me sobre tudo: sabia que eu tinha lido o diário e entendia as indiretas, mas não conseguia responder. Luan fez pesquisas para entender o que era ser transgênero e se identificou. Se pudesse escolher, optaria por ter nascido menino e sempre seria assim. O Luan não queria passar por essa situação. ‘Não é uma escolha. Nasci assim’, disse.
"Não é uma escolha. Nasci assim", declara Luan Munhão (Foto: Arquivo pessoal Mariana Munhão)
O que eu mais tinha ouvido eram os casos famosos na mídia, como a filha da Angelina Jolie. Na Inglaterra, isso é mais comum. Comecei a me informar mais em relação ao sentimento dessas pessoas, não só no significado da palavra transgênero. Por que elas se sentem assim? É difícil você se olhar no espelho e não conseguir se identificar.
Tive uma rejeição no início, mas nunca enxerguei como uma fase. A partir do momento que ele me contou, eu sabia: é o Luan. Aceitei com dificuldade, mas apoiei desde o início. Conversamos com a família e amigos mais próximos, pois não queríamos conversas paralelas. Criei expectativas e foi um baque, mas nunca demonstrei. A revelação fez com que o Luan se sentisse à vontade para cortar o cabelo na semana seguinte e trocar o guarda-roupa. Quando fomos ao shopping fazer compras, a felicidade do Luan ao frequentar a ala masculina foi visível. Procuramos também por um novo psicólogo, agora por iniciativa dele. Acabei descobrindo o Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual, a AMTIGOS (SP). O tratamento é feito com o psiquiatra Alexandre Saadeh, que já trabalha com isso há 25 anos, mas é pouco divulgado. Atendem crianças e adolescentes, há auxílio de médicos e assistentes sociais para decidir o passo a passo do tratamento: tomar hormônio, fazer a mudança de sexo, a mudança do nome.
"Em aulas de educação física, por exemplo, quando o professor tinha de separar meninas e meninos, o meu filho não sabia como chegar e falar sobre isso", relata a mãe do garoto (Foto: Arquivo pessoal Mariana Munhão)
Conversamos com a minha mãe. Ela e o Luan são muito próximos. Pedagoga, ela até acompanhou a gente em algumas consultas no psicólogo. Depois falei com os meus irmãos, com o meu marido, que aceitou com mais facilidade do que eu. Tenho um primo com dificuldade para aceitar. Nunca discriminou, mas não vê como algo normal. A Pietra, minha filha mais nova, sempre me disse que o Luan era um menino. Eu, na época, dizia que não: ‘a sua irmã é uma menina’. Hoje entendo. É muito importante ter o apoio da família, o que não acontece com muitas pessoas trans. Tudo se torna ainda mais complicado. Quem teve mais dificuldade para aceitar foi a minha avó, que tem 77 anos. Por motivos de criação e cultura, ela não recebeu a notícia tão bem. Ficou sem falar com ele por um período, brigava por qualquer coisa e olhava torto. Ainda acredita que é só uma fase e se recusa a chamá-lo de Luan. Porém, procurou tratamento por meio da religião para tentar aceitar tudo isso. Hoje está mais tranquila, menos hostil: respeita as preferências, as roupas masculinas. Conversei com ela: ‘você tem que entender a limitação das pessoas’.
Na escola, todos já sabem que o Luan é trans e o tratamento mudou. Ele frequenta a instituição desde pequeno e são pessoas que convivemos fora do ambiente pedagógico. Alguns professores fingem que nada aconteceu, outros procuram tratar como Luan. Antes, algumas situações eram constrangedoras. Em aulas de educação física, por exemplo, quando o professor tinha de separar meninas e meninos, o meu filho não sabia como chegar e falar sobre isso.
"A Pietra, minha filha mais nova, sempre me disse que o Luan era um menino", diz a mãe. Na foto, Luan brinca com a irmã mais nova junto com o padrasto (Foto: Arquivo pessoal Mariana Munhão)
O meu sentimento sobre tudo isso, sinceramente, é medo. Medo do preconceito que vai sofrer em diversos momentos da sua vida, da violência na sociedade, da transformação do corpo, de grupos transfóbicos. Não é fácil, amo demais o Luan e sei o quanto sua vida mudou depois que conseguiu revelar. Deixou de ser agressivo consigo, com a irmã mais nova, não se isola mais, tem muitos amigos e é mais independente. Fico imaginando o quanto sofreu todos esses anos, mas o meu egoísmo ainda pensa: ‘coloquei lacinhos, escolhi o nome mais lindo, fiz vestidinhos e reproduzi como toda mãe o seu futuro em minha mente’. Mas repito: é puro egoísmo. Não somos nós que escolhemos o caminho de nossos filhos.
Outro dia fui levá-lo ao médico e pedi ajuda para carregar ‘o meu filho’. Quando entreguei o RG, ficaram me questionando. Isso acontece muito. Ficam olhando diante da aparência masculina. Nas ruas, não fico reparando se as pessoas estão cochichando, se trocam olhares. Mas sei que ainda virão tempos difíceis. Quero que ele seja bem aceito na faculdade, em um emprego. Ainda estamos adaptando muita coisa. Troco os pronomes em alguns momentos. Sofremos juntos durante o período de menstruação, apertamos todos os dias os seus seios em faixas e elásticos para não aparecer na roupa, compramos cuecas e falamos das meninas pelas quais se interessa.
Planejamos a mudança de nome e sexo no RG, quando ele completar 16 anos, em setembro. Entre 17 e 18 anos, ele vai começar a tomar hormônios masculinos de acordo com os exames. Então, poderá fazer a barba pela primeira vez, voltar a frequentar praias e piscinas  — que não gosta de ir desde que os seios desenvolveram. Estaremos juntos sempre, desde que mantenha o caráter e os princípios que adquiriu ao longo destes anos. O que pedi para o meu filho é que ele não jogue fora as fotos antigas. Para o Luan, quando falamos do passado — Luara — é como se falássemos de uma irmã que já morreu. Mas eu não penso assim. Não é necessário apagar para mudar a história. Faz parte e vai continuar sendo lembrada e vivida.”

Selfies já matam mais humanos do que ataques de tubarões


Um levantamento do site Mashable mostra que tirar foto de si mesmo pode ser mais perigoso do que nadar com tubarões

BRUNO FERRARI
22/09/2015 - 09h34 - Atualizado 22/09/2015 09h36
Russos fazendo uma selfie em Dubai (Foto: Alexander Remnev)
Já falamos deste "fenômeno" aqui no Experiências digitais: selfies podem matar
Um levantamento feito pelo site de tecnologia Mashable mostra que o número de mortes causadas por selfies em 2015 supera o de causadas por ataques de tubarões. Foram 12 acidentes fatais originados pelo ato de tirar fotos de si mesmo contra oito ataques de tubarões.

O último caso aconteceu na semana passada. Um turista japonês morreu depois de despencar de uma escada enquanto tentava fazer uma selfie no Taj Mahal, na Índia. Esse tipo de acidente é o mais comum entre as mortes por selfie. Quatro dos 12 casos fatais foram de gente que caiu enquanto tentava tirar uma foto de si mesmo. Em segundo lugar, aparecem as selfies com trens em movimento... Pois é.

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A preocupação com o fenômeno é tamanha que o governo russo lançou em julho deste ano uma cartilha num movimento nacional para conscientizar a população sobre os perigos da selfie. Um parque nacional no estado do Colorado, nos Estados Unidos, chegou a fechar as portas porque as pessoas não conseguiam parar de tirar selfies com... ursos.
Há algo de errado na humanidade.