Fraude ao vivo e em cores


Governo novo, ideias novas. Há exatamente um ano, o último programa eleitoral com esse bordão invadiu os lares, cantado e declamado entre o colorido de um Brasil inebriante que os brasileiros não têm a menor noção de como é. Um amontoado de mentiras bem produzidas que garantiram 41,59% dos votos a Dilma Rousseff no primeiro turno, contra 33,5% de Aécio Neves e 21,3% de Marina Silva. E a reeleição no segundo.
Exatos 365 dias separam a Dilma que garantia ter a “força e o apoio político para fazer as reformas que o Brasil exige” da Dilma que se rendeu ao baixo clero do PMDB para tentar evitar o impeachment e manter o status de presidente, posto que, de fato, passou a ser exercido pelo tutor Lula.
Assistir hoje ao programa do PT que encerrou o primeiro turno é didático. Entende-se sem esforço algum como e por que Dilma conseguiu rolar morro abaixo tão rapidamente.
São 10 minutos de puro engodo. Do clima paz e amor que substituiu a beligerância vista nos dias anteriores, quando a meta era destruir Marina, às promessas infactíveis, sabidamente truques de marqueteiros que, como tal, só saíram do papel para a telinha da propaganda.
Apresentadas por jovens alegres e sorridentes, as promessas são explicadas, uma a uma, pela própria candidata. O Mais Médicos Especialidades vai reduzir o tempo de espera para exames; o Segurança Integrado unirá as polícias federal e estadual, com apoio das Forças Armadas, para combater a violência. A reforma do ensino básico garantirá escola em tempo integral, a internet será acessível e rápida no programa Banda Larga para Todos. Vamos ter ainda o Brasil sem Burocracia, com empresas sendo abertas em apenas cinco dias, o Pronatec Jovem Aprendiz e o Brasil sem Impunidade, com penalização do Caixa 2, julgamento rápido de servidores que roubarem, e devolução do dinheiro. “Doa a quem doer.”
Embora a mudança fosse o gancho de seus opositores, nenhum deles apresentara projetos inovadores, acusava Dilma. Só ela.
No meio de um jardim, Dilma e Lula travam um diálogo ameno sobre as maravilhas do pré-sal. A presidente-candidata não entende, e diz isso a Lula, por que a oposição não gosta do pré-sal que tanto dinheiro trará para a educação e também para a saúde.
Na sua aparição solo, Lula afirma que seu segundo mandato foi melhor do que o primeiro e assegura que o mesmo acontecerá com Dilma, que estaria com “muita garra, muita energia, muita ideia de futuro para tocar o Brasil para frente”.
Em outro trecho, depois de enaltecer a sua própria competência e experiência, Dilma diz com todas as letras que a crise internacional, a mesma que ela afirma ser responsável por seus revezes atuais, já tinha sido superada. E com êxito. “Quem enfrentou a pior crise internacional dos últimos anos e conseguiu detê-la aumentando empregos e salários?”, pergunta. “Quem preparou o Brasil para um novo ciclo de desenvolvimento e pode fazer esse ciclo consolidar?”
Além de revelar um profundo desprezo pelo público, o programa é prova documental de fraude e estelionato, mentira verbal para obter vantagem, delitos fartamente condenados nos tribunais.
A mentira, dizem, não está entre os crimes previstos na Constituição para motivar a abreviação de um mandato. Mas deveria. Assim como a punição para quem não governa.
Independentemente do desfecho dos requerimentos de impeachment da presidente, o caso Dilma deveria servir de baliza futura para que esses dois desvios – mentira e incapacidade de governar – pudessem ser evitados, impedidos e punidos. É assim na maioria das democracias maduras.

PT perde ministérios, mas quer manter cargos

Josias de Souza
Arma-se em Brasília o primeiro escarcéu fruto da reforma ministerial que Dilma Rousseff foi levada a fazer para tentar deter o impeachment. Tendo perdido o comando de pastas como Saúde e Comunicações, o PT se equipa para manter no organograma dos seus ex-ministérios os filiados da estrela vermelha, devotos que entregam à tesouraria da legenda pedaços de seus contracheques.
O problema é que os novos ministros —Marcelo Castro (PMDB-PI) na Saúde, André Figueiredo (PDT-CE) nas Comunicações— atravessam o alambrado imaginando que receberam outro tipo de oferta. Porteira fechada: fariam do segundo e do terceiro escalões o que quisessem, com quem quisessem.
Esse tipo de falta de sintonia dá problema em qualquer partido. No PMDB e no PDT, cujos ministros não são unânimes nem sozinhos, costuma terminar em crise. “Considerando-se que Dilma encostou seu governo no balcão, deveria agir rapidamente para conter o apetites do PT”, aconselhou um cacique do PMDB. “Se demorar muito, fica mais caro.”

Dora Kramer e a verdade sobre Eduardo Cunha


EDUARDO CUNHA/ENTREVISTA
Dora Kramer
“Por um “pixuleco” de R$ 10 mil mensais pagos pelo dono do restaurante interessado em operar na Câmara, Severino Cavalcanti perdeu a presidência da Casa. A situação do deputado Eduardo Cunha é muito mais complicada.
Não porque mantenha contas em bancos suíços. Não é proibido depositar dinheiro no exterior. Qualquer pessoa pode abrir uma conta de maneira legal e transparente. Mas um parlamentar não pode mentir sem que o ato se configure quebra de decoro. E Eduardo Cunha mentiu na CPI da Petrobrás ao negar peremptoriamente a existência não de quatro, conforme apontam as investigações, mas de uma conta sequer.
Se nessas contas estiver depositado dinheiro de origem ilegal, configura-se um crime. Nada menos do que quatro delatores “premiados” afirmaram terem sido intermediários de pagamento de propina ao deputado Cunha. Quando da primeira denúncia, ele fez um escarcéu. Rompeu com o governo e atribuiu ao Planalto uma urdidura contra ele. Criava um factoide a fim de desviar a atenção sobre o fato.
E fato é que o presidente da Câmara perdeu a condição de presidir a Câmara. Mais não seja até a comprovação das acusações, porque mentiu. Mentira que levou à cassação de Luiz Estevão, no Senado, à renúncia de Renan Calheiros ao posto e à delegação ao ostracismo de figuras como Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho.
Quanto mais adiar a renúncia à presidência, mais o presidente da Câmara dos Deputados desgasta a instituição.”

Caminhos para reduzir a corrupção, por Sérgio Moro


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Sérgio Fernando Moro, artigo publicado na edição de hoje em O Globo
A corrupção faz parte da condição humana. Isso não é um álibi, mas uma constatação. Sempre haverá quem, independentemente das circunstâncias, ceda à tentação do crime.
Outro fenômeno é a corrupção sistêmica, na qual o pagamento de propina torna-se regra nas transações entre o público e o privado. Isso não significa que todos são corruptos ou que todas as interações entre agentes privados e públicos envolvam sempre propina. Mas, na corrupção sistêmica, o pagamento da propina, embora não um imperativo absoluto, torna-se um compromisso endêmico, a regra do jogo, uma obrigação consentida entre os participantes, normalmente refletida no pagamento de percentuais fixos de comissões sobre contratos públicos.
OS CUSTOS SÃO GIGANTESCOS
A economia perde eficiência. Além dos custos óbvios da propina, normalmente inseridos nos contratos públicos, perde-se a racionalidade na gestão pública, pois a apropriação dos valores passa a guiar as decisões do administrador público, não mais tendo apenas por objetivo a ótima alocação dos recursos públicos. Talvez seja ela a real motivação para investimentos públicos que parecem fazer pouco sentido à luz da racionalidade econômica ou para a extraordinária elevação do tempo e dos custos necessários para ultimação de qualquer obra pública.
Mais do que isso, gera a progressiva perda de confiança da população no estado do direito, na aplicação geral e imparcial da lei e na própria democracia. A ideia básica da democracia em um estado de direito é a de que todos são iguais e livres perante a lei e que, como consequência, as regras legais serão aplicadas a todos, governantes e governados, independentemente de renda ou estrato social. Se as regras não valem para todos, se há aqueles acima das regras ou aqueles que podem trapacear para obter vantagens no domínio econômico ou político, mina-se a crença de que vivemos em um governo de leis e não de homens. O desprezo disseminado à lei é ainda um convite à desobediência, pois, se parte não segue as regras e obtém vantagens, não há motivação para os demais segui-las.
Pior de tudo, a corrupção sistêmica impacta o sentimento de autoestima de um povo. Um povo inteiro que paga propina é um povo sem dignidade.
Pode-se perquirir quando o problema começou, mas a questão mais relevante é indagar como sair desse quadro.
Há uma tendência de responsabilização exclusiva do poder público, como se a corrupção envolvesse apenas quem recebe e não quem paga. A iniciativa privada tem um papel relevante no combate à corrupção. Cite-se o empresário italiano Libero Grassi. Em ato heroico, no começo da década de 90 na Sicília, denunciou publicamente a extorsão mafiosa, recusando-se a pagar propina. Ficou isolado e pagou com a vida, mas seu exemplo fez florescer associações como o Addiopizzo, que reúne atualmente centenas de empresários palermitanos que se recusam a ceder à extorsão. Não se pretende que empresários daqui paguem tão alto preço para tornarem-se exemplos, mas, por vezes, poderão se surpreender como a negativa e a comunicação às autoridades de prevenção, que podem mostrar-se eficazes.
Mas o poder público tem igualmente um papel relevante. As regras de prevenção e repressão à corrupção já existem. É preciso vontade para torná-las efetivas. Se a Justiça criminal tratasse a corrupção com um terço da severidade com que lida com o tráfico de drogas, já haveria uma grande diferença. Em parte, a inefetividade geral da lei contra a corrupção e contra figuras poderosas é um problema de interpretação e não de falta de regras. O exemplo do Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Penal 470 deve ser um farol a ser considerado por todos os juízes.
Dizer que as regras existem não significa que não é preciso melhorá-las.
O que mais assusta, em um quadro de naturalização da propina, é a inércia de iniciativas para a alteração das regras legais que geram as brechas para a impunidade. O processo penal deve servir para absolver o inocente, mas também para condenar o culpado e, quando isso ocorrer, para efetivamente puni-lo, independentemente do quanto seja poderoso.
Não é o que ocorre, em regra, nos processos judiciais brasileiros. Reclama-se, é certo, de um excesso de punição diante de uma população carcerária significativa, mas os números não devem iludir, pois não estão lá os criminosos poderosos. Para estes, o sistema de Justiça criminal é extremamente ineficiente. A investigação é difícil, é certo, para estes crimes, mas o mais grave são os labirintos arcanos de um processo judicial que, a pretexto de neutralidade, gera morosidade, prescrição e impunidade.
Um processo sem fim não garante Justiça. Modestamente, a Associação dos Juízes Federais do Brasil apresentou sugestão ao Congresso Nacional, o projeto de lei do Senado 402/2015, que visa eliminar uma dessas grandes brechas, propiciando que, após uma condenação criminal, em segunda instância, por um Tribunal de Apelação, possa operar de pronto a prisão para crimes graves e independentemente de novos recursos. Críticos do projeto apressaram-se em afirmar que ele viola a presunção de inocência, que exigiria o julgamento do último recurso, ainda que infinito ou protelatório. Realisticamente, porém, a presunção de inocência exige que a culpa seja provada acima de qualquer dúvida razoável, e o projeto em nada altera esse quadro. Não exige, como exemplificam os Estados Unidos e a França, países nos quais a prisão se opera como regra a partir de um primeiro julgamento e que constituem os berços históricos da presunção de inocência recursos infinitos ou processos sem fim. O projeto não retira poderes dos Tribunais Superiores que, diante de recursos plausíveis, ainda poderão suspender a condenação. Os únicos prejudicados são os poderes da inércia, da omissão e da impunidade.
Mas há alternativas. Em sentido similar, existe a proposta de emenda constitucional 15/2011, originária de sugestão do ministro Cezar Peluso, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público Federal apresentou dez propostas contra a corrupção que deveriam ser avaliadas pelo governo e pelo Congresso, assim como os projetos citados, com a seriedade que a hora requer.
O fato é que a corrupção sistêmica não vai ceder facilmente. Deve ser encarada da forma apropriada, não como um fato da natureza, mas como um mal a ser combatido por todos. Os tempos atuais oferecem uma oportunidade de mudança, o que exige a adoção, pela iniciativa privada e pela sociedade civil organizada, de uma posição de repúdio à propina, e, pelo Poder Público, de iniciativas concretas e reais, algum ativismo é bem-vindo, para a reforma e o fortalecimento de nossas instituições contra a corrupção. Milhões já foram às ruas protestar contra a corrupção, mas não surgiram respostas institucionais relevantes. O tempo está passando e o momento, em parte, está sendo perdido.
Sérgio Fernando Moro é juiz federal no Paraná

Stênio Garcia fala sobre vazamentos de fotos: “Minha intimidade”


Fotos íntimas do ator e da esposa se espalharam pelas redes socais.
Pelo menos 65 casos como esse foram julgados, diz levantamento do STJ.

O Fantástico faz uma entrevista exclusiva com o ator Stênio Garcia e a mulher dele, Marilene Saade. Os dois tiveram a privacidade invadida, quando fotos íntimas do casal vazaram na internet. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, no Rio de Janeiro. Um outro caso de vazamento de fotos na internet ganhou repercussão esta semana. A vítima é uma transexual de São Paulo. A ficha de alistamento militar contendo os dados pessoais de Marianna Lively foram divulgadas nas redes sociais. Fotos tiradas durante o alistamento também foram publicadas, acompanhadas de ofensas. Veja na reportagem acima.(veja vídeo)

Veja aqui o novo Conselho Tutelar de Colombo eleito nesse domingo (4)

Novo Conselho Tutelar de Colombo para  o quadriênio 2016 - 2020, foi divulgado o resultado EXTRA OFICIAL das apurações, que é a seguinte;

Jeremias  Fontoura    498 votos

Marina Guimarães     397 votos

Elisângela Rios           385 votos

Andressa  R. da Silva 358 votos

Miguel da Silva               301 votos

Amanhã publicaremos a lista completa.

Motorista que voltava de aniversário capota carro e fica ferido na Estrada da Ribeira em Colombo


Por Luiz Henrique de Oliveira e Antônio Nascimento
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Motorista foi o único ferido no acidente (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

Um Gol preto capotou e parou na marginal da Estrada da Ribeira (BR-476) em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, na manhã deste domingo (4). Três pessoas estavam no carro e o único ferido foi um jovem de 29 anos, que completou aniversário ontem.
Segundo Eduardo Medeiros, passageiro do carro, os amigos voltavam de uma festa de aniversário. “A gente estava nesse aniversário e dormimos de boa na casa. Nós bebemos, mas voltamos depois de dormir, já recuperados.”, descreveu à Banda B, sem confirmar se a festa era do motorista.
De acordo com o jovem, ele e o rapaz que estava no banco de trás não sofreram nada porque estavam de cinto de segurança. “Graças a Deus nós estávamos bem protegidos. O nosso amigo foi imobilizado, mas está bem”, afirmou.
O capotamento aconteceu em um trecho de curva. Ferido, o homem de 29 anos, de primeiro nome Diego, foi encaminhado ao Hospital Cajuru, sem risco de morte.

'Estava fora de si, transtornado', diz testemunha sobre autor de chacina


Crime bárbaro aconteceu na madrugada deste domingo (4) em Madeiro.
Polícia acredita que fim de casamento e ciúmes tenham motivado o crime.

Catarina Costa e Patrícia AndradeDo G1 PI, em Madeiro
Pedro Vinícius segura a foto da avó, uma das vítimas da chacina (Foto: Catarina Costa)Pedro Vinícius segura a foto da avó, uma das vítimas da chacina (Foto: Catarina Costa)
chacina que deixou quatro pessoas mortas, sendo três da mesma família, na zona rural de Madeiro, Norte do Piauí, poderia um desdobramento ainda mais trágico. O crime aconteceu na madrugada deste domingo (4) e segundo, Pedro Vinícius da Conceição, neto de uma das vítimas, o suspeito estava totalmente fora de si e disposto a ferir mais pessoas.

As vítimas foram identificadas como: Teresinha de Jesus, 32 anos, Maria das Graças da Conceição, 71 anos e Francisca das Chagas dos Santos, 21 anos, avó e irmã de Teresinha, respectivamente. Além delas, um amigo da família identificado apenas como Assis foi a outra pessoa morta.
Corpos ficaram caídos na área externa da casa (Foto: Sousa Neto / Luzilândia On-line)Corpos ficaram caídos na área externa da casa
(Foto: Sousa Neto / Luzilândia On-line)
A polícia crê que o crime tenha sido motivado por ciúmes já que o suspeito de ter cometido a chacina não aceitava o fim do relacionamento com Teresinha de Jesus com quem foi casado por mais de 10 anos e juntos tiveram quatro filhos.
Amigo do casal se disse surpreso com o crime (Foto: Catarina Costa)Amigo do casal se disse surpreso com o crime
(Foto: Catarina Costa)
“Ele matou quem estava na casa. Acho que planejou tudo, estava fora de si. Chegou a ver os filhos e pedir que eles se trancassem em outra casa do terreiro. Poderia ter sido uma tragédia maior porque muitas pessoas que viram ele chegar armado logo foram embora”, relatou.
Próximo a residência onde tudo aconteceu era realizada uma festa da Umbanda, religião seguida pelas vítimas. Maria das Graças da Conceição, avó de Teresinha era quem organizava as festividades sempre as sábados.
Maria das Graças dos Santos, mãe de Teresinha e Francisca, ainda muito emocionada lamentou a morte e o fato de não puder ter feito nada para defender as filhas. “Eu estava lá na festa, mas saí. Poderia ter feito alguma coisa. Recentemente ele (suspeito) agrediu ela (Teresinha) e minha filha deu parte dele na polícia”, falou a mãe.
José Arnaldo, amigo do casal, disse ter ficado surpreso com tudo que aconteceu já que nunca tinha percebido nenhum comportamento agressivo por parte do suspeito. "Conversava bastante com ele e o considerava como amigo. Fiquei surpreso com o que aconteceu", relatou.
Conforme a polícia, pelo menos duas das vítimas foram degoladas e uma delas chegou a ter a mão decepada ao tentar se defender dos golpes. Boa parte do cenário de horror ocorreu na área externa da casa e as vítimas ainda estavam com as vestimentas umbandistas. Uma das mulheres chegou a ser morta dentro de um dos quartos da residência.
Manchas de sangue ficaram pelo quarto onde uma das mulheres morreu (Foto: Catarina Costa)Manchas de sangue ficaram pelo quarto onde uma das mulheres morreu (Foto: Catarina Costa)
"Foi um crime de crueldade que chamou não só a atenção da população, mas de nós policiais. Chegamos a receber a informação de que o suspeito teria se matado, mas ao chegar ao local descobrimos que ele havia era fugido. A polícia continua em diligência, mas por aqui ser área de divisa com o Maranhão acreditamos que ele tenha fugido para o estado vizinho", falou o sargento Haroldo Viana, da 3ª companhia do 12º Batalhão da Polícia Militar.

O Instituto Médico de Legal de Parnaíba, no Litoral do estado, foi acionado e fez a remoção dos corpos. Vários policiais foram deslocados de outras cidades para ir até Madeiro acompanhar as investigações e fazer buscas pelo suspeito.

O crime bárbaro chocou o pequeno povoado Pote Seco, que fica na zona rural do município. Familiares e vizinhos se aglomeraram nas proximidades da residência e aguardam a chegada dos corpos para serem velados.
Vizinhos e familiares se aglomeraram na porta da casa onde o crime aconteceu (Foto: Catarina Costa)Vizinhos e familiares se aglomeraram na porta da casa onde o crime aconteceu (Foto: Catarina Costa)
Segunda chacina este ano
O crime que chocou Madeiro nas primeiras horas deste domingo não é o primeiro com essas mesmas características a acontecer no estado este ano. No dia 18 de agosto, seis pessoas da mesma família foram executadas a tiros dentro de casa no povoado Boa Vista, na cidade de Alegrete do Piauí, Sul do estado.
Nesse caso, a polícia trabalhou com a hipótese de vingança, visto que uma das vítimas teria participação em outros dois assassinatos na região. Cinco pessoas, também da mesma família, foram presas suspeitas da chacina. No entanto, o prazo da prisão temporária não foi prorrogado e todos estão soltos.

Corpo de idosa morta ao entrar por erro em favela de Niterói é enterrado


Regina Múrmura foi morta por bandidos ao entrar por engano no Caramujo.
Muito abalado, marido, que dirigia carro, foi amparado por família e amigos.

Lívia TorresDo G1 Rio
Familiares Regina Stringari Múrmura, 70 anos, chegaram no fim da tarde deste domingo (4) ao Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, para velar o corpo. Ela morreu na noite de sábado (4), quando entrou por engano com seu marido, o empresário Francisco Múrmura, na comunidade do Caramujo, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Criminosos atiraram contra o carro em que estavam e ela foi baleada.(veja vídeo)
Francisco, de 69 anos, dirigia o veículo e não se feriu. Ele chegou à capela do cemitério por volta das 17h40. Muito abalado, foi abraçado por familiares e amigos.
Mais cedo, o empresário disse que considera um milagre ter sobrevivido. "Quando eu desci [do carro] e o cara veio com a arma, a melhor coisa que ele poderia ter feito, pra mim, seria me apagar e acabou”, disse
Regina deixa duas filhas, Renata e Francine, ambas com Francisco, com quem era casada havia quase 50 anos.
Segundo o viúvo, ela tinha o desejo de ser cremada, mas a cremação foi negada devido à investigação do homicídio – pode ser pedida nova necropsia no corpo. Familiares optaram, então, por fazer uma cerimônia rápida no velório e, por volta das 18h30, o corpo foi levado para ser enterrado por um representante da família, sem a presença de parentes e amigos.
“Quando eu desci [do carro] e o cara veio com a arma, a melhor coisa que ele poderia ter feito, pra mim, seria me apagar e acabou"
Francisco Múrmura, viúvo de Regina
GPS levou à favela
O casal ia do Rio para Niterói e colocou o endereço de destino no aplicativo de navegação por GPS Waze. Em vez direcioná-los para a Avenida Quintino Bocaiúva, em São Francisco, eles foram levados à Rua Quintino Bocaiúva, dentro da favela do Caramujo, onde foram recebidos a tiros.
Francisco tentou fugir, mas acabou entrando em uma rua saída. Ele chegou a sair do carro e se identificar, foi agredido e liberado para ir, mas os bandidos deram mais tiros enquanto deixava a região.
“Ele [criminoso] me deu uma coronhada na cabeça, só que ele tinha deixado uma moto na frente. Eu falei: ‘Olha, como é que eu posso seguir se você colocou sua moto lá? Ele foi lá tirou a moto e deixou eu passar. Depois que eu passei, ele ainda atirou umas quatro, cinco vezes, meu carro foi baleado 19, 20 vezes acho”, disse Francisco.
Segundo o comandante do batalhão, coronel Fernando Salema, o policiamento na favela do Caramujo foi reforçado por tempo indeterminado. O setor de inteligência realiza planejamento para programar uma operação na comunidade e tentar prender os bandidos.
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Francisco Múrmura foi consolado por amigos e parentes no velório da mulher, Regina (Foto: Lívia Torres / G1)Francisco Múrmura foi consolado por amigos e parentes no velório da mulher, Regina (Foto: Lívia Torres / G1)
Carro do casal ficou com várias marcas de tiro (Foto: Reprodução / GloboNews)Carro do casal ficou com várias marcas de tiro (Foto: Reprodução / GloboNews)
Francisco levou a mulher ferida para o Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca. "Eu já estava tentando massagear o coração dela para ver se ela me respondia alguma coisa. Mas também cheguei a pensar que ela estava em choque. Aí eu massageei e nada, nada", disse.
Regina sofreu uma parada cardiorespiratória, segundo a direção da unidade. Não houve registro de atendimento a Francisco, que prestou depoimento à polícia.
Francisco Múrmura é abraçado no velório da mulher, Regina (Foto: Lívia Torres / G1)Francisco Múrmura é abraçado no velório da mulher, Regina (Foto: Lívia Torres / G1)
Regina e Francisco Múrmura foram atacados em Niterói (Foto: Reprodução / Facebook)Regina e Francisco Múrmura foram atacados em Niterói (Foto: Reprodução / Facebook)
Investigação
A Polícia Civil informou que as investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), que instaurou inquérito para identificar a autoria do homicídio de Regina Stringari Murmura.
Ainda segundo a polícia, a perícia foi feita no veículo da vítima, e a vítima sobrevivente, que dirigia o veículo, foi ouvido na especializada. “Os agentes estão em diligências para localizar possíveis testemunhas e imagens de câmeras de segurança que possam ajudar nas investigações”, declarou, em nota.
Regina e Francisco Múrmura entraram por engano em favela (Foto: Reprodução / Facebook)Regina e Francisco Múrmura entraram por engano em favela (Foto: Reprodução / Facebook)
Outros casos
Em agosto de 2015, a atriz Fabiana Karla também teve o carro atingido por tiros em Niterói, quando se dirigia para um evento. Com a orientação de um aplicativo de navegação automotiva (GPS), passou pela mesma comunidade. Ela teve o carro cercado por criminosos armados, que dispararam contra o veículo. Fabiana escapou sem ferimentos.
No dia 13 de março, os também atores Tadeu Aguiar e Sérgio Menezes dirigiam o carro em direção ao SESC Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde encenariam a peça "Bilac vê estrelas". Para fugir do trânsito, usaram o aplicativo Waze, que apontou que o melhor caminho era pelo bairro de Del Castilho.Acabaram entrando no Chapadão, comunidade violenta da região, onde foram tiveram pertences e o carro roubados antes de serem abandonados no meio da favela. "Pensei que fosse morrer", disse, na época, Tadeu, que também não se feriu.
Alpinista morto (Foto: Reprodução/RJTV)Alpinista morto em Caxias (Foto: Reprodução)
Um alpinista que seguia para a Região Serrana do Rio e também errou o caminho não teve a mesma sorte. Em maio deste ano, Ulisses da Costa Cancela, de 36 anos, entrou por engano na Rua Epitácio Pessoa, na comunidade Vila Sapê, em Imbarié, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O carro em que estava com a mulher e um casal de amigos foi atingido por mais de 20 tiros e Ulisses morreu.