Com Cunha emparedado, CPI da Petrobras arma pizza

CPI da Petrobras em 14/10/2015
Depoimento do presidente da Petrobras, Aldemir Bendine (foto), colhido nesta quarta-feira pela CPI que investiga os escândalos na estatal encerra os trabalhos da comissão de inquérito - 14/10/2015(Agência Câmara/Divulgação)
Na reta final dos trabalhos e sem ter conseguido avançar efetivamente nas investigações da Lava Jato, a CPI da Petrobras virou nesta quarta-feira palco de discussões sobre a blindagem que o colegiado fez ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a delatores. Mesmo com a possibilidade de apresentar na próxima semana um relatório final que pouco avança nos fatos já conhecidos sobre o petrolão, a ampla maioria dos integrantes da CPI é contra a prorrogação dos trabalhos.
Se não houver prorrogação dos trabalhos - e o cenário entre os deputados indica que não haverá - o depoimento do presidente da estatal, Aldemir Bendine, hoje, será o último a ser colhido pela comissão de inquérito. Antes de o executivo começar a expor dados sobre o rombo na petroleira e as dificuldades de auditar contas navalhadas por uma corrupção sistêmica, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) defendeu abertamente a prorrogação dos trabalhos e a convocação de Eduardo Cunha para prestar um novo depoimento. Quando compareceu ao colegiado, em março, Cunha negou, por exemplo, ter contas bancárias da Suíça e afirmou à época que o lobista Fernando Baiano não atuava em nome do PMDB na estatal. Desde então, as acusações contra o peemedebista não param de crescer e atualmente o parlamentar tem de negociar com o governo uma estratégia para não perder o mandato.

"Não conseguimos ouvir aqui nenhum parlamentar envolvido convocado. Não conseguimos votar nem a convocação de um parlamentar", cobrou Valente. Mesmo com a Polícia Federal tendo deflagrado a Operação Politeia, braço da Lava Jato focado em deputados e senadores, nenhum congressista foi chamado a prestar esclarecimentos. "A Câmara tem obrigação de cortar na própria carne. O processo de investigação está em andamento e estamos fechando a CPI", disse ele, que desde março tenta levar ao colegiado todos os políticos alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de envolvimento com o petrolão.
A ofensiva do deputado contra Eduardo Cunha levou a campo a tropa de choque do peemedebista, que cobrou "presunção de inocência" ao político. "O presidente não é protagonista desse processo. Somos tupiniquim aqui? Só porque a Suíça falou parou o Brasil? É a síndrome de colonização? Se a Suíça quiser procurar dinheiro em conta, 2 milhões de dólares é troco", esbravejou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).
O tucano João Gualberto (PSDB-BA), por sua vez, acusou o PSOL de atuar como "partido auxiliar do PT" e disse que "os pais do petrolão são Lula e Dilma". As acusações contra o PSOL motivaram protestos de Ivan Valente, mas o deputado baiano continuou: "O PT sabe que os pais do petrolão são Lula e Dilma e sempre pega no pé do senhor Eduardo Cunha. Sei as acusações são graves, mas só fala de Eduardo Cunha. Por que não fala do ex-presidente Lula e da presidente Dilma, que são o problema?".
O petista Jorge Solla (PT-BA), por sua vez, voltou à carga de discussões contra Eduardo Cunha e ironizou o fato de o juiz Sergio Moro não ter mandado prender a mulher do presidente da Câmara, Claudia Cruz, que, segundo o Ministério Público, utilizou dinheiro das contas secretas da Suíça para pagar aulas de tênis nos Estados Unidos. "É uma desfaçatez se falar como se Dilma e Lula pudessem ser culpados e ao mesmo tempo alegar presunção de inocência de quem contas bancárias na Suíça. Não acharam dinheiro nas contas de Lula e Dilma", afirmou.

Mulher de André Vargas diz que vende bolo e perfume para pagar contas

O ex deputado federal André Vargas (PT) deixa a sede da PF para depor na justiça federal na tarde quarta-feira (24)
O ex deputado federal André Vargas (PT) deixa a sede da PF para depor na Justiça Federal(Vagner Rosário/VEJA)
Depois de desfrutar de viagens em um jatinho fretado pelo doleiro Alberto Youssef, o gatilho do processo que culminou na prisão do seu marido, o ex-deputado André Vargas, Eidilaira Soares Gomes disse que tem de improvisar para sustentar a casa. "Tenho uma iogurteria, faço bolo, vendo perfume, emagrecedores naturais, essas coisas", narrou nesta quarta-feira ao juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação no âmbito da Lava Jato. Emocionada em diversos momentos do depoimento, Eidilaira, que é ré por lavagem de dinheiro, tentou a todo custo negar que tinha uma boa vida quando seu marido era deputado - e embolsou, segundo sentença da Justiça, 1,1 milhão de reais em propina em contratos firmados com a Caixa e o Ministério da Saúde. Ela afirmou que a única vez que embarcou em um jato foi "nesse negócio aí dessa viagem". E fez questão de citar as amarguras do passado: "Comecei a trabalhar com 12 anos, trabalhei como vendedora e no cemitério lavando túmulos. Trabalhei também com sacoleiras que revendiam roupas que eu comprava em São Paulo", disse ao juiz. Sobre a investigação por lavagem de dinheiro na compra de um imóvel em Londrina, ela não fez confissões: "Nunca me envolvi em nada disso". (Marcela Mattos, de Brasília)

Ney comemora 5 anos da lei que garante mamografia


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A lei que garante a mamografia na rede pública de saúde para todas as
mulheres acima de 35 anos no Estado do Paraná, de autoria do deputado Ney
Leprevost, líder da Frente Estadual da Saúde e Cidadania, completa 5 anos.
O diagnóstico precoce da doença é o primeiro e mais importante passo para
a cura do câncer de mama. Segundo informações da Secretaria de Estado da
Saúde, em 2014 foram realizadas no Paraná, cerca de 320 mil mamografias
nas 22 Regionais de Saúde do Estado.
“A intenção do Outubro Rosa é sensibilizar as mulheres sobre a importância
de fazer o exame. É importante lembrar que o câncer de mama, se for
detectado no início, tem grandes chances de cura”, afirma Leprevost.
No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o
câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres depois do de pele não
melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. A
doença também acomete homens, porém é raro e representa apenas 1% do total
de casos. Relativamente raro antes dos 35 anos, depois sua incidência
cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. A estimativa do
INCA para 2015 é de mais de 57 mil novos casos no Brasil.
Na foto, Ney Leprevost com amigas voluntárias da Rede Feminina de Combate
ao Câncer.

Fidelidade se compra?


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As manobras de Dilma para angariar apoio não estão dando certo. A reforma ministerial dá frutos podres
Ruth Aquino, Época
Não, presidente Dilma Rousseff. Talvez seja tarde para descobrir o óbvio. Fidelidade se constrói, respeito se conquista, amor se cultiva. Mesmo num país em que os partidos políticos se desmoralizam a tal ponto que tudo parece estar à venda no Congresso – do voto à consciência –, Dilma percebe que é hoje uma mulher traída e uma líder mal-amada.
Não importa quantos cargos ela tenha distribuído, quantas concessões tenha feito. Não importa quantos mimos tenha oferecido a seus concubinos. Eles traem. Conspiram. Querem mais. A insatisfação costuma conduzir à infidelidade. Se até os partidos comprados traem Dilma, a rebeldia não se explica apenas pelo vício da prostituição do poder. Nem os pares de Dilma se afeiçoaram a ela – muitos, se não falam mal pela frente, o fazem pelas costas.
Toma lá. E não dá cá. De todas as derrotas sofridas por Dilma nos últimos dias – e não foram poucas –, a falta de quórum na Câmara para votar seus vetos às pautas-bomba pode ter sido a que mais a magoou. Um sinal do que vem por aí. Sua maior luta, hoje, é travada nas duas Casas, e não com juízes, procuradores, jornalistas ou eleitores. “Juntos, somos imbatíveis”, disse Dilma em Barreiras, na Bahia. Juntos… com quem, exatamente? Com senadores e deputados.
As manobras de Dilma para angariar apoio não estão dando certo. A “reforma ministerial”, de custo moral e ético muito alto, dá frutos podres. Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, diz: “Acho que alguma coisa não está funcionando”. Acha mesmo ou tem certeza? O líder do PR na Câmara, Maurício Lessa, afirma: “O governo não pode achar que resolve a vida só com o PMDB”. Não mesmo. Há um novo bloco de partidos revoltados. O “baixo clero” pode ser muito baixo. O que é pior: os dois maridos oficiais – o PT e o PMDB – não estão unidos em torno da matriarca.
O elemento peemedebista Eduardo Cunha, presidente da Câmara, cada vez mais afundado em suas contas movediças, familiares e milionárias em dólares na Suíça, exerce poder avassalador contra Dilma – mas pode cair antes de qualquer um em Brasília. Comprovadas as contas secretas e a origem de corrupção, Cunha não poderá continuar a presidir a Câmara. Simples assim. Não tem moral para falar de moral. Dilma e Lula sonham em lavar Cunha a jato.
Não sinto pena de Dilma. Ela fez por merecer o pesadelo atual. Muito pior foi o pesadelo em que ela jogou o Brasil, ao usar no ano passado R$ 106 bilhões em barbeiragens fiscais para enganar o eleitor mais crédulo. Criou uma Ilha da Fantasia em que o estudante, a dona de casa, o trabalhador, o pequeno empresário, o jovem idealista, a classe média e os mais carentes se inspiraram para reelegê-la.
Dos R$ 106 bilhões, R$ 40 bilhões de bancos públicos foram usados nas pedaladas – o termo usado para adiar pagamentos e maquiar as contas públicas. Estamos, todos nós, pagando agora por isso. Nos primeiros oito meses de 2015, como foi publicado no jornal O Globo na sexta-feira, o Tesouro Nacional já repassou a BNDES, Banco do Brasil e FGTS R$ 14,4 bilhões. Objetivo? Cobrir os gastos com juros subsidiados de programas federais no ano passado. Esse é o preço, até agora, da operação-bomba para reeleger Dilma.
Nunca antes na história um presidente pedalou com um doping dessa magnitude. Nunca antes se usou tamanho artifício para mascarar uma gestão incompetente e temerária e alimentar o marketing piegas da mãe do PAC. É uma constatação financeira, técnica, nada ideológica ou política. Basta examinar os gráficos, ano a ano. São números, não palavras. Não há subjetividade nem torcida contra.
Quando Dilma vê “luz no fim do túnel”, é natural. Não tem saída a não ser parecer otimista. Jaques Wagner, o novo escudeiro imposto por Lula na Casa Civil, é só elogios: “A presidente é uma guerreira, ela opera muito bem diante da dificuldade… ela entende que (a reprovação das contas pelo Tribunal de Contas da União) é uma página virada e que a batalha definitiva será no Congresso”. Leia-se batalha para continuar a governar. Batalha para não sofrer impeachment. Para não desmilinguir.
A reprovação das contas de Dilma pelo TCU já era esperada. Mas não por essa goleada de 8 a zero. Unânime, inédita, histórica. Dilma se preocupa com o uso que o Congresso fará dessa derrota. O país tenta olhar o lado bom. O da prestação de contas. Contas fiscais e morais. Afinal, quem quer fidelidade precisa ser fiel, em primeiro lugar. Precisa ser responsável. A moeda que conta para nós é esta, a da responsabilidade com a nação e com os eleitores. Tanto a presidente quanto o Congresso deveriam saber que não é possível cobrar sacrifício ou fidelidade de quem se sente espoliado ou traído.

Presidente do Conselho de Ética tem telhado de vidro?


O deputado José Carlos Araújo, presidente do Conselho de Ética que vai julgar Eduardo Cunha, assumiu o cargo pela primeira vez em 2009 sob acusações ter usado a verba indenizatória da Câmara durante as férias.
O Antagonista resgatou uma entrevista com Araújo publicada pela ISTOÉ naquela ocasião. O repórter Hugo Marques não deu sossego ao parlamentar, que tinha uma folha de antecedentes impressionante. Via O Antagonista.
Confira os principais trechos no Leia Mais:
Istoé – Para o sr., o que é ética?
José Carlos Araújo -Tudo aquilo que você faz que não é certo, que não é direito, é contra a ética, é antiético. O médico, quando faz aborto não previsto em lei, está contra a ética.
Istoé – O sr. usou R$ 14.600 da verba indenizatória em janeiro, um mês de férias. Esse comportamento foi ético?
Araújo – A verba indenizatória é ressarcimento de alguma coisa. Foram coisas que gastei durante o mês de dezembro.
Istoé – Mas em fevereiro o sr. também pediu ressarcimento de despesas, no mesmo valor.
Araújo -Bom, tenho assessoria. Tenho empresa que me dá assessoria nos meus municípios. Eu viajei, apresentei parte das coisas, o aluguel do meu escritório. Não posso interromper o aluguel do meu escritório porque é janeiro, continuo despachando no meu escritório em Salvador, continuo pagando água, pagando luz. Viajei para o interior, usei combustível.
Istoé – Na Bahia, o sr. foi investigado por distribuir dentaduras durante a eleição.
Araújo -Saíram notícias nos jornais e eu me antecipei ao Ministério Público, fiz uma notificação ao MP mostrando que eu não tinha nada com isso. Acontece que o deputado estadual Pedro Egydio, que tinha dobradinha comigo, era protético e fazia isso. Ele distribuiu meu santinho junto com o dele. Se eu tivesse sido beneficiado, teria tido muito mais votos.
Istoé – A Fazenda São José, de sua propriedade, em Mata de São João, tem quantos alqueires?
Araújo -Ela tem 500 e poucos hectares. Foram comprados em 1988. Eu não era deputado. Depois que me tornei deputado, não tive absolutamente nada.
Istoé – Em 2002, o sr. declarou a fazenda por R$ 346 mil. Em 2006, o valor caiu para R$ 80 mil. Ela diminuiu de preço?
Araújo -Espera aí, não, não, não, tem alguma coisa errada aí.
Istoé – Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral.
Araújo – É que quando ela foi comprada não foi em reais. Ela foi comprada em outra moeda. Na outra moeda é que foi 300 e, não sei se era cruzeiro, convertido dava isso.
Istoé – No TSE está em real.
Araújo -Ela foi convertida da moeda da época para a moeda atual. Não tem esse negócio de 80 mil. Eu mandei a minha cópia da declaração do IR. Em 2007, passei a declarar 700 mil, porque foi a reavaliação que fiz.
Istoé – Em 1998, o sr. foi acusado de contratar parentes no gabinete que queriam transferências de faculdades do Rio e São Paulo para a Universidade da Bahia.
Araújo -Parente, não. Eu nomeei o filho de um amigo para o meu gabinete. Ele ficou no meu gabinete trabalhando um tempo, depois fez vestibular e se transferiu, alguma coisa desse tipo.
Istoé – O sr. o contratou para que a Justiça pudesse dar a liminar transferindo- o para a Bahia?
Araújo -Não. Eu contratei porque era filho de uma amiga, que, por sinal, hoje é deputada federal. Era minha correligionária, me pediu um emprego para o filho e eu contratei.

Processo de Cunha termina até o fim do ano, diz presidente de conselho


PSOL e Rede acionaram o Conselho de Ética por suposta quebra de decoro.
Procuradoria diz que Cunha tem contas bancárias na Suíça, mas ele nega.

Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília
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Presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo, em entrevista coletiva (Foto: Fernanda Calgaro/G1)Presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo, em entrevista coletiva (Foto: Fernanda Calgaro/G1)
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA), disse nesta quarta-feira (14) que o processo para apurar suposta quebra de decoro do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deverá estar concluído até o fim deste ano, apesar de o prazo final de tramitação no conselho ser de até 90 dias, o que daria no fim de janeiro. Araújo também afirmou que Cunha não terá tratamento diferenciado e que, se ficar comprovado que o parlamentar mentiu, poderá se configurar quebra de decoro.(veja vídeo)
O PSOL e a Rede entraram na terça-feira (13) com uma representação no colegiado para que Cunha seja investigado por suposta quebra de decoro parlamentar. Os partidos entendem que ele mentiu em depoimento à CPI da Petrobras, em março, quando disse que não possuía contas no exterior. Em documento enviado pela Procuradoria Geral da República, o procurador-geral, Rodrigo Janot, confirmou, no entanto, que Cunha tem contas na Suíça.

“Esse processo tem dia de começar e de acabar, que é de até 90 dias. Mas é óbvio que, se pudermos apressá-lo dentro da legalidade, o faremos. Até o recesso [parlamentar], já acabou”, disse Araújo. O recesso parlamentar começa em 23 de dezembro. Segundo o presidente do conselho, a tramitação no colegiado será mais célere porque o colegiado “não quer ficar com esse problema na mão”.
“Eu acho que está mais propenso a acabar este ano. Porque é um processo que a sociedade reclama, nós todos queremos [a investigação] e o Conselho de Ética não quer ficar com esse problema na mão”, justificou.

Araújo não quis comentar se considerava que Cunha havia mentido à CPI, mas disse que o conselho iria apurar isso e, caso ficasse comprovado que ele mentiu, seria enquadrado como quebra de decoro. "Essa é uma prova que vamos apreciar. Em tese, o conselho já apreciou processos de deputados que cometeram esse erro de mentir. Na época, configurou quebra [de decoro].", afirmou.

Isenção
Araújo ressaltou que agirá com isenção e garantiu que não haverá privilégios para Cunha por ser presidente da Casa.

"Vou proceder como procederia em qualquer processo desse tipo, com isenção com toda lealdade e fazendo justiça. Vou fazer como faria com qualquer outro deputado. Vou proceder julgando uma representação contra um deputado. É o deputado Eduardo Cunha. Ele é presidente aqui, nessa Casa. Lá [no Conselho de Ética], presidente, sou eu", declarou.

Araújo disse que não foi procurado por governo nem por ninguém do vinculado a Cunha, e que não há possibilidade de qualquer tipo de acordo com nenhuma das partes para que o peemedebista seja poupado. "No Conselho de Ética, não tem acordo", afirmou.

Deputados divergem: maioria simples basta para se iniciar impeachment? 342 ou 129 votos?


Governistas e oposição argumentam com base em artigos da Constituição.
Para uns, são necessários 342 votos na Câmara; para outros, 129 bastam.

Renan Ramalho e Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília
Dentre as inúmeras dúvidas surgidas após o Supremo Tribunal Federal (STF) suspender o rito de impeachment anunciado em setembro pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma ainda provoca controvérsia entre parlamentares: o número de votos necessários para que o plenário, formado por todos os deputados, decida sobre o acolhimento ou não de uma denúncia apresentada contra a presidente Dilma Rousseff.
Políticos da oposição afirmam que, para isso, basta maioria simples (metade mais um de pelo menos 257 deputados presentes ao plenário da Câmara); governistas dizem que são necessários os votos de pelo menos dois terços de todos os 513 deputados.
O acolhimento ou rejeição do pedido é o primeiro passo para o início das discussões na Câmara e interessa diretamente aos deputados contra e a favor do impeachment por envolver a estratégia traçada por Cunha e oposicionistas há várias semanas.
Para não arcar sozinho com o peso da decisão, o presidente da Câmara rejeitaria o pedido de impeachment, mas diante de um recurso, levaria o caso a plenário para que os próprios deputados decidam.
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A dúvida gira em torno da quantidade de votos necessária para aprovar ou rejeitar esse recurso.
Se para deputados governistas seriam necessários votos de 342 dos 513 deputados (dois terços), para oposicionistas, bastariam 129 votos em plenário (maioria simples, desde que presentes 257 deputados, regra geral para decisões comuns).
Essa definição não foi feita expressamente por Cunha no rito suspenso nesta terça (13) pelos ministros do STF Teori Zavascki e Rosa Weber e, portanto, permanece em aberto, causando divergência entre os deputados a favor e contra o impedimento de Dilma Rousseff.
Maioria simples
Para opositores da presidente, deve ser aplicada a chamada "maioria simples" para a decisão, pela qual, desde que presentes à sessão 257 deputados, bastaria a metade mais um dos votos para se aprovar o recurso. Nessa hipótese, bastariam 129 votos em plenário.
Eles argumentam que essa é a regra geral para deliberações comuns da Câmara prevista tanto no Regimento da Câmara, como na própria Constituição.
A área técnica da Câmara também considera que deverá ser aplicada a regra da maioria simples devido ao disposto no artigo 47 da Constituição. Esse artigo determina que, "salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa [Senado e Câmara] e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros".
Como não haveria "disposição constitucional em contrário" em relação à votação de recursos, prevaleceria a mesma regra adotada para decisões comuns.
"Não tem como ser diferente nessa questão do impeachment, até porque [o plenário] está confrontando um início de um processo que pode ser feito pelo presidente da Câmara. Se ele pode decidir monocraticamente sobre dar ou não seguimento à discussão, é lógico que a maioria simples pode o mesmo", diz o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), um dos autores do pedido de esclarecimento sobre o trâmite do processo anunciado por Cunha.
Dois terços
Vice-líder do PT na Câmara e ex-presidente da seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o deputado Wadih Damous (PT-RJ) discorda. Ele é um dos deputados que entrou no STF contra o rito de tramitação de um eventual processo de impeachment estabelecido por Eduardo Cunha.
Para Damous, a decisão depende da chamada "maioria qualificada", de dois terços (342) dos 513 deputados, mesma quantidade prevista para a efetiva abertura do processo de impeachment, fase posterior, que leva ao imediato afastamento da presidente da República.
Ele toma como base o artigo 51 da Constituição que diz que compete à Câmara "autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado".
Na interpretação do deputado, a votação de recurso contra um eventual indeferimento pelo presidente da Câmara de pedido de abertura de processo de impeachment já é uma etapa do processo e, por conseguinte, exigiria uma maioria de 342 votos.

"Do nosso ponto de vista, o provimento desse recurso deveria se dar por dois terços porque, na prática, daria abertura ao processo", justifica Damous.
Supremo
A questão, no entanto, tende a ser novamente discutida se Cunha de fato rejeitar um dos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff que ainda restam na Câmara. Ele já indeferiu a maioria.
Neste momento, porém, há poucas chances de um recurso vir a ser apresentado, em razão da suspensão, pelo STF, do rito traçado por Cunha para o impeachment.
No trâmite previsto por Cunha, há a previsão de que basta a iniciativa de um só deputado para que o recurso seja apresentado. Mas esse critério, adotado pelo presidente da Câmara. também foisuspenso pela ministra Rosa Weber, do Supremo.
Arte Rito do Impeachment (Foto: Editoria de Arte / G1)

Ex-senador e empresário milionário terá dívida com UTI aérea paga pelo Senado


Valmir Amaral foi transferido da capital para São Paulo após acidente de carro em maio. Dívida é de R$ 33,5 mil

MURILO RAMOS
13/10/2015 - 08h38 - Atualizado 13/10/2015 14h43
O Senado reconheceu dívida de R$ 33, 5 mil com a empresa Sete Táxi Aéreo relativa ao transporte, em maio, do ex-senador Valmir Amaral entre Brasília e São Paulo numa aeronave UTI. Na ocasião, Amaral sofreu um acidente de carro após sair de um show de música sertaneja na madruga de um final de semana. Em São Paulo, ficou hospitalizado no Hospital Sírio-Libanês. 
Amaral permaneceu no Senado entre 1999 e 2007 e era dono de empresas que mantiveram, por vários anos, permissões de ônibus em Brasília. 

Governo de Israel começa bloqueio em bairros palestinos


A medida foi uma resposta do governo à crescente onda de violência no país. Nas últimas duas semanas, 7 israelenses e 30 palestinos morreram

REDAÇÃO ÉPOCA
14/10/2015 - 11h39 - Atualizado 14/10/2015 11h39
A polícia de fronteira israelense revista um palestino, em um dos acessos a Jerusalém Oriental  (Foto: AP Photo/Mahmoud Illean)
governo israelense instituiu postos de controle nos acessos aosbairros palestinos de Jerusalém, em Jerusalém Oriental. A medida, condenada por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, é uma reação das autoridades do país à onda de ataques que, nesta terça-feira (13), deixou três israelenses mortos. Nas últimas duas semanas, a crescente violência entre palestinos e israelenses causou 37 vítimas fatais: 30 palestinos e 7 israelenses.

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Jerusalém oriental concentra os bairros palestinos da cidade. Ocupada por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, a região foi anexada pelo país na década de 1980. O bloqueio a essas áreas, e um eventual toque de recolher, foi uma decisão do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de acordo com o jornal O Globo: “A polícia está instalando postos de controle nas saídas das localidades palestinas e dos bairros de Jerusalém Oriental”, informou o governo em comunicado oficial. A decisão foi tomada na madrugada desta terça-feira, durante uma reunião de emergência da equipe de segurança.

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Entre as medidas aprovadas, o governo autorizou o envio de forças militares a Jerusalém Oriental. O exército também vai começar a inspecionar o transporte público da cidade – na terça-feira, dois palestinos atacaram, a facadas, pessoas em um ônibus. Duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas.

O governo também mudou a punição às famílias dos agressores. Elas terão suas casas destruídas, serão proibidas de reconstruí-las e estarão proibidas de voltar a morar em Jerusalém. O governo também não vai devolver os corpos dos terroristas mortos aos seus parentes. O argumento é de que, por vezes, os cortejos fúnebres a essas pessoas acabam se convertendo em manifestações públicas de apoio ao terrorismo. Os corpos serão enterrados em um cemitério afastado, de acordo com o ministro da Segurança, Gilad Erdan.

As medias foram criticadas pela organização Human Rights Watch, segundo a qual os bloqueios podem aumentar o assédio contra a população palestina e provocar revolta, ao tolher o direito de ir e vir. Esses bloqueios dificultam a realização de atividades cotidianas triviais, como levar crianças à escola.

As histórias de Miele


ÉPOCA obteve capítulo de livro que diretor, morto nesta quarta, havia acabado de escrever e preparava divulgar em turnê

RODRIGO CAPELO
14/10/2015 - 15h27 - Atualizado 14/10/2015 16h00
Luiz Carlos Miele, ator, diretor e produtor musical (Foto: Agência O Globo)
“Miele, força de leão, coração de beija-flor. Dorme entre oito pastores alemães. Acorda de smoking. Janelas abertas. Corpo fechado. O Luiz artista, bom de bola, de papo, de copo. De copas, o rei de copas. O Barba. O Barrabás. O Mielofone. Mais motivos pro Miele estar no show? Eu adoro o Miele.” O relato, sobre Luiz Carlos Miele, morto nesta quarta-feira (14) aos 77 anos, é de Elis Regina, com quem o produtor, diretor e ator trabalhou nos anos 1970. Estava nas páginas do show Elis com Miele & Bôscoli no teatro da praia, quinto álbum ao vivo da cantora, e foi transcrito em um livro que Miele apresentou em um show em 1º de outubro no Rio de Janeiro. Ele faria turnê para divulgar obra a partir de agora pelo país.
Miele reuniu nesta obra, lançada pelo Bookstart, ferramenta de financiamento coletivo, diversas das histórias que colecionou nos 67 anos de carreira por rádios, televisões e espetáculos musicais. A campanha para vender livros segue até o Natal mesmo com a morte.
ÉPOCA obteve um dos capítulos deste livro, Galinha voa ou não voa?, com a célebre narrativa de quando Miele, na companhia do então sócio Ronaldo Bôscoli e de executivos da Air France, na época interessados em contratar o show produzido por ambos, jogou uma galinha do parapeito de um prédio de 13 andares. A curiosidade era descobrir se ela voaria ou não. Spoiler: não voou. Foi no início deste capítulo, para contextualizar o momento que vivia como produtor de espetáculos, que Miele descreveu como era a relação com Elis Regina.
Leia abaixo os principais trechos deste capítulo.
Luiz Carlos Miele e Elis Regina
Com o show Elis com Miele & Bôscoli no teatro da praia, segundo a crítica, “Elis deu o salto”. Ela dançava, sapateava, fazia humor e, principalmente, cantava. No começo, era para ser apenas uma performance dela, mas Elis pensou em trocar de roupa entre alguns números, e Ronaldo sugeriu que eu entrasse no palco e contasse uma história qualquer. Bem, eu entrei e contei a primeira, a Elis se divertiu muito, sugeriu outras participações minhas, e acabei quase dividindo o show com ela, o que eu considerava um absurdo, em face de uma estrela daquela grandeza. Mas era tudo uma grande festa entre mim, Elis, Ronaldo, Menescal e o conjunto.
[...]
Ela também inventou outra história, bem saborosa, que contou no palco. Disse que certa noite pediu que eu não bebesse nada depois do show de sexta-feira, pois teríamos duas sessões no sábado. Fui então pra casa obediente, sem beber. Mas, chegando lá, os cachorros não me deixaram entrar. Como era uma das raras vezes em que me viam sóbrio, não me reconheceram.
[...]
Nosso show era bem descontraído e permitia esse tipo de brincadeira. Elis se divertia muito, dançava, sapateava (um pouquinho, de mentira, como eu), imitava o Carlitos, vestida e maquiada como ele. Depois, ia tirando a maquiagem, o bigodinho e o chapéu-coco e cantava Minha, do Francis Hime e do Ruy Guerra. Era de arrepiar. A grande maioria da crítica elogiou nosso show. Nós tínhamos a segunda maior bilheteria de teatro em São Paulo. Ficamos quatro meses em cartaz.
[...]
Ela era super profissional. Todos tinham que chegar cedo ao teatro. Durante nossas apresentações, mesmo quando eu não estava em cena, nunca me afastava do palco. Ficava na coxia, ouvindo Elis e sua musicalidade extraordinária. De tantos artistas que Ronaldo Bôscoli e eu produzimos (nossa dupla realizou 86 shows), Elis foi aquela que me marcou de maneira mais especial. Também tive o prazer de ser o diretor de seus especiais na TV Globo, mas, infelizmente, quando ela rompeu com o Bôscoli, era natural que eu também fosse afastado de seu convívio pessoal. Assim, passei para a plateia de seus maravilhosos shows. Mas, repito, não sou fã, sou devoto de Elis.
Luiz Carlos Miele e Elis Regina em espetáculo nos anos 1970 (Foto: Agência O Globo)
Luiz Carlos Miele, Ronaldo Bôscoli e o voo da galinha
Acertado o encontro para o dia seguinte, eu e Ronaldo já nos encontrávamos nas nossas instalações. Ronaldo olhava o mar, do alto dos treze andares, e propôs uma instigante questão:
– Miele, será que se eu soltar uma galinha daqui de cima, ela voa até a praia?
– Voa não, Ronaldo. Galinha não tem essa autonomia de voo.
– Claro que voa, Miele. Galinha é pássaro, ave, sei lá.
– Não voa, Ronaldo.
– Claro que voa, p****! No meio desse “voa, não voa”, aproxima-se o contrarregra do teatro, que tinha ido comprar as cervejas:
– Com licença, chefia. Galinha voa, sim senhor. Eu já trabalhei em granja e tô por dentro.
O Ronaldo e eu debatemos de novo:
– Falei que voava, p****!
– Não voa, Ronaldo. Esse contrarregra entende menos de galinha do que de teatro.
– Voa!
– Não voa!
– Aposto que voa.
– Tá legal. Vale cem pratas.
E mandamos o contrarregra até a esquina, para comprar uma galinha. Enquanto isso, chega o presidente da Air France, Joseph Halfin. Nós já havíamos nos esquecido um pouco do encontro, em face do fascinante tema posto em questão. Recebemos o visitante ilustre com toda fidalguia que marcava o comportamento Miele & Bôscoli. Monsieur Halfin era o único presidente da Air France em todo o mundo que não era francês. Não era francês, mas era romeno, quer dizer, era europeu, culto e extremamente educado. Ficou instantaneamente horrorizado com a nossas “instalações”, aquele elevador de obra com grades de ferro, em companhia do crioulo descalço, com a lata de cimento na cabeça, que dividiu a chegada com ele.
Desceu do elevador, tentou tirar a poeira daquele terno caríssimo, aceitou com europeia relutância o caixote que lhe foi oferecido para sentar e recusou avec élégance a cerveja e o café da garrafa térmica. Passamos a discutir o evento, profissionais que éramos do show business. Enquanto nos detínhamos nos pormenores, com o Ronaldo recusando a passagem de primeira classe da Air France, explicando ao presidente da companhia que tinha horror a avião, chega o contrarregra com a galinha embrulhada num jornal. Ele faz um sinal de que tem de ser agora, porque vai escurecer. Imediatamente, como era um assunto da maior seriedade, pedimos licença ao contratante:
– Monsieur, dá licença um minutinho, que a gente vai até ali no parapeito e já volta.
Fui logo ao assunto:
– Bom, Ronaldo, casa aí as cem pratas na mão do contrarregra e joga a galinha.
– As cem pratas tão aqui. Mas joga você a galinha.
– Você que falou que voava. Joga a galinha, p****! Mas eu garanto que não voa.
– Voa! – Não voa!
A essa altura, Monsieur Hal n não suportou a curiosidade e veio até o parapeito. O Ronaldo explicou:
– Monsieur Hal n, há aqui uma aposta. O senhor acha que galinha voa ou não voa?
Já antecipando a tragédia e razoavelmente preocupado, o estrangeiro opina:
– Não tenho a menor ideia, senhores. Mas acho que não voa.
Foi a minha deixa:
– Tá vendo, Ronaldo? Joga, mas tô avisando que não voa!
– Não jogo. Mas voa.
Aí veio o contrarregra:
– Deixa que eu jogo.
Arremessada a galinha, ela tentou um voo de mais ou menos um metro para frente do parapeito e veio de volta para o andar de baixo. Deu azar, pois a janela estava fechada, com aquele vidro com o “X” traçado a cal. Voar, não voou, mas deu um mergulho fatal até a marquise, sob os aplausos dos operários, que não contavam com aquela canja inesperada. A não ser, talvez, o contrarregra, que mentiu, porque já sabia da autonomia de voo da pobre galinha e queria mesmo era comê-la.
– Falei que não voava, Ronaldo. Me passa as cem pratas.