Ministério Público denuncia Marcelo Odebrecht pela segunda vez


Presidente da empreiteira e executivos são acusados de corrupção por pagar R$ 137 milhões de propina por contratos na Petrobras

DANIEL HAIDAR
16/10/2015 - 22h04 - Atualizado 16/10/2015 22h04
Ministério Público Federal ofereceu na noite desta sexta-feira (16), à Justiça Federal, no Paraná, denúncia contra o empresárioMarcelo Odebrecht, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco e outros três executivos do grupo Odebrecht, como antecipou a coluna EXPRESSO. Pela Odebrecht, também foram denunciados os executivos Márcio Faria, Rogério Araújo e Cesar Rocha. É a segunda ação penal contra eles. Desta vez, os executivos da Odebrecht são acusados de pagar R$ 137 milhões de propina por oito projetos em três diretorias da Petrobras.
Marcelo Odebrecht é ouvido por deputados na CPI da Petrobras em Curitiba (Foto: Geraldo Bubniak / Freelancer / Ag. O Globo)
Na Diretoria de Abastecimento, procuradores da República apontaram que houve suborno para ganhar o contrato de terraplanagem da refinaria Abreu e Lima, emPernambuco, e da terraplanagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, oComperj. Na Diretoria de Gás e Energia, ficou caracterizada a distribuição de comissões por três contratos do Terminal de Cabiúnas e em um contrato do gasoduto GASDUC III, que liga o distrito de Cabiúnas à refinaria de Duque de Caxias (Reduc). Na Diretoria de Exploração e Produção, a denúncia aponta que houve pagamento de propina em contratos das plataformas P-59 e P-60.
Na denúncia, os procuradores citam e-mails e anotações no celular de Marcelo Odebrecht como provas de que o sócio e presidente de empreiteira tinha controle total sobre os negóciosilícitos praticados. No aparelho, a Polícia Federal identificou uma anotação em que o empresário faz alusão a uma conta bancária mantida pela Odebrecht no banco Pictet, na Suíça, onde estavam recursos utilizados para distribuir propina por obras da Petrobras.
Em um e-mail, Marcelo escreve a Luiz Antônio Mameri, presidente da Odebrecht para América Latina e Angola, para tratar do pagamento de propina. O empresário diz que estaria com o "italiano" e que "com os 700 que estão sinalizando dificilmente terão algo, e que se nos autorizassem EB poderia tentar conseguir 50 de rebate para o objetivo de 1200". De acordo com os procuradores da república, rebate significa propina e, em linguagem cifrada, Marcelo ofereceu US$ 50 milhões "para que o preço da contratação fosse majorado" de US$ 700 milhões para US$ 1,2 bilhão.
Se aceita a denúncia, Marcelo Odebrecht, Márcio Faria, Rogério Araújo e César Rocha foram acusados 64 vezes pelo crime de corrupção ativa. Pedro Barusco e Renato Duque podem responder pelo crime de corrupção passiva. O Ministério Público Federal pediu ao juiz Sérgio Moro que Marcelo Odebrecht, Rogério Araújo, Márcio Faria, Cesar Ramos e Renato Duque sejam mantidospresos.

Fotos: Loja da Nike na Arena Corinthians é finalizada


Odebrecht terminou obras com cerca de um ano de atraso, e unidade, potencialmente a mais rentável, deverá abrir em breve

RODRIGO CAPELO
14/10/2015 - 17h30 - Atualizado 14/10/2015 17h30
Nova loja da Nike na Arena Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)
Corinthians e Nike estão próximos de inaugurar a loja da empresa americana na Arena Corinthians. O local tem 900 metros quadrados, a considerar estoque e administração, dos quais 650 metros quadrados só em área de vendas, e segue padrões que a marca aplica em clubes que patrocina na Europa. Com o término das obras por parte da Odebrecht, só falta, para a abertura, que Corinthians e Nike entrem em consenso sobre as ações para o lançamento.
As lojas de estádios geralmente são as mais rentáveis para times de futebol, e o Corinthians tem esta expectativa, mas ainda não projetou valores. "Sabemos que é a loja que mais vende por impulso, e há expectativa pela fase do time, mas ainda não sabemos que fluxo ela terá. Queremos entender como o corintiano vai frequentá-la", diz Gustavo Herbetta, superintendente de marketing do Corinthians. Até agora, a loja mais rentável para a equipe é a do Parque São Jorge.
Nike confirmou que a loja está "finalizada" e passou a bola para o Corinthians. "O clube está apenas definindo os detalhes da inauguração, e em breve o espaço será aberto para os torcedores”, escreveu a marca em nota enviada a ÉPOCA, sem estipular data.
Outro fator que a tornará mais lucrativa, ainda a ser lançado, é o tour da Arena Corinthians. Ele vai, como nos estádios mais modernos da Europa, desembocar na loja após o percurso pelo interior do estádio. A previsão do marketing corintiano é colocá-lo para funcionar na segunda quinzena de novembro. Ambos – loja e tour – estão atrasados em cerca de um ano em relação ao cronograma devido à demora da Odebrecht em finalizar as obras.
ÉPOCA obteve imagens do interior da loja, já finalizada.
Nova loja da Nike na Arena Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)
Nova loja da Nike na Arena Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)
Nova loja da Nike na Arena Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)
Nova loja da Nike na Arena Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)
Nova loja da Nike na Arena Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)

Ex-diretor da Petrobras hesita e adia entrega de informações sobre Dilma e Lula


Renato Duque está ansioso para fechar delação premiada, mas não repassou, ainda, provas que alega ter

MURILO RAMOS
16/10/2015 - 20h43 - Atualizado 16/10/2015 20h43
Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, na CPI da Petrobras (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)
Preso desde março, o ex-diretor da área de Serviços da Petrobras Renato Duque, homem do PT na estatal, está desesperado para fechar delação premiada na Lava Jato. Já prometeu aos procuradores implicar até a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Mas, quando foi chamado para uma conversa com os investigadores, Duque subitamente hesitou para entregar detalhes que corroborassem suas informações. Os investigadores, então, pediram que Duque refletisse mais sobre o assunto – e voltasse com provas do que fala.

A cota de Renan no petrolão


O lobista Fernando Baiano afirma que propina de US$ 6 milhões por uma sonda da Petrobras foi paga ao PMDB – parte foi para o presidente do Senado

DANIEL HAIDAR E TALITA FERNANDES
16/10/2015 - 22h13 - Atualizado 16/10/2015 23h08
ASSOCIADOS O presidente do Senado, Renan Calheiros (acima),  e trecho do depoimento do lobista Fernando Baiano (abaixo). Mais de US$ 50 milhões escoaram pelo duto da corrupção (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Trecho do depoimento do lobista Fernando Baiano. Mais de US$ 50 milhões escoaram pelo duto da corrupção (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo)
Desde seu início, a Operação Lava Jato gera conversas tensas no gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB. Com seus aliados, Renan já temeu o que poderia surgir daTranspetro, subsidiária da Petrobras comandada durante 11 anos por seu afilhado Sérgio Machado. Recentemente, o foco de suas preocupações se transferiu para os depoimentos prestados pelo lobista Fernando Soares, o Baiano, no acordo de delação premiada. Há quase nove meses preso em Curitiba, Fernando Baiano revelou nas últimas semanas a extensão da influência delíderes do PMDB na Petrobras. Mais especificamente, Baiano contou que parte da propina obtida em contratos da estatal com empresas privadas era direcionada a Renan Calheiros.
A área de atuação de Baiano era a diretoria de Internacional da Petrobras, em que Nestor Cerveró e, em seguida, Jorge Zeladareinaram graças ao apoio do PMDB. Baiano contou aos investigadores que, no segundo mandato de Lula, foi avisado porSilas Rondeau, então ministro das Minas e Energia, que Cerveró passaria a ser copatrocinado pelo PMDB do Senado, do qual Silas era soldado e Renan general. A partilha da propina pelos contratos na área Internacional deveria, portanto, contemplar também o PMDB do Senado, como determina o fisiologismo brasileiro. Um dos negócios desse novo acordo, que beneficiou Renan, foi a partilha na contratação da empresa Samsung Heavy Industries, em 2006, para a construção de um navio-sonda para a Petrobras: o Petrobras 10000, adquirido pela estatal por US$ 586 milhões, para ser utilizado na exploração de petróleo em águas profundas, em campos adquiridos pela empresa em Angola, na África. A Petrobras se deu mal. Os poços explorados se mostraram secos. A propina, no entanto, não tinha nada a ver com esses percalços. Foi paga.
Quando Zelada assumiu a Diretoria Internacional, em 2008, por indicação da bancada do PMDB na Câmara, Baiano passou a manter contato com o deputado Eduardo Cunha, conforme narrou em sua delação. E diz ter pagado propina a Cunha. O Ministério Público Federal já rastreou mais de US$ 50 milhões em pagamentos de comissão por esses contratos. É tanto dinheiro, durante tantos anos, que até o insaciável PMDB ficou satisfeito. No acordo de delação, Fernando Baiano detalha que foi avisado que o PMDB do Senado tinha direito a seu quinhão. Os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho deveriam receber US$ 6 milhões pelo negócio da sonda. Fernando Baiano deu detalhou os pagamentos. Contou que não pagou diretamente a Renan. De suas mãos, o dinheiro desviado da Petrobras trilhou dois caminhos. Parte foi direcionada a outro lobista, Jorge Luz. Paraense, Luz é um veterano da arte de unir Petrobras, empresas privadas e políticos bem posicionados. Consolidou sua carreira, no governo Lula, pela influência de outro chefe do PMDB, o senador Jader Barbalho, atual aliado de Renan em batalhas no Congresso. Jorge e seu filho, Bruno Luz, cuidaram de pagar Renan em contas no exterior. A parte operacional ficava por conta de um gerente de contas na Suíça, em especial dos bancos PKB e Pictet.
A outra parte da comissão foi paga por meio do deputado federalAníbal Gomes, do PMDB cearense. Parlamentar de pequena expressão, Gomes é um notório auxiliar de Renan. No caso dos negócios com a Petrobras, era seu emissário à sede da Petrobras, onde esteve 45 vezes desde 2007, e ao gabinete de Silas Rondeau no ministério, onde ia pelo menos duas vezes por semana. Aníbal Gomes e Renan são investigados em inquérito no Supremo Tribunal Federal desde março, quando o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa mencionou a dupla como beneficiária de negócios na estatal. O Ministério Público Federal notou uma curiosa prática de Gomes, típica de quem “esquenta” dinheiro de origem ilícita. Nas declarações de Imposto de Renda, Gomes dizia ter R$ 1,3 milhão em espécie no ano de 2010 e R$ 1,8 milhão em 2014.
Como ÉPOCA revelou em março de 2014, Baiano era um dos lobistas mais poderosos em atuação na estatal, com bom trânsito entre as multinacionais do setor, tanto no Brasil quanto no exterior. No mundo dos interesses que gravita ao redor da Petrobras, Fernando Baiano nunca foi um mero operador de partidos políticos, muito menos exclusivo do PMDB, como confirmaram a ÉPOCA quatro fontes diferentes. Em dado momento da atuação do petrolão, no entanto, os interesses partidários bateram a sua porta. Baiano já conhecia políticos, é óbvio, de trabalhos anteriores na esfera carioca. Na partilha da propina do petrolão, esquadrinhada pela Operação Lava Jato, ele passou a cuidar da distribuição do suborno para a bancada do PMDB e, em um segundo momento, atendeu também aparlamentares do PT. Chegou a representar o estaleiro OSX, doempresário Eike Batista. Baiano disse ter pagado R$ 2 milhões ao empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela obtenção de contratos do pré-sal para o OSX. O negócio deu errado, mas Baiano pagou porque Bumlai disse que precisava honrar compromissos de Fábio Luiz da Silva, um dos filhos de Lula.
Baiano resistiu por muito tempo a contar o que sabe. Ficou mais propenso a delatar políticos depois de ser condenado a 16 anos de prisão e pagamento de R$ 2 milhões de multa, em agosto. Pelo acordo de delação premiada, Baiano se comprometeu a devolver R$ 13 milhões, um valor que surpreendeu pelos milhões que movimentou no esquema. O advogado de Fernando Baiano disse que não pode comentar os termos da delação. Por meio de sua assessoria, Renan afirmou que não conhece Fernando Baiano e que não autorizou o deputado Anibal Gomes a falar “em meu nome em qualquer circunstância. Quanto a Jorge Luz, conheço, mas não o vejo há mais de dez anos”.  O deputado Anibal Gomes (PMDB) afirma que conheceu Baiano “há uns quatro anos, em um restaurante”, mas nunca o encontrou. “Eu conheço melhor o doutor Jorge Luz. Mas jamais tratei de valores, de negócios ou de nenhuma relação comercial com nenhum dos dois. Nem direta nem indiretamente”, disse. “Minha relação com o senador Renan Calheiros é a mesma que tenho com outros senadores do partido. Nunca recebi valores em nome do senador.” Advogados de Jorge Luz não conseguiram “respostas” do cliente sobre o assunto.

Dupla é presa em operação da PM dentro de shopping em Porto Alegre


Foi registrado tumulto e correria no momento da ação, diz comandante.
Shopping Total destacou que ninguém se machucou durante as prisões.

Do G1 RS
Carro recuperado após operação da BM em Porto Alegre (Foto: Reprodução/RBS TV)Carro recuperado após operação da BM em
Porto Alegre (Foto: Vanilson Duarte/RBS TV)
Dois homens foram presos na noite desta sexta-feira (16) na área interna do Shopping Total, na Região Central de Porto Alegre, durante uma operação da Brigada Militar. Segundo a polícia, foi registrado tumulto e correria no momento da ação, por volta das 20h30.
Segundo o comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Régis Rocha da Rosa, policiais à paisana marcaram um encontro com suspeitos de vender carros roubados e furtados dentro do centro de compras, onde eles foram surpreendidos. Pelo menos um carro foi recuperado.
"Houve tumulto e correria na hora em que houve o fato da prisão. Eles marcaram esse encontro no interior do shopping", disse o oficial.
Questionado sobre o fato de a ação ter sido realizada dentro de um local com um grande número de pessoas, ele justificou que a prática costuma ser adotada para surpreender grupos criminosos. "A nossa ação é sempre perigosa. Você vai marcar aonde? Eles sempre fazem isso onde há público, não vão marcar dentro do quartel. Não dá pra escolher o lugar", justificou.
A gerente de marketing do Shopping Total, Carolina Toledo Rosito, admitiu que houve uma correria devido à presença de policiais, mas ressaltou que ninguém se feriu.

Preso suspeito de ficar milionário fraudando boletos bancários na web


Homem detido tinha mansão no valor de R$ 3 milhões, em Goiânia.
Ele era investigado pela Polícia Civil do Piauí, onde cometeu o crime.

Vanessa MartinsDo G1 GO
A Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) apresentou na manhã desta sexta-feira (16) um homem, de 38 anos, suspeito de ficar milionário ao hakear computadores para fraudar boletos bancários. Segundo a polícia, ele tem uma mansão no valor de R$ 3 milhões, em Goiânia.(veja vídeo)
Conforme a delegada Mayana Rezende, adjunta da Deic, as investigações começaram no estado do Piauí em 2013, quando uma universidade de Teresina realizou um pagamento no valor de R$ 10 mil a uma prestadora de serviços e o dinheiro não chegou à conta da empresa. Os policiais descobriram que o beneficiário desta transferência havia sido o suspeito.
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"Ele é o famoso hacker ‘boleteiro’. Adquiriu uma relação de emails de pessoas e enviava mensagens maliciosas com um algum atrativo. Quando a vítima clicava no email, instalava um programa que monitorava as atividades do computador. Quamdo a pessoa imprimia um boleto bancário, este vinha com os dados do beneficiário alterados e o dinheiro caía na conta do suspeito", explicou a delegada.
O suspeito foi preso na quinta-feira (15), no Setor Cidade Jardim, em Goiânia. Com ele foram encontrados diversos cartões de crédito de diferentes bancos, vale-presentes, três notebooks, celulares e talões de cheque.
Conforme a policia, ele foi preso em uma casa onde estava morando temporariamente até que sua mansão fosse totalmente mobiliada. A residência que estava sendo montada fica no Setor Sudoeste da capital e vale cerca de R$ 3 milhões. Nela, havia três banheiras de luxo que custava, em média, R$ 42 mil cada, e um elevador.
O suspeito alegava que tinha uma distribuidora de bebidas e realizava venda de veículos, informou o delegado. A polícia acredita que essas atividades eram formas de lavar o dinheiro que o suspeito conseguia por meio do golpe.
Segundo a delegada Mayana Rezende, não foram encontradas vítimas em Goiás, o que é comum quando se trata deste tipo de crime. "Essas pessoas geralmente não cometem os crimes no estado em que residem. Mas certamente ele conseguiu receber pagamentos de boletos fraudulentos em outro estados", disse.
Suspeito de fraudar boletos bancários tinha casa de R$ 3 milhões Goiânia Goiás (Foto: Vanessa Martins/G1)Suspeito de fraudar boletos bancários tinha casa de R$ 3 milhões, diz polícia (Foto: Vanessa Martins/G1)
O delegado Kleydson Ferreira do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco) do Piauí esclareceu que as investigações mostraram que havia diversas transferências de valores altos no extrato bancário do suspeito. “Através da conta bancária dele verificamos que tinha entradas de boletos creditados na conta dele de valores de R$ 30 mil, R$ 40 mil por mês”, esclareceu.
O suspeito vai responder por furto qualificado, que pode levar a até oito anos de prisão, caso ele seja condenado. Por enquanto está à disposição da Justiça de Goias, mas a Justiça do Piauí deve pedir que ele seja transferido. O homem já tem passagens por estupro, receptação, estelionato e furto qualificado.

Garimpo da 'nova Serra Pelada' tem comércio de ferramentas e comida


Garimpo em Pontes e Lacerda, no oeste de MT, já concentra 7 mil pessoas.
Justiça determinou fechamento do garimpo e apreensão do ouro extraído.

Do G1 MT
Garimpeiros profissionais e ocasionais atraídos pelas jazidas da “nova Serra Pelada” em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, contam com um mercado de comida e ferramentas para passarem dias em busca de ouro. O comércio ilegal atende a um contingente estimado em 7 mil pessoas que se aglomeram há mais de uma semana escavando a Serra da Borda, no oeste de Mato Grosso. Considerado ilegal por não estar sendo explorado mediante autorização federal, o garimpo pode ser fechado a qualquer momento, conforme decisão da Justiça Federal desta sexta-feira (16).
pontes e lacerda, mt
Atraídos por boatos e anúncios de grande volume de ouro nas redes sociais, os garimpeiros têm se dirigido a duas propriedades particulares acessíveis por estrada de chão na região da serra, a cerca de 18 km do centro urbano de Pontes e Lacerda. É de lá que eles têm acesso à área das jazidas de ouro. Logo na entrada, a primeira abordagem: para poder subir a serra em busca de ouro, cada um tem de pagar R$ 50,00. Para a semana toda, é vendido um “pacote” por R$ 200,00.
Dentro da propriedade, além da quantidade de veículos estacionados, o visitante se depara com uma cidade em formação ao pé da serra. E, nesta cidade, já está estabelecido um comércio informal para atender aos garimpeiros. Estão disponíveis todas as ferramentas necessárias para o trabalho no garimpo, como chapéus de palha, cordas, picaretas, marretas e enxadas. Para comer, há opções como churraquinho, a R$ 6,00 o espeto.
Pepitas de ouro foram pegas em garimpo (Foto: Júlio Cezar Ferreira de Souza/ Arquivo pessoal)Pepitas de ouro extraídas da Serra da Borda.
(Foto: Júlio Cezar de Souza/ Arquivo pessoal)
Já equipamentos como geradores de energia, detectores de metal e britadeiras têm sido levados por garimpeiros mais prevenidos a fim de produzir escavações mais fundas no alto da serra, onde homens e mulheres de todas as idades e provenientes de diversas partes do país trabalham até durante a madrugada.
O prefeito da cidade de Pontes e Lacerda, Donizete Barbosa (PSDB), já demonstroupreocupação com o número de pessoas chegando à região da cidade. Ele teme a ocorrência de problemas sociais por conta do contingente de "forasteiros".
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Extração ilegal
Sob lonas, os garimpeiros escolhem áreas para tentar a sorte e, em alguns casos, até contratam funcionários para realizar parte do trabalho. Entre as lonas, há tanto histórias de quem já conseguiu encontrar quantidades significativas de ouro quanto relatos de quem até agora não confirmou o tão falado potencial da serra.
De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a exploração na Serra da Borda é ilegal, bem como a comercialização do ouro extraído. Entretanto, no comércio da cidade de Pontes e Lacerda, é possível encontrar joalherias e outros estabelecimentos que fazem negócio com o mineral retirado da serra.
Vários barracas foram armadas em garimpo  (Foto: Júlio Cesar Ferreira de Souza/ Arquivo pessoal)Garimpeiros armaram barracas para trabalhar no alto da Serra da Borda, em Pontes e Lacerda.
(Foto: Júlio Cesar Ferreira de Souza/ Arquivo pessoal)
A movimentação no garimpo tem se refletido na economia da cidade, de cerca de 42 mil habitantes, cuja rede hoteleira já está lotada. Comerciantes, por sua vez, preocupam-se com a falta de funcionários, os quais abandonam os postos de trabalho para tentar a sorte no garimpo, segundo a Associação Comercial.
O DNPM, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) já informaram que tentarão encontrar uma forma de resolver o problema da exploração ilegal. Provocada pelo MPF, a Justiça Federal em Mato Grosso determinou nesta sexta-feira (16) o fechamento do garimpo, a evacuação da área e a apreensão do mineral retirado.