Mega-Sena, concurso 1.754: ninguém acerta e prêmio vai a R$ 23 milhões


Veja os números sorteados: 20 - 27 - 30 - 31 - 40 - 53.
Quina teve 22 apostas ganhadoras, que irão levar R$ 79.256,27 cada.

Do G1, em São Paulo
 
MEGA-SENA
CONCURSO 1754
20 27 30
31 40 53
Ninguém acertou as seis dezenas do sorteio do concurso 1.754 da Mega-Sena, realizado na noite deste sábado (24). O sorteio ocorreu na cidade de Manaus (AM). O prêmio estimado para o próximo sorteio, no dia 28 de outubro, é de R$ 23 milhões.
Veja as dezenas sorteadas: 20 - 27 - 30 - 31 - 40 - 53.
A quina teve 22 apostas ganhadoras, que irão levar R$ 79.256,27 cada uma. Outros 1.958 bilhetes acertaram a quadra e vão ganhar R$ 1.272,17 cada.
Para apostar
As apostas podem ser feitas até as 19h (de Brasília) do dia do sorteio, em qualquer lotérica do país. A aposta mínima custa R$ 3,50.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para a aposta simples, com apenas seis dezenas, com preço de R$ 3,50, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 15 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 17.517,50, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 10.003, ainda segundo a Caixa.

Lula diz estar 'irritado' com acusações sobre a família na Lava Jato


Bruno Santos/Folhapress
São Paulo, SP, BRASIL- 24-10-2015: Cercado por seguranças e integrantes do MST, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da SIlva, visitou a Feira Nacional da Reforma Agrária. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress) *** PODER *** EXCLUSIVO FOLHA***
O ex-presidente Lula durante sua visita à 1° Feira Nacional da Reforma Agrária, em São Paulo

PUBLICIDADE
Em reunião com a direção nacional do MST (Movimento dos Sem Terra) neste sábado (24), Lula disse que está muito "irritado" com a citação de seus familiares na Operação Lava Jato.
"Ele falou que está muito irritado porque são inverdades. Citam nomes de familiares dele sem provas. Além de defender o PT, tem que defender a família", disse João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.
O ex-presidente Lula chegou direto de uma viagem à Bahia para a 1° Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca, na capital paulista.
Questionado sobre as denúncias feitas no âmbito da Operação Lava Jato envolvendo o empresário e seu amigo pessoal José Carlos Bumlai, Lula desconversou.
"Hoje é sábado, eu sou muçulmano e sábado eu não falo de política", disse o ex-presidente, confundindo-se com os judeus, que não trabalham no shabat, que vai do pôr do sol de sexta ao anoitecer de sábado.
Fernando Soares, o Baiano, disse em seu acordo de delação premiada homologado há três semanas que Lula se reuniu com Bumlai e o presidente da Sete Brasil por contratos de navios-sonda.
Ele também afirmou que, após as reuniões, pagou R$ 2 milhões a Bumlai. Segundo Baiano, o empresário disse, na época, que o dinheiro seria para quitar a dívida de um apartamento de uma nora do ex-presidente.
Tanto o petista quanto o pecuarista negam peremptoriamente as acusações.
Como a Folha publicou nesta sexta, Bumlai afirma que os recursos que recebeu do lobista foram um empréstimo para pagar empregados de suas fazendas.
REUNIÃO COM MST
A direção do MST aproveitou a conversa com Lula para mandar recados para a presidente Dilma Rousseff.
Eles pediram mais incentivo para a área de agroecologia, mais atenção ao programa Terra Forte e também para os programas que obrigam as prefeituras a comprar alimentos da agricultura familiar.
O grupo entregará a Lula uma pauta que será apresentada à Dilma na próxima semana. 

Polícia investiga se jovem de 21 anos foi sequestrada em rodoviária em MG


Larissa Gonçalves de Oliveira, de 21 anos, desapareceu em Extrema.
Segundo namorado, família mora na zona rural e não há suspeita.

Do G1 Sul de Minas
A Polícia Civil não descarta a hipótese de que Larissa Gonçalves de Oliveira, de 21 anos, que desapareceu na tarde de sexta-feira (23) em Extrema (MG), possa ter sido sequestrada. Conforme a Polícia Militar, a menina foi vista pela última vez próximo à rodoviária da cidade.veja vídeo
"Até o presente momento não se tem notícia da Larissa. A polícia está investigando essa hipótese de sequestro. Estamos agora no aguardo dos acontecimentos para ver se nós conseguimos alguma pista que nos leve ao desfecho deste fato", disse o delegado Valdemar Lídio Gomes Pinto.
A jovem estaria dentro do veículo dela, quando foi abordada por um homem com uma tatuagem no rosto e uma mulher loira. Ainda conforme a polícia, testemunhas disseram que o homem teria simulado estar armado e teria mandado a jovem para o banco de trás do veículo, assumindo a direção. O veículo foi encontrado abandonado pouco depois próximo a um ponto de ônibus. A chave do carro ainda foi encontrada na ignição.
saiba mais

Conforme o namorado de Larissa, a menina costumava ir todos os dias até a rodoviária onde deixava o carro para pegar o ônibus até Bragança Paulista (SP), cidade a 30 Km de Extrema, onde cursa biomedicina. Ele diz que a família mora na zona rural e que não há motivos aparentes para o desaparecimento dela.
"As testemunhas passaram poucas informações dela. É uma mulher loira e um homem com uma tatuagem o rosto. Fora isso, a gente está limitado de informações. A gente não tem problema com ninguém, é uma rotina que ela faz todos os dias. Eu não sei o que pode ter gerado esse acontecimento", disse Lucas Gamero.
  •  
jovem de 21 anos foi abordada por casal e levada na Rodoviária de Extrema (Foto: Reprodução Facebook)jovem de 21 anos foi abordada por casal e levada na Rodoviária de Extrema (Foto: Reprodução Facebook)

A culpa não foi do Waze


Ao responsabilizar o aplicativo de mapas por levar usuários para áreas perigosas, tiramos o foco dos verdadeiros culpados: o Estado e os criminosos

BRUNO FERRARI
24/10/2015 - 07h00 - Atualizado 24/10/2015 07h00
TRAGÉDIA Francisco Múrmura é consolado. O endereço errado colocou sua mulher na mira de traficantes (Foto:  Hermes de Paula/Agência O Globo)
tecnologia passa despercebida na maior parte do tempo. Não pensamos nela quando viramos a chave do carro ou ligamos o celular. Mas lembramos quando ela não funciona da forma esperada. A morte da jornalista Regina Múrmura, de 70 anos, no dia 3 de outubro, é um exemplo trágico do excesso de confiançaque depositamos na tecnologia. Regina estava a caminho de uma pizzaria localizada numa avenida de Niterói. Estava com o marido, Francisco. Ao digitar o endereço do local no aplicativo de mapas Waze, o casal foi levado por engano para uma rua com o mesmo nome, na favela do Caramujo. Foram recebidos a tiros por um grupo de criminosos. Regina foi atingida e morreu no hospital. A tragédia repercutiu na imprensa internacional, que aproveitou para alertar sobre a falta de segurança para asOlimpíadas de 2016. A rede americana CNN destacou que 1,4 milhão de pessoas vivem em favelas da cidade e que, apesar dos esforços do Estado em pacificá-las, muitas delas são controladas por traficantes. Em meio às manchetes, destacou-se a do jornal francês Le Point: “Quando um erro de GPS conduz à morte”.
O caso de Regina não foi o primeiro envolvendo rotas traçadas por GPS em 2015. Em agosto, a atriz Fabiana Karla também teve o carro atingido por tiros na mesma favela enquanto era guiada pelo Waze. Em março, os atores Tadeu Aguiar e Sérgio Menezes foram assaltados no Morro do Chapadão, no Rio de Janeiro, depois de usar o aplicativo para tentar fugir do trânsito.
Para muita gente, o Waze teve uma parcela de culpa na tragédia que matou Regina. O aplicativo, criado em Israel em 2007 e comprado pelo Google em 2013, tem uma rede social própria. Uma camada de interação humana informa em tempo real onde há trânsito, chuva, buracos na pista, acidentes e radares. Ainda conta com editores voluntários que corrigem problemas pontuais. Depois de analisar todas essas informações, o aplicativo oferece a rota mais rápida para o destino. Um dos recursos mais polêmicos do Waze é o alerta de policiais. É possível dizer até se estão visíveis ou escondidos. Além de atrapalhar a fiscalização de blitzes, como a da Lei Seca, a informação sobre a localização pode ajudar criminosos a armar tocaias para policiais. Para os críticos, ao não usar todo esse poder humano para alertar usuários sobre zonas de risco, o Waze estaria negligenciando ajuda a seus usuá­rios. Se o aplicativo pode informar onde estão os policiais, por que não diz onde estão os bandidos?
Procurada por ÉPOCA, a empresa não quis dar entrevista. Disse, em nota, que “infelizmente é difícil impedir que motoristas naveguem para uma região perigosa se for o destino selecionado, pois pessoas que moram nessas áreas precisam chegar em casa”. Também anunciou que se reuniria com autoridades do Rio de Janeiro para obter conhecimento que possa ser aplicado na identificação de rotas que têm maior risco e, ao mesmo tempo, manter o serviço aberto a todos. Para Carlos Affonso, diretor do Instituto de Tecnologia Social (ITS) e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é preciso ter cautela na responsabilização do Waze. Ele defende que a ferramenta tenha um sistema que alerte sobre áreas de risco, ainda que pessoas que morem nessas regiões eventualmente tenham dificuldades em usar o serviço. “Essa camada de interação humana criada pelo Waze oferece um efeito colateral semelhante ao de qualquer rede social que dependa de conteúdo postado por terceiros”, afirma. “Mas a experiência da internet mostra que o melhor caminho para ter a informação mais segura é oferecer a maior quantidade de ferramentas para a colaboração.” Para Affonso, aplicativos como o Waze funcionam tão bem e são tão úteis que acabamos depositando neles uma confiança excessiva. Não podemos nos esquecer, porém, dos problemas que afetam nossas cidades.
Jogar a responsabilidade na tecnologia e concentrar a discussão em torno de funções presentes ou possíveis no Waze é um desvio perigoso do debate. Mais objetivo do que exigir melhorias no aplicativo seria cobrar os responsáveis pela falta de segurança das cidades brasileiras, um problema crônico que antecede o surgimento do GPS, da internet e dos celulares. Um balanço realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na semana passada, mostra que em 2014 foram registradas 58.559 mortes violentas intencionais, uma média de sete a cada hora ou 160 óbitos por dia. A culpa é do Waze ou dos traficantes que fizeram os disparos? Ou do Estado, que falha em oferecer segurança à população? Ao permitir interação e a autorregulação em tempo real de milhões de usuários, o Waze revela-se um dos melhores exemplos de como a tecnologia pode ser democrática. O assassinato de Regina só evidencia que o que não é democrático no Brasil são nossas cidades, que têm áreas dominadas pelo crime organizado. São os bandidos que decidem quem pode ou não pode passar por ali e punem com violência quem lhes desobedece.
OUTRAS VÍTIMAS DE ROTAS PERIGOSAS
A morte de Regina foi o terceiro episódio violento envolvendo o uso do Waze no Rio de Janeiro
Outras vítimas de rotas perigosas - Tadeu Aguiar, Sérgio Menezes e Fabiana Karla (Foto: Estevam Avellar/ Globo, Renato Rocha Miranda/TV Globo e Selmy Yassuda/Ed. Globo)

Casal Cunha pernoitou em hotel sete estrelas de Dubai


A viagem foi em abril de 2014, quando Eduardo Cunha viajava para a China

RICARDO DELLA COLETTA
23/10/2015 - 21h30 - Atualizado 23/10/2015 21h30
Montagem sobre foto de DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO e Tinkstock/Getty Images (Foto:  )
Líder do PMDB da Câmara dos Deputados em abril do ano passado,Eduardo Cunha viajou acompanhado de sua mulher, Cláudia Cruz, rumo à China numa comitiva de parlamentares. Todos fizeram escala em Dubai. Enquanto seus colegas pernoitaram num hotel cinco estrelas, o casal Cunha recusou a estadia e passou a noite no Burj Al Arab, primeiro hotel sete estrelas do mundo, cuja diária mais barata custa R$ 7,5 mil. Cunha diz que pagou suas despesas.

‘Amigo do Lula’ admite que levou empresário para falar com ex-presidente Lula


POR FAUSTO MACEDO, JULIA AFFONSO E RICARDO BRANDT
24/10/2015, 17h00
   
Encontro teria ocorrido na sede do Instituto Lula, em 2011, após almoço com operador de propina; em entrevista, José Carlos Bumlai nega ter repassado R$ 2 mi para pagar dívida de nora do petista
O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do presidente Lula, em entrevista ao Estado / Fotos: Gabriela Bilo / Estadão
O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do presidente Lula, em entrevista ao Estado / Fotos: Gabriela Bilo / Estadão
O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, apontado na Operação Lava Jato como ‘o amigo do Lula’, afirma que não repassou R$ 2 milhões para que uma nora do ex-presidente da República quitasse dívida de imóvel. “Não paguei conta de nora de Lula, apartamento, nada a ver.”
Aos 71 anos, ele diz que não é lobista, como informam investigadores da Lava Jato. “Nem sei como escreve lobista”, diz, rabiscando uma folha de papel à mesa.
Diz que “está perdendo ‘muito dinheiro'” com a citação a seu nome por delatores da Lava Jato, entre eles Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano.
Um dos supostos operadores de propinas do PMDB, Fernando Baiano declarou que repassou a Bumlai quase R$ 2 milhões destinados à mulher de um dos filhos de Lula. “Os bancos se fecham cada vez que meu nome sai na imprensa”, lamenta.
Bumlai reclama do “último absurdo”, que é como denomina o episódio do Banco Schahin – segundo outro delator, Eduardo Musa, ex-gerente da Petrobrás, Bumlai intermediou o pagamento de uma conta do PT de R$ 60 milhões, originada na campanha à reeleição de Lula, em 2006.
“Meu Deus, eu não sou filiado ao PT, esse Rui Falcão (presidente nacional do PT) até posso ter sido apresentado a ele, muito prazer, não tenho nenhuma ligação com ele, não faço política e, de repente, vou fazer uma negociação para pagar 60 milhões de dívida do PT? Eu lá sei de dívida do PT? Nunca recebi conta de ninguém para botar dinheiro na conta deles (do PT), nunca. Nunca dei um tostão para campanha de Lula. Por que eu iria intermediar? Por que eu intermediar dívida do PT na Petrobrás? Não tem sentido.”
Bumlai conta que conheceu Fernando Baiano “como um empresário, representante de uma grande empresa espanhola”. Preso desde dezembro de 2014, em Curitiba, Fernando Baiano diz que concordou em antecipar R$ 2 milhões da propina a ser paga por um contrato que Bumlai intermediava para o Grupo OSX, de Eike Batista, na Petrobrás.
Bumlai diz não ter problemas em ser submetido a uma eventual acareação com Fernando Baiano. Ele afirma que o dinheiro transferido por Fernando Baiano foi para uma transportadora de sua família, a São Fernando, para quitar dívidas com funcionários seus. “Paguei a minha folha que no mês estava bastante atrasada.”

O pecuarista falou ainda de sua amizade com Lula, confirmou o almoço com o operador de propinas do PMDB Fernando Baiano, antes de uma reunião com ex-presidente, no Instituto Lula, em São Paulo, com a participação de alvos da Lava Jato, e garantiu não ter negócios com o petista. “Sou amigo dele, sou amigo de festa, de almoço, de aniversários, mas negócio? Não tenho negócio com ele, nenhum negócio que envolva o presidente Lula.”Na verdade de Bumlai, as negociações com Fernando Baiano, entre 2011 e 2012, em nome do Grupo OSX, foram para compra de uma termoelétrica.
BULMAI / ENTREVISTA
Estadão – Como o sr conheceu o ex-presidente Lula?
José Carlos Marques Bumlai – O governador do meu Estado (em 2002, Zeca do PT)  me telefonou e disse “o Lula me ligou, falou que queria passar, foi a época da Copa do Mundo, acho que não era Semana Santa, era Corpus Cristi no Mato Grosso do Sul. Ele disse. ‘Podemos ir na sua fazenda?, posso leva-lo à sua fazenda?’ Eu digo, ‘pode, pode ir lá, não tem problema nenhum. O Lula ficou lá uns 3 ou 4 dias, foi embora, se candidatou a presidente da República, ganhou e nunca mais voltou a nenhuma fazenda minha. No entanto, eu abro os noticiários e tem foto do Lula pescando na minha fazenda peixe que é até do mar. Eu não tenho fazenda à beira mar, entendeu? Já viu isso? Essa foto, Lula no barco pescando um peixe preto bonito, não sei que peixe que é, na fazenda do Bumlai não tem desse peixe. Então, fazem essa maximização da amizade.É meu amigo? É meu amigo, a família é minha amiga, mas não justifica isso.
Estadão – O sr tinha livre acesso ao Palácio do Planalto?
Bumlai – Abro o jornal e tem lá o crachá, que eu teria acesso irrestrito ao Palácio com todas as portas abertas, a hora que eu quisesse. Eu não sabia que tinha aquilo lá, esse crachá. Aliás, o crachá tinha que estar comigo, não?. Muito bem, nunca soube daquele crachá. Durante os oito anos que o presidente Lula esteve no Palácio do Planalto eu fui duas vezes no gabinete dele.
Estadão – Do que trataram nesses encontros?
Bumlai – De assunto relativo a terras indígenas e proprietário rurais. Fui acompanhado do ministro Márcio Thomaz Bastos (morto em novembro de 2014), que era ministro da Justiça, do presidente do Incra, não lembro mais o nome, do governador do meu Estado (Zeca do PT), um deputado. Eu não tinha o que fazer lá. E não resolveu nada, até hoje. Eu era da Associação de Criadores do Mato Grosso do Sul e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social até o ano passado. Eu achava que esse negócio, a terra indígena, tinha que ser resolvido. Aqui é terra indígena, tá bom ah mas está ocupado por proprietários particulares, o governo federal loteou o Mato Grosso do Sul, vendemos lotes para os proprietários rurais, eles desenvolveram suas qualidades. De repente vira terra indígena e não pode indenizar os proprietários a não ser pelas benfeitorias. O pessoal da Associação me procurou, vamos abrir um espaço, é um problema sério. Conclusão, não se resolveu até hoje. Não se resolveu.A soluçao é fácil,  não é muto difícil, é questão de vontade política.
Estadão – O sr. fez viagens com o ex-presidente Lula?
Bumlai – Eu nunca viajei, nunca fiz uma viagem internacional no avião do presidente da República. Encontrei com ele uma vez ou duas vezes, não me lembro bem. Nunca fui em viagem com o presidente da República. Peguei uma ou duas caronas, não mais que isso. Falam aí de viagens internacionais, eu na cabine, eu nunca fiz uma viagem internacional com o presidente, nunca.
Estadão – Como o sr entrava no Palácio do Planalto?
Bumlai – Duas vezes entrei para ir no gabinete do presidente As outras vezes era pela entrada do Conselho de Desenvolvimento, era uma portaria à parte.A gente chegava, se identificava e tomava assento do Conselho. Fui grande colaborador do Conselho, fui relator do grupo de bioenergia, hoje está aí pelo País todo. Então, essa mistificação, ‘o amigo do Lula, o amigo do Lula’….sim, meu amigo, como ele tem 20, 30 amigos Ele (Lula) vai na fazenda de um cidadão não acontece nada. Na minha, como presidente, ele nunca foi, nunca, nunca, nunca. (Lula) voa no helicóptero de não sei quem, não acontece nada. No entanto, você abre o  jornal e vê lá o Bumlai. Ele (Lula) nunca botou o pé em nenhuma aeronave minha, nunca. Bom, não era amigo dele? Sou amigo dele, sou amigo de festa, de almoço, de aniversários, mas negócio? Não tenho negócio com ele, nenhum negócio que envolva o presidente Lula.
Estadão – O que o sr. pode falar das acusações que o citam?
Bumlai – Voltando às ilações, não vou chamar de acusações. A verdade é uma só: quando conta uma mentira, você conta uma segunda, uma terceira, uma quarta, uma quinta e aí você se enrolou. Eu não sou homem de mentir. O que eu tenho para falar é a verdade. Eu não tenho nenhuma participação nesse episódio todo. A última é o absurdo do Banco Schahin, que eu ia intermediar o pagamento de uma conta do PT de 60 milhões de reais. Meu Deus, eu não sou filiado ao PT, esse Rui Falcão (presidente nacional do PT) até posso ter sido apresentado a ele, muito prazer, não tenho nenhuma ligação com ele, não faço política e, de repente, vou fazer uma negociação para pagar 60 milhões de dívida do PT? Eu lá sei de dívida do PT? Não sei; eles dizem que não têm a dívida. Não conheço esse assunto de dívida de 60 milhões. Ah, mas o fulano falou que entregou uma conta… Nunca recebi conta de ninguém para botar dinheiro na conta deles (do PT), nunca, nunca. Já vasculhei minha memória. Aliás, não me lembro de ter estado na Petrobrás com nenhum diretor. Fui uma vez, em 2010, como relator do grupo de bioenergia. Eu tinha que trabalhar muito com a Fundação Getúlio Vargas, montar projetos, arrumar a estrutura da nova indústria alcooleira do Brasil, incorporando já no início do projeto a geração de energia, dando aquilo que eu gosto, na parte de genética, uma melhor colheita no canavial. O potencial energético do setor sucroalcooleiro é uma coisa de 12, 13 mil megawats, é uma Itaipu.
Estadão – Conhece Fernando Baiano?
Bumlai – Conheço, conheço sim. Fernando Baiano eu conheci como empresário de uma empresa internacional muito grande que é a Acciona, trabalhando no ramo de energia. Ah, o Baiano falou que fizemos um projeto da OSX com a Sete Brasil. Eu fui apresentado ao grupo Eike Batista pelo Fernando Baiano, tentando vender um projeto termelétrico meu, uma usina, de 660 megas. Ele teria dito que o Grupo Eike Batista teria interesse em comprar, me apresentou lá, eu fui lá, abrimos uma relação de negócios, certo? Se interessaram, realmente um negócio espetacular.Foi em 2011, aí o que aconteceu? Começam a misturar as coisas.Conversando com ele (Baiano) eu falei ‘olha, o Ferraz está marcando uma audiência lá com o presidente Lula, o João Carlos Ferraz, o João Carlos’. Eu vou fechar com ele aqui, diz que se marcar eu te aviso.
Estadão – E depois?
Bumlai – Marcou, aí fomos almoçar, era às 15 horas a audiência. Almocei com ele no restaurante Tatina, ele me apresentou o Ferraz nesse momento. Eu não conhecia o Ferraz, não tinha noção de quem era o Ferraz. Ele contou lá as preocupações com respeito ao setor e tal. Eu disse, ‘olha, não entendo nada disso,  vou até dar uma recomendação. Vai conversar com o presidente, seja sucinto e coloca o teu problema rápido porque é um entra e sai que…Terminado o almoço, o Baiano foi embora. Eu levei o Ferraz lá no Instituto, apresentei o Ferraz. Ele não conhecia o presidente. Eu fiquei oilhando um livro do Corinthians e saí. Tinha uma outra pessoa na sala, eu não lembro quem era, acho que era o (Paulo) Okamoto (presidente do Instituto Lula). Fiquei lá, conversando, quando terminou não sei se foi mais de 30 ou 40 minutos, não me lembro também, mas acho que dei carona para ele até o aeroporto. Eu não conversei,  fiquei sabendo depois do negócio da indústria naval, sondas, OSX. Eu não falei.
BULMAI / ENTREVISTA
Estadão – Fernando Baiano diz que passou R$ 2 milhões para o sr. quitar uma dívida da nora do ex-presidente Lula.
Bumlai – Ele fala que me deu R$ 3 milhões, depois virou R$ 2 milhões, ele até se confunde na delação. Em 2011, no mês de setembro, eu tive uma dificuldade, eu não lembro porque, dificuldade financeira. Como eu estava com aquele meu negócio que renderia um bom… eu tinha aberto um canal de conversa com o Fernando, eu pedi a ele, ‘Fernando me arruma um milhão e meio, nem três, nem dois, me arruma um milhão e quinhetos mil, eu te devolvo. Ele me arrumou, esta é a minha verdade. O Baiano, fiquei até surpreso. Não tenho muita intimidade para dizer, mas aparentemente, um cara quieto, quase não fala, viciado em fazer exercício. Tem uma academia.
Estadão – O que o sr fez com esse dinheiro?
Bumlai – Paguei a minha folha que no mês estava bastante atrasada.Fiquei de devolver o dinheiro para ele, tive um problema de saúde muito sério. Não tem nada a ver com a OSX, nada a ver.
Estadão – Quem era o devedor dessa conta?
Bumlai – Eu, José Carlos.
Estadão – O sr pode explicar melhor esse negócio de empréstimo?
Bumlai – Foi na minha (pessoa) física. Um negócio estruturado numa empresa, que tem o dinheiro que entrou na empresa. Fez um mútuo com a minha física. Eu tenho todas as contas que eu paguei. Não paguei conta de nora de Lula, apartamento, nada a ver. Não tenho nada a ver com isso. Não tenho. No entanto, dizem que comprei apartamento,  primeiro para um filho de Lula, depois para a nora. Não comprei, não tenho nada com isso, não tenho nada. Três milhões? Não. Dois milhões? Não. Foi dessa forma, sem nada a ver com nora, neto. Eles (família Lula) nem sabem que eu estou falando isso.
Estadão – O sr conhece a nora do Lula?
Bumlai – Eu conheço as quatro, conheço as quatro noras. Também não sei se ela comprou apartamento.
Estadão – Esse dinheiro do empréstimo foi contabilizado?
Bumlai – Tudo, imposto pago, nota fiscal eletrônica tirada. A Receita tem um tratamento privilegiado para o agronegócio de pessoa física.Você tem taxação menor no agronegócio, a pessoa jurídica é maior. Então, todo o meu negócio é pessoa física. Mas você tem que estruturar como se fosse uma empresa, tem que ter contabilidade, é tudo eletrônico. Já capta o imposto na hora pagamento de funcionário, tudo, tudo, tudo, esse negócio está contabilizado. Imposto pago, Nota Fiscal eletrônica, mútuo da empresa comigo e os pagamentos de tudo o que foi feito em 2011. Fernando Baiano fala na empresa São Fernando É uma transportadora, tudo que é meu é São Fernando. Em 1995 minha mulher faleceu. Eu tinha várias propriedades rurais, gado, genética, imóveis. Mandei estruturar tudo. Foi o mais rápido inventário que vi correr no meu Estado. Tudo que é nosso é São Fernando, é Fazenda São Fernando, eu tenho um filho Fernando. Tem a transportadora, foi com essa transportadora (o empréstimo). Não tem nada de usina, nada a ver.
Estadão – A que o sr atribui Fernando Baiano contar essa história?
Bumlai – O que eu acho? Imagina você se tivesse realmente acontecido isso. Ele tentou me arrumar um financiamento internacional, não deu certo. Ele tentou me achar um grupo africano, não deu certo. Tentou me ajudar. Eu não vou entrar nesse intimo porque eu não estou dentro dele (Baiano).
Estadão – Tem negócios com o ex-presidente?
Bumlai – Na minha vida eu fui alvo, você não imagina, de inúmeros e inúmeros pedidos, mais de quinhentos negócios. Mas não fiz nenhum, nenhum, com o Lula. Eu não tenho nenhum negócio feito com (o ex-presidente Lula) e nem pedi também para ele. Porque a minha amizade não é amizade de negócio, de empresa, não, Lula nunca foi na minha fazenda depois de 2002, nunca visitou empreendimento nosso, nada disso, nunca tive qualquer relação comercial com ele. Até porque, depois que ele foi eleito fiz questão de que assim fosse.
Estadão – O sr gosta dele?
Bumlai – Ah, é uma boa pessoa, é um papo que você não tem. você aprende, é eclético, fala de tudo. tem as tiradas dele, algumas são difíceis, né? Cativante, então é isso aí.
Estadão – A Lava Jato não vai mesmo confirmar que o apartamento da nora do Lula foi quitado com esse dinheiro?
Bumlai – Imagina você se eu chegasse e falasse tudo isso que estou falando e amanhã descobrissem um dinheiro (ilícito). O que iria virar? Isso não vai aparecer. Com José Carlos Bumlai não. E com outras pessoas eu acho que não. Que eu conheço da família (de Lula) eu acho que não, não vai aparecer, não tem como. Imagina que eu tenha passado esse dinheiro e não tivesse como provar que não passei a uma nora do Lula, qualquer que seja a forma. Porque da forma que foi colocada, foi feito um depósito no banco. Aí chega em mim e pega, eu dou o dinheiro prá fulano, aí era um desastre, não acha? Esse desastre não vai ter, não tem.
Estadão – A que o senhor atribui, então?
Bumlai – Eu acho o seguinte, o Baiano deve ter esquecido dessa termoelétrica entendeu?
Estadão – Como ele repassou o dinheiro para o senhor?
Bumlai – Banco, TED. Ora, se eu quisesse fazer diferente era em dinheiro, não?
Estadão – Mas quem tem ativos tão fortes precisava desse empréstimo?
Bumlai – Existem momentos, existem momentos, naquele momento eu precisava. Naquele ano de 2011, eu estava separando uma sociedade, meus filhos estavam separando uma sociedade, um filho meu ficou doente, 1 ano e meio. Foram 60 dias assim, o maior desastre que você pode imaginar. Eu nunca atrasei uma folha de pagamento, nunca. Já tive bastante funcionário.
Estadão – O sr emprega quantos?
Bumlai – Hoje? Há uma confusão, porque eu não emprego ninguém, a não ser minhas empregadas domésticas, eu estou há 10 anos aposentado. Com essa estruturação que eu fiz, meus filhos assumiram os negócios. No empreendimento da pessoa física, muito pouco, 100 homens, 150 homens, no máximo. Não, mais, 300 homens. Eu mexo com genética de altíssima qualidade. A minha folha de pagamento de pessoa física é na ordem de R$ 400 mil, R$ 500 mil. As despesas do mês, mais R$ 800 mil, R$ 1 milhão, pessoa física.
Estadão – E se socorreu de Fernando Baiano sem conhecê-lo?
Bumlai – Não, não, eu estava em negociação nessa termoelétrica com ele e com o grupo Eike Batista, que ele me apresentou. Nem me lembro o nome do diretor lá. O interesse do Baiano era grande, o negócio era muito grande. Eu disse, olha faz o seguinte, me empresta um milhão e 500 mil reais. Eu vou te devolver, foi assim, não foi diferente. Não tenho nada com a OSX.
Estadão – O sr faria uma acareação com Fernando Baiano?
Bumlai – Problema nenhum
Estadão – O presidente falou com o sr depois que seu nome foi citado nas delações?
Bumlai – Não, não falei com o presidente. Até porque da forma que saiu eu entendo ele falar daquele jeito (referindo-se a uma nota divulgada pelo Instituto Lula). Tem até que dizer aquilo mesmo. Se eu fiz algum lobby, o que eu não fiz em lugar nenhum, em nenhuma empresa estatal, não foi com autorização dele. Não sei se a colocação foi a mais feliz, mas eu entrei na internet e o pessoal ficou bastante revoltado com
isso: ‘Pô, abandona’. Abandona nada, porque eu não fiz nada.
Estadão – O sr tem ingerência na Petrobrás ou na Sete Brasil?
Bumlai – Nenhuma, nenhuma. Não sei nem onde fica essa Sete Brasil. Como é que eu vou negociar um empréstimo sem falar com diretor? Não tem almoços em restaurantes, não tem nada disso. Quem disser para você que almoçou comigo em restaurante não está falando a verdade.
BULMAI / ENTREVISTA
Estadão – O sr. está sofrendo perdas?
Bumlai – Só perdi. Cada notícia dessa que sai, os bancos fecham.
Estadão – Fale sobre José Carlos Bumlai
Bumlai – Quem eu sou? Eu sou um cidadão brasileiro, nascido no Mato Grosso há 71 anos, sou engenheiro, sou pecuarista, tenho alguns orgulhos dentro das minhas atividades.Na engenharia fiz obras enormes neste País, em São Paulo, fora de São Paulo. Na pecuária desenvolvi os maiores sistemas de Voisin, que é uma metodologia francesa de rodízio de animais em pastos pequenos. Cheguei a colocar 1500 animais em 100 hectares, dá 15 animais por hectare, a média nacional é um animal por hectare.
Estadão – Por que decidiu falar?
Bumlai – Venho lendo a meu respeito coisas que têm me causado um certo aborrecimento.