Requião mantém controle do PMDB


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Roberto Requião foi eleito há pouco presidente do PMDB do Paraná com 320. O seu sobrinho, João Arruda, será secretário-geral e outros 3 empregados do gabinete de Requião no Senado estão em postos chave da direção. Ou seja, controle completo. A chapa oposicionista, liderada por Orlando Pessuti, promoveu um boicote à convenção e recebeu apenas 4 votos. No total, cerca de 510 delegados estariam legalmente aptos a votar.

Alvaro ensaia adeus ao PSDB


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Do Celso Nascimento
Alvaro Dias é um dos integrantes do grupo de seis senadores que começam a arrumar as malas para sair dos respectivos partidos e – provavelmente – ingressar no simpático, porém até agora nanico, Partido Verde, o PV. Não é para já, informa o senador paranaense, mas, anuncia, a mudança poderá acontecer muito brevemente. A preocupação com as crises política, moral e econômica em que o país está afundado e o modo errático com que a oposição tem tratado desses assuntos são pontos que unem o grupo. Pluripartidário, dele fazem parte além do tucano Alvaro Dias, dois senadores do PT (o gaúcho Paulo Paim e o baiano Walter Pinheiro); dois do PDT (Cristovam Buarque e Antonio Reguffe, ambos do Distrito Federal) e um do PPS (o matogrossense José Medeiros).
Há também motivações específicas de cada um para buscar alternativas partidárias em que não precisem ficar presos aos compromissos de apoiar o governo, como é o caso dos dois petistas e dos dois pedetistas, ou de assumirem posturas mais claras e firmes de oposição – questão que afeta Alvaro, do PSDB, e Medeiros, do PPS.
Em pronunciamento da tribuna do Senado na semana passada, Alvaro criticou o acordo branco que se desenrola entre o governo e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Tudo indica que eles atuam no sentido de se protegerem mutuamente – Dilma querendo se livrar do impeachment; Cunha, da cassação. Nem se põe em marcha uma coisa nem outra e quem sofre é o país, que se encontra paralisado.
Enquanto isso, setores da oposição interessados no impeachment mas sabendo que procedimentos neste sentido dependem de Cunha, desenvolvem um discurso que não leva a lugar nenhum. “O pior dos mundos é a indefinição. Mesmo aqueles que não advogam o impeachment certamente gostariam de ver esse impasse superado. Teremos o impeachment ou não teremos o impeachment? Só deliberando a respeito”, pregou o senador paranaense.
Embora não seja a única alternativa em estudos para a mudança, o PV parece ser a mais viável no momento. O partido não conta com nenhum senador e dispõe de apenas oito deputados federais. A tendência natural é que, a partir do possível ingresso dos senadores, o PV amplie também sua bancada na Câmara.
O senador Alvaro Dias mantém o olho também na situação que enfrenta no Paraná. Apesar de pertencer ao mesmo partido do governador, não tem tido nenhum protagonismo na condução da legenda no estado. Ao contrário, embora seja hoje um dos poucos políticos paranaenses com expressão nacional, não se lhe dá espaço de atuação no PSDB estadual.
Daí a intenção de Alvaro de se desligar do grupo e do partido, buscando outro que lhe dê abrigo para encetar seus projetos. Entre eles o de se candidatar à Presidência da República ou ao governo do estado.

Meurer recebeu R$ 29,7 milhões do Petrolão


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A PGR calculou em R$ 358 milhões o total da propina recebida por Paulo Roberto Costa e o Partido Progressista, segundo a denúncia apresentada pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot contra o deputado Nelson Meurer, do Paraná, e seus dois filhos. Eles são acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Do total, R$ 62,1 milhões foram destinados a parlamentares do PP pelo doleiro Alberto Youssef, que realizou ao menos 180 pagamentos. Meurer, por exemplo, recebeu R$ 29,7 milhões em repasses mensais de R$ 300 mil entre 2006 e 2014.

Os companheiros de cela de Pizzolato


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Henrique Pizzolato dividirá sua cela com outros dois prisioneiros. O primeiro, informa o Estadão, é Elton Antônio dos Santos, condenado por estupro e violência contra a mulher. O segundo é José Carlos Alves dos Santos, “condenado por envolvimento no escândalo dos Anões do Orçamento, que envolvia o pagamento de propina para destinar obras a grandes empreiteiras”, e também por ter “mandado matar a esposa, Ana Elizabeth Lofrano, em 1992”.

A volta da miséria


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Como a recessão, o desemprego e o recuo nas políticas sociais estão empurrando milhares de brasileiros para a pobreza extrema
IstoÉ
É triste de ver. Nos sinais, nas calçadas, debaixo dos viadutos, na periferia ou nos grandes centros, ela volta a se mostrar com uma crueza desconcertante. A miséria tem mil faces e com a crise que assola o País ganha cada vez mais força e destaque na paisagem cotidiana das cidades brasileiras. Ela está estampada nos rostos de flanelinhas, carroceiros, meros pedintes, vendedores de balas, basqueteiros de cadeira de roda, ferramenteiros, mães com filho de colo, ambulantes diversos, desempregados sem teto, um contingente crescente e variado de necessitados que toma as ruas. Institutos atestam que há, hoje, cerca de 90 milhões de brasileiros classificados como miseráveis ou na linha da pobreza extrema – estatisticamente, cidadãos que sobrevivem com uma renda familiar inferior ao salário mínimo.
Isso é mais de um terço da população total.
Em meados dos anos 70 o numero não passava de 30 milhões e estava concentrado basicamente no campo. Os miseráveis migraram para as metrópoles. Montaram favelas e moradias improvisadas por onde podiam. Na virada do século já somavam perto de 60 milhões de excluídos e, de lá para cá, não pararam de crescer, a um ritmo de 3% ao ano. Nem mesmo os programas sociais implementados por seguidos governos foram capazes de barrar esse avanço e, com o atual corte de despesas na área, o universo tende a explodir.
Um trabalho recém-concluído pelo pesquisador Samuel Franco, do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), aponta que em quase 20% dos lares brasileiros nenhum morador tem atualmente emprego. Em um ano a alta foi de 770 mil famílias sem qualquer membro com rendimento de trabalho formal ou informal e – por tabela – com baixíssimas condições de bancar seus dependentes. A falta de trabalho é a maior chaga que pode acometer uma sociedade. Por trás dela vem o gradual empobrecimento da população. Percentualmente, a parcela dos lares onde ninguém está ocupado passou de 18,6% ao longo de 2014 para 19,3% no primeiro semestre deste ano. No período, quase um milhão de vagas foram sumariamente extintas. E muitos dos dispensados passaram a engrossar o mafuá dos cruzamentos, montando um verdadeiro pit stop de comércio persa nas esquinas, praças e avenidas. A pobreza fora de controle, com milhares de indivíduos sem perspectiva ou condições de sustento, retrata o Brasil desses dias, que mergulha na maior recessão dos últimos 25 anos.
Há dez meses Adilson de Souza Catarino, 39 anos, perdeu seu emprego como jardineiro na paróquia de Embu das Artes, cidade na Grande São Paulo. Continuou procurando vaga na área, mas só ouviu negativas. Depois que parou de receber o seguro-desemprego, e sem perspectiva de trabalho, não teve como bancar o aluguel e foi para as ruas do Centro de São Paulo. A mulher e os dois filhos estão em Minas Gerais, estado natal de Catarino. Sem perspectiva, ele faz um curso gratuito de pedreiro para conseguir uma colocação. “Quero retomar minha vida. Mas sem trabalho nem dinheiro, faz como?”, diz. Viver na rua e dormir em albergue tem sido uma experiência arrasadora para Catarino. Ele descobriu um mundo assustador, deprimente e corrosivo para a sua auto-estima. O aluguel que golpeou o jardineiro tem feito outras vítimas, justamente nas localidades mais pobres. Nas favelas, há registros de aumento de mais de 70% no último ano. Em Paraisópolis, por exemplo, na Zona Sul de São Paulo, um imóvel de dois cômodos custava no ano passado entre R$ 300 e R$ 380. Este ano, varia entre R$ 500 a R$ 700. Desempregado há um ano, William da Silva, 42 anos, viu as dívidas se acumularem neste período. Foi removido da casa onde vivia e hoje mora no barraco de três cômodos da sogra, numa favela de São Paulo, com a mulher e os cinco filhos. “Hoje, a principal dificuldade é que tudo está mais caro. Ver seu filho pedir um leite, um pão, uma bolacha e não poder dar marca muito”, diz William.
Entre 2015 e 2016 os brasileiros devem perder cerca de R$ 280 bilhões de sua capacidade de compra, segundo estudo da Consultoria Tendências. É a primeira vez, desde 2004, que se registra recuo do poder aquisitivo após anos ininterruptos de crescimento do consumo. “A última coisa que comprei foi essa geladeira, há um ano e quatro meses”, aponta a alagoana Monica Maria Calixto, 41 anos, em São Paulo há 30, mostrando o eletrônico, desajeitadamente organizado em seu barraco de três cômodos. Desempregada há um ano e três meses e mãe de cinco filhos, ela não consegue mais pagar as contas de luz e de água. “Se for pagar, como vou dar de comer aos meus filhos? Fiz o cadastramento para receber o Bolsa Família em fevereiro e não recebi ainda”, diz a ex-auxiliar de limpeza que estudou até a quinta série do Ensino Fundamental, estava no mesmo emprego, com carteira assinada, há sete anos, e não consegue se recolocar. A queda de renda e de possibilidades, que atinge todas as camadas sociais, ganha contornos dramáticos na base da pirâmide onde se situam principalmente aqueles brasileiros com baixa escolaridade. Nesse universo, os demitidos da crise em vigor, com limitadas chances de recolocação, partem para fazer bicos aqui e ali. Das mais variadas maneiras. De preferência tomando as ruas, onde não é preciso esperar pela oferta de chefes e patrões, que desapareceram por esses dias. Catadores de papel, quinquilharias e latinhas, recicláveis de qualquer natureza, com suas carroças abarrotadas de peças que ninguém quer mais, aumentaram numa quantidade incomum. Segundo o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, há atualmente 800 mil catadores em atividade, 65% deles mulheres. A entidade acusa um aumento de 15% no último ano no número de pessoas nessa função. E a oferta dessa mão-de-obra, aliada ao custo dos compradores, fez cair o preço da sucata, exigindo jornada dobrada daqueles que se aventuram na atividade.
Sandra Regina Ferreira Cezarina, 31 anos, é uma das mulheres que engrossaram as estatísticas dos catadores de latinhas. Demitida do emprego de auxiliar de limpeza, e à procura de trabalho há meses, passou a viver de catar recicláveis, o que lhe rende de R$ 60 e R$ 100 por mês. Junta a esse valor o Bolsa Família de R$ 112 da filha e é essa a renda da família de dez membros. Moradora em uma favela de São Paulo, Sandra vive num barraco de três cômodos – cozinha com apenas um fogão, banheiro e quarto com um berço e um colchão – com o marido também desempregado e oito filhos. “Minha maior dificuldade hoje é garantir o pão e o leite no dia seguinte. Arroz e feijão não consigo comprar todo dia”, diz.
A disputa também é grande entre vendedores de alimentos. Nas feiras, nas barracas, no isopor. Com a mudança de estação, a cada dia mais quente, evapora a podridão de verduras, frutas, doces que se deixam cair na ânsia de convencer com rapidez os transeuntes. Depois de trabalhar durante 15 anos como segurança, José Luciano da Silva, 44 anos, sofreu um acidente de carro em dezembro e foi afastado do trabalho. Sem dinheiro e com a mulher também fora do mercado, decidiu vender frutas em uma das vias mais movimentadas da zona oeste de São Paulo. “Tendo um preço bom e sabendo trabalhar, dá para sobreviver” , diz. Silva trabalha das 6h às 20h, de segunda à sexta-feira, mesmo com o braço imobilizado por causa do acidente. Vende frutas a valores bem abaixo dos praticados na região – uma dúzia de banana sai por R$ 4 e um suco de 300ml de melancia, que na padaria mais próxima custa R$ 5,50, vende a R$ 2. Os limpadores de vidro que oferecem seus serviços nos semáforos são outros que se avolumam nas metrópoles. Everton Auto Ferreira da Silva, 28 anos, foi demitido de uma metalúrgica em 2013 e viu a rua como única alternativa. Tinha carteira assinada, um salário de R$ 1,2 mil, mulher e dois filhos pequenos, mas hoje, com todos os problemas que a demissão lhe trouxe, está separado e mal vê as crianças. Morador de Guaianazes, bairro no extremo leste de São Paulo, prefere trabalhar no centro da cidade e levar uma hora e meia para chegar até lá porque o movimento de carros é maior. A água e o sabão ele ganha em um posto de gasolina das proximidades. E diz não ver muita cara feia. “A maioria dos motoristas me dá algumas moedas.”
Segundo Pedro Fassoni Arruda, cientista político da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, houve uma estagnação da redução da pobreza no País em razão da crise econômica. “Quem acaba pagando o custo são os mais pobres e a condução da atual política econômica sinaliza um aumento da pobreza. Acredito que há uma tendência para voltarmos a uma situação de precariedade.” Mas não é preciso consultar estatísticas ou tratados de sociologia para perceber que a miséria espreita a cada esquina e vai, de novo, rapidamente, mudando o cenário nas cidades brasileiras. Ela não se esconde mais nas favelas, cortiços ou áreas invadidas. Em qualquer lugar público estão lá seus protagonistas. E eles se multiplicam com o cair da noite. Aparecem de uma hora para a outra com cobertores, cadeiras e parcos utensílios para se acomodar em todo canto, debaixo das marquises ou nos bancos disponíveis. São inúmeros esses agrupamentos humanos, esparramados nos túneis e becos, que viraram rotina e transformaram os grandes centros urbanos num território de desesperados sociais. O fenômeno não é exatamente novo, mas há de se lamentar o fato de seu retorno e recrudescimento após a conquista da estabilidade do real e a promessa do surgimento de uma nova nação. O corte de R$ 9 bilhões, ou 50% do que foi gasto em 2014 no Programa Minha Casa, Minha Vida e nos projetos de educação como o Pronatec (corte de R$ 2,3 bilhões) e Ciências sem Fronteiras (corte de R$ 2 bilhões) só agravam ainda mais o processo de avanço dos excluídos. “A crise pode aumentar a população de rua”, diz Sônia Rocha, economista do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade e autora de “Transferências de Renda no Brasil – O Fim da Pobreza?”. “Pessoas mais vulneráveis acabam indo para as ruas empurradas por condições sócio econômicas muito graves.”
Pelos critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a definição de pobreza extrema encontra outros critérios. É baseada na estimativa do valor de uma cesta de alimentos com a quantidade mínima de calorias capaz de suprir uma pessoa. De acordo com essa metodologia, o Brasil também vem registrando, desde 2013, aumento na quantidade de carentes. Eles somariam cerca de 30 milhões de brasileiros, 11 milhões dos quais na condição de miseráveis, vivendo com menos de R$ 77 per capita por mês, parâmetro estabelecido pelo Programa Brasil Sem Miséria. Nesse campo de análise o índice subiu de 3,6% para 4% da população. Pode parecer pouco em termos percentuais, mas representa um absurdo no tocante a regressão da qualidade de vida nacional. Há pelo menos um par de ano já era possível prever que estava sendo armado no Brasil um desastre social de proporções épicas, fruto direto de políticas, atitudes e decisões erradas por parte do Governo. Também era evidente que iriam faltar recursos para atender cidadãos humildes num país em que o Estado sustenta uma máquina capaz de torrar R$ 214 bilhões em um ano apenas para pagar os salários de seus funcionários. Na semana passada, ministros e políticos aliados voltaram a falar em redução de investimentos, dessa vez no Bolsa Família. Algo como R$ 10 bilhões, ou 35% do total, seriam cortados do Programa na proposta do relator do orçamento federal, deputado Ricardo Barros. A presidente Dilma resolveu barrar a manobra. “O último bastião vai ser mexer no Bolsa Família”, diz Alvaro Martins Guedes, especialista em administração pública e professor da Unesp. “Será tensão social e miséria absoluta.” Alheia às tramas em Brasília, Maria Aparecida Guimarães, 52 anos, vive com a filha e o neto num barraco minúsculo na cidade de São Paulo. Todos os adultos da casa estão desempregados e a família sobrevive com R$ 300 por mês do que chamam de “bicos”. Com isso, não é possível pagar aluguel, água, luz, nada. O pouco que têm vai para o gás e a comida. “Minha vida piorou muito”, atesta dona Maria Aparecida.
Uma coisa é certa: nada tão previsível como a miséria brasileira após anos seguidos de desvios e má gestão das administrações petistas. Logo ela, que empunhava a bandeira do “tudo pelo social”, enterrou a oportunidade de ouro de conduzir o País para um novo papel no concerto das nações. Da mesma forma, nada tão inevitável como a mudança de patamar da miséria por aqui. Durante muito tempo os brasileiros se acostumaram a encarar as favelas dos centros urbanos como símbolos de um padrão miserável de vida. Elas perderam esse status. Mudaram de nome. Viraram comunidades. E a realidade dos últimos anos informa que a favela de outrora deixou de ser para qualquer um. No eixo Rio-São Paulo, por exemplo, o aluguel de um barraco pode chegar a R$ 2 mil. Resultado: cresce a quantidade de pessoas que não têm recursos sequer para morar numa favela, sobretudo nas que hoje contam com casas de alvenaria, luz elétrica e água encanada. Por isso mesmo é que o flagelo humano ganhou às ruas. Deixou de ser visto apenas como um incômodo estético para se converter numa terrível demonstração de abandono do compromisso oficial de erradicação da pobreza. A reportagem de ISTOÉ encontrou Marcelo Coelho, 45, numa fila para ganhar um prato de comida, dado pelas irmãs da instituição Madre Teresa de Calcutá, na Lapa, centro do Rio. Eletricista e pai de três filhos, Marcelo trabalhou 1 ano e 6 meses na CSL Siderurgia do Brasil, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, mas foi demitido há oito meses, devido a um corte de custos. Ao tentar a sorte no Rio de Janeiro, foi assaltado logo que chegou, e ficou sem documentos. Encontrou apoio na Instituição Madre Teresa de Calcutá, que ajuda dando roupas e alimentação. “Durmo na rua, onde der, mas não deixo de procurar emprego. Nessa condição de miséria, o sujeito fica sem dinheiro para tudo. É muita humilhação para quem já teve um lar, uma família, um trabalho”, diz Coelho, que mandou os filhos para a São Paulo, na casa do sogro.
Discutia-se no passado como dividir o bolo da riqueza no País. Esse debate foi superado com a estabilização da moeda, ainda na era FHC, e a criação de programas como o Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e Fome Zero, reunidos todos eles depois sobre um mesmo guarda-chuva na gestão seguinte. Por mais exótica que fosse, a sociologia bandoleira de Lula cumpria uma missão. Resgatava para milhares de brasileiros o sentimento de dignidade. Mas a perpetuação da estratégia assistencialista, sem qualquer trabalho adicional no campo da preparação e aprimoramento do indivíduo para enfrentar os desafios do mercado e ganhar o próprio sustento, criou distorções como o nascimento de uma massa de acomodados, pessoas defasadas e dependentes das benesses do governo. Com a escassez em voga dos recursos estatais, muitos desses amparados perderam o chão. E o teto. Passando a habitar calçadões e viadutos.
O problema, com perspectiva de piora, é que hoje em dia existem outros cidadãos disputando esses mesmos lugares. São desempregados da indústria e do varejo, profissionais da construção civil, aposentados maltratados pelas pensões miseráveis da previdência e toda sorte de gente que não tem dinheiro para pagar sequer o quarto de um cortiço. Desempregada há quatro meses, Ládis Rocha Ladislau, 49 anos mostra insistentemente sua carteira de trabalho, um símbolo de dignidade que carrega pelas ruas da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde vive. Sem trabalho, sem dinheiro e sem o marido, que a abandonou, ela diz que a irmã e as sobrinhas moradoras do subúrbio também não quiseram recebê-la. Dormindo no bicicletário da Glória, sua rotina é totalmente diferente. “Não lavo roupa: uso até ficar muito sujo e jogo fora. E tomo banho em chafariz. Peço dinheiro e me alimento, a depender da bondade alheia. Mas ninguém gosta de ajudar”, diz a ex-auxiliar de serviços gerais, agora sem rumo depois que perdeu a casa. É cidadã de um país que começou a dar errado bem antes de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciar seu ajuste fiscal. Diga-se que fosse apenas a moradia sua dificuldade já seria um desafio monumental superá-la. Virar desabrigada é contar com a sorte a cada dia. Inclusive para não ser morto por desconhecidos ou bandidos que imperam nas madrugadas.
Pessoas como Ládis e outros brasileiros citados nesta reportagem podem ser definidas como cidadãos fora das estatísticas oficiais. É que para efeito de registro, os cálculos sobre miseráveis e desabrigados em geral consideram apenas aqueles com endereços fixos, que podem ser localizados. Uma incoerência absoluta! Decorre daí que provavelmente existam muito mais pessoas nessa situação no Brasil inteiro do que estimam os institutos com seus chutes numéricos. Embora o fenômeno epidêmico de moradores de rua esteja mais concentrado em casos clássicos de desajustados – mendigos, alcoólatras irrecuperáveis, drogados e doentes mentais – é fato que muitos ex-empregados estão enveredando por essa alternativa. E até trabalhadores ocupados assumiram essa condição devido os baixos soldos que recebem. A conclusão, aí, é perfeitamente clara. O trabalho, no Brasil, já não é suficiente para evitar que o indivíduo acabe perambulando sem destino pelos grandes centros.
O que chama a atenção é que, em sua fase atual, a pororoca dos necessitados não faz distinção regional. Acomete com igual vigor metrópoles e pequenos municípios. Há um ano, Rosângela da Silva Santos, 37 anos, morava com seus oito filhos em uma casa alugada na cidade de Santa Maria, nos arredores de Brasília. O imóvel era pequeno: apenas um quarto, uma sala, uma cozinha, um banheiro e um quintal. Mas ela diz ter saudades de ter um teto para proteger sua família, “especialmente nos dias de chuva”. Hoje está morando em um terreno baldio do Plano Piloto. No município vizinho, ela trabalhava para uma cooperativa de reciclagem e contava com a ajuda do governo do Distrito Federal para inteirar o aluguel. Perdeu o benefício, não pode mais morar na mesma região e, longe da coleta, ficou desempregada. No terreno, escolheu a sombra de uma mangueira alta, fincou estacas de bambu, cobriu com uma lona preta e forrou o chão de terra batida com papelão. Recentemente, encontrou em um lixão uma mesa e bancos de madeira, que acomodou ao lado do barraco. Lá, seus filhos comem e fazem a lição da escola. O dinheiro que recebe é vindo do Bolsa Família, cerca de R$ 300, e de latinhas que recolhe na rua. “Sinto falta de poder abrir e fechar a porta de casa”, lamenta.. É um dado perverso no sistema brasileiro de desenvolvimento que os R$ 5,74 trilhões de PIB, segundo o Ministério da Fazenda – número inferior aos dos demais anos, mas ainda assim relevante -, não tenham impacto positivo direto na vida dessa significativa massa de aflitos. É um problema que transcende partidos, bandeiras ideológicas e disputas de poder. E que deveria motivar a todos por um grande pacto nacional em busca de saídas imediatas.

O roto e o esfarrapado


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Mary Zaidan
A presidente Dilma Rousseff e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, passaram boa parte da semana batendo boca. Ambos com razão nas frases feitas. E absoluta falta dela na virulência e ausência de senso. Roto falando de esfarrapado, provérbio que nos últimos tempos insiste em ditar a política.
Dilma fala mal de Cunha. Cunha de Dilma. Lula já fala mal de Dilma em público. Dilma, privadamente, de Lula. Um culpa o outro da culpa que cada um tem. A oposição arrota dignidade e usa os métodos que dizia condenar. Tenta preservar Cunha para imolar Dilma.
Mas se ainda não há vencedores na disputa entre o sujo e o mal lavado, é impossível esconder as sucessivas derrotas que essas irresponsabilidades impõem ao país.
Indicador algum é capaz de dar alento. Nem para o futuro próximo, muito menos para o presente. Difícil enxergar possibilidades de conserto na economia, quanto mais na sem-vergonhice que, contam-se nos dedos as exceções, virou método de fazer política.
A inflação continua subindo, os investimentos caindo, a recessão agudizando. Em 12 meses, 1,24 milhões de vagas de emprego formal foram engolidas pela crise, pior número desde que se iniciaram as medições, em 1992. Um retrocesso de mais de mais de duas décadas na oferta de empregos, pilar de qualquer avanço social.
Depois de gastar o que não tinha e o que não sabia se algum dia iria ter para se reeleger, Dilma teria de arrumar mais de R$ 70 bilhões só para fechar o ano de 2015. Ainda assim, a presidente freou arrumações internas, como o corte de 3 mil cargos comissionados, para poder distribuir aos aliados em troca – sem qualquer garantia – de se manter no terceiro andar do Planalto.
Registra-se que os cortes anunciados com pompa e circunstância pela presidente só valerão – se é que de fato vão valer – a partir de novembro. Tanto a redução dos míseros 10% dos salários dela e dos ministros quanto o fim das mordomias de primeira classe em aviões e carros de luxo. Algo que, de fato, não passará perto da presidente, que viaja em jato privativo, e de vários de seus auxiliares, que requisitam aviões da FAB para seus deslocamentos.
O tema chegou a frequentar o plenário do Senado. De novo, viu-se o roto, que acaba de licitar uma frota nova de veículos de luxo para os 81 senadores, abrindo o bico para um governo espandongado, que continua hospedando Dilma com luxos de princesa em cada viagem que faz.
Agindo como quem beira o fim da linha, nos dois meses que faltam para terminar ano Dilma agendou compromissos na Arábia Saudita, Vietnã, França, Emirados Árabes, Argentina e Japão. Pelo jeito, prefere ficar longe da encrenca Brasil, gastando por conta.
Por sua vez, a oposição esbraveja contra o roto e esgarça cada vez mais os seus farrapos. Alia-se às sujeiras de Cunha e joga fora créditos que tinha obtido com a derrocada política de Dilma e do PT.
De forma mal ajambrada, repete a lambança que fingia condenar. Faz o diabo para impedir Dilma, que, confessamente, fez o diabo para se reeleger.
Na CPI da Petrobras, aquela que concluiu que o problema da estatal não é a roubalheira, mas a delação premiada, nem a mentira dita por Eduardo Cunha – “não tenho conta no exterior” – foi rechaçada pelo PSDB. Uma vergonha.
Diante da imundice de quem prefere continuar sem se lavar, a utópica ideia do ministro do Supremo, Marco Aurélio Mello, de renúncia coletiva faz cada dia mais sentido. Seria a chance de, ao lado da Lava-Jato, lavar o país.

Discurso da virada no Outubro Rosa


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Ora pois, a vice-governadora Cida Borghetti participou no domingo do evento do Outubro Rosa organizado pela UGT na Boca Maldita. Uma das principais vozes do país na causa, Cida foi chamada a discursar na festa da entidade, presidida por Paulo Rossi. As vaias iniciais, motivadas pelo desgaste do Governo, foram transformadas em aplausos por um discurso forte e emocionante.
A vice-governadora narrou a sua trajetória na luta contra o câncer e chamou ao palco Andreia, uma jovem que está em tratamento da doença. A força do discurso de Cida provocou uma virada no público na festa e a vice-governadora terminou aplaudida.

Coritiba perde, torcida se irrita e invade vestiário


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Torcida vai ao vestiário do Coritiba para agredir jogadores e meia se esconde com time do São Paulo
Logo após a derrota por 2 a 1 para o São Paulo, na tarde deste domingo (25), um grupo de torcedores do Coritiba foi ao vestiário para protestar pela quinta derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro,gerando correria dos jogadores alviverdes para se proteger. O resultado impediu que o Coxa saísse da zona de rebaixamento.
Os torcedores invadiram o estacionamento dos jogadores pela Rua Mauá, onde as delegações acessam o Couto Pereira. No momento em que um carro saiu do estádio, um grupo de torcedores – ainda não se sabe quantos – entraram nos corredores e foram direto em direção ao vestiário .Alguns carros foram danificados. O meia Thiago Galhardo teve que sair correndo do vestiário do Coxa para se esconder no vestiário do São Paulo. O jogador alviverde ficou escondido cerca de 15 minutos no vestiário do adversário. Já o zagueiro Juninho teve de voltar ao gramado do Couto Pereira para evitar de ser agredido.
O também zagueiro Ednei, que conseguiu fugir antes da invasão dos torcedores, disse que não viu o que aconteceu dentro do vestiário coxa-branca. “Eu estava perto da porta e consegui sair. Para o pessoal que ficou lá dentro foi mais tenso. Eu só vi o barulho, muitas vozes, e todo mundo começou a correr. O melhor caminho que tinha era correr para o corredor, porque se nós corrêssemos pro campo”, contou o jogador.
João Paulo foi outro jogador que correu para fugir dos torcedores. O volante teria sido confundido pelos seguranças com os torcedores que invadiram o Couto e teria sido imobilizado.
Uma maca chegou a ser solicitada para o vestiário alviverde. Mas até agora não há informação de feridos.
O técnico Ney Franco garante que os torcedores não entraram no vestiário. “Eles chegaram muito próximo do vestiário. Chutaram a porta, mas não entraram. Nesse momento eu também me assustei. Mas o clube se mobilizou, os seguranças foram lá, depois chegou a polícia, e conseguiram contornar a situação”, afirma o treinador.
“Esse clima nunca é bom. É a segunda vez que isso acontece esse ano. Eu acho essa manifestação nunca é boa. Esperamos durante a semana ter tranquilidade para trabalhar”, concluiu o treinador.
Essa foi a segunda vez que a torcida do Coritiba foi ao vestiário do Couto Pereira cobrar resultado. A primeira foi na sétima rodada, após derrota para o Flamengo, quando os torcedores conversaram com o elenco acompanhados por seguranças. Na oportunidade, que era a estreia de Ney Franco no comando alviverde, não houve invasão.

Manifestações contra o governo do PT engordam o 'PIB do Pixuleco'

Pixuleco, boneco inflável do ex-presidente Lula
Pixuleco, boneco inflável do ex-presidente Lula(Paulo Whitaker/Reuters)
Com traços de desenho infantil e olhar abobalhado, o boneco inflável do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário tornou-se o mascote de manifestações contra o governo - e um bom negócio para os fabricantes. Sob um cenário de retração econômicaaumento do desemprego equeda da produção industrial, não deixa de ser irônico que um dos raros nichos da indústria que vai bem é o que se dedica ao produto que virou símbolo dos protestos.
"Cada vez que um pixuleco aparece na mídia, a procura aumenta muito", diz Denys Souza, diretor da Big Format, em Guarulhos (SP), fabricante do boneco do ex-presidente. Souza prevê um crescimento de 12% no faturamento e de 25% no aumento das encomendas neste ano. "Estamos na contramão da crise", afirma. A empresa está trabalhando na confecção de 5 000 minipixulecos - encomenda sobre a qual não quis dar maiores detalhes. Um pedido de 1 000 peças custa 7 reais cada uma.
O 'PIB do Pixuleco' tem ajudado empresas do setor a compensar a frustração com o que esperavam faturar com a Copa do Mundo. "Até chegamos a fazer uns Fulecos (os mascotes da competição) para a Fifa, mas muitos clientes cancelaram projetos grandes e foi como se não tivesse ocorrido", disse Souza. Como milhares de empresas Brasil afora, a Big Format precisou se ajustar ao atual cenário de crise - e demitiu 35 funcionários no fim do ano passado.

Como em qualquer setor em expansão, os fabricantes partiram para a diversificação para seguir crescendo. Depois do Pixuleco surgiram a "Dilmintira" (caricatura da presidente Dilma Rousseff com um nariz grande, como o do personagem Pinóquio), o "Raddard" (caricatura do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, com um radar de trânsito à mão) e o "Lula de chifres".
Oswaldo Toyofuqu, diretor da Promo Infláveis, de Diadema (SP), tem tentado fazer contato com os organizadores de protestos contra o governo. "Nós temos que aproveitar esse momento. Eu sou indústria, vivo disso", diz. Toyofuqu está elaborando um "kit protesto", com bonecos do juiz Sérgio Moro, que encabeça a Operação Lava Jato, Dilma, Lula e Haddad.
A empresa de Toyofuqu fabricou os 5 000 patos que a Fiesp colocou em frente à Esplanada dos Ministérios no dia 1º de outubro em um protesto contra os impostos. Cada um custou 8 reais. "Vi o pato na internet, liguei lá para Fiesp e eles toparam na hora", afirma. O pato maior, usado na mesma manifestação, foi produzido pela Big Format, empresa que tem em seu portfólio outros itens de protestos, como um boto cor-de-rosa e um urso polar, solicitados por organizações não-governamentais da área ambiental.
A grande exposição dos infláveis despertou o interesse de um outro tipo de público para o produto. Acostumadas a atender grandes empresas, como Unilever, Coca-Cola e Itaú, Big Format e Promo Infláveis agora também prestam serviços para pessoas físicas, sem CNPJ. Essa clientela é formada especialmente por pessoas ligada a movimentos de protesto.
Custo da turnê - O pixuleco original, de 15 metros de altura, custou 12 mil reais, pesa meia tonelada inflado e já percorreu nove cidades no país. Sua guardiã é Celene Carvalho, do Movimento Brasil. As "apresentações" do boneco têm custo - gradil, seguranças, hospedagem, alimentação e às vezes aluguel de carro e motorista - bancado pelos manifestantes da cidade visitada. A conta chega a 5 mil reais, despesa em parte bancada pela venda dos pixulequinhos - a 10 ou 20 reais - durante as exibições públicas. Em Presidente Prudente (SP), por exemplo, visitada em 15 de setembro, chegaram a ser comercializadas 350 réplicas.
Em sua última passagem por São Paulo, o boneco foi esfaqueado por uma mulher, que chegou a ser levada para a delegacia. O caso alavancou a fama do pixuleco e aumentou os custos das suas expedições pelo Brasil. "Por causa das agressões, está caro transportar o pixuleco. Agora precisa ir acompanhado, sair escondido, ter segurança e grade", disse Celene. Outros movimentos, como o Revoltados Online, já vendem as peças com o slogan "Adquira dois adesivos fora Dilma por R$ 20 e ganhe um pixuleco".
A possibilidade de expansão do setor tem como combustível não apenas as crises econômica e política da atualidade. Não há direito autoral a ser pago pelos bonecos, afirma Celene. Ela assegura que o Pixuleco é de "domínio público" e pode ser usado por quem quiser.
O PIB do Pixuleco não se restringe ao mundo físico. O carioca José Lucio Gama, dono da Icon Games, criou o "Pixuleco, o jogo". O game consiste em manter o personagem no ar enquanto recupera "sacos de dinheiro" e escapa de manifestantes "vermelhos", armados com facas. Quem consegue chegar até o fim do trajeto sem ser golpeado, recebe a seguinte mensagem: "A democracia venceu".
"O lado engraçado foi ver comentários me acusando tanto de ter feito o jogo contra como a favor do governo", diz o criador do jogo. Em 2012, Gama criou outro jogo com viés político, o AngrySTF - uma paródia do game Angry Birds com personagens do julgamento do mensalão. A repercussão do jogo do Pixuleco, diz ele, tem sido bem maior que a do anterior.
Jogo Pixuleco
Jogo Pixuleco(VEJA.com/Reprodução)

Ex-mulher de policial mata amiga do ex-marido e é morta pela polícia


Ambas chegaram a ser socorridas para hospitais, mas não resistiram. 
Caso aconteceu em hotel no Grande Recife, onde agente morava.

Marina BarbosaDo G1 PE
Crime aconteceu no hotel Golden Beach, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes (Foto: Danielle Fonseca / TV Globo)Crime aconteceu no hotel Golden Beach, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes
(Foto: Danielle Fonseca / TV Globo)
A ex-mulher de um agente de polícia matou uma amiga do ex-marido e foi morta por um policial militar que tentava evitar o crime. Tudo aconteceu dentro de um hotel de luxo em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, na tarde deste domingo (25). O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo a delegada Gleide Ângelo, a confusão começou por volta do meio-dia na piscina do hotel, que fica em Piedade, na Avenida Bernardo Vieira de Melo. O agente de polícia estava ali, conversando com a amiga, quando a ex-mulher chegou. "Ela começou a discutir com a amiga e ele, assustado, saiu para pedir ajuda à Polícia Militar", conta.
Quando ele voltou com quatro policiais militares, no entanto, as mulheres já estavam trancadas em um quarto do hotel. Ao que tudo indica, a ex-mulher estava fazendo a outra de refém. Os policiais ainda tentaram negociar, para que elas saíssem dali. Mas, quando a porta ia abrir, ouviu-se um tiro.
A delegada Gleide Ângelo contou que  (Foto: Marina Barbosa / G1)Gleide Ângelo contou que amiga foi ferida nas costas
ao tentar fugir. Para evitar novo disparo, PM atirou na
ex-mulher do agente (Foto: Marina Barbosa / G1)
"A amiga caiu, baleada as costas. E a ex-mulher apareceu apontando a arma para a mulher e para os policiais. Para evitar o crime, um PM atirou nela", conta a delegada Gleide Ângelo.  "Acredito que a amiga tentou ir embora correndo, mas quando abriu a porta foi baleada", completa.
A vítima foi socorrida à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Barra de Jangada, mas não resistiu ao ferimento e morreu. A ex-mulher também foi socorrida com vida. Ela foi atingida entre o ombro e o peito e foi levada para o Hospital da Aeronáutica, no Recife. Depois, foi transferida para o Hospital da Restauração, onde morreu.
A polícia está ouvindo os policiais e os familiares da vítima no DHPP, na Zona Oeste do Recife, na noite deste domingo. Depois, o caso será encaminhado para o DHPP de Jaboatão dos Guararapes. Segundo Gleide Ângelo, ainda não se sabe de quem era a arma usada pela ex-mulher do policial.
"Fizemos perícia e exame de balística. Vamos esperar o resultado e investigar", disse, admitindo que a principal linha de investigação é a passional. "Houve precedentes de outras brigas e de que ela não aceitava o fim do relacionamento", conta Gleide.
Segundo a polícia, os dois haviam se separado há duas semanas, apos três anos de casamento. O DHPP ainda contou que o agente de polícia morava no hotel em que aconteceu o crime. A ex-mulher dele também havia residido no local e tinha 28 anos. Já a amiga do policial tinha 25

Organizadores servirão 230 toneladas de batata durante as Olimpíadas


Serão oferecidos, ainda, 100 toneladas de carne e 82 toneladas de frutos do mar

NONATO VIEGAS
25/10/2015 - 16h00 - Atualizado 25/10/2015 16h00
Olimpíadas terá espaços recreativos para quem não tem ingresso (Foto: Reprodução)
Os organizadores das Olimpíadas se preparam para servir 60 mil refeições por dia aos atletas. Serão 230 toneladas de batata, 100 toneladas de carne, 82 toneladas de frutos do mar e 75 mil litros de leite. O Comitê também deixará à disposição dos atletas alimentos preparados de acordo com preceitos do islã e do judaísmo.

"Reflexão interessante", diz Mercadante sobre violência contra mulher na redação do Enem


Questão envolvendo citação de Simone de Beauvoir causou polêmica nas redes sociais

REDAÇÃO ÉPOCA
25/10/2015 - 21h24 - Atualizado 25/10/2015 21h52
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, divulga o balanço do Enem 2015 (Foto: José Cruz/ABr)
Com o tema da redação "A persistência da violência contra a mullher na sociedade brasileira" terminou neste domingo (25) a edição de 2015 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em coletiva de imprensa esta noite, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, divulgou o balanço geral das provas e comentou o assunto:
"Nos parece também uma reflexão bastante interessante para o Brasil, para a nossa cultura e para as escolas brasileiras."
O tema foi divulgado no Twitter, minutos após o fechamento dos portões, às 13h, pelo Insituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC que organiza o exame. No texto, do qual é exigida uma estrutura dissertativa-argumentatica, o estudante precisou discorrer sobre o assunto em até 30 linhas.
Uma questão envolvendo feminismo causou polêmica nas redes sociais. Os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) Marcos Feliciano (PSC-SP) usaram suas páginas para acusar o Enem dedoutrinação aos jovens. A reclamação envolveu a frase "Não se nasce mulher, torna-se mulher", da escritora e filósofa francesaSimone de Beauvoir em uma questão que abordava as lutas feministas no século 20.
"Essa frase da Filósofa Simone de Beauvoir é apenas opinião pessoal da autora, e me parece que a inserção desse texto, uma escolha adrede, ardilosa e discrepante do que se tem decidido sobre o que se deve ensinar aos nossos jovens. Esse texto se encaixa como luva na teoria de gênero, apesar de questionável por se tratar da opinião de uma mulher polêmica, feminista da mais retrógrada cepa, com linguajar que denigre as mulheres comparando-as aos eunucos criando um limbo entre o homem e a mulher muito em voga nos anos 60", citou Felicano em sua página do Facebook.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) elogiou o tema da redação. "Boa escolha! Tema de redação do Enem diz respeito e deve ser conhecido de todas as pessoas: violência contra a mulher", opinou em sua conta do Twitter.
Menor abstenção desde 2009
O Enem deste ano registrou o menor índice de abstenção desde 200925,5%. Na edição do ano passado, o índice foi 28,9%. "Temos conseguido reduzir as abstenções progressivamente", disse Mercadante durante a coletiva.
No balanço geral do exame, Mercadante anunciou que 740 candidatos foram eliminados nos dois dias de prova. O número é inferior ao de 2014, quando 1.519 estudantes foram desclassificados.
De acordo com o MEC, por uso de equipamentos inadequados, 347 participantes foram eliminados neste segundo dia de prova. Ontem, 330 estudantes foram desclassificados. "Acho que estamos avançando, é uma vitória de regras que estão se consolidando", disse o ministro em relação à evolução do índice na comparação com 2014. Pessoas que possuíam pontos eletrônicos serão investigadas pela Polícia Federal.
Segundo o ministro, 831.315 dos participantes que confirmaram a inscrição não chegaram a acessar o cartão do Enem com o local de provas. Isso representa 10,7% do total de 7.746.436 candidatos.
Atrasos
Ontem, o ministro atribuiu os repetidos atrasos nas edições àfalta de planejamento dos candidatos. Ele citou um caso na Uninove da Barra Funda, em São Paulo, em que participantes tentaram forçar a entrada no local de provas após o fechamento dos portões alegando má sinalização.
"[A Uninove] tem uma das maiores concentrações de participantes, com quase 25 mil. Algumas pessoas tiveram problemas para acessar e tentaram forçar a entrada. Geraram uma tensão indevida. Me pergunte por que 25 mil entraram e cinco, seis, 10 se for o caso, não conseguiram entrar", questionou.
Ele também citou que, às 12h59 de ontem, um minuto antes do fechamento dos portões, havia candidato confirmando a inscrição no site do MEC.
Por conta da redação, o tempo de prova deste domingo foi maior do que o de sábado. Os estudantes tiveram 5h30 para escrever o texto e responder 90 questões sobre linguagens, códigos e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias e cinco perguntas de inglês ou espanhol (o participante escolheu sobre a língua estrangeira).
Quem poderá refazer a prova
Mercadante anunciou que três estudantes de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, poderão refazer o Enem, porque a coordenadora encerrou a prova antes do fim. Segundo o G1, Na Escola em Regime de Convênio Nossa Senhora do Rosário, em Marituba, no Pará, todos os cerca de 600 participantes terão o direito a fazer o novo exame nos dias 1 e 2 de novembro. O teste foi prejudicado devido à queda de energia. No sábado, o mesmo incidente foi registrado em 19 escolas, mas de modo temporário.
Santa Catarina
Os municípios catarinenses Rio do Sul e Taió  tiveram as datas das provas adiadas por conta das recentes inundações na região. Os 4.542 participantes inscritos nesses locais farão as provas em nova data, que ainda será divulgada pelo MEC.
De acordo com o ministério, a alteração na data da prova, entretanto, não prejudica os estudantes. "Como o Enem utiliza a Teoria de Resposta ao Item, os participantes que tiveram as provas adiadas poderão fazer uma nova prova com o mesmo nível de dificuldade. Os inscritos já estão sendo informados por correio eletrônico, mensagem de celular ou por telefone sobre o adiamento da prova", informa em seu site.
A mudança também não altera o cronograma do exame e dos programas do Governo Federal que usam a nota no Enem, como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Financiamento Estudantil (Fies).