Picler: “O coração falou mais alto!”


Prof.-Picler-13.5.15
O Chanceler do Centro Universitário Uninter e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Uninter, empresário da educação e pré-candidato à Prefeitura de Curitiba, Wilson Picler, afirmou que não concorrerá ao cargo de Prefeito da Capital nas eleições de 2016. Aconselhado por amigos, parentes, colaboradores, assessores e correligionários, Picler continuará à frente da nova fase do seu Grupo. A Uninter atravessa um momento muito positivo e está sendo preparada para se transformar em Universidade, e a participação de Picler no comando da Uninter é algo primordial neste momento estratégico para a instituição.
“O presidente é o nosso grande gestor e é peça essencial para que a Uninter possa continuar crescendo de forma sustentável, contribuindo para que mais de 50 mil pessoas se formem com qualidade, anualmente, em todo o Brasil”, afirmou Alfredo Pires, Assessor da Presidência.
O Reitor Benhur Gaio e seus colaboradores acadêmicos foram os mais ferrenhos incentivadores para que Wilson permanecesse no comando: “ O Wilson é o coração da Uninter. Todos os funcionários têm em sua liderança uma fonte inspiradora de profissionalismo”, disse Benhur.
Professores, tutores, corpo diretivo, sem exceção, pediam a sua não entrada nesse processo confuso e corrupto em que se transformou hoje o sistema político brasileiro. Mas foi de sua família que veio o maior clamor. Começou em Gabriel, seu pai, fez eco em Edimílson, seu irmão mais velho, com total apoio de Raul, filho de Wilson Picler, todos executivos da Uninter.
Raul foi contundente: “O Wilson é o idealizador da Uninter e ainda tem muito com o que contribuir para o avanço da instituição e da educação. Sua criatividade beira à genialidade em certos momentos. Ele é altamente intuitivo e consegue enxergar acontecimentos que poucos se atentam.”
Seu irmão Edimilson sentenciou: “ O Picler gasta seus recursos próprios com a política, não aceita doações, sacrifica seus prazeres e conforto pessoal, e a política só lhe retribui com amarguras. Acho que ele deve se dedicar ao que deu muito certo na sua vida que é a Uninter.”
Sensibilizado e bastante emocionado, com tantos pedidos e argumentos, Wilson foi enfático: “Deixo minha candidatura em prol da minha empresa que hoje emprega mais de 2000 colaboradores e gera oportunidades para mais de 150.000 pessoas. A Uninter já formou e qualificou cerca de meio milhão de pessoas e se tornou uma das maiores instituições de educação superior do país. Está presente em mais de 450 cidades brasileiras em todas as unidades da federação.Auditada por uma das maiores empresas de auditorias independentes do mundo a PriceWaterhouseCoopers (PWC), desde 2010, com todos os relatórios aprovados e com pareceres sem restrição, fato que atesta o elevado nível de gestão e de conformidade legal. AUninter se prepara para abertura de capital na Bolsa de Valores nos próximos anos e pretende se transformar em uma nova consolidadora do segmento de Educação Superior. Neste sentido o meu afastamento da política nestes próximos anos é comemorado, não somente pelos docentes , discentes e servidores mas, sobretudo, pelos potenciais investidores internacionais, que observam a política brasileira com muita desconfiança.
Wilson Picler, feliz com tantas manifestações de carinho e respeito, afirmou: “Nunca me faltou apoio na política, sempre fui bem votado, na última eleição fiz 69.215 votos. Quase o dobro do último eleito, mas problemas de coligações me tiraram a vaga em 2010 e, em 2014, optei por não concorrer para cuidar da minha empresa e novamente faço isso hoje. Não sei dizer se no futuro eu serei um político. O que posso dizer é que, no presente, eu sou um empresário bem sucedido e vou dar continuidade ao projeto educacional Uninter.mA causa da Educação sempre ocupou um grande espaço em minha vida, então, o coração falou mais alto”, finalizou.

Novela brasileira


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O jornal britânico “Financial Times” comparou a relação entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff a uma trama de novela brasileira, onde, nas palavras do periódico, “amigos e parentes frequentemente se apunhalam pelas costas”.
Para ilustrar o afastamento, o jornal cita a recente desavença entre Dilma e seu mentor político, que se deu quando Lula defendeu a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e Dilma o defendeu.
O periódico cita ainda que as investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras têm se aproximado do ex-presidente e afirma que “se o calor do caso Petrobras continuar a aumentar, não faria mal ao ex-presidente contar com o apoio dos fiéis do partido nas ruas e no Congresso”, mesmo que a sustentação venha através de críticas feitas à política econômica de Dilma e de seu ministro da Fazenda.
No texto, a publicação chama a presidente de “uma tecnocrata taciturna” e Lula de “um populista carismático”.
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, deve ocasionalmente pensar que, com amigos como seu predecessor e mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, quem precisa de inimigos?
As tensões entre Rousseff, uma tecnocrata taciturna, e Lula, um populista carismático, começam a criar reviravoltas como as das tramas das longas novelas de televisão brasileiras, nas quais amigos e parentes frequentemente se apunhalam pelas costas.
Para Rousseff, que encara a possibilidade de impeachment por parte de uma oposição que ganha ânimo com sua crescente impopularidade, um inimigo interno é a última coisa de que ela precisa. Para a maior economia da América Latina, que está afundando à sua maior recessão desde 1930, as disputas internas do partido governante só servirão para solapar ainda mais a confiança dos investidores.
Há muito se diz que existem diferenças entre Rousseff, que foi [ministra das Minas e Energia e] chefe da Casa Civil de Lula durante os oito anos dele no poder, entre 2003 e 2010, e seu mentor, mas elas raramente foram tão expostas quanto aconteceu este mês.
A mais recente desavença surgiu quando Lula, ainda a figura preeminente do Partido dos Trabalhadores (PT), que governa o Brasil, criticou as políticas econômicas de Joaquim Levy, economista formado pela Universidade de Chicago e ministro da Fazenda de Rousseff.
Depois de um prolongado e perdulário estímulo fiscal durante seu primeiro mandato de quatro anos, entre 2011 e 2014, Rousseff apontou Levy para o posto este ano com o objetivo de limpar as finanças públicas degradadas do Brasil.
O problema para Lula e o PT é que o programa de austeridade de Levy, que inclui conter os empréstimos pelos bancos estatais e elevar as taxas de juros para segurar a inflação, não poderia ter vindo em momento pior. O partido já enfrenta imensa impopularidade por conta da corrupção na estatal petroleira Petrobras.
Pior, a recessão está causando alta no desemprego enquanto a inflação sobe –um duplo baque para a base eleitoral do PT nos sindicatos e na classe trabalhadora. Com eleições municipais no ano que vem, o PT se preocupa com a possibilidade de que o programa de austeridade de Levy seja um ímã para a indignação popular.
Para tentar se distanciar, e distanciar o PT do programa de austeridade do governo, Lula em um recente congresso sindical atacou a administração, argumentando que Rousseff estava se comportando como o PSDB, partido de oposição, mais ortodoxo economicamente, que ela derrotou nas eleições de outubro de 2014.
O fogo amigo forçou Rousseff a declarar que a opinião do PT não era a do governo, e que Levy tinha toda sua confiança.
As aparentes diferenças entre Lula e Rousseff podem ser pouco mais que um espetáculo para manter a adesão da base do PT. Na prática, a aparente desavença com Rousseff faz pouco sentido porque se segue a uma reforma ministerial que conduziu ao ministério mais políticos próximos a Lula. O ex-presidente raramente se envolveu tanto quanto agora com a condução cotidiana dos assuntos do governo Rousseff, dizem analistas.
Lula pode ter motivos mais pessoais para suas críticas a Rousseff e ao desafortunado Levy.
A investigação sobre a corrupção na Petrobras vem se aproximando do ex-presidente. Em documentos judiciais recentemente divulgados, uma testemunha da acusação no caso da Petrobras implicou uma das noras de Lula.
Lula negou qualquer delito. Mas se o calor do caso Petrobras continuar a aumentar, não faria mal ao ex-presidente contar com o apoio dos fiéis do partido nas ruas e no Congresso.
O perigo é que se ele continuar a fazê-lo à custa da “companheira Dilma”, corre o risco de demolir a casa toda. Levy pode se demitir repentinamente, o que poderia causar crise cambial. Ou os eleitores já furiosos com o PT por conta da recessão e da corrupção podem se cansar da política em estilo novela e abandonar o partido.

Por que consumir bacon não faz tão mal quanto o hábito de fumar

Carne processada
A classificação da OMS simplesmente afirma que o consumo de carnes processadas aumenta o risco de câncer, entretanto esse risco não pode ser comparado ao causado pelo tabagismo. Enquanto 21% dos casos de câncer de intestino estão ligados ao consumo de carne processada e vermelha, 86% dos casos de câncer de pulmão são causados pelo tabaco(Thinkstock/VEJA)
Carnes processadas -- bacon, salame, salsicha, linguiça, presunto, entre outras -- entraram para a lista de substâncias que aumentam o risco de desenvolver câncer. A inclusão foi divulgada na segunda-feira pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (IARC, na sigla em inglês), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a mudança, os alimentos embutidos entram para a mesma categoria que o tabaco, amianto e fumaça de diesel. Mas, afinal, o que isso quer dizer?
Em primeiro lugar, os especialistas alertam que consumir um sanduíche com presunto casualmente não é tão grave para a saúde quanto fumar 20 cigarros por dia. "A lista quer dizer que determinada substância 'causa câncer', mas não é específica em relação à intensidade desse risco", explica Samuel Aguiar Junior, oncologista e diretor de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center. Sabe-se que o cigarro, por exemplo, aumenta em mais de 400% o risco de desenvolver câncer de pulmão. Já a ingestão de um cachorro-quente (50 gramas equivale a uma salsicha) por dia corresponde a um aumento de 18% no risco tumores no intestino. Ou seja, a mensagem é que o consumo excessivo desses alimentos é prejudicial e deve ser evitado.
Carne processada - O grande problema desse tipo de alimento é o processo de conservação: salga, defumação ou industrialização. Acredita-se que as intervenções estejam ligadas ao surgimento de substâncias químicas que causam dano ao DNA da mucosa do intestino, podendo levar ao câncer.
O câncer colorretal é um tipo de tumor que afeta o cólon (um segmento do intestino grosso) e o reto. Entre os fatores ambientais que aumentam o risco de desenvolvimento estão o alto consumo de carne vermelha, ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, tabagismo e o sedentarismo. De acordo com o Cancer Research UK, 21% dos casos de câncer de intestino estão ligados ao consumo de carne processada e vermelha. Entre os tumores de pulmão, o tabaco é responsável por 86% dos casos.
Aguiar explica que não existem estudos que atestem a existência de uma quantidade segura para o consumo de embutidos. "Não se deve consumir acima de 100 gramas por dia de carne - processada ou in natura. Diante disso, a recomendação é que as pessoas consumam carne vermelha no máximo duas vezes por semana. No caso das carnes processadas, o ideal é sejam ingeridas raramente, entre uma e duas vezes por mês", disse o oncologista.
Grupos - A inclusão dos alimentos processados só foi possível após a avaliação de mais de 800 estudos científicos sobre o tema por uma equipe composta por 22 cientistas de dez países. Em geral, as substâncias cancerígenas são divididas em quatro grupos: carcinogênico (grupo 1), provavelmente carcinogênico (grupo 2A), possivelmente carcinogênico (grupo 2B), carcinogenicidade não classificável (grupo 3) e provavelmente não carcinogênico (grupo 4).
Por exemplo, no grupo 1, no qual os embutidos foram classificados, também estão os raios solares e o tabaco. Isso significa que os cientistas sabem que a exposição de uma pessoa ao sol pode aumentar o risco de desenvolvimento de câncer de pele, que o tabagismo aumenta o risco de câncer de pulmão e que o consumo excessivo de carnes processadas aumenta o risco de câncer colorretal.
Já as carnes vermelhas (vaca, porco, cordeiro, carneiro, cavalo ou cabra) foram incluídas pelo IARC no grupo 2A. As substâncias dessa categoria são aquelas que podem causar câncer em animais, mas que ainda não existem evidências suficientes confirmando sua associação com o aumento do risco da doença em humanos. Fazem parte desse grupo os anabolizantes e as frituras.
O grupo 2B contempla as substâncias para as quais as evidências de associação com o aumento do risco de câncer em animais e humanos são limitadas ou insuficientes. Nesta categoria estão o café e a gasolina. As substâncias "não classificáveis" fazem parte do grupo 3 e são as que os pesquisadores não sabem se podem ou não causar câncer. Alguns dos itens desta categoria são os chás e os campos magnéticos estáticos. Por fim, está o grupo 4 com apenas um item: a caprolactama, uma substância tóxica e irritante, mas que não tem nenhuma ligação com o desenvolvimento de tumores

Júri absolve homem que matou irmão tetraplégico a tiros a pedido da vítima


Homicídio planejado aconteceu em Rio Claro (SP) em outubro de 2011.
Geraldo Rodrigues de Oliveira pediu ao irmão para simular um assalto.

Fabio RodriguesDo G1 São Carlos e Araraquara
Geraldo Rodrigues de Oliveira foi morto a tiros pelo irmão em Rio Claro (Foto: Reprodução EPTV)Geraldo Rodrigues de Oliveira (foto) era cadeirante e pediu para irmão matá-lo (Foto: Reprodução EPTV)
O júri popular de Rio Claro (SP) absolveu Roberto Rodrigues de Oliveira nesta terça-feira (27), acusado de matar o irmão tetraplégico a tiros em 2011. A vítima, inconformada com a sua condição, pediu para morrer em uma simulação de assalto. O irmão foi detido três dias após o crime, mas logo foi solto e desde então respondia em liberdade por homicídio doloso, quando há a intenção de matar.
O advogado de defesa, Edmundo Canavezzi, disse que já esperava pela sentença favorável. “Roberto foi perdoado pela família e esse peso ele vai carregar pelo resto da vida. Os jurados acolheram a minha tese de que não se poderia esperar dele outra atitude senão àquela a qual ele adotou”, disse o defensor.

O julgamento começou por volta das 9h30. Sete jurados participaram do júri. “Não dá para saber se a decisão foi unânime porque pela atual legislação processual penal quando se atinge o numero de quatro votos o juiz encerra a votação”, explicou Canavezzi.

O homicídio aconteceu em outubro de 2011 no bairro Jardim Novo 1. Durante as investigações, a polícia descobriu que Geraldo pediu a Roberto que planejasse um meio de matá-lo, simulando um assalto. Um sobrinho adolescente que morava com a vítima seria a única testemunha.
Após o crime, o sobrinho relatou em depoimento que Roberto invadiu a casa encapuzado e atirou contra Geraldo, que foi atingido no ombro e no pescoço. Ele ainda roubou R$ 800 para que a polícia acreditasse em assalto. Em meio às investigações, o jovem mudou a versão e relatou que tudo tinha sido combinado entre eles.
Advogado disse acreditar na absolvição do réu (Foto: Samuel Pancher/O Jornal)Advogado de Roberto disse que acreditava na
absolvição do rapaz (Foto: Bruno Martins/O Jornal)
Sequência de tragédias
O advogado avaliou o caso como uma sequência de tragédias. Geraldo era casado e tinha um filho paraplégico, situação que ele não aceitava. Quando a criança tinha 8 anos, o pai sofreu um grave acidente que o deixou tetraplégico, em 2009. No mesmo ano, outro irmão dele morreu em um acidente. “Ele não se conformava e entendia que ele era quem deveria ter morrido, então começou a pensar seriamente em se matar”, contou o advogado.

Geraldo pediu para a mulher sair de casa e quando ela se foi com o filho ele passou a ser cuidado por Roberto.  A partir daí a vítima passou a exigir que o irmão o matasse. Roberto, por sua vez, não suportava ver o irmão naquela situação. Ele tinha problemas físicos graves, sentia dor ao passar a sonda para poder urinar e também estava deprimido, prisioneiro do próprio corpo.

“Geraldo, Roberto e o sobrinho planejaram a morte. É uma situação bastante intensa em que você tem fundamentalmente um individuo muito pressionado e coagido pelas circunstâncias, que não tinha outra alternativa senão cumprir como designo do irmão”, disse o advogado.

Após o crime, a polícia pediu a prisão temporária de Roberto. Pouco tempo depois ele foi solto para responder pelo crime em liberdade.
Geraldo foi morto pelo irmão em casa após falto assalto (Foto: Reprodução EPTV)Geraldo foi morto pelo irmão em casa após simulação de assalto em Rio Claro (Foto: Reprodução EPTV)

Governo sobe para R$ 225 mil preço do imóvel do Minha Casa, Minha Vida


Limite das faixas 2 e 3 vale para as regiões metropolitanas do DF, RJ e SP.
Para regiões metropolitanas do CO, N e NE, teto sobe para R$ 180 mil.

Alexandro MartelloDo G1, em Brasília
O Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) aprovou nesta terça-feira (27) novos limites de preços para os imóveis da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida, cujas contratações, segundo Elton Santa Fé Zacarias, secretário-executivo do Ministério das Cidades, podem ter início ainda no fim deste ano.
imóveis JORNAL HOJE (Foto: TV Globo)Governo havia corrigido tetos dos imóveis pela última vez em 2012 (Foto: TV Globo)
A última vez que os preços máximos dos imóveis do Minha Casa Minha Vida, programa habitacional do governo, haviam sido corrigidos foi no ano de 2012. O preço máximo dos imóveis do programa, que vale para as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, passou de R$ 190 mil para R$ 225 mil, informou.
saiba mais

Nas regiões metropolitanas, ou seja, nas maiores cidades, das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o valor máximo passou a ser de R$ 180 mil, e nas regiões metropolitanas do Sul, de Minas Gerais e do Espírito Santo, passou para R$ 200 mil.
Para os municípios abaixo de 20 mil habitantes, o teto passa a ser de R$ 90 mil. O secretário-executivo do Ministério das Cidades não soube informar o preço máximo anterior para estes imóveis.
3 milhões de unidades
Segundo Zacarias, do Ministério das Cidades, a meta de três milhões de unidades contratadas até 2018, anunciadas pela presidente Dilma Rousseff durante a campanha presidencial do ano passado, "depende muito mais de questões orçamentárias do que legais". Ele explicou que não haverá uma Medida Provisória fixando esta meta.
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VALOR MÁXIMO DOS IMÓVEIS
Regiões metropolitanas de
SP, RJ e DF
R$ 225 mil

Regiões metrolitanas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste
R$ 180 mil

Reiões metropolitanas
do Sul, MG e ES
R$
200 mil
Cidades com menos
de 20 mil habitantes
R$
90 mil
 "Não tem mais meta física. Não vai haver mais Medida Provisória. A meta dela [presidente da República] continua sendo os três milhões de contratações. Se ela [Dilma Rousseff] quiser mandar uma MP escrevendo isso, tudo bem", declarou o secretário-executivo do Ministério das Cidades, explicando que o governo deverá trabalhar com decretos presidenciais e portarias interministeriais para regulamentar o programa.
Novas regras
Em setembro, o governo mudou as regras para financiar imóveis pelo programa Minha Casa, Minha Vida, em anúncio feito pelo Ministério das Cidades. As principais mudanças são a criação de uma faixa intermediária de renda, entre R$ 1.800 e R$ 2.350, e o aumento dos juros cobrados para famílias que recebem a partir de R$ 2.350 por mês.
As novas regras só serão válidas para novos contratos e devem fazer parte da terceira etapa do programa, ainda sem data para ser lançado. O Minha Casa, Minha Vida permite a beneficiários de várias faixas de renda financiar a casa própria a juros mais baixos que as taxas cobradas no mercado.
De acordo com nota divulgada pelo Ministério das Cidades, o valor limite de renda para se beneficiar da faixa que oferece casas totalmente subsidiadas pelo governo passará de R$ 1,6 mil para R$ 1,8 mil. As prestações continuarão a ser pagas em 10 anos. Esses beneficiários não pagam juros.
Para famílias que recebem até R$ 800, a parcela será de R$ 80; quem recebe entre R$ 800 e 1,2 mil, pagará 10% da renda; para renda entre R$ 1,2 mil a R$ 1,6 mil, o percentual será de 15%; e para renda entre R$ 1,6 mil a R$ 1,8, será de 20%.
A faixa intermediária criada pelo governo, chamada de faixa 1,5, terá subsídio de até R$ 45 mil do governo. O beneficiário que se encaixar nessa categoria terá que pagar taxa de juros de 5% ano.
Os juros a partir da chamada faixa 2 serão aumentados. Famílias com renda de até R$ 2.700 terão juros de 6% ao ano. As com renda de até R$ 3.600, 7%. Atualmente, quem ganha até R$ 2.455, paga 5% ao ano. Já quem tem renda entre R$ 2.455,01 e R$ 3.275 paga 6% ao ano.
Na Faixa 3, também haverá aumento de juros. Quem recebe até R$ 6.500, pagará juros anuais de 8%. Hoje, são cobrados até 7,16% de juros ao ano para quem ganha até R$ 5 mil.

Não quero pagar o pato!


A campanha “Não vou pagar o pato”, contra a alta carga tributária e a volta da CPMF, me reconectou com os meus modelos favoritos de ativismo social

RICARDO NEVES| DA PRAIA DA COPACABANA
27/10/2015 - 13h27 - Atualizado 27/10/2015 13h39
Manhã de domingo. Na minha caminhada matinal na praia vou encontrando grupos de crianças com dezenas de patinhos amarelos se esbaldando no mar e na areia. Lá longe identifico um pato amarelo enorme, quase quatro andares de altura, se esparramando pela areia na divisa entre Leme e Copacabana.
Me aproximo daquele pato tamanho godzila e entro em contato com um grupo tranquilo de ativistas. Não é exatamente uma massa de manifestantes. São talvez duas centenas. Não há no ar nem uma vírgula daquela tensão black bloc. Pelo contrário. Os manifestantes circulam animadamente entre passantes e banhistas, na areia e no calçadão. Distribuem seus folhetos e perguntam se há interesse em aderir ao seu abaixo assinado.
Pato da campanha "Não vou pagar o pato" (Foto: Arquivo Pessoal)
Sem arengas, sem palavras de ordem típicas de passeatas e manifestações políticas, o ato cívico transcorre sereno e alegre. Parece que o enorme pato amarelo, secundado por mais de dois mil patinhos distribuídos para a alegria das crianças, anima, alegra e já explica tudo.
E tudo isso me encanta como uma amostra de alternativa no sentido de que é possível fazer e estimular atos cívicos de oposição ao status quo de maneira positiva, criativa e esperançosa.
A campanha “Não vou pagar o pato” busca conscientizar a sociedade sobre a alta carga tributária do país e pretende evitar que a proposta de retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) seja aprovada no Congresso.
Carregando por aí o seu pato godzila, a campanha já colheu mais de 850 mil assinaturas. Aguarda chegar à marca do milhão para levar seu manifesto ao Congresso.  
Nos anos 1980, o Brasil já foi chamado de Belíndia, mistura da rica e minúscula Bélgica com a enorme miserável Índia. Hoje os brasileiros estão exaustos do padrão Escandináfrica, impostos de país escandinavo e devolução de serviços públicos de qualidade país africano.
O Brasil tem aproximadamente 7,9 milhões de empresas em operação, das quais mais de 4 milhões inadimplentes, de acordo com estatísticas até o final de agosto da Serasa Experian, dona do maior banco de dados sobre crédito no Brasil.
Essas empresas devem aos bancos, ou deram cheques sem fundos, ou tiveram títulos protestados ou enfrentam ações judiciais por falta de pagamento a fornecedores ou funcionários ou entraram em recuperação judicial pedindo prazo para negociar com credores.
Nove em cada dez inadimplentes são empresas de micro e pequeno portes, as quais são responsáveis por 56% dos empregos. Metade delas está na região Sudeste. O total da dívida das empresas até agosto era de R$92 bilhões. É certo que o setor privado feche o ano cruzando a marca de R$100 bilhões em dívidas, quase o mesmo número do deficit do governo federal.
A situação de inadimplência das pessoas físicas não poderia diferente. Também de acordo com a Serasa Experian, considerando até o mês de agosto, são 57,2 milhões de pessoas endividadas com bancos, especialmente devido a financiamento de carros e imóveis, com o varejo e com contas em atraso de luz, água, telefone. Representam 39% da população brasileira adulta e devem R$ 246 bilhões.
Tem gente que acha que as coisas só mudam no porrete e na ponta do fuzil. O evangelho da violência para mudar o status quotem seus apóstolos igualmente à direita e à esquerda.
“Nós queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo”, dizia o poeta italiano Marinneti, que foi para a História como inspirador de vários ismos à direita, como o fascismo, o nazismo e o franquismo.
“Criar um, dois, três, mil Vietnãs” foi frase usada de forma recorrente por Che Guevara para explicar sua missão pelos quatro cantos do mundo e que se tornou o slogan básico da teoria revolucionária desenvolvida pelo francês Regis Debret, que consistia em criar focos de insurreição pelo mundo afora e que por isso foi batizada de Foquismo. Esta teoria se tornou uma das variantes do evangelho de São Karl Marx; que acreditava que a “violência era a parteira da História”, crença muito cara à esquerda armada como tática de enfrentar a ditadura militar nos anos 1970.
Sem ser um pacifista, sempre fui crítico da violência, seja essa tática ou estratégica. O pato em Copacabana me reconectou com os meus modelos favoritos de ativismo social. Posso parecer bobo, mas o patão, as crianças e os patinhos me trouxeram à mente nomes como Gandhi, Martin Luther King, Henry Thoreau, Ulysses Guimarães.
A propósito, deixei lá minha assinatura no abaixo assinado do pato.

Rede social não é lugar para criança


Uma pesquisa mostra que mais de 60% das crianças brasileiras com 7 a 12 anos se expõem em serviços como Facebook e WhatsApp. Episódios como o ocorrido no programa "MasterChef" mostram por que nenhuma delas poderia estar ali

BRUNO FERRARI, IGOR UTSUMI E ANA HELENA RODRIGUES
27/10/2015 - 20h01 - Atualizado 27/10/2015 20h14
CURIOSO Kauã, de 8 anos, entrou no Google para buscar a palavra  “sexo”. Os pais o observavam,  à distância, e  falaram com ele (Foto: Letícia Moreira/EPOCA)
As duas edições do programa MasterChef, exibido pela Band desde 2014, foram um sucesso nas redes sociais. Serviram de bom exemplo do fenômeno conhecido como segunda tela – quando o espectador assiste à TV enquanto comenta na internet sobre o que está assistindo. Os participantes e jurados viraram celebridades instantâneas na rede. Isso criou grande expectativa para oMasterChef Júniorcom participantes entre 9 e 13 anos. O primeiro episódio foi ao ar na semana passada. Mas a segunda tela, desta vez, tornou-se um cenário de horror. Amparados na falsa ideia de que a internet é uma terra sem lei, usuários poluíram o Twitter com mensagens de incentivo à agressão sexual e à homofobia. Garotos de 10 anos foram chamados de “bichas” e “viados”. Os comentários mais chocantes trataram da participante Valentina Schulz, de 12 anos. “A culpa da pedofilia é dessa mulecada (sic) gostosa”, escreveu @kemper_guedes. “Sobre essa Valentina, se tiver consenso é pedofilia?”, escreveu @andersoberano. O nome da garota foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter. “Estávamos preparados para o assédio, mas não imaginávamos encontrar tarados”, disse o publicitário Alexandre Schulz, pai de Valentina, ao portal iG. “Teve gente que pediu que ela mandasse foto nua.”
Os culpados nesse tipo de ataque, é óbvio, são os assediadores e agressores, e não as vítimas e suas famílias (leia a coluna de Ruth de Aquino). O problema é que a maioria dos pais parece subestimar os riscos. Engana-se quem pensa que o problema com Valentina ocorreu apenas por ela estar em evidência na televisão.O assédio a menores em redes sociais e aplicativos ocorre em tempo integral. Uma pesquisa obtida com exclusividade por ÉPOCA mostra que ainda são poucos os pais e responsáveis por crianças no Brasil que impõem regras de uso na internet para seus filhos. O estudo, coordenado pela consultoria paulistana Officina Sophia, ouviu 1.000 crianças, entre 7 e 12 anos, que usam a internet, em diferentes capitais brasileiras, sempre acompanhadas de um maior de idade. Do total, 65% disseram não ter regras ou tempo determinado para acessar a internet.
Faltam dados precisos sobre assédio digital – os responsáveis não costumam denunciar, por medo de expor os filhos ou prolongar o episódio. Mas evidências não faltam. A consultora de mídias sociais Liliane Ferrari já trabalhou para marcas de roupas infantis. Mãe de uma menina de 9 anos, ela ficou chocada ao analisar os dados de tráfego nos sites dessas marcas. “Durante a madrugada, crescia o acesso às páginas que mostravam crianças em roupa de banho e pijama”, diz. “As pessoas chegavam a essas páginas buscando no Google por expressões impronunciáveis.” No início de outubro, a revista inglesa The Economist publicou um levantamento com o site de pornografia PornHub, mostrando qual era a palavra mais buscada por usuários de diferentes países. No Brasil, a expressão mais popular foi “novinha”, originária do funk e usada para identificar garotas adolescentes ou mulheres com características muito juvenis.

>> Leia também: A era da grosseria online
A advogada e pedagoga Cristina Sleiman, consultora do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, atende regularmente em seu escritório pais cujos filhos foram assediados em redes sociais. Ela explica que uma tática comum dos criminosos é descobrir, pelo próprio serviço, o nome dos pais do menor. Depois, exigem que a vítima envie fotos sem roupa, sob ameaça de matar seus pais.“Imagine isso sendo dito a uma criança de 8 anos”, diz Cristina. “Elas costumam mentir para os pais durante um tempo, com medo de que algo aconteça. Quando contam, o estrago já está feito.” Em julho, o site de ÉPOCA contou a história da carioca Eduarda*, que permitia que sua filha Cecília*, de 10 anos, mantivesse uma conta no Facebook “por pressão dos amiguinhos”. Um dia, a menina contou, assustada, que havia recebido uma mensagem de um estranho. Ao acessar o perfil da criança, a mãe encontrou 92 pedidos de amizades de desconhecidos. Decidiu continuar a conversa com o estranho, que a assediou mesmo pensando ser uma criança de 10 anos. A mãe apagou a conta da filha.
Para evitar casos assim, a maior parte das redes sociais estabelece uma idade mínima para o usuário. Está nas regras do Facebook:“Você não deve usar o Facebook se for menor de 13 anos”. O mesmo vale para Instagram, Pinterest, Snapchat e Twitter. No YouTube, crianças podem assistir, mas apenas adolescentes a partir de 13 anos podem criar um canal. O WhatsApp define limite maior, de 16 anos. ÉPOCA conversou com dezenas de responsáveis por crianças nas últimas semanas. A maioria desconhece os limites de idade e disse permitir que seus filhos acessem algumas redes sociais e aplicativos de mensagens. É um fenômeno global. No Brasil, segundo o estudo da Officina Sophia, ao menos 62% das crianças entre 7 e 12 anos usuárias de internet acessam uma rede social. Espontaneamente, mencionaram Facebook, WhatsApp, YouTube, Twitter e Snapchat. Nenhuma delas poderia usar nenhum desses serviços.
VERGONHA Valentina (no centro) em prova do programa MasterChef Júnior. Usuários do Twitter assediaram a garota de 12 anos (Foto: divulgação)
Diversas razões levam os responsáveis a deixar menores de 13 anos criar contas em redes sociais. O mais comum é alegar que os colegas de escola fazem isso. Em Baldim, Minas Gerais, a cabeleireira Helena* observa suas filhas Maria*, de 10 anos, e Ana*, de 6, brincando em seus perfis no Facebook. Segundo Helena, a filha mais velha costuma entrar na rede social para curtir páginas de filmes. Ela também troca mensagens por WhatsApp com os colegas de escola. “A caçula não sabe ler direito, mas coloco algumas fotos dela com a irmã”, diz Helena. Ela receia que as filhas encontrem conteúdo impróprio ou sofram algum tipo de assédio e acredita tomar todas as medidas para protegê-las. “Por mim, ninguém tinha nada, mas abrimos mão por todo mundo ter conta no Facebook e celular com WhatsApp. A gente se sente pressionada para evoluir também”, afirma.

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Outros pais acham que os filhos estão seguros por usar sistemas de controle parental e conversar sobre o tema. A analista de logística Eliana Silva, mãe de Kauã, de 8 anos, descobriu que não é bem assim. O garoto usa o computador para jogar e assistir a vídeos. Desde cedo, Maurício, o pai, que trabalha com tecnologia da informação, orienta o filho sobre o que ele pode e não pode fazer on-line. Há poucos meses, por um desencontro nas agendas de trabalho dos pais, Kauã precisou ficar sozinho em casa por um breve período. O menino achou que poderia navegar incógnito pela internet, mas o pai estava usando um software que espelha a tela do PC de casa no computador do trabalho. “Foi só o pai sair de casa que ele abriu o Google e digitou a palavra ‘sexo’”, diz Eliana. O pai telefonou e perguntou ao filho o que ele estava fazendo. A criança respondeu genericamente que estava brincando. Mesmo com a insistência do pai, continuou a negar que estivesse no computador. “Eles ficaram no telefone até a hora em que eu cheguei”, afirma Eliana. “Quando o pai voltou, conversamos sobre a idade adequada para ter interesse por esse tipo de assunto e ele entendeu que tínhamos acesso a tudo o que ele fazia no computador.”
O risco das redes (Foto: Fonte: Officina Sophia/HSR Specialist Researches)
O caso revela muito sobre a mente infantil. A curiosidade é natural e saudável, e deve ser estimulada. Mas os pais têm de acompanhar as ações dos filhos e suas descobertas. Isso vale na rua e também nos ambientes virtuais. “É importante que as crianças aprendam o conceito de público e privado”, diz Patrícia Cintra, diretora pedagógica da Escola Eduque, de São Paulo. “Uma vez que elas colocam uma foto ou um conteúdo qualquer em seus perfis, pode ser impossível voltar atrás.” A escola tem alunos de até 11 anos e não permite o uso de smartphones durante o período de aula. Incentiva o acesso a tablets, mas com aplicativos e rede próprios. “Mesmo quando a família tem um perfil coletivo, deixamos claro para os pais essa relação entre o público e o privado.”

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Frequentemente, os próprios responsáveis expõem demais os filhos nas redes sociais. Não veem problema em publicar imagens de crianças usando pijamas, tomando banho ou usando roupa de praia. “Os pais estão deslumbrados com a tecnologia, andam para lá e para cá com o pescoço abaixado, olhando o smartphone”, diz Naira Maneo, diretora da Officina Sophia, responsável pela pesquisa. A falta de discernimento chega a extremos. Em julho, um tribunal de Évora, em Portugal, proibiu os pais de uma menina de publicar fotos da filha no Facebook.“Tão natural quanto garantir a saúde e a educação dos filhos, é o respeito pelo direito à imagem e à reserva da vida privada”, afirmou o juiz.
CUIDADO Karina e Clara, na cama. A menina, de 9 anos, não pode usar redes sociais e tem horário restrito para usar a internet  (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
O problema, muitas vezes, não nasce em casa, e sim na escola. A empresária paulistana Karina Gentile, mãe de Clara, de 9 anos, ficou surpresa ao descobrir que uma professora de sua filha havia criado um grupo de WhatsApp para se comunicar com seus alunos. Aplicativo, vale lembrar, permitido apenas a maiores de 16 anos. Na primeira noite, um garoto da sala enviou 77 fotos dele para o grupo e foi criticado pelos colegas. A empresária define para a filha regras restritivas de acesso à tecnologia e a deixou fora do grupo criado pela professora. A menina acessa a internet, pelo tablet, uma hora por dia, três vezes por semana. Redes sociais são proibidas. Clara só acessa o YouTube, e supervisionada pelos pais. “Podem me chamar de radical. Mas acho que para tudo tem seu tempo – para as bonecas, o livro, o tablet”, diz a mãe. A proibição não é apenas por segurança. Leva em conta o desenvolvimento de habilidades da menina. Karina teme os exageros. “Hoje, as crianças ganham num só aniversário o tanto de brinquedos que os pais ganharam na infância inteira”, afirma.

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Não se questionam os benefícios oferecidos pela tecnologia. Mas seus eventuais efeitos colaterais exigem avaliação. O assédio virtual, como no caso do programa MasterChef Júnior, é só um dos problemas que as redes sociais podem acarretar, com o crescente uso por crianças com menos de 13 anos. Elas são também expostas a cyberbullying e podem ser usadas por sequestradores e ladrões na busca de informações pessoais sobre a família. Há alguns sinais alentadores. Uma pesquisa da empresa de segurança digital Kaspersky mostrou que a preocupação dos pais com o acesso dos filhos às redes sociais vem aumentando. Em 2013, somente 22% dos responsáveis se diziam receosos de seus filhos acessarem esses serviços. Em 2015, essa parcela aumentou para 54%.
A estratégia dos pais não deveria ser tratar a internet e os aplicativos como vilões. É preciso tratar as redes sociais como qualquer área ou atividade de risco existente no mundo físico.“Minha filha não pode mexer no fogão, sair de casa sozinha e usar o Facebook”, diz a consultora de redes sociais Liliane. Alguns pais receiam que os filhos possam se tornar inocentes e atrasados, diante de uma geração de crianças conectadas – como se não acessar redes sociais pudesse criar uma espécie de bolha isolante. Os conectados a esses serviços não se tornam mais proficientes em nenhuma habilidade fundamental. Eles são meras ferramentas de comunicação. Quando chegar à idade em que pode interagir sozinho com estranhos e com o mundo, o adolescente saberá decidir como usá-los.