CLINICA DE HEMODIÁLISE de Colombo já é uma realidade


Dr. Ricardo Ackel, Beti Pavin, Dra. Carolina Caprioti,  Nilton Mello  e Dr. Fabio Ogata


A prefeita Beti Pavin e seu Secretário Municipal de Saúde, Dr. Fernando Aguilera e o Sr. Nilton Luiz C. de Mello, presidente da ONG Parceiros do Rim, estiveram nessa quarta feira 25, visitando as futuras instalações da nova clinica de hemodiálise do Grupo Instituto do Rim que está sendo construída em anexo  a Policlínica Guaraituba sito a Rua Nicolau Scheleder do Carmo, 186 do lado do Terminal do Guaraituba. Temos em nossa cidade mais de 80 pacientes que realizam o tratamento hemodialítico em Curitiba e Campina Grande do Sul.

Os doutores Ricardo Acke, e Fabio Ogata, sócios do empreendimento disseram á nossa reportagem que a intenção do grupo é levar o tratamento mais perto dos pacientes, pois entendem que assim colaboram para a qualidade de vida dos mesmos.

A unidade contará com 24 maquinas  que podem atender 144 pacientes mês, também contará com ambulatório para atendimento de pacientes em tratamento conservador e transplantes.

A prefeita Beti Pavin, se colocou a disposição para realizar toda sinalização viária em frente a unidade.

Dr. Fernando Aguilera, também se colocou a disposição para ajudar no que for preciso para ajudar no credenciamento junto ao SUS.

A previsão é para que no dia 12 de dezembro, seja inaugurada para apresentação á comunidade e autoridades locais  estaduais.




Primeiro paciente à ser atendido na reabertura da Santa Casa - vídeo


Na reabertura da Santa Casa de Colombo no dia 23/11, o SR. José Pereira,   morador no bairro São Dimas, aposentado e membro do Conselho Municipal de Saúde foi o primeiro paciente a ser atendido,   em uma consulta com uma nutricionista. Disse ao nosso blog que ficou super feliz, pois é um batalhador pela qualidade do atendimento do SUS em nossa cidade.

Veja a entrevista abaixo...






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A operação suspeita da Petrobras que Delcídio temia que Nestor Cerveró delatasse


Documento da estatal obtido por ÉPOCA mostra detalhes de um negócio suspeito de compras de turbinas da empresa Alstom

ALANA RIZZO
27/11/2015 - 22h32 - Atualizado 27/11/2015 22h32
senador petista Delcídio do Amaral e seu assessor Diogo Ferreira já estavam havia mais de 40 minutos naquela conversa com o advogado Edson Ribeiro e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, em um quarto de hotel em Brasília, quando Delcídio demonstra preocupação com um caso. “Tem várias anotações e na última página tem assim: ‘acordo 2005 Suíça’, e ele bota assim ‘Alstom’”, diz Delcídio. Ele citava trechos de anotações feitas pelo próprio Cerveró sobre uma cópia de seu depoimento no acordo dedelação premiada, ainda em segredo, mas já em poder do banqueiro André Esteves. Edson e Bernardo dizem que Cerveró não fala sobre o assunto aos investigadores da Operação Lava Jato. Lembram até um acordo de Cerveró com as autoridades da Suíça para não ser processado pelo caso Alstom. O senador, então, conclui que havia um “dinheiro da Alstom” no exterior, que Cerveró não tinha lhe comunicado. “Ah, foi por isso que ele fez o acordo?”, diz Delcídio. “Entendi. Ele nunca me falou isso.”
O Senador Delcídio do Amaral  (Foto: Época )
O episódio que tomou 15 minutos da conversa ocorreu em 2000, quando o então diretor de Gás e Energia da Petrobras, Delcídio Amaral, e o então gerente de projetos em termelétricas, Nestor Cerveró, colocaram em prática o Programa Emergencial de Termelétricas, que consistia na compra de turbinas e implantação de 29 projetos de termelétricas para acelerar a produção de eletricidade. Documentos confidenciais obtidos por ÉPOCA mostram que a dupla pediu capital extra da Petrobras, criou excepcionalidades nos contratos e comprou sem justificativa equipamentos que ficaram abandonados. Fizeram compras sem licitação e sem submeter à análise de outras áreas da estatal. Fizeram um mau negócio, reconhecido depois pela Petrobras, em parceria com a multinacional franco-suíça Alstom, que já pagou multas de mais de US$ 700 milhões nos Estados Unidos por bancar propinas em diversos países, inclusive o Brasil.
Em 4 de setembro de 2000, um dos contratos para a compra das turbinas, realizada sem concorrência pública, foi aprovado. Entre outras excepcionalidades, a Petrobras negociou diretamente com a Alstom o fornecimento de quatro turbinas a gás para a termelétrica Piratininga, em São Paulo, e outras quatro com a GE para o projeto Três Lagoas. O custo inicial era de US$ 100 milhões. Em 31 de agosto de 2001, outro contrato foi assinado com a Alstom, em regime de urgência e sem análise pelas áreas competentes. “Os documentos contratuais não seguiram os padrões da Petrobras, mas, sim, os padrões da Alstom”, diz o relatório da Diretoria de Gás e Energia, aprovado pela Diretoria Executiva da Petrobras em 2006 (leia abaixo). A preferência por fazer tudo sem concorrência e comprar direto dos fornecedores, sem intermediários, era justificada por Delcídio e Cerveró como uma maneira de comprar mais barato.
. (Foto: .)

A  gravação revelada na semana passada levanta suspeitas sobre o negócio. Essas suspeitas chegaram ao Supremo Tribunal Federal. Ao determinar a prisão de Delcídio, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que Cerveró omitira revelações sobre a compra das turbinas para proteger Delcídio e reforçou que o senador tinha algo a esconder.
A negociação com GE contou com o envolvimento do lendário CEO Jack Welch, a quem Delcídio chega a recorrer através de um email em julho de 2000. Escreve Delcídio: “Enquanto entendemos a situação de suas fábricas, estamos impressionados com o seu compromisso com o consumidor e pedimos sua intercessão pessoal para chegar a uma solução criativa para nossa necessidade. Caso consiga resolver essa questão, estamos preparados para nos comprometer em garantir essas unidades imediatamente. Estou seguro que não é um asunto que normalmente envolve o seu escritório mas a pressa e a importância para minha empresa e meu país exigem que eu não perca tempo para garantir a melhor resposta no menor tempo possível. Também é necessário que essa solicitação seja considerada sensível pela natureza do que estamos tentando fazer. Há implicações comerciais e políticas." A carta termina assim: "Estou muito esperançoso de que você irá me assistir nesse problema. Com meus sinceros cumprimentos e admiração, Delcídio Amaral.” O contrato de 153,9 milhões de dólares foi aprovado por Delcídio em 25 de julho de 2000.
Trecho da carta de Delcídio a Jack Welch, CEO da GE. Delcídio pede a Welch que interceda e compreenda as implicações políticas da negociação (Foto: reprodução)
A Petrobras preferiu não se manifestar. A GE, controladora da Alstom, afirmou em nota que “não comenta especulações, uma vez que nem mesmo teve acesso aos respectivos documentos. A GE reforça seu compromisso com a integridade e cumprimento das leis”.

Tite, sobre a seleção brasileira: “Não vou entrar nessa”

"Mais do que com o 7 a 1, é preciso se preocupar com a identidade do futebol brasileiro. Qual é a forma de jogar que queremos adotar?”
"Mais do que com o 7 a 1, é preciso se preocupar com a identidade do futebol brasileiro. Qual é a forma de jogar que queremos adotar?”(Daniel Kfouri/VEJA)
Raro, para não dizer impossível, um treinador de futebol agradar aos torcedores de seu clube e ao mesmo tempo conquistar o respeito dos adversários. Adenor Leonardo Bachi, o Tite, 54 anos, gaúcho de Caxias do Sul, conquistou essa dupla condição. A quatro rodadas do final do Campeonato Brasileiro, ele levou o Corinthians ao título, com uma campanha irretocável. Somando-se à vitória do Brasileirão de 2011, a Libertadores e o Mundial de 2012, virou unanimidade entre os alvinegros que, em períodos de baixa, chegaram a alcunhá-lo de "empatite", dada a imensa quantidade de jogos insossos. O sucesso de Tite o faz, automaticamente, virar nome na ponta da língua para o lugar de Dunga na seleção brasileira, se for mesmo o caso de substituí-lo.
Afinal de contas, treinador vence jogo?
Participa, é peça fundamental. Mas também erra muito. Em um jogo contra o Coritiba eu chamei o Edílson (lateral do Corinthians) para passar uma instrução e tomamos um co­ntra-ataque. Olhei para o banco e me desculpei: "Fui eu, estou sabendo".
Correto, treinador então pode fazer um time levar gols. Mas o título brasileiro do Corinthians põe o senhor como um grande vencedor, e autoriza uma hipótese: seleção brasileira, sim ou não?
Não vou entrar nessa condicional, pois sei muito bem a polêmica que pode gerar. Quero curtir este momento no Corinthians. Curtir o trabalho realizado e colher os frutos do meu ano sabático, em 2014, estudando o futebol europeu.
Dizer não à seleção é postura ética ou confiança no Dunga?
Não posso responder. Qualquer palavra que eu coloque vai ser passível de interpretação, e tu sabes bem o canhão que ele (Dunga) é… A minha contribuição para o futebol brasileiro, por ora, é essa, com os bons resultados do Campeonato Brasileiro.

PT foi varrido por "tsunami", diz Eduardo Suplicy


Ruth Costas
Da BBC Brasil em São Paulo

  • Paulo Pinto - 2.fev.2015 / Fotos Públicas
    Eduardo Suplicy ao tomar posse como secretário municipal de Direitos Humanos em SP
    Eduardo Suplicy ao tomar posse como secretário municipal de Direitos Humanos em SP
Eduardo Suplicy, senador por 24 anos e hoje secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, diz ter sido atingido pelo que define como um "tsunami" que varreu o PT nos últimos meses.

Um dos políticos da sigla com melhor imagem perante a opinião pública, Suplicy é tido como íntegro e idealista - embora, para alguns críticos, também um pouco ingênuo ou "contraditório".

Foi, em 1991, o primeiro senador eleito pelo PT, partido que ajudou a fundar nos anos 80. No Congresso, redigiu pedidos de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que resultariam no afastamento do então presidente Fernando Collor e no escândalo dos Anões do Orçamento. No governo Lula, contrariou uma diretriz da legenda e assinou, chorando, o pedido de criação da CPI dos Correios, que escancararia o escândalo do mensalão.

Com um estilo pouco convencional, recebe cumprimentos e pedidos de foto por onde passa. Mas a boa imagem não foi suficiente para reelegê-lo no ano passado, quando perdeu a cadeira no Senado para José Serra (PSDB). Ele atribui a derrota justamente a esse "tsunami" antipetista.

Depois da eleição, muitos simpatizantes vêm abordando Suplicy nas ruas e redes sociais pedindo que deixe o PT. Em outubro, porém, ele chegou a ser hostilizado durante um debate numa livraria. "Um grupo de 10 ou 12 pessoas começou a gritar, de maneira bastante ofensiva, 'Suplicy, vergonha do Brasil'", lembra.

Em entrevista à BBC Brasil, ele falou sobre corrupção, a prisão do senador Delcídio Amaral, a filiação da ex-mulher, a senadora Marta Suplicy, ao PMDB, e nomes petistas que poderiam ser alternativas a Lula na disputa pela Presidência em 2018. Confira os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil - O senhor sempre abraçou a bandeira da ética e, em função dos escândalos recentes, é abordado por pessoas que pedem que deixe o PT. Por que permanece?

Eduardo Suplicy - Se houve problemas sérios com algumas pessoas em uma organização com mais de um milhão e meio de filiados, avalio que é da minha responsabilidade procurar prevenir e corrigir os erros, onde eu estiver. Por exemplo, hoje estou aqui na secretaria, onde agimos com correção e transparência. O mesmo vale para o prefeito Haddad, que criou uma controladoria para prevenir problemas.

Se você olhar meu Facebook, a maioria das mensagens é de apoio, positivas. Há, de fato, aqueles que falam: "Como você ainda está no PT? Gostaria que deixasse o partido." Respondo isso: me sinto na responsabilidade de buscar prevenir e corrigir os erros. Por exemplo, quando era senador, apresentei projetos propondo que toda e qualquer contribuição (de campanha) fosse registrada na página eletrônica dos candidatos e partidos.

Em 2002, numa reunião do diretório nacional do PT, o deputado Chico Alencar (hoje no PSOL) também propôs transparência total das contribuições. Eu o apoiei. Conversei com o Delúbio (ex-tesoureiro do PT) que disse que isso poderia inibir a doação da parte de algumas empresas. Se tivéssemos aprovado o que sempre defendi...

Fui convidado a ser um dos fundadores do PT porque tinha afinidade com os propósitos do partido: construir uma nação mais justa, dando voz e vez àqueles que por tanto tempo estiveram excluídos da sociedade. E fazer isso com democracia, liberdade de expressão, retidão ética. Estes princípios são os que defendo até hoje.

Mas não fica difícil defender a ética em um partido envolvido em escândalos dessa magnitude? Colegas com os quais o sr. tem afinidade deixaram o partido: a Luíza Erundina (PSB), a Heloísa Helena (PSOL), a própria Marta (PMDB).

Tenho todo o respeito e muita afinidade com pessoas como a Heloísa Helena, a Luiza Erundina. Também respeito a decisão da Marta de sair do PT, mas achei que não era o caso de seguir o mesmo caminho. Prefiro continuar no PT, em cujos propósitos de fundação eu acreditei e acredito.

Reitero que, sim, erros graves, gravíssimos, aconteceram. Eu sempre lembro as palavras do Lula: "Parece que Deus é brasileiro, ajudou a Petrobras a encontrar essa extraordinária reserva petrolífera que vai nos permitir em breve erradicar a pobreza e melhorar a educação". De repente, vemos pessoas na Petrobras se enriquecendo de forma ilícita, desviando recursos que deveriam ser canalizados para o bem do povo. É um erro gravíssimo.

Mas acho que, felizmente, temos os instrumentos no Brasil (para lidar com isso). Desde a Polícia Federal, que tem a cooperação da Controladoria Geral da República e do governo, até a Advocacia Geral da União, os órgãos da Justiça. É muito importante que todos os que foram apontados como responsáveis por desvios sejam responsabilizados. Eles precisam ter seu direito de defesa assegurado, mas quem procedeu com incorreções precisa ser punido.

Se pessoas (com as quais convivi) ao longo de minha vida no PT procederam com incorreção, me sinto entristecido. Isso me machuca profundamente. Mas não é que precise sair do PT. Posso ter para com eles uma compreensão. Qualquer ser humano pode errar. Mas precisa fazer tudo para não incidir novamente nesses erros. E nós, como organização, precisamos tomar as medidas para recuperar o que um dia foi uma das bandeiras mais importantes do PT: a defesa da ética. Sei que isso não será fácil, mas colaborarei no que puder.

E não foi apenas o PT que teve pessoas denunciadas por malfeitos. Praticamente em todos os partidos temos problemas. Então se uma pessoa sai do PT dizendo que tomou a decisão em função de incorreções, mas vai para outro partido no qual também está havendo problemas sérios, como fica?

O sr. parece estar se referindo a Marta. Como vê sua filiação ao PMDB?

Ela lá (no PMDB) estará tomando conhecimento de que algumas pessoas no PMDB agiram de forma muito inadequada. Como disse, respeito a decisão dela, mas é claro que ela está consciente desses episódios envolvendo lideranças do PMDB. Em especial, o presidente da Câmara (Eduardo Cunha). Acho que você pode perguntar a ela qual é sua posição sobre essa pessoa que é tão importante para o PMDB.

E a posição do PT sobre Cunha? Há a possibilidade de um acordo velado com o deputado?

Ainda hoje li nos jornais que a bancada do PT vai votar pelo afastamento de Cunha. Com isso, vai deixar clara a posição do partido sobre uma pessoa que afirmou no Conselho de Ética da Câmara que nunca teve contas no exterior. E depois a Justiça da Suíça expôs com clareza que ele e seus familiares movimentaram quantias muito grandes de recursos em contas no exterior, que certamente tiveram origem inapropriada.

É claro que é preciso resguardar o direito de defesa. Cunha terá e está tendo oportunidade de se defender. Mas cabe mencionar que o próprio relator (do processo sobre cassação), que é da sua base de apoio, fez um parecer favorável a apreciação das denúncias. Até o PSDB, que há um mês estava se aliando a Cunha visando afastar a presidente Dilma, hoje está declarando, pela voz do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ele precisa renunciar ou "será renunciado".

A Marta, claro, está lendo essas noticias e tem ciência de que não é apenas no PT que ocorreram procedimentos incorretos. Quando ela estava para sair do PT, em algumas ocasiões eu fui perguntado (sobre o que deveria fazer). Mas ela preferiu a respeito desse assunto não dialogar comigo. A respeito de nossos filhos queridos, nossos netos, sempre temos de dialogar. Agora, sobre decisão de vida política (não).

Então em uma disputa entre Haddad e Marta em São Paulo, o sr. apoiaria Haddad?

Sim. Ela sabe disso. Considero Haddad um bom prefeito, com bons propósitos. Reconheço trabalhos de grande mérito que Marta realizou na prefeitura, como a construção dos CEUS (Centros Educacionais Unificados), que continuam a ser criados e agora também têm recebido cursos superiores e para idosos.

Marta tem sido critica da atual gestão, mas eu, que estou vendo mais de perto, sei que tem méritos consideráveis. Ainda nesses dias têm saído boas noticias sobre a diminuição da velocidade nas marginais e outras vias de São Paulo: em 2015, houve uma redução significativa de mortes no trânsito. Também houve resistência quando foram colocadas as ciclovias, mas hoje a maior parte da população concorda que precisamos estimular o uso de bicicletas.

Por que os índices de popularidade de Haddad estão baixos, inclusive nas periferias?

Tenho a convicção de que a aprovação de Haddad vai crescer bastante em todas as regiões da capital. Quando chegar o momento das eleições, com os debates, os eleitores vão poder confrontar as palavras e argumentos do prefeito com os dos demais (candidatos). E aí ele tem uma chance enorme de crescer muito e vencer as eleições. Hoje, grande parte dos meios de comunicação tem uma certa postura (crítica) sobre ele...

O problema é que a mídia é injusta com o prefeito?

É normal que ocorram as críticas e que os jornalistas e veículos da imprensa queiram estar um mais atento que o outro para mostrar falhas na administração publica municipal. Nem sempre fazem isso com a mesma ênfase em relação ao governo do Estado, do PSDB. Mas sabemos que isso acontece.

Além disso, todos do PT estamos vivendo uma situação bastante difícil, em especial em São Paulo. Fui eleito para o Senado em 1990, 1998 e 2006. Em 2006, mesmo depois do mensalão, recebi mais de 8 milhões de votos.

Em 2014, fui um candidato forte, mas o que houve foi um verdadeiro tsunami sobre o PT em São Paulo. A presidente Dilma teve 25% dos votos por aqui, contra 70%, 80% no Nordeste. O nosso candidato a governador, Alexandre Padilha, teve 18%. Tive uma boa votação, de 6,7 milhões de votos, mas não suficiente para vencer. É da democracia. Tudo bem.

A que o sr. atribui esse tsunami contra o PT?

Por causa das denúncias ligadas a operação Lava Jato. criou-se uma imagem do PT muito negativa, principalmente nos lugares onde os grandes meios de comunicação estão sediados - e em especial em São Paulo. (Esses meios) destacaram muito isso junto a opinião pública e tivemos esse efeito que eu chamei de tsunami sobre o PT, mas acho que vamos dar a volta por cima.

Culpar a imprensa não é atirar no mensageiro por não gostar da mensagem?

Acho que houve críticas muito fortes em função de problemas que foram causados por nós mesmos. Reconheço isso. Mas o efeito foi tão forte que mesmo pessoas que não estavam envolvidas em malfeitos acabaram prejudicadas por ser do PT.

O senhor foi hostilizado em uma livraria por manifestantes críticos ao PT.

Foi durante um debate com Haddad. Havia umas 170 pessoas lá para ouvir, mas alguns queriam impedir o evento. Começaram a gritar, mostrar faixas contra o prefeito, mesmo antes do debate começar. Na hora de sair, estava concluindo uma entrevista e um grupo de 10 ou 12 pessoas começou a gritar, de maneira bastante ofensiva, "Suplicy, vergonha do Brasil".

Eu me aproximei deles, quis dialogar. Eles só gritavam. Então eu disse a uma das moças que tanto gritava: "Golpista". Desisti e sai. Mas se você me acompanhar a qualquer lugar, restaurante, cinema, teatro ou casa de espetáculo vai ver que sempre sou recebido com respeito e carinho. Ontem fiz uma palestra na Subprefeitura de Vila Maria e fiquei 30 minutos dando autógrafos.

Passou a evitar alguns lugares depois do episódio?

Não. Vou a todas as partes. Ainda no domingo fui almoçar num restaurante no Jardim Paulistano (área nobre de São Paulo), onde costumo ir com meus filhos. Ao longo do almoço pelo menos sete pessoas vieram me cumprimentar, pedir foto. Sobre o episódio do mês passado, muitas pessoas, em apoio a mim, até disseram que não iriam mais frequentar a livraria, mas a Livraria Cultura não tem nenhuma responsabilidade sobre o que aconteceu.

Como o sr. avalia a prisão de Delcídio do Amaral, líder do PT no Senado? Em que medida isso agrava a crise do partido?

Todos ficamos muito tristes, feridos com o episódio. Claro que é necessário se assegurar o direito de defesa do senador, ele terá chance de se explicar. Mas nas explicações que deu ontem à Polícia Federal (ele) confirma o diálogo gravado. Ele disse que teve uma "atitude humanitária" com relação ao (ex-diretor da Petrobras, Nestor) Cerveró. Pelo que se sabe até o momento, houve um procedimento indevido no qual teria oferecido um valor para a família (do diretor), condicionado a ele (Cerveró) não fazer uma denúncia.

Isso é inadmissível, um procedimento indevido que, se comprovado, exige sanções. E é mais um fato grave que a tinge o PT nesse contexto sobre o qual conversamos. Os membros do PT que avaliam que a ética e a retidão são essenciais no trato da coisa pública não podemos aceitar esse tipo de procedimento. Mas antes de tudo é preciso ter o conhecimento completo dos fatos.

Já faz alguns anos que o PT perdeu protagonismo na questão dos direitos humanos. Um marco foi quando o deputado Marcos Feliciano (PSC) assumiu a comissão de DH da Câmara. Como o sr. vê isso?

Olha é interessante observar que para essa tendência conservadora de alguns parlamentares tem havido, por outro lado, uma reação muito positiva e crescente na defesa dos direitos humanos por movimentos populares. O próprio Eduardo Cunha parece estar preocupado, dizendo que não é tão conservador assim. Ele escreveu um artigo na Folha (de S.Paulo) com esse propósito. Acho que a maior parte dessas iniciativas (da "agenda conservadora") vai ser barrada pelo Senado.

O senhor é a favor da volta de Lula em 2018?

Acho natural que, com sua trajetória, o presidente Lula se candidate novamente.

Em 2002, fui pré-candidato a Presidência. Pela primeira vez na história do Brasil um partido convidou seus filiados a votarem (para decidir seu candidato). Fiz uma visita a Lula e disse: "Alguns amigos dizem que devo ser candidato e estou considerando a possibilidade, mas se você achar que isso vai prejudicar o partido ou a você, desisto." Ele disse: "Eduardo, por tudo que você fez na vida e pelo partido, tem todo direito de se inscrever".

Também acredito que, se o Lula for pré-candidato, é possível que surjam outros - e é importante que haja um processo democrático.

Quais seriam as alternativas ao ex-presidente?

Felizmente, o PT tem muitos políticos que poderão ser pré-candidatos, como aqueles que foram governadores e têm sido ministros. Jaques Wagner, Tarso Genro, Jorge Vianna. Pessoas que foram prefeitos e prefeitas de grandes capitais (também). Se a Marta estivesse no PT, poderia até ser pré-candidata. Mencionei três possíveis nomes, mas poderia ter mencionado dez.

Lula também tem enfrentado uma queda de popularidade. Suas relações com construtoras têm sido alvo de questionamentos. Isso faz o PT pensar em alternativas?

A população reconhece os extraordinários méritos de Lula pelo que ele realizou ao longo da sua vida. Com respeito a esses episódios, ao mensalão, ao que aconteceu na Petrobras, é claro que isso tem um certo peso e algumas pessoas tentaram imputar ao Lula alguma responsabilidade.

Mas ele terá condições de dar explicações para cada um desses episódios, como já está fazendo, com entrevistas e pronunciamentos. É importante que ele responda (aos questionamentos). Estamos felizmente em uma democracia e tudo pode ser perguntado e esclarecido.

O senhor "põe a mão no fogo" por Lula?

Em toda minha convivência com Lula, muitas vezes ele ressaltou a importância da ética para o PT. Confirmo que ele tem um procedimento ético muito positivo. Se algum dia ocorreu alguma falha, ele precisa responder por isso e terá toda condição de fazê-lo.

Como salvar o PT do que alguns veem como uma crise moral... e do tsunami, como o sr diz?

Com esforço, determinação e consciência desses graves problemas por parte de cada um dos membros do PT, em cada lugar onde atuamos. Eu tenho minha responsabilidade na secretaria, para que aqui não se cometam erros e ações inadequadas. Isso dá muito trabalho. É preciso estar muito atento. Montar equipes sérias e competentes ao administrar recursos e assinar convênios com diversas entidades.

O PT tem algumas administrações estaduais e diversas municipais. Precisamos dar o exemplo em todos os lugares.

Delcídio do Amaral: ‘A’ testemunha

Saída de Delcídio é o mais duro golpe para a articulação política do governo Dilma
Saída de Delcídio é o mais duro golpe para a articulação política do governo Dilma(Ueslei Marcelino/Reuters)
Para entender a magnitude da prisão, na semana passada, de Delcídio do Amaral, senador petista e líder do governo, é preciso até um pouco de imaginação. Pois imaginemos que nenhum empresário preso na Operação Lava-Jato tivesse até hoje quebrado o silêncio nas delações premiadas - ou que nenhum político estivesse na lista que a Procuradoria-Geral da República mandou para o Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo no cenário irreal acima, a prisão de Delcídio e a possibilidade de ele recorrer à delação premiada - uma vez que foi abandonado pelo PT, ignorado por Dilma e ofendido por Lula - terão consequências devastadoras para a estabilidade do já cambaleante regime lulopetista. Delcídio do Amaral testemunhou os momentos mais dramáticos dos escândalos do governo do ex-­presidente. Viveu e participou desses mesmos momentos no governo Dilma. Delcídio não é uma testemunha. Ele é "a" testemunha - e a melhor oportunidade oferecida à Justiça até agora de elucidar cada ação da entidade criminosa que, nas palavras do ministro Celso de Mello, decano do STF, "se instalou no coração da administração pública".
Terminada uma reunião no gabinete de Dilma Rousseff, em junho passado, Delcídio chamou-a de lado e disse a seguinte frase: "Presidente, a prisão (de Marcelo Odebrecht) também é um problema seu, porque a Odebrecht pagou no exterior pelos serviços prestados por João Santana à sua campanha". Delcídio contrariou o diagnóstico de Aloizio Mercadante, que ainda chefiava a Casa Civil, segundo quem a prisão de Marcelo Odebrecht "era problema do Lula". Ao deixar o Palácio do Planalto, Delcídio definiu Dilma a um colega de partido como "autista", espantado que ficou com o aparente desconhecimento da presidente sobre o umbilical envolvimento financeiro do PT com as empreiteiras implicadas na Lava-Jato. Na reunião, Dilma dissera aos presentes que as repercussões da operação nada mais eram do que uma campanha para "criminalizar" as empreiteiras e inviabilizar seu pacote de investimento e concessões na área de infraestrutura. "A Dilma não sabe o que é passar o chapéu porque passaram o chapéu por ela", concluiu Delcídio.
Passar o chapéu é bater na porta das empreiteiras e pedir dinheiro para campanhas políticas. Quando feitas dentro da lei, as doações não deixam manchas no chapéu. Mas, quando fruto de propinas como as obtidas nos bilionários negócios com a Petrobras, a encrenca, mesmo que seja ignorada por sua beneficiária, não vai embora facilmente. Menos de um mês após a reunião no Planalto, a Polícia Federal divulgou as explosivas anotações com que Marcelo Odebrecht incentivava seus advogados a encontrar uma maneira de fazer chegar a Dilma a informação de que as investigações sobre as contas da empreiteira na Suíça bateriam nela.
Poucos políticos tiveram mais acesso do que Delcídio aos bastidores do mensalão e do petrolão. Poucos políticos conhecem tão bem como ele as entranhas da Petrobras, onde trabalhou e fez amigos. Poucos políticos têm tanto trânsito como ele nos gabinetes mais poderosos da política e da iniciativa privada. Até ser preso, Delcídio atuava como bombeiro, tentando reduzir os focos de tensão existentes para Lula, Dilma e o PT. Na condição de encarcerado, é uma testemunha decisiva. A possibilidade de ele colaborar com os investigadores está sob avaliação de sua família.

Gleisi Hoffmann diz que não votou pela absolvição de Delcídio, mas para que a regra fosse cumprida


gleisi - senado
Em uma votação inédita, o Senado Federal decidiu manter a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso pela Polícia Federal na manhã de ontem. Foram 59 votos pela manutenção da decisão do Supremo Tribunal Federal, 13 votos contrários e uma abstenção. A votação dividiu os senadores paranaenses – Gleisi Hoffmann (PT), que também é investigada pela Operação Lava Jato, votou pelo relaxamento da prisão do senador em voto fechado. Roberto Requião (PMDB), decidiu pelo voto aberto e pela manutenção da decisão do STF. O senador Alvaro Dias (PSDB) estava ausente durante a votação.
Para a senadora Gleisi, o voto fechado é uma regra do regimento interno, já que a Constituição não regula a matéria. “É importante manter os ritos para que sirva de referência em outros casos”, afirmou. Gleisi disse ainda que não votou pela absolvição do senador Delcídio Amaral, mas para que a regra constitucional fosse cumprida. “As acusações contra o senador são graves, mas não podemos alterar a constituição, adequando ao momento em que vivemos. Isto é ruim para o Estado Democrático de Direito”.

Delcídio quer saber como Waltinho votou?


Vera Magalhães, Radar on-line
Numa das rápidas visitas que recebe de assessores e advogados na Polícia Federal em Brasília, onde está preso, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) demonstrou uma curiosidade:
–Como o Waltinho votou?
Queria saber se Walter Pinheiro (BA), um dos colegas mais próximos a ele na bancada do PT, havia votado para manter ou revogar sua prisão.
Ao ser informado do voto do amigo para que continuasse preso, calou e apenas assentiu com a cabeça.
Familiares e assessores de Delcídio demonstram mágoa pelo fato de senadores que sempre pediram favores ao líder do governo –de ajuda para marcar audiência em ministérios a cargos para aliados– agora virarem as costas para ele.

Polícia investiga estupro em alojamento da UFRJ; estudantes queimam colchão em protesto


A notícia do estupro levou um grupo de estudantes a organizar um protesto
A notícia do estupro levou um grupo de estudantes a organizar um protesto Foto: Foto do leitor/Cacau Farias
Paolla Serra e Pedro Zuazo
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A polícia investiga um estupro no alojamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, na Zona Norte do Rio. De acordo com o delegado José Otilio Bezerra, da 37º DP (Ilha do Governador), a vítima registrou a ocorrência na madrugada desta sexta-feira e as partes serão convocadas para prestar depoimento.
Segundo o registro de ocorrência, o estupro aconteceu na madrugada de quinta-feira. À polícia, a vítima contou que ficou apenas uma vez com o acusado, Rodrigo dos Santos Freire, 28 anos, também estudante da universidade. Mas depois, ao conversar com o rapaz novamente, ela foi imobilizada e obrigada a manter relações com ele sem consentimento.
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A vítima é amiga de uma estudante da UFRJ que mora no alojamento. Ela estava em uma festa no local, à convite desta amiga.
Cama do acusado foi queimada do lado de fora do alojamento
Cama do acusado foi queimada do lado de fora do alojamento Foto: Foto do leitor/Cacau Farias
A notícia do estupro levou um grupo de estudantes a organizar um protesto. Na noite de quinta-feira, alunos entraram no quarto onde o acusado dorme no alojamento, levaram sua cama para o lado de fora e atearam fogo, junto a um cartaz que dizia: “Aqui jaz o leito de um estuprador”. Nas redes sociais, testemunhas contaram que os pertences do acusado também foram incinerados.
A assessoria de imprensa da UFRJ informou, em nota, que a Superintendência Geral de Políticas Estudantis da UFRJ está acompanhando o caso desde que foi informada. "A UFRJ está acompanhando depoimentos dos envolvidos no 37ºBPM (Ilha do Governador) e irá abrir uma sindicância interna para apurar o caso", ressalta a nota.
De acordo com testemunhas, pertences do acusado também foram incinerados
De acordo com testemunhas, pertences do acusado também foram incinerados Foto: Foto do leitor/Cacau Farias
Rodrigo dos Santos Freire tem histórico de agressões. Ele é acusado de ter provocado um acidente que resultou na morte de sete pessoas, em 2013. Na ocasião, Rodrigo chutou o motorista André Luís Souza Oliveira, da linha 328 (Castelo-Bananal), quando ele estava ao volante. O condutor perdeu o controle da direção e o veículo caiu do Viaduto Brigadeiro Tromposwski, na Avenida Brasil.
Pelas mortes provocadas no acidente, Rodrigo responde na Justiça por atentado contra a segurança do transporte público, lesão corporal grave, lesão corporal gravíssima e lesão corporal seguida de morte. O processo está parado na 5° Vara Criminal do Rio de Janeiro desde setembro do ano passado.
Rodrigo dos Santos Freire tem histórico de agressões
Rodrigo dos Santos Freire tem histórico de agressões Foto: Reprodução
Há sete registros de ocorrências policiais contra Rodrigo. Os mais antigos são de 2006. Em dois casos ele é acusado de lesão corporal. O primeiro foi um tapa na cara do cunhado. No outro, ele e uma mulher teriam atirado vasos de planta contra a proprietária de um apartamento onde morou.
Rodrigo também esteve envolvido em uma ação de despejo. Em outro registro policial, ele aparece como testemunha de um caso de apedrejamento de um ônibus.
Rodrigo foi acusado de homicídio doloso por ter provocado acidente com sete mortos
Rodrigo foi acusado de homicídio doloso por ter provocado aciden


Leia o depoimento do Senador Delcídio do PT à Policia Federal


POR JORGE BASTOS MORENO
Em seu depoimento a Polícia Federal, o senador Delcídio do Amaral disse que, quando ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff pediu indicações sobre Nestor Cerveró. Apesar disso, Delcídio afirmou que Dilma já conhecia Cerveró da época em que era secretária no governo de Olivio Dutra, no Rio Grande do Sul. 
Eis a íntegra do depoimento de Delcídio do Amaral à Polícia Federal:
Ao(s) 26 dia (s) do mês de novembro de 2015, nesta Superintendência Regional no Distrito Federal, em Brasília (DF), onde presente se encontrava Thiago Machado Delabary, Delegado de Polícia Federal, 1ª classe, Matrícula (DPF) nº 13.538, lotado(s) e em exercício na GINQ/DICOR, compareceu DELCÍDIO DO AMARAL GOMEZ, sexo masculino, nacionalidade brasileira, casado, filho de MIGUEL GOMEZ e ROSELY DO AMARAL GOMEZ, nascido aos 08/02/1985, natural de Corumbá (MS), instrução terceiro grau completo, profissão Senador da República, documento de identidade nº 46900135/SSP/SP, CPF 011.279.828-42, residente no SHTN, FLAT ALV BLEU TREE TOWER, 2090, bairro ASA NORTE, Brasília/DF. Cientificado acerca dos seus direitos constitucionais, inclusive o de permanecer calado, inquirido(s) a respeito dos fatos pela Autoridade Policial, RESPONDEU: QUE no ano de 1999 o declarante foi nomeado Diretor de Gás e Energia da PETROBRÁS, permanecendo no cargo até o final de 2001; QUE assumiu tal cargo atendendo a convite do então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o qual lhe foi transmitido por RODOLPHO TOURINHO, que à época estava à frente do Ministério de Minas e Energia e era Presidente do Conselho de Administração da PETROBRÁS; QUE atribui esse convite a experiência profissional como engenheiro elétrico, eis que havia trabalhado em diversas empresas da área de energia e, além disso, havia sido Ministro de Minas e Energia no Governo Itamar Franco: QUE, ao deixar a Diretoria de Gás e Energia, o declarante assumiu a Secretaria Estadual de Infraestrutura no Mato Grosso do Sul, permanecendo no cargo por curto período, uma vez que se desincompatibilizou para fins de candidatura ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores;QUE, em 2002, foi eleito Senador da República pelo Estado do Mato Grosso do Sul e reeleito em 2010; QUE, atualmente, portanto, encontra-se no cumprimento do segundo mandato; QUE conhece NESTOR CERVERÓ desde a época em que trabalhou na PETROBRÁS, esclarecendo que a área em que ele atuava dentro da empresa (Gerência Executiva de Energia) ficava subordinada à Diretoria de Gás e Energia; QUE, quando o declarante deixou a PETROBRÁS, NESTOR CERVERÓ permaneceu lá, na mesma Gerência; QUE, salvo engano, em 2003 ou 2004, NESTOR CERVERÓ assumiu a Diretoria Internacional; QUE o declarante foi consultado pela então Ministra de Minas e Energia, DILMA ROUSSEFF, acerca da possível nomeação de NESTOR CERVERÓ como Diretor Internacional, tendo se manifestado favoravelmente, em face da experiência que tiveram conjuntamente no âmbito da Diretoria de Gás e Energia; QUE acrescenta que a então Ministra Dilma Rousseff já conhecia NESTOR CERVERÓ desde a época em que ela atuou como Secretária de Energia no Governo OLÍVIO DUTRA no Rio Grande do Sul; QUE, como a área de exploração de gás era bastante desenvolvida naquele Estado, havia contatos permanentes entre a Diretoria de Gás e Energia da PETROBRÁS e a Secretaria comandada pela DILMA ROUSSEFF; QUE tomou conhecimento dos fatos que levaram NESTOR CERVERÓ à prisão, especialmente os relacionados à compra da refinaria de PASADENA pela PETROBRÁS, salvo engano entre os anos de 2005 e 2006; QUE o declarante não teve qualquer participação na negociação que redundou na compra da refinaria de PASADENA pela PETROBRÁS, acrescentando que na época era Presidente da CPI dos Correios e, em razão de sua atuação rigorosa na investigação, passou a enfrentar restrições no âmbito do Governo Federal e, especialmente, no Partido dos Trabalhadores; QUE nunca teve qualquer participação na aquisição de sondas pela PETROBRÁS; QUE as decisões que determinavam as compras de refinarias e sondas, por exemplo, eram bastante complexas e baseadas em análises técnicas, o que evidentemente não elimina eventual desvio de finalidade; QUE, perguntado se tinha ou tem algum interesse na soltura de NESTOR CERVERÓ, afirmou que sim, substancialmente por motivos pessoais em razão de ter trabalhado com ele na PETROBRÁS, por conhecer a família e presumir o sofrimento a que vinha sendo submetido, ou seja, por questões humanitárias; QUE, perguntado se tomou conhecimento de negociação mantida entre NESTOR CERVERÓ e membros do Ministério Público Federal, voltada à celebração de acordo de colaboração, afirmou que sim, apenas pela imprensa; QUE acompanhou o desenrolar da negociação encetada por NESTOR CERVERÓ, pela imprensa, com o mesmo interesse dispensado às demais; QUE acrescenta que teve uma experiência negativa decorrente de acordo de colaboração firmado por PAULO ROBERTO COSTA, ex-Diretor de Abastecimento da PETROBRÁS que, segundo o declarante, lhe custou as eleições ao Governo de Mato Grosso do Sul; QUE, ao que lembra, PAULO ROBERTO COSTA afirmou que teria ouvido rumores de que o declarante poderia estar relacionado a irregularidades no Programa de Geração de Energia da PETROBRÁS; QUE tal notícia foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República e restou arquivada; QUE perguntado se um acordo de colaboração firmado por NESTOR CERVERÓ lhe representava um temor, afirmou que não, reiterando que apenas mantinha acompanhamento pelas informações divulgadas na imprensa; QUEprocedeu da mesma forma no tocante à colaboração de PAULO ROBERTO COSTA; QUE, questionado se nos últimos três meses manteve contato com algum advogado que representava interesses de NESTOR CERVERÓ, respondeu que sim, com EDSON RIBEIRO, com quem se encontrou em uma ou duas ocasiões a fim de tratar de créditos que ele afirmava dispor junto à PETROBRAS; que ao menos um desses encontros deu-se no hotel Royal Tulip, em Brasília, no início do mês de novembro de 2015, salvo engano; que esclarece que os advogados que defendem interesses de Diretores da Petrobras são remunerados pela estatal, sendo que Edson Ribeiro havia defendido Nestor Cerveró em alguns processos e estava com com dificuldades de receber os correspondentes honorários; que o declarante foi procurado para que intercedesse junto à Petrobras nessa questão de pagamento de honorários; que nas reuniões mantidas com Edson Ribeiro houve a participação de Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, com o propósito de expor ao declarante as dificuldades que seu pai vinha enfrentando; que, precisamente, Bernardo pretendia que o declarante, valendo-se de sua posição, buscasse conversar com os Ministros do Supremo Tribunal Federal a respeito de Habeas Corpus que estavam tramitando na Suprema Corte; que, apesar de ter afirmado a Bernardo que já havia estabelecido contato com alguns Ministros do STF , o declarante afirma isso não ocorreu e que se constituiu na verdade, em “palavras de conforto”; que o declarante esteve há cerca de um mês com o Ministro Dias Toffoli, a fim de tratar de assuntos institucionais relacionados ao TSE, os quais não guardam qualquer relação com Nestor Cerveró; que não falou nem esteve com o Ministro Teori Zavascki, nem com qualquer outro Ministro do STF; que não solicitou ao Ministro Dias Toffoli, nem ao Senador Renan Calheiros, tampouco ao Vice-Presidente da República Michel Temer que estabelecessem contato com o Ministro do STF Gilmar Mendes para tratar de assuntos relacionados à Nestor Cerveró; que não nega ter afirmado a Bernardo que providenciaria essa interlocução, mas, de fato, tratou-se de “palavras de conforto”, como já dito; que o declarante jamais procurou por qualquer Ministro do STF, conforme lhe fora solicitado por Bernardo Cervero, uma vez que tal iniciativa seria infrutífera; que o advogado Edson Ribeiro, que   estava presente na reunião, acreditava que o declarante poderia obter algum benefício no âmbito do STF relacionado ao Habeas Corpus que havia impetrado em favor de Nestor Cerveró; que perguntado sobre a pessoa de Tarcisio, referido em diálogo transcrito nos autos da Ação Cautelar 4.039, afirma que se rata de um servidor do Senado que está cedido ao STF e trabalha no Gabinete do Ministro Edson Fachin; que contrariando o que afirmara no diálogo, o declarante não manteve contatos com Tarcisio, tampouco com o Ministro Fachin; que questionado a respeito do contexto de informações constantes no diálogo transcrito nos autos da Ação Cautelar 4.039, que se inicia aos vinte minutos e quarenta e oito segundos, em que faz menções a “José Eduardo” e “STJ” diz respeito à conversa que havia mantido com o Ministro da Justiça na qual houve comentário por parte dele no sentido de que possivelmente haveria decisão favorável a Marcelo Odebrecht, em Habeas Corpus que tramitava no STJ; que perguntado se a entonação com que deu essa notícias relacionada ao STJ a Bernardo e a Edson Ribeiro era positiva, o declarante afirma que sim, que a considerava uma boa notícia, no sentido de incentivá-los; que, perguntado a respeito de menções que fizeram no mesmo diálogo acerca de Renato Duque, ex-Diretor de Serviços da Petrobras, afirma que não se recorda do contexto; que a respeito de um trecho do citado diálogo em que o declarante referiu preocupação de “Michel” com “Zelada”, esclarece que se referiu ao Vice-Presidente da República, Michel Temer, que, “segundo informações que se tinha na época, mantinha relação próxima com Jorge Zelada”; que, perguntado em que consiste essa proximidade, o declarante assevera que prefere não responder a tal indagação; que, perguntado se conhece Fernando Falcão Soares, vulgo Fernando Baiano, afirma que foi apresentado a ele, à época em que era Diretor na Petrobras, pelo empresário espanhol Gregorio Marin, representante de empresa da qual não lembra o nome; que, após isso, encontrou Fernando Baiano apenas em uma única oportunidade, de forma ocasional, na ante-sala do empresário Eike Batista, a quem havia ido visitar; que tomou conhecimento das declarações de Fernando Baiano que implicam o declarante, o que ocorreu, inicialmente, a partir de matérias veiculadas na imprensa e, passado algum tempo, por trechos dessas declarações que foram levadas à liderança do Governo no Senado, possivelmente através de algum servidor do Gabinete que as obteve com algum jornalista; que perguntado sobre o que versavam tais declarações, afirma que tinham como tema a aquisição de sondas pela Petrobras ou a compra da refinaria de Pasadena; que conhece o empresário André Esteves, CEO do Banco BTG Pactual, afirmando que já esteve com ele em algumas ocasiões em razão do declarante ser Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado; que perguntado se nos diálogos transcritos nos autos ad Ação Cautelar 4.039 houve menções ao empresário André Esteves e em qual contexto, assegura que não se recorda; que não se vê em condições de confirmar se o “André” mencionado no diálogo que se inicia aos cinte e cinco minutos e cinquenta e cinco segundos, em que o declarante faz alusão à “operação dos postos” (vinte e sete minutos e quatorze segundos), afirma que não se recorda; que não se recorda se André Esteves já teve investimentos no setor de postos de combustíveis, sabendo apenas que ele já teve negócios relacionados à exploração de petróleo, na África; que, ao lhe ser lido o trecho do diálogo que vai de vinte e sete minutos e quatorze segundos a vinte e oito minutos e vinte e quatro segundos, em que há alusões a “André” e “banqueiro”, o declarante confirma que o assunto se relacionava ao empresário André Esteves; que , quanto às demais indagações que lhe seriam feitas a respeito desse trecho do diálogo, o declarante antecipa que permanecerá em silêncio, afirmando que buscará esclarecimentos a serem prestados futuramente; que, perguntado se a conversa narrada no diálogo, supostamente havida com André Esteves, realmente ocorreu, afirma que sim, e que não responderá a qualquer outra que lhe for feita, reservando-se, a partir de então, no direito ao silêncio; que, por fim, o declarante afirma que gostaria de ter outra oportunidade de prestar esclarecimentos após a detida leitura dos autos da Ação Cautelar nº 4.039, eis que não houve tempo hábil para tanto. Nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Foi então advertido da obrigatoriedade de comunicação de eventuais mudanças de endereço face das prescrições do Art. 224 do CPP. Encerrado o presente que, lido e achado conforme, assinam com a Autoridade Policial, com o(a) Declarante, com seus advogados Mauricio Silva Leite, OAB/SP 164483, com escritório na Rua Doutor Renato Paes de Barros, 1017, 5º andar, Itaim Bibi, São Paulo/SP 254644, com o(a) Representante do Ministério Público Federal Marcello Paranhos de Oliveira Miller e com o Representante do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios Sergio Bruno Cabral Fernandes e, comigo, Cristiane Rodrigues dos Santos, Escrivã de Polícia Federal, Classe Especial, Matrícula/DPF nº 10.946, lotado(a) e em exercício no(a) Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado – DICOR/DPF, que o lavrei.