Nestor Cerveró se emociona ao falar de advogado antigo


Sentindo-se traído, ex-diretor da Petrobras chora quando fala da armação de Édson Ribeiro

NONATO VIEGAS
30/11/2015 - 16h15 - Atualizado 30/11/2015 16h15
Nestor Cerveró permanece em silencio durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras realizada na Justiça Federal em Curitiba (PR), nesta segunda-feira(11) (Foto:  Geraldo Bubniak / AGB / Ag. O Globo)
A revelação de que seu antigo advogado Edson Ribeiro o traiu paraatender interesses do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) ainda deixa o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró bem comovido. Cerveró fica ainda choroso porque a certeza da traição de Ribeiro só foi confirmada graças ao seu filho, Bernardo Cerveró. Bernardo gravou Ribeiro e Delcídio quando tentavam convencê-lo (oferecendo dinheiro e um plano de fuga) a demover o pai de citar o senador e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, em sua delação. 
Se não houver novos contratempos, a delação de Cerveró será homologada nesta semana.

Justiça do Rio faz vistoria em cela de André Esteves



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O juiz Eduardo Oberg, da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, realizou, na tarde desta segunda-feira (30), uma vistoria na cela onde está preso o banqueiro André Esteves, 47.
Esteves está em Bangu 8, na zona oeste do Rio. A vistoria foi realizada a partir de suspeitas de que o empresário teria regalias no cárcere.
Reprodução
O banqueiro André Esteves com uniforme do sistema prisional do Rio
O banqueiro André Esteves com uniforme do sistema prisional do Rio
Ele foi preso na quarta (25) sob suspeita de prejudicar o andamento das investigações da Lava Jato e acenar com financiamento a uma eventual fuga de Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras que está preso em Curitiba e que firmou recentemente um acordo de delação premiada.
A PGR (Procuradoria Geral da República) também acusa Esteves de ter cópias dos depoimentos de delação de Cerveró. Uma gravação de áudio feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, foi uma das provas usadas contra o banqueiro.
No sábado (28), a mulher de Esteves, Lilian, foi visitá-lo mesmo sem ainda estar cadastrada no sistema penitenciário do Rio. A liberação foi concedida pelo secretário de Administração Penitenciária, o coronel da Polícia Militar, Erir Ribeiro da Costa Filho.
De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça, a fiscalização verificou as instalações onde se encontra André Esteves. A vistoria, de acordo com a assessoria, "constatou que o interno possui o mesmo tratamento que os demais presos".
Ao visitar Esteves, Lilian teria levado, de acordo com o jornal "O Dia", um bacalhau do restaurante Antiquarius. A Seap informou que, em dias de visitas, os detentos podem receber qualquer alimento desde que colocados em bolsas transparentes.
No domingo (29), o ministro Teori Zavascki determinou que a prisão de André Esteves passasse de temporária para preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. 

Aval de Lula garantiu contrato bilionário com a Petrobras, diz delator


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Representantes do grupo Schahin que fecharam um acordo para colaborar com as investigações da Operação Lava Jato indicaram que o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi decisivo para que o grupo conseguisse um contrato bilionário com a Petrobras em 2007.
Segundo eles, o contrato foi uma compensação em troca do perdão de uma dívida milionária que o PT tinha com o banco Schahin. Foi o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, que mencionou o apoio de Lula a executivos do grupo durante as negociações para livrar o PT da dívida, eles disseram.
As negociações ocorreram no fim de 2006, após a reeleição de Lula, de acordo com um dos depoimentos colhidos pelos procuradores da Lava Jato. Em 2007, poucos meses depois da conversa com Bumlai, a construtora do grupo Schahin assinou com a Petrobras um contrato de US$ 1,6 bilhão para operar o navio-sonda Vitória 10.000.
DELAÇÃO
O episódio foi relatado a procuradores da Lava Jato na semana passada, em Curitiba, por um dos acionistas do grupo, Salim Schahin. Ele controla o grupo com o irmão, Milton. As negociações para que o Schahin colabore com as investigações tiveram início há quase dois meses.
Salim fechou na semana passada acordo de delação premiada em troca de redução da sua pena no futuro, mas o acordo ainda não foi homologado pelo juiz federal Sergio Moro, que conduz os processos da Lava Jato no Paraná.
Representantes do grupo Schahin que participam das negociações disseram que os acionistas não tiveram contato com o ex-presidente Lula, mas acharam suficiente a garantia oferecida por Bumlai de que ele daria seu aval ao contrato do navio-sonda.
EMPRÉSTIMO A BUMLAI
Em 2004, o banco Schahin emprestou R$ 12 milhões a Bumlai, que na época era um dos maiores pecuaristas do país. Segundo o acionista do grupo, Bumlai disse que o dinheiro era destinado ao PT.
Segundo os representantes do grupo Schahin, para provar que falava sério, Bumlai marcou um encontro entre os executivos do banco e o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que atualmente cumpre pena por sua participação no esquema do mensalão.
Salim Schahin disse que o encontro ocorreu num escritório do grupo na rua Vergueiro, na zona sul de São Paulo.
Conforme os relatos obtidos pela Folha, o grupo emprestou a Bumlai porque queria se aproximar do PT. O empréstimo foi contratado com a pessoa física de Bumlai, que apresentou seu filho e sua nora como avalistas da operação.
Eurides Aok - 16.mai.10/Correio do Estado
O empresário José Carlos da Costa Marques Bumlai, amigo do ex-presidente Lula
Os representantes do grupo Schahin disseram aos procuradores que o valor do empréstimo era muito superior ao que costumavam liberar para pessoas físicas, e que os recursos foram liberados em prazo menor do que o usual.
Como a revista "IstoÉ" informou em fevereiro deste ano, o Banco Central apontou várias irregularidades na operação em 2008. O controle do banco Schahin foi transferido em 2011 para o BMG.
Segundo os representantes do grupo Schahin, Bumlai nunca pagou o empréstimo, mas teve a dívida perdoada em 2009, dois anos depois do contrato com a Petrobras.
PROPINA
A vinculação entre o empréstimo do Schahin a Bumlai e o contrato do navio-sonda já tinha sido feita antes por outros delatores da Lava Jato, incluindo o lobista Fernando Soares, o Baiano, e o ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa, que disse ter recebido da Schahin propina de US$ 720 mil no exterior.
O grupo Schahin apresentou à Justiça pedido de recuperação judicial em abril deste ano, para tentar reorganizar seus negócios e evitar a falência. Em maio, a Petrobras cancelou vários contratos do Schahin, mas o grupo conseguiu manter o contrato de operação do Vitória 10.000.
Os lobistas Júlio Camargo e Fernando Soares, o Baiano, que também colaboram com as investigações da Lava Jato, disseram que os fornecedores do Vitória 10.000 e de outro navio-sonda contratado na mesma época pela Petrobras pagaram propina de US$ 5 milhões ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje presidente da Câmara dos Deputados. Cunha nega a acusação.
OUTRO LADO
O advogado do empresário José Carlos Bumlai, Arnaldo Malheiros Filho, negou que seu cliente tenha garantido apoio político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para firmar qualquer contrato favorecendo empresas, inclusive o grupo Schahin. Também disse que Bumlai nunca mencionou isso a terceiros.
"Se ele tivesse essa condição, toda essa liberdade com o ex-presidente Lula, teria feito pedidos de apoio para evitar a falência das empresas da sua própria família", afirmou o criminalista à Folha.
Malheiros negou que o empréstimo de R$ 12 milhões concedido pelo Banco Schahin a Bumlai em outubro de 2004 tenha sido direcionado aos cofres do PT, como os representantes do grupo disseram aos procuradores da Operação Lava Jato na semana passada.
"Não era para terceiros e nem para o PT, tanto que foi pago por Bumlai", afirmou.
Questionado sobre a reunião que teria ocorrido entre executivos do banco Schahin e o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para tratar do empréstimo contratado por Bumlai, Malheiros, que também defende o ex-tesoureiro, disse que ela não ocorreu.
Procurado pela reportagem, o Instituto Lula não se pronunciou sobre a citação do ex-presidente no depoimento de Salim Schahin aos procuradores. Por meio de sua assessoria de imprensa, o instituto afirmou que "não comenta supostos documentos ou vazamentos dos quais não tem conhecimento e nem a certeza de que existem".
Os advogados da família Schahin, Guilherme San Juan e Rogério Taffarello, disseram que não se pronunciarão à respeito de procedimentos de colaboração premiada.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), nega qualquer envolvimento com o esquema de corrupção descoberto na Petrobras. (BM) 

Deputado Jardel é investigado no RS por desvio de verba e outras fraudes


A serviço do Ministério Público, policiais foram ao gabinete do ex-jogador.
Casa do deputado, em zona nobre da capital, também é alvo de buscas.

Giovani GrizottiDa RBS TV
Investigadores foram até a casa de Jardel fazer buscas (Foto: Divulgação/Ministério Público)Investigadores foram até a casa de Jardel fazer buscas (Foto: Divulgação/Ministério Público)
O deputado estadual Mário Jardel (PSD) é alvo de investigação do Ministério Público. O ex-jogador de futebol e ídolo do Grêmio é suspeito de desviar verbas da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, exigir parte dos salários de funcionários fantasmas e até de envolvimento com traficantes. Em função disso, o parlamentar foi afastado do cargo por 180 dias.(assista a vídeos)
É evidente, ele cobra de praticamente todos os funcionários uma parte significativa dos salários deles
a cada final de mês."
Marcelo Dornelles, procurador-geral
O MP iniciou a investigação após denúncia de um dos assessores de Jardel. Para buscar provas, policiais foram até o gabinete do deputado e ao apartamento dele, em zona nobre de Porto Alegre, além de outros seis endereços, na manhã desta segunda-feira (30). Eles cumprem mandados de busca e apreensão na operação nomeada de "Gol Contra".
A reportagem acompanhou a chegada dos policiais ao apartamento. O próprio Jardel recebe os agentes, e antes de autorizar a entrada, pergunta se pode chamar o advogado. A resposta é negativa. Dentro da casa, o deputado é questionado sobre as fraudes. Ele nega, assim como a mulher dele, que está no local e não confirma as irregularidades.
Um dos assessores de Jardel, Roger, vai até o apartamento durante o cumprimento do mandado. À reportagem, ele também nega participação no esquema. "Não", se limitou a responder.
Durante mais de dois meses, esse informante passou detalhes das fraudes aos promotores. A autorização da Justiça para acesso a escutas telefônicas também ajudou a comprovar o esquema.
"É evidente, ele cobra de praticamente todos os funcionários uma parte significativa dos salários deles a cada final de mês. Isso é cobrado de uma forma ostensiva", diz o procurador-geral Marcelo Dornelles.
A partir de toda a apuração, o procurador ressalta que, no mínimo, será possível denunciar o deputado pelos crimes de concussão, peculato, lavagem de dinheiro e, talvez, por tráfico de drogas.
Gravação mostra assessor tentando dar dinheiro diretamente para Jardel (Foto: Reprodução)Gravação mostra assessor tentando dar dinheiro diretamente para Jardel (Foto: Reprodução)
saiba mais
RBS TV e o G1 tiveram acesso ao relatório com a transcrição de gravações feitas pelo próprio assessor com autorização da Justiça. Elas revelam que o deputado exige dos funcionários parte dos salários. Na gravação, o delator tenta entregar a Jardel R$ 3 mil, que corresponde à metade de seu salário. Mas o deputado diz que o repasse teria de ser feito a outro assessor, encarregado de recolher o dinheiro dos integrantes do gabinete.
Para disfarçar, Jardel usa um código. Ele diz que o valor é para o pagamento de camisas. Abaixo, confira a transcrição.
Jardel: Esse dinheiro aí é do [nome preservado], entrega pro [nome preservado] esse dinheiro aí.
Assessor 1 [delator]: Tá. Tranquilo.
Jardel: É das camisa, pra ele… [pra ele] pagar. Entendeu?
Assessor 1 [delator]:Ah, entendi. Entendi. Tá bom.
Jardel: É os três mil da camisa, né?
Assessor 1 [delator]: É.
Jardel: Entrega pra ele, que ele foi… ele saiu ali com… com o [nome preservado].
Delator diz que Jardel exigia parte dos salários dos servidores do gabinete (Foto: Reprodução)Delator diz que Jardel exigia parte dos salários dos servidores do gabinete (Foto: Reprodução)
Mais tarde, o delator encontra o colega que receberia o dinheiro, com outro funcionário do gabinete, e faz a entrega.
Assessor 1 [delator]: Eu fui dar o dinheiro pra ele, ele mandou eu dar pra ti.
Assessor 2 [Roger, que recebe o dinheiro]: Não, [ele mandou dar] pro [funcionário], que é pra dar pra ele.
Assessor 2 [Roger, que recebe o dinheiro]: Ele mandou o [funcionário] pegar de todos nós. Então tu dá pra mim, eu dou pra ele.
Assessor 1 [delator]: Então tá.
Assessor 1 [delator]: Oito, nove, dez, onze, doze… quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte, vinte e um… três, quatro, vinte e cinco.
Promotor Flávio Duarte, que ouviu o delator, cumpre mandado no prédio onde Jardel mora (Foto: Giovani Grizotti/RBS TV)Promotor Flávio Duarte, que ouviu o delator, cumpre
mandado no prédio onde Jardel mora na capital
(Foto: Giovani Grizotti/RBS TV)
De acordo com a investigação, o dinheiro extorquido dos assessores bancava despesas pessoais de Jardel e servia até para pagar o aluguel do apartamento onde mora um irmão e a mãe dele.
"Desde de que nós começamos a investigar fica claro, em todas as provas produzidas, que ele exigia e cobrava ostensivamente dos servidores o dinheiro exatamente para pagamento do aluguel do irmão e da mãe. Isso era praticamente uma rotina", destaca o procurador-geral.
Uma das escutas telefônicas autorizada pela Justiça mostra que Jardel liga para um de seus assessores e diz que o pagamento do aluguel não foi realizado.
Jardel: Amanhã é dia dez, né, [assessor]? Esqueceu de... de fazer o negócio da minha mãe, [do] apartamento, e eu quero o negócio amanhã, o negócio do... o negócio do... da...
Assessor 3 [Ricardo]: Não, eu não, Jardel!
Jardel: [fala sobreposta] o dinheiro pro... O que é que vocês fazem, cara? Eu dou o dinheiro, dou a nota pra vocês pagarem, vocês esquecem de pagar as coisas?
Assessor 3 [Ricardo]: Não, eu vou... vou fazer o seguinte, ó: eu vou ver amanhã.
Jardel: [...] minha mãe, não, né, cara! O cara ligando pra minha mãe, minha mãe já é doente...
Quando Jardel fala que entregou notas para o assessor, seriam notas frias de hotel para receber diárias por viagens não realizadas. Em outra ligação, um dos assessores ligou para o colega e pediu o número da imobiliária para avisar que faria o pagamento com dinheiro das diárias.
Assessor 3 [Ricardo]Tem o número dessa p$*&% dessa imobiliária?
Assessor 3 [Ricardo]Eu vou dar um cheque pré-datado até eu fazer essas diária aí e entrar as diária pra mim. Mesmo que eu pague o juro, aí o dinheiro fica pra mim.
Assessor 2 [Roger]: Tá. Eu vou chegar ali em cima e já te ligo.
Segundo a investigação, até a fatura do cartão de crédito da mulher de Jardel era paga com dinheiro desviado do gabinete.
Como funcionava o esquema das notas frias
Notas frias eram usadas em viagens do deputado (Foto: Reprodução)Notas frias eram usadas em viagens do deputado
(Foto: Reprodução)
Jardel e um assessor viajavam para o interior com apenas um carro. Além de voltar mais cedo das viagens, traziam notas frias para que outros funcionários, que não viajavam, pudessem receber as diárias. A verba para uso do carro particular também era fraudada.
Para receber o dinheiro em dobro, Jardel e o assessor recebiam verba por dois carros. O Ministério Público descreve o esquema como uma indústria de produção de fraudes.
Segundo a investigação, entre 27 e 30 de agosto, Jardel e o assessor foram para Santana do Livramento. Mas outros três funcionários do gabinete receberam diárias, sem viajar. O total pela viagem foi de R$ 5 mil.
O delator disse que o próprio deputado pegou seis notas em branco com o dono do hotel. Imagens de câmeras na estrada, examinadas pelo MP, comprovaram que Jardel retornou um dia antes da viagem, mas recebeu diárias integrais.
Imagens de câmeras mostram carro na estrada (Foto: Reprodução)Imagens de câmeras mostram carro na estrada (Foto: Reprodução)
O relatório do MP aponta que situações como essa "aconteciam diariamente". Outra nota fiscal usada como prova mostra que o assessor que fez a denúncia viajou ao Litoral Norte entre os dias 21 e 24 de setembro deste ano. Mas foi exatamente entre esses dias que ele prestou depoimento em Porto Alegre revelando as fraudes.
Com as diárias dessas duas viagens, aponta o relatório, os assessores pagaram o aluguel do apartamento da mãe e de um irmão de Jardel.
Envolvimento com traficante de drogas
Além disso, a investigação também descobriu a ligação de Jardel com um traficante de drogas. E a compra das drogas também seria feita com dinheiro desviado do gabinete.
O deputado teria empregado como funcionária fantasma a mulher de um traficante fornecedor de drogas. Segundo o MP, o pagamento pode ter sido feito com o repasse de parte do salário que a assessora era obrigada a devolver.
"Quase que diariamente ele adquire drogas, telefona ostensivamente para os traficantes. E uma das situações inusitadas é que ele constituiu como servidora fantasma do gabinete dele a esposa, a mulher do traficante. Provavelmente para facilitar o contato e também o pagamento das drogas", salienta o procurador-geral Marcelo Dornelles.
Fotos obtidas pelo MP mostram o traficante entrando no prédio do deputado para entregar as drogas, que eram pedidas por telefone. Os promotores dizem que o termo usado por Jardel nas ligações é cigarro, porque a cocaína era escondida dentro dos cigarros.
O relatório do Ministério Público diz ainda que a droga entregue pelo traficante era consumida por Jardel durante programas com uma prostituta, também contratada como funcionária fantasma do gabinete.
"No período da investigação, ela acabou sendo exonerada. Mas teve um período em que ele contratou uma prostituta, sim, como servidora do gabinete", afirma o procurador.

Comportamento de Bumlai na prisão surpreende agentes


Paulo Lisboa - 24.nov.15/Folhapress
CURITIBA, PR, BRASIL, 24-11-2015, 15h030: O pecuarista José Carlos Bumlai,preso na 21ª fase da Operação Lava Jato,chega ao IML (Instituto Médico Legal), em Curitiba (PR) na tarde desta terça-feira (24).(Foto: Paulo Lisboa/Folhapress, Politica)
José Carlos Bumlai, após ser preso pela PF
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Quando o nome do pecuarista José Carlos Bumlaipassou a ser falado entre os réus da Lava Jato presos na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, os comentários eram de que seria inseguro e medroso. Mas Bumlai, preso desde a última terça (24), tem se mostrado tranquilo na maior parte do tempo.
"Acredito que ele ainda não caiu na real que está preso. Passa o dia de calça social e camisa", disse um agente. No lado esquerdo do peito, Bumlai continua carregando a imagem da Nossa Senhora e um terço feito de pedras marrons no bolso.
Também leva um crucifixo para o qual aponta e diz: "É assim que eu resisto".
Católico praticante e devoto de Santo Antônio, ele pediu logo no primeiro encontro com sua advogada uma Bíblia. E é com ela, rezando diariamente, que passa boa parte do tempo.
Nas duas horas por dia de banho de sol, Bumlai não caminha e nem se exercita, ao contrário da maioria. O que costuma fazer é aparar a barba e depois fica sentado.
Também não solicitou nada desde que foi detido. Mesmo com pressão alta e medicado, abriu mão de uma dieta diferenciada.
Ao longo da semana comeu os mesmos pratos que os outros presos: feijoada, linguiça toscana, carne moída e lasanha, tudo com garfos de plástico. Abriu mão do café –só toma descafeinado.
Os advogados insistiram para que um médico fosse vê-lo, mas Bumlai também dispensou o cuidado, afirmando que seu medicamento dá conta da pressão alta.
Antes de ser preso, o pecuarista tinha o plano de depor na CPI do BNDES e se internar, logo depois, em um hospital em São Paulo para uma bateria de exames.
Até agora, Bumlai só recebeu a visita de dois familiares, o filho Fernando e o genro André. A conversa foi sobre os negócios da família.
Reservado, Bumlai falou pouco da vida pessoal desde que foi preso, mas contou que é casado pela segunda vez com uma japonesa, e falou das dificuldades por diferenças culturais. Ele se referia à advogada Andrea Kushyama.
No sábado (28), Bumlai completou 71 anos. Mas não teve motivos para comemorações. O pecuarista não pôde receber ninguém, como é praxe dos finais de semana. 

Governo federal anuncia plano de combate ao zika com 17 ministérios


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O governo federal terá ajuda do Exército e de representantes da agência de saúde dos Estados Unidos para combater e estudar o vírus zika e complicações como a microcefalia, má-formação do cérebro de recém-nascidos.
O ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou nesta segunda-feira (30) um plano federal de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e do zika, que contará com a participação de 17 ministérios e do Exército a partir da próxima semana.
Dois especialistas do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos também acompanharão de perto os casos de microcefalia no Recife, capital do Estado com o maior número de casos (646).
As novas ações, segundo Castro, se somam à criação de centros de Operações de Emergência da Saúde e o de informações. Ambos têm ajudado no monitoramento dos casos suspeitos em todos o país.
"Reconheço que nos últimos anos nós não vínhamos combatendo o mosquito para vencer e, por isso, estamos perdendo. Mas agora temos que mobilizar todas as nossas forças. Não estamos falando de números, mas de vidas", afirmou o ministro.
Pressionado pelos prefeitos que participaram da reunião convocada pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), o ministro Marcelo Castro também prometeu rever a portaria 1025, que regulamentou, no ano passado, o piso dos agentes comunitários de saúde para R$ 1.014. De acordo com Câmara, só em Pernambuco o desfalque foi de 4.200 agentes, "pois as prefeituras não conseguiam pagar os salários".
"Há um receio grande não só nosso, mas de vários países, pois tudo está sendo informado à Organização Mundial da Saúde, especialmente de que o surto do zika vírus se espalhe pelo continente", declarou Castro. O ministro disse que o governo teme que a epidemia tenha consequências negativas para o turismo.
PERNAMBUCO
Estado com mais casos notificados, Pernambuco vai contar com um plano de enfrentamento a doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. O governador disse que irá destinar R$ 25 milhões para campanhas informativas, a estruturação de 15 centros regionais de atenção a crianças com microcefalia e a aquisição de material para os agentes.
"Temos que unir toda a sociedade para acabar com os criadouros nesses próximos dois meses, pois é a partir de fevereiro que começa a subir a curva de casos. Nas próximas semanas vamos receber os diagnósticos das prefeituras e demandar ao Exército o número de soldados necessários para ajudar nessa luta", disse Câmara.
O Comando do Exército do Nordeste disponibilizou seus 25 mil homens e mulheres para auxiliar no combate ao mosquito na região

Acordo da Andrade Gutierrez vai delatar dois senadores


O empreiteiro Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, deve apontar os nomes de pelo menos dois senadores que teriam recebido propina no esquema de corrupção na Petrobras, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. A empresa está fechando acordo de leniência com a PGR (Procuradoria Geral da República); o acordo, que inclui leniência com a empresa e delação do presidente Azevedo, prevê um pagamento de R$ 1 bilhão a título de indenização. Este valor visa ressarcir as empresas que foram prejudicadas por acertos do cartel que atua em obras públicas.
Segundo o Estadão, o empreiteiro vai falar de obras da Andrade Gutierrez na usina nuclear de Angra 3 e da Copa do Mundo. A Folha apurou ainda que a Andrade Gutierrez confessou ter pago propina em obras de estádios usados na Copa do Mundo de 2014. A companhia participou das reformas, sozinha ou em parceria, do Maracanã (ao lado da Odebrecht), do Mané Garrincha, do Beira-Rio e da Arena Amazônia.

Câmeras de aeroporto em SP gravam 'papai noel' que roubou helicóptero


Crime aconteceu na sexta-feira após aeronave descer em sítio no interior.
Durante espera no Campo de Marte, homem tirou fotos com funcionários.

Do G1 São Paulo
A polícia analisa as imagens para descobrir quem é o papai noel que roubou um helicóptero alugado no Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, nesta sexta-feira (27).  O piloto foi rendido, amarrado e vendado logo após o pouso em um sítio em Mairinque, no interior.
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Era quase meio-dia quando o passageiro que contratou o voo chegou ao hangar no Campo de Marte com a roupa vermelha e o saco de presentes. Ele já estava vestido para a festa de Natal e foi levado para a sala VIP.  Ele pagou o aluguel da aeronave em dinheiro.
Enquanto o helicóptero era abastecido, o ladrão disfarçado parecia impaciente. Ele se sentou no sofá, falou ao celular e teve que atender fãs. Funcionárias pediram para tirar fotos com ele. As câmeras não gravaram o embarque. Mas, no alto do vídeo, dá para ver o helicóptero branco, modelo Robinson R-44 decolando do Campo de Marte.
O papai noel chegou pela lateral do hangar. Ele sabia que, se tivesse entrado pela porta principal, seria gravado de frente pelas câmeras. Funcionários dizem que ele não contava que teria que andar pelo prédio, passar por outras câmeras e esperar meia hora até o momento de entrar no helicóptero.
Papai noel espera helicóptero em hangar do Campo de Marte (Foto: Reprodução/TV Globo)Papai noel espera helicóptero em hangar do Campo de Marte (Foto: Reprodução/TV Globo)
Papai noel tira fotos com funcionários de hangar antes de decolar (Foto: Reprodução/TV Globo)Papai noel tira fotos com funcionários de hangar antes de decolar (Foto: Reprodução/TV Globo)
O voo de meia hora terminou em um sítio em Mairinque, na região de Sorocaba. Lá, outros dois criminosos estavam no sítio alugado. O papai noel amarrou o piloto dentro da casa e abasteceu o helicóptero. Outro piloto assumiu o comando. O piloto assaltado levou cinco horas para se soltar e pedir ajuda. Para a polícia não localizar o helicóptero, os criminosos desligaram o transponder, que é o aparelho que indica onde a aeronave está.
Agora, as autoridades estão em alerta. A segurança dos presídios do estado foi avisada sobre o risco de uma fuga pelo alto. Outra suspeita é que o helicóptero seja usado por traficantes para facilitar o transporte de drogas. Neste ano, só a Polícia Rodoviária Federal apreendeu quase 168 toneladas de drogas nas estradas. Na última apreensão, o caminhão de soja carregava escondido quase 25 toneladas de maconha.
Homem que se vestiu de Papai Noel pra roubar helicóptero é procurado (Foto: GloboNews)Homem que se vestiu de Papai Noel pra roubar helicóptero é procurado (Foto: GloboNews)