O avanço assustador do zika vírus



A epidemia do vírus no Brasil já é a maior do mundo e os casos de microcefalia podem ser apenas o começo

THAIS LAZZERI E CRISTIANE SEGATTO
07/12/2015 - 15h49 - Atualizado 07/12/2015 16h45


zika virus (Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO)
Em meados de agosto, o obstetra Orlando Gomes Neto notouanormalidades nas ultrassonografias de algumas pacientes grávidas. A cabeça dos fetos era menor que o esperado. Gomes Neto coordena um dos mais respeitados laboratórios de medicina fetal no Recife. Outros colegas começaram a identificar casos parecidos, que não se encaixavam no diagnóstico de doenças conhecidas. Na investigação com as mães, os médicos descobriram que 70% delas haviam tido, no primeiro trimestre dagravidez, febre, dores e manchas vermelhas no corpo. Por dois meses, acompanharam essas pacientes e descobriram novos casos, informados à Secretaria de Saúde do Estado. Pela primeira vez na carreira, Gomes Neto não tinha respostas nem para orientar as pacientes nem para acalmar sua própria mulher, hoje grávida de sete meses. “Como médico, tinha de pensar racionalmente para cuidar melhor das gestantes. Como pai, estava extremamente apreensivo”, diz. Em novembro, ele recebeu uma ligação com o relato que espalharia por famílias do país inteiro a apreensão que ele já sentia.
>> O que é o Zika vírus

A obstetra Adriana Melo, em Campina Grande, Paraíba, contou a ele que havia identificado o mesmo problema em duas gestantes entre a 22ª e 23ª semanas de gravidez, em outubro. As imagens dos cérebros das crianças mostravam manchas brancas, uma resposta do organismo diante de uma infecção por vírus. Naquele mês, Adriana entrou em contato com a Secretaria de Saúde da Paraíba. Disse desconfiar que as gestantes tinham sido infectadas pelo vírus zika e que era urgente fazer um exame invasivo, chamado cariótipo, em que se coleta material de dentro da placenta. A médica tentou tratar do assunto com um colega da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sem sucesso. “Não entendia por que não respondiam a meus e-mails e minhas ligações. Ou não acreditaram em mim, ou ninguém tinha pensado em fazer o exame invasivo para confirmar, ou ninguém queria falar sobre o que estava acontecendo”, diz.

Adriana não sabia que o médico Kleber Luz, da UFRN, estava em contato com o Ministério da Saúde pelo mesmo motivo, amicrocefalia. Trata-se de uma alteração no cérebro que pode ser provocada por uma série de vírus e que em 90% dos casos provoca retardo mental. No ano passado, foram registrados no Brasil 147 casos. Neste ano, já há 1.248 casos suspeitos em 311 municípios de 14 Estados, de acordo o Ministério da Saúde. Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte lideram o ranking. Casos em São Paulo estão sendo investigados. Em 11 de novembro, Adriana recebeu os resultados dos exames que solicitara.
zika gráfico (Foto: arte)

Havia vírus zika no líquido amniótico das gestantes examinadas. Ao Ministério da Saúde, ela contou o que nunca tinha visto em 17 anos de carreira em medicina fetal. Em 28 de novembro, o Ministério anunciou a relação entre microcefalia e zika. “Não podíamos divulgar uma informação com base em indícios”, diz Cláudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.

Identificado o inimigo, o que conhecemos dele? “O que a gente sabe sobre o zika é o nome, de onde veio e que está aqui.” A descrição feita pelo biomédico Rafael França é perturbadora. França é pós-doutorando em imunidade e infecções virais pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e trabalha na Fiocruz de Pernambuco, uma das cinco instituições no país que monitoram o zika. Trata-se de um vírus descoberto em 1947, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. Por serem vírus da mesma família, algumas associações entre eles são possíveis. Como a dengue, o zika pode ser assintomático, causar problemas leves ou graves. Assim como quem já teve dengue tem mais chances de sofrer mais numa segunda infecção, o mesmo acontece com quem teve dengue e contrai o vírus zika. “As células de defesa do organismo não entendem que o zika é um vírus diferente e atacam com menos força”, diz França. Duas mortes, de um adulto e um bebê, foram confirmadas. Pessoas com imunidade em estado frágil, como as gestantes, também têm mais chances de desenvolver problemas graves. Os testes disponíveis hoje só identificam o vírus se ele estiver circulando no organismo. Na urina, pode ser detectado em até dez dias. No sangue, de cinco a oito. França e seus colegas haviam sido procurados, no início do ano, pelo médico Claudio Lira. Ele tinha pacientes com sintomas parecidos com os da dengue – mas sofriam de algum outro mal, ainda não identificado naquele momento.

Os pesquisadores da Fiocruz fizeram, então, um projeto, em parceria com o centro de virologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, para investigar o vírus responsável. Era o zika. No auge da epidemia de microcefalia, em novembro, o projeto recebeu sinal verde, mas o dinheiro ainda não foi liberado. Desde meados de novembro o biomédico França, participante do projeto, tenta enviar aos colegas escoceses amostras coletadas. Diferentemente dos países desenvolvidos, porém, no Brasil o próprio cientista tem de cuidar da parte não científica de seu trabalho – compra de material, envio de documentos, contabilidade. E, no Brasil, esses processos são especialmente burocráticos. “Isso atrasa muito o trabalho do pesquisador”, afirma. 

O único grande surto do zika no mundo foi em 2013, na Polinésia Francesa. Pouco se aprendeu com o episódio. Na semana passada, a Polinésia Francesa revelou que, após o ocorrido, 17 crianças nasceram com malformação no sistema nervoso central. Por que tão poucas? Uma das hipóteses é que se trata de um país onde o aborto é liberado. Desde então, não houve estudos a respeito. No Brasil, os médicos que cuidam de pacientes com zika são também pesquisadores. No dia a dia, tentam descobrir mais sobre a ameaça.
zika virus (Foto: DIEGO NIGRO/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO)
Uma relação observada é a predileção do vírus por células jovens do sistema nervoso central. O ataque provoca alterações que podem interferir no funcionamento do cérebro e causar a síndrome de Guillain-Barré. Ela provoca uma inflamação que atrapalha a condução dos estímulos nervosos até o músculo ou no sentido contrário. Isso causa fraqueza muscular, primeiro nas pernas, depois em outras partes do corpo. A síndrome pode provocar alterações de sensibilidade, dormência e coceira. O tratamento leva meses. A obstetra Adriana, de Campina Grande, segue pesquisando o desenvolvimento dos bebês, inclusive os que nasceram saudáveis. Encontrou calcificações tardias, no terceiro trimestre da gestação, e pequenas calcificações nos cérebros de algumas crianças cujas mães não tiveram sintomas. Os exames para saber se tiveram zika ainda não ficaram prontos. “Não posso afirmar se essa criança vai ter um desenvolvimento normal, porque não sabemos se as calcificações podem irritar o sistema nervoso no futuro”, diz. Ela estuda também um bebê que nasceu em condições normais, mas a mãe estava com zika circulando pelo organismo no parto. O bebê tem calcificações no cérebro e convulsões diárias desde o nascimento.

No Brasil, o surto deve ter começado no início de 2015. Provavelmente, os pacientes receberam diagnóstico de dengue. “Parece que o serviço de saúde não detectou a tempo. Ninguém enxergou a nova doença”, diz Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Se a detecção tivesse acontecido, os pacientes infectados poderiam ter sido isolados, e o alcance da doença seria menor. “Já é a maior epidemia do mundo por zika”, afirma Boulos. Por isso, na semana passada, houve uma reunião de emergência em Brasília, conforme apurado por ÉPOCA.

Integrantes do Ministério da Saúde, dos cinco centros especializados no Brasil e da Organização Pan-Americana da Saúde discutiram ações de curto, médio e longo prazo para combater o surto de zika. Ficou decidido que a virologista Cláudia dos Santos, vice-diretora de pesquisa da Fiocruz Paraná, isolaria o vírus para descobrir uma molécula ou partícula liberada por quem já teve o zika. A partir desse antígeno-padrão, os Estados podem testar qualquer pessoa para zika. Esse tipo de teste dá a resposta mais rápida, pode ser feito em grande escala e é mais barato. O teste deverá estar disponível em até 15 dias e será distribuído para os laboratórios de referência do país. “Estamos com previsão de contratação de técnicos para fazer os testes e kits para aplicar”, diz Boulos.

Como adiantado por ÉPOCA com exclusividade, o ministério mudou os padrões para identificar casos de microcefalia provocados pelo zika. Até novembro, o limite mínimo da circunferência da cabeça usado para fazer triagem de crianças suspeitas era 33 centímetros. Agora, são 32 centímetros. A alteração reduz em 3% a quantidade de casos suspeitos. Um protocolo de atendimento às gestantes, feito em parceria com o ministério, foi publicado em Pernambuco. O documento servirá de base para um protocolo nacional.

A única maneira de combater o zika, até agora, é combater o mosquito. Há décadas, os governos e a sociedade falham nessa missão. Esse enfrentamento nunca foi levado a sério no Brasil. A ameaça de proporções inéditas que o país enfrenta hoje é consequência de três décadas de descaso. Combater o Aedes aegypti é responsabilidade de cada cidadão e também das prefeituras. Às secretarias estaduais de saúde e ao governo federal cabe definir as estratégias e coordenar os esforços. Mas, neste ano, os casos de dengue na Paraíba cresceram 266% em relação a 2014. O combate ao mosquito é fragmentado e insuficiente – um conto de verão, sempre esquecido já no outono.

O aumento da circulação do zika em todas as regiões aponta um cenário catastrófico e exige mais empenho no combate ao vetor. Enquanto os médicos de vários Estados denunciam a falta de estrutura dos municípios para lutar contra o mosquito, os governos anunciaram medidas emergenciais na semana passada. O Estado de Pernambuco, que cortou 40% dos agentes de combate à dengue, deveria ganhar, a partir de sexta-feira passada, o reforço do Exército. Cerca de 200 soldados foram convocados para apoiar os agentes no controle ao vetor na região metropolitana do Recife e nos 19 municípios com maior incidência de dengue echikungunya. Eles visitarão residências para orientar a população e aplicar larvicidas. “Uma grande mobilização popular precisa ser feita, porque 90% dos focos dos mosquitos estão em residências”, disse o secretário estadual de Saúde, José Iran Costa. O município de São Paulo optou por medidas drásticas. Desde a quarta-feira passada, moradores da capital que se recusarem a receber agentes sanitários em busca de criadouros do mosquitos serão notificados e terão até 48 horas para permitir a entrada dos fiscais. A regra vale também para domicílios desabitados e fechados. No caso de imóveis ocupados, mas fechados, os agentes farão três tentativas em dias e horários diferentes. Caso não consigam verificar o imóvel, o procedimento será igual. Nos dois casos, será feito um relatório para pedir autorização judicial para entrar no imóvel.

Por enquanto, as orientações são mínimas – gestantes devem evitar picadas de mosquito e áreas com concentração de casos de microcefalia. É pouco, dados a gravidade do problema e o fato de termos pela frente meses de calor, chuva e proliferação de mosquitos

Dilma defende que Congresso não tenha recesso em janeiro para votar impeachment


Presidente deu entrevista coletiva após se reunir com ministros e juristas para debater ações contra pedido de afastamento

REDAÇÃO ÉPOCA
07/12/2015 - 13h30 - Atualizado 07/12/2015 13h49
Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (7) que o Congressonão deve entrar em recesso. A presidente deu entrevista coletiva logo após reunião com os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União, e 30 juristas, todos contrários ao pedido de impeachment contra a presidente que foi acolhido por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara.
"Eu prefiro e acho que não deve haver recesso. Não podemos nos dar o direito de parar o país até 2 de fevereiro. Acho justo parar nas festas. Agora, o Congresso pode funcionar em janeiro assim que passarem as festas. Aí retoma e julga as coisas pendentes. Não pode o país ficar em compasso de espera ate 2 de fevereiro", disse a presidente em trecho reproduzido pelo G1.
O grupo, intitulado "Juristas em Defesa da Democracia", quer "denunciar a falta de base jurídica do pedido de abertura do processo de impeachment", informou o G1 mais cedo. “Todos opinam contrariamente à abertura do processo, por não estarem presentes, no pedido recebido pelo deputado Eduardo Cunha, os requisitos constitucionais e legais necessários para configurar um eventual crime de responsabilidade cometido por Dilma.”
Como funciona o impeachment  (Foto: Época )

Líder do PMDB exclui contrários a Dilma de comissão de impeachment



PUBLICIDADE
O líder da bancada do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), anunciou na noite desta segunda-feira (7) os oito integrantes indicados por ele para a comissão do impeachment. Não há na lista nenhum dos que defendem a saída de Dilma Rousseff.
Um dos principais negociadores pelo PMDB da reforma ministerial que contemplou o partido com sete pastas, Picciani é contra o impeachment de Dilma e vem sofrendo uma tentativa de destituição da liderança. Cerca de um terço da bancada de 66 deputados é favorável ao afastamento da petista.
Os nomes indicados por Picciani são para a chapa com viés governista. Ele não indicou integrantes do PMDB para a chapa que será lançada pela oposição e por aliados de Cunha.
"Considero essas indicações equilibradas, sem compromisso de votar da forma 'a' ou da forma 'b'. Não são aqueles que só pretendem fazer a luta política", afirmou o líder da bancada.
Picciani indicou ele próprio e os deputados peemedebistas Celso Maldaner (SC), Daniel Vilela (GO), Hildo Rocha (MA), João Arruda (PR), José Priante (PA), Rodrigo Pacheco (MG) e Washington Reis (RJ). 

Criança morre nos braços do pai na terceira busca por ajuda em hospital


Pai de menino de 2 anos disse que médicos apontaram virose e liberaram.
Menino foi atendido na UPA de São Pedro da Aldeia, no RJ.

Do G1 Do G1 Região dos Lagos, com informações da Inter TV
Um menino de 2 anos morreu nos braços do pai após passar mal por duas semanas e ser diagnosticado com virose e alergia em dois atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio. A causa da morte de Yan Moura Oliveira, que aconteceu na madrugada desta segunda-feira (7), ainda não foi confirmada.(ASSISTA AO VIDEO ACIMA)
"O menino morreu nos meus braços na verdade. Me chamou pela última vez, chorou pra mim e se despediu. Isso não é um 'troço' revoltante?", disse o pai da criança, Douglas Oliveira.
Douglas disse que a ida à unidade na madrugada desta segunda foi a terceira após duas dispensas da pediatria.
Pai mostrou dispensas da UPA por duas vezes (Foto: Reprodução / Inter TV)Pai mostrou dispensas da UPA por duas vezes
(Foto: Reprodução / Inter TV)
"Chegamos lá e não tinha ninguém na UPA. Tinham duas pediatras e não tinha ninguém para atender na hora. Esperei de 10 a 20 minutos e depois veio a enfermeira. Em vez de ficar uma de plantão, estavam as duas dormindo", afirmou Douglas.
Idas ao médico
Há cerca de duas semanas, Douglas levou o filho para a UPA com febre alta e o corpo empolado. A suspeita dos pais era de zika vírus, mas, segundo o pai do menino, a pediatra de plantão descartou a hipótese e diagnosticou o caso como virose, receitou um remédio e liberou a criança.
"Começou a aparecer umas manchas no corpo dele, pesquisei na internet e tudo constava como se fosse zika vírus. Aí eu corri para o UPA. Chegando na UPA eles disseram que era apenas uma alergia. Aplicaram uma injeção de alergia nele e mandaram dar medicamento dipirona todo dia de seis em seis horas em casa".
De acordo com o pai, o menino piorou e, neste domingo (6), precisou ser levado novamente à UPA. A criança estava com febre de quase 40º e sentindo dor no corpo. A pediatra teria pedido um exame de sangue e, de acordo com o pai do menino, depois de ver o resultado, ela disse que estava tudo normal e que o paciente poderia voltar para casa.
Durante a madrugada, o estado do menino se agravou e o pai voltou à UPA, mas, segundo ele, o atendimento demorou e o filho não resistiu.
A família da criança ainda pede explicações sobre os diagnóstivos.

"Como passa remédio sem saber a causa da doença? Mataram meu neto!" perguntou o avô do menino, Deubelto Gomes.
A família conta ainda que, a todo momento, a equipe médica dizia que o caso não era de internação. Além disso, a UPA ainda não liberou um laudo com a causa da morte do menino.
A UPA de São Pedro da Aldeia é de gestão do Governo do Estado. A Secretaria Estadual de Saúde informou que está apurando o caso.

Cachorros seguem carro do IML que levava corpo de dono morto, no PR


Mecânico foi assassinado no sábado (5) em distrito de Assis Chateaubriand.
Animais guardaram o corpo por cerca de 20 horas, até a chegada da polícia.

Fabiula WurmeisterDo G1 PR
Dois cachorros de um mecânico assassinado em um distrito de Assis Chateaubriand, no oeste do Paraná, seguiram o corpo do dono transportado pelo Instituto Médico-Legal (IML) por cerca de 20 km. O repórter cinematográfico Carlos Fernandes dos Anjos registrou parte do trajeto. Nas imagens, é possível ver apenas um dos cachorros, que seguia atrás do carro do IML, enquanto o outro corria atrás do carro da reportagem (ASSISTA O VÍDEO ACIMA).
A cena emocionou quem estava por ali. Os cachorros pareciam muito fiéis ao dono"
Carlos Fernandes dos Anjos, cinegrafista
"A cena emocionou quem estava por ali. Os cachorros pareciam muito fiéis ao dono", disse o cinegrafista. "Eles acompanharam quase todo o trajeto até a saída para a cidade. O maior na frente do nosso carro, que seguia o do IML, e o menor, atrás do nosso. Eles estavam bastante nervosos, não deixavam ninguém se aproximar do corpo e depois foram seguindo, correndo e latindo”, contou.
O mecânico Mauro Batista de Freitas, de 61 anos, foi morto a golpes de machado na tarde de sábado (5), depois de uma pescaria. O suspeito de ter cometido o crime se apresentou à polícia no domingo (6) pela manhã, quando informou onde o corpo estava, no distrito de Terra Nova.
  •  
saiba mais

No local, os policiais encontraram os dois cachorros ao lado do corpo, que estava caído fora do carro que o mecânico dirigia antes de ser assassinado. Os animais ficaram ao lado do dono por cerca de 20 horas.
O idoso morava sozinho, e familiares de Campo Grande (MS) seguiram até Assis Chateaubriand para providenciar o velório. O corpo foi sepultado na manhã desta segunda-feira (7).
“Conversamos com os parentes para saber o que fariam com os cachorros. Eles eram bastante companheiros do senhor morto. Sempre acompanhavam para todo lugar aonde ele ia. Disseram que provavelmente vão deixar para doação. Até pensei em ficar com um deles. Pessoas me falaram que depois de seguir o carro do IML eles voltaram para o local onde o corpo estava. Mas ainda não voltei lá para ver”, comentou Carlos.
Até o início da tarde desta segunda, o suspeito do assassinato permanecia preso.
Cachorros deverão ser doados por familiares do mecânico assassinado em Assis Chateaubriad (PR). (Foto: Carlos Corujinha / Arquivo Pessoal)Cachorros deverão ser doados por familiares do mecânico assassinado em Assis Chateaubriad (PR). (Foto: Carlos Corujinha / Arquivo Pessoal)

Dono da UTC diz que fez doações a Paulinho da Força para evitar greves


Delator, Ricardo Pessoa disse que doou R$ 1,65 milhão entre 2010 e 2014.
Empreiteiro afirmou que o deputado intercedeu com líder sindical em obra.

Fernando Castro e José ViannaDo G1 PR
Dep. Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) fala sobre reajustes do salário mínimo (Foto: David Ribeiro / Agência Câmara)Delator disse que fe doações de R$ 1,65 milhão ao
deputado (Foto: David Ribeiro / Agência Câmara)
O dono da UTC e delator da Operação Lava Jato, Ricardo Pessoa, afirmou em um dos depoimentos de colaboração que fez doações ao deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP), para obter influência em movimentos sindicais. Pessoa disse ter doado R$ 1,65 milhão entre 2010 e 2014 ao deputado e ao partido Solidariedade.
No depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República (PGR), Ricardo Pessoa afirmou que as doações são feitas porque propiciam maior acesso aos tomadores de decisões, facilitando o acesso aos objetivos e interesses dos empresários. “As doações políticas são feitas para que obtenha uma vantagem, seja ela devida ou indevida”, diz trecho do termo.
No caso específico de Paulinho da Força, o delator começou a fazer doações em 2010, de R$ 150 mil, com objetivo de manter um bom relacionamento com o líder da Força Sindical na obra da Hidrelétrica São Manoel (MT). A intenção era evitar problemas como “greve, incêndio, quebradeira”, relatou.
A influência do deputado na Hidrelétrica São Manoel chegou a ser utilizada, conforme Pessoa, em época de dissídio coletivo. Preocupado com as negociações, Pessoa disse ter procurado Paulinho da Força, que posteriormente informou já havia conversado com o líder sindical da região, resolvendo o impasse.
Em 2012 o dono da UTC voltou a fazer doação ao deputado, de R$ 500 mil. Já em 2014 o valor doado foi de R$ 1 milhão para o partido Solidariedade.
“Em razão dessas doações a Paulinho, o declarante (Ricardo Pessoa) tinha a liberdade para poder pedir a ele, a qualquer momento, que intercedesse em movimentos sindicais liderados por ele que estivessem ou pudessem vir a causar problemas em seus negócios”, diz trecho do termo de colaboração.
G1 tentou contato com o deputado Paulinho da Força e a assessoria dele, mas não obteve retorno das ligações até a publicação desta reportagem.